- Você tem total noção de que isso é insano, não? - disse Hermione, ao fechar a porta.
Harry sorriu e se jogou na cama em que costumava dormir, puxando a garota pelo braço.
- Vem - ele disse.
Os dois sorriam como bobos, tolos apaixonados. Era tão boa aquela sensação de estarem juntos. Ele sentiu a blusa de lã de Hermione esquentando seu corpo, e seus cabelos cheirosos sobre o seu rosto, enquanto se beijavam. A cama era macia, tudo parecia perfeito.
Não tinham a sensação de que estavam fazendo alguma coisa errada, pois não viam maldade naquele ato. Eles descobriram que se gostavam e queriam ficar juntos, mas uma série de fatos impedia esse acontecimento. Porém, eles não conseguiam se segurar. Não era questão de fazer sexo em si, mas queriam estar juntos. Tanto que, naquela noite, ficaram um bom tempo simplesmente abraçados um ao lado do outro, com Harry enrolando o cabelo dela entre os dedos.
- Eu queria que sempre fosse assim, Harry.
- Eu também.
Os dois concluíram que não seria prudente fazer amor naquela hora, pois qualquer um poderia ouvir. O quarto de Gina era quase em frente e tudo era muito perigoso, além de desrespeitoso com a família Weasley. O amor entre os dois não tinha maldade. Era simplesmente... amor.
Mas, de qualquer forma, foi bastante difícil se segurarem.
E então, depois de um tempo, Hermione deu um longo beijo em Harry... um beijo quente que pedia algo mais, mas eles se contiveram e simplesmente se despediram com um olhar que prometia muito. Ele desceu, dando um último tchauzinho antes de fechar a porta, então ela virou para o lado e tentou dormir, se acariciando bem gostoso com as cobertas no meio das pernas, pensando nele.
Acordou no dia seguinte com o barulho das gavetas ao seu lado, e um Ron mal-humorado procurando alguma roupa que lhe prestasse. Ele odiava todas, porque eram velhas, e sempre ficava procurando algo que lhe fosse razoável. Ela o observou durante alguns minutos, ainda sonolenta, e tentando adivinhar, pelo sol fraco que entrava pela janela, que horas poderiam ser.
Ron a via acordada e, sorrindo, veio em sua direção.
- Já acordou? - disse, beijando-lhe a testa.
- A-ham - respondeu sonolenta - Que horas são?
- 7 e meia. Mamãe quer que eu a ajude com umas coisas. Você não precisa ir.
- Não, eu quero ajudar.. e preciso levantar - disse a garota, tirando as cobertas.
- Bom, você é quem sabe. O Harry já levantou faz tempo. Na verdade, parece que nem dormiu. Está meio vidrado, estranho.
Hermione olhou intrigada para o namorado.
- É mesmo? Como assim? - perguntou, tentando descobrir algo nas entrelinhas.
- Sei lá, ele tá estranho comigo ultimamente. Será que aconteceu alguma coisa?
- Não sei, por que você não pergunta a ele?
Ron torceu os lábios, aborrecido.
- Como se a mamãe permitisse que nós ficássemos juntos por mais de cinco minutos...
Hermione sorriu. No fundo, ele tinha razão: não tiveram tempo para nada. No fundo, ela agradeceu, porque não teria que encarar seus sentimentos por Harry, e então tudo ia ficando mais fácil. Porém, os momentos que passava com ele ficavam cada vez mais intensos. Não via a hora de repetir o que fizeram naquela noite, porque queria estar o mais perto possível dele.
Pouco antes da hora do almoço, viu Ron tentando conversar com Harry, e pelo que lhe pareceu, a preocupação era a mesma de sempre: a viagem, os horcruxes e Voldemort. Decidiu selecionar alguns livros para levar na viagem. Já deveria ter feito isso há tempos, aliás. Estava com a cabeça no mundo da lua, só pode, pensou.
Subiu para o quarto de Ron e empilhou todos os livros escolares sobre a cômoda onde ficavam as roupas do namorado, percebendo que aquele seria um longo trabalho. Não demorou muito até que ele entrasse bufando, reclamando de sua mãe.
- Ela me mandou arrumar o quarto, impressionante – ele disse, puxando os lençóis da cama com força, para esticá-los.
- Ron... – Hermione interrompeu – Você já pode usar magia.
Ele riu.
- É verdade, ainda não me acostumei. – E, fazendo um movimento com a varinha, sussurrou - Limpar!
Instantaneamente, as roupas se dobraram e entraram delicadamente em cada gaveta, ao mesmo tempo em que a cama se arrumava e os sapatos voavam até a sapateira atrás da porta. Mesmo assim, o quarto continuava muito bagunçado.
- Você acha que Moody realmente morreu? – ele perguntou de repente à namorada, desabando na cama limpa para descansar durante alguns minutos, quando escutou passos e, muito de repente, alguém entrou pela porta, fazendo-o levantar em um pulo.
- Já estou arrumando, já estou arrumando! Ah, é você! – exclamou aliviado, quando Harry entrou. O garoto reparou que Hermione estava sentada na outra cama com duas enormes pilhas de livros ao seu lado e Bichento, seu gato, aos seus pés.
- Oi, Harry – ela disse, com doçura no olhar, e sem saber por quanto tempo deveria olhá-lo sem parecer comprometedor na frente de Ron, mas ele pareceu nem perceber.
- Como foi que você conseguiu fugir?
- Ah, a mãe de Rony esqueceu que já tinha pedido a Gina para trocar os lençóis ontem – respondeu Hermione, separando os livros.
- Estávamos conversando sobre o Olho-Tonto – disse Rony – Achamos que ele pode ter sobrevivido.
Os três começaram então uma discussão a respeito do ex-auror, o que levou Hermione às lágrimas. Ron sentou ao seu lado e a abraçou, o que causou um considerável constrangimento a Harry. Ele não sabia o que fazer.
- Mas o que você vai fazer com esses livros, afinal? – perguntou Ron.
- Tentando decidir quais deles levaremos conosco, quando formos procurar as horcruxes.
- Ah, claro. Esqueci que vamos liquidar Voldemort com uma biblioteca móvel.
- Haha, muito engraçado, Ronald. Será que vamos precisar saber algo sobre runas? É melhor levar, porque...
- Escutem aqui – interrompeu Harry, e os dois olharam para ele surpresos.
- Eu sei que vocês disseram, no funeral de Dumbledore, que gostariam de me acompanhar.
- Lá vem ele – comentou Ron com Hermione olhando para o teto.
- Como sabíamos que iria fazer, Harry – ela disse – Vamos com você. Isto já ficou decidido há meses; aliás, há anos.
- Mas...
- Shhh, Harry – disse Ron.
- Vocês... têm certeza que refletiram bem? – ele insistiu.
Hermione explicou que estava arrumando a bagagem há dias e enfeitiçou seus pais para que não se lembrassem que tinham uma filha. Ron mostrou o pobre vampiro que habitava a casa, que ficaria fantasiado de Ron Weasley enquanto ele estivesse fora, para ninguém desconfiar de que estavam juntos.
Ela começou a chorar novamente, pela mistura de emoções que estava em seu coração.
Ron levantou-se novamente da cama e abraçou a namorada. Nada poderia fazer Harry se sentir pior do que aquilo.
- Eu... Hermione, eu peço desculpas... eu não...
- Tudo bem – ela disse, e segurou em sua mão.
Por um momento, era como se Ron não estivesse ali.
Depois de ter interrogado os três a respeito de seus planos, e não satisfeita com as respostas, a sra. Weasley resolveu puni-los fazendo Hermione dormir junto com Gina, e Harry voltou para a cama no quarto de Ron, o que o deixou bastante aborrecido.
Àquela altura, a família Delacour inteira já estava na casa e todos tinham tarefas bem definidas até o casamento. Hermione estava enrolando pasteizinhos na cozinha quando ouviu uma voz.
- Psiu!
Olhou para trás e viu Harry atrás da escada, fazendo um gesto para que ela se aproximasse.
Ela olhou para a sra. Weasley, que discutia detalhes das flores com Fleur do lado de fora da cozinha, limpou as mãos no pano que tinha amarrado à cintura e foi de encontro a ele.
- Vem comigo! – ele disse, e a puxou pelo braço. Eles subiram a colina que ficava em frente, a mesma em que foram no outro dia, e deitaram no meio da mata alta, olhando as estrelas. Tinha acabado de escurecer e o tom do céu estava entre o azul e o lilás.
Depois de recuperarem o fôlego por terem subido correndo, eles deram as mãos e ficaram observando o céu em silêncio durante alguns minutos, antes de começarem a falar.
- O que você acha? – ela perguntou.
- Não sei.
- Você acha que...
- Devemos falar com eles? – ele interrompeu – Sim, claro. A pergunta é: quando?
- Não sei, Harry. É difícil.
- Eu sei.
Mais alguns minutos se passaram em silêncio. A lua já tinha aparecido. O dedo polegar de Harry acariciava lentamente a mão de Hermione sobre sua barriga.
- Você acha que teremos chance de falar antes de viajarmos?
- Como estão as coisas com a Gina?
- Normais... Quase não ficamos juntos. Ela está bem.
- Ou parece estar.
- Sim, é verdade.
Hermione virou-se para ficar de frente para ele.
- E você, está bem?
Ele virou também, segurando suas mãos em frente ao seu rosto, unidas.
- Eu só queria estar com você o tempo todo.
Ela sorriu. E então ele a beijou.
Eles entenderam, no fundo, que aquela conversa com Gina e Ron estava longe de acontecer. Seu maior medo, porém, era de que nunca acontecesse, pois sabiam que, de uma forma ou de outra, ficariam juntos para sempre.
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Obrigada pelos comentários. :)
Este capítulo tem alguns trechos do livro 7.
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