Harry havia saído para comprar algumas coisas que faltavam no estoque de poções, seu intuito era ir rapidamente ao Beco Diagonal e voltar a tempo de preparar os petiscos para a comemoração pelos resultados das provas de admissão para auror, já que tinham certeza de que Thiago, Sirius e Lílian passariam sem problemas. Porém havia encontrado Rodolpho Lestrange, que lhe fizera um grande interrogatório e depois o convidara para uma reunião que haveria em sua casa, o que lhe cheirava a notícias de Voldemort.
-Oi, alguém em casa? –Harry fala ao entrar e depois apurando os ouvidos para algum sinal de que o pessoal havia voltado do ministério.
Como não ouviu nada, seguiu calmamente pelo corredor indo em direção ao armário onde ficavam as poções, mas pára ao ver Hermione na sala, chorando. Rapidamente deixa as compras no chão e segue para o sofá onde Hermione estava, demorou apenas alguns segundos, mas tempo o suficiente para imaginar o pior para seus pais e amigos.
-O que houve? O que aconteceu? –Estava aflito, mas sentiu-se acalmar um pouco ao ver que apesar de chorar, Hermione sorria.
-Eu... eu nasci! –Na voz da morena havia alívio e felicidade, o que fez Harry entender exatamente o que devia estar passando pela cabeça da amada. –Eu acabei de ligar para o hospital e quando perguntei se havia nascido uma menina chamada Hermione Granger, a atendente disse que sim! Eu estou saudável e com um ótimo peso... –Antes que Hermione continuasse, Harry a beijou profundamente, tão emocionado quanto ela.
-Mas o que é isso? A lua de mel já acabou casalzinho... –Thiago fala em tom debochado, mas pára ao ver que ambos estavam emocionados. Sirius, Remo, Lílian e Rony pararam aos lados dele.
-O que houve? Alguém morreu? –Rony se apressa em perguntar, apesar de os ataques terem parado desde o fim do Torneio Tribruxo.
-Pelo contrário, eu nasci há duas horas! –Hermione fala com um grande sorriso. Ela e Harry já haviam levantado e estavam de frente para o quarteto, que se entreolhava confuso.
-Harry, houve algum acidente com poções? –Sirius pergunta observando o redor, já havia visto uma sacola de compras no corredor, mas fora aquilo nada de anormal.
-Deixem de ser lentos! Já esqueceram que Hermione, Rony e eu somos do futuro? Do mesmo jeito que eu tenho que nascer no fim de julho do ano que vem, Hermione tinha que nascer hoje, 19 de setembro, e Rony no início do próximo ano. –Harry fala como se fosse óbvio e, apesar de todos terem entendido, ainda pareciam confusos.
-Então, desejamos feliz aniversário e feliz nascimento? –Remo pergunta contendo um risinho, mas logo todos começam a rir, afinal quando é que uma pessoa, ao mesmo tempo, podia nascer e comemorar dezenove anos?
Enquanto riam, os quatro se revezaram em abraçar Hermione e a parabenizar pelo aniversário e pelo nascimento. Não demorou muito e Anne e Sally chegaram, se juntando a comemoração pela aprovação na prova para auror e ao aniversário de Hermione, que não resistira em ligar para os pais e desejar os parabéns pelo “seu” nascimento.
****************
Através de uma discreta pesquisa, Harry descobrira que residência oficial dos Lestrange ficava em Cambridge, no entanto Rodolpho dissera para ir a Buckingham. Apesar de saber que isso poderia indicar perigo, fora sozinho até o local, armado apenas com sua varinha e trajando uma roupa formal e elegante.
Durham é uma pequena cidade situada no nordeste da Inglaterra, conhecida pela Universidade de Durham, ou seja, um local distante dos grandes centros e pequeno o suficiente para um esconderijo estar localizado. No momento, Harry estava em frente à grande casa de campo dos Lestrange, que ganhava um ar, de certa forma, fantasmagórico com suas paredes de pedra escura, fracamente iluminados pelos rubros raios do pôr-do-sol.
Como havia sido instruído, se encaminhou até a porta e colocou o convite que recebera, na entrada de cartas, depois disse seu nome em tom alto e claro. Houve um baixo rangido seguido por um discreto clique, então a pesada porta abriu, revelando o luxuoso hall da mansão.
-Bem vindo, Sr. Potter. O senhor está sendo aguardado pelo mestre. –Um elfo doméstico, que lembrava muito a Monstro, fala em tom servil, enquanto fazia sinal para que Harry o seguisse.
Em silêncio, seguiram pela casa impecavelmente limpa, ornada de modo sóbrio e até discreto para bruxos, mas com peças de arte que mostravam poder e aliança com as artes ocultas. O elfo pára em frente a uma porta dupla e faz sinal para que Harry espere, menos de um minuto depois, o elfo retorna e faz uma reverência para Harry, indicando que poderia entrar.
-Bem vindo, Sr. Potter. –Voldemort não o “conhecia”, mas ainda pronunciava seu nome da mesma forma que em seu tempo, como se fosse uma palavra que lhe causasse repugnância. –Importa-se que o chame de Harry? É que seu nome me lembra muitas coisas desagradáveis.
-Entendo perfeitamente seus motivos, Voldemort. –Não havia medo na voz de Harry, apenas um respeito, que custara a Harry toda a sua força de vontade. Não se mostraria superior, mas também não se ajoelharia na frente de ninguém.
-Geralmente castigaria qualquer um que se atrevesse a ser tão informal comigo, mas gosto de sua atitude, me lembra muito a mim mesmo quando tinha a sua idade. Agora, sente-se. Creio que teremos uma longa conversa. –Harry seguiu em silêncio até a cadeira, mas em nenhum momento deixou de olhar os rubros olhos do bruxo a sua frente. –Creio que já saiba que o campeão de Durmstrang foi assassinado antes da última prova e que em seu lugar havia outra pessoa, estou certo?
-Sim. Aliás, deixe-me parabenizá-lo pela excelente recuperação. Apenas um bruxo poderoso como o senhor poderia se recuperar tão rápido de um feitiço daqueles. –Harry mantinha o tom neutro, queria que Voldemort ficasse intrigado com sua postura.
-Como pode afirmar que era eu, quem estava lá? –Voldemort pergunta olhando-o avaliativamente, mas com um tom de quem ia negar que tal afirmação fosse verdadeira.
-Porque nenhum outro bruxo seria capaz de me ferir daquele modo, usando magias negras tão simples ou tão conhecidas, como a maldição cruciatos. –Harry não disfarçara a velha soberba sonserina, era poderoso e demonstraria isso claramente.
-Acha que é mais poderoso que eu? –Aquela pergunta tinha um tom levemente letal, mas que não intimidou nem um pouco a Harry, que fez questão de levantar o canto dos lábios em um sorriso ao mesmo tempo misterioso e confiante.
-Ainda não, mas pretendo ser. No entanto, creio que não me chamou aqui por isso. Quer saber se eu compartilho de seus ideais e se gostaria de me unir a você, estou certo? –Fora direto e objetivo, mas ainda reservado em suas opiniões.
-Novamente está certo. Quero que seja um comensal da morte. –Houve um minuto silencioso de troca de olhares antes de Harry se manifestar.
-Sou sim da opinião de que a magia é algo puro e especial demais para ser compartilhado com qualquer um. Contudo, meu objetivo é ser poderoso, quero ser reconhecido como o bruxo mais poderoso de todos os tempos. Sei que provavelmente o senhor deseja mais, quer ser talvez o imperador de todo o mundo e não me oponho.
-Não gostaria de estar no meu lugar algum dia? Assumir o trono do Império Slytherin? –Voldemort tinha um tom macio, como se estivesse lhe fazendo uma proposta, o que Harry sabia que na verdade era uma armadilha.
-Não. Acho que administrar um país já deve ser aborrecido e chato, um império de tão grande proporção seria ainda mais entediante. Gosto de ser rico, de usufruir de tudo de bom que a vida tem a oferecer, mas minha ambição material pára por aí, meu grande objetivo é ser poderoso, mas no contexto puramente mágico.
-E o que fará se conseguir atingir tal objetivo? –Voldemort pergunta de modo curioso, mas parecendo estar gostando daquele caminho.
-Depois que for reconhecido por todos, buscarei a essência mágica, quero dominar a magia de um modo que ninguém jamais pensou em fazê-lo, então nesse dia serei praticamente um Deus na terra, mas creio que este dia ainda está um pouco longe.
-Enquanto isto gostaria de ser meu discípulo, certo? –Voldemort conclui o raciocínio de Harry, esperando para ver o que ele diria.
-Dumbledore me ensinou a magia branca, agora busco o bruxo que mais conhece magia negra para ser meu mestre, portanto me sentiria honrado em receber seus ensinamentos. –Apesar de estar pedindo com respeito e admiração, Harry não desviou os olhos ou se mostrou submisso, não seria um lambe-botas como Lucius Malfoy.
-Ajoelhe-se perante mim e lhe concederei a marca negra. –Voldemort se levantara e parecia satisfeito com seu novo discípulo.
-Não posso aceitar. –A expressão de Voldemort mudara e qualquer um tremeria diante de tal frieza assassina. –Não que isto não me deixasse honrado, mas minha esposa veria e isto prejudicaria muito meu casamento e meus planos de espionar a Ordem da Fênix. –A menção da ordem, fez Voldemort relaxar um pouco e observá-lo esperando o restante da explicação. –Minha esposa é muito inocente, ingênua, um verdadeiro anjo e, por isso, acabou se tornando amiga de Lílian Potter e conseqüentemente de meu primo, eles estão fazendo parte dessa ordem e penso que seria muito interessante conseguir, através dela, todas as informações necessárias. Claro que isto também significa que hora ou outra ela estará em batalha e que ninguém pode tentar feri-la, porque senão eu ficaria muito furioso e quando perco a calma, posso ser muito destrutivo. –Ao final Harry deixa que um pouco de seu pior e mais cruel lado apareça, parecendo intrigar ainda mais a Voldemort.
-Você é muito mais útil do que eu poderia imaginar, um espião com uma posição extremamente confiável, localizado atrás das trincheiras de dois dos meus três piores inimigos. Está aceito como meu discípulo, mas ainda preciso de um meio para entrar em contato com você. –Voldemort baixara a guarda e caminhara para perto de Harry ficando a frente dele.
-Fale com Severo Snape, é meu melhor amigo e um comensal, também arranjarei um modo de colocá-lo na Ordem da Fênix, creio que sendo a namorada dele tão amiga da minha esposa e de Lílian, não seria difícil.
-Bem vindo ao lado negro, Harry. Aqui você encontrará o seu destino. –Harry apertou a mão de Voldemort e sabia que o bruxo estava cheio de planos para usá-lo como seu pupilo, seu futuro grande general, assim como planejava sua morte assim que começasse a se tornar poderoso demais para ser controlado. –Agora venha comigo, irei te apresentar ao meu grupo de mais confiáveis e poderosos comensais, os mais fracos e tolos não têm permissão para conhecer todos os demais, assim quando forem pegos não poderão revelar mais do que três ou quatro nomes. –Harry já sabia daquilo, mas ainda sim ficou surpreso por Voldemort falar tão abertamente de suas táticas.
-E Lucius Malfoy está entre os privilegiados? –Pergunta curiosamente, mas deixando um tom levemente sarcástico na sua voz.
-Há alguma rivalidade entre vocês? –A pergunta tinha um tom curioso, apesar da aparente indiferença.
-Não perderia meu tempo com isso. Malfoy tem pose, dinheiro, é arrogante, como se fosse muito poderoso, mas seu nível é bem mediano, apesar da técnica refinada. –Fez uma análise fria, não querendo aparentar o quanto detestava Lucius Malfoy.
-Tem razão, mas ele é ambicioso, não só tem dinheiro, como também uma posição respeitada diante das pessoas certas. Além disto, ele tem potencial, com o tempo e um pouco de humildade, poderá se tornar um grande bruxo. –Voldemort parecia confiar no potencial de Malfoy e isto fez Harry ficar preocupado.
Não demoraram a chegar a sala onde cerca de dez comensais estavam presentes, todos muito bem vestidos, a maioria já possuía fartos cabelos brancos, o único que devia ter menos de trinta era Lucius Malfoy, que observou com uma disfarçada fúria a presença de Harry.
-Não imaginei que o mestre fosse trazer o jovem até nós. –Um comensal que não conhecia, fala de modo insatisfeito, apesar de respeitoso.
-Harry Potter é um bruxo muito talentoso, testei-o pessoalmente durante o Torneio Tribruxo... –Algumas exclamações surpresas foram ouvidas. –Durante a pequena conversa que tivemos, este jovem me deu um objetivo pessoal, um objetivo dentro desta ordem e dois fatores que podem fazer a diferença para nós, além disto, os Potter apesar de serem inimigos antigos, são bruxos extremamente poderosos e ter um do nosso lado, ao invés de contra nós, já significa muito.
-Então ele agora não só é um comensal, como alguém do círculo de poder? Desculpe mestre, mas não confio nele e creio que todos aqui compartilham da mesma opinião. –Agora quem fala era um homem com traços bem parecidos com o de Lucius Malfoy, provavelmente seu pai.
-Isto não é uma votação. Harry Potter é um comensal do círculo de poder e o novo líder dos jovens comensais...
-Isto é um absurdo! Não pode dar meu lugar a ele depois de tantos anos de ótimos serviços! Foi inclusive eu, que o descobri como um jovem promissor. –Lucius brada inconformado, levantando-se e olhando para Harry de um jeito quase predador.
-Como ousa me questionar desta forma? –Harry reconheceu o tom de Voldemort e quase previu a morte do desafeto, o que talvez tenha o motivado a agir.
-Deixe que eu dê a lição que ele merece, assim aproveito e mostro meu valor. –Harry olhava de modo firme e frio para Lucius, não sabia por que estava o “defendendo”, talvez porque Sirius tinha uma excelente posição e seria um grande desperdício deixar que Lucius morresse.
-Será um prazer mostrar ao mestre como você não está à altura deste círculo! –Mal acabara de falar e um feitiço partiu na direção de Harry, que só depois viu que a varinha de Malfoy estava escondida em sua manga.
Imediatamente sentiu fisgadas em seu corpo, era como se estivesse sendo atacado por um enxame. Harry fecha os olhos, os punhos cerrados, a dor aumentara, certamente a varinha estava firme na mão de Lucius. Precisou concentrar mais um pouco de energia para quebrar o feitiço e logo emendou lançando um feitiço a mão livre que lançou Lucius contra a parede e o deixou caído no chão.
-Você é bom, mas não tanto quanto eu. –Harry já pegara a varinha e, por mais que não gostasse de usar a imperdoável, se concentra no Lucius Malfoy de seu tempo e lança o feitiço. - Crucio. –Um grito de agonia foi ouvido imediatamente, os olhos de Lucius ficaram injetados, ele tremia quase convulsivamente e se arranhava como se com as mãos tentasse afastar aquilo eu lhe causava dor. –É assim que se usa a maldição, Lucius. Você realmente precisa de ódio e não só de uma raivinha invejosa, causada pela perda de uma posição de poder. –Após falar, Harry abaixa a mão, mas ainda segurando firme a varinha, para caso houvesse alguma tentativa de ataque.
-Pois você acaba de me dar uma ótima motivação, Potter. –Lucius se levantava e tinha a varinha em mãos, uma demonstração de força e determinação que surpreendeu Harry.
-Já chega, não quero desperdiçar comensais talentosos por disputas fúteis. –Voldemort fala indo se sentar em sua poltrona.
-Só mais uma chance mestre! –Lucius pede transpirando raiva, queria devolver aquela humilhação a todo custo.
-Voldemort tem razão. –Aquela forma impessoal de se referir ao lorde negro não agradou aos comensais e muito menos a Voldemort, que parecia se conter para não repreendê-lo. –Seria um desperdício de força duelarmos aqui, portanto proponho que ao invés de um embate direto, disputemos o posto de líder dos jovens com uma ação tática que dê uma boa vantagem na guerra. Precisaríamos de comensais e teríamos o prazo de uma semana para fazer tal conquista. –Harry, ao final, desvia os olhos de Lucius para Voldemort, como se pedisse permissão.
-A idéia é muito boa, queria mesmo retomar os ataques. Contudo, Potter, me chame de mestre ou lorde, não aceito insubordinações. –O tom não admitia contestações e Harry apenas aquiesceu.
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Após receber um chamado de Narcisa, pelo relógio que dera a ela, Sirius foi de lareira até a casa da prima, saindo em seu quarto, onde a viu ninando o pequeno Draco, que estava envolto em uma elegante manta branca.
-Boa noite, Cissa! Como vai o pequeno campeão? –Pergunta com um grande sorriso, tirando o pouco de fuligem que havia em sua roupa.
-Boa noite, Sirius! Não imaginei que fosse vir tão rápido, obrigada. –Sirius pôde ver que ela parecia aliviada, como se tivesse receio de ficar sozinha.
-Imagine, linda, eu jamais faria você esperar. –Agora usara um tom carinhoso, se aproximando e fitando o desperto bebê, que parecia entretido com o relógio da mãe. Narcisa fica corada e, aproveitando a brecha, Sirius faz um carinho em Draco, que o olha desconfiado. – Ele está ficando grande e forte, você está sendo uma ótima mãe. –Agora havia um brilho satisfeito no olhar de Narcisa, ao que parecia, ela não devia estar sendo muito elogiada ultimamente.
-Acho que você é o único que pensa assim, minha mãe e minha sogra estão me deixando loucas com milhares de recomendações e reclamações, já Lucius acha que estou mimando demais o nosso filho. –Aquele desabafo apenas confirmou suas suspeitas, ela não estava recebendo apoio de ninguém, provavelmente Belatriz estava ocupada demais com seu mestre para ajudar a irmã a enfrentar as críticas e intromissões alheias, já Lucius estava como sempre insatisfeito com tudo.
-Lucius ao menos te ajuda a cuidar do pequeno? Mal o imagino trocando fraldas e dando mamadeira! –Sirius pergunta em tom divertido, mas ao vê-la desviar o olhar, se segura para não sorrir diante de mais uma suspeita confirmada. –Ele não cuida do filho, não é?
-Às vezes penso que Lucius queria que Draco já nascesse sabendo falar e andar, parece entediado com o fato de ele ser apenas um bebê. Na verdade, o choro de Draco o incomoda tanto que me mandou dormir aqui, junto com nosso filho. –Agora havia certa amargura na voz da mulher, ela parecia estar extremamente decepcionada com o marido.
-Ele dorme em outro quarto? –Aquilo pegara Sirius de surpresa, principalmente porque Narcisa já parecia estar em ótima forma, apesar do pouco tempo que havia passado desde que Draco nascera.
-Sim. Havia o resguardo e o choro de Draco o irrita tanto... –Agora o rosto de Narcisa estava rubro, mas era o vermelho nos olhos que mais chamara a atenção de Sirius.
-Vamos parar de falar nesse ingrato, até porque eu acho que estamos atrapalhando esse rapazinho a dormir. –Sirius aponta para Draco, que parecia ainda muito desperto. –O que acha de uma canção de ninar?
-Você cantaria comigo? –Aquela sugestão pegara Narcisa de surpresa, mas Sirius pôde ver que ela parecia maravilhada com a idéia.
-Não é exatamente o meu forte, mas eu acho que dá pro gasto. –O tom charmoso acabou de amolecer Narcisa, que puxou a antiga melodia bruxa, a qual Sirius tentou seguir sem atrapalhar a bela voz da prima, que parecia acalmar filho.
Minutos depois, Narcisa já havia trocado o filho e o acomodava em seu berço, que parecia uma obra de arte, tal a riqueza de detalhes. No entanto Sirius apenas observava a mulher a sua frente, os movimentos delicados e silenciosos, como se todos fossem extremamente calculados, sem dúvidas Narcisa era a imagem perfeita do que uma dama devia ser, poderia até mesmo ser um modelo para princesas e rainhas, tal sua postura, graciosidade, leveza e discrição. Um sorriso maroto surgiu em seus lábios ao imaginar se ela seria tão elegante assim na cama.
-Pensando em que? –Narcisa pergunta ao surpreendê-lo olhando para si distraidamente.
-Em como você é elegante, como sua postura, graciosidade e leveza são surpreendentes e... em como deverá ser maravilhoso quebrar tudo isso... –Sirius falava e se aproximava lentamente, seus olhos azuis turvos como um oceano tempestuoso, prendendo o frágil olhar da mulher, que parecia estar em choque, sem saber o que fazer.
-O que você quer diz... –Antes que ela pudesse terminar de falar, Sirius a surpreendeu com um beijo urgente e possessivo.
Sirius pressionava o corpo dela junto ao seu, enquanto sugava e mordiscava os delicados lábios de forma impaciente, quase agressiva, contudo, isso não a assustava, pelo contrário. Narcisa segurava fortemente a camisa do primo, não tardando a entreabrir os lábios, deixando um gemido escapar, ao sentir a língua quente e úmida adentrar vitoriosa, porém insatisfeita, como se não bastasse tomar sua boca, precisava conhecê-la por completo, desvendar os segredos que nem ela mesma conhecia.
As mãos firmes deixaram seu corpo, fazendo-a sentir-se perdida por um momento, poderia até protestar, se não estivesse vendo ele praticamente arrancar a camisa que usava, deixando exposto o físico forte e másculo, praticamente deixando-a sem fôlego. Mas não demorou e novamente os lábios famintos estavam de novo sobre si, desta vez percorrendo seu pescoço, mordicando sua orelha, porém foi a mão sorrateira e firme tocando seu seio que a fez despertar e afastá-lo usando toda a força que conseguiu reunir.
-Eu não posso... é errado! –Fala ofegante, mas firme em sua colocação.
-Errado é ignorar esse fogo que está tomando seu corpo, fazendo-o gritar pelo meu... –Sirius tinha a voz rouca, os olhos escuros determinados e cheios de desejo mostrando que não desistiria. –Além disto, nós dois sabemos que uma mulher como você, precisa não só ser elogiada com galanteios e adornada com belas jóias, também precisa de um homem que saiba tocá-la, possuí-la, provar-lhe que de fato é uma mulher capaz de levar qualquer um a loucura.
Sirius pôde ver os límpidos olhos azuis nublarem, enquanto seu corpo parecia vibrar cada vez mais intensamente em sinal claro de excitação. Narcisa não só sabia do que ele estava falando, como era capaz de imaginar ser livre para se deixar consumir pela paixão, sendo correspondida em igual intensidade, não era como sentir-se bonita como uma rara e delicada boneca de porcelana, era sentir-se realmente deslumbrante e poderosa como uma deusa. Aproveitando-se disto, Sirius se aproximou e puxou-a novamente para si, mas desta vez beijando-a de forma lenta e sensual, enquanto suas mãos firmes a tocavam com uma delicadeza e destreza surpreendentes.
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Como haviam combinado no dia anterior, todos se reuniram na casa dos Potter para compartilharem os avanços que haviam tido, mas até o momento Sirius não havia chegado e, por isso, dedicavam-se a ouvir o que Anne e Sally haviam descoberto sobre os suspeitos de serem comensais que estavam trabalhando em altos cargos do governo.
-Bom dia! –Sirius cumprimenta animadamente ao entrar na sala de reuniões. –Vejo que já começaram.
-Claro, não íamos ficar esperando você resolver bancar o homem sério e aparecer. –Anne responde rispidamente, aquele comportamento desleixado podia ser charmoso para um adolescente, mas não combinava com a postura de um homem.
-Ei, relaxa Anne, aliás, todos vocês. Eu cheguei atrasado, porque fiz turno duplo ontem, portanto mereço um descontinho. –As expressões de repreensão deram lugar a rostos curiosos.
-Não me diga que ficou conversando até tarde com Narcisa ontem! –Remo fala em tom entediado, já vira o amigo passar noites a olhar para o relógio, conversando com seu alvo.
-Não, junto com o resguardo acabaram-se as conversinhas. Aproveitei que Harry havia falado sobre uma reunião de comensais e, quando ela me chamou, me prontifiquei a ir até lá. Aí conversamos um pouquinho, botamos o moleque pra dormir e aí fiz o meu trabalho, aliás, confesso até que esqueci que aquilo era trabalho. –O sorrisinho malicioso de Sirius já explicava tudo, o que deixou as garotas surpresas e os rapazes rindo cúmplices.
-Esse é o Almofadinhas! –Thiago fala entre risos, dando tapinhas nas costas do amigo. –Então o Lucius vai ter que fazer buracos naquela máscara feiosa de comensal, hein!-A última declaração provocou risos em todos.
-Foi muito fácil, aquela cobrinha pomposa não sabe como tratar uma mulher. Narcisa está em minhas mãos, é só dizerem o que querem e eu consigo.
-Então quer dizer que o Malfoy com aquela pose toda, não dá conta do recado! –Rony tinha um ar maroto, mas logo Hermione fez um sinal de negativo para ele.
-Vamos esquecer as rivalidades por agora, afinal não podemos comprometer nossas posições. –Hermione lembra seriamente e se volta para Harry. –Você voltou tarde ontem, como foi ontem na reunião?
-Eu acho que posso dizer que foi ótima, talvez melhor do que poderíamos imaginar, no entanto nos força a antecipar as coisas. –O ar misterioso de Harry fez todos fixarem olhares tensos e curiosos nele. –Assim que cheguei, fui levado para ter uma conversa com Voldemort, foi uma reunião particular que não me trouxe surpresa alguma. Porém, quando fomos até onde os demais comensais estavam, ele me anunciou como o novo líder dos jovens comensais... –As expressões surpresas e exclamações entusiasmadas fizeram Harry pausar sua narração para observar os amigos, orgulhoso de seu desempenho.
-Então você está no lugar que era de Lucius, não é? –Sally pergunta e Harry assente. –Uau! Em uma só noite ele foi rebaixado e virou corno, estou começando a sentir pena! –Sally fala em tom debochado e faz novos risos surgirem, exceto da parte de Lílian.
-Ele não deve ter aceitado isto calado. O que Malfoy fez? –Aquela pergunta fez os outros voltarem a fincar os pés no chão, apesar de Harry estar visivelmente bem.
-Tentou me enfrentar, me desafiou e foi devidamente humilhado. Claro que não pude fazer muito, Voldemort nos chamou a atenção e forçou ordem, então para não perder a oportunidade, lancei um desafio a Lucius. Aquele que desse a Voldemort a vantagem estratégica mais importante, seria o novo Príncipe das Trevas. Ou seja, vamos fazer a guerra explodir. –Harry tinha o tom sério e encontrava em seu pai e Rony, um olhar de apoio, enquanto os demais pareciam pensativos, imersos nas suas projeções de futuro.
-O que você pretende dar a Voldemort? –Sally parecia estar temerosa ao perguntar, havia um ligeiro tremor em sua voz.
-Vou dar a Voldemort, aquilo que ele mais deseja, além do domínio do mundo mágico. –O tom frio, que ele geralmente usava ao estar com sonserinos, fez todos gelarem e pressentirem o perigo.
-Como pretende dar Hogwarts a Voldemort? –Hermione pergunta fazendo todos, com exceção de Rony, perderem o fôlego.
-Vou hoje, sem ser percebido, a Hogwarts. Avisarei a Dumbledore que invadirei Hogwarts daqui quatro dias. Será o suficiente para reunir comensais em que sei que poderei confiar.
-Dumbledore nunca aceitará isso! –Anne fala como se aquilo fosse óbvio, o que realmente era.
-Se você realmente quiser invadir, terá que enfrentar Dumbledore, será um confronto desnecessário e muito perigoso. Gerará baixas importantes do nosso lado. –Remo analisa friamente os fatos, mas mostra pelo olhar que não estava de acordo.
-Remo tem razão. Além disto, Hogwarts é uma fortaleza, seria um ponto estratégico fundamental para nós. –Thiago completa também se demonstrando contra.
-Você tem razão, Hogwarts é uma fortaleza. O que você não está percebendo, é que nós conhecemos Hogwarts muito melhor que Voldemort e, por isso, teremos toda a vantagem quando formos invadir. Fora o fato de que todos saberão onde encontrá-lo. –Rony explica de modo astuto, já antevendo toda a vantagem de campo que poderiam ter quando fosse o momento da batalha final.
-Além disto, a guerra poderá ser mais facilmente ocultada dos trouxas, fora o fato de que ninguém conhece mais segredos de Hogwarts que os diretores dela. Aposto como Dumbledore saberá fazer da perda de Hogwarts uma grande motivação para nosso lado e uma forma de Voldemort relaxar um pouco, acreditando estar em grande vantagem. –Hermione completa entendendo como este passo seria não só importante, mas crucial na guerra.
Nos minutos seguintes, o grupo discutiu como posicionar as “peças” para a tomada de Hogwarts, desde o grupo de aurores que estaria de plantão no momento, até os comensais que poderiam ser mais fiéis a Harry, informação que Sirius confirmaria com Narcisa indiretamente.
Era fim de tarde, quando Harry aparatou para a casa dos gritos, usando a passagem que dava acesso ao terreno da escola, onde saiu coberto pela capa da invisibilidade emprestada por Thiago e com o Mapa dos Marotos em mãos. Como o período letivo já começara, Harry decidira chegar em uma hora em que os alunos estariam tendo aula, assim seria mais difícil encontrar algum professor ou aluno no corredor.
Sem nenhum percalço, chegou ao andar do diretor, parou em frente à gárgula e retirou do bolso um pedaço de pergaminho onde Lilian havia escrito a nova senha, passada a ela por Minerva. Logo que a gárgula se moveu, subiu rapidamente os degraus, sem tirar a capa, então dando uma batida suave na porta antes de entrar, encontrando o diretor sozinho em seu escritório.
-Boa Tarde, Alvo! –Cumprimenta o surpreso diretor, que certamente não esperava uma visita.
-Harry! Não me diga que já está com saudade da escola? –Já recuperado da leve surpresa, Dumbledore brinca, apontando a cadeira a sua frente para que Harry se sentasse.
-Na verdade venho trazer algumas notícias... interessantes. –Dumbledore se acomodou melhor, observando-o como se disse para ele prosseguir.
Na hora que se seguiu, Harry contou sobre alguns progressos das investigações, mas dedicou a maior parte do tempo para contar em detalhes sua reunião com Voldemort, o incidente com Lucius e as decisões tomadas por seu grupo na reunião daquele dia. Dumbledore ouvira tudo calado e ficara pensativo por uns minutos antes de se manifestar.
-Então pensa que Hogwarts seria o preço para ter a informação das horcruxes? –Dumbledore mantinha o tom calmo e o olhar avaliativo. Harry respondeu com um aceno. –Vou conceder um fim de semana em Hogsmeade aos alunos este fim de semana. Também prepararei saídas de emergência com Minerva, apenas ela saberá da invasão.
-Então concorda em entregar Hogwarts? –Harry estava surpreso, não imaginava que o bruxo fosse abrir mão da escola tão facilmente.
-Enquanto estiver aqui, Voldemort estará sendo observado atentamente por vários amigos , também tenho certeza de que quando viermos retomar a escola, nem ele e nem os comensais irão fugir. –Havia um brilho diferente nos olhos de Dumbledore e, como a muito não via, uma aura de poder e sabedoria o envolvia.
-Vejo que o senhor já tem seus próprios planos, estou certo? –Dumbledore sorriu enigmaticamente e se levantou, indo até Fawlkes e lhe entregando um pergaminho, para a seguir, ver a ave desaparecer.
-Você não só oferecerá Hogwarts a Voldemort, Harry, como também a vida de seu maior inimigo.
N/A: Oi, gente desculpa a demora em postar, mas estou cheia de trabalhos da faculdade, estou começando a monografia e ainda estou com um projeto de desenvolvimento de um jogo de RPG em 3D então ta difícil achar tempo, mas não vou parar de escrever.
jack joy: Eles voltaram no tempo quando estavam no final do sexto ano, eu não estou considerando o livro 6, até porque a fic é pré-livro 6, mas uso algumas coisas do livro 6 como as horcruxes.
Morgana Bauer: O Harry realmente ta bem legal de Slytherin, acho que também tende a ficar bem de comensal, apesar de restar poucos capítulos para terminar a fic. Quem vai ser salvo e quem não vai ser, nem eu ainda decidi bem, até porque uns vão morrer, mas não custa nada torcer rsrsrs. Quanto a Rony e Sally, só posso adiantar que o final não vai ser muito feliz.
hhgranger: Obrigada pelo elogios! Quanto ao Remo, creio que por mais que ele tenha começado um pouco mau, de agora em diante ele vai ser super, principalmente na continuação.
Kikawicca : Que bom que está gostando, quanto a Angel, haverá notícias dela no próximo capítulo, mas ela está bem. Já o final de Voldemort não está muito bem decidido, mas todo mundo pode opinar.
Gabriele Black : O Sirius não esperou muito, já deu o bote na Narcisa, mas apesar de ter rolado uma química, o Sirius é do tipo que não se envolve é mais diversão mesmo.
Charlotte Duerre : Nossa se você já estava confusa antes, não imagino agora, afinal a Hermione nasceu! Rsrsrsrs mas o Harry não “nasce” nessa fic, ela termina antes disso e a Hermione não está grávida!
Duda: Obrigada pelos elogios, eu até estou com um projeto de um livro, mas ainda não to com tempo para escrever. A fic deve ter no máximo mais 5 capítulos, então o final vem logo, apesar de haver uma continuação.
Luana Evans Potter: Rsrsrsrs é normal esquecer, mas da próxima vez, anota num papel qualquer aí do lado, as vezes faço isso quando o cap é muito grande rsrsrs.
nanathy: A Mione não está grávida, quando o Harry estiver na escola o Draco também estará, mas ainda não sei quem seria seu grande rival. A fic terá continuação sim, eu já tenho até a capa da continuação. Quanto ao comentário do Harry, é normal que ele não queira ter tanta intimidade assim com o pai né, é meio estranho rsrsrs. E pode escrever quantos comentários enormes você quiser, eu adoro eles e respondo sem problemas.
Mione03: Você está certa, o Draco será um pouquinho diferente, mas também não significa que ele se dará bem com o Harry e turma. Quanto ao Sirius, ele é demais né, fez o Draco virar corno e vai fazer coisa ainda pior, mas isso por enquanto é segredo.
Misty Weasley Malfoy*TMW*: Se o Harry “nascesse” antes da hora, não seria o Harry com suas características físicas e sua personalidade, o Draco mesmo vai ser um pouco diferente, mas a Mione já nasceu e talvez o Rony dê o ar da graça ainda nessa fic rsrsrs.
Biank Potter: Viu como voldinho ficou todo bobo com o Harry? O bobinho acha que ta podendo, que ta com o melhor time, nem sabe o que o aguarda rsrsrsrs.
Abidor: Crie o hábito de comentar, é legal e os autores gostam, porque diz pra gente que as pessoas tão gostando e que vale a pena gastar um bom tempo escrevendo e pesquisando.
Angel Biby Simon Cullen *** Cereja : Cullen?? Também é fã da série Twilight? Eu tenho uma fic que mistura HP com Twilight, se chama Alvorecer.
Josy: O plano deu certo! Mas não vejo como isso muda muito o Draco. Já quanto a Bella, ela vai aparecer no próximo capítulo que vai ser fundamental para o desfecho da fic.
*MaRy*: Sim está tudo acontecendo bem rápido, mas é porque o final da fic está chegando. Quanto ao Sirius, foi uma idéia que tive de repente, mas acho que encaixa bem na fic e principalmente na continuação dela. Tem horcrux sim nessa fic e tem a profecia da época do Harry, mas nessa época eu acho que se houver, ela deverá ser diferente. Talvez a rápida concordância de Dumbledore tenha relação com isso, quem sabe?!! Rsrsrsrs.
Próxima Fic a ser atualizada: Alvorecer
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