Harry estava sonolento aquela manhã e por isso tomava seu café ignorando as conversas a sua volta, havia estudado até tarde com Hermione, que também não parecia de muito bom humor. Quando o correio coruja começou a distribuir as correspondências, Harry se aproximou de Hermione em um gesto automático, para que assim pudesse ver as manchetes do jornal.
-Mais ataques! Parece que o Ministério está perdendo o controle. –Harry fala em tom cansado ao passar os olhos pelo jornal. A cada dia que passava, tinha mais certeza que o Ministério da Magia estava nas mãos de incompetentes.
-Não é só isso, parece que Voldemort conseguiu aliados importantes. Há uma reportagem sobre uma terrível comensal conhecida como a Lua Negra por causa de uma marca que ela tem no corpo. –Hermione fez uma pausa e leu mais um pouco da reportagem antes de continuar. –Aqui diz que ela comanda as operações mais perigosas e vitais como o abastecimento de artigos raros para poções, roubo de artefatos importantes e em locais muito protegidos, enfim me parece o braço direito de Voldemort. –Termina de falar pondo o jornal de lado, para que pudesse debater o assunto com os amigos.
-Um comensal a menos ou a mais não faz diferença, se pegarmos Voldemort o jogo acaba. –Harry fala mais concentrado em suas torradas que na notícia.
-Isso não é um jogo de xadrez bruxo onde Voldemort e você são os reis! –Hermione fala como se fosse óbvio. –Mesmo que ele morra, ainda poderá haver resistência, principalmente se houver outra figura agregadora como a Lua Negra.
-Os dois estão meio certos. –Rony se manifesta após ficar os observando discutir. –Dá para colocar toda esta guerra em um jogo de xadrez, os peões são os comensais e aliados de vocês-sabem-quem, assim como os agentes do Ministério e da Ordem da Fênix. Os líderes de cada lado ocupam as outras posições e a tal Lua Negra é a rainha de vocês-sabem-quem e como em todo jogo de xadrez, sabemos que ela é a mais poderosa e a primeira que tem que ser destruída se quisermos de fato pegar o rei, no caso vocês-sabem-quem.
-Então quem seria minha rainha? Dumbledore? –Harry fala em tom divertido e até Hermione abafa um riso.
-Eu diria que ele é uma Torre, assim como o Ministro da Magia, os espiões como Snape são os cavalos, eu sou um bispo, o outro deve ser o chefe dos aurores, sua rainha, portanto, é a Mione. –Hermione corou de imediato e rapidamente encheu a boca com torradas, enquanto Harry adquiriu uma expressão séria, como se não houvesse gostado daquilo.
-Por que você acha que ela seria minha rainha? –Harry pergunta a Rony em um tom grave, que faz Hermione se voltar para ele preocupada e curiosa.
-Eu posicionei as peças de acordo com a visão do inimigo, que no final é a que importa, já que os alvos são escolhidos por ele. –Rony começa a explicação devagar, como se escolhesse bem as palavras. –O rato do Petigrew conviveu conosco até o nosso terceiro ano, Voldemort teve algum acesso a sua mente até ano passado, ou seja, o inimigo sabe que seus melhores amigos somos Hermione e eu. Petigrew sabe bem a influencia que a Mione tem sobre você, durante o tempo todo que estivemos no ministério, ela esteve ao seu lado, mesmo quando nos separamos. No quarto ano, quando o Moody falso estava aqui, viu que ela foi a única que te apoiou desde o início e que também foi ela quem te ajudou nas provas. Com tudo isso eu quero dizer que mesmo inconscientemente ela se tornou seu braço direito, eu estou mais para o esquerdo. –Rony fala o final meio sem jeito, mas mostrando que não se importava com aquela diferença.
-Não gosto disso. Porque se for como você disse, significa que tentarão atingir Hermione para me enfraquecer, não é? –Harry pergunta de modo compenetrado.
-Bom, primeiro eles levaram seus pais, depois Cedrico que poderia te ajudar no cemitério, então Sírius, parece que querem tirar as pessoas mais importantes para você, talvez para que você faça uma grande besteira. –Rony observa com cautela, mas ainda assim, não conseguiu evitar a reação irada de Harry, que rapidamente se levantou e saiu a passos pesados do salão principal.
Depois de pensar bem em tudo que conversara aquela manhã com os amigos, Harry foi às aulas daquela manhã e avisou que não queria conversar sobre o assunto ainda. Também recebeu um bilhete de Lilith, pedindo que ele a encontrasse na hora do almoço. Harry não entendera bem o porquê de Lilith pedir que a encontrasse, mas decidiu ir vê-la do mesmo jeito. Ao passar a manhã ouvindo Rony falar de Luna sem parar, tanto Hermione quanto ele já estavam fartos, querendo que Rony conseguisse logo namorar a corvinal para que nunca mais ouvissem falar nela.
Agora estava parado junto à porta do escritório da professora de DCAT e batia na porta hesitante, aquela mulher era um tanto estranha para o gosto dele, mas poderia lhe ajudar muito a ficar mais forte.
-Olá, gatinho! Chegou na hora certa. –Lilith fala com seu jeito leve, movendo-se para o lado e deixando-o entrar. –Nosso almoço acabou de chegar.
-Nosso almoço? –Harry perguntou estranhando aquilo e mais ainda quando viu a comida cuidadosamente posta sobre um tapete próximo a janela, por onde entrava uma suave brisa.
-Não achou que ia deixar você com fome, não é? –Fala o guiando até o local e se sentando após tirar os sapatos.
-Então, por que me chamou aqui? –Pergunta se concentrando em se servir.
-Queria saber como você está, soube da sua maldição. Eu mesma não imagino uma maldição pior! –Fala em tom sentido e não conseguindo evitar uma careta ante a perspectiva de nunca mais tocar alguém.
-Eu estou tentando contornar, mas cada dia é mais difícil. Além de não poder tocar ninguém, tenho que evitar os locais com muita gente e me esgueirar pelos cantos como uma barata com medo de ser esmagada, fora a irritante cara de piedade que as pessoas usam comigo quando sabem ou se lembram que não posso ser tocado. –Havia muito rancor e raiva na voz de Harry, o que deixou Lilith com uma expressão indecifrável.
-Direcione essa raiva para o lugar certo e poderá se fortalecer. –Ouvir aquilo fez Harry olhá-la com interesse. –Quero que saiba que estou ajudando a procurar alguma cura para você, mas independente disso, minha missão aqui é garantir que quando se encontrar com Voldemort de novo, não precise de ninguém para te defender. –Ela falava em tom sério, enquanto organizava a comida em seu prato, separando cuidadosamente a comida.
-Vai me treinar? –Harry pergunta mais interessado.
-Sim, mas não vai ser moleza. –Harry fez sinal de que não se importava, já que estava com a boca cheia de comida. –Mas para que eu possa te preparar física e mentalmente, preciso que seja sincero comigo e me diga tudo o que acontecer com você, certo? Principalmente se tiver visões com Voldemort. –Harry observou-a organizar a comida no garfo e percebeu que ela era realmente metódica e organizada, ao contrário do que seu jeito indicava.
-Nesse caso, devo falar de uma visão que tive ontem de madrugada. –Lilith se mostra atenta e Harry começa a narrar tudo, detalhe a detalhe. Ela ouvia a tudo concentrada e sem parar de comer em nenhum momento.
-Então, como se sentiu a respeito disso? Gostou da sensação de poder derrotar facilmente seus inimigos, de transformar inimigos em aliados ou de poder fazer tudo o que quisesse? –Harry ficou pensativo por uns segundos antes de responder.
-Sim, qualquer um gostaria de se sentir tão poderoso. Mas eu jamais faria tudo o que ele fez... –Harry fala de modo defensivo, mas Lilith o corta.
-Se estivesse invadindo a fortaleza de Voldemort, não atacaria os comensais sem piedade? Se estivesse frente a frente com Belatriz Lestrange não iria querer fazê-la sofrer para pagar pela morte de Sírius e pelo que fez aos pais de Neville? Se você estivesse frente a frente com Voldemort e pudesse escolher, mataria o assassino de seus pais, o responsável por tudo de ruim na sua vida, com um rápido e indolor Avada Kedavra ou o faria sofrer como você sofreu todos esses anos? –Aquilo o atingiu como um potente e atordoante golpe, as perguntas ecoavam em sua mente o deixando paralisado. –Então, você está fora do time de quadribol, não está? –Lilith pergunta e Harry fica confuso com a mudança brusca de assunto.
-Sim, eu não conseguiria jogar com essa maldição, também seria uma perda de tempo, eu ganharia mais treinando feitiços de ataque e defesa, não acha? –Harry fala gostando da mudança de assunto, ainda não estava pronto para responder aquela pergunta.
-Pelo que ouvi a seu respeito você não precisa tanto de treino, além disso, ficar no time seria muito bom para você. –Lilith fala tranquilamente e ele faz uma pausa para beber um pouco de suco antes de explicar.
-Acontece que eu não ia conseguir ficar em cima da vassoura quando disputassem comigo, ombro a ombro... Você entende de quadribol? –Harry começa a explicar, mas vendo o jeito como ela o olhava, ele resolve perguntar, afinal Hermione poderia não estar sozinha.
-Claro! Que bruxa eu seria para não entender? Além disso, já fui artilheira pela Corvinal, quando eu estudava aqui. –Harry fica surpreso com aquela revelação, poderia apostar que ela havia sido da Grifinória. –Também sei como os apanhadores disputam até deslealmente às vezes, mas isso apenas servirá para te fortalecer, afinal você não espera que em uma luta real, seu oponente vá usar só magia ou não vá se aproveitar de uma fraqueza destas, não é? –Aquilo fez Harry pensar, porém a idéia de sentir tanta dor a ponto de soltar a vassoura a mais de dez metros de altura, não o empolgava.
-Se alguém bater ombro a ombro comigo, vou sentir dor e queimação no local, vou acabar caindo da vassoura e se eu estiver muito alto ou em grande velocidade, creio que ninguém vá poder fazer algo por mim. –Harry fala deixando sua frustração transparecer, adorava estar no time.
-Bom, se cada vez que alguém tocar em você, você for cair e chorar como um bebê, então é melhor ir até o escritório do meu tio e pedir pra ele arranjar uma sala de isolamento onde você poderá passar o resto da sua vida, muito bem escondido! –Lilith não escondeu a provocação em seu tom de voz, sabendo que isto mexeria com os brios de Harry.
-Entendi. Para você eu tenho que me acostumar a sentir dor, levar a vida que levava antes? –Harry fala duramente, sabia que podia parecer fraqueza, mas também sabia que ela não podia imaginar o tamanho da dor que sentia.
-Não. Mas vai ter que aprender a lutar sem varinha, todo auror sabe e você também tem que saber. Jogar quadribol vai ser útil, afinal os apanhadores não disputam tanto assim, então não vai ser tão perigoso, além disso, pode até lhe servir como estímulo para jogar melhor.
-Tudo bem, vou falar com Rony e voltar ao time, aposto que ele vai querer vir te agradecer por isso. –Harry fala sem conseguir conter o riso.
-Você tem um sorriso lindo, é realmente uma maldade não poder ser tocado. –Lilith fala olhando bem para sua boca, o que deixa Harry muito corado. –Quanto aos nossos treinos, quero que você me encontre todos os dias depois das aulas na sala precisa, além de dedicar todo seu sábado para mim, ok? –Lilith pergunta e Harry se surpreende com a intensidade dos treinos.
-Sim, tudo bem. Mas durante a semana nossas reuniões não demorarão muito, não é? Porque senão eu não consigo estudar. –Harry fala um pouco sem jeito.
-Não se preocupe, durante a semana serão cerca de duas horas apenas. –Harry não achou pouco tempo, mas concordou.
-Começamos hoje? –Harry pergunta observando-a levantar e pegar algo ali perto.
-Sim, não podemos perder tempo. Quer bolo? –Pergunta colocando um belo bolo de chocolate entre os dois, ao qual Harry não negaria.
-Pode me contar o porquê de ter sido suspensa? –A pergunta de Harry a fez rir e não pareceu a ter pegado de surpresa.
Harry chegou um pouco atrasado para a aula de feitiços e disse aos amigos que depois falaria com eles, quando os três pudessem ter privacidade. Assim que a aula terminou, aproveitaram o horário livre para darem uma volta pelo jardim enquanto Harry contava sua conversa com Lilith até a pergunta para qual ele não teve resposta.
-Mas ela também queria que você respondesse o que? É claro que não pode ter piedade desses malditos! –Rony fala apoiando a idéia de que os inimigos deveriam provar de seu próprio veneno.
-Eles podem até merecer, mas tenho certeza de que Harry não vai torturar ninguém. Até porque eu acredito que o melhor castigo para todos eles é passar o resto do dia atrás das grades, remoendo seus erros. A única exceção é Voldemort, este eu duvido que dê para prender, no entanto a maldição da morte está de bom tamanho. –Ao ver a expressão de indignação de Harry, ela faz um gesto e continua. –Você, assim como qualquer pessoa com bom coração, não agüentaria torturar alguém, ouvir berros de agonia e dor, mesmo se conseguisse fazer isso, teria pesadelos pro resto de sua vida, seria uma culpa que não teria meio de remediar. Isso tudo não é sinal de fraqueza, é sinal de humanidade. –A voz de Hermione era serena e calma, o que fez Harry pensar em suas palavras. Havia um grande desejo de fazer Voldemort sofrer tudo o que ele sofreu, mas sabia que não conseguia se imaginar matando alguém, muito menos sob tortura.
-Talvez isso seja verdade, mas só vou saber na hora. Agora voltando ao que importa, Lilith disse que vai me treinar, vou me encontrar com ela todo dia depois das aulas na sala precisa, também vou passar o sábado todo com ela daqui pra frente... ah! Ela me convenceu de que seria bom voltar pro time, então, se o capitão quiser, eu estou de volta! –Harry fala olhando para Rony, que não se contem e vai abraçar Harry, que com rápido reflexo desvia.
-Opa! Desculpa, cara. Mas é que você me deu a melhor notícia que eu poderia receber! Eu tenho que agradecer a essa professora! –Rony fala exultante e começa a falar do time e dos planos pro campeonato.
Na quase uma hora seguinte, Rony falou sobre o time e seus planos, enquanto Hermione observava tudo pensativa. Assim que o amigo parou para respirar, ela perguntou a Harry sobre as dores e este respondeu o que Lilith havia lhe dito, opinião com a qual Rony concordava. Novamente havia um monólogo de Rony, que parou somente quando voltaram ao castelo, na hora que Harry deveria se encontrar com Lilith.
-Eu e Rony vamos com você! –Hermione declarou quando Harry começou a se despedir.
-Por quê? –Harry e Rony perguntaram ao mesmo tempo.
-Porque é óbvio que não vamos lhe deixar com aquela mulher maluca . –Hermione fala a última palavra mais baixo, mas mantém a postura firme e o olhar McGonagall.
-Por que maluca? –Harry pergunta estranhando o jeito de Hermione falar, afinal Lilith era uma professora.
-Por quê? Harry, ela sem motivo beijou Neville na boca! Sabe o que a professora McGonagall achou disto? Além disto, ela quase matou os alunos do sétimo ano, todos foram parar na enfermaria, um deles teve o braço amputado e re-implantado! –Hermione fala como se os motivos dela fossem óbvios.
-Hermione, para que eu esteja preparado para guerra é necessário que eu enfrente coisas deste tipo. Eu vi a força de Voldemort e quero ser poderoso o suficiente para lutar com ele sozinho e sobreviver! –Harry fala determinado, deixando claro que ninguém o faria mudar de opinião.
-Eu não estou te impedindo de ir, apenas estou dizendo que não vai sozinho. Até porque eu e Rony corremos tanto risco quanto, afinal eu sou a sua rainha não sou? –Hermione fala também irredutível, mas sem jeito quanto a usar a palavra rainha.
-Tudo bem, tem razão. Vamos os três! –Harry fala sem querer perder mais tempo discutindo, mas ao se virar não encontra Rony.
-Deve ter visto a Luna, melhor irmos e depois ele nos encontra lá. –Hermione fala e Harry dá de ombros enquanto segue a frente da morena.
Os dois fazem o caminho silenciosamente e quando chegam ao sétimo andar, na frente da sala precisa, vêem uma porta aparecer de repente. Harry leva a mão até a maçaneta, mas a meio caminho ele pára e se vira para Hermione.
-Tem certeza de que quer vir? Pode se machucar feio. –Harry fala seriamente, estava dividido entre o que seria melhor para ela.
-Tenho absoluta certeza do que eu quero e não vou desistir. –Harry viu uma estranha determinação nos olhos da amiga, mas não comentou nada, apenas abriu a porta e entrou.
Ambos se surpreenderam ao ver que a sala era dividida em três ambientes: Uma academia trouxa, uma piscina e um tatame. Lilith se voltou para receber seu discípulo e não conteve a surpresa ao ver que ele viera acompanhado.
-Devo imaginar que viera me dar outra advertência? –Ela pergunta já se preparando para novamente encarar o tio.
-Advertência? –Harry pergunta perdido, olhando de uma para outra.
-Após eu levar mais um lote de reclamações a Prof.ª McGonagall, ela me pediu para levar uma carta a Prof.ª Sanders, a convocando para uma reunião no gabinete do diretor. –Hermione explica por alto e Lilith adquire uma expressão travessa.
-Foi como nos velhos tempos! –Fala rindo levemente. –Meu tio me passou um sermão daqueles, Minerva só faltou me dar uma detenção! Segundo ela eu não posso em hipótese nenhuma beijar meus alunos, também não posso mandá-los para enfermaria em estado grave e considerou completamente inaceitável eu ter chamado o Snape de seboso irritante e invejoso. –Harry não pôde se conter e riu com gosto. Adoraria ver a cara do professor depois de receber tão “gentis” elogios.
-De fato não é uma conduta aceitável para uma professora do colégio e talvez nem mesmo para uma de formação de aurores. –Hermione fala em tom sério e não achando graça nenhuma no que a mulher dissera.
-Ela é brava assim sempre? –Lilith pergunta a Harry, que assente. –Você veio para ver se eu não vou tentar matá-lo? –Pergunta a Hermione, que se contém para não dar nenhuma resposta atravessada.
-Eu quis vir para saber se poderia me juntar ao Harry nos treinamentos, afinal eu sempre sigo com Harry em suas “aventuras” e não pretendo deixá-lo sozinho durante a guerra. –Hermione fala de modo sincero. Lilith vê o olhar preocupado que Harry dirige a amiga e o olhar de determinação da garota.
-Tudo bem, mas saiba que aqui não há regras escolares, eu não sou uma professora e sim uma mestra e vocês serão meus discípulos, portanto farei o que eu achar necessário para que se fortaleçam. –Lilith os avisa de modo sério e ambos assentem.
-Então, vamos começar com preparação física? –Harry pergunta estranhando, achava que já treinariam feitiços.
-Sim. Não adianta nada vocês treinarem feitiços se não tiverem condições físicas para sustentar tanta magia. Além disso, como eu disse a você mais cedo, é necessário que saibam se virar sem magia. Bom, então para começar quero que tirem a roupa.
-O quê? –Tanto Harry e Hermione se assustaram com aquilo, os rostos rapidamente passando por vários tons de vermelho.
-Preciso fazer algumas medições para conduzir o treinamento de vocês. Altura, peso e outras coisas. –Lilith explica se segurando para não rir do jeito dos dois.
-E não dá pra fazer isso sem que tenhamos que tirar a roupa? –Harry pergunta deixando seu constrangimento bem visível.
-Vão até os biombos e vistam as roupas de banho que estão lá. –Lilith aponta para dois biombos que haviam acabado de aparecer e os jovens suspiram mais aliviados antes de se encaminharem para lá.
Após o constrangimento inicial por estarem só de sunga e biquíni na frente do outro, ainda tiveram que ouvir observações de Lilith sobre suas formas físicas e medidas. A professora fez uma série de anotações em dois rolos de pergaminho e depois conduziu um breve aquecimento, antes de mandá-los para a piscina. Hermione não tinha uma boa forma física e não conseguiu dar todas as voltas pedidas apesar de ter se aproximado bem da meta. Já Harry agüentou todas as voltas, apesar de estar visivelmente sem fôlego após executá-las. O passo seguinte foi uma seção de musculação de uma hora.
Após tomarem uma vitamina que Lilith fizera com coisas que eles preferiam nem saber o que era, puderam tomar uma rápida ducha e dois boxes que apareceram e depois foram até o tatame, já devidamente trajados.
-Hoje nós vamos ter nossa primeira aula de combate e por mais que eu não goste de começar tão básico, vocês aprenderão a cair. Eu os derrubarei de várias formas e vocês executarão um dos seguintes movimentos: Se a queda for para frente, vocês simplesmente vão girar dando uma cambalhota. –Ao dizer isto, Lilith salta por cima de um obstáculo aparando o peso do corpo sobre os braços que se flexionaram e diminuíram o impacto da queda, a fluência do movimento permitindo que ela se levantasse rapidamente. –Se a queda for para o lado, vocês caíram com um braço firme e dobrado e o outro esticado, as pernas retas. –Quando terminou de falar, Lilith simulou uma queda e caiu para a esquerda, batendo com força o braço esquerdo no chão, o braço direito sobre o peito, as pernas esticadas e a cabeça erguida, deixando o impacto para o ombro e o tronco. –Agora, quando for para trás, lembrem-se de que o mais importante é não bater com a cabeça e usar a força da queda para impulsionar o movimento. –Lilith fez um feitiço sobre o tatame que ficou com uma poça de algo escorregadio, ela correu na direção da poça e ao escorregar, deixou que o impulso da queda para trás, permitisse que ela girasse com os braços batendo no chão e depois voltasse a ficar de pé. Mais um feitiço e o líquido escorregadio sumiu. –Venham e façam dez rolamentos de cada.
Nos minutos seguintes os dois se moveram e rolaram de um lado a outro, a cada impacto o corpo já dolorido reclamava ainda mais. No entanto aprender aquela parte foi fácil e nenhum dos dois errou ou precisou ser corrigido.
-Bom saber que os dois foram bem, assim podemos começar a trabalhar alguns golpes para derrubar o inimigo. Vem aqui Hermione. –Assim que Hermione se aproxima, Lilith a instrui para que a segure no quimono do mesmo jeito que ela fazia. –Eu vou girar por dentro e depois impulsioná-la para frente a deslocando com o quadril e quando acabar o movimento ainda estarei a segurando. Observem. –Assim que terminou de falar, Lilith rapidamente girou pondo seu braço direito sob o de Hermione e o prendendo, enquanto o esquerdo segurava a lapela esquerda da garota e seu quadril e braços a impulsionavam para frente, fazendo Hermione cair com um grande estrondo no chão. Por reflexo, Hermione caiu como havia treinado e pôde ver Lilith em cima de si, com o joelho em sua cintura e seu braço direito ainda preso.
-Isso foi rápido, você não poderia fazer mais devagar? –Hermione pede tentando não aparentar o quanto a posição lhe incomodava.
-Mais devagar? Você se machucou? –O tom não era preocupado e sim de repreensão.
-Não, mas não entendi bem o movimento. –O que era verdade, pois quando se deu conta do que acontecia, já estava no chão.
-Não se preocupe, vou fazer com o Harry e você verá. –Lilith fala se levantando e a ajudando a levantar.
-Com o Harry? –Hermione sabia o quanto de contato havia e apesar de ser rápido, já seria o suficiente para causar uma grande dor a ele.
-Está tudo bem Hermione, tenho que me acostumar. –Harry fala respirando fundo e se adiantando até Lilith.
-Vai ser rápido Hermione, então olhe bem. –Lilith a avisa e a garota assente, passando a ficar atenta a todo o movimento.
Quando Harry tocou o quimono de Lilith e ela tocou o seu, sentiu uma dor como a de uma corrente de eletricidade passando por seu corpo, depois veio o baque, como se um gigante lhe socasse o tronco e o imprensasse contra uma muralha em chamas. Perdeu o fôlego e sentiu seu corpo queimar por dentro, era pior que a maldição cruciatos. Quase dois minutos depois a dor passou, mas seu corpo ainda ardia e ele não conseguia mover seus braços e pernas.
-Harry! Harry! Você está me ouvindo? –Hermione perguntou aflita, queria segurar seu rosto e fazê-lo olhar em seus olhos.
-Sim, está tudo bem. Eu só preciso de um tempo. –Lilith olhava para ele preocupada, não imaginava que a reação seria tão intensa, quando o contato durou poucos segundo e ela o soltou assim que o derrubou.
-Tudo bem, se deite para lá. Eu vou continuar com Hermione.
Durante os minutos seguintes, Lilith derrubou e deixou Hermione derrubá-la algumas vezes, mostrando mais três movimentos, que executou uma vez com Harry, o qual teve reação semelhante em todas às vezes.
-Análise do dia: Harry foi bem, até melhor do que eu esperava, mas ainda precisará de muito trabalho para entrar em forma. Já você, Hermione, não está em boa forma, vai precisar de atividade paralela para acompanhar nosso ritmo. Aconselho que acorde mais cedo e corra em volta do castelo, cerca de cinco voltas para começar está bom. –O tom de Lilith era sério e Hermione não poderia fazer nada senão concordar.
O caminho para a Torre da Grifinória foi silencioso e lento, os dois sentiam as pernas pesadas e os músculos doloridos, era impossível não pensarem em como estariam doloridos e acabados no dia seguinte. Quando chegaram ao salão comunal, Hermione ignorou o salão cheio e seguiu para as escadas de acesso a seu dormitório quando Harry a chamou.
-Tem certeza de que quer continuar com isso? –Harry fala observando a expressão de cansaço no rosto da amiga.
-Sim. Lilith nos mostrou que não estamos prontos para um duelo de verdade e eu não quero ser um peso morto para você. Vai ser duro, mas eu vou continuar, estou mais determinada que antes. –Hermione fala seriamente e Harry entendia o que ela dizia, pois ele mesmo já havia chegado àquela conclusão.
-Certo, então amanhã te espero as cinco aqui no salão para irmos correr. –Harry tinha um sorriso atencioso nos lábios, que fez Hermione apenas agradecer antes de desejar uma boa noite e subir para seu quarto.
N/A: Oi, atualizações a jato no feriado! Agora só falta Príncipes do Apocalipse e terei atualizado todas!
*ThaisPotter* : Pode elogiar as fic’s o quanto quiser que eu não me importo não rsrsrs Quanto ao Harry vingativo, bom eu posso dizer que ele ainda está muito bonzinho, mas em breve ele ficará mau de verdade.
Michele Ramos Machado: Você tem um ótimo raciocínio, continue assim. Quanto a como os comensais entraram, lembre-se que eles invadiram o Gringotes no livro 1, então não foi a primeira vez, quanto a espada, sua origem e tudo mais será explicada no próximo cap.
Narcisa Black : Opa! Se tem palpites exponha-os, adoro ver as teorias. Quanto a Hermione poder tocá-lo, não, ninguém vivo pode.
Amanda dos Santos Lucas: Você queria uma atitude de Hermione e ela tomou uma! Ela bateu o pé e foi junto com o Harry. Aliás, não foi só a Mione que não andou gostando dos métodos da Lilith, a MCG também não gostou nadinha!^^
*MaRy*: Neville foi zoado, mas ficou bem depois. Quanto ao Harry sádico, eu diria que ele ainda vai piorar um tanto. Continue com suas teorias, você está indo num caminho quase certo.
Ellessar: Acho que você está com mais pena ainda dele agora, não é? Rsrsrs Quanto à informação, não foi a Lilith que vazou, Voldemort descobriu por si só.
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