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10. Capítulo X


Fic: Os Marotos e o Segredo De Sangue - parte I.


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Os Marotos e o Segredo de Sangue





Capítulo X – A Dança do Baile de Natal


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''Minhas esperanças estão entorpecidas
E como o inverno está passando
Que alimenta meus anseios
Parece mais frio que antes''

(Without you - John Mayer)





Eram aproximadamente cinco horas quando as meninas começaram a entrar em seus dormitórios com a função de se arrumarem para a festa, que seria às oito. Calmas e animadas, discutiam o que fariam no cabelo, elogiavam umas os vestidos das outras, davam dicas, ansiavam por sair com seus respectivos pares... e no dormitório feminino da Grifinória a coisa não foi diferente. A não ser por um detalhe.


- Ele é bonito demais pra ela... fala sério... - fofocavam aos sussurros duas garotas do sexto ano em uma das camas.


- Não sei mesmo se eles vão juntos, é o que estão comentando... - a outra que passara a fofoca falou.


Sasha apurou os ouvidos, ao mesmo tempo que disfarçava estar pegando algo em seu malão. Suas roupas ficavam no guarda-roupas, mas uma quantidade incrível de coisas suas não coubera dentro deste, então ela enfeitiçou a própria mala para caber tudo o que lhe fosse querido. Mas neste momento não era aquilo que importava...


- Lembra quando eu saí com ele? Ele disse que eu era a garota mais bonita da escola e havia adorado ficar comigo. - suspirou a primeira, uma garota de cabelos louros pintados e enrolados.


Quem quer que fosse o garoto de quem falavam, era mentira. Era cruel da parte de Sasha constatar isso e ela mesma censurou-se, mas a verdade é que ela nunca havia prestado atenção em como aquela garota não tinha nada de bonita, além do corpo moldurado. Talvez fosse por sua inveja, mas seu nariz era em uma forma tão escrota que ela nem pôde deixar de dar um risinho ao notá-lo, abaixando mais a cabeça para disfarçar.


- Thiago simplesmente não pode ir ao baile de Natal com aquela Evans cabelo de fogo. - a outra finalizou, quase majestosa, em tom de autoridade.


Sasha não agüentou e explodiu uma risada abafada, derrubando alguns frascos que pegara sem ao menos perceber. As duas garotas olharam para ela e depois se entreolharam, parecendo horrorizadas, e então saíram daquela cama o mais rápido que conseguiram, sem ao menos disfarçar.


- Droga. – praguejou a morena ao perceber que um dos frascos rachara e espalhava um conteúdo amarelo limão pelo chão.


- Que serviçinho hein, srta. Black. – a voz de Lily fez-se atrás dela e, com um gesto com a varinha, a ruiva limpou e concertou o frasco. – só não dá pra recuperar o que caiu no chão. – ela disse.


- Não tem problema. – a morena falou; e então, sorriu lembrando-se da fofoca que acabara de ouvir, e até pensou em dizer à Lílian, mas lembrou-se da vez em que ela ouvira uma fofoca tão fraca sobre ela e Thiago e fizera um verdadeiro barraco.


- O que foi, retardada? – Lílian riu – porque está me olhando desse jeito?


- Deve ser a emoção de ir a um baile. – Sasha mentiu, e isso não passou despercebido por Lílian, que jogou-lhe uma almofada.


Então, elas foram separar os vestidos, os sapatos e as maquiagens e decidir o que fariam com os cabelos. Quase no fim de três horas, Lílian e Sasha estavam vestidas e em cima do salto, os cabelos arrumados e tudo pronto. Sasha prendera os cabelos negros em um coque, deixando alguns fios soltos, e uma maquiagem devidamente escura e bem feita que destacaram seus olhos muito azuis; usava um vestido tomara-que-caia preto que caía-lhe perfeitamente no corpo estruturado, e ia até a metade da coxa, onde fazia umas pregas bonitas com detalhes bordados; Lily constatou que ela ficaria quase do tamanho de Sirius com o salto que calçara. A ruiva optara por um vestido verde escuro quase da cor dos seus olhos, com uma alça fininha e um decote em V, que modelava seu corpo de maneira excepcional; em seus olhos, a maquiagem prata fez-se poderosa e destacou ainda mais seus belos olhos verdes; os cabelos ruivos e longos soltos pelas costas como uma cascata, lisos até o último fio; também usava um salto alto que a deixava pouco maior que Sasha.


Seus olhos se encontraram e por um breve instante elas deram um olhar cúmplice, e um sorriso (quase) maroto brotou nos lábios brilhantes de Lílian:


- Você está poderosa. – elogiou.


- Acho que hoje Thiago tem um ataque cardíaco. – riu a morena.


- Prefiro nem comentar sobre isso. – a ruiva ruborizou e olhou-se no espelho, fazendo caretas.


- Acho melhor descermos. – Sasha falou, olhando à sua volta – só sobrou a gente no dormitório!


- Essas garotas estão histéricas. – falou Lílian – tudo bem quando à Alice. Ela tem quase certeza que Frank irá pedi-la em namoro e tudo, mas as outras... não sabem falar de outra coisa, Sasha. – ela fingiu-se de preocupada.


Sasha riu.


- Acho que a gente não ficou desse jeito porque estávamos preocupadas com os garotos e com o sumiço do Pettgrew. – disse.


- Você tem razão. Quando está despreocupada, é a garota mais idiota e histérica que eu poderia ter conhecido em toda a minha vida. – ironizou a ruiva.


- Sua ruiva rabugenta! – a outra xingou, e elas deram risada em seguida.


Desceram as escadas, e esperavam que Sirius e os outros Marotos estivessem lá embaixo esperando-as, pois pelo que sabiam somente Sirius havia arrumado um par para o baile. Mas ao contrário do que pensavam, no salão comunal, haviam somente estudantes bem arrumados e eufóricos, e entre eles não estava aquele par de olhos azuis acinzentados que Sasha procurou.


- Vamos esperá-los. – falou para a ruiva, que, mal-humorada, sentou-se delicadamente na cadeira que fazia deveres.


Após alguns minutos, a ruiva bufou:


- Por Merlin, não são as garotas que demoram para se arrumar?


- Mas este é um caso raro de garotos que demoram para se arrum... – a voz de Sirius surgiu atrás da morena, e estancou quando ela virou-se; mas, tentando mostrar indiferença, ele continuou – arrumar. Tivemos uns imprevistos, sabe como é... temos um meio inexperiente entre a gente. – deu uma piscadela para elas.


Sasha notou que Sirius ficava divino com aquelas belas vestes de gala negras, seu cheiro tomando conta do ar imperiosamente, e principalmente tomando conta da garota. Ele pegou levemente sua mão e beijou-a, fazendo-a sorrir de loslaio.


Thiago veio logo atrás, despreocupado, e então, sem olhar para ninguém mais no salão, demorou seu olhar em Lílian, mordendo os lábios. Mais vermelha que nunca, ela mexeu-se na cadeira, mostrando as costas abertas do vestido verde. E como Thiago era um maroto que se prezasse, dirigiu-se até ela e, encostando-se na mesa, aproximou o seu rosto do dela, notando que ela paralizara-se.


- Você ainda me deixa doido, ruiva... – murmurou só para ela ouvir, olhando-a nos olhos, e percebeu que ela encarava seus lábios com avidez – está linda demais pra quem não tem acompanhante... – ralhou.


Lílian sorriu.


- Dá o fora, idiota. – ela falou na mesma voz sedutora que ele usou, surpreendendo-o com a agressividade – está cansando a minha beleza.


Thiago riu e estendeu-lhe a mão para levantar-se. A ruiva desviou e saiu da cadeira pelo outro lado, dizendo:


- Podemos ir, Sasha?


Não que Lílian fosse tão neurótica, mas realmente começava a achar que Sirius e Sasha tinham planos para fazê-la aproximar-se de Potter. Esta não era a primeira vez que os dois iam na frente, deixando-a para trás com o moreno, que divertia-se com o seu incômodo.


- De que inexperiente falava, Sirius? – quis saber Sasha, que andava de braços dados com ele pelo corredor.


- De Remo. – os olhos do maroto brilharam – Sasha, ele estava suando frio, você precisava ver! Ele convidou uma garota da Corvinal para ir com ele, uma que ele estuda junto... alguma coisa assim. Ela é monitora.


- Gloria? – quis saber Lílian.


- Ela mesma. – respondeu Thiago.


- Ela costumava sair com Frank ano passado. – falou a ruiva, dirigindo-se aos dois que iam na frente.


- Sim, até Alice aparecer e conquistar o coração do pobre Frank. – falou Sirius, com a voz forçadamente melosa – eles saíam por sair, Frank me disse.


- Alice e Frank formam um belo casal. – comentou Sasha, enquanto mexia com as próprias unhas.


Sirius pegou a mão na qual ela se concentrava, e acordou-a para o mundo, fazendo-a abrir um belo sorriso ‘de todos os dentes’ para ele, que respondeu e falou baixinho:


- Não há nada que possa fazer para ficar mais linda, Vic.


Sasha estremeceu e, sorrindo, respondeu:


- Você também não está tão longe disso, Black.


- Ah, é? E o que eu posso fazer para melhorar?


Ela atreveu-se a pensar ‘tocar seus lábios nos meus’, mas não foi isso que respondeu.


- Nascer de novo! – Lílian disse por ela, fazendo Thiago rir.


- Ta vendo, Almofadinhas, depois que eu te falo você não me dá ouvidos! – riu o amigo.


- Para você é a mesma coisa, energúmeno. – ela cortou-o, e ele continuou rindo. – mas você teria que nascer mais um milhão de vezes pra ver se resolve! – Thiago, com ar de riso, aproximou-se dela com um bico de beijo e ela afastou-o, não contendo um curto sorriso que segurou.


Sasha piscou para Sirius, e ele entendeu o que ela quis dizer.


Estavam muito próximos do hall do Salão Principal quando começaram a ouvir as conversas altas dos alunos que já se encontravam no local. Ao chegarem, perceberam que haviam sido os últimos a saírem do dormitório e que pelo menos metade dos alunos de Hogwarts (e não eram poucos) já se encontrava devidamente acompanhado e trajado, o brilho de um dia de glamour reluzindo em seus olhos como pérolas. Próximos às portas do Salão estavam um muito bem vestido Remo Lupin, segurando a mão de uma garota muito bonita, ‘a tal da Gloria’. Os dois casais aproximaram-se dos dois, fazendo a garota ruborizar um pouco, mas Remo apresentou-a à eles.


- Esta é Gloria Garret. – ele sorriu, e Sasha notou que um brilho muito vivo ardia nos olhos do rapaz; um brilho diferente dos que ela já havia visto nos olhos dele.


Gloria Garret era mais baixa que as duas outras, mas isto não tirava sua beleza; pelo contrário. Seu corpo era delicado e fino, seu cabelo castanho-claro ondulava-se até pouco abaixo dos ombros e o vestido vinho que usava caía-lhe muito bem. Ela sorriu e mostrou-lhes os dentes brancos, apertando a mão de cada um deles e dizendo que ficava feliz em conhecê-los. Os olhos escuros da garota prendiam muito a atenção e denotavam o conhecimento que tinha.


- Poderíamos escolher uma mesa pra gente! – ela falou, simpática – já que somos três casais e...


- Três casais? – interrompeu Lílian – ah, desculpa... mas não somos três casais. São dois casais e duas pessoas avulsas. – ela falou, dando uma piscadela.


- Não repare, Gloria – falou Thiago cordialmente – mas a minha ruivinha fica tímida na frente de pessoas que ela acaba de conhecer.


- Sua ruiv... – a garota começou, mas Sasha a interrompeu.


- Então, vamos arrumar uma mesa pra gente? – e, puxando Sirius pela mão, desceu as escadas para o Salão Principal.



*****





O Salão Principal havia mudado totalmente sua forma e tamanho. Definitivamente não lembrava o Salão que todos estavam mais que acostumados a tomar café-da-manhã e as outras refeições, a fazer os testes, a ouvir os discursos de Dumbledore e dos outros professores. Parecia o maior salão de festas que qualquer um deles já havia visto, e boquiabertaram-se com este fato. As paredes do salão estavam cobertas por um forro escuro, e a iluminação de velas à meia-luz dava um toque ligeiramente romântico ao lugar, com suas muitas mesinhas redondas com oito, seis ou quatro cadeiras. Sasha apurou a vista e quase pôde ver alguns lugares com duas cadeiras apenas, mas então se lembrou de quem era a escola e dispensou logo a hipótese. Havia um brilho no ar – não metaforicamente, mas havia sim, era como glitter. Já haviam muitos estudantes sentados em várias mesas, mas mesmo assim havia algumas desocupadas, e em uma mesa maior estava o Guarda-Chaves de Hogwarts, Hagrid. E em uma mesa não menos imponente ao seu lado, Dumbledore, a professora McGonnagall e alguns outros professores, que já riam abertamente com suas taças cheias de vinho. Por um momento, Sasha sentiu o olhar do diretor sobre o grupo, mas novamente descartou a hipótese: haviam realmente muitos alunos para ele olhar naquele recinto!


- Ali na frente, no meio. – apontou Thiago, arrastando-os à uma mesa perto da pista de dança; na frente desta havia um palco que ficava dentro de algo que parecia uma concha branca.


Também não ficaram muito longe dos professores. Lílian logo pôde perceber que novamente o que ela tentava evitar aconteceria: Sasha se sentaria ao lado de Sirius, e Remo ao lado de Gloria. Sobravam, então, ela e Thiago. E o garoto gentilmente puxou a cadeira para ela sentar-se – esta o fez emburrada.


- Não está satisfeita, minha linda? – ele provocou, enquanto os outros se sentavam.


- Na verdade nem um pouco. – falou entre os dentes, encostando o rosto na palma da mão, escorando o cotovelo em cima da mesa – queria estar em uma mesa a quilômetros dessa pobre cadeira em que você está sentado.


Thiago deu uma gargalhada.


- Como você é delicada, amor.


- Pare de me chamar assim, Potter! – ela enfureceu-se, embora controlando a voz.


- Porque não me chama de Thiago?


- Porque não acorda pra vida?


- Não me responda com outra pergunta. – ele disse, ao mesmo tempo que observava as pessoas; e Lily sentiu uma ponta no estomago quando ele demorou seus olhos em uma bela garota que passava ao lado da mesa, encarando-o também.


Quando ele virou-se para frente, tinha um sorriso muito maroto nos lábios. Lílian quase levantou-se e saiu dali no mesmo instante, e a voz de Sasha a convidou:


- Vamos buscar bebidas, Lily?


- Por favor. – ela agradeceu.


Sasha convidou Gloria para acompanhá-las e as três seguiram para o bar dali, onde umas bruxas engraçadas que eram garçonetes divertiam os estudantes que iam até elas.


- Ohoo... de novo você? – ouviram uma delas brincar; ela tinha cabelo roxo e olhos muito negros, usava o uniforme, que era um vestido azul muito bonito com uma faixa branca no meio; ela continuou – cuidado, cerveja amanteigada não embriaga até certo ponto... e eu vou me lembrar de cada rostinho que passar por aqui! Dumbledore não quer shows. – ela piscou para o trio.


Lily pediu.


- Três cervejas, por favor.


- Ah, e os namorados de vocês não querem nada? Eu vi vocês entrando, são belos casais.


- Na verdad...


- Ah, aqui está! – ela entregou a elas uma bandeja com seis copos grandes de cerveja tão rápido que nenhuma delas imaginou que ela faria isso – e um ótimo baile para vocês e para seus namorados! – desejou.


Sasha riu e ajudou a ruiva, escarlate, com as bebidas. Gloria comentou:


- Não acham estranho?


- Ah, ela tem que nos divertir mesmo, afinal hoje é... – mas Sasha foi interrompida.


- Não falo disso. – Gloria segurou seu braço, apontando para a porta de entrada – falo daquilo.


Escadas acima, onde eles tinham passado alguns minutos antes, estava Bellatrix Black e Lucio Malfoy, e eles estavam ainda com vestes escolares. Falavam com seriedade e muito rapidamente, e então viraram-se para olhar na direção delas.


- Eles estão nos olhando? – quis saber Lílian – achei que Bellatrix ia querer ser a mais invejável no planeta essa noite. O que eles fazem de uniforme?


- Coisa boa não deve ser. – comentou Gloria.


Então Sasha notou que Goyle vinha do corredor, apertando o braço com uma terrível expressão de dor. Lhes dizia algo que os deixava aflitos e iam embora. Mas Sasha percebeu que Bellatrix não foi embora sem antes dar um último olhar à ela. “Diabos”, pensou Sasha.


- Vamos voltar logo. – Sasha falou, engolindo seco – deve ser qualquer coisa esquisita que a gente não deve se meter.


- Ouvi dizer que os Malfoy estão do lado de Você-Sabe-Quem. – falou Gloria – e que Bellatrix é também uma grande aliada. Mas é claro que são só boatos. – ela terminou, temendo o que ela mesma havia dito.


- É claro que sim. – riu Lily, disfarçando para não alimentar a disconfiança de Gloria – imagine que estudantes iriam aliar-se às Trevas tão cedo!


E elas voltaram à mesa em que os meninos as esperavam.



*****




- Então? – falou Thiago no momento em que as garotas saíram da mesa – já pegou ou ainda tá adubando?


- Não fale desse jeito, idiota – ralhou Remo – essa é diferente.


- Ah, é... – Sirius deu um de seus sorrisos de loslaio – e é diferente como, Aluado?


- Não sei, cara – ele começou, mexendo nervoso no cabelo; e eles perceberam que Remo sentia algo por ela – ela é inteligente, engraçada... e é linda. Mas vocês sabem que não vai dar certo.


- Ah, de novo esta história! – Sirius falou, alto, e percebendo que chamara alguma atenção diminuiu a voz e abaixou a cabeça para falar somente para eles. – Remo, se você acha que essa é a garota, vá atrás dela de cabeça erguida!


- É... você fala porque é bem fácil pra você. – ele murmurou – você não é assim.


- Cala essa boca, estúpido! – falou Thiago – antes assim - ele imitou a voz de Remo finamente – do que se você estivesse morto ou coisa assim. Tem que aproveitar essa chance!


- Você sabe que hoje em dia são difíceis as garotas que merecem realmente estar com a gente... – começou Sirius.


- ...hoje em dia, dá pra contar no dedo as que prestam e as que são de uma noite. – terminou Thiago. – e nós estamos muito bem acompanhados hoje. – ele piscou para os amigos.


- Trate de aproveitar! – ordenou Sirius, observando Sasha que já vinha em direção à eles, ainda à umas dez mesas à frente.


Elas haviam parado para observar algo e falaram sérias. Sirius observou como Sasha ficava linda quando estava concentrada em algo. Segurando dois copos de cerveja amanteigada, ela parecia completamente atônita ao que as duas ao seu lado falavam entre si, e fitava algum ponto acima das escadas. Sirius tentou seguir seu campo de visão após avaliá-la por inteiro novamente, mas não pôde ver nada, e quando voltou a olhá-las, elas já voltavam para a mesa.


- ... não tenho culpa de minha condição, e não quero nutr... – Remo falava.


- Ssssshh. – calou-o Sirius – elas estão voltando.


E eles passaram um bom tempo conversando e se divertindo na mesa, até que Dumbledore anunciasse a banda, “Os Tropeiros do Deserto”, e as pessoas começarem ir até a pista, de início envergonhadas. Thiago levantou-se no instante que o diretor se retirou do palco, e começou a puxar Lílian:


- Vaaaamos garota... não seja chata e vamos dançar!


- Eu não quero Potter! – ela falava, sem acreditar no que o garoto fazia.


- Ah, não quer... eu sei que você quer! – ele riu, e ajoelhou-se ao lado dela na cadeira. – vou ter que pedir desse jeito?


Lílian olhou à sua volta envergonhada. “Ele não está fazendo isso... Merlin, me diga que ele não está fazendo isso!”. Encarou os olhos do garoto, sem perceber que se deixava levar.


- Pode parar com isso? – ela falou docemente, com um sorriso.


Thiago surpreendeu-se com a atitude de Lily, e abriu um sorriso maior ainda, e mais galanteador. Ainda ajoelhado no chão, segurou a mão fina e muito branca da garota e beijou-a.


- Me concede esta dança?


Sua voz era macia e quase Lílian pôde senti-la. “Droga. Você não está saindo com ele, Lílian. É só um convite idiota.”


- Pode esperar chegar alguém na pista? – ela respondeu.


O brilho quase saltou dos olhos do garoto.


- Vou conversar com Frank ali atrás. – avisou à ela, levantando-se; e então aproximou seus lábios no ouvido da garota e falou bem rente à ele - não se esqueça que me prometeu uma dança.


Mordendo os lábios inferiores e sorrindo, Lílian deu uma piscadela para ele. O que ela estava fazendo, nem mesmo ela sabia, mas decidiu deixar que essa sensação boa tomasse conta dela.



*****




Remo convidou Gloria para dançar e o casal foi para a pista, onde já haviam vários casaizinhos bem empolgados dançando o pop rock bruxo. Quando Lílian deu por si estava entre Sirius e Sasha, sendo que o garoto dava constantes olhares significativos à ela sem que a outra percebesse. A ruiva riu gostosamente e desconversou com Sasha:


- Você viu que o Potter já foi três vezes buscar cerveja amanteigada?


- Não reparei. – sorriu a morena.


- Ao contrário de você, Lílian, ela não fica prestando atenção no Pontas a cada segundo. – piscou Sirius, fazendo a morena rir.


Lílian revirou os olhos e murmurou um ‘’Eu não estava prestando atenção’’ que eles mal puderam ouvir, e abaixou a cabeça fingindo estar emburrada. Reparou que havia algo de errado na fala de Sirius e então lembrou-se que ele a chamara pelo seu primeiro nome, e ao contrario do que sentiria se fosse alguns meses atrás, sentiu-se confortável. Ouvira falar muito de Sirius antes de aproximar-se dele com Sasha, e todos os adjetivos eram do tipo galinha, gostoso, irresponsável, e simplesmente seu nome sempre vinha acompanhado do nome de Thiago. Mas dessa vez parecia que ele amigável, sincero e confiável. E mal pôde acreditar que pensara uma coisa dessas de um M-a-r-o-t-o!


Então notou que ele quase esbugalhara os olhos para dar sinal à ela. Notou também que ele não fazia sinais para ela sair dali para deixá-los à sós, mas sim para ela olhar para trás. Virando-se, viu Thiago sendo encurralado pela garota loira que passara por eles quando chegaram na festa. Por incrível que parecesse, ela percebeu que ele não estava confortável com a garota. Voltou a olhar para Sirius, esperando instruções.


- Vá salvá-lo! – ordenou Sasha.


Por um momento ela hesitou. Não era possível que Thiago precisasse tanto assim dela para fugir de uma garota... e por favor, porque ele estava fugindo? Tinha mil motivos para não se levantar. Mas arrastou a cadeira para trás e caminhou até onde eles estavam, não muito longe. Chegando até lá, Thiago ficou olhando o que ela fazia. A ruiva virou-se para a loira:


- Olá. – estendeu a mão. Thiago realmente, realmente não esperava isso.


- Oi, Evans. – cumprimentou a outra com um grande sorriso.


- Poxa, podemos ir agora? – ela segurou o braço do garoto.


- Claro, minha linda.


Lílian não reclamou do apelido. Deu um sorriso à loira que, sem graça, respondeu-o.


- Com licença... – esperou que a garota falasse seu nome.


- Rayranna Lins. – disse ela, ruborecendo.


- Bem... até mais. – acenou, sem apresentar-se, puxando Thiago.


- Achei que você ia demorar mais. Quem sabe aquela garota me levasse para os corredores para alguma coisa mais quente? – ele provocou – ela estava me falando umas besteiras bem sujas, Lily.


- Eu não quero saber o que ela estava te falando, Potter. – ela disse.


- Você deixou-a bem sem graça. – ele riu, sem se importar com a frieza da ruiva – ela estava esperando que você chegasse com a varinha na mão dizendo coisas horríveis e você foi a mais simpática.


Ele fez um carinho em sua mão, que segurava levemente seu braço. Ela nem havia notado que estavam na pista de dança, e eles pararam de caminhar. Levou alguns segundos até ela desviar os olhos dele e perceber o que ele estava fazendo. Ele abraçou-a pela cintura firmemente e os braços dela foram automaticamente para o pescoço dele. A dança nada tinha a ver com a musica que tocava; mas isso não foi realmente um problema, pois no mesmo momento a música parou e uma bem adequada começou a tocar, lentamente.


- Como você...


- Sssssh. – ele calou-a – agora é a nossa dança. Nada de conversa.


- Idiota. – ela disse encostando a cabeça em seu ombro.


E o ritmo levou-os para outro lugar que não era ali.



*****




Quando o ritmo lento começou e Sirius voltou – ele fora conversar com a banda para tocar uma música para seus amigos – Sasha aproximou mais ainda a sua cadeira da dele. Não havia levantado da cadeira ainda para dançar, e ainda não esperava que Sirius a convidasse. Precisava ficar um momento à sós com ele...


- Agora sim. – ele falou, sentando-se – música certa.


Sasha mordeu o lábio inferior e olhou à sua volta. Quase não haviam mais alunos nas mesas, e a meia luz agora parecia mais fosca ainda com o gelo-seco magicamente amplificado que pairava no ar. A música não fazia eco no salão, para que todos pudessem apreciá-la devidamente.


- Viu que tem bruxos do Ministério aqui? – ele perguntou.


- Não vi. – ela procurou com os olhos a mesa de Dumbledore e avistou alguns bruxos estranhos que conversavam seriamente com o diretor, este tentando descontrair sem sucesso – são aqueles?


- Sim. Devem estar aqui para a segurança.


- Não acho que estão. Se fosse por isso, eles estavam aqui todos os dias. – ela respondeu, e virou-se para olhá-lo – se alguém quiser invadir isso aqui, invade qualquer dia.


- Não é tão simples, Sasha. Hogwarts é o lugar mais seguro do mundo bruxo.


- Ah, Sirius... por favor. Eu sei que há toda aquela magia e tal, mas você acha que se alguém tão forte como Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado quisesse entrar aqui dentro, não entraria? Você sabe que ele não mede esforços.


Sirius concordou, e calou-se.


- Não viu que ele entrou no próprio Ministério? Mesmo com todos aqueles bruxos e todas aquelas senhas. Ele enfeitiça simplesmente! Você não pode saber, só de olhar, quem aqui está do lado dele e quem não está.


Ele franziu a testa.


- É algo que não se olha... é algo que se sente.


Sirius então arqueou as sobrancelhas para a ultima fala da garota.


- Não entendi. – disse.


Sasha piscou rapidamente. Então, percebendo o que falara, tentou corrigir.


- É-er... não dá pra ver o que eu sinto por você.


Sirius pareceu esquecer-se que falavam do Lorde das Trevas, e mergulhou seus olhos nos dela. A garota não esperava fazer aquele efeito, mas gostou da expressão dele e de perceber suas bochechas corando – sabia que não podia ser de vergonha, para alguém tão safado quanto Sirius, mas sim pelo calor que lhe subira. Os lábios finos do garoto se desenharam em um sorriso estonteante e ela notou que ele aproximava seu rosto do dela; e ela ajudou-o, fazendo o mesmo.


’’O teu charme, teu olhar
Tua fala mansa me faz delirar
Mas quanta coisa aconteceu e foi dita
Qualquer mínimo detalhe era pista.
(...) Que tola mais eu não consigo evitar

Porque eu só vivo pensando em você’’

(Pensando em você – Pimentas do Reino)


- É só sentir? – ele murmurou.


Sasha sentiu uma mão de Sirius passar por seu rosto, e descer para o seu pescoço. Ela acenou positivamente e lembrou que era a primeira vez que ficavam daquele jeito em público – quer dizer, que ela se lembrasse, pois não se lembrava de uma única pessoa que estivesse à sua volta naquela festa no salão comunal; mas isso realmente não tinha importância agora que estavam a poucos centímetros de distância.


Parecia que cada beijo de Sirius tinha algo de mágico. Como se o momento não estivesse predestinado ou que ele se empenhasse realmente para torná-lo inesquecível – e não parecia que nada disso acontecia. Parecia que simplesmente, era pra ser assim. O melhor beijo de todos. Só o olhar dele antes de grudar seus lábios já era mais que arrepiante; mexia com o seu brio. Sirius finalmente colou seus lábios, e fecharam os olhos. Ele sugou lentamente seu lábio inferior e terminou o beijo, deixando-a de olhos fechados esperando mais, enquanto de afastava mais alguns poucos centímetros, admirando-a.


Sasha abriu os olhos devagar e olhou diretamente para os lábios vermelhos do garoto, tentando imaginar porque diabos ele os separara dos seus. Sirius olhou bem profundamente em seus olhos, cerrando os seus um pouco, e a garota o seguiu. Olhar dentro daqueles olhos cinzas profundos e cheios de vida era penetrante. Ela quase pôde sentir uma fina linha se petrificando entre eles, com cristais saltando e fazendo o mundo girar sem que eles se importassem em fazer alguma coisa que não fosse estudar um ao outro.


- O céu está em seus olhos, Sasha...


E ela só pôde ouvir porque estava realmente próxima, porque a voz de Sirius falhou. Não esperou mais um instante sequer para subir suas mãos para o pescoço do garoto e beijá-lo com vontade.



*****




Na pista a uma pouca distância dali, mesmo com o fim da música lenta, dois corpos não se separaram. Thiago a segurava tão fortemente pela cintura que Lílian não tinha forças para se libertar.


- Pode me soltar, por favor? – ela pediu, colocando as mãos no tórax dele para afastá-lo, mas notando que realmente estava sem forças para fazê-lo.


“Porque ele tem que estar tão próximo?”


- Não vou soltar. – avisou o garoto.


Ao contrário do que Lílian esperava, ele estava sério. Durante a dança, não haviam trocado uma só palavra, como ele havia ordenado, e isso surtiu em um efeito muito grande sobre os dois. A ruiva decorou cada passo que eles deram e se lembrou com uma precisão de cirurgião depois.


- E o que você quer que eu faça? – ela perguntou.


Ele levou uma das suas mãos às costas dela, aproximando-a mais ainda.


- Você não pode ser tão bobinha, Lily... você sabe o que eu quero.


Não se lembrou de xingá-lo pelo bobinha, pois no mesmo instante Thiago abaixou a cabeça e beijou o lóbulo de sua orelha, e isso fez ela fechar os olhos de prazer. Depois ele suspirou em seu pescoço, roçando o nariz por ele. As pernas de Lílian ficaram bambas. “Não faz isso comigo...”, ela pensou, os olhos ainda fechados. Então, ele ergueu a cabeça para beijá-la, e quando colou seus lábios nos dela, uma coisa muito estranha aconteceu. Algo que ninguém estava prevendo.



*****





Todas as luzes se apagaram no Salão Principal, deixando os alunos em uma escuridão total. Por alguns segundos só ouviu-se um silêncio aterrador e um barulho repentino de cortinas que pareceram se desprender repentinamente e o vento uivando através da janela. Sasha arregalou os olhos: algo a puxara bruscamente dos braços de Sirius e algo o puxara também. E continuava puxando a garota. Então, ouviu-se gritos. E as vozes das pessoas voltaram, desesperadas e pavorosas. Ao contrário do que ela imaginava, não ouviu nem viu nenhum flash, click, ou algum ruído de mágica.


Parecia, e ela pediu à Merlin que aquilo não tivesse acontecido realmente, que a mágica estava bloqueada. E sabia o que podia causar aquilo. Mas não aprofundou esse pensamento, pois dois braços fortes agora a puxavam na escuridão, e ela não conseguia distinguir nem mesmo as silhuetas que passavam por ela.


- Me solte! – ela gritou, tentando se desvencilhar.


Os braços eram grossos demais para serem de estudantes, e as estaturas também altas demais para um adolescente. Não, ela pensou, pensou, e pensou. Cada segundo que passava ela pensava mais... não poderia se deixar levar assim. Não poderia mesmo. Chegara até ali sem receio nenhum, e ninguém a levaria embora à força, como se ela não tivesse a mínima chance de ficar. Um raio passou dentro dela, uma imensa força de vontade que lhe dizia que ser levada não era uma possibilidade; e assim o seu instinto de sobrevivência prevaleceu e ela armou-se.


Usando de toda a força que tinha nas pernas, ela deu um chute no meio das pernas da pessoa que a agarrava à direita, e conseguiu soltar o braço ouvindo o uivo de dor de um homem. Não precisou dar outro chute ao homem da esquerda, mas mordeu sua mão até que ele a soltasse. Então, disparou entre as silhuetas que vagavam e procuravam por ajuda no escuro. Sem hesitar e seguindo seu instinto, não conseguiu pensar em Lílian e os outros. Apenas sentiu que deveria correr para aquela enorme porta que se abria para mais escuridão.


Deve ter trombado em várias pessoas, que gritavam, mas sabia que aqueles dois homens e sabe-se lá mais quem estavam correndo atrás dela também naquele instante, então não parou em momento algum. Subindo as escadas, sentiu as pernas fraquejarem um pouco, mas sua vontade e sua força para correr o mais longe possível eram tão grandes que ela superou e correu mais rápido que antes. Mergulhando na escuridão do saguão de entrada, correu para a direção dos corredores do castelo.


Com clareza, notou que haviam três pessoas atrás dela, e que corriam com energia também. Diabos! ela xingou para si mesma, e ouviu as pessoas falarem umas para as outras se apressarem. Quando Sasha virou por um corredor, quase escorregando, percebeu que somente a luz do luar iluminava uma janela e que teria que se esconder em algum daqueles corredores. Não havia outra saída. Passou por mais uns três corredores. Quando entrou no quarto corredor percebeu que ali era o lugar: atrás de uma armadura velha, fazia tanta negritude que era incapaz de ver ali. Lembrou-se da passagem secreta que ela, Lílian, Thiago e Sirius haviam passado para ir à Hogsmeade. Entrou ali mesmo e ficou na ponta dos pés, esperando fundir-se com a parede de pedras atrás dela. Se desse dois passos para a esquerda, estaria no corredor e poderia correr para fora dos terrenos de Hogwarts. Mas seu bom senso lhe disse para ficar, pois desconhecia o que podia estar esperando por ela do lado de fora; se dentro das paredes do castelo estava daquela maneira... e ainda tinha seu amigos. Não fugiria sem saber como eles haviam ficado.


Estancou a respiração abruptamente quando ouviu os passos dos bruxos vindo em direção à estátua. E eles pararam bem na frente.


- Eu juro que ela desapareceu por aqui! – ela ouviu a voz de uma mulher.


- Como deixou que ela desaparecesse assim? – um homem ralhou, a voz muito grossa e rude – agora estamos fritos!


- Foi só uma das investidas, Goyle. – o outro homem falou, parando de costas para a estátua.


“Goyle Pai”, pensou Sasha.


- Sim, mas o plano é obtermos sucesso muito rapidamente. – o primeiro homem tornou a bravejar, com raiva – e você sabe o que ele quer dizer com muito rapidamente! Quer dizer que seja da primeira vez! Passei meses me dedicando à esta investida... não podemos falhar!


- Estão desistindo do peixe cedo demais! – o segundo homem bradou – a garota não pode simplesmente ter evaporado no ar! Não se pode aparatar em Hogwarts e vocês sabem muito bem disso. Ela deve estar por aqui ainda.


- Então vamos atrás dela! – a mulher liderou, e eles correram para o lado oeste do castelo.


Sasha continuou com a sua respiração muito lenta e imperceptível por alguns minutos. Esperou obter silêncio total para se sentir à vontade novamente, e mesmo assim continuava atenta. Quando finalmente relaxou os músculos, foi para novamente contraí-los: uma mão prendeu a sua boca por trás para que ela não pudesse gritar, o que ela tentou fazer automaticamente. Mas logo ficou tranqüila pois uma voz soprou muito baixa em seu ouvido:


- Ssshh.. Sasha, sou eu, Remo.


E aquela voz confortou-a definitivamente. Ficou melhor ainda quando virou-se e deu de cara com Lílian agachada no canto da parede, muito bem escondida. Tentou imaginar como os dois haviam parado lá tão rapidamente quando começara a investida.


- O que estão fazendo aqui? – ela perguntou, em um sussurro.


Lílian sorriu.


- Também queremos saber. Mas acho que estamos salvando você. – sua voz falhou e ela calou-se.


- Precisamos de um lugar mais seguro. – Sasha falou.


- Devem ter algumas salas vazias por aí que...


- ... Não. – Remo interrompeu; antes ele parecia estar hesitando entre dizer algo ou não dizer, mas pareceu escolher por dizer, sim – eu sei um lugar.


A maneira como ele disse aquilo foi tão definitiva e imperiosa que nenhuma das duas ousou protestar. Eles esperaram mais alguns minutos para seguirem, e o caminho que pegaram foi a direção contrária à que aqueles bruxos haviam ido. Caminharam por vários corredores, passagens secretas e principalmente por escadas, sempre cautelosos e procurando andar na escuridão. Em uma das escadas, ouviram sussurros e vozes distantes, e Sasha sentiu o coração vacilar quando um aluno passou correndo desesperado em um corredor à frente do que eles passavam. E enfim, após a longa corrida, pararam em um corredor vazio e Remo começou a andar, concentrado, para frente e para trás. Sasha contou três vezes, e estava para pará-lo e perguntar o que ele fazia quando algo mais estranho ainda aconteceu: uma porta materializou-se na larga parede que antes parecia vazia.


- Mas o quê... – Lílian balbuciou, parecendo tão confusa quanto ela.


- Vamos, entrem depressa! – chamou Remo.


Passaram pelas largas portas e foram parar em um pequeno aposento vazio, muito parecido com um armário de vassouras vazio. Se acomodaram em uns sofás muito pequenos e velhos que pareciam se decompor no lugar e então Remo falou:


- Achei que com o bloqueio isso não funcionaria.


- E o que exatamente é isso? – quis saber Sasha; ela estava encantada com o lugar.


- Aqui... é a Sala Precisa. Eu, Thiago, Sirius e Rabicho a descobrimos há uns dois anos... mas prometemos não contar para ninguém, pois Dumbledore nos flagrou saindo daqui e nos contou várias histórias... que vocês não vão querer saber nunca na vida. – ele explicou, a voz ainda baixa – não nos acharão aqui. E o que a gente mais quer agora, é não ser encontrado.


- Então... é como uma sala dos desejos? – raciocinou a ruiva, cruzando as pernas no sofá, sentindo-se segura.


- Mais ou menos... você tem que pensar no lugar que mais precisa no momento, tem que pedir desesperadamente, com todas as forças que tem. E fazer aquele esquema das três vezes lá na frente.


- Caramba... – espantou-se Sasha.


- Porque aquelas pessoas estavam atrás de você, Sasha? – perguntou Remo, franzindo a testa.


- Pareciam Comensais. – Lílian arregalou os olhos – aquelas capas pretas me dão nojo...


- Acho... que me confundiram. – ela falou.


Realmente, não pensara em nada para dizer. Por Merlin, estava sendo tão difícil! Porque tudo tinha que cair sempre daquela maneira? Ela novamente desviaria da questão e arrumaria uma desculpa... tantas desculpas! Estava cansada. Completamente cansada de mentir coisas assim – sentia que podia confiar nas pessoas à sua frente, mas era algo que ela aprendera a nunca contar à ninguém... algo que ela treinara para esquecer.


- Não te confundiram, não – falou Remo, notando a expressão da garota – procuravam por você. Diziam ‘ela’, a todo momento.


- Pode ser qualquer outra garota! – ela respondeu em tom ofendido.


- Tudo bem, mas... como foi que a magia parou? – Lílian parecia confusa – quer dizer, não me lembro de ter levado minha varinha para o baile mas... por Merlin, tudo estava movido à magia. E de repente, plaft.


- Eu tenho uma teoria...


- Caixa de Jihédhi. – Sasha e Remo disseram juntos.


Como ele sabia foi o que ela se perguntou no exato momento em que ele a interrompeu. Era raro alguém saber as utilidades daquela caixa, que era muitíssimo poderosa, pois a venda delas haviam sido proibidas há muitos e muitos anos pelo Ministério, mas pelo que ela sabia as poucas que haviam restado continuavam no mercado negro, passando por bibocas e ruelas escuras, seu preço aumentando conforme os anos de duração passavam.


- O quê? – Lílian confundiu-se ainda mais.


- Quando o professor Charlen provocou Thiago na sala de aula, eu não agüentei... fui à biblioteca na mesma hora para procurar o que significava e levar à eles. – explicou Remo – não achei quase nada fora da Seção Reservada... e à noite eu dei um jeito de voltar e vasculhar lá. Achei umas coisas um tanto... interessantes. – ele deu uma olhada significativa à Sasha.


- A Caixa de Jihédhi é uma das três Relíquias Proibidas. – ela resumiu, e Lílian arregalou os olhos. – Sim, Lily... não sei como uma delas veio parar até a escola, mas de fato havia pois Charlen mesmo queria abri-la para Thiago, não é? Ele não teria chances contra a caixa.


- Ninguém sabe ao certo o que é que a caixa faz... só se sabe que é capaz de bloquear uma boa região de toda e qualquer mágica por um bom tempo com um simples toque de varinha. Certa vez, há muito tempo atrás... um bruxo usou-a para decapitar de uma vez só um vilarejo inteiro de bruxos que estavam armando reivindicações contra o seu reinado. O mesmo rei fez ouro sair em cascata da caixa e se afogou em ouro líquido. – Remo falou.


- Em mãos erradas... esta caixa pode fazer horrores. E em mãos certas ela pode servir somente de enfeite! Por isso foi proibida em mil oitocentos e alguma coisa.


- E o que uma caixa dessas faz na escola? – a ruiva espantou-se – Merlin nos ajude, agora!


- Não é desse jeito, Lílian... há uma regra para a caixa. Quem usá-la tem que ter sangue real, para fazer atrocidades. Porém, nas mãos de um bruxo comum... ela faz algumas coisas pequenas e somente se ele tiver muitíssimo poder! – explicou a morena.


Por um momento a ruiva pareceu pensar.


- Eu só consigo pensar em um bruxo tão poderoso. – falou Remo.


- Eu estava tentando não pensar. – Lílian falou, olhando para as próprias mãos. Sasha engoliu seco.


Depois desta conversa no pequeno recinto, eles esperaram um bom tempo. Por um momento e outro comentavam algumas banalidades para tentar se distrair em outro assunto, mas o medo de pensar que aquele que aterrorizava o mundo bruxo poderia estar lá fora acentuava-se ainda mais ao concluírem que era certeza que ele estava lá fora, com seus seguidores, atrás de algo.


- Que diabos eles querem em Hogwarts? – por um momento Lily deixou escapar esta pergunta, mas ninguém respondeu. Mas todos refletiram.


Passaram-se mais quarenta minutos, pelo que Remo contou em seu relógio, e então eles decidiram sair da Sala Precisa. Era pouco mais de dez horas, e quando o garoto abriu a porta, eles não conseguiram ouvir nenhum barulho. Sasha saiu da sala e inclinou-se na janela que havia ali perto, notando que as luzes do castelo estavam acesas novamente e o aquele estranho ar havia se dissipado.


- Acho que eles foram embora. – ela falou, respirando aliviada, e eles foram até o Salão Principal.


Talvez fosse pela tensão que tomava conta de seu corpo quando estavam subindo para o esconderijo, mas desta vez ela notou que o caminho pareceu relativamente mais longo no retorno que na ida, mesmo que fosse apenas descida. O trio caminhou até o hall sem trocar uma palavra e não puderam evitar abafar os suspiros sustos quando se aproximaram do salão. Havia um grupo de alunas arranhadas e com cortes no rosto perto da porta, seus vestidos antes imaculados agora rasgados e sujos. Alguns estavam no chão, e eles viram até mesmo um garoto do sétimo ano desmaiado no chão. Os professores se apressavam para todos os lados, parecendo machucados também, cuidando dos estudantes e perguntando-lhes o que viram e se estavam de fato bem.


- Eles pareciam estar vasculhando tudo. – a voz fina e irritante de Franciny Turner dizia, chorosa, à Dumbledore, que ouvia com calma – sabe, pareciam estar procurando por alguma coisa ou alguém... ah, diretor, eu só quero ir para casa!


- Em breve você vai, minha querida... – o diretor respondeu olhando-a docemente, e então pareceu desviar os olhos para o trio que passava confuso entre os estudantes e fitá-los firmemente.


Sasha olhou para frente, tentando imaginar o que o diretor pensava, e topou com Sirius e Thiago, que tinham marcas roxas nos olhos e feridas nos lábios, e pareciam totalmente sérios.


- Onde se meteram? – o primeiro perguntou.


- Foi horrível. – narrou Thiago, sem esperar resposta – no começo eram poucos, mas depois chegaram muitos deles. Com certeza eram Comensais...


Sirius e Sasha se entreolharam e ela o abraçou no mesmo momento. A preocupação transbordava de seus olhos e ela fechou-os ao sentir os braços dele ao redor dela. Sirius falou bem baixo só para ela:


- Eu fiquei louco achando que tinham levado você.


Sasha riu e mordeu seu ombro, sem saber o que dizer. Teria se preocupado mais com ele se não fosse todas aquelas informações de uma vez só na sua cabeça. Mas, Céus, pensara tanto nele na Sala Precisa!


- Estávamos na Sala Precisa. – ela falou, quando eles soltaram o abraço.


- Como conseguiram chegar lá? – quis saber Thiago.


- Quando as luzes se apagaram, eu só consegui reconhecer Lily no meio da pista cambaleando e sabia que aquilo não daria coisa boa. – Remo começou a contar, e eles saíram para fora da escola, no gramado, onde algumas pessoas estavam chorando, conversando, consolando ou falando sem parar – Levei-a para os corredores, me esguiando sem que ninguém percebesse.


O grupo se sentou na grama escura.


- Foi quase impossível... a gente se escondeu atrás de uma armadura em um corredor e logo veio Sasha, com uns Comensais atrás dela... e então não consegui pensar em outro lugar que não fosse a Sala Precisa. – resumiu o garoto, e se deitou com os braços no rosto.


- O que os Comensais faziam seguindo você? – Thiago perguntou, confuso.


- Não sei... acho que me confundiram. – ela falou, e desta vez pôde disfarçar melhor.


Seu corpo havia acabado de eletrizar-se, mas agora que estava se acalmando do choque, podia pensar melhor sobre as coisas.


- Estranho. – foi a única palavra de Sirius.


E eles terminaram o baile ali, na grama da escola, vez ou outra algum deles se levantava para conversar com um professor e contar algo que viram ou sentiram, ou até mesmo para ajudar os amigos que haviam se ferido durante a investida. Frank Longbotton era um desses, e Alice parecia em choque ao lado dele, com o professor Flitwick aos seus pés, tentando voltá-la ao normal. Mais tarde ficaram sabendo que Frank tentara defendê-la de um homem muito grande que a erguia pelos braços sem esforço algum, e acabara levando vários golpes até cair semi-inconsciente. Thiago falou várias vezes que a partir daquele dia, ele tinha certeza que gostaria de virar auror, e Lílian também o afirmou, porém menos eufórica. Remo calou-se sofregamente no gramado e todos acharam que ele havia dormido, mas na verdade, ele estava somente tentando acreditar em tudo o que acontecera. “O perigo está aqui”, ele pensou.


E mesmo com todos os acontecimentos daquela noite, dois casais ainda se lembravam e se deliciavam com a lembrança do beijo daquela noite, e pensavam em como ela poderia ter acabado bem se nada daquilo tivesse acontecido.



*****




No dia seguinte, Dumbledore reuniu todos os alunos no Salão Principal logo pela manhã, até mesmo os do primeiro e segundo ano que nada sabiam do acontecido, e fez seu discurso:


- Bom dia alunos. – a sua voz estava cansada e consolada – O que presenciamos ontem à noite foi apenas uma amostra do que pode vir por aí, do que as pessoas enfrentam quase todos os dias nas ruas. E isso foi apenas o que eles são capazes de fazer sem magia! – exclamou. – Sim, ontem à noite, no baile, os Comensais invadiram a escola. Ainda averiguo como eles conseguiram tal façanha, mas isso não foi tão importante quanto ao que ele causou nos nossos alunos.


Sirius deu um olhar significativo à Thiago, que balançou a cabeça positivamente.


- Então, devo informar-lhes que a escola de Hogwarts está interditada. – o diretor continuou, e esta última frase foi de grande impacto.


Sasha trancou a respiração: não pode ser. Para onde ela iria? Uma série de protestos foi feita pelos estudantes que a rodeavam na mesa da Grifinória, mas o diretor calmamente continuou seu discurso:


- Silêncio, por favor. – mesmo com seu tom baixo, o Salão Principal mergulhou em silêncio – a escola de magia e bruxaria de Hogwarts será interditada somente pelo período das férias de Natal, para que a escola seja devidamente inspecionada e reforçada a sua segurança. Sugiro que os amigos mais fiéis acolham aqueles que não tem para onde ir... pois a amizade é uma força inabalável, especialmente em tempos como este.


E finalizou, com o habitual costume de passar lições no fim de suas frases.



*****




Antes que Dumbledore houvesse terminado o seu discurso, Lílian já havia convidado Sasha para passar as férias em sua casa, e Thiago havia convidado Sirius. Arrumando as malas, Sasha quase desabou em seus pensamentos. Não agüentava mais tudo aquilo dentro dela, e agora aquele sentimento estava se transformando em uma culpa terrível, mesmo que ela soubesse que era errado pensar daquela maneira, mas as pessoas pareceram não pensar em outra coisa além de Você-Sabe-Quem após a investida em Hogwarts.


Foi um grande estardalhaço no mundo bruxo quando saiu no Profeta Diário, pois ninguém imaginaria que eles poderiam chegar até mesmo lá. Dumbledore era diariamente criticado, mas mesmo assim parecia responder às perguntas com a maior calma e serenidade possíveis. Diziam que ele era o único que Voldemort temia.


A senhora Evans a acolheu com uma simpatia inigualável, e Sasha gostou dela logo de primeira vista. Embora as duas garotas passassem a maior parte das férias no quarto de Lílian, meio escondidas e meio entediadas, ela vivia querendo levá-las a lugares trouxas como o cinema, o shopping e a parques. Elas sempre se divertiam. A irmã de Lily, ‘’uma magricela insuportável’’ como Lílian mesmo a nomeou quando apresentou-a à amiga e ela cuspiu um ‘olá’ muito baixo. O pai de Lílian parecia ser muito atarefado no mundo trouxa, pois eram raras as vezes em que Sasha o via em casa com a família.


- Ele é delegado de polícia. – a ruiva explicou – trabalha muito aqui em Londres e ás vezes precisa ir até as cidades pequenas aqui por perto. É muito difícil tê-lo afastado dessa maneira... mas ele disse que está mexendo uns pauzinhos para conseguir diminuir a carga. – ela sorriu, mesmo sabendo que isso era desculpa do pai.


Durante aquela semana, elas não se afastaram dos garotos. Pelo contrário, pareceram aproximar-se ainda mais deles. Lílian nem rasgou a carta que Thiago mandou à ela:


”Querida ruivinha linda,


Como você está? Estou com uma saudade imensa dos seus cabelos vermelhos me fazendo pegar fogo... aliás, não se esqueça que eu não paro de pensar em você, amor.
(ela revirou os olhos, e Sasha gargalhou)
Mas, voltando aos assuntos diários, Sirius está botando fogo nesta casa e minha mãe não agüenta mais ele, não tem lugar na sua casa para prendê-lo e soltá-lo só no fim da semana? (Brincadeira, minha mãe adora ele.) Leia o Profeta de hoje, segunda página. Devolva a minha coruja inteira e tente não queimá-la, por favor.


Eu adoro você, coisa mais linda,
Saudades suas estão me matando!
De Thiago Pontas Potter”



Embaixo da sua assinatura, havia um coração desenhado que fazia várias voltinhas e se mexia, ‘’muito engraçadinho’’, a ruiva falou. Na segunda página do Profeta estava uma notícia muito estranha sobre o Lorde das Trevas, que informava um ataque à uma igreja trouxa que nada tinha a ver com o contexto, mas os bruxos alegaram ser ataque de outro bruxo. Poderia ser um rebelde, ninguém tinha provas concretas de ser dEle. Nos outros dias, houveram mais notícias e mais argumentações; Lílian até amedrontou-se quando recebeu o jornal certa vez com um grande TEMPO DE TREVAS na capa, que mexia-se em direção ao leitor.


Sasha também recebeu várias cartas de Sirius e, pelo que elas perceberam, Thiago, Sirius e Remo estavam juntos na casa dos Potter, aprontando tudo o que se podia imaginar e até mesmo o que não se podia imaginar. Ainda falavam de Rabicho, com mais conformidade mas ainda esperançosos, mesmo que meio tristes. Foi na quinta-feira que elas receberam a carta mais animada de Sirius:


”Garooootas,

Isto aqui não é uma carta, é um convite! Amanhã às sete horas eu e os meninos passaremos na casa dos Evans para buscá-las para um show de uma banda trouxa, que parece que vai estar muito animado... vamos compensar o desastre da festa de Natal! Os pais de Thiago nos deixaram sair com o carro (veículo trouxa)
(Lílian falou um irritado ‘’Como se eu não soubesse!”), e vamos agitar as férias de vocês, que por Merlin, não está dando em nada vocês trancadas em casa deste jeito!

Só responde se os pais de Lílian aprovaram. Se eles aprovarem, nós passaremos. Se não, passaremos de qualquer jeito, só precisam nos responder.

Para Vic, um beijo! Para Lily, abraço de longe! (Thiago está me infernizando!)
Até amanhã, garotas!
Sirius gostoso.’’



- Eu achava que só Thiago era tão convencido desse jeito, mas estou achando que eles estão infectados. – Lílian disse, e Sasha riu, lembrando-se que certa vez falara isto à Sirius.


Os pais de Lílian não fizeram objeção e apenas aconselharam à elas que tivessem o máximo de cuidado possível e que se protegessem e corressem caso notassem algo de estranho cercando-as; não que eles fossem os mais superprotetores, mas eles eram ligados nos acontecimentos do mundo bruxo e temiam os últimos e principalmente seus causadores.


As garotas se arrumaram e esperaram. O sol ainda começava a deixar o céu quando o carro dos Potter parou na frente da residência trouxa dos Evans, com um garoto de cabelos pretos rebeldes dirigindo-os, com um amigo um tanto temeroso na frente e outro muito animado atrás. A campainha soou e Lily foi atender.


- Ao seu dispor, belle dame. – era Thiago, e ele fez uma reverência para segurar a mão da ruiva e beijá-la.

A ruiva revirou os olhos e eles partiram. Passearam por muitas ruas, muito animados. Pararam em uma lanchonete trouxa e comeram, e depois foram passear de novo, até que Sirius falou para Thiago que parasse de enrolar e os levasse logo para a tal festa.


Então o garoto pisou no acelerador e dirigiu-se à uma pequena ruela, onde havia um muro indicando o fim da linha. Mas o garoto continuou acelerando até que atravessassem o muro, assim como faziam na plataforma para pegar o Expresso de Hogwarts. Foram parar em um imenso e escuro estacionamento, e no exato lugar da vaga para o carro deles, pois todas as outras estavam preenchidas. Desceram do carro, Thiago acionou o alarme, e eles foram até onde haviam umas bandeirinhas pratas e roxas indicando a entrada para o show. O moreno entregou cinco ingressos para o homem muito aprumado que havia e eles passaram um identificador de metais em cada um deles, além de revistar a bolsa de Sasha, e eles entraram sem maiores confusões.


Havia um pequeno saguão antes da porta para o show, onde poucos jovens tiravam fotos alegres.


- Ok, qual banda será, Thiago? – quis saber Sasha.


- Ah, meu pai me falou... mas eu esqueci o nome... – ele começou.


- Como você nos traz para ver uma banda que nem ao menos sabe o nome? – ralhou Lilian.


- Calma, Lily... – Remo adiantou-se calmamente – nós vamos saber o nome da banda em breve...


- O que estão dizendo? – uma voz desconhecida os flagrou, segurando o ombro de Sirius.


Era uma garota de cabelos muito negros e os olhos igualmente muito escuros, com a pele muito branca; suas roupas trouxas eram completamente diferente das que o grupo usava, sendo que eram exageradamente modernas e curtas. Tinha uma feição de propósito e de ironia, e Sasha imediatamente soltou fogo pelos olhos, pois a garota não se afastou de Sirius para continuar o que falava.


- Estes que vão tocar são os Rolling Stones. Eles são o maior sucesso em todo o mundo... e estão gravando um cd duplo hoje! É incrivelmente difícil conseguir ingresso para um show deles... então me assusta que não saibam quem são.


- É, pois não sabemos mesmo. – Sirius falou, sorrindo.


Então, Sasha virou-se de costas e caminhou até uma direção muito próxima à porta para o show, fingindo não estar percebendo os flertes, sem se dar conta de que demonstrava ainda mais a raiva que sentia. Quando tornou a olhar para trás, viu o grupo conversando com a garota e Lilian sorrindo falsamente para ela, enquanto dava rápidas olhadas para Sasha; mas antes que ela pudesse chamá-la para fazer companhia, um garoto saiu na frente do seu campo de visão. Ele tinha cabelos curtos e castanhos, e os olhos verdes, era muito bonito. Sorriu com os dentes aparecendo para ela, e beijou-lhe o rosto.


- Prazer, Ricardo Timbaland. – apresentou-se, simpático.


- Sasha. Sasha Mills – falou, respondendo ao sorriso do garoto.


- Está sozinha? – ele perguntou.


- Na verdade, estou com os meus amigos... – ela apontou para o grupo atrás, e reparou que Sirius deu uma rápida olhada para trás também, no momento em que Thiago falara algo em seu ouvido; a garota morena agora dava risadinhas frenéticas com um constrangido Remo. – mas agora estou sozinha.


- Aquela sua amiga, a morena, está bem animada pelo que parece – ele comentou, franzindo levemente as sobrancelhas mesmo que sorrindo.


- Ah, não... ela não é do grupo com que vim. Ela apareceu conversando com eles e eu nem sei seu nome...


- Cuidado... aqui tem umas garotas realmente atiradas, podem roubar seu namorado.


Sasha entendeu na hora que a intenção do garoto era saber do compromisso de Sasha.


- Não tenho namorado. – ela falou, olhando em seus olhos, e sentindo uma pontada.


- Ah, é... pois eu também não tenho namorada. – ele respondeu.


Sasha sorriu e deu outra olhada para os amigos, que pareciam não reparar nela.


- Acho melhor eu voltar. – ela começou para se despedir – então, a gente se encontra lá dentro! – combinou, dando uma piscadela, enquanto saía.


- Com certeza. – disse, observando seus cabelos negros balançarem-se enquanto passava.


Chamou os amigos para entrar no show logo, antes que começasse. Conhecia bem esses shows e, mesmo que atrasassem, era divertido ficar na pista enquanto uma musica tocava no som. Sirius nem olhou para ela quando estavam indo, e a garota morena seguiu-o imediatamente. Lilian murmurou um ‘belo troco’, mas ela não soube distinguir se era ironia ou se era sério; mas quando a ruiva sorriu notou que era sério. Não havia nem mesmo pensado no que fizera como troco, mas o seu pensamento estava agitado demais pelo súbito flerte da garota, e a resposta positiva dele.


Ao passarem pela larga porta, deram de cara com uma multidão de pessoas que se aglomeravam em volta de um palco e uma passarela ligada à este, todas muito animadas. Passaram por vários grupos até chegar ao lado da passarela, com muita sorte, mesmo que já apertados pelas outras pessoas.


- Vamos tentar não se separar... – falou Remo – se um de nós sumir aqui, não vai ser tão fácil achar.


- Relaxa, Aluado! – disse Thiago – a gente ta aqui pra compensar a festa de Natal... e não para se preocupar mais ainda! Qualquer coisa a gente se encontra no carro hora que a banda parar de tocar. – ele combinou e todos concordaram.


- Agora, vamos curtir! – falou Sirius, e a menina ao seu lado gritou em resposta, começando a dançar ao lado dele, mas este não a acompanhou; ele ficou encarando Sasha, que se distraía em olhar as pessoas a sua volta, vez ou outra comentando algo com Lily ao seu lado, e as duas davam risadas.


- Você está tenso, Almofadinhas. – comentou Thiago só para ele – quando você não tinha uma garota você não era assim! – deu risada.


- Cala a boca, eu não estou tenso – ele respondeu, jogando os cabelos para trás – só estou pensativo.


- Não há tempo para ficar pensando, Sirius... fazer antes, pensar depois! – falou Thiago com sua liderança e espírito inconfundíveis.


Sirius pareceu pensar por um momento.


- Nada de pensar! – falou Thiago – vou buscar as bebidas! – avisou.


- Eu vou junto, tenho que fugir dessa louca. – Sirius foi atrás.


Sasha olhou enquanto Thiago saía na frente, e Sirius ia junto, sendo seguida pela garota que grudara nele. Então seu coração parou; ele seria capaz? Não podia ser verdade, o que passou em sua mente. Sirius não iria ficar com a garota, não. Contou à Lilian.


- Thiago também foi – foi o que ela respondeu – acho que não, Sasha.


- Então porque ela não ficou aqui? – quis saber, mas a ruiva simplesmente ergueu as sobrancelhas, e começou a dançar com a música animada que começou, convidando Sasha a dançar com os gestos, e a morena tentou fazê-lo, mas não se concentrou de início.


Depois se soltou e até mesmo Remo dançou com elas. E assim se passaram vários minutos... até que um braço abraçou Sasha por trás, que ela pensou de primeiro momento ser de Sirius, mas o cheiro era diferente e a firmeza também. Virou-se, desviando do abraço, e reconheceu Ricardo que sorria.


- Está se divertindo? – ele perguntou com a mão ainda na cintura dela.


- Sim, muito! – ela disse, enquanto amarrava os cabelos para trás em rabo de cavalo – e você?


- Ah... estou também! Meus amigos estão falando desse show há semanas...


- Está muito animado!


- Espere até a banda entrar! – ele riu – daí sim você vai ver o que é animação.


Sasha deu um grande sorriso em resposta. Notou que ele encarava seus olhos, mas era diferente de quando Sirius o fazia, porque ela não estava certa se devia ou se queria fazer o mesmo. Quando era com Sirius, os seus olhos se colavam e ela nem mesmo pensava nisso, só pensava em quando ele aproximaria seus lábios dos dela e a mágica se completasse. E Ricardo, à sua frente, aproximava a cabeça da dela também, mas inclinou-se mais para falar-lhe no ouvido:


- Você é muito linda, sabia...


“O céu está em seus olhos, Sasha...” foi a lembrança da voz de Sirius que a fez acordar quando Ricardo avançava os lábios em direção à sua boca, e não a presença do maroto, que chegou empurrando o outro para trás, parecendo furioso. Algumas pessoas se afastaram quando Ricardo trombou nelas.


- Quem diabos é você? – ele perguntou imediatamente, irritando-se.


- Não te interessa! – bradou Sirius – só se afaste dela agora e não volte a se aproximar!


- Fique sabendo que ela me disse que não tinha namorado! – o outro replicou com ofensa.


- Mas não somos namorados mesmo! – Sasha defendeu-se imediatamente.


- Não quero saber o que ela te disse ou deixou de dizer, trouxa imbecil. Só que não voltarei a avisar calmamente da próxima vez! – Sirius explodiu, gritando, e a sorte foi que o som estava realmente alto e a maioria das pessoas, para se escutar, estava falando gritando, ou eles estariam chamando mais atenção ainda.


... e Sasha sabia muito bem que eles não podiam chamar atenção. Sabia que os trouxas não sabiam que eram chamados de trouxas, mas sentiu uma pontada quando Sirius disse aquilo, como se eles pudessem saber que o grupo era diferente de todas as outras pessoas que estavam à volta deles. A morena olhou à sua volta por um instante, enquanto Ricardo cuspia no chão e dizia um ‘Tremendo Babaca’ retirando-se em seguida, e notou que Lílian a olhava sem acreditar no que acontecia, enquanto os outros dois prestavam atenção em Sirius, cujas faces estavam vermelhas e os olhos semi-cerrados de raiva. A outra garota que os acompanhara desde o começo da festa parecia horrorizada.


- Você ta louco né, Sirius? – Sasha foi a primeira a dizer algo.


- Devo estar mesmo! Devia ter deixado você se envolver com ele, parecia que você estava gostando! – ele brigou, virando-se para ela.


- Você também parecia estar muito à vontade com aquela atirada em cima de você, não é mesmo?


Ele pareceu um pouco confuso, mas depois voltou a falar:


- Claro que estava, Sasha, por isso te disse tudo o que te disse! – ironizou.


- E eu acreditei em tudo o que você falou! Acha que eu fiquei muito bem ao ver você com ela, não é? Deve ter imaginado que eu entenderia...


- Cala a boca! Você também não precisava fazer aquele showzinho só pra me provocar!


- Eu não fiz showzinho nenhum, ele não saiu pendurado no meu pescoço sem ao menos me conhecer.


- Mas ia beijá-lo sem ao menos conhecê-lo, não é? Isso é bem pior! Eu só quis te proteger de...


- Me proteger? Acho melhor você pensar no que está falando, Sirius!


- Cansei se ouvir você falar para mim pensar no que eu estou falando! Por favor, pára!


Sasha estava bem nervosa, e isso era difícil de acontecer. Achava que Sirius estava sendo infantil demais e seu jeito ‘estouradinho’ estava passando dos limites; ele enxergara as coisas de um modo que ela não havia feito, e ainda estava com raiva da moral que ele dera à garota na festa.


- Se você acha isso, então eu acho melhor a gente acabar com tudo isso de uma vez! – ela disse e finalizou, dando as costas e desaparecendo no meio das pessoas.


Lílian deu uma ultima olhada à Sirius e foi atrás dela. Thiago aproximou-se temeroso de Sirius:


- Cara, você é mais idiota do que eu pensava. – falou.


- Ela saiu muito nervosa, Almofadinhas. – Remo disse – que mau jeito!


- Vocês não viram o que ela fez? – ele perguntou, revoltado – acham que ela está com a razão?


- Quem está com a razão eu não sei, mas acho que isso não importa mais. – Aluado comentou.



*****















N/A: é... eu sei que esse foi o maior capítulo do Brasil, mas eu tinha que botar tudo isso aqui dentro, pois tem muita coisa pra acontecer ainda! prometo tentar ser mais objetiva ;) minhas descrições às vezes passam dos meus limites e quando eu vejo uma cena foi em doze páginas hahaha! :P mas então... até a próxima, galeera! COMENTEM, por favor! :D

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