Era véspera de seu aniversário de dezesseis anos, Harry havia recebido uma carta avisando que iriam buscá-lo naquele dia e que ele deveria estar com suas coisas prontas às vinte e três horas. Já estava com tudo arrumado às vinte duas e meia, esperando-os na sala, já pronto para ir embora.
Estava feliz em poder sair da casa dos tios, mas havia uma sensação estranha dentro de si, era um nervosismo atípico, algo que o fazia ansiar e ao mesmo tempo temer o momento em que chegaria a Mansão Black.
Às vinte e três horas Harry ouviu barulhos na porta e logo abriu para que Lupin, Tonks, Moody e os gêmeos entrassem, todos carregando vassouras, o que lhe lembrou do método que usaram no ano anterior.
-E aí, Harry? Pronto para deixar esse buraco pra trás? –Fred fala com bom humor, sorrindo para o amigo.
-Mas antes, não se esqueça de “esquecer” esses docinhos no sofá. –Jorge completa mostrando um saquinho com algumas geminialidades.
-Não temos tempo para brincadeiras, devemos ir imediatamente. –Moody fala enquanto prendia o malão de Harry a Firebolt dele.
-Tudo bem, mas é melhor que deixem o saquinho cair sem querer no chão. –Harry fala em tom cúmplice, enquanto sentia um frio na espinha ao receber o feitiço de desilusão.
-Pena eu não poder ficar para ver! –Tonks fala segurando o riso. Todos já se dirigindo para o jardim.
-Fique no centro da formação Harry e não abaixe a guarda, é preciso total atenção. –Lupin fala em tom prático, mal olhando para Harry antes de levantar vôo.
Harry seguiu-o e notou os gêmeos aos seus lados e Tonks e Moody atrás de si. Voaram atentamente, mas isso não impediu que Fred e Jorge fizessem brincadeiras com ele enquanto voavam. Quando deu por si, já estavam em frente à sede da ordem. Sentiu as pernas tremerem por uns segundos, sabia que a lembrança de Sírius ficaria ainda mais evidente, mas enfrentaria a tristeza e usaria essas recordações para reforçar seus objetivos.
Seguiram para a entrada da casa, somente Moody ficando e dizendo que iria fazer algo que não conseguiu ouvir bem. Entrou logo depois de Lupin, os demais vindo atrás de si.
-Conseguimos tirar o quadro da mãe de Sírius. Também fizemos uma bela limpeza por aqui, acho que vai gostar. –Tonks fala animada. Estava logo atrás de Harry.
Assim que chegaram à sala, Harry pôde ver o Sr. e a Sra. Weasley, Rony e Hermione com Bichento na sala, provavelmente a sua espera. Todos sorriram ansiosos ao vê-lo.
-Oh! Harry, querido! –Molly se aproximou com um sorriso aliviado nos lábios e já abria os braços quando Lupin se pôs entre eles e a afastou.
-Não! –fala ao segurar a mulher, que o olhou irritada. –Ele não pode ser tocado, lembra? –a voz de Lupin soou grave e Harry sentiu algo quebrar dentro de si.
De repente um frio lhe tomou o interior e sentiu uma forte queimação nos olhos, as têmporas doíam. Desviou os olhos para a esquerda da matriarca Weasley e viu Hermione se abraçar, então um vazio o tomou, sabia que era para ele estar entre aqueles braços. Rony quebrou o silêncio incômodo que se instaurou.
-E aí cara, como foram as férias com seus tios? Eles não te encheram muito, não é? –Rony pergunta com seu sorriso bem humorado e Harry agradece silenciosamente o jeito de Rony.
-Até que eles me deixaram mais quietos, mas continuam sendo chatos e implicantes. –Harry responde fazendo uma careta de desgosto, mas sentindo-se mais aliviado.
-Agora as coisas vão melhorar, Harry. –Hermione fala com um sorriso reconfortante e Harry retribui o sorriso.
Mas antes que pudesse dizer algo, sente uma fisgada em seus tornozelos e uma queimação que o fazem saltar para trás e dar um gemido de dor. Mas ao ir para trás esbarra em Tonks e sente como se uma tora em chamas o houvesse atingido nas costas, ele cai para o lado e um dos gêmeos tenta amparar a queda, mas ao toque, Harry sente nova dor e como em uma reação instintiva sai tropeçando e correndo para as escadas, subindo os degraus o mais rápido que podia e sentindo seu corpo arder, os pés ainda doíam. Entrou com tudo no quarto em que ficava Bicuço e nem reparou na falta do animal, apenas se lançou com raiva contra uma parede, se deixando cair no chão. Sua mente relembrava os fatos de poucos segundos, Bichento tentando cumprimentá-lo, ele esbarrando em Tonks, um dos gêmeos tentando segurá-lo para que não se machucasse, no entanto seu corpo doía, sua pele queimava e seu sangue fervia de raiva e frustração.
Pela primeira vez desde que soube da maldição, Harry realmente podia sentir tudo o que ela implicava, a falta de contato em toda a sua gama de significados. Ouviu um barulho e ergueu os olhos. Hermione havia entrado e se sentava a frente dele.
-Desculpe por Bichento, mas eu n...
-Tudo bem, eu também não sabia que afetaria ele. –Harry a interrompe, não queria ouvir pedidos de desculpa e nem ser alvo de olhares piedosos.
-Ele não fará mais aquilo. –Hermione completa. Um silêncio estranho se estabelece por uns minutos. –Se sente mal por estar aqui? –aquela pergunta o surpreende, assim como o olhar analítico que ela lhe lançava, como se quisesse captar a essência do quer que respondesse.
-Eu pensei bem em tudo e lamentar não vai adiantar nada. Estou determinado a aprender tudo o que puder e ir atrás dos responsáveis por tudo isso. Vou esmagar Belatriz Lestrange e Voldemort. – a voz dele soou fria e distante. Hermione não gostou nada do que vira.
-Não pode se deixar levar por vingança, não precisa se envolver mais nisso... –ela tenta argumentar com calma, mas Harry se ergue e lhe dá as costas, não gostando do rumo da conversa.
-Não preciso me envolver mais? –Harry fala rindo friamente. –Eu já estou completamente envolvido. Voldemort e o maldito destino já me afundaram nesse lamaçal até os cabelos.
-Vai com calma, cara. Não adianta, se desesperar... –Rony entra no quarto e tenta amenizar as coisas.
-Me desesperar? –Harry repete incrédulo. Depois de respirar fundo e tentar por os pensamentos em ordem, ele aponta uma cama velha para os amigos. –Sentem-se que eu vou lhes contar um segredo.
Nos minutos seguintes Harry conta toda a conversa que tivera com Dumbledore antes das férias, inclusive, sobre a profecia. Rony ficara quieto e pálido, Hermione tinha os olhos úmidos e parecia lutar para não chorar.
-Como podem ver, eu não estou me metendo em nada, só não serei mais um joguete de Voldemort, dessa vez eu serei um jogador, com minhas próprias peças e lances. –Harry fala determinado, atraindo o olhar dos amigos.
-Pode contar comigo para te ajudar com os lances e como uma peça. –Rony fala se levantando e oferecendo uma mão para Harry, que apenas põe as mãos no bolso. –Desculpa, eu esqueci. –Rony fala sem jeito, sem saber onde por as mãos.
-Tudo bem, às vezes até eu esqueço. –Harry fala tentando parecer bem e Rony sorri menos sem jeito.
-Você disse que Dumbledore lhe deu a espada, certo? –Hermione pergunta em seu tom prático e Harry assente confirmando. –Então me dê a espada, vou tentar achar algo sobre ela e as runas que você disse ter na lâmina. Talvez possa encontrar algo.
-Tudo bem, eu vou pegá-la no meu malão. Vocês vêm? –Harry fala e os dois concordam, seguindo o amigo para o quarto onde ele ficaria com Rony.
Passou algum tempo discutindo sobre a espada com os amigos, mas passaram mais tempo comentando do ataque que sofrera no cofre da família Black. Assim como Harry, Rony e Hermione chegaram à conclusão de que teriam que estudar muito para conseguir estar à altura de lutar contra os comensais e começariam a fazê-lo no dia seguinte, usando os livros que havia na biblioteca da casa.
Era cerca de duas da manhã, quando Harry se levantou da cama, não conseguia dormir e não se forçaria a isso. Trocou de roupa e desceu silenciosamente, não pretendia acordar ninguém no caminho. Ao chegar à biblioteca, seguiu as instruções de Sírius e abriu a passagem secreta que daria na sala dos marotos.
A sala era escura, apesar do fogo da lareira ter se acendido assim que entrou. Observou as estantes em madeira escura e o sofá verde musgo em frente à lareira. Havia muito livros nas estantes, a maioria era de diários anuais com a data e o nome de quem o escrevera, Pontas, Aluado ou Almofadinhas. Havia livros de DCAT e de transfiguração, mas algo o atraiu para um livro que estava em destaque, apoiado sobre a lareira, junto a duas molduras com fotos bruxas. Na primeira havia uma foto dos marotos bem jovens, talvez durante o primeiro ano de Hogwarts, tendo uma mancha negra, que deveria ter sido feita para apagar Petigrew, a outra foto era deles mais velhos com Lílian, certamente o último ano de Hogwarts, havia outra mancha negra nesta foto também. O livro entre as duas fotos tinha a capa vermelha e as letras L e T em dourado, entrelaçadas.
Trêmulo, Harry pegou o diário e se sentou no sofá. Assim que abriu o livro, viu uma foto igual a que ele tinha na cabeceira da cama, ele pequeno e seus pais. Depois havia uma dedicatória feita com uma bela letra, muito parecida com a de Hermione.
“Para nosso querido e amado filho, que infelizmente não pudemos ver crescer, mas que temos certeza está em ótimas mãos!”
Harry engoliu em seco. Por um momento pensou no que seus pais diriam se soubessem como os Dursley o haviam tratado durante toda sua vida e no que diriam ao saber como ele estava agora. –Certamente não achariam que estou em ótimas mãos!- Harry murmura amargamente, provavelmente nem Trelawney conseguiria prever um destino tão ruim para ele. Sacudindo a cabeça afastou os pensamentos e voltou a ler.
“Hoje eu acordei muito cedo, estou tão ansiosa para o meu primeiro dia de aula! Meus pais me deixaram na estação e agora estou em uma cabine do Expresso de Hogwarts, o trem que vai me levar para um mundo totalmente novo e que estou louca para conhecer. Já li Hogwarts-Uma História, três vezes, e vários dos livros que me indicaram, mas ainda me sinto tão estranha e deslocada, no entanto algo me diz que os melhores anos da minha vida estão para começar. Estava sentada em uma cabine com duas garotas, Alice e Sara, e um garoto que ficou muito calado o tempo todo, seu nome era Remo Lupin. Eu não sabia, mas Remo Lupin e a futura Alice Longbottom, seriam meus melhores amigos na escola e no restante de minha vida. A viagem seguia tranqüila, até que um pouco depois da mulher dos doces passar, uma explosão ocorreu e eu corri para ver o que havia acontecido e percebi que o rapaz vinha correndo atrás de mim.”
A escrita mudou de repente, a letra caprichada havia se transformado em uma corrida e um pouco confusa, pior que a sua, pensou Harry rindo e concluindo que seu pai começara a escrever.
Minha mãe já me chamava pela quinta vez, até que fui violentamente arrancado de meus lençóis! Eu podia ouvir os gritos desesperados deles clamando minha volta, mas sabia que já estava atrasado e se eu perdesse o trem minha mãe ficaria uma fera, então fui me arrumar. Estava chateado, meu melhor amigo foi enviado para estudar em Durmstrang pelos pais e, portanto, eu iria sozinho para Hogwarts. Que droga, isso era muito chato, mas já tinha meus planos para pelo menos no primeiro dia não ficar muito entediado. Chegando a estação eu já ia embarcar no trem quando esbarrei em um garoto que tinha encontrado no Beco Diagonal quando fui comprar os materiais, eu tinha achado ele legal nos poucos minutos que conversamos, mas minha mãe me falou que os Black não eram boa companhia, eram do tipo que se exultavam por serem puros-sangues e eu odeio gente assim. Mas para minha surpresa ele pegava no chão uma caixa igual a minha, então por uns segundos trocamos um olhar cúmplice e um sorriso maroto, aquilo selou nossa amizade eterna e nosso primeiro plano de “ação”. Sentamos no primeiro vagão e pusemos nossas caixinhas em pontos estratégicos. Um pouco depois que a mulher dos doces passou, nós “lembramos” de comprar feijõeszinhos de todos os sabores e fomos até ela discretamente, quando uma explosão aconteceu. Vimos um monte de bosta de dragão voar pelos corredores e pessoas com manchas verdes saírem das cabines gritando, mas não podíamos ficar lá, tínhamos que nos abrigar no fundo do trem para não sermos pegos. Porém no meio do caminho, algo que mudaria minha vida para sempre, aconteceu!
Eu estava correndo, via fumaça verde na frente do trem e pessoas gritando, estava tudo escuro por causa da fumaça e de repente caí de costas no chão e senti um peso sobre mim, mas o pior é que sentia algo macio e quente em meus lábios. Quando levantei assustada vi um garoto, que logo depois de ouvir outro garoto gritar –Vamos que os monitores tão vindo! –saiu correndo, não pude ver muito bem seu rosto, mas ouvi a voz dele falar –Depois a gente se fala “foguinho”! –Que cretino, além de roubar meu primeiro beijo e causar aquela confusão no trem, ainda tinha a audácia de me chamar de “foguinho”, francamente, até parece que sou a única ruiva do mundo!
Harry riu pela primeira vez desde que fora amaldiçoado, certamente seus pais não se conheceram de um modo normal, mas sendo Thiago Potter o envolvido, não poderia ter sido algo convencional mesmo.
Eu estava correndo e de repente senti algo bater em mim, então caí sobre algo macio, senti meus lábios sobre outros macios, quentes, levemente úmidos, realmente a sensação era boa, mas aí ouvi Sírius dizer que os monitores estavam vindo, então só tive tempo de, após me levantar, ver a gatinha de cabelos de fogo e olhos de esmeralda que estava em baixo de mim, não podia ficar, pois detenção no primeiro dia ia fazer meu pai me matar, mas ainda consegui dizer ao meu “foguinho” que a veria depois, afinal eu tinha tido meu primeiro beijo e com certeza me deixou com vontade de muito mais, tinha acabado de descobrir o melhor jeito de me esquentar e apesar de experimentar futuramente outras, sem dúvida nenhuma, ninguém conseguia me aquecer tanto como minha ruivinha!
Harry abaixou o diário e o fechou. Suspirou e fechou os olhos tentando imaginar o que seu pai sentira, então se lembrou de como fora beijar Cho no ano anterior. Certamente não fora nem parecido, na verdade nunca achou que um dia fosse encontrar alguém como seu pai havia encontrado sua mãe, mas agora sabia que mesmo que encontrasse, nunca sentiria nada parecido. Novamente sentiu aquele vazio que parecia crescer dentro de si e novamente aquele frio se manifestou dolorosamente.
-O vermelho que está no destino de uns simboliza o amor, mas no meu representa o sangue. –Harry murmurou ao ver o reflexo da chama, que deixava sua pele vermelha como a capa do livro.
Nos dias seguintes Harry passava o dia estudando com Rony e Hermione. Usavam alguns livros interessantes que Hermione havia encontrado e a própria Tonks lhes dera um que ela usara no curso de formação de aurores. Quando havia reunião, eles usavam um buraco que havia atrás de um armário, para por uma orelha extensível e ouvir as conversas, que a cada dia os deixavam mais preocupados. A quantidade de desaparecimentos aumentava e ataques de dementadores a trouxas era cada vez mais freqüente. Harry não comentara com ninguém, mas as tentativas de Voldemort de entrar em sua mente aumentaram, o que fazia com que Harry dormisse cada dia menos. Por conseqüência, Harry passava as noites na sala dos marotos, onde achara várias anotações de feitiços que os marotos criaram, nos diários que eles mantinham.
Uma semana antes de Setembro, as cartas de Hogwarts chegaram, acalmando uma tensa e ansiosa Hermione e deixando Rony mais do que nervoso. Harry recebera sua carta da Sra. Weasley, que viera entregar as cartas aos três, que estavam no quarto de Rony e Harry estudando. O moreno analisara cada nota com uma expressão neutra, não havia sido muito diferente do que esperava.
-E então, como foi, Harry? –Rony pergunta parecendo nervoso e dobrando sua carta com cuidado.
-Reprovei em História da Magia e Adivinhação, passei raspando em poções e minha melhor nota foi em DCAT. E você, como foi? –Harry pergunta em tom casual.
-Parecido com você, só que minha melhor nota foi em feitiços. –fala sorrindo para o amigo e olhando de esguelha para a mãe, que tinha um semblante confuso, como se estivesse se decidindo entre brigar com ele e parabenizá-lo.
-Pois eu passei em tudo, só não tive nota máxima em História da Magia, por causa do problema do Harry, fiquei muito tensa para me concentrar. –Hermione fala com um sorriso radiante. Harry e Rony se dedicaram a parabenizá-la, o que distraiu a Sra. Weasley de suas ponderações quanto aos N.O.M’s do filho.
-Uau! Harry você é o novo capitão! Você foi nomeado capitão da Grifinória! –Gina fala segurando o distintivo de capitão que achara no envelope dele e chamando a atenção de todos.
-Cara, isso é demais! –Rony fala abobalhado, olhando o reluzente distintivo.
-Parabéns Harry, ninguém merece mais que você! –Hermione fala com um grande e orgulhoso sorriso, o que vindo de alguém que não gostava de quadribol, significava muito.
-Pode ser, mas não será meu. –Harry pega o distintivo da mão de Gina, mordendo o lábio para suportar a dor do breve toque. Depois pega um pergaminho e pena no seu malão.
-O que vai fazer? –Rony pergunta aturdido.
-Escrever a professora McGonagall recusando o convite e indicando você para capitão, não por ser meu amigo, mas por entender muito de quadribol. –Harry fala determinado e já começando a breve e direta carta.
-Você não pode fazer isso, é o melhor jogador do time e seria um grande capitão. –Rony fala sem entender a atitude de Harry.
-Rony tem razão Harry, você não precisa ficar inseguro, será um capitão tão bom quanto é como apanhador. –Gina o apóia, também não entendendo o que Harry fazia.
-Vocês não entenderam. Eu estou deixando o time e sei que terão em você uma ótima apanhadora, Gina. –Harry fala terminando a carta e saindo do quarto, batendo a porta atrás de si para coibir alguém que tentasse segui-lo.
-Não, Rony! –Hermione fala assim que vê o amigo pondo a mão na maçaneta. –Harry não pode disputar o pomo com o adversário, você já devia ter imaginado isso. –Hermione fala brevemente, lembrando a Rony que o menor contato físico, mesmo por sobre roupas, afetava o moreno.
Hermione deixou no quarto os três Weasley com expressões que mesclavam tristeza e pena. Desceu as escadas com calma e depois foi até a biblioteca, onde entrou na sala dos marotos e viu Harry sentado no sofá. Silenciosamente andou até lá e se sentou na mesa a frente dele, assustando-o e fazendo-o recuar bruscamente.
-Não vou tocá-lo, não se preocupe. –a voz dela soou suave e fez Harry se achar um idiota por agir daquele jeito.
-É uma reação automática a proximidade, acho que já virou instintivo. –Harry falou tentando parecer normal, mas não conseguindo se sentir à-vontade.
-Eu só queria estar perto de você. Não gosta disso? –a pergunta o pegou de surpresa, assim como o olhar que Hermione lhe lançou.
-Eu não sei. –responde de modo sincero, mas tentando não mostrar rejeição a amiga para não magoá-la. –Como descobriu onde eu estava? –muda de assunto e deixa, sem querer, transparecer que não gostara muito da invasão a sua privacidade.
-Vi você entrando aqui outra noite, mas não se preocupe que não contei a ninguém sobre seu esconderijo. –fala com um sorriso cúmplice, que Harry não consegue corresponder, passando a admirar o fogo atrás da amiga. –Sei que foi difícil abrir mão do quadribol, acho que seria como se me proibissem de entrar na biblioteca. –Harry não conseguiu deixar de sorrir.
-Estar com minha Firebolt a vários metros do chão me faz sentir livre, creio que é a mesma sensação de liberdade que as páginas dos livros te dão. –comenta sem armagura na voz, como se por um instante pudesse sentir o vento frio no rosto, agitando seus cabelos e lhe tirando o peso da gravidade.
-De certa forma. Mas a primeira vez que senti a verdadeira sensação de liberdade foi quando me salvou do Trasgo no nosso primeiro ano. –Hermione fala de modo sincero, deixando que Harry visse em seus olhos todos os sentimentos que a lembrança lhe evocava.
-Eu não acredito! Hermione Granger está admitindo que gosta da adrenalina e o perigo, que eles lhe dão asas! –Harry fala entre surpreso e divertido.
-A adrenalina e o perigo nada têm a ver com as asas que ganhei aquele dia. –Hermione fala com uma expressão indecifrável, antes de se levantar. –Vou deixá-lo pensando nisso. Agora vou reaparecer antes que Rony desconfie que eu sei onde fica seu refúgio secreto. –novamente ela lhe dedica um sorriso cúmplice, que faz Harry se sentir melhor, ela ainda o entendia.
Harry ficou pensando sobre aquilo durante um tempo, mas depois decidiu que aquilo não o levaria a lugar nenhum, resolvendo então sair de seu refúgio e conversar com Rony, afinal precisavam retomar os estudos.
Para surpresa de todos, Harry pediu que a Sra. Weasley cuidasse de suas compras, pois não queria ir ao Beco Diagonal. Mais tarde, no mesmo dia, a resposta de McGonagall chegou aceitando a recusa de Harry e o conselho de nomear Rony como novo capitão. Rony ainda tentou convencer Harry a ficar no time, a pelo menos tentar jogar, mas Harry se mostrou irredutível e ameaçou fazer com Rony o mesmo que fizera com Belatriz se o amigo continuasse a insistir.
A semana se passou um pouco tensa entre os dois amigos, mas Harry estava decidido a se focar na guerra e esquecer todos os outros assuntos, argumento que ajudou Rony a esquecer sua insistente proposta. Mas o que veio a preocupar Harry, fora o estranho afastamento de Hermione e Gina, que passaram a andar cochichando pelos cantos e mudando de assunto quando Rony ou ele chegavam perto.
N/A: Como recebi vários cometários, aí está o cap 2 da fic, espero que continuem gostando. Ainda virão muitas surpresas para Harry e também momentos de solidão. |