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1. Amaldiçoado


Fic: Frio da Alma


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Harry estava dormindo e, como acontecia com freqüência, sua mente girava em lembranças e imagens de seu padrinho, da batalha no Departamento de Mistérios e Voldemort. O rapaz acordara suando frio, sabia que Voldemort se aproveitava de seus pesadelos para entrar em sua mente e por isso sempre tentava acordar o mais breve possível. Levantou-se e foi até os fundos da casa, onde seu tio havia prendido um saco de boxe para Duda treinar e que Harry usava para descarregar sua raiva de Voldemort e Belatriz. Harry golpeava com força e precisão, concentrando sua raiva, seus medos e suas frustrações nos pulsos e pés, que também usava vez ou outra para golpear seu inimigo.
Essa era a rotina noturna de Harry desde que chegara a casa dos tios há duas semanas, durante o dia se alternava entre tarefas dadas por seus tios e estudos teóricos nos livros de DCAT e feitiços que tinha.

Era final da manhã de uma quinta feira, o tempo estava frio e úmido apesar de ser verão e Harry suspeitava que era influência dos dementadores. Ele, por ordem de sua tia, capinava no jardim, preparando uma área para ela começar um novo canteiro de flores.

-Está em ótima forma! Anda se exercitando ou é o quadribol? –Harry ouve uma voz feminina estranha e se vira ao ouvi-la mencionar o esporte bruxo.

Ao virar-se, Harry viu Tonks de cabelos ruivos vivos e olhos negros e a seu lado uma mulher alta, de pele branca, olhos azuis, cabelos loiros e levemente cacheados como a de um anjo, comparação reforçada pelo belo sorriso.

-Belíssima observação Lily, inclusive sou obrigada a concordar. –Tonks fala seriamente observando o tronco nu de Harry, que cora ao ver a expressão analítica do rosto da amiga.

-Lily? –Harry pergunta tentando trocar o foco do assunto e estranhando o apelido tão familiar.

-Lilith Sanders, muito prazer em conhecê-lo! –a mulher que devia ter no máximo vinte e cinco anos, o cumprimenta com um belo sorriso, que o fez corar ainda mais.

-Prazer. Er... melhor conversarmos lá dentro. –Harry fala um pouco nervoso e indicando o caminho da casa, deixando as ferramentas de trabalho no chão.

-Então Harry, anda se exercitando? –Tonks pergunta sem conseguir conter uma leve provocação na voz, mas evitando rir ao vê-lo ficar sem jeito.

-Sim, eu gosto. É bom para esvaziar a mente. –Harry fala sem se virar, se limitando a abrir a porta de casa e entrar.

-Quem dera se todos os homens pensassem assim. –Lilith comenta com um sorriso cúmplice e Tonks concorda em tom malicioso.

-Eu vou avisar minha tia que vocês estão aqui e já volto. –Harry fala sem jeito e indo a passos apressados para a cozinha, voltando logo depois para a sala, onde elas esperavam. –Ela não estava lá, deve estar lá em cima... –Harry parou de falar ao ver a tia e o primo aparecendo na sala. Ambos pararam entre surpresos e amedrontados. –Tia Petúnia, eu tenho visitas.

-Olá. Viemos buscar o Harry para dar um passeio. –Tonks fala de modo simpático, mas Petúnia faz uma careta que mostrava seu desgosto pela presença das duas na casa dela.

-A-as duas vão sair com ele? –Duda pergunta nervoso com o fato de serem bruxas, mas sem conter a curiosidade ao perceber que o primo estava prestes a sair com duas mulheres lindas.

-Sim, vamos levá-lo para dar uma voltinha e só devemos trazê-lo depois do jantar, mas a senhora não precisa se preocupar que vamos cuidar direitinho dele. –Tonks percebe a dúvida de Duda e fala de modo insinuante, passando a mão sobre os ombros de Harry, que só não pula de susto, porque Lilith faz o mesmo do outro lado.

-Sabemos que não devíamos tirá-lo daqui antes do aniversario dele, mas não estávamos mais agüentando de saudades. –a loira acrescenta com um sorriso doce, mas malicioso.

-Eu vou tomar um banho, volto logo. –Harry fala se distanciando das duas. –Fiquem à-vontade, eu não demoro.

Harry rapidamente sobe e sem entender o que estava acontecendo, procura por roupas suas não herdadas de seu primo, antes de ir tomar uma rápida ducha. Sem saber ao certo aonde ia, tentou se arrumar o melhor que pôde, apesar de ter fracassado em arrumar os cabelos rebeldes, que estavam um pouco mais curtos devido à insistência de sua tia para que cortasse o cabelo. Quando voltou a sala menos de quinze minutos depois, encontrou as duas mulheres sentadas no sofá, conversando animadamente.

-Oi, já podemos ir. –Harry fala chamando a atenção para si. Incomodado, viu as duas o analisarem de cima a baixo e depois sorrirem. –Vocês estão me assustando. –Harry comenta se aproximando e falando baixo para ninguém ouvir.

-Calma Harry, não vamos te atacar. –Tonks fala rindo e se já se levantando.

-Só achamos que você gostaria de deixar seu primo com inveja. –Lilith fala com um sorriso maroto.

-Tudo bem, obrigado. –Harry exibe um sorriso de canto, sentindo-se mais à-vontade. –Mas, aonde vamos? –a pergunta foi passada de uma a outra com o olhar e Harry não gostou disso.

-Ao Gringotes, eles querem que assine uns papéis, burocracia, algo muito chato. –Lilith fala mostrando um pouco de enfado e Tonks a acompanha.

-No caminho conversamos melhor, acredito que esteja cheio de perguntas para fazer. –Tonks fala e Harry concorda, se encaminhando com elas para o carro no qual as duas vieram.

Durante o trajeto e a parada para o almoço, Harry ficou sabendo um pouco sobre o como as coisas andavam, assim como um pouco mais de Lilith. Ela era sobrinha de Dumbledore, que havia a criado desde que seus pais morreram quando pequena, havia estudado com Tonks e eram amigas desde a escola, além de trabalharem juntas no ministério como auror. As duas jovens tinham uma grande cumplicidade e adotaram como passatempo favorito mexer com Harry, não perdendo uma oportunidade para elogiá-lo ou jogar charme para ele, chegando a darem um abraço duplo quando andavam pela rua, fato que chamou a atenção dos homens que passavam e o deixou muito envergonhado.

Quando chegaram ao Gringotes foram levados a sala do gerente, a qual era muito elegante e luxuosa. Encontraram Lupin conversando com um duende, que contorceu o rosto no que Harry julgou um sorriso, apesar de parecer uma careta.

-Bem-vindos, por favor, sentem-se. –o duende fala simpaticamente, apontando duas poltronas próximas a mesa e uma mais afastada, onde Lilith se sentou. Harry cumprimentou Lupin brevemente e este sorriu parecendo um pouco incomodado. –Estamos aqui para a leitura do testamento de Sírius Black e a formalização da posse dos bens.

-Testamento? –Harry perguntou irritado, olhando para Tonks mostrando o quanto havia se sentido traído.

-Desculpe não ter falado antes, mas imaginei que não aceitaria vir se eu contasse. –Tonks se desculpa sem jeito, seus olhos mostravam que ela também não estava feliz em estar ali. Agora Harry entendia o desconforto de Lupin.

-Nenhum de nós gosta da idéia, Harry, mas é a última vontade dele e o mínimo que podemos fazer é atender. –Lupin fala em um tom parecido com o que usava quando professor, o que fez Harry consentir silenciosamente.

-Então comecemos a leitura. –o duende se pronuncia pegando um pergaminho lacrado e quebrando o selo com o brasão da família Black. Imediatamente o pergaminho brilhou e levitou no ar, as letras brilhando enquanto pronunciadas pela voz de Sírius Black.

“Eu, Sírius Black, descreverei nesse pergaminho minhas últimas vontades, na forma de um testamento cujos citados são Remo John Lupin, Harry James Potter e Ninfadora Tonks.

Cortando as formalidades e indo ao que interessa deixo para:

Remo Lupin, meu fiel amigo e último dos marotos, deixo a quantia de 5 mil galeões para que ele tome vergonha na cara, se case e tenha filhos! Agora não tem mais desculpa, Aluado! Também deixo para Remo a responsabilidade de ser o novo tutor de Harry James Potter, meu afilhado...”
-Harry riu com o comentário de Sírius e viu Lupin corar enquanto resmungava algo, mas logo se concentrando na última parte, o que acabou fazendo-o trocar um olhar com Lupin. Este parecia incerto quanto ao pedido.
“Deixo pra minha querida prima Ninfadora Tonks, uma quantia de 5 mil galeões para que ela e Andrômeda possam levar uma vida melhor e menos preocupada.” -Harry sentiu Tonks fazer um barulho estranho, mas que parecia mostrar surpresa.
“Para Harry James Potter, meu querido afilhado, a quem considero um filho e um amigo, deixo toda a fortuna da família Black, assim como a casa e tudo o que está dentro, assim como todos os demais bens do cofre no Gringotes. Porém o mais importante e as únicas coisas que sei que terão valor para ele, estão em uma sala secreta na biblioteca, atrás da mesa de escritório, ela abre e fecha com o mesmo sistema do mapa dos marotos. Na Sala dos Marotos estão todos os diários e histórias dos “verdadeiros” marotos e um diário que achei a pouco, escrito por seus pais especialmente para você e que me foi entregue um dia antes da morte deles. Espero que esses diários possam responder as perguntas que não tive tempo de responder, além de proporcionarem uma boa diversão a você.
Harry, sei que deve estar muito irritado e frustrado por estar lendo isto, mas se morri em batalha saiba que morro com orgulho, não há morte mais honrosa. É claro que isso não significa que fico feliz, queria ter podido cumprir meu dever de padrinho e te guiar pela estrada da vida com a segurança e atenção que infelizmente nunca pude te dar. No entanto, como não sou de todo inútil, vou agora te deixar meus melhores conselhos:
Eu sei que Dumbledore com aquela mania de falar por enigmas e aquela calma constante é irritante! Eu mesmo já tive muita vontade de matá-lo e xingá-lo, mas o velho sabe das coisas, por isso, por mais que seja difícil, o ouça e siga seus irritantes, mas extremamente sábios conselhos.
Lupin sempre foi o mais sábio e responsável de nós, por isso escute-o e não brigue muito com ele, sei que além de Tiago e de mim, ele é o único a quem você poderia chamar de pai, tenho certeza que se darão muito bem. A propósito, faça-o se casar, esse lobo solitário está ficando muito rabugento!
Eu, Tiago e Lupin éramos os amigos mais leais e sinceros que havia conhecido, até ver sua amizade com Rony e Hermione. A amizade de vocês é muito mais sólida e bonita que a nossa, pois é baseada em sentimentos nobres e muito mais sérios do que afinidades juvenis e vontade de aprontar e quebrar regras, por isso nunca se afaste deles. Sei que quer protegê-los, mas deixe eles o seguirem nas batalhas porque somente lutando juntos, vocês conseguirão obter os melhores resultados e é só com seus amigos que você terá forças e juízo para ir até o fim! Preserve essa amizade a todo custo, para tê-los ao seu lado nos momentos mais negros e mais felizes de sua vida.
Com isso me despeço de todos por agora, esperando revê-los daqui a muitos anos e com várias histórias felizes e emocionantes para contar!”


Harry sente um nó se formar em sua garganta e uma forte dor se espalhar por seu peito, mas nenhuma lágrima caiu, não agüentava mais chorar e não faria isso agora ou quando estivesse só. Decidira que a época das lamentações havia passado e agora iria agir, independente da profecia, queria participar da guerra para acertar as contas com Voldemort e Belatriz Lestrange.

-Bom, depois de ouvirmos a declaração do senhor Black, devo antes de prosseguir com a assinatura para a recepção das quantias e dos bens, consultar o senhor Potter sobre a indicação de seu padrinho. Senhor Potter, deseja que o senhor Remos Lupin seja seu tutor e, portanto responsável legal por seus bens? –o duende se pronuncia de modo formal, recolhendo o pergaminho e guardando-o em uma gaveta. Pareceu a Harry uma atitude um tanto fria e desagradável, opinião que parecia compartilhada por Tonks e Lupin aos seus lados.

-Sim, eu gostaria que Lupin fosse meu tutor, eu confio plenamente nele. –Harry se pronuncia, a voz um pouco rouca pela emoção contida, mas nem por isso hesitante.

-Neste caso eu peço que o senhor Lupin e a senhorita Tonks fiquem aqui para assinar os documentos necessários. Quanto ao senhor, Sr. Potter, gostaria de ir ao seu novo cofre? –o duende pergunta pegando uma chave e oferecendo a Harry.

-Ele adoraria. –Lilith que ficara em silêncio, responde por Harry. Este a olha com a sobrancelha erguida. –Eu também preciso ir ao meu cofre, então te acompanho. –ela completa parecendo ter uma segunda intenção.

-Tudo bem, pode ser que tenha algo de interessante lá. –Harry fala ainda desconfiado, mas seguindo a loira para fora do escritório.

-Desculpe o jeito, mas eu queria deixar os dois a sós. –Lilith fala em tom cúmplice e Harry a olha sem entender. –Você não percebeu o clima entre Remo e Tonks? –pergunta parecendo achar aquilo muito óbvio.

-Você fala em clima romântico? –Harry pergunta um pouco incerto, não era muito bom com esse tipo de situação.

-Sim, os dois andam meio enrolados. –Lilith começa a falar, mas faz uma pausa para indicar a um duende que pretendiam ir ao cofre de Harry, antes de continuar. –Eles se gostam, mas Remo fica usando a diferença de idade e o fato de ser lobisomem para afastá-la.

-Então não estão namorando, mas já namoraram? –Harry pergunta confuso.

-Não exatamente. Eles ficaram uma vez, mas aí Remo se arrependeu e tentou se afastar. Tonks não desiste fácil e investiu, mas isso só dá certo no momento, então eles ficam de vez em quando, mas Remo sempre foge depois. –fala deixando passar um pouco de frustração e impaciência.

-Entendo, mas ele tem razão em parte, deve ser difícil se relacionar com alguém sendo um lobisomem, ele deve ter medo de machucá-la. –Harry fala pensativo.

-Mas ela quer correr o risco, ou não acha que por amor valha apena? Ou não acredita que duas pessoas de idades diferentes possam se amar e conviver? –ela pergunta em um tom indefinido, enquanto ambos se sentam no carrinho que os levaria ao cofre.

-Não é isso, eu acho sim que duas pessoas que se amam devam ficar juntas com todas as diferenças e dificuldades que possam ter, acredito que com amor, cumplicidade e confiança possam superar tudo. Mas você tem que compreender que deve ser difícil para Lupin assumir o risco, pois se algo acontecer a Tonks, ele carregará a culpa eternamente. –Harry fala em tom sóbrio, deixando Lilith com uma expressão indecifrável.

-Parece bem maduro para alguém de sua idade. –como o comentário parecia um pensamento em voz alta, Harry preferiu se manter quieto durante o curto trajeto.

Assim que chegaram ao cofre, Harry entrou e fez sinal de que Lilith poderia acompanhá-lo. Havia pilhas de moedas ao fundo, galeões, nuques e sicles estavam empilhados de forma organizada e cuidadosa. Aos lados havia objetos que deviam ser muito valiosos, jóias, livros, armaduras medievais e outros tipos de objetos estranhos que Harry não fazia muita idéia do que seriam.

Pretendia olhar os livros para ver se algum poderia lhe ser interessante, quando ouviu um baque surdo e olhou para trás, vendo Lilith caída no chão, não havia sinal do duende que os trouxera e na porta do cofre havia quatro figuras de preto e encapuzadas.

-Nos encontramos de novo, Potter. –a voz irritante de Belatriz lhe chegou aos ouvidos e evocou uma série de imagens que não lhe saíam da mente.

-Assassina! –Harry urra com raiva e fica ainda mais furiosos ao ver os comensais rindo. –Eu te desafio para um duelo! Só eu e você, a não ser que você tenha medo de perder e prefira deixar seus amiguinhos participarem. –Harry a provoca tentando se controlar, apesar das mãos estarem trêmulas de raiva, enquanto segurava sua varinha firmemente.

-Cale-se seu insolente! –Belatriz fala se adiantando. –Você parece muito corajoso para quem está sem Dumbledore e seus amiguinhos. –a voz agora era fina e tinha um tom inconfundível de deboche e desdém.

-Eu não tenho medo de você. Agora chega de conversa, aceita meu desafio ou não? –a pergunta soou como um ultimato e fez Belatriz se irritar.

-Vou lhe ensinar a respeitar bruxos superiores, moleque insolente! –a resposta é seguida por um gesto aos comensais, que parecem manter guarda, vigiando para ver se alguém se aproximaria.

Agora as atenções de ambos estavam focadas no adversário, as varinhas empunhadas a meia altura, apontadas para o tronco do outro. Então, como se fosse um sinal pré-estabelecido, um som alto, como um estrondo, se fez ouvir do lado de fora.

Harry se manteve na ofensiva e usava feitiços de diversos tipos, tentando surpreende-la, no entanto Belatriz os defendia calmamente e parecia brincar com ele. Porém, o mais assustador, era ver que a bruxa se defendia sem pronunciar nenhuma palavra, lembrando-o de quando Dolohov atingira Hermione no Departamento de Mistérios. Sem saber que feitiço a bruxa usaria, quando se cansasse de brincar e resolvesse atacar, seria muito difícil para Harry se defender e principalmente contra-atacar.

Não demorou e Belatriz o contra-atacou e o fez se manter na defensiva, no entanto os feitiços escudos dele pareciam fraquejar. Percebendo que teria de partir para uma “tática suicida”, Harry se deixou atingir de raspão enquanto atingiu um Reducto no chão, fazendo Belatriz vacilar e cair. Rapidamente usou o feitiço convocatório na varinha, mas a comensal foi mais rápida e lançou um feitiço de desarme, o que fez as duas varinhas voarem das mãos deles. A bruxa correu para alcançar sua varinha, mas Harry foi contra ela, se jogando sobre a bruxa.

Harry e Belatriz rolaram duas vezes, antes que Harry se pusesse sentado na barriga dela e seus pés mantivessem os dela presos. Um sorriso sádico e vitorioso apareceu no rosto de Harry e Belatriz o encarou em dúvida, como se pensasse no que ele faria estando desarmado como ela.

-Você pode ser melhor bruxa, mas eu sou mais forte. –Harry fala sem deixar de sorrir, enquanto seu punho fechado se erguia e depois descia com força no rosto da bruxa. –Você não só sentirá dor, como também carregara as marcas por um longo tempo. –Harry fala enquanto usava o punho para acertar a bruxa sem piedade.

Belatriz aproveitou um momento em que o braço dele subia e puxou-o pela camisa, cuspindo sangue na cara de Harry, que era muito mais forte e a empurrou de volta, pegando o braço que ela usara para puxá-lo e o virando em um ângulo não natural.

Ao ver o osso de Belatriz aparecendo e a bruxa voltando a apanhar, um comensal lançou um feitiço em Harry, que voou para o fundo do cofre. Harry se chocou contra uma armadura medieval, sentia-se zonzo. Dois comensais avançavam lentamente até ele, que ouvia distorcidamente as risadas dos comensais, provavelmente felizes em poder levá-lo a seu mestre.

Nesse instante, Harry percebeu um brilho arroxeado ao seu lado e viu uma espada em estilo medieval, a empunhadura era negra e parecia ter jóias. Sem pensar muito ou observar direito a espada, pegou e lançou a lâmina para cima, decepando o antebraço de um comensal, o outro recuou instintivamente e uma voz feminina soou um pouco antes do comensal a sua frente cair.

-Tudo bem, Harry? –Lilith pergunta, mas antes que Harry pudesse responder, uma estranha fraqueza se apossa dele e as imagens ficam confusas e preto e branco antes que mergulhasse na escuridão.

Sentiu a consciência voltar aos poucos, o corpo estava dolorido e sentia-se sem forças. Percebeu que estava deitado em um local confortável, se esforçou para abrir os olhos, as imagens embaçadas e fora de foco devido à falta dos óculos, que logo foi suprida por alguém.

-Boa tarde, senhor Potter, como se sente hoje? –uma voz masculina, pertencente a alguém de branco, soou a seu lado. –Sou David Thompson, o medi-bruxo responsável pelo senhor. –o homem fala de modo simpático enquanto pegava o pulso de Harry, mas imediatamente Harry sente uma dor aguda e queimação no local, o que faz soltar um urro de dor e puxar o braço com toda a força que tinha. –O que houve? –a pergunta vem em tom preocupado e surpreso.

-Dor, parecia que queimava. –Harry responde levantando o pulso, onde viu uma mancha negra na pele mais branca que o normal.

-Não havia mancha negra aí, antes de eu tocá-lo. –o medi-bruxo fala como se temesse que o paciente achasse que havia apertado um ferimento.

-Parece que está sumindo. –Harry fala observando a mancha clarear devagar, ao mesmo tempo em que a sensação de queimação no pulso também diminuía.

-Vou chamar um colega e faremos alguns exames, enquanto isso tente não se mexer e descansar. –o homem fala com uma expressão que Harry julgou séria demais.

Thompson saiu e voltou acompanhado de uma curandeira que o ajudou a examiná-lo. Lançaram diversos feitiços e murmuram as opiniões de modo a Harry não entender nada, também tentaram tirar um pouco de sangue, mas sempre que o tocavam uma enorme dor o tomava, deixando uma mancha negra no local, que sumia em alguns minutos. Deram-lhe então uma poção que disseram que o faria entrar em sono profundo e permitiria a eles examinarem-no sem que ele sentisse dor.

Quando acordou, Harry observou pela janela que a noite já caíra, olhou para si e estranhou a cor pálida de sua pele. Estava sentindo-se muito melhor que pela tarde, tanto que se arriscou a se levantar e explorar o quarto, encontrando um banheiro e um armário onde suas roupas estavam. Tomou um banho quente e demorado, vestiu suas roupas e ao olhar no espelho observou que sua pele estava tão alva, que seus lábios pareciam mais vermelhos, assim como sua cicatriz, seus cabelos negros e olhos verdes se destacavam. Confuso, resolveu voltar ao quarto e se deitar, ainda estava um pouco cansado.

-Como se sente, senhor Potter? –Thompson estava no quarto, sentado em uma cadeira, parecendo esperá-lo.

-Bem melhor, apesar de ainda estar um pouco cansado. Descobriu o que houve hoje cedo? Eu tomei um banho e não notei nada de anormal além dessa palidez. –Harry pergunta pressentindo que não receberia uma boa notícia. O medi-bruxo tinha uma expressão preocupada no rosto.

-Eu conversei com alguns especialistas, mas ainda não tenho resultados. A fraqueza se deve ao feitiço que recebeu, foi um estuporante, mas de algum modo você resistiu bem a ele, deve estar completamente bem amanhã. Até lá gostaria que evitasse tocar nas pessoas e que descansasse. Uma enfermeira vai trazer seu jantar e depois o aconselho a dormir. Pela manhã já devo ter os resultados dos exames.

-Entendo. Acha que pode ser algo muito grave? –Harry pergunta fitando-o intensamente, queria a verdade.

-Eu não tenho idéia. Sinto muito. –o medi-bruxo fala antes de desejar boa noite e se retirar.

Harry passou as horas seguintes repassando tudo o que acontecera, tentando descobrir o que teria acontecido para que ele ficasse doente. Cansado e sentindo-se esgotado física e mentalmente, adormeceu e teve uma noite tranqüila e sem sonhos.

Na manhã seguinte, pouco depois de tomar o café da manhã, Harry já se sentia tão bem disposto quanto nos dias anteriores, mas sua pele continuava com a mesma palidez inexplicável. Já estava inquieto na cama, esperando pelo medi-bruxo, quando ouviu batidas na porta e depois viu Alvo Dumbledore entrar. O diretor de Hogwarts parecia preocupado e levemente abatido, o que deixou Harry ainda mais tenso.

-Bom dia Harry, como se sente? –Dumbledore pergunta tentando soar normalmente, mas Harry percebeu que havia realmente algo incomodando o diretor.

-Bem, na verdade acho que já posso ir para casa dos meus tios ou talvez para a sede da ordem. –Harry fala esperançoso, afinal já havia se passado mais de duas semanas e talvez o feitiço de proteção já houvesse se restaurado.

-Eu conversei com o Sr. Thompson e já pode sair do St. Mungus, mas ainda precisa ficar com seus tios até o dia de seu aniversário. –Harry não conseguiu evitar uma careta diante da informação. –Contudo, infelizmente tenho que lhe comunicar que está amaldiçoado. –Harry sentiu o coração falhar e o ar faltar aos seus pulmões por um instante. –Pelo que investigamos a espada que usou para se defender dos comensais estava amaldiçoada e passou a maldição para você. Ainda não sabemos muito sobre a maldição, mas está claro que ela impede que tenha contato físico com qualquer pessoa, inclusive por cima de roupas, talvez por isso a palidez de sua pele, mas não deve se preocupar com a temperatura corporal mais baixa, pois sua saúde parece perfeita.

-Está dizendo que nunca mais vou poder tocar alguém? –Harry pergunta ainda sem conseguir compreender totalmente as implicações daquilo.

-Nunca é uma palavra muito definitiva para algo incerto. Não sabemos precisamente de que maldição se trata, mas grande parte das maldições tem curas, então não se desespere. Não só eu, mas outras pessoas estarão pesquisando e trabalhando isto. –Dumbledore tenta lhe passar confiança pelos olhos azuis celestes, mas Harry estava cansado de ter esperanças e acreditar que tudo sempre melhoraria.

-Eu quero ficar sozinho. –é a única coisa que Harry consegue dizer, sua voz parecia presa na garganta.

Dumbledore nada disse, apenas se retirou do quarto respeitando o momento de Harry. O rapaz que completaria dezesseis anos em breve tentou pensar sobre o castigo que caía sobre si. Nunca fora uma pessoa muito carinhosa, nunca fora acostumado a receber carinhos, portanto tocar alguém não deveria lhe fazer muita falta, pelo menos a principio. Lembrou dos abraços da Sra. Weasley e de Hermione quando se encontravam depois das férias, sempre se sentia querido e amado recebendo aquelas demonstrações de carinho, era quente e acolhedor. Pensar que nunca mais poderia sentir isso lhe causava um frio intenso por dentro, frio que aumentava ao pensar que sua desastrosa vida amorosa acabara de acabar sem ao menos ter começado direito, o que significava que além de ter pedido sua família, não poderia sequer formar uma. Estava condenado a viver só, sem calor humano, sem expectativas de futuro, riu amargamente diante da ironia do destino, que lhe tirava qualquer caminho que não fosse a guerra, pois a única coisa que restava de seus objetivo para o futuro, era a vingança contra Voldemort e Belatriz.

Pouco depois ouviu batidas na porta, Dumbledore lhe disse que precisavam ir. Harry se perguntou como isso se daria e então Dumbledore lhe entregou uma chave de portal, era nada mais, nada menos que a espada que ele segurara no cofre, a qual parecia estar livre de qualquer maldição e apta para o uso normal. Harry foi transportado diretamente para a sala da casa dos Dursley, fazendo seu tio tomar um susto e derrubar chá sobre si, Petúnia deu um gritinho e pulou para trás do sofá.

-Oi, acho que já sabem que eu estava em um hospital. Eu já estou bem e recuperado do acidente e agora vou para meu quarto. –Harry saiu sem esperar que os tios falassem algo. Os dois ainda estavam parados e olhando para onde Harry estava, como se não acreditassem que ele pudesse ter simplesmente aparecido.

Harry trancou a porta e ignorou os resmungos e a bronca do tio, que se seguiu a sua entrada no quarto. Sua mente estava concentrada na espada a sua frente. A lâmina era prateada, mais possuía um brilho arroxeado, havia escritas rúnicas no centro desta, a empunhadura era negra e fria, jóias azuis e vermelhas ornavam a empunhadura, assim como uma serpente em alto relevo, que Harry viu ao segurar a espada pela lâmina.

Passou o dia pensando no porque Dumbledore ter lhe dado aquele objeto e chegou a conclusão de que ele só podia estar o lembrando que ainda tinha algo a fazer, tinha uma missão e deveria se focar nela ao invés de cultivar auto-piedade. Arrumou um suporte para a espada, de modo que pudesse vê-la enquanto pensava e estudava.

Nos dias que se seguirão Harry pensou na luta no Departamento de Mistérios e no duelo com Belatriz, chegando à conclusão de que havia um verdadeiro abismo entre ele e os comensais, não poderia ficar contando com Dumbledore ou a sorte para vencer e isso o fez traçar alguns objetivos para dali em diante. Iria para Hogwarts e aprenderia o máximo possível sobre feitiços não-verbais e feitiços de defesa e ataque.

De agora em diante, ele não mais esperaria por Voldemort, treinaria duro e no fim do ano ou no mais tardar, quando completasse dezessete anos, iria atrás de Belatriz, que havia fugido do Gringotes com mais um comensal, e depois de Voldemort, pondo um fim aquela profecia, se fosse necessário encarar a morte e se deixar levar por ela, não iria sem levar Voldemort consigo e aquela espada o ajudaria a se lembrar disso a cada dia, a cada vez que fraquejasse, a batalha havia se tornado seu único destino.



N/A: Espero que tenham gostado desta nova versão e para compensar as mudanças sucessivas, se comentarem bastante sobre o que acharam do cap, posto o cap 2 que já está prontinho!

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