Tradução de “Against All Odds” de jay1013 por Sara Miles
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Capítulo 2 – A zona do crepúsculo
“Podes parar de gritar? Os vizinhos vão pensar que eu te estou a violar ou coisa assim.” O homem disse enquanto se mexia para longe de Ginny. Ginny parou de gritar e ficou especada a olhar a parte de trás da cabeça dele, em horror. Não era possível que ele fosse quem ela pensava que ele era. Mesmo embriagada, não era possível ela ter passado a noite com ele, sozinha e no apartamento dele. Pelo menos ele pensava que era o apartamento dele. Não conseguia ter a certeza porque cada vez que tentava levantar a cabeça, o quarto começava a girar. Sentiu-se enjoada e olhar para a parte de trás da cabeça dele só piorou. Mas ela tinha de ter a certeza que ele era quem ela pensava que ele era.
“Draco Malfoy, és tu?” Ginny estava a rezar silenciosamente a todos os diferentes Deuses que ela ouviu falar nos seus seis anos em Nova Iorque.
“Claro que sou eu. Quem mais iria parecer tão bem tão cedo de manhã?” O homem disse, virando-se para encarar Ginny. Não havia engano em quem ele era. Mesmo que não tivesse acreditado na sua palavra, a sua cara era prova que chegasse. Tinha o cabelo mais curto do que da última vez que ela o viu e a cara mais madura, mas os olhos eram exactamente os mesmos: cinzentos, frios e tempestuosos.
“O que estou a fazer aqui?” Ginny pensou em voz alta.
“Eu não sei. Estava prestes a perguntar-te a mesma coisa.” Draco disse, passando por ela para apanhar as suas calças do chão. Os olhos de Ginny esbugalharam-se quando finalmente começou a perceber o que tinha acontecido. Estavam a partilhar uma cama, no apartamento dele, ambos estavam de ressaca e nus. Só havia uma única explicação lógica.
“Tu violaste-me!” Ginny exclamou, afastando-se dele. O movimento foi tão rápido e histérico que ela caiu da cama e embateu no chão com estrondo. Draco levantou levemente a sobrancelha. Continuava à procura das suas roupas e escolheu ignorar a torrente de palavras que vinha da cabeça vermelha no chão.” Quer dizer, estamos ambos no teu apartamento. No teu apartamento. E mencionaste violar-me antes.” Ginny disse, tentando (e falhando) erguer-se do chão sem expor a sua pele nua mais do que o necessário.
“Minha querida, como podia violar-te se nem sequer te conheço?” Draco perguntou, enquanto punha os seus boxers. Ginny fechou os olhos enquanto ele se continuava a vestir. “Nós já nos vimos nus. Não há necessidade de agir como uma púdica agora.” Ginny abriu os olhos e Draco pode ver o fogo ardendo nos seus olhos azuis. Então ela é temperamental, ele pensou.
“Mas nós conhecemo-nos Malfoy” ela disse um pouco amargamente. Draco olhou-a confuso. Ele nunca esquecia uma cara. Especialmente uma mulher.
“A sério? De onde?” Ele continuava à procura da camisola ou pelo menos da sua varinha.
“Hogwarts”disse Ginny. Estava cansada de estar sentada no chão com ele olhando-a de cima. Relembrava-a demasiado de como ele a tratava no passado. Só porque eu não era rica como ele, ela matutou.
“Mas tu disseste que eras de Nova Iorque, a noite passada.” Disse Draco. Agora ele estava realmente confuso. Ele não se lembrava de nenhuma ruiva linda em Hogwarts.
“Eu não me lembro de dizer isso. Na verdade, eu não me lembro de nada.” Subitamente, Ginny queria choramingar. Porque teve ela de beber? Sabia que ela não aguentava licores muito bem. Ainda não se tinha conseguido habituar ao álcool dos trouxas. Ela devia ter apenas ficado longe das duas coisas. Não se conseguia lembrar o porquê de começar a beber, em primeiro lugar. E agora ali estava ela, nua, no quarto de Draco Malfoy, deitada na sua cama onde, certamente, fizeram sexo a noite passada.
Draco lutava com os seus próprios pensamentos. Quem era aquela rapariga? Se ela não era de Nova Iorque, então porque tinha sotaque? Ela estava bêbeda, ele pensou, procurando debaixo da cama e encontrando a varinha. Mas mesmo o álcool não podia dar aquela distinta pronúncia Americana que fluía tão facilmente pela língua da mulher sentada na sua cama. Pronunciou um rápido feitiço e a sua camisa, instantaneamente voou para as suas mãos. O movimento sobressaltou Ginny, que aparentemente estava em choque desde o momento em que ele se tinha virado para ela.”Estás bem?” Não estava bem certo porque tinha perguntado. Normalmente não se teria preocupado.
Ginny apenas acenou. O silêncio preencheu a sala por alguns minutos, durante os quais Draco ficou parado a olhar um lado da cara de Ginny e Ginny apenas a fitava a parede em frente dela. Finalmente, ela não conseguiu aguentar o silêncio por muito mais tempo.
“Disseste que eu te tinha contado que era de Nova Iorque.” Disse, ao virar-se para o encarar. Grande erro. Agora podia sentir os seus gelados olhos cinzentos fitando-a. Isso deixou-a com uma estranha sensação: não era bem repugnância, nem era bem satisfação. Ela queria tanto voltar-se de novo para a parede. Mas sabia que fazendo isso arruinaria a única chance que tinha de saber exactamente o que se tinha passado na noite anterior.
“Correcto” disse Draco, continuando a analisar a face dela. Não gostou do que viu. Sem a maquilhagem, a rapariga tinha obviamente traços de fatiga e possivelmente fome. O seu corpo também se encontrava magro. Será que não tinha nada que comer? Draco fez um memorando mental de lhe dar o pequeno-almoço. Era o mínimo que ele poderia fazer.
“Isso significa que podes lembrar-te do que aconteceu ontem à noite?” Ginny esperou que o sexo não estivesse na lista dos eventos da noite passada.
“Queres dizer, antes ou depois de termos feito sexo?” Draco disse com um sorriso malicioso. Ginny bufou. Ela deveria saber que ele responderia daquela maneira. Não o tinha conhecido grande parte da sua infância? “Vou propor-te um acordo. Conto-te tudo o que me lembrar sobre ontem à noite se aceitares teres essa conversa ao pequeno-almoço. Ele queria que aquilo fosse real tanto como Ginny queria.
Ginny assentiu e ficou exactamente onde estava. Draco suspirou. “Bem, eu presumo que não tens de ir trabalhar hoje.” Ele disse, levantando a varinha para conjurar a sua camisa.
“O que te faz dizer isso?” Ginny disse distraidamente. Ela não lhe estava a prestar atenção. Como me deverei sentir?, ela pensou. Deverei ficar feliz? Triste? Zangada? Violada? Estava na cama de Draco Malfoy. Isso era a fantasia de algumas raparigas. Mas tudo o que Ginny sentia era arrependimento. Arrependimento e desespero. O que pensaria Harry? Instantaneamente amaldiçoou-se por apenas ter pensado em Harry. Porque tinha de se preocupar com ele num momento como aqueles? Ele tinha-a esquecido e ela tinha-o esquecido, muito bem esquecido, também. Pelo menos, era o que ela pensava.
“Bem, não estás com qualquer pressa de agarrar nas tuas roupas e sair. Accio camisa.” A camisa de Draco voou para ele. Draco examinou-a. Os botões foram arrancados e o colarinho tinha batom por todo ele. Trouxe a camisa para perto da cara e inalou. Era o mesmo cheiro que Ginny tinha. Abanou a cabeça, repugnado consigo. Como iria supostamente, explicar aquilo a Catherine?
“Eu já não tenho emprego. Era por isso que estava a beber a noite passada.” Ela murmurou mais para si própria que outra coisa.
“E porque já não tens emprego?”Draco disse enquanto olhava da sua camisa para a sua cara.
“Por nada. Preciso das minhas roupas.” Ginny disse, com uma nova tentativa de se levantar da cama. Tropeçou no cobertor que a tinha estado a cobrir e sentiu a cara aquecer. Draco começou a rir dela, enquanto esta lutava contra o cobertor.
“Pareces estar enrolada.” Ele disse, estendendo uma mão para a ajudar a erguer-se. Ginny fitou-o e pegou na sua mão, mas em vez de se levantar, puxou-o para baixo com ela. Agora foi a vez dela rir. O usual harmonioso Draco Malfoy estava sentado no seu traseiro, deixando escapar uma torrente de pragas. Parecia estar genuinamente furioso, mas Ginny quase jurava ter visto, por um segundo, uma insinuação de regozijo nos seus olhos.
Draco olhou para trás e sorriu com malícia. Pensou ter visto algo preto e rendado por detrás dela. Era altura da paga. ”Hey! Olha o que eu encontrei.” Disse, levantando o sutiã de Ginny com um dedo. As bochechas de Ginny ficaram vermelhas.
“Dá-me isso!” disse, tirando-lhe o sutiã das mãos. Draco levantou uma sobrancelha.
“Não há nada de que ter vergonha. Afinal, todas as mulheres usam sutiã, certo?” Ginny apenas olhou para ele. Ele sorriu em resposta. “Precisas de ajuda?”
“Não! Não, não preciso de ajuda. Simplesmente sai para poder acabar de me vestir.” Ginny disse enquanto amarrava o cobertor apertadamente em volta do seu corpo esguio.
“Mas--“Ginny empurrou-o de lado. “Ok. Se insistes.” Disse ele com um sorriso na cara. Perguntou-se quanto tempo demoraria para que ela se apercebesse que a maioria das suas roupas jazia pela sala de estar e na entrada. Encostou-se à porta do seu quarto e começou a contar até dez.
“Raios!!” Ele ouviu-a gritar apenas quando tinha chegado a sete. Draco entrou com um sorriso na face.
“Já precisas de ajuda?” Ginny rolou os olhos.
“Sim.” Ela disse com um suspiro. Então era aquilo que ele planejava. Claro que ele não queria ter sexo com ela outra vez. Não era surpresa nenhuma. O que a surpreendia era passar tanto tempo a pensar nele. Pôs aquele pensamento de lado, quando o ouviu conjurar o resto da sua roupa. A sua cara caiu. Tinha vestido umas jeans de cintura descaída que eram tão apertadas que provavelmente podias perceber onde começava um musculo e acabava outro. A sua blusa não era melhor. Para além de ter uma mancha de vinho tinto de lado, era de longe muito curta. Ela não podia ter saído à rua, ou onde quer que tinha estado, apenas com aquilo vestido. Tinha certeza que Hermione ou Lavender a tinha forçado a vestir aquilo. Draco percebeu o olhar na sua cara.
“Humm.. As tuas roupas parecem estar sujas. Porque não levas um dos meus fatos?” Ginny não tinha ideia porque estaria ele a ser tão simpático quando nem sequer a conhecia. De novo, aquela era provavelmente a razão pela qual ele estava a ser tão simpático. Se ele soubesse quem ela era… Apanhou a camisa que ele lhe atirou. Pu-la rapidamente enquanto a abotoava. Que Deus, ela pensou. O cheiro dele estava na camisa. Deu o seu melhor para não esfregar a camisa na cara. A camisa iria ser um constante lembrador daquela noite. Mesmo que ela não se conseguisse lembrar do que aconteceu. Quando acabou de abotoar a camisa, ele atirou um par de calças para ela. No momento, ela não estava preparada e levou com as calças na cara. Ouviu Draco fazer troça. “Desculpa. Mas pensei que podias, pelo menos apanhar uma par de calças.” Precisava de se vingar de alguma maneira.
“Ainda não percebeste quem eu sou, Malfoy?” ela perguntou. Pareceu surpreso com a pergunta. Tinha-se esquecido que não sabia o nome dela.
“Na verdade, tinha-me esquecido disso.”ele disse dirigindo-a para a cozinha. Duas taças de cereais esperavam-nos. Sentaram-se e Draco começou à procura de um copo de leite.
“Ginny Weasley.” A mão de Draco congelou.
“O quê?” Draco disse com um olhar de completo terror.
“Eu disse Ginny Weasley.” Repetiu, começando a mastigar os cereais.
“O que tem a Ginny Weasley?” Ele rezava para que ela apenas quisesse fazer um comentário sobre a irmã do Weasel. Ele pegou no copo de leite, enquanto a via comer os cereais.
“Eu sou ela, Ginny Weasley.” Todo o leite que Draco tinha estado a beber saiu para fora. Ginny sorriu, satisfeita. Aquilo iria ensiná-lo a não mexer comigo, ela pensou.
“Mas--Não. Não podes ser. A tua pronúncia,” Ele disse, tentado manter os últimos resquícios de orgulho que lhe restavam. Ele fez sexo com Ginny Weasley? Aquilo simplesmente não era possível.
“Tenho estado em Nova Iorque os últimos seis anos.” Disse, continuando a comer os seus cereais. Normalmente saltava o pequeno-almoço, mas este estava a tornar-se a cada segundo mais e mais interessante.
“Porquê?” Ele perguntou. Ele perguntou mesmo, o porquê de ela viver em Nova Iorque?
“Porque te importas?”
“Não me importo.”
“Ok, então.” Disse servindo-se de mais sumo de laranja. Algo disparou nos olhos de Draco. Se era raiva dela ou irritação consigo mesmo, ela não sabia dizer.
“Porque não me disseste antes?” Em vez de aumentar, a sua voz ficava cada vez mais baixa e fria. Ginny percebeu que isso era ainda mais intimidador do que uma selvagem explosão de sentimentos.
“Deve ter-se-me escapulido da cabeça” Ginny encolheu os ombros, procurando pela sua colher. Draco agarrou-a pelo pulso e puxou-a pelo braço com mais força do que pretendia. Ela ficou sem chão e caiu.
“Isso simplesmente escapuliu-se da tua cabeça?” A voz dele estava perigosamente baixa agora. O que fez Ginny tremer de medo.”Não posso evitar pensar como um detalhe tão importante te pode escapar.” Ginny estava com o olhar estático e tentou decifrar a partir da sua cara, o quão zangado ele estava. Mas a sua cara e os seus olhos permaneciam inexpressivos. “Vives numa gruta, Weasley?”
“O quê?”
“Perguntei-te se vives numa gruta.” Quando Ginny permaneceu em silencio ele abanou-a.”Responde-me”.
“Não, eu não vivo numa caverna! Que tipo de pergunta é essa para se perguntar a alguém?” Ela puxou o braço para longe dele. Mas ele era mais rápido e puxou-a de novo para perto dele. Ginny estava agora a um dedo dele.
“Então deves saber que estou comprometido.” Ele disse, levantando-a do chão. As socrancelhas de Ginny uniram-se em fúria.
“E como é que é suposto eu saber isso, porra!? Eu vivo no mundo trouxa, por amor de Merlin. Não que se eu não vivesse lá eu me iria sequer importar por tu estares comprometido. Agora, se me deres licença, eu tenho sítios para ir.” Ela indicou que iria tentar libertar-se do controlo dele, mas ele era muito forte para ela. Então, começou a golpear o peito dele. Draco deu um esgar, enquanto ela lhe continuava a bater. “Larga-me--” Ginny começou a dizer, ao dar-lhe um empurram final. Este fez com que fosse obrigado a recuar e a cair no chão. Ginny aterrara sentada no seu peito. “Olha o que fizeste.”
“Linda posição em que te metes-te.” Draco disse. Ginny olhou para baixo para o seu peito, e percebeu que ela estava, na verdade, numa posição muito comprometedora. Tentou levantar-se, apenas para ser puxada de volta por ele. “Nós ainda não acabámos.” Disse ele, enquanto se sentava. Ao dizer isto, puxou Ginny para o chão. Ela bateu-lhe em resposta.
“Bem, eu já acabei.”
“Não, não acabas antes de eu dizer que eu estou.” Draco tinha um perigoso e selvagem olhar na cara.
“Não és meu dono.” Ginny bufou ao se levantar. Draco levantou-se com ela e virou-a. Deu-lhe um frio e profundo olhar antes de colar os seus lábios aos dela. Os olhos de Ginny abriram-se em surpresa. Não estava à espera que ele o beijasse outra vez. Ou de o sentir tão quente e familiar. Pode perceber dedos vagueando na parte de trás do seu pescoço, enquanto os dedos da outra mão lhe acariciavam o cabelo. Ele manteve os olhos abertos para ver qual a sua reacção. Ela não teve nenhuma. Ele aprofundou o beijo. Por esta altura, os seus lábios abriram-se, permitindo à sua lingua vaguear. Ginny não conseguiu evitar gemer de prazer. Foi quando as palavras dele a sobressaltaram. Ele era comprometido. Comprometido. E ali estava ele a beijá-la. Com raiva, ela alcançou o objecto mais próximo para o atingir com ele. Draco lamentou com dores quando Ginny esmagou um vaso na sua cabeça.
“Porque raio fizeste isso?” Ginny estava chocado com o comportamento dela. Nunca, mas nunca tinha feito algo remotamente perto do que tinha acabado de fazer. Anotou para si própria que estava livre de álcool, e repreendeu-se mentalmente. “Como vou explicar esta confusão à Catherine?”
“Agora pensas na tua noive? Quero dizer, agarramentos de bêbedos é uma coisa, mas beijos sóbrios… Isso é traição.” Ginny disse quando finalmente conseguiu recuperar a voz.
“Traição? Beijos não vale para traição.”
“Ai é?! Então, o que consideras tu traição?”
“Sexo.”
“Bem, nós fizemos isso também. Por isso, apesar de tudo, tu enganaste a tua preciosa Catherine.” Ginny chispou para ele. Deu uma volta tornozelos e pretendia sair abruptamente. Ele puxou-a de volta.
“Eu preferia que não mencionasses isto a ninguém.” Draco disse.
“E porque faria eu uma coisa dessas? Para poder ser outro nome na tua lista?” os olhos de Draco arregalaram-se.
“Eu não tenho nenhuma lista.”
“Claro que não tens.” Ginny disse sarcasticamente. Ele não estava seguro porquê, mas tornou-se imperativo que ela acreditasse nele. Pô-los cara a cara e pegou na face dela.
“Não sei o que ouviste sobre mim, mas eu nunca desrespeitei, nem irei desrespeitar uma mulher escrevendo o seu nome numa lista de nomes de mulheres com quem já dormi. Mulheres não são objectos, mas pessoas.” Ele disse, abanando-a para enfatizar o seu ponto de vista. “Pessoas não vão para uma lista como se fossem mercadorias que precisassem de ser compradas ou houvesse algum trabalho de rotina que tivesse de ser completo. Eu não assumo nada sobre ti, assim não assumes nada sobre mim. Percebeste?” Ele não a largou antes de ela acenar em concordância. Uma vez livre, olharam-se durante longos segundos. Depois Ginny pisou-lhe no pé. Draco gritou de dor e viu Ginny sair, como um furacão, do seu apartamento, descalça e vestindo um dos seus conjuntos. Ele tinha uma horrível dor de cabeça por causa dela, mas, apesar disso, não conseguia evitar sorrir. Ginny Weasley tinha crescido para se tornar numa pessoa muito interessante, pensou. E tinha a impressão que iriam chocar um com o outro outra vez.
Ginny fez cerca de um metro para lá da porta dele quando parou abruptamente para se amaldiçoar. Ela não podia aparatar para casa. Contemplou as suas opções. Podia ir ter com Hermione pedir-lhe para a aparatar para Nova Iorque. Mas depois Hermione iria perguntar onde é que ela tinha andado na noite anterior. Só Deus sabia onde Ron se encontrava, Lavender vivia no outro extremo da Inglaterra, e Harry estava definitivamente fora de opção. Não estava pronta para o encarar depois dos acontecimentos da noite passada. Isto deixava Ginny com duas opções: os gémeos ou Draco Malfoy. Ginny suspirou, enquanto voltava para trás, na direcção da porta.
Draco tinha estado a ler o Profeta Diário, quando ouviu a pancada na porta. Uma rápida olhadela para o relógio disse-lhe que não era possível ser nenhum amigo ou familiar (estavam todos a dormir às seis da manhã de um domingo). Largou o jornal e levou dois copos de sumo de laranja com ele para a porta.
“Eu--“ Ginny começou. Depois reparou no copo de sumo de laranja que ele segurava para ela. Pareceu surpresa. “Como é que sabias… esquece. Eu apenas voltei par ate pedir um favor.” Draco levantou uma sobrancelha.
“Insultas-me, pisas no meu pé, e agora esperas que eu te faça um favor?” Ele deu uma pequena gargalhada.”O que queres, Weasel?”
“Agora, tu é que me estás a insultar! E pensar que me ia desculpar pelo meu comportamento.” Ginny disse, virando-se para deixar o apartamento. Draco parou-a.”O que foi?”
“Estou à espera.” Disse ele, começando a bater o pé impacientemente. Ginny olhou para ele, confusa.
“À espera de quê?”
“Pelo pedido de desculpas.” Disse Draco. Ginny largou um riso de troça. “Ri-te tudo o que quiseres, mas tu precisas que te aparate para casa, não precisas?” Ginny parou.
“Como sabes tu isso?” Ele começava a tirá-la do sério. Talvez ele tivesse levado Adivinhação um pouco mais a sério na escola e tivesse, de algum modo, descoberto uma maneira de prever o futuro. Ou talvez Snape o tivesse ensinado a utilizar oclumância. O que quer que fosse, Ginny sentiu que teria que se resguardar, sempre que ele estivesse por perto.
“Simples lógica. Não queres que ninguém saiba onde é que passaste a noite e se fosses pedir a algum dos teus amigos que te aparatasse, de certeza que te faria perguntas.”Draco disse com um levantar de ombros. Ginny ficou chateada consigo mesma. Ele sempre arranjava uma maneira de a fazer sentir estúpida.
“Ok, então vais-me ajudar?”
“Não ouvi a frase mágica.”disse como quem canta. Ginny suspirou. Ia-lhe custar dizer aquilo.
“Desculpa ter-te chamado um galinha e desculpa ter-te pisado o pé.” Ginny disse só de um fôlego. Draco não estava satisfeito.
“O que é isso?! Não acho que Nova Iorque te tenha ouvido.” falou ele, pondo uma mão debaixo da orelha. Ginny rangeu os dentes. Devia saber que ele não lhe facilitaria nada.
“Desculpa ter ferido os teus sentimentos, mas em minha defesa, alego não estar consciente que tivesses alguns.” Ginny disse lentamente, em voz alta. Draco semicerrou os olhos e ia pronunciar-se quando Ginny continuou calmamente, “ E lamento sinceramente pelo teu pé.” Draco duvidava disso, mas que mal tinha em fazê-la aparatar em casa? Quanto mais rápido se livra-se dela, menos chances tinha de sequer mencionar o que quer que fosse a Catherine.
“Ok. Eu ajudo-te a chegar a casa. Apenas deixa-me agarrar na minha varinha e estaremos a caminho.” Foi-se embora, dirigindo-se ao seu quarto. Enquanto esperava, Ginny andou até à janela. O sol tinha acabado de nascer. Ginny rezou, silenciosamente, que o seu senhorio Raul não tivesse ido ao seu apartamento naquela manhã para recolher a renda. Ele tinha estado a fazer isso durante toda a semana e se Ginny não estivesse em casa, ele de certeza que poria uma carta de despejo na sua porta. Abanou a cabeça e afastou-se da janela. Era melhor não pensar naquilo.
Ginny andou pela sala de estar, onde uma fotografia lhe chamou a atenção. Era uma fotografia de Draco e de uma mulher. Mas não era apenas uma mulher. Ela era linda de morrer. Tinha a prata dos olhos de Draco, excepto pelos seus olhos não parecerem tão sérios. Tinha um longo cabelo negro que descansava perfeitamente nos seus ombros. Tinha os ossos das bochechas salientes e um sorriso que, com certeza, despedaçaria corações. A sua pele tinha uma cor que ficava entre um bege quente e mel. Cada característica, quando examinada em separado, parecia estranha mas a combinação era estonteante. Ela parecia a imagem de uma deusa Amazonas. Ginny quase suspirou de inveja. Ela era o tipo de rapariga que podia ter um homem de joelhos se quisesse. E era obvio que tinha Malfoy sob o seu feitiço, Ginny meditou, enquanto reparava no modo como Draco segurava na sua mão esquerda. Um diamante reluzia no dedo anelar. Ginny olhou brevemente para cima, para as outras fotografias na sua sala de estar. E, como seria obvio, eram todas dela. Ginny, subitamente ficou com raiva. Era obvio que ele amava aquela rapariga, então porque a tinha traído?
“Ok, encontrei a minha varinha. Para o que estás a olhar--“ Draco começou, mas Ginny interrompeu-o ao despejar o resto do seu sumo de laranja na cara dele. “Por que raios foi isso?” exclamou ele, limpando a cara.
“Muito obrigada, mas não preciso da tua ajuda.” Ginny disse num tom gelado. Draco gemeu. Não sabia porquê, mas teria preferido veneno ou raiva. Não sabia como lidar com o seu tom frio e civilizado. Draco não a impediu quando ela saiu. Não fazia ideia o que a tinha deixado tão zangada ou porque se importava ele por ela estar zangada. Ele encolheu os ombros e começou a preparar-se para o, de certeza, difícil dia à sua frente.
N/A: Queria agradecer a toda a gente que comentou. Vocês são os maiores. Quem ler isto, por favor lembre-se de comentar! Podem deixar sugestões e criticas construtivas. Sei que este capitulo não foi tão bom como o anterior, mas tenho tido muitos trabalhos de casa anteriormente. Eu sei, desculpas, mas o próximo capitulo vai ser melhor. Vai estar pronto na sexta ou no sábado, no máximo. Oh, e por favor leiam a outra história. Chama-se Forever is too long to wait. É uma fanfic da Gossip Girl, mas tem mais capítulos e é mais engraçada que esta. Obrigada pelo vosso tempo e por favor, comentem!
N/T: Ela é tão modesta. Eu acho-lhe muita piadaD Simpatiquíssima!! Sinceramente adorei este capitulo. E este Draco está uma doçura! Mhuaahh! E comentem!! E muitíssimo obrigado a Jan Potter e Bárbara Mattos por terem deixado cometários!! Esta fic vai aquecer^^D
Bjo e mais uma vez comentem!! |