O início da noite era chuvoso e os jardins de Hogwarts estavam vazios, quando Cat apareceu com Rony, ambos protegidos por um feitiço impermeabilizante.
-Uau! Como você conseguiu aparatar nos terrenos de Hogwarts? –Rony pergunta espantado, afinal Hermione não cansava de lhes lembrar sempre, que não se podia aparatar nos terrenos da escola.
-Eu não aparatei querido, é um truque vampiro que logo, logo a Hermione vai aprender. –Cat fala em tom cúmplice, o que o deixa levemente corado.
-E nós nos vemos de novo? –Rony pergunta tentando esconder a ansiedade e a expectativa.
-Você gostaria? –pergunta charmosamente e se aproximando dele.
-Claro! Sempre que você quiser. –fala ansioso e com um grande sorriso.
-Então, podemos combinar de sair com a Hermione e o Harry no próximo fim de semana em Hogsmeade, o que acha? –pergunta “desinteressadamente”.
-Ótimo! Eu falo com eles. –fala sentindo-se nas nuvens, principalmente quando ela se aproximou e o beijou.
Diferente do que acontecera durante aquele dia, Cat entrou em sua forma vampira e seus dentes cortaram um pouco os lábios e a língua de Rony, deixando que um pouco de sangue fosse sugado por ela. Rony não demonstrava se importar com aquilo, muito pelo contrário, uma sensação extremamente prazerosa invadiu-lhe e o fez querer aprofundar cada vez mais o beijo, que logo foi terminado pela vampira.
-Não se empolgue tanto, foi só um beijinho de despedida. Até, ruivinho! –Cat fala de modo divertido, deixando um Rony quase paralisado no jardim e se transformando em um gavião, o qual voou até a janela do quarto de Hermione.
Assim que adentrou no quarto e viu que Hermione não estava, o pássaro tornou a se transformar em mulher. Esta sorriu ao sentir a presença da “irmã” e se sentou na cama, aguardando Hermione sair do banho. Cerca de dez minutos depois, Hermione se deparou com Cat sobre sua cama e, depois do susto, sacou sua varinha.
-Onde Rony está? –perguntou agressivamente, mas conseguindo fazer apenas com que a vampira risse.
-A essa altura, no quarto dele, contando aos amigos a tarde maravilhosa que eu o ofereci. –responde simplesmente, mas com um sorriso ligeiramente maroto.
-Não mordeu ele ou algo assim? –pergunta desconfiada.
-Não o transformei em vampiro, vassalo, nem nada. –responde apontando a cama, em sinal de que queria que Hermione se juntasse a ela.
-Eu te disse que não precisava afastar o Rony, que estávamos muito bem do jeito que estávamos. –fala lançando a Cat seu melhor olhar McGonagall.
-Nossa, essa seriedade toda é frustração? Não me diga que não aproveitou seu gatinho! –Cat fala quase que decepcionada.
-Uma coisa não tem relação com outra...
-Então se divertiram? –pergunta curiosa e em tom malicioso, fazendo Hermione corar.
-Isso não te interessa! Estamos falando sobre você ter raptado o Rony...
-Eu não raptei! Ele queria ir comigo e gostou tanto que não queria voltar. –Hermione girou os olhos e balançou a cabeça negativamente, fazendo Cat rir.
-Da próxima vez não precisa se sacrificar por mim, ok? –fala tentando terminar o assunto.
-Até que não foi um sacrifício, claro que ensinar é bem chatinho, mas o garoto até que tem potencial...
-Eu não quero saber detalhes! –Hermione a interrompe, antes que ela começasse algum relato.
-Mas eu quero! Conte-me tudo o que você e o Harry fizeram depois que eu os deixei. –pergunta empolgada, mostrando que não desistiria de saber de tudo e com detalhes.
Sabendo que ela insistiria e cedendo a curiosidade de saber o porquê ou como ela não mordeu Rony, Hermione resolve contar tudo o que acontecera entre ela e Harry.
-Eu não acredito nisso! Como você não o agarrou? –pergunta incrédula no tamanho do controle de ambos.
-Porque eu não posso! Se eu tentar passar dos limites, a besta vai vir e me dominar. –Hermione responde se deitando e fitando o teto.
-Então você quer, mas não vai adiante por causa da besta? –Cat pergunta pensativa e observando a reação da “irmã”.
-Na verdade, quando eu penso no pouco tempo de relacionamento que temos, eu acho que talvez fosse melhor esperar mais, afinal seria um passo muito sério. –essa afirmação fez Cat revirar os olhos e fazer uma careta.
-Você parece o Gabriel falando! Daqui a pouco vai me dizer que os prazeres da carne são incomparáveis a sensação de descobrir algo novo, de ver além do que as pessoas podem ver. –Cat fala em uma representação dramática exagerada de Gabriel, fazendo Hermione rir.
-Não é isso! –fala jogando um travesseiro em Cat. –Eu me sinto perder o controle quando o Harry começa a mostrar o lado absurdamente sexy e sedutor dele, hoje mesmo eu não teria tido forças para parar. –fala finalizando com um suspiro triste. –Acho que o fato de saber que nunca vou realmente poder senti-lo, só piora as coisas, a velha história do proibido que sempre parece mais tentador.
-Mas se você realmente quer, você pode se sobrepor a besta. –Cat fala chamando a atenção de Hermione, apesar desta ainda parecer descrente.
-Eu tento parecer forte e dizer que está tudo bem, mas a verdade é que sempre que as emoções mexem com meus instintos básicos, as coisas ficam difíceis. Seja quando vejo sangue, quando fico com fome, quando estou com Harry ou quando vejo algo morrer. –Hermione desabafa, lembrando especialmente da aula em que Lana os levou para o ninho das Acromântulas.
-É normal, acontece quando passamos muito tempo sem beber sangue, principalmente quando nunca se bebeu como no seu caso, mas não significa que não podemos superar isto. –fala de modo compreensivo, se aproximando e abraçando Hermione. –Vai ser difícil, você terá que usar todas as suas forças, mas eu vou te ajudar a se controlar.
-Vai? Quer dizer, o que você ganha com isso? –pergunta desconfiada, como se lembrasse que Cat era uma vampira.
-Ganho uma irmã e amiga. –responde parecendo sincera.
No dormitório masculino, Rony se preparava para deitar em sua cama, já vestindo o pijama, quando Harry entra e vai até ele, parecendo preocupado.
-Onde esteve até agora? Você está bem? –Harry pergunta ao amigo, sentando-se de frente a ele na cama do ruivo.
-Estive no paraíso e estou ótimo, apesar de cansado. –fala com um enorme sorriso bobo.
-Como assim, me conta isso direito. –Harry pede seriamente, enquanto fecha as cortinas e faz um feitiço de imperturbabilidade.
-Ela nos transportou, ou seja lá como ela chama a aparatação de vampiros, para um quarto incrivelmente luxuoso, a iluminação era meio fraca, a cama enorme e o colchão perfeito. Os lençóis eu aposto que eram de seda, azuis escuros. –Rony parou e suspirou ante uma lembrança, antes de continuar. –Eu estava meio perdido, sem saber o que fazer, mas ela me deixou bem à-vontade, indo bem devagar no início...
-Vocês... er... você quer dizer que você e ela... –Harry tenta perguntar, mas ficando muito constrangido, sentindo o rosto quente de tão corado que estava.
-Sim, claro! E foi maravilhoso, você não idéia do q...
-Entendi! Eu não quero um relato detalhado, apenas me diga se ela te mordeu ou fez você beber o sangue dela, ou qualquer outra coisa do tipo. –Harry o interrompe e volta a falar do ponto principal da questão.
-Não, ela prometeu a Hermione que não faria nada. –Rony fala tranqüilo.
-Então tudo bem, mas nunca mais repita isso! Não tem idéia do quanto nos deixou preocupados. –Harry o repreende e Rony faz cara de culpado.
-Na verdade, eu já combinei com ela de nos vermos de novo, e nem adianta me olhar assim! Eu sou um homem e não preciso que você ou Hermione me digam o que eu devo ou não fazer! –fala de modo firme, fazendo Harry ficar irritado.
-Nesse caso, não nos procure quando aparecer com buracos no corpo, porque eu não vou ajudar você! –esbraveja antes de desfazer o feitiço e sair dali, deixando Rony sozinho.
Os dias que se seguiram foram bem tranqüilos para todos, Logan e Gina assumiram o namoro, Hellsing e Draco tentavam desfilar com garotas para acabar com os boatos e Hermione se dedicou a passar boa parte do tempo lendo o livro que Gabriel lhe enviara, mantendo sempre contato com o “irmão” à noite, para comentar sobre a leitura.
Harry e Rony, que haviam sido convocados por Hermione, entravam em seu escritório de monitora-chefe, onde a morena já os esperava. Ao sinal dela sentaram-se em silêncio nas duas cadeiras a frente dela, que estava escondida atrás de um grande e grosso livro de capa azul marinho.
-Que bom, que vieram rápido, preciso mesmo mostrar algo a vocês. –Hermione fala ansiosa, virando o livro para os dois rapazes.
-Que livro é esse? –Rony pergunta olhando tediosamente para a página, onde se via uma foto de Grindelwald.
-É um livro que fala bastante sobre Dumbledore e, este capítulo, aborda especificamente a luta dele contra Grindelwald. Achei muitas informações interessantes, mas uma em específico me chamou a atenção. –Hermione fala e passa duas páginas, lendo rapidamente à procura de algo.
-É algum feitiço que pode destruir Voldemort? –Harry pergunta curioso, afinal seria interessante ler sobre um caso parecido com o seu.
-Não, é um objeto que pode ser uma das horcrux desconhecidas. –Hermione fala apontando um Meteoro Chinês, que aparecia lançando chamas potentes em alguns aurores. –Esta coleira, que está no pescoço do dragão, era de Godric Griffindor. Com ela, Griffindor podia controlar qualquer animal, tornando fiel e completamente obediente. Fiz uma pesquisa, mas não consegui encontrar quase nada sobre ela, a única coisa que sei é que Griffindor a usava em um leão, para poder criá-lo como a um cachorrinho ou coisa assim. –fala observando-os atentamente, Rony tinha a expressão engraçada com se imaginasse um leão fazendo festinha para o bruxo, já Harry parecia mais preocupado com o uso que Voldemort poderia dar a tal objeto.
-Acho que devemos falar com Dumbledore sobre isso. –Harry fala pensativo e Hermione concorda com ele.
-Só espero que ele ainda não esteja bravo conosco! –Rony fala fazendo os outros rirem, ao lembrarem da última visita que fizeram pro diretor.
Eles percorreram rapidamente os corredores até o escritório, enquanto discutiam sobre a coleira mágica e os possíveis uso para ela. Hermione disse a senha e a gárgula se abriu, então os três se encaminharam até o escritório, batendo na porta antes de entrar.
-Hermione, rapazes, aconteceu alguma coisa? –Minerva pergunta preocupada, mas não deixando de notar o livro nas mãos da garota.
-Sim, estávamos querendo conversa com Dumbledore. É sobre algo que achamos em um livro. –Harry fala olhando significativamente para o diretor.
-Finalmente vieram me visitar! Poderia nos dar licença, Minerva? –pede gentilmente a diretora, que acaba por aceitar.
-Eu tenho que falar com Lana sobre uma prova que ela quer dar ao sétimo ano, creio que saibam o assunto, então fiquem à-vontade. –a diretora fala antes de sair, deixando-os a sós com os quadros.
-Encontraram outro horcrux? –pergunta curioso e fitando-os.
-Talvez. Hermione acha que poderia ser a coleira que Grindelwald usava para dominar um dragão, creio que se lembre dela. –Harry pergunta seriamente, percebendo o desconforto de Dumbledore diante da lembrança.
-Lembro muito bem dela, mas acredito que tenha sido destruída junto com o esconderijo de Grindelwald. Houve uma grande explosão que tornou o local e os arredores inabitáveis, não apenas havia fogo e magia negra, mas também muitas poções que se tornaram um estranho veneno ao se misturarem.
-Mas Voldemort não poderia ter descoberto como driblar isto? –Rony pergunta ansioso, era um ótimo palpite.
-Aprendi a não subestimar Tom Riddle. Porém mesmo que ele houvesse conseguido, é improvável que a coleira ainda exista e se existir, não deve possuir poderes ou pelo menos quase nenhum traço mágico. –Dumbledore fala pensativo.
-E por isto mesmo não seria uma ótima horcrux? Ela não poderia ser usada por ele, no entanto ela ainda é um presente druida a Griffindor e um grande símbolo do poder de Grindelwald, que seria o antecessor de Voldemort. –Hermione pondera fazendo rápidas associações lógicas.
-É uma hipótese e vale a pena ser investigada, no entanto, creio que no momento devêssemos nos preocupar com a horcrux perdida, que está dentro do medalhão. Já tem idéia de quem seja R.A.B? –Dumbledore pergunta a eles que se entreolham sem saber o que responder.
-Eu andei pensando e tenho uma hipótese, preciso confirmar ainda, mas assim que descobrirmos, viemos falar com o senhor. –Harry fala prontamente e Dumbledore sorri satisfeito. –Agora, nos conte mais sobre sua disputa com Grindelwald. –Harry pede ansioso e Dumbledore sorri, se ajeitando em sua poltrona para narrar sua aventura.
Ao saírem da sala do diretor, os três voltaram à sala de Hermione conversando animadamente e encontrando Malfoy “trabalhando”.
-Será que você poderia nos deixar a sós? –Hermione pergunta amavelmente.
-E por que deixaria? Isso é um escritório de monitores chefes, não uma sala particular onde você pode trazer quem quiser para fazer sei lá o que. –Draco fala desdenhoso.
-Malfoy, você tem consciência de que estamos em três? –Rony fala ladeando Draco e o olhando ameaçadoramente, apesar do seu tom ser calmo.
-Poderíamos lhe dar uma surra sem deixar marcas ou qualquer prova que nos incriminasse. –Harry completa no mesmo tom, do outro lado de Malfoy.
-E eu acho que a minha palavra vale muito mais que a sua, Malfoy. –Hermione completa, se apoiando em sua mesa, apenas assistindo a ação dos meninos.
-Isso não vai ficar assim, eu vou acabar com vocês! –Malfoy fala enquanto saía rapidamente da sala, deixando os três as gargalhadas, pela cara de espanto do sonserino.
-Eu tinha que ter tirado uma foto disto! –Rony fala quase passando mal de tanto rir.
-Realmente, esse é um daqueles momentos que tem que ficar gravados para sempre na nossa memória! –Harry completa, sentando-se em uma cadeira a frente da mesa de Hermione, Rony fazia o mesmo.
-Mas agora que aquele encosto se foi, nos diga suas suspeitas, Harry. –Hermione fala já parando de rir e os rapazes usam mais uns minutos para parar também.
-Eu estive me lembrando de um medalhão que vi na casa do Sírius, no verão do ano passado, também me lembrei que o irmão de Sírius se chamava Régulos Black, e que era um comensal que foi morto por Voldemort. Talvez ele possa ser R.A.B., mas eu não tenho certeza. –Harry fala para os amigos, que o encaram pensativo.
-Não posso ter certeza de que ele seja R.A.B, mas posso ver se o nome do meio dele tem A., afinal é muito pouco provável que um Black tenha passado por Hogwarts sem levar uma detenção que fosse. –Hermione fala se dirigindo a um armário do lado oposto do escritório, onde haviam arquivos organizados por data. Fez uma rápida busca pelos anos em que ele deveria ter estudado e retirou uma pilha razoavelmente grande, que pôs em cima da mesa. A pilha devia ter quase um metro de altura.
-O que é isso, Hermione? –Rony pergunta confuso, olhando a pilha de pergaminhos.
-A ficha dos Black nos anos que Sírius e Régulos devem ter estudado aqui. Agora temos que examinar todos os pergaminhos até achar um com algum registro do Régulos. –Hermione fala contendo o riso, ao ver a face pálida dos dois rapazes.
Sem perder mais tempo, os dois pegam um pergaminho e começam a ler. Vinte minutos depois, os três entenderam o porquê Snape detestar tanto os marotos, ele era a principal vítima da maioria das marotices de Sírius durante o tempo que estudou em Hogwarts. Belatriz não também não era nenhuma santa, por vezes contrabandeara diversos artigos ilegais pelo colégio, além de ter um significativo histórico de flagrantes de encontros noturnos em salas vazias, e para espanto da maioria, Sírius era uma companhia habitual em tais detenções até o quinto ano deles, quando misteriosamente as rixas entre eles surgiram e se adensaram.
-Quem diria que Sírius já teve um caso com Belatriz! –Rony fala pasmo, deixando mais um pergaminho na pilha de lidos, a qual já estava maior que a outra.
-Ele deve ter se decepcionado muito quando ela virou uma comensal, provavelmente descobriu isso e se afastou, foi até na mesma época que ele saiu de casa. –Harry comenta pensativo.
-Pois eu acho que não. –Hermione manifesta sua opinião, chamando a atenção deles. –Eu não gosto de Belatriz tanto quanto vocês, mas não posso deixar de pensar que aquele jeito amargo é totalmente incompatível com este histórico de travessuras, até o fim do quinto ano. Aqui não há nenhum registro, mas eu aposto que Sírius a traiu com alguém, talvez uma amiga dela, e por isso ela foi mais facilmente corrompida, talvez como um jeito de magoá-lo, dar o troco. –Hermione fala expondo sua ótica feminina, que pelas caretas dos outros dois, não foi bem aceita.
-Nós podemos perguntar ao Lupin depois... Achei! –Rony ia falando enquanto lia outro pergaminho, achando uma detenção por tentativa de colar em uma prova. –Régulos Aaron Black! É o nosso R.A.B! –fala exultante, mostrando o pergaminho a Hermione.
-Nesse caso temos que fazer uma busca na mansão, posso pedir a Monstro que me traga um medalhão igual ao falso que encontrei, se ele não estiver lá, teremos que ir atrás de Mundungus. –Harry fala tentando se lembrar de algo que pudesse ter deixado passar.
-Mas para falarmos com Mundungus, teríamos que ir a Azkaban. –Hermione fala mordendo o lábio inferior nervosamente.
-Não podemos falar com McGonagall porque obviamente ela não vai nos deixar e vai querer ficar a frente das missões e, se isso acontecer, Voldemort pode ficar sabendo que nós sabemos das horcrux, ou seja, temos que fazer sozinhos e escondidos. –Harry fala olhando para Hermione, que depois de um suspiro assente.
-E como poderíamos sair daqui? Testrálios de novo? –Rony pergunta parecendo empolgado, o ano estava no começo, mas uma aventura secreta sempre caía bem.
-Primeiro temos que saber se realmente vamos precisar falar com Mundungus, depois pensamos nos meios. –Hermione fala e Rony concorda, apesar de frustrado.
-Monstro! –Harry chama o elfo doméstico, que depois de alguns instantes aparece resmungando.
-O que mestre deseja? –o elfo doméstico pergunta em tom áspero e sem encarar a ninguém.
-Quero que hoje a noite vá a mansão Black e procure por um medalhão dourado. Passe no meu quarto antes de ir e lhe mostrarei uma réplica dele. Agora pode voltar a suas funções. –Harry fala diretamente, sem dar chance de monstro contestar, apesar de o elfo doméstico estar radiante, diante da possibilidade de voltar à mansão Black.
Depois da saída do elfo doméstico, os três reordenam as fichas para guardá-las no lugar, enquanto debatiam possíveis maneiras de saírem da escola, caso fosse necessário. Também pensaram em possíveis maneiras de entrar em Azkaban sem permissão, o que parecia muito mais difícil e complexo.
Naquela madrugada, Harry fora acordado a chacoalhadas por monstro, que estava atipicamente carrancudo, provavelmente desgostoso com as reformas feitas na mansão Black pelos membros da ordem. Pondo seus óculos, olhou para o elfo doméstico, que tinha os olhos vermelhos, provavelmente de chorar.
-O que houve Monstro, encontrou o medalhão? –pergunta querendo pular a parte das reclamações e xingamentos.
-Não, assim como Monstro não encontrou muitas coisas da nobre senhora de Monstro! Ladrões! Saquearam o tesouro da nobre família Black. –Harry pragueja baixo apesar de já ter imaginado que Mundungus não teria deixado um artefato daquele passar.
-Já chega! Volte para a cozinha, se eu precisar novamente de você, eu o chamo. –Harry ordena impaciente, odiava ter que ouvir aquela ladainha que só o lembrava da traição do elfo, a qual custara à vida de Sírius.
Na manhã do dia seguinte, enquanto caminhavam para a aula de DCAT, Harry contara que Monstro não achara o medalhão na mansão e isso significava terem que ir a Azkaban fazer uma “visita” a Mundungus, o mais rápido possível. Um pouco depois de chegarem à sala, Lana começou a aula falando sobre os testes práticos, que ocorreriam naquele fim de semana, sendo o do grupo 3 pela manhã, do grupo 2 a tarde e o grupo 1 após o jantar.
Um pouco depois do horário limite para se ficar fora dos salões comunais, Rony desceu seguido por Harry, sob a capa de invisibilidade, e se encontrou com Hermione, que já o esperava perto do quadro.
-Está tudo certo? –Hermione pergunta ao ruivo, fazendo referência a Harry.
-Sim e com você? –Rony pergunta e Hermione assente, dizendo a senha para que os três saíssem.
Silenciosamente começaram a caminhar como se estivessem fazendo uma ronda de monitoria, mas se dirigindo até o primeiro andar, torcendo para que Filch ficasse longe do caminho deles. Chegando a porta que os levaria ao jardim, Harry que estava com o mapa do maroto, cutuca os amigos em sinal de que eles podiam seguir. Rapidamente atravessaram o jardim até a margem da floresta proibida, onde pretendiam novamente usar os testrálios para poder chegar rapidamente a Azkaban, a prisão bruxa que ficava em uma ilha cuja localização era secreta.
-Conseguem saber onde eles estão? –Rony pergunta aos amigos, já que ele era o único que não podia ver os animais.
-Não, mas na minha forma animaga deve ser mais fácil achar. –Harry fala se afastando um pouco e logo se transformando no lobo branco.
O lobo farejou o ar por alguns instantes e depois o chão, então começou a andar devagar para oeste, até que pegou o rastro da manada de testrálio, correndo rapidamente para norte, entrando na floresta por cerca de cinco minutos, Rony e Hermione logo atrás dele. Harry voltou à forma humana e se colocou atrás de uma árvore, escondendo-se na escuridão, os amigos logo se aproximaram.
-Eles estão ali? –Rony pergunta vendo algumas folhas se moverem.
-Sim, agora só temos que nos aproximar devagar. –Harry fala observando cerca de cinco testrálios.
-Não seria melhor que tivéssemos comida? Não é assim que eles ficam amigáveis? –Rony pergunta incerto.
-Sem problemas, eu já volto com algo. –Hermione fala e sai silenciosamente de lá.
-Ela vai caçar? –Rony pergunta a Harry, que o olha como quem diz: “Você quer mesmo uma resposta”.
Em menos de cinco minutos, Hermione volta com um animal não identificável em uma das mãos, fazendo Harry e Rony a olharem com nojo. Ela apenas ignorou e conjurou chamas que iluminassem os três e a caça, a qual agitou os testrálios e os fez se aproximar. Partiu o bicho com as mãos e jogou uma parte para Harry e outra para Rony, de modo que os três puderam atrair um animal alado e montar.
Logo que montaram, ordenaram que os levassem a Azkaban. Assim como acontecera no quinto ano, quando foram ao ministério, os testrálios voavam rápido, como se já houvessem estado lá antes e conhecessem o caminho muito bem. Em cerca de alguns minutos, já sobrevoavam o oceano, a brisa marinha os ajudava a relaxar, por mais que parecesse difícil de acreditar. Em meia hora, os três pousaram na ilha e deixaram os testrálios os esperando.
- Agora como vamos entrar? Porque pelo que vejo, só tem uma entrada principal. –Rony fala observando a enorme construção lacrada, onde não havia janelas ou portas, além de um enorme portão de ferro, que servia para a entrada.
-Há dois guardas na frente dos portões, eles devem ser a “chave” para abri-los. –Hermione comenta observando os dois aurores.
-E como pretende convencê-los? –Rony pergunta irônico e Hermione fica pensativa.
-Maldição Imperius. –Harry fala decidido, mas arrancando olhares surpresos dos outros. –Não me olhem assim, não podemos ser descobertos, mas precisamos passar por eles, então lançamos a maldição nos dois e os fazemos abrir os portões.
-Eu não sei fazer esse feitiço. –Rony fala temeroso, estavam invadindo uma prisão e usando uma maldição imperdoável, isso era com certeza muito mais que uma aventura escolar.
-Eu nunca fiz, mas acho que sei fazer. –Harry fala e olha para Hermione esperando que ela respondesse, afinal precisava de dois.
-Eu também consigo. –Hermione fala nervosa, assim como Rony, estava bastante temerosa.
-Ok, então eu lanço no cara da direita e você no da esquerda. Rony, eu e Hermione vamos com a capa até lá, você fica aqui escondido e a nossa espera. Um deles vai levar a gente até Mundungus, o outro fica vigiando o portão, se algo der errado, você volta para Hogwarts e conta que invadimos Azkaban, pulando a parte da imperius. –Harry fala o plano e os dois ouvem atentos.
-Mas eu não quero ficar aqui de vigia. –Rony protesta, afinal queria ir junto.
-Mas o auror pode sair do transe, se isso acontecer você tem que atingi-lo com um feitiço estuporante. Caso contrário, não vamos ter como sair. –Hermione explica e, mesmo a contragosto, Rony aceita seu posto.
Sem demorar mais, Harry e Hermione lançam os feitiços nos dois guardas, ao mesmo tempo. Logo depois os aurores sussurram algo e os portões se abrem, enquanto os dois entram em baixo da capa e atravessam o espaço até os portões, seguindo um dos guardas que caminhava em transe por um corredor escuro.
Ambos precisavam andar bem juntos e Harry tinha que ficar ligeiramente curvado, com o rosto no pescoço dela, o que quase o fazia perder a noção de onde estavam. No entanto, era difícil não perceber os corredores escuros e iguais, provavelmente projetados para fazer alguém se perder. Desceram alguns lances e caminharam mais alguns metros, indo para uma sala ampla, porém ao invés de paredes nas laterais, havia celas com um metro e meio de largura e uns dois de cumprimento. Pararam quase no final das celas da esquerda, o auror ficando a porta da sala, como se esperando um comando para guiá-los de volta.
- Alohomorra -Harry sussurrou e a cela se abriu com um clique, mas o suficiente para chamar a atenção de um farrapo que se desfez, mostrando a figura magra e sofrida de Mundungus. –Viemos ter uma conversinha com você, Mundungus e, não fale meu nome. –Harry fala em tom firme e intimidador.
-Você não veio me tirar daqui? –pergunta decepcionado, mas olhando a cela cobiçoso, afinal ele tinha a chance de fugir, mas a mente dele parou de arquitetar planos quando dois olhos avermelhados e em forma de fenda ficaram visíveis de repente. –O que é aquilo, o que você quer de mim? –pergunta temeroso e recuando até encostar-se à parede.
-Você só vai saber se não me responder corretamente o que vim perguntar. –Harry fala com um sorriso de canto, fazendo Mundungus engolir em seco. –Onde está um medalhão que você roubou da mansão Black? Ele é igual a esse. –Harry fala erguendo o medalhão falso e usando o lumos para iluminar bem o objeto.
-Eu o vendi para um amigo, mas não posso dizer onde ele está, porque ele muda constantemente, sabe. Vocês teriam que me tirar daqui. –Mundungus fala olhando amedrontado para os olhos que o fitavam como se desvendassem sua alma.
-E se me levarem junto, falo onde está o outro horcrux! –uma voz familiar veio da cela em frente e Harry se virou para tentar ver quem era, mas estava muito escuro para definir qualquer forma.
-Eu vou verificar a informação, você tenta saber tudo sobre a pessoa para quem ele vendeu o medalhão. –Hermione sugere e antes de seguir com a capa da invisibilidade.
Hermione retira a capa assim que chega a cela, deixando que o prisioneiro visse suas belas formas e seu rosto bestial. Seus olhos vampíricos a deixaram distinguir a pessoa que estava encolhida e envolta por um cobertor. Apesar de estar mais magro e com os cabelos curtos e descuidados, o rosto aristocrático de Lucius Malfoy era inconfundível.
-Uma vampira! –constatou surpreso e amedrontado. –Foi o Lord das Trevas que a enviou? –pergunta horrorizado, afinal ele tinha proposto revelar um grande segredo de seu mestre em troca da liberdade.
-Sim, eu sou uma vampira, filha de Lord Drakul, e portanto, jamais me submeteria a um verme como Voldemort. –ela fala com um tom que mesclava frieza, soberba e malícia, numa tentativa de “imitar” Cat.
-Então há um terceiro lado na guerra? –pergunta surpreso.
-Meu pai despertou de seu sono profundo e se interessou por esse jogo do destino, afinal, o vencedor da guerra leva o mundo todo não é? –fala se aproximando dele e o erguendo para que pudesse olhar em seus olhos.
-Claro, claro. Então, me leve até ele, posso lhe dar informações preciosas sobre os dois lados, em troca só peço que ele me aceite como seu servo. –Lucius se dispõe deixando evidente sua ambição por poder.
-Não preciso de um lixo como você. –Hermione fala com desdém, enfiando a mão direita no ombro de Lucius, que urrou alto, fazendo os prisioneiros gemerem assustados, temerosos pelo destino que os aguardavam.
Lucius Malfoy que sempre se mostrou orgulhoso, agora implorava vergonhosamente por sua vida, enquanto via o brilho assassino nos olhos da vampira. Sentindo prazer em vê-lo se humilhando e principalmente no cheiro de medo que ele exalava, Hermione passou a mão ensangüentada na cara dele, fazendo-o lamber o próprio sangue.
-Seu sangue nobre não lhe agrada? –pergunta rindo do desespero do loiro. –Saiba que a mim também não, mas farei o sacrifício. –sussurra maldosamente no ouvido dele, fazendo-o gritar por misericórdia.
Ignorando os gritos de pavor, Hermione levou seus lábios ao ferimento e provou do sangue do comensal. Imediatamente uma chuva de imagens lhe veio à mente, assim como sensações de dor, agonia, prazer e ambição. Afastou rapidamente seus lábios do prisioneiro, arremessando-o longe e forçando o vômito na latrina que havia na cela. Se recompôs e saiu vestindo a capa da invisibilidade e entrando na cela de Mundugus.
-Então, vou precisar interrogar esse também? –Hermione perguntou friamente, fazendo Harry suprimir o riso e Mundugu se encolher junto à parede.
-Não precisa, ele já me contou tudo o que preciso saber. –Harry fala tentando se manter sério. –Até Mundungus! Nos vemos quando sua pena acabar. –Harry se despede, desaparecendo sob a capa. Mundungus apenas tentou se manter escondido, enquanto via a cela se fechar e outro clique indicar que estava trancada novamente.
Outro raio atingiu o auror que aguardava imóvel no corredor e este começou a andar do mesmo modo que antes, só que agora os levava para fora da prisão, onde Rony já devia estar apreensivo os esperando.
-O que você fez com o prisioneiro? –Harry sussurrou preocupado com ela.
-Só o assustei um pouco, não se preocupe. Agora vamos deixar para conversar em Hogwarts, tudo bem? –a garota falou em tom cansado, o que fez Harry entender e respeitar o tempo dela. O fato de ele a ter abraçado de modo confortante e protetor a ajudou a superar os sentimentos que incitavam a besta e a se controlar melhor.
Assim que saíram, os portões se fecharam e os aurores voltaram ao normal. Disseram a Rony que conversariam na escola e rapidamente montaram nos testrálios, voltando sem maiores problemas e chegando apenas três horas depois de terem saído da escola.
N/A: Oi, nem demorei para escrever este cap, mas demorei esperando a beta me entregar, mas tudo bem!
N/A²: Como eu havia dito a partir de agora eu vou focar mais no Voldemort, então voltaremos com tudo com as horcruxes e a explicação do porque da força do HArry, só vem nas férias de natal da fic.
N/A³: O que acharam da conversa da Cat com a Mione? Acham que a Mione consegue? Acham que o Rony foi tão bem a ponto de realmente ter impressionado Cat?
Próxima Atualização: Sitra Achra