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2. Capítulo II


Fic: Harry Potter e o fim da profecia


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Logo que chegara a Londres, fora Hermione fora abordada pela mãe, aparentemente, ainda abalada pela revelação que fizera meses atrás, antes de ir a Godric’s Hollow. Explicara tudo o que acontecera com os pais de Harry mais uma vez à mãe, agora que ela sabia que a mãe de Harry fora uma grande amiga de sua infância. Perceptivelmente, a cada palavra, Jane Granger parecia ainda mais agoniada com aquela história. E ela nem ao menos teve tempo de ver a amiga...

- Eu fico imaginando a Lily grávida... Devia estar linda! Ela era uma menina encantadora... – murmurou tristemente. – E faz tanto tempo... Queria ao menos ter podido me despedir. Tudo o que passamos juntas em York... Tantas coisas boas...

Foi a deixa para que Hermione adentrasse em um tão assunto antigo e, ao mesmo, tempo tão recente.

- Era exatamente sobre isso que eu queria conversar com você, mãe. – disse sem rodeios. – Sempre quis visitar York e agora mais do que nunca, eu preciso ir até lá, conhecer a cidade...

- Acho que seria bom voltar... – Jane pareceu ponderar por um momento. – Vou conversar com seu pai e ver quando poderemos marcar a viagem. Acho que dessa vez realizaremos o seu sonho. – sorriu e Hermione lhe abraçou fortemente.

- Obrigada, mãe. Não sabe como fico feliz em saber que posso contar com você. – sussurrou radiante.

E três semanas depois, eles embarcaram na viagem dos sonhos de Hermione. Seriam apenas cinco dias, mas pelo menos ela poderia realizar um sonho de infância, conhecer a cidade onde sua mãe passara muitos verões na companhia de ninguém menos que Lílian Evans.

Tantas vezes ela falara sobre a cidadezinha... E a cada dia Hermione se encantava ainda mais com tudo. Era tudo muito perfeito para ser verdade. Ela “conhecera”, de certa forma, a cidade durante a visão que tivera na Casa dos Gritos.

E York parecia ainda mais perfeita pessoalmente. Perguntara-se como uma cidade poderia manter tantos campos e gramados tão bem cuidados, as antigas ruínas de pedras conservadas, abertas e seguras para que fossem visitados.

Quando chegaram, foram direto para a casa de sua bisavó, ocupada por um casal e duas filhas desde que esta falecera, há cerca de dezoito anos atrás. Novamente via-se de frente para o portão branco que dava para os jardins de uma casa de apenas um pavimento de cor creme. O pai buzinou com o carro, ao que um homem grisalho aparentando ter seus quarenta e poucos anos veio correndo para abrir os portões da casa.

- Bom dia, Carl! – cumprimentou o Sr. Granger. – Como vai?

- Muito bom dia, Stan. – Carl lhe estendeu a mão, ao que o Sr. Granger apertou. – Vou bem, obrigado. E como vai você, minha querida Jane?

- Ah, Carl... Quanto tempo! – Jane abraçou o homem. – Conhece a Hermione? – perguntou se afastando.

Hermione saiu de trás da mãe e se aproximou, deixando Carl visivelmente surpreso.

- Menina, como você cresceu! Te vi quando era pequenininha... – disse puxando-a para um abraço. – Está linda, Mione. – parou observando o rosto da garota. – Cópia fiel da sua mãe, hã?! – brincou. – Espero que em todos os sentidos.

Hermione sorriu e baixou os olhos por instantes, logo depois encarando a mãe.

- Então, eu já vim a York? – perguntou num sussurro.

- Não tinha mais que um ano, querida. Sequer conhecia o Carl, não é mesmo?

- Ora, então deixe que eu mesmo me apresento, Jan. – e virou-se para Hermione, segurando-lhe a mão e fazendo uma leve reverência. – Sou primo de sua mãe, Carl Vernet. Vivo aqui com minhas filhas desde que a vovó se foi. Minha mulher fica indo e vindo da França regularmente, afinal tem emprego fixo por lá. Mas alguém tinha que cuidar da casa, não? – sorriu tristemente. – Mas vamos entrar e conversaremos melhor.

Pelo nome, Hermione entendeu que se tratava do marido de sua tia Marcia, a que morava na França e fora citada tantas vezes anteriormente. Ela só não sabia que o primo de sua mãe era ele, e não ela.

Ele passou o braço sobre os ombros de Hermione e a guiou para a casa, seguidos de perto por Jane e Stan. Hermione olhava para todos os lados, analisando brevemente cada milímetro da casa, que permanecia exatamente como na visão que tivera. Quando Carl abriu a porta, ela deu de cara com o quadro que vira anteriormente, agora ocupado por outra foto, uma onde se viam três adolescentes, duas senhoras e uma outra, ainda mais velha.

Encostada na parede, uma mesinha de vidro, onde estavam depositados vários porta-retratos, mas Hermione não deixou de notar que as fotos mais recentes, eram da adolescência da mãe. Parou subitamente ao ver uma onde estavam Lílian e Jane.

- Conhece Lílian? – perguntou Carl, notando o interesse de Hermione.

- S-sim...

- Tem tido contato com ela, Jan? – perguntou virando-se para a prima.

- Acho melhor Hermione lhe contar. – sugeriu, os olhos marejando.

Carl olhou com interesse para a menina que se soltara momentos antes de seus braços. Balançou a cabeça a fim de esquecer momentaneamente o assunto e chamou:

- Marcia, querida, Jane e Stan estão aqui!

As suspeitas da garota se confirmaram. Instantes depois, uma mulher de cabelos muito loiros e olhos de um azul escuro se juntava ao grupo.

- Vocês sumiram, hein? – brincou, cumprimentando-os em seguida. – E a senhorita cresceu um bocado desde a última vez que esteve lá em casa! – segurou as duas mãos de Hermione. – Venham. Acho melhor sentarmos. A Ash e a Hil saíram a pouco, mas logo voltarão. Estou passando o verão aqui, mas logo terei de retornar à França. Sabem como é, não consegui sair de lá, afinal.

Caminharam até a sala e dividiram-se em dois longos sofás, mas Hermione preferiu sentar-se a uma poltrona solitária.

- Aceitam algo? – perguntou a loira.

- Não, obrigada. – responderam todos ao mesmo tempo.

- Muito bem... Pretendem passar quanto tempo aqui? – perguntou Carl.

- Serão apenas cinco dias. Temos de voltar a Godric’s Hollow ainda na quinta-feira. – respondeu Stan.

- Ainda vivem em Godric’s Hollow, então?

- Sim, Carl. – limitou-se o Sr. Granger a dizer.

- E queremos que vá nos visitar em breve. – disse Jane em tom sugestivo.

- Assim que pudermos, garanto. – concordou o homem. – Mas e quanto a Lily? Você disse que Hermione saberia dizer, não?

Hermione, que até então escutava calada, se fez presente na conversa.

- Sim, Carl. Lílian Evans, a que vocês conheceram, casou-se com James Potter e era mãe de um grande amigo meu.

- Espera um pouco! Você disse era? Ela... – Marcia parou no meio da pergunta. – Morreu?

Hermione baixou os olhos e limitou-se a acenar positivamente com a cabeça.

- Ela foi assassinada. Ela e o marido. – respondeu após uma longa pausa.

- Assassinada? – perguntaram Carl e Marcia, sem acreditar no que a menina dizia, encarando Jane e Stan, esperando que os dois desmentissem Hermione.

- Ela foi assassinada há quase dezesseis anos, em Godric’s Hollow. – respondeu Jane, deixando uma lágrima escapar.

- E a criança? – perguntou Marcia, mostrando-se assustada com a revelação.

- Desde então vive com os tios em Londres. É um menino maravilhoso, apesar das perdas. – Jane conhecera Harry e tivera oportunidade de conversar com ele em novembro do ano anterior. – Ele e Hermione são amigos há anos.

- Seria coincidência? – perguntou Carl.

- Talvez. – Hermione desconversou.

- E como vocês viviam no mesmo vilarejo onde Lily morava e nunca a viram? – perguntou Marcia, sem entender.

Foram pegos de surpresa pela pergunta. Os Granger moravam em Godric’s Hollow desde que se casaram e Lílian só fora para lá depois que ela e o marido tomaram conhecimento da profecia. Não poderiam contar tal coisa e, muito menos, que eles eram bruxos e aparatavam quando preciso.

- Eles devem ter se mudado ainda quando Lilian estava grávida e já não podia ficar saindo de casa e após o nascimento de Harry, talvez ainda permanecesse em casa. – sugeriu Stan, sem aprofundar a falsa hipótese. – Em todo caso, Hermione com certeza não quer falar sobre isso. Ela veio conhecer a cidade e nós...

- Não, Ash. Eu tenho certeza de que a ruína vai estar fechada hoje.

- Só por que é terça-feira? Não, Hil. Acho que esqueceu que vivemos numa cidade turística e... Ah! Nem nos domingos ela está fechada... Além disso, estamos em pleno verão e... – duas garotas entraram na casa como verdadeiros furacões. A primeira parou imediatamente de falar – Er... Bom dia!

- Acho que encontramos as pessoas perfeitas para mostrarem a cidade para a Hermione. – disse Marcia sorrindo. – Garotas, esta é Jane, uma prima do pai de vocês, o marido dela, Stan e sua filha, Hermione. Ela veio conhecer a cidade e, bem, acho que poderiam ajudar.

- Olá, Mione. Hum... Posso te chamar de Herms, não? – fez a segunda garota, ao que Hermione confirmou com um aceno e um largo sorriso. – Muito bem. Eu sou a Ashley, mas pode me chamar de Ash. E esta é a Hilary... Ou Hil, como preferir. Minha irmã mais nova, por incrível que pareça. – e riu gostosamente.

- Não se deixe levar pela Ash. Ela só é um pouquinho engraçada. – disse Hilary, sorrindo. – Venha conosco, levaremos para conhecer a cidade.

E as três deixaram a sala.

- Espero que ela não se assuste. – comentou Marcia sorrindo, sendo acompanhada pelos outros, que voltaram a conversar.

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Ashley e Hilary pareciam ser pessoas extremamente agradáveis e bastante extrovertidas. Animação elas tinham de sobra e sabiam como receber uma pessoa da melhor forma possível. Logo, Hermione já estava se sentindo como se as conhecesse há anos.

- Então, o meu sonho era conhecer York. – disse, enquanto caminhavam por um grande jardim próximo aos campos da cidade.

- Mas sua mãe não exagerou em nada. Nós morávamos em França e a melhor coisa que papai fez foi se mudar para cá. Chegamos a conhecer a vovó, mas ela já estava muito mal. Eu tinha três anos quando ela... Bem... Quando ela se foi. – disse Ashley, num sussurro.

- E você, Hil? – perguntou, curiosa.

- Sou só um ano mais nova que a Ash. – Hilary parecia não deixar de sorrir um momento sequer. – Tenho vinte anos, por incrível que pareça.

- Você vive sorrindo, é tão animada... – comentou Hermione. – Como consegue?

- Você também não parece menos animada. É só que eu gosto de rir... Faz bem!

- Ela é um caso fora do normal, Herms. Ri de tudo, do que pode e até do que não pode. – respondeu Ashley, sentando-se no gramado sob uma enorme árvore. – Mas vamos voltar a York. – ela recostou-se no tronco da árvore. – Yorkshire é um condado turístico, cuja sede, York, recebe milhares de visitantes por ano por conta de seus atrativos. As ruínas e muralhas são ainda da época da ascensão de Roma, como deve saber.

- A história daqui é fascinante. São séculos de tradição... – murmurou Hil, entre uma tentativa e outra de acertar um galho numa árvore mais distante.

- E Lílian Evans? Já ouviram falar nela? – soltou.

- Em nossa família, quem não ouviu falar nela, com certeza não é informado. – disse Hil, parando subitamente e sentando-se ao lado de Hermione. – A Ash tem até foto com ela e com a sua mãe. – contou. – Você a conhece? – perguntou com os olhos cintilando esperançosos.

- Ela foi assassinada a quase dezesseis anos. – disse Hermione num sussurro. – Mas não vamos falar sobre isso, pelo menos por enquanto. – pediu. – Ela era mãe de um amigo...

- Só amigo? – perguntou Ash, sorrindo.

- Tudo bem, estamos namorando, mas é segredo absoluto, ok?

- E como ele é? – de uma hora pra outra, Hil estava debruçada sobre os pés de Hermione, escutando atentamente toda a história do tão famoso Harry Potter. Bom, pelo menos no mundo bruxo.

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- O castelo e os corredores velhos dão vida ao ambiente antigo presente na cidade. Além de toda essa arquitetura fascinante, York é uma cidade muito procurada por estudantes, já que abriga uma das melhores universidades da Inglaterra. – contou Hilary, enquanto andavam pelas ruas mais movimentadas da cidade. – Bem, já visitamos a ruína de St. Mary’s e os jardins mais maravilhosos da cidade, a Jorvik Viking Centre... Falta a Catedral Medieval e as bibliotecas.

- Vamos à Catedral mais tarde, após o jantar. É mais bonita à noite. – sugeriu Ashley. – As bibliotecas, nós visitaremos amanhã pela manhã. E os museus, nós visitaremos um a um. Amanhã à tarde vamos ao York Castle Museum, senão fica muito cansativo.

- Já está anoitecendo. Acho melhor voltarmos para casa. – disse Hermione, notando o céu avermelhado de fim de tarde.

Por sorte, as meninas sabiam dirigir, o que facilitava a locomoção pela cidade, que, embora pequena na área onde habitasse, era enorme e bastante movimentada. De calma, York nada tinha.

Ao chegar em casa, Hermione parou por poucos instantes na sala, onde contara aos pais tudo o que vira.

- Acho que a animação da Hil contagia qualquer um. – disse sorrindo. – York é maravilhosa. E até um tanto diferente do que eu imaginava... Mas eu ainda quero conhecer a casa de Lílian Evans.

Não se demorou. Seguiu para o quarto, onde tomou um banho relaxante e colocou uma roupa leve e fresca. Sequer tivera tempo para se trocar quando chegara. Debruçou-se sobre a cama e ficou a contemplar o céu, agora num tom azul marinho aveludado, salpicado de estrelas. Estava uma noite linda.

Levantou-se e saiu do quarto. Ainda tinha que jantar. Não poderiam sair muito tarde e ainda queria visitar a Catedral.

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Estava ali já há dois dias e a coruja que recebera ainda na terça-feira a noite viera com as penas completamente reviradas, o que a deixou assustada. Como já podia realizar feitiços por ser maior de idade, conjurou uma gaiola e colocou Píchi nela, mas a barulheira que a pequena corujinha fazia era digna de um corujal inteiro e Hermione temia chamar atenção e teve de silenciar a ave.

- Agora fica quieta! – murmurou, séria.

Por sorte, naquela quinta-feira, Edwiges chegara. Ela estava esperançosa que Harry tivesse enviado algo para ela, mas pelo contrário: ela viera pegar algo de Hermione. A coruja pousou sobre o ombro dela e ficou a mordiscar sua orelha. Apressou-se em escrever uma carta para o namorado e prendê-la na pata da coruja, que levantou vôo quase que imediatamente.

“Espero que ele não esteja achando que o esqueci”, pensou enquanto deixava o quarto.

Hoje ela finalmente iria conhecer a casa da avó de Lílian.

Dessa vez ela também recebeu a companhia de sua Marcia e sua mãe, que caminharam junto com as filhas até a Mansão Branca, enquanto todas ouviam as histórias da infância de Jane e Lílian.

- Acham que vai haver alguém lá? – perguntou Marcia.

- Não sei. – respondeu Jane. – Talvez a casa esteja fechada, mas ainda tenha um caseiro para fazer a manutenção, ou até como nós... Um familiar vivendo na casa ou passando as férias de verão.

- São hipóteses relevantes. – murmurou Ashley. – Mas podem sequer existir.

Hermione ia escutando calada. Era como se alguma coisa dissesse a ela que existia, sim, alguém lá. A discussão entre as outras seguia, variando de assuntos... Até de moda elas já haviam falado.

Quando finalmente chegaram à Mansão Branca, pôde notar que a casa permanecia exatamente como na visão. O alto muro de pedra e os portões de ferro eram marcantes no local e a construção branca que surgia detrás deles, tão marcantes quanto. Era uma bela casa, definitivamente; pessoalmente, ainda mais.

Um carro à porta da casa fez com que Jane se aproximasse.

- Me faz lembrar o último verão que ela passou aqui. Quando vi o carro à porta, corri para falar com a avó da Lily, perguntar se tinha vindo. – Hermione conhecia bem essa história. – Mas ela não estava...

- Tinha saído para andar a cavalo e te procurou depois, contando que chegara à noite anterior e que Petúnia tinha viajado para os Estados Unidos com os pais. – a filha completou, para surpresa de Jane. – Será que há alguém aí?

E se aproximou do portão, tocando a campainha, sem deixar espaço para que a mãe lhe perguntasse como sabia da história.

Instantes depois, um rapaz moreno e alto apareceu. Os cabelos castanhos escuros, muito lisos e olhos verdes faziam Hermione se lembrar de Harry, só que sem os óculos, com os cabelos mais longos e uma fisionomia mais estreita. Não era tão parecido assim, olhando de perto, mas que lembrava, isso lembrava...

- Em que posso ajudar? – perguntou o rapaz.

- Bom dia! Meu nome é Hermione Granger, sou filha de Jane, uma antiga amiga de Lílian. Gostaríamos, eu, minha mãe, uma tia e minhas primas de conhecer a casa. Seria possível?

- Jane? A neta da Sra. Vernet?

- Sim, ela mesma. Sou filha dela. – confirmou.

- Claro! Venham. – disse, abrindo passagem para Hermione, que confirmou para as outras, que a seguiram. – Meu nome é Giuly Evans, primo da Lily.

- Creio que esteja passando as férias aqui, não?

- Sim, com a minha avó.

- Ela ainda está viva? – perguntaram Hermione e a mãe de súbito, o que, novamente, deixou Jane desconfiada.

- Sim, vovó é forte, completa noventa anos em março. – respondeu Giuly com orgulho. – Ela sempre fica calada no final da tarde, acho que lembrando os tempos que a Lily passava aqui com ela. Sabe, não lembro muito bem dela. Quando se foi, eu tinha só nove anos.

- Dona Katine e Lily eram realmente muito ligadas. No fim da tarde, a Lily sempre estava de volta, dizia que tinha de ficar com a avó até depois da ceia e muitas vezes eu ficava aqui com elas. – contou Jane. – Deve ser difícil aceitar que sua filha e sua neta se foram antes dela.

- Ela faz muita falta. Tinha algo nela que era contagiante, era uma garota maravilhosa. York sempre foi um sonho para ela. – murmurou, enquanto adentravam a casa. – Sabemos que antes de morrer Lílian se casou e teve um filho, mas não chegamos a conhecê-lo.

- Herms o conhece. – responderam Ashley e Hilary juntas.

Giuly encarou a morena, que estava ao seu lado.

- Você o conhece? – perguntou.

- Sim. Ele é um grande amigo meu. – confirmou.

- Giuly? – chamou uma voz rouca.

- Sim, vovó? – fez o garoto, tirando a atenção de Hermione.

- Bom dia! – cumprimentou. – Jane? – perguntou a Hermione.

- Não. De certa forma, também sou Jane, mas a filha da que a senhora conhece, dona Katine. – respondeu, sorrindo pacientemente. – Hermione Jane Granger.

- Mas é a cópia fiel da mãe! Como ela está, querida?

- Estou bem. E a senhora? – perguntou Jane, se aproximando.

- Jane, querida! Quanto tempo! – um largo sorriso brincava na face da senhora. – Dá cá um abraço, menina!

- Vejo que a senhora está ótima, como sempre. – murmurou Jane envolta a um demorado abraço com a velha Katine.

- Deixe-me ver se lembro... Marcia Vernet e, provavelmente, estas são suas meninas, estou certa? – brincou.

- Sim, senhora.

- Ora, sentem-se! – pediu, ela própria se acomodando. – Giuly, peça à Jenny para trazer algo para nós, por favor?

- Sim, senhora. – e o rapaz sumiu por uma porta.

- A que devo a visita? – perguntou Katine, quando todos já estavam acomodados.

- Hermione é amiga do seu bisneto, dona Katine. Era um sonho antigo dela conhecer York, e depois que soube que eu e Lily éramos amigas, sua vontade aumentou ainda mais.

- O filho de minha Lily é amigo de sua filha?

- Sim. Harry James Potter. – respondeu Hermione. – Somos amigos há muito, seis anos, mais precisamente.

- Como gostaria de conhecê-lo! Sequer vejo a Petúnia...

- Ela, com toda certeza, nem deve lembrar-se da senhora, dona Katine. – murmurou Marcia. – Harry viveu com ela estes anos todos, com o marido e o filho. E se não te procuraram por todo esse tempo, acho que deveria esquecê-la também.

- Petunia sempre teve ciúmes de Lily, esta é a verdade. – acrescentou Jane.

- Ele nunca soube da senhora, senão estaria vivendo aqui, com toda certeza. – disse Hermione. – Sofreu muito durante esses anos que passou na casa da sua neta.

- E como ele é? – perguntou Katine, os olhos marejados.

- Muito bonito, tem os olhos de Lílian. – respondeu Hermione, sorrindo e retirando da bolsa que trazia consigo uma foto onde estavam ela e Harry. – É este aqui.

- Quando vou poder conhecê-lo?

- Muito em breve... – murmurou Hermione.

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Deixou York para trás e levando consigo a realização de um sonho. Sentia-se completamente realizada. Conhecera duas primas as quais adorara, um lugar fantástico e de beleza incalculável, conhecera a bisavó de Harry, conversara com ela... Sabia que quando ele soubesse de tudo aquilo, ficaria no mínimo feliz, mas também bastante confuso.

E sua missão, agora, era contar para ele sobre um passado que ele não vivera, mas que muito explicava sobre o que viviam hoje. Ela só não se imaginava falando sobre a profecia. Quando o encontrasse, as coisas poderiam não ser como imaginava. A coragem e a força teriam que se fazer presentes.

Descobriu que York não era apenas um fator importante na sua história, mas uma realidade surreal... York era um sonho.

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