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3. Parte 2


Fic: Its The Fear


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Desclaimer:Nada disso me pertence. Mas amo muito brincar com eles.
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Parte 2



Sentou-se na poltrona de sua sala de leitura, olhando para o livro que deixara aberto na noite passada. Não estava com vontade de ler, na verdade, queria sair dali e ir ter com Draco Malfoy. Não conseguira dormir direito por causa daqueles olhos cinza, e quando conseguira, sonhara com eles. Olhos que a encaravam, tiravam suas roupas sem que ele a tocasse; que descobriam seus segredos sem ao menos ela ter deixado algum deslizar por seus lábios. Hermione respirou fundo, tentando não ficar ainda mais louca do que já estava. Ainda demoraria uma semana para vê-lo outra vez, para poder olhá-lo nos olhos e sentir aquele arrepio na espinha, tão característico de garotas que ficam encantadas com homens belos.

-Você não está bem. – disse Ron, entrando na sala de estudo, olhando para a morena que ainda encarava o livro.

-Parece... distante. – comentou Harry, entrando logo atrás de Ron. Hermione levantou os olhos para eles, sorrindo brevemente das roupas que eles usavam, e agradecendo por ter dispensado os empregados aquele dia, ou estariam todos escandalizados.

Harry jogou-se no grande sofá ao fundo da sala e ficou a fitar a amiga, em sua mão direita uma maçã, já quase pela metade. Ron ficou parado perto da estante de livros, olhando alguns. Os rapazes sem camisa, somente de calças, descalços. Hermione já não ligava, era algo de costume entre os três, uma liberdade além do que a sociedade permitia. Mas sempre se consideraram além do que a sociedade achava, do que a sociedade exigia. Hermione estava de saia até os joelhos, descalça, com uma simples blusa de botões, alguns abertos; somente os necessários fechados.

-Estou apenas...

-A pensar em Draco Malfoy. – completou Ron, olhando para amiga e sorrindo.

-E acha que sabe o que penso, Sr. Ronald? – perguntou Hermione, levantando-se e sorrindo para o amigo. Harry riu dos dois.

-Srta. Granger, infelizmente, eu sei o que pensa. – disse Ron com um sorriso de triunfo. – Disse o nome dele essa noite.

Harry riu ainda mais com o espanto da amiga. Ela realmente dissera o nome de Draco Malfoy durante o sono, e ele rira com Ron por alguns minutos. Hermione não era de se deixar encantar com facilidade.

-E é por isso que vão passar a dormir no quarto de hóspedes a partir de hoje. – disse Mione, olhando séria para os dois.

-Não faria isso, faria? – perguntou Harry, deixando a maçã na mesa de centro e indo para perto da amiga. – Não seja má.

-Não estou. Apenas me preservando. – disse, estreitando os olhos e virou-se para sair da sala. Ron entrou em seu caminho, impedindo que saísse.

-Hermione, não seja má. Vai nos privar de algo como dormir em sua companhia?

-Vocês dormem na companhia um do outro, a partir de hoje. – disse, rindo da expressão de Ron. Harry abraçou-a por trás, encaixando o rosto na curva de seu pescoço.

-Hermione, sabe bem que não vamos dormir sem seu cheiro. Sem seu corpo quente para nos embalar. – disse Harry, olhando travesso para Ron.

A morena suspirou e fechou os olhos, sentindo Harry respirar em seu pescoço. Sabia bem que não os faria dormir em outro quarto. Sempre que voltava desacompanhada das reuniões, eles dormiam juntos, na mesma cama. E sabia que não conseguiria dormir sem eles caso voltasse sozinha da próxima reunião. Cruzou os braços e abriu os olhos, percebendo que Ron a analisava atentamente, esperando uma resposta.

-Certo. Mas nenhuma sílaba sobre meus sonhos. – apontou o dedo para Ron, e Harry depositou um beijo em sua nuca. – Isso vale para você também, Sr. Potter.

-Não falarei mais nada sobre seus devaneios com aquele homem extremamente estranho. – Harry disse, rindo da cara de nervosa dela, e tentando segurá-la quando a morena virou-se para sair, extremamente irritada.

-Me deixe ir. – soltou-se das mãos dele e subiu as escadas, ainda ouvindo ambos rirem. Balançou a cabeça e andou em direção a seu quarto.

Eles eram duas crianças, que não estavam a ver o quanto aquele homem tinha mexido com sua mente. Abriu a porta de seu quarto e entrou, pouco prestando atenção a seu redor, seus olhos viam o tapete, mas ela só conseguia ver a cor cinza. Cinza claro, pele clara, cabelos claros. Draco Malfoy. Esse nome lhe parecia conhecido, talvez de alguma notícia que ouvira suas empregadas falarem. Algum empresário importante, não sabia. Mas aquele nome soava familiar em sua mente, e aqueles olhos eram tão únicos, que ela tinha certeza que se já os tivesse visto, nunca esqueceria.

-A pensar em quem? – Hermione virou-se rapidamente para a porta que dava em sua casa de banho e assustou-se ao ver Sirius parado ali.

-O que faz aqui? – perguntou extremamente nervosa, odiava quando ele entrava sem permissão.

-Ontem você fugiu de mim. – ele sorriu, colocando as mãos nos bolsos da calça, um sorriso ladino. – Hoje você não vai.

-Não vai acontecer nada, Sirius. – recuou um passo, já podia sentir o perfume dele.

-E por que não? – ele riu ao vê-la se afastar e aproximou-se alguns passos.

-Harry e Ron estão no andar de baixo e gritarei caso tente algo. – disse, sabendo bem que não teria tempo de gritar antes que ele a tocasse. E quando ele a tocasse, estaria tudo perdido.

-Garota, você sabe que não me importo com seus gritos.

Não houve tempo, Hermione viu-se pressionada contra a folha de madeira da porta de seu guarda-roupa, o corpo de Sirius contra o seu, o perfume dele fazendo efeito em seu corpo, como ópio. Sirius realmente era uma droga, que viciava na primeira vez de uso. Sua blusa foi desabotoada em meros segundos e a morena mal teve tempo de respirar antes de sentir os lábios dele contra os seus.

Um beijo calmo, de brincadeira, pra atiçar os instintos dela. Suas mãos a puxavam contra si e Sirius ria ao ouvir a respiração dela falhar, cada vez mais rápida. O beijo era calmo, mas transmitia cada intenção de Sirius, fazendo Hermione querer, porém relutar muito.

-Hermione... – a voz de Harry na escada assustou o casal e Sirius separou-se minimamente dela, sorrindo malicioso quando ela tentou lhe empurrar para longe.

-Vá embora, Sirius. – disse, debatendo-se nos braços deles, vendo-o rir com o esforço dela.

-Vou, mas volto essa noite. – deixou um beijo rápido na mandíbula da morena e saiu pela porta que levava a casa de banho, deixando-a recostada no guarda-roupa. Quando Harry entrou no quarto percebeu o estado da amiga e a olhou divertido.

-Então, eu acho que eu devo voltar à sala...

-Se começar a fazer brincadeiras, Alice vai descobrir certas coisas sobre você. – começou a andar na direção da casa de banho. – Sem querer, é claro.

-Você não sabe brincar? – o moreno perguntou carrancudo, cruzando os braços na frente do corpo, seguindo Hermione até a casa de banho e vendo que ela começava a se despir.

-Sei. Mas brinco com o que deve ser brincado, não com qualquer coisa. – tirou a blusa e a jogou para Harry, que ainda estava bravo. – Vou à livraria do centro, que ir comigo?

-Não, tenho que ir dar satisfações para meus tios de onde dormi.

Harry sorriu ao vê-la tirar a saia, apreciando o corpo moreno à sua frente. Hermione percebeu que ele lhe olhava e ficou a fitá-lo também, cruzou os braços e esperou que Harry falasse algo.

-Mais alguma coisa, Harry?

-Não... estou saindo. Até. – a voz dele vacilara um pouco, fazendo Hermione rir.

A morena entrou no tonel de água, percebendo que estava fria. Não se importou, afundando-se mesmo assim. Pensando na frase de Harry: "Você não sabe brincar?" Não, ela não sabia brincar. Ou sabia brincar demais, e não percebia. Sirius causava uma confusão em sua vida, sem ao menos ela se dar conta. Ele chegava parecendo um furacão e levava tudo que tinha direito. E o que não tinha.

Mas aquilo ia mudar, ela conhecera alguém diferente. Os olhos eram da mesma cor, mas o jeito, a vida, a pele e os cabelos eram o oposto. Draco Malfoy invadia sua mente com força, e ela tinha plena certeza que ficaria a pensar nele por toda a semana, até finalmente vê-lo novamente. Afundou a cabeça na água sem saber que íris cinza brilhava a observando das sombras, um dente pontiagudo pressionado contra o lábio inferior.
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Entrou na livraria, lançando um breve sorriso para o dono do estabelecimento, precisava ser cordial ou as pessoas começariam a falar dela, e Hermione não queria que ninguém falasse sobre sua vida. Foi para a seção de estudos, livros de História, Matemática, Português... Precisava encontrar um novo livro de História, sua mão com luvas encostou-se na lombada dos livros daquela prateleira e passou a andar, lendo todos os títulos. Distraída, Hermione não percebeu que lhe observavam, na fileira de trás, apenas alguns passos de onde ela estava. Ele a olhava com certa atenção, andando paralelamente a ela, esperando que ela se virasse.

-Aqui. – disse baixo ao achar o livro que procurava, e o puxou trazendo-o para seus braços. Olhou sua capa verde escura e as letras entalhadas, pintadas de preto.

Virou-se para pagar pelo livro e ir para casa, era um caminho extenso e não queria demorar-se para não andar a noite sozinha. Porém, ao virar-se seus olhos castanhos subiram do livro didático e detiveram-se na prateleira seguinte, vendo que duas íris cinza lhe encaravam. Sua respiração ficou suspensa ao perceber que era ele. Draco Malfoy estava realmente ali.

-Olá. – ele disse, a voz fazendo pequenos tremores percorrerem toda a espinha da morena.

-Olá. – ela respondeu com a voz vacilante, e Draco teve certeza de que causava o efeito que queria nela naquele momento.

-Gosta de História? – ele apontou o livro na mão dela, sem mexer-se do lugar, eles conversavam atrás da prateleira.

-Sim. Acho que toda mulher deve ser instruída. – disse com a voz um pouco mais firme e sorriu, andando devagar até o balcão. Percebeu que ele a seguia, somente olhando-a. Era como se conseguisse sentir os olhos dele por seu corpo, sentia que ele analisava suas roupas, suas curvas, seu cabelo, sua boca. E não conseguia evitar os arrepios que isso causava em sua pele.

-Concordo. – viu que a morena pagaria pelo livro e adiantou-se. – Permita-me.

Hermione não reclamou, apenas observou ele tirar as notas do bolso e entregá-las ao dono da livraria e sentiu-se bem. Isso mostrava o quão cavalheiro esse homem misterioso era.

-Obrigada. – disse, andando para fora do estabelecimento e vendo que o dia estava nublado, logo não demoraria a chover. – Achei que somente o veria na próxima reunião.

-Tinha alguns assuntos a resolver pelo centro. – disse, andando ao lado dela, olhando para frente. Seu jeito superior parecia esnobe demais, Hermione não gostou muito dessa parte. – Mas estava a procurar notícias da Senhorita.

-Minhas? – espantou-se.

-Sim. – disse ainda sem parar de andar ou olhar na direção dela. – Gostaria de visitá-la, talvez jantar em sua residência.

Hermione parou de andar, sua face surpresa, o coração acelerado. Ele estava dizendo que procurara por ela, que queria jantar na casa dela, e ela não conseguia acreditar. Ele realmente estava interessado nela e isso era algo extremamente bom. Mas algo lhe dizia que deveria se afastar, não deveria gostar tanto de estar perto dele, de querer ser vista por aqueles olhos cinza.

Draco a olhou, vendo exatamente o que ela pensava, e não poderia deixar esse medo natural dos humanos atrapalhar. Queria aquela garota, e a teria. Não importava de qual de seus poderes tivesse que usufruir, faria o que tivesse que fazer para tê-la, e tirar quem quer que fosse do caminho para que não o atrapalhasse. Estava decidido, e quando isso acontecia, Draco não desistia de seu alvo até tê-lo.

-Não me respondeu. – disse Draco olhando-a dentro dos olhos, sabendo que a estava deixando hipnotizada por seu olhar, seu jeito. Ela nunca negaria.

-Ah... claro. Amanhã à noite. – disse,fechando os olhos com força e tentando se concentrar no que estava dizendo. Seu coração batia rápido e Hermione teve plena certeza de que algo estava muito errado com aquele homem.

-Certo, mandarei um de meus criados ir ter com os seus para saber de certo o horário. – Draco aproximou-se minimamente de Hermione, tocando com a ponta dos dedos a pele do pescoço dela, na desculpa de afastar alguns fios de cabelos que ali estavam.

Viu a reação imediata que causara na pele dela, vendo-a se arrepiar, o rosto corar e as veias bombearem sangue com maior rapidez, sorriu. Ela era perfeita em vários sentidos. A queria, e a teria. Hermione o viu sorrir minimamente e virar-se, afastando-se devagar, sua sensação de confusão desaparecendo conforme os passos dele o levavam para mais longe de seu corpo. E uma parte sua gostava de vê-lo se afastar, outra ficava ansiosa, desesperada para que ele voltasse para perto.

Era uma pequena batalha, qual Hermione não consigo acabar dentro de si, apenas ficava ainda mais confusa. Era uma sensação de querer e não querer, que nunca sentira antes. Algo tão confuso que teve que ficar alguns minutos ainda no mesmo lugar, somente respirando, acalmando seu corpo, sua pele, seu coração. Sua mente, em principal. A sensação de medo de não vê-lo mais se misturando com a sensação de medo de vê-lo outra vez. Dualidade estranha em si. Algo novo e inusitado.

Balançou a cabeça e virou-se, seguindo na direção de sua casa. Era melhor deixar tais sentimentos conflitantes para o dia de amanhã, quando estivesse perto dele novamente, de nada ajudaria ficar nesse estado naquele momento, apenas lhe traria mais confusão. E já bastava a confusão que sua vida estava com relação a Sirius, não precisava de mais.

Definitivamente não precisava de mais confusão. Mas sabia que já estava em outra.

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