A porta atrás dele se abre e os dois rapazes se viram ansiosos, vendo Lílian sair devagar e fechar a porta com cuidado atrás de si. Seu semblante estava tenso, preocupado e aquilo quase fez o coração de Harry parar. Ela o olhava com olhos úmidos, abria e fechava rapidamente a boca como se não encontrasse palavras para falar.
-Apenas seja direta, mãe. O que houve com Hermione? –Harry pergunta usando o resto de força que tinha, precisava saber, nada seria pior que a dúvida.
-O ferimento foi grave, ela perdeu muito sangue. Conseguimos cuidar disto, mas é provável que haja seqüelas, sabe como o cérebro é frágil... –Harry se sentiu aliviado por saber que a namorada estava viva e a única coisa que importava era vê-la, abraçá-la, confortá-la.
-Ela está acordada? –Novamente Lílian lhe lançara aquele olhar depressivo, o que só o estava deixando mais nervoso.
-Agora está dormindo e deve fazê-lo até amanhã. O problema, querido, é que houve um problema quando ela acordou por uns minutos e espero que ele não se repita quando ela acordar, mas há boas chances...
-Sem rodeios mãe, apenas diga o que houve. –Harry lançava olhares nervosos para a porta, queria estar com Hermione.
-Ela não se lembrava de nada, nada mesmo. Não sabia quem era, não reconheceu ninguém... –Harry se sentiu sugado para um buraco negro, já não via e nem ouvia nada.
Inconscientemente, se afasta até encontrar uma parede, onde se apóia, deixando-se cair até chegar ao chão. Em sua mente ele revia os momentos mais importantes que passara com ela, relembrando tudo o que passara para conquistá-la, todos os beijos e juras de amor que trocaram. Mas de repente as lembranças cessam, como seria se ela realmente não se lembrasse de nada? Será que ela poderia ser a mesma pessoa ou a Hermione por quem se apaixonara havia morrido aquela tarde?
-Ela vai voltar a lembrar? Ela vai voltar a ser a minha Mione? –Pergunta quase em desespero, correndo até a mãe e pegando suas mãos.
-Não posso te dizer querido. Só poderemos saber quando ela acordar e pudermos fazer exames mais detalhados. –Responde o abraçando de modo reconfortante, mas logo depois ele se afasta e vai em direção a enfermaria.
Melissa dormia em uma cama no fundo da enfermaria, seu rosto tinha uma cor quase normal e seu sono era tranqüilo. Hermione, porém, estava muito pálida, os lábios quase sem cor, a respiração tão fraca que mal era perceptível.
-Me desculpe, eu devia tê-la protegido, mas não fui capaz. –Fala se sentando ao lado da cama da namorada, segurando uma de suas mãos entre as suas e depois a beijando com carinho. –Prometo que nunca mais a deixarei desprotegida, que da próxima vez eu vou acabar com todos eles sem piedade. –Havia amargura e determinação em sua voz, era uma promessa que ele cumpriria custasse o que custasse.
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Assim que todos os alunos chegaram a Hogwarts, os feridos foram levados à enfermaria e os demais foram para seus salões comunais onde todos deveriam se reunir. Como o esperado os diretores de suas casas falaram aos alunos tentando tranqüilizá-los, Dumbledore estava a caminho de Londres para fala com o ministro da magia e logo Hogsmeade estaria mais protegida.
Gina já sabia o tipo de conversinha que os diretores teriam com os alunos, então apenas ficou esperando que terminasse para poder ir atrás do “responsável” pelo ataque, o mapa do maroto bem guardado em seu bolso. Por isso, assim que pôde saiu do salão comunal e foi para o segundo andar, onde Draco aparecia no banheiro da murta.
Entrou no banheiro com determinação, mas não havia ninguém a vista, então apurou os ouvidos e ouviu as vozes que vinham de uma das cabines. Uma era mais baixa e um tanto longínqua como se a pessoa que falava estivesse em outro lugar, a segunda voz era de Draco.
-Eu não tenho culpa se os dois incompetentes se atrasaram, eu estava os esperando no local marcado! –Draco protesta irritado, como se não fosse a primeira vez que dizia aquilo.
Já disse o que penso sobre isso. Agora o importante é conseguir neutralizar o Potter. Quando a notícia se espalhar vão considerá-lo um Deus, uma esperança de vencerem a guerra e não podemos permitir isso. –A voz parecia ser de Lucius Malfoy e ele não estava nada contente.
-Eu não quero me meter nisso! A mãe dele está aqui e vai ficar de olho nele e na irmã a partir de agora, eu tenho certeza. –Draco parecia cansado e sem dúvida não queria cutucar a leoa com um graveto.
Nesse caso depois de amanhã enviarei um veneno que deve fazer a sangue-ruim beber. Se o Potter quiser que a namoradinha sobreviva terá que se entregar. -Gina teve que se conter para não entrar na cabine e desafiá-lo a tentar qualquer coisa contra seus amigos.
-O fato de eles serem “os mocinhos” não quer dizer que sejam idiotas! É claro que nem Dumbledore e nem os pais dele vão deixá-lo sair desse castelo mesmo que tenham que prendê-lo. Ninguém vai arriscar da esperança do mundo bruxo por causa de uma sangue-ruim. –Aquilo era óbvio e fez Gina estremecer, sentindo um gosto amargo na boca.
Eles podem fazer isso e terão um garoto revoltado que vai odiá-los tanto quanto nos odeiam. E ainda teremos eliminado de forma muito dolorosa aquela maldita sangue-ruim. . –Estava claro que Lucius Malfoy jamais a perdoaria pela humilhação que fizera Draco passar e não descansaria até tê-la matado.
-Ela está na enfermaria, tem gente demais lá, eu vou acabar sendo visto e mandado direto a Azkaban! –Parecia uma tentativa desesperada de se livrar daquela missão, apesar dele tentar ao máximo ocultar isso.
Receberá junto do veneno uma capa de invisibilidade, o mestre me enviou uma que será muito útil a você. -Lucius responde de forma tranqüila e depois Draco tenta protestar e chamar pelo pai, que obviamente havia encerrado a conversa.
Gina ficou parada ouvindo Draco murmurar coisas desconexas de desgosto, antes de vomitar três vezes. Dois minutos de total silêncio passaram e palavrões baixinhos ditos em vários línguas saíram da cabine, que pouco depois se abriu.
-Acho que precisa disso. –Gina, que havia pensado em sair, resolve ficar e tentar ajudar. Então ignora a expressão de raiva de Draco e lhe joga uma das balas que estavam em seu bolso. –Eu te vi conversando com os comensais hoje, fui eu quem chamou os professores e aurores. –Fala em tom casual, examinando as feições de Draco, que permaneceram inexpressivas enquanto olhava a bala ponderando se estava envenenada ou não.
-E pretende me envenenar ou só quer que eu esteja com bom hálito quando for protestar contra sua denúncia aos professores? –Sua voz estava fria e a face sustinha uma leve careta que poderia vir do gosto amargo na boca.
-Você não parecia feliz ao entregar Harry mais cedo e tão pouco parece satisfeito e honrado agora. Creio que isso significa que não quer seguir os passos de seu pai, mas não tem outra escolha já que ele poderia te matar ou te torturar por sua insubordinação. –Draco quase pulou de susto, mas se conteve, usando a bala para disfarçar sua reação, desembalando com cuidado e colocando na boca lentamente, ganhando tempo pra pensar.
-Então agora acha que eu sou um coitado que está se vendo obrigado a matar alguém e que sente nojo de si mesmo por ser covarde o suficiente para fazê-lo? –Pergunta com desdém, usando toda sua arrogância sonserina, enquanto acabava de ajeitar as vestes, se preparando para sair do banheiro.
- Não. Você só é um riquinho mimado que se acha o centro do universo e que prefere fazer apenas aquilo que lhe dá prazer e está pouco se lixando para quem ganhar a guerra. Por você os dois lados se matariam, contanto que isso não atrapalhasse seu estilo de vida que deve incluir festas de alta sociedade, ternos caríssimos, capachos puxadores-de-saco, carros esporte e muitas mulheres lindas caídas aos seus pés, dispostas a serem seu brinquedinho em troca de umas jóias caras. –Gina fala pouco ligando, mas vendo um sorriso quase nostálgico surgindo nos lábios de Draco.
-Esse bom chute significa que adoraria ganhar uns diamantes que te tirassem daquele barraco onde mora? –Pergunta se aproximando, seus olhos brilhando maliciosamente, quase divertidos.
-Nem que fosse o último homem do planeta. –Fala quase cuspindo as palavras, o olhar mostrando toda a repulsa que sentia.
-Então o que você quer, Weasley? –Estava ofendido, mas cansado demais para ficar discutindo coisas sem sentido em um banheiro.
-Te ajudar. –Aquilo o fez levantar uma sobrancelha totalmente confuso. –Vou dizer o que ouvi mais cedo, mas que infelizmente não tinha como ver quem era o aluno no beco. Isso fará com que todas as correspondências sejam examinadas e aumente a vigilância sobre os alunos, de modo que você poderá falar com seu pai e dizer pra não mandar o veneno e sim os ingredientes de forma individual e que não levante suspeitas, assim você mesmo faria o veneno. Com certeza isso nos daria tempo pra pensar em algo para que você não tenha que fazer o que ele pediu.
-Por que simplesmente não diz tudo o que sabe pra Lílian Potter, ela me mandaria pra Azkaban e sua amiga estaria a salvo. –Draco ainda estava desconfiado, o que era mesmo de se esperar.
-Porque não sou uma sonserina para me importar apenas comigo mesma. Os grifinórios são justos e, justiça seja feita, você não é mau e nem um criminoso, é somente um idiota muito chato e irritante. –Responde dando de ombros, mas ao contrário da resposta atravessada que esperava, viu que ele sorria divertido.
-Bem que dizem que os iguais se reconhecem. –Gina ia responder aquela indireta bem direta, mas ele a interrompeu com ar sério. –Faça sua parte, que eu farei a minha. –Fala colocando a mão no bolso da calça dela e retirando mais uma bala antes de sair.
-Abusado! –Gina resmunga sem sair do lugar, se saísse atrás dele alguém poderia vê-los juntos e isso não seria bom para ninguém.
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Quando chegou a enfermaria, Gina viu que as amigas dormiam e Harry observava Hermione parecendo perdido em pensamentos, então se dirigiu a Lílian, pedindo para falarem a sós. Meia hora depois ela havia contado a McGonagall e Lílian o que ela e Melissa haviam ouvido em Hogsmeade, lamentando não ter podido ver o aluno ou identificá-lo.
Como o previsto, as defesas foram fortalecidas e a vigilância em torno dos alunos foi aumentada, incluindo a monitoração e análise das correspondências. Obviamente os alunos da Sonserina seriam os mais visados, o que ajudava ainda mais nos planos da ruiva, que havia voltado à enfermaria, onde ficaria até Melissa acordar. Não poderia deixar que ela falasse nada sobre Draco, pelo menos antes de contar tudo o que havia acontecido.
Na manhã seguinte Melissa recebeu alta e Gina logo lhe passou o relatório completo do que havia acontecido. Já Harry fora obrigado a deixar o lado de Hermione e ir às aulas do dia. Era como se todos se obrigassem a retomar a rotina e agir como se nada houvesse acontecido, já que os comensais haviam sido presos e nenhum inocente fora morto, apesar do razoável número de feridos.
A notícia principal do Profeta Diário era sobre Harry e o como ele havia parado uma maldição da morte com uma das mãos, havia testemunho de aurores e a suspeita de que os comensais mortos haviam sido obra dele. E Harry não se importava, já que todos já o olhavam com medo e adoração, como se quisessem saber o que ele era, não queria parte disso destinado a sua irmã.
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Na hora do almoço, Harry deixou a mochila no dormitório e tentou domar o cabelo rebelde, depois vistoriou rapidamente o uniforme e seguiu praticamente correndo até a enfermaria. Àquela hora era provável que Hermione já tivesse acordado e ele estava ansioso para saber como ela estava.
Assim que chega a porta, ele respira fundo tentando ignorar o friozinho que sentia na espinha. Mal conseguira prestar atenção nas aulas se perguntando como seria quando ela acordasse e como ele agiria se ela continuasse sem se lembrar. Quando entra logo a vê com uma bandeja a frente, onde havia um prato de sopa, que ela comia parecendo pensativa.
-Oi, como está? –Pergunta tentando manter a voz uniforme e escondendo as mãos trêmulas nos bolsos. Hermione erguera os olhos para ele e observara bem seu rosto, o que o fez ter certeza de que ela não se lembrava. Antes que caísse, se sentou na cama ao lado dela, tentando parecer tranqüilo. –Não se lembra de mim?
-Não, mas eu também não me lembro de mim, então não se ofenda. –Ela fala um pouco tímida, mas preocupada com a reação dele.
-Provavelmente já te falaram sobre você, certo? –Parecia uma pergunta idiota, mas estava difícil de, ao mesmo tempo, pensar e manter a fachada calma e segura.
-Sim. Me disseram meu nome, idade, quem são meus familiares, o fato deles serem trouxas e eu bruxa, também disseram que estou na escola e estudo no quinto ano, tenho uns poucos amigos e que me machuquei ontem durante um ataque de comensais durante um passeio na cidade. –Ela responde parecendo pensativa, como se não quisesse deixar passar nada, talvez com medo de voltar a esquecer.
-Bom, eu me chamo Harry Potter. –Harry fala um pouco incerto sobre se deveria ou não estender a mão pra ela, resolvendo não fazê-lo.
-É parente da professora Potter? –Pergunta o analisando, se detendo nos olhos verdes idênticos aos da professora.
-Sou o filho mais velho dela. Eu também estou no quinto ano e minha irmã no quarto. Você chegou a vê-la depois que acordou? –Pergunta estranhando o jeito como ela o olhava.
-Nossa, é difícil de imaginar que ela já tenha dois filhos tão grandes, quer dizer, ela parece tão jovem e é tão bonita. –Comenta pensativa e depois acrescenta antes que esquecesse. –E não vi sua irmã, eu acordei faz pouco tempo.
-Minha mãe adora quando dizem isso, ela é um pouco vaidosa. –Ele e Hermione sorriem e por um momento ele quase se perde naquele sorriso. –Minha irmã é ruiva como minha mãe, ela passou a noite aqui, mas teve alta de manhã. Depois ela deve vir te visitar, vocês eram muito amigas. –Doía dizer aquilo, mas Hermione pareceu ter ficado muito interessada naquela informação.
-Você e eu também somos amigos então? –Fala com seu velho brilho de curiosidade nos olhos, era incrível como ela era parecida com a antiga Hermione, apesar do jeito um tanto distante e receoso.
-Bom, eu pensei em dizer que sim, mas fui aconselhado a dizer a verdade antes que você soubesse por outros meios. –Aquilo a fez recuar, havia um pouco de medo em seus olhos. Harry ignorou com certo esforço e completou antes que ela fizesse algo. –Nós somos, éramos, namorados. –Demorou alguns segundos antes que as palavras fizessem sentido para ela, mas quando aconteceu ela pareceu surpresa e um pouco assustada, as bochechas bastante coradas. –Você tem alguma pergunta que queira fazer?
-Não, na verdade, eu gostaria de ficar sozinha. Você poderia ir? –Fala tentando não soar fria ou grossa, mas sentindo-se muito acuada parar poder escolher melhor as palavras.
-Claro, tudo bem. Se quiser falar comigo é só me chamar. Harry. –Ele fala já se levantando, sentindo-se um pouco confuso, esperava várias reações dela, mas uma atitude tão fria havia lhe dado o golpe de misericórdia.
Sem olhar novamente para ela, Harry sai da enfermaria, encontrando sua mãe do lado de fora, como se esperasse que ele saísse em breve. Ela não precisou dizer nada, apenas abriu os braços e deixou o filho abraçá-la, escondendo o rosto em seu pescoço para chorar.
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Draco estava no sétimo andar, no corredor indicado no mapa por Gina, mas não havia nenhum sinal de um lugar onde pudessem conversar, o que o estava deixando um tanto apreensivo. Porém, antes que saísse, viu duas ruivas caminhando decididas e com olhares atentos até si.
-Se abaixa pra eu vendar você. –Gina disse mostrando um lenço e com cara de quem não aceitaria uma negativa.
-Isso é ridículo! Aliás, achei que confiasse em mim. –Draco protesta ofendido.
-Eu acredito em você, confiar é algo um pouco mais complicado. Mas quem sabe você não nos prova que podemos confiar em você. –A ruiva responde sem se importar e logo o levando para caminhar.
Sob protestos, ela o fez dar voltas em torno de si mesmo e andar curtos e longos espaços entre os giros, ao final ele estava totalmente desorientado. Enquanto isso, Melissa andava em frente da tapeçaria de Barnabás, fazendo uma porta aparecer no corredor. Onde Gina e Draco entraram logo depois.
-Como pode ver, não doeu nem um pouco. –Gina fala enquanto tirava a venda dos olhos de Draco. Ele olhou ao redor desconfiado, estava um lugar bastante confortável, mas impessoal como um escritório com sofá e poltronas.
-É uma sala ótima, mas não me lembro de já ter encontrado nada parecido. –Gina e Melissa se entreolharam cúmplices, mas ignoraram os comentários indo até o sofá e deixando a poltrona para Draco.
-Como você já deve saber, eu cumpri com minha parte e a Mel se comprometeu a também ficar quieta. Agora precisamos saber da sua parte. –Gina fala de forma séria, ambas o olhavam atentamente.
-Eu já entrei em contato com meu pai através do espelho de comunicação que temos. Ele ficou furioso, mas como eu já tinha um plano B ele se acalmou e disse que mandaria os ingredientes. Ele também me deu o nome do veneno, não o conheço, mas deve ser difícil de fazer. –Draco tira um pedaço de pergaminho do bolso e joga na direção das duas. Melissa pega e olha por um tempo o nome.
-Não reconheço, mas vou procurar saber como é. Agora, antes de continuarmos, quero saber como você se sente em relação à Hermione. Todos sabemos do que houve no início do ano e que certamente você deve guardar algum rancor. –Melissa fala seriamente, bastante atenta as reações do sonserino.
-Foi humilhante, mas eu estava vencendo e poderia ter saído por cima e vitorioso se não tivesse usado a maldição cruciatos. Cometi o erro de fazê-lo e dei a ela a chance de descobrir novas forças e me vencer, assim como me marcar daquela forma. Eu não pensei nos meus atos e fui irresponsável, aprendi minha lição. Claro que não me importaria se alguém desse uma surra nela, até gostaria de fazê-lo eu mesmo, mas matar é algo maior e muito diferente.
-Está dizendo que não se sente à-vontade com a idéia de matar alguém? –Gina simplifica e vai direto ao ponto, afinal era aquilo que as interessava.
-Mataria se disso dependesse minha vida, mas se não fosse o caso, eu acredito que não faria. –Responde sem olhar para elas, a voz saindo firme e um tanto fria. Gina quase riu, era óbvio que ele estava desconfortável em deixar de lado a “fama de mau”.
-Nesse caso, vamos pensar no que fazer quando já tivermos os ingredientes. –Melissa fala parecendo mais relaxada, sabia que poderiam demorar horas e não chegar a nenhuma conclusão satisfatória.
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Assim que terminou seu horário de trabalho, Thiago passou rapidamente em casa para se trocar e aparatou em Hogsmeade, de onde seguiu para Hogwarts. Sem perder tempo se dirigiu para o quarto da esposa e ao entrar se depara com Lílian lendo em uma poltrona, mas, ao percebê-lo, faz sinal de silêncio e aponta para sua cama onde Harry e Melissa dormiam abraçados. Sem fazer barulho, ela deixa o livro de lado e vai para fora do quarto, onde abraça e beija o marido.
-É tão bom que esteja aqui! –Desabafa sentindo-se melhor, havia sido um dia longo e duro e se sentia extremamente só.
-Eu não queria ter tido que ir a Londres, mas sabe como é meu chefe. –Thiago a aninha mais em seus braços, novamente lhe beijando como que para lhe passar segurança e carinho. –Onde podemos conversar? –Lílian não responde, apenas o segura pela mão e o guia para seu escritório.
Assim que chegam, Lílian serve duas taças com vinho enquanto Thiago alimenta a lareira, aproximando o sofá para que ficassem mais confortáveis. Observando-a melhor, ele pôde ver pequenas olheiras sob os olhos esmeralda, os movimentos estavam lentos, cansados, deveria ter sido um péssimo dia.
-Como as crianças estão? –Pergunta se sentando de modo que ela pudesse se sentar entre suas pernas, mas de lado para que pudessem se olhar enquanto conversavam.
-Péssimas. A Mel teve pesadelos na noite passada e tive que dar uma poção para que não tivesse sonhos, hoje conversamos um longo tempo sobre o que houve, no entanto ela ainda está um pouco sentida por ter tirado a vida de três pessoas, apesar de ser madura o suficiente para saber que eram comensais e que estavam ameaçando suas vidas.
-Era o que esperávamos, afinal sendo madura e inteligente ou não, ela tirou vidas de pessoas que tinham famílias, histórias, pra todo mundo é difícil. Mas acredito que ela vai se recuperar logo, principalmente com toda essa confusão que está se armando em torno do Harry.
-Não que ele esteja ligando pra isso. Nesse momento ele está furioso consigo mesmo por não ter podido proteger a Mel e a Hermione e ainda sofrendo por, depois de lutar tanto, perder a Hermione. –Lílian deixa passar na voz o quanto havia sido difícil ouvir os filhos se recriminando e sofrendo.
-Então a amnésia se confirmou? –Thiago pergunta e a esposa assente. –Como foi o primeiro encontro deles?
-Péssimo. Disse ao Harry que ele deveria dizer delicadamente a Hermione que eram namorados, afinal ela vai receber visitas e alguma pode falar sobre isso, então seria melhor saber dele mesmo. E, apesar de saber que seria estranho para ela, não imaginei que ela fosse agir tão mal. –Agora era claro que Lílian se culpava.
-Você agiu do modo correto, se ela soubesse por outros podia achar que Harry a estava enganando. Agora, como ela reagiu, exatamente? –Ele estava preocupado, mas era experiente com mulheres e sabia que o filho poderia contornar aquilo.
-Ela somente pediu para ele sair, disse que queria ficar sozinha. Ao que parece foi fria e distante. –Fala sem conseguir conter a pequena raiva pela menina ter agido tão mal com seu filho.
-Ela deve estar assustada e com medo. Amigos são coisas boas, companheiros que podem falar contar sobre ela, coisas que poucos saberiam. Mas um namorado é algo muito intimo não acha? Principalmente se levarmos em conta que ela não tem a mínima experiência de vida, sua mente é uma tela em branco, não deve nem conseguir imaginar como é beijar alguém. –Lílian suspira impotente, era uma suposição bem próxima do real, já que a menina acordou cheia de conhecimentos em sua mente e nenhuma associação prática.
-Ainda assim, o que posso dizer ao Harry? Ele está cheio de culpas, acha que perdeu o amor de sua vida e ele só tem quinze anos! –Thiago conteve o riso, era o lado mãe falando e não havia muito de racional, ela apenas via o filho chorar e sofrer e queria fazer parar.
-Não se preocupe com ele, querida. Pode deixar que vou conversar com ele amanhã, nós homens nos entendemos melhor nesses assuntos. –Ela olhou para ele desconfiada, tinha quase certeza de que ele estava pensando em algo que ela não aprovaria.
-Thiago, eu conheço esse olhar... –Antes que ela pudesse continuar, ele segura a taça dela e a beija, pegando as taças para por no chão. –Não quero... pára com isso!
-Lily, você está cansada, teve aborrecimentos o dia todo, deve ter dormido na cabeceira da Mel. É justo que relaxe um pouco e esqueça os problemas antes de irmos dormir.
-Eu adoraria fazer tudo isso, mas como posso se você parece estar pensando em marotices? Aposto que já pensa em convocar Sirius e Remo. –Ela tinha o tom severo e o olhava como se o desafiasse a negar.
-Apenas confie em mim, Lily. Prometo que vamos apenas incentivar o Harry a lutar por aquilo que deseja. Se ele está se achando fraco, vamos prometer ensiná-lo, o que de toda forma será necessário agora. Quanto a Hermione, ele já a conquistou uma vez e pode fazer isso de novo, basta ir com calma e cuidado e tudo voltará a ser como antes.
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Harry acordara cedo, estava deitado no meio da cama, seu pai o abraçava e ele abraçava Melissa, que era abraçada pela mãe. Teria rido se não soubesse que não havia nada de engraçado no motivo daquela reunião familiar. Lembrava dos lamentos da irmã e do sono agitado, ela chorava e chama por ele, devia ter sido um tormento vê-lo cair diante de maldições da morte.
Tirando isso da mente, se moveu com cuidado, quase escalando cabeceira da cama e fazendo seu pai abraçar a irmã, para só então ir para o chão, pegar o sapato e sair do quarto em silêncio. Iria tomar um banho e visitar Hermione antes do café da manhã, mesmo sabendo que ela poderia estar assustada com a idéia de terem sido namorados. Ele só precisaria explicar que poderiam ser amigos e que não tocaria no assunto do relacionamento deles enquanto ela não quisesse e tudo ficaria bem.
Ainda pensando em tudo que poderia falar e nos argumentos que usaria caso ela resistisse, Harry chega à enfermaria, abrindo a porta com cuidado para não acordar quem ainda estivesse dormindo e logo buscando a cama de Hermione, que felizmente estava acordada, olhando-se num espelho, talvez se arrumando apesar de para ele, ela estar tão linda quanto sempre.
-Bom dia. –Cumprimenta cautelosamente, chamando a atenção dela. Contudo não esperava encontrar olhos vermelhos e um rosto aparentemente lavado de lágrimas, nem olhos que demonstrassem tanto medo e, muito menos, esperava que ela o agarrasse parecendo em pânico. –Calma, está tudo bem, Mione. Ninguém vai te machucar. –Fala tentando passar segurança, mas sentindo-a se retesar e olhá-lo estranhamente.
-Mione? Isso por acaso é meu nome? Você me conhece? Sabe quem eu sou? Sabe o que aconteceu comigo? –Se ele ainda não estivesse abraçado com ela, provavelmente teria caído. Que tipo de perguntas eram aquelas? Ela realmente não se lembrava de nada ou ele ainda estava preso em algum pesadelo? Desejou com fervor ser a segunda opção.
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N/A: Olá, feliz carnaval! Escrevi esse cap em um dia de tão feliz que fiquei pelo grande número de comentários do último cap, espero que todos continuem comentando.
N/A²: Bom, a Mione não morreu, mas teve sérias lesões e seqüelas gravíssimas. O que será que acontecerá agora? Quanto ao Draco, vocês acham que as meninas estão certas em confiar nele?
Milton Geraldo da Silva Ferreira: Eu poderia ter escrito um cap maior, mas cada capítulo conta uma história ou parte dela, juntar esse cap com o outro desviaria do tema principal que era o ataque. Mas dessa vez o cap saiu mais rápido então acho que estou perdoada, não?
MiG.Potter: Não morreu, não se preocupe. Acho que dessa forma eles atingiram bem mais o Harry, de todo jeito a Mione continua com a espada sobre a cabeça né, vamos ver se Mel e Gina conseguem evitar o pior.
freya : Você tinha razão, se eu matasse a Mione perderia muito da história, mas daí a achar que ela ia acordar com poderes também não dá, coma também seria pouco, o Harry precisa pegar muita raiva do Voldie. O Draco acabou se livrando da culpa por enquanto, Gina resolveu dar um voto de confiança e ela e a Mel vão tentar transformá-lo num dos bonzinhos, só resta saber se dará certo. Quanto aos marotos, eles estarão no próximo cap pra conversa com o Harry e com a Mel, afinal os dois precisam do apoio da família. Já o Snape é uma eterna incógnita né^^
James V Potter: Eles estavam mesmo se entendendo, mas agora o Harry vai ter que remar, muito mais né. Mas ainda a há esperança, afinal ela ta viva. Rsrsrs
Proserpine Aponi Granger Modinger.: Você deu um ótimo chute, ela não morreu, mas ta mal e vai ficar fora da jogada por um tempo, assim Harry vai se dedicar com mais afinco aos treinos né.
Angel Cullen = Srta. Cereja: Eu não matei a Mione, mas tenho impressão que você está me achando muito mais má rsrsrs. E você viu como o Harry agora ta poderoso? Tão comparando ele a um Deus, mas pelo que o Lucius demonstrou, Voldemort já tem seus planos pro Harry.
Paulinha Potter: Parar em momentos cruciais é importante para que os leitores permaneçam interessados em ler a fic, então é algo normal né rsrsrsrs.
*MaRy*: Voldie não perdeu tempo e já arquitetou seu plano malévolo. Quanto a Mione, ela ta doente, o Harry vai ter que ter muito jogo de cintura, mas ele consegue. Agora, o que você acha dessa chance que as meninas estão dando ao Draco?
Josy: Harry só sofre meeeeeeeeeessssssssssmooooooooo. Mas fazer o que, é o destino dele estar em confronto com Voldemort, mas pelo menos a Mione ta viva e é isso que importa.
Pink_Potter: Minha mestra huahauhauhauhau, sabia que você ia amar esse fim trágico e apesar de você ter ficado com dó do Harry e da Mione no fim, aposto como você amou o problema dela e está ansiosa pra ver nosso herói desesperado, não está?
jack joy: Calma, não precisa chorar não. O Harry ta cheio de motivo pra ser um grande guerreiro, a Mione ta viva, pelo menos por enquanto né. Parece que tiraram o alvo da testa do Harry e colocaram na testa dela rsrssrrs.
Nick Granger Potter: Realmente os três fizeram o que podiam e não foi tão bom, o que significa que todo mundo vai ter que se preparar de agora em diante, aprender a atacar de verdade.
Andre L. dos Santos (snackes): Acho que lerdinha é apelido né! Voldemort pode não ter pegado o Harry, mas tirou sua maior aliada.
Luanna Fracalossi: Também adoro a Mione (apesar de não parecer). E você tem razão, o melhor pro Harry é mesmo estar com a Mione, mesmo que ela não esteja muito útil no momento.
Anderson potter: A Mel é uma Potter de fato! Acabou com os comensais, pena que ela fico tristinha com isso. Já o Harry ta com tudo, mostrou a Voldemort que ele também é imortal, agora é ver como um vai tentar destruir o outro.
luciana_potter: A Mel é sinistra, inteligente, boa detetive, boa de briga, só não tem sorte no amor né, mas também ninguém é perfeito.
Ingrid Teixeira: É uma pena que justo agora tenha acontecido isso, mas Harry é forte e como Thiago disse é um Potter, então vai conquistá-la quantas vezes forem preciso. Espero que os próximos caps sejam tão bons quanto esses que você gostou!
Próxima Atualização: Príncipes do Apocalipse.
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