- Que tipo de brincadeira é essa, heim?
- Que brincadeira, Lua?- perguntou de volta o irmão.
- Como assim que tipo de brincadeira? Essa - mostrando a folha aos outros - eu quero saber quem fez isso e não me chama de "Lua", você sabe que eu não gosto, André - continuou.
- Nós não fizemos isso - falou Natan.
- Mas então quem foi? Imaginem só, eu uma bruxa de verdade, olha só que loucura...
E continuaram a conversar sobre isso e de longe duas garotas que aparentavam a mesma idade de Andressa, uma loira de olhos azuis bem claros e suaves, a outra possuía cabelos castanhos escuros quase negros e olhos também dessa cor, observavam e curiosas atravessaram a rua, aproximaram-se do grupo sentado à beira da calçada e a loira perguntou para Andressa:
- Você também é bruxa? Que legal, nós - apontando a si e a amiga que a acompanhava - recebemos nossa carta hoje de manhã.
- Como assim? Bruxa? Eu? Tá brincando - a garotinha respondeu com uma cara de interrogação.
- Ela é filha de trouxas - disse a garota de cabelos castanhos.
- Filha de trouxas uma ova vai xingar teu pai! - retrucou Andressa cada vez entendendo menos.
- Calma. Melhor começarmos de novo - disse a loira - eu me chamo Isabelly McKinnon, e esta é minha amiga Bruna Dias. Nós moramos na rua de baixo e como não tinha nada pra fazer resolvemos andar um pouco, daí vimos a coruja entregar a sua carta e ficamos curiosas, pois não sabíamos que outra bruxa morava nas redondezas, daí viemos falar com você.
- Certo, tudo bem, bom prazer em conhecê-las meu nome é Andressa Willer e estes são meu irmão André e meus amigos Natan e Kaio Britan e por último Juliana Soares- disse, apontando cada um respectivamente - Agora que historia é essa de trouxas? Além do mais a cara de vocês não me é estranha.
- Na verdade nem a sua a nós duas, chegamos até a comentar isso, mas deixa pra lá a gente resolve isso depois, bem Trouxa é uma pessoa que não é bruxa, entendeu? - disse Bruna.
- Certo, nesse caso realmente sou filha de trouxas, se a palavra for empregada nesse sentido - respondeu Andressa.
- Você disse que se chama Andressa Willer, não?- disse Isabelly.
- Sou. Por quê?
- Bem então já sabemos porque as nossas caras não são estranhas: estudamos no mesmo lugar, a diferença é que estamos na turma B, provavelmente a gente deve ter se cruzado no intervalo... - falou Isabelly.
- Não... vocês devem ter se cruzado na sala de aula, não Lua?
- Não liguem pro meu irmão não, ele é assim mesmo, e André amor da minha vida, minha privada entupida, NÃO ME CHAMA DE LUA, TÁ BEM?
-Certo, amor.
- Desculpem intrometer nesse lindo romance entre irmãos, mas, Willer, você quer ir lá na minha casa? Meus pais podem te explicar o que você quiser - disse Isabelly.
- Eu vou querer sim, mas não me chamem de Willer, me chamem de Andressa mesmo, só, por favor, não me chamem de Lua... - e virando-se aos outros - Tchau, eu volto mais tarde.
- Ei, o que eu falo pro pai?
- Avisa que eu fui na casa de uma amiga - dizendo isso, se levantou.
- Ah! Eu acho melhor vocês não dizerem nada dessa história sobre a Andressa ser bruxa...A outras pessoas... Nem para os seus amigos... - falou Bruna.
- Tudo bem acho que ninguém acreditaria, e os que estão jogando bola pelo visto não viram a "chegada" da carta... Tchau pra vocês duas e até mais tarde, Andressa...- disse Kaio.
- Tchau - disseram todos ao mesmo tempo.
As três bruxinhas começaram a andar, caminharam para a esquerda e quando chegaram na esquina e desceram, os outros que estavam sentados no meio fio e a tinham acompanhado com o olhar em silêncio e continuaram neste estadoaté um dos garotos que jogavam futebol na rua, se aproximar e perguntar:
- Ei, que aconteceu? - perguntou o garoto, intrigado. Ele tinha olhos cor-de-mel, levemente esverdeados, cabelos castanhos escuros, era alto e chamava-se Renan.
- Nada não, Renan - respondeu Juliana.
- Então alguém pode entrar no meu lugar?
- E no meu?- disse outro garoto se aproximando, ele era o Roberto, irmão gêmeo de Renan.
-E vocês ainda perguntam? Eu já to entrando... - disse Kaio.
- E eu - completou Natan.
- Sai uma dupla de irmãos e entra outra...- comentou Juliana.
- Cadê a Lua? - perguntaram os gêmeos.
- Foi agora há pouco na casa de uma das suas amigas novas... - falou o irmão desta.
-... E toma cuidado, se ela ouve vocês chamando-a de lua, pode acabar dando confusão... -completou Juliana.
- Verdade, nós vamos tomar cuidado quando ela estiver por perto, mas chamá-la de lua é bem mais pratico... - garantiram os gêmeos de 13 anos de idade.
- Isso ninguém tem dúvida - disseram os outros dois.
E depois dessa pequena conversa eles voltaram a assistir ao jogo e vez ou outra conversavam sobre alguns assuntos.