A recuperação de Harry estava indo bem, um dia antes de voltarem às aulas em Hogwarts ele já estava de pé arrumando suas coisas para voltar a lecionar e para voltar à ativa contra Voldemort.
O almoço de Natal daquele ano havia sido o mais diferente de todos, primeiro porque ele o passou em um Hospital Bruxo sem poder movimentar as pernas, porque havia sido atingido por uma maldição, segundo porque ele estava com sua família, que poderiam estar em qualquer lugar, mas decidiram passar ali com ele.
Harry se sentou à mesa com a ajuda de Rony e Hermione, esses sempre estiveram ao seu lado, independente do que acontecia. A Sra. Weasley o serviu com as coisas que ele mais gostava, o tratava como se fosse realmente um filho, o Sr. Weasley ficou conversando com o Sr. Granger sobre coisas trouxas o que ele achava fascinante, aparentemente o Sr. Granger se deliciava em explicar como era possível os aviões voarem, a Sra. Granger conversava com Hermione sobre o novo membro da família e logo a Sra. Weasley foi se juntar a elas, os gêmeos conversavam com Gui e Carlinhos sobre os negócios e Fleur tentava ter uma conversa com Gina, que parecia mais paciente e até parecia ter aceitado a escolha de seu irmão.
— Mesa cheia, né Harry? — Perguntou Rony com uma coxa de frango a meio caminho da boca.
— É, mesa cheia, não imaginaria isso... —Respondeu Harry vagamente.
— Isso? — Quis saber o ruivo.
— É! Quando pedia ajuda a sua mãe no primeiro ano, jamais imaginaria isso.
— É cara, as coisas acontecem de maneiras estranhas, mas acontece.
— Quanto tempo isso irá durar? — Perguntou Harry baixando os olhos pro seu prato nada modesto.
— Até o fim do almoço eu acho. Depois cada um tem que voltar pro seu trabalho, ai só vamos ficar aqui você, eu, Mione e Gina. — Rony olhou para Harry. — Não se preocupe, no próximo Natal a gente vem almoçar aqui de novo.
Harry levantou os olhos para Rony.
— No Natal que vem não precisa ser você a se machucar, eu posso cair da vassoura, sei lá. — Rony enfiou mais uma garfada na boca. — Não se preocupe cara, nós vamos conseguir, vai dar tudo certo, a gente sempre consegue no final.
Harry concordou com um aceno de cabeça, mas continuou pensativo, ele ainda não havia contado nem ao Rony o que estava por vir, o que Voldemort havia revelado, quando ele olhava para Gina o seu coração disparava e tudo parecia ser impossível, Voldemort agora parecia a ele mais imortal do que nunca.
Apesar de todos estarem felizes, e de aquele ser um momento muito especial, Harry não tirava Gina da cabeça. Ela acabou entrando nessa por acidente, ela nem era próxima a ele, mas Lúcio, em sua vontade de destruir Harry e exterminar os nascidos trouxas de Hogwarts a envolveu nisso tudo, agora Voldemort e imortal graças a Lúcio Malfoy.
— Está tudo bem Harry? — Harry ergueu o rosto para Hermione e acenou afirmativamente com a cabeça. — Não parece, você quase nem tocou na comida.
— Não sinto fome. — Respondeu Harry.
Harry não sabia quando teria momentos de paz como aquele e ele não estava aproveitando em nada, todos ali reunidos em uma das muitas mesas do grande salão do St. Mungus. Harry não estava sendo justo com os outros, todos ali estavam vivendo aquela guerra, todos estavam apreensivos, até os pais de Hermione corriam perigo, mas naquele dia todos estavam felizes, só por passarem mais um dia juntos.
Harry percebeu seu egoísmo e tamanho egocentrismo, afinal, Rony e Hermione sempre estiveram ao lado dele para tudo e agora estavam apenas comendo, conversando e sorrindo, não que os problemas e as preocupações tenham sumido das cabeças de todos, mas sim que eles mesmos não sabiam se voltariam a se reunir assim.
Harry resolveu tirar todas as preocupações da cabeça, pelo menos por agora, e tentar aproveitar aqueles momentos de paz.
— Ei! Harry, está tudo ok? — Harry se virou, Uma Gina sorridente perguntava a ele e ele acenou afirmativamente, mas dessa vez com mais sinceridade.
— O que vamos fazer o resto da tarde? —Perguntou a Gina e depois olhou para Rony e Hermione que ouviam a conversa.
— Xadrez? — Sugeriu Rony.
— Ler um livro? — Sugeriu Hermione ao que todos ignoraram. — Por quê eu ainda tento?
— Snape explosivo? Dá para nós quatro jogarmos de uma vez. — Sugeriu Gina.
— Eu queria fazer alguma outra coisa, mas sem poder andar direito isso se reduz muito a quase nada. — Angustiou-se Harry.
— Poderíamos arranjar uma cadeira de rodas e ir até o Beco Diagonal, dar uma olhada nas lojas, ir a Floreios e Borrões, preciso comprar alguns livros novos. — Sugeriu Hermione.
— Ou poderíamos ver o estrago que Harry causou lá. — Sugeriu Gina.
— O que é uma cadeira de rodas? — Perguntou Rony.
— Ótima idéia Mione, tô precisando mesmo, mas onde vamos conseguir uma cadeira de rodas? —Perguntou Harry.
— Acorda Harry, somos bruxos maiores de idade e eu sou a professora de Transfiguração de Hogwarts, fique parado que eu transfiguro agora mesmo essa sua cadeira. — Hermione sacou a varinha e apontou para Harry.
Ao lado da confortável cadeira de Harry apareceram duas rodas e o encosto da cadeira diminuiu até altura da nuca de Harry.
— Obrigado Mione. — Agradeceu Harry
— Isso é uma cadeira de rodas? — Indagou Rony.
Após o almoço, Carlinhos e o Sr. Weasley voltaram para o Ministério da Magia, o Sr. e a Sra. Granger voltaram para sua cidade, ele diziam que não podiam ficar longe de suas vidas normais por muito tempo ou todos desconfiariam.
A Sra. Weasley foi junto com Fleur para a sede da Ordem da Fênix para arrumar as coisas para uma próxima reunião, Gui disse que teria que dar uma passada no Gringotes, então ficou para ir ao Beco Diagonal com Harry, Rony, Hermione, Gina e os gêmeos.
— Bem, vamos? — Perguntou Gui.
— Vamos, Harry você vem comigo. — Falou Hermione. — Gina você vai com o Rony...
— Por quê? — Indagou Gina.
— Porque você é menor e não pode aparatar. —Provocou Rony.
— Eu vou com o Gui, não quero perder meus pedaços pelo caminho. — Rebateu Gina.
— Ótimo. — Interferiu Hermione. — Gina, você vai com o Carlinhos, a gente se encontra enfrente a Gemialidades Weasley. Não vamos te esperar Rony.
- CRACK
Quatro estampidos foram ouvidos antes de Rony desaparatar.
— Ei! Me esperem! — Gritava Rony no meio do Beco Diagonal. — Onde está o Gui?
— Já foi pro Gringotes, onde você foi parar? —Perguntou Hermione que já empurrava a cadeira de Harry, Beco Diagonal acima.
— Fui ver o estrago que Harry fez ali na frente. — Disse Rony meio rubro.
— E não deixou nada pelo caminho. — Provocou Gina.
— Harry, melhor você não dar as caras por aí. — Disse Rony ignorando a provocação da irmã.
— Por quê? — Perguntaram Harry e Hermione juntos.
— Bem... — Antes que Rony respondesse uma multidão os cercou.
Harry olhou a toda volta e se sentiu um coelho acuado por uma matilha de lobos, todos ali deviam estar furiosos pelos estragos que Harry fez no Beco Diagonal.
Demoliu um prédio inteiro, e se tivessem pessoas dentro daquele prédio? E se alguém tivesse se ferido? Harry sabia que nada disso aconteceu, porque se tivesse acontecido Rony e Hermione teriam falado, e nas matérias do Profeta Diário que ele leu não saiu nada sobre feridos pelo “Eleito”, mas Harry imaginava que todos ali poderiam estar furiosos com ele, e com razão, afinal ele derrubou um prédio.
— Eu sinto muito. — Começou Harry.
— Sente muito por quê? — Perguntou alguém na multidão.
— Por ter feito tanto estrago aqui. — Disse Harry.
— Não fez tantos estragos assim. — Gritou alguém.
— Você nos livrou dos Comensais da Morte. — Gritou um senhor já de muita idade.
— Eles poderiam ter matado todos aqui. —Gritou uma senhora.
— E você... — Uma garota com, aproximadamente, a mesma idade que eles segurou a mão de Rony. — ...Você enfrentou o Sr. olivaras, ele nos enganou por tanto tempo e poderia ter machucado muita gente aqui sem desconfiarmos dele.
Ela possuía um par de olhos negros e quase não eram expostos por causa de sua franja negra que os cobriam pela metade, ela trajava vestes comuns em um tom pardo e seus cabelos lhe caiam até o meio das costas, tinha um nariz avantajado, mas que combinava bem com seus lábios carnudos, suas formas não era possível de ver por causa da folga de suas vestes, mas se via que era uma garota muito bonita.
— Bem, eu... eu... — Rony começou a gaguejar e ruborizar.
— Você, junto com Harry Potter, é um herói Ronald Weasley. — Rony ruborizou ainda mais e sem soltar a mão dele a garota continuou. — Vocês salvaram a todos aqui, o Sr. Olivaras poderia estar montando uma base dos Comensais aqui e poderia nos atacar pelas costas. Você foi muito corajoso em enfrentá-lo sozinho.
— Ele só não aprendeu a aparatar no lugar certo ainda. — Falou Hermione com grosseria. — Ele foi parar lá quando deveria estar ajudando o Harry a enfrentar outros quinze Comensais aqui. — Rony olhou para Hermione com uma mágoa no olhar.
— E você, quem é? — Perguntou a garota que ainda não havia soltado a mão de Rony. — Não vi sua foto no Profeta diário.
— Sou a “NAMORADA”dele. — Disse Hermione enfatizando quem era.
— Pois devia dar mais valor ao que tem. —Respondeu a garota e se voltando a Rony. — O meu nome é Mabbel, mas pode me chamar de Mab, me mande uma coruja quando quiser, eu moro aqui no Beco Diagonal, sua coruja vai me achar. Meu irmão tem aula de vôos com você, e disse que adora suas aulas.
— Obrigado. — Agradeceu Rony meio sem jeito.
— Achei que fossem ficar com raiva por causa do prédio que derrubei. — Apressou-se Harry em dizer ao ver que Hermione estava prestes a explodir. — Não feri ninguém?
— Felizmente não, na verdade aquele prédio estava para ser demolido pelo Ministério há muito tempo. — Falou um dos senhores.
— Fico feliz que ninguém tenha se machucado. — Disse Harry.
— Você foi um herói Potter. Você e seu amigo Weasley. — Disse um homem que Harry reconheceu ser Florestan Fortescue, o dono da sorveteria. — Vocês poderão vir a minha sorveteria sempre que quiserem tomar sorvete de graça.
Aos poucos a multidão foi se dispersando, as pessoas faziam perguntas e depois, aos poucos, iam saindo e voltando aos seus afazeres.
— A gente bem que podia colocar vocês dois lá na nossa loja e cobrar entrada. — Falou Jorge que veio chegando quando a multidão se desfazia.
—E cobrar dobrado para tirarem fotos ou fazerem perguntas. —Fred também havia chegado.
— Vem cá, vocês não tem nada para fazer na loja, não? — Perguntou Hermione com azedume.
— Ih! Essa aí hoje não tá boa. — Disse Fred já se virando para sair.
— Definitivamente não está. Boa semana Rony. — Desejou Jorge.
— E boa sorte, você vai precisar. — Fred saiu acompanhado por Jorge.
— O que eles queriam dizer? — Perguntou Rony.
— Vamos a sorveteria? — Perguntou Gina.
— Seria uma boa, tá muito calor aqui. —Concordou Harry.
Harry, Rony, Hermione e Gina seguiram para a sorveteria e como o prometido, ganharam sorvetes de graça. Depois resolveram dar uma volta pelo Empório das Corujas, onde Harry pretendia comprar mais comida para Edwiges, mas ganhou tudo de graça, assim como Rony para Pichichinho, mas Gina e Hermione, para aumentar a fúria dela, tiveram que pagar pela comida de Arnold e Bichento.
Harry e Rony deram uma entrada na loja de Artigos de Qualidade para Quadribol e as meninas ficaram do lado de fora discutindo o quanto os meninos eram fissurados nesses esportes.
Rony comprou muitas coisas com um gordo desconto que Harry não achou muito correto, mas ficou calado já que tinha ganhado de graça um óleo para lustrar sua Firebolt.
— Vamos agora a Floreios e Borrões? —Perguntou Hermione.
— Tava demorando. — Resmungou Rony.
— O que você quis dizer Ronald? — Perguntou Hermione com um tom quê, que para Harry só Minerva McGonagall sabia fazer.
— Nada não, eu bem preciso ir lá também. —Respondeu o garoto forçando um sorriso amistoso.
— Você precisa ir a uma livraria? — Questionou Hermione. — Você sabe que lá não vende álbuns de figurinhas, sabe?
Rony fez a cara mais displicente que conseguiu, empinou o nariz avantajado e trombou com a placa que indicava a direção da Travessa do Tranco.
Ao chegarem a Floreios e Borrões, Rony ainda com a marca vermelha da topada, mas não tão vermelha quanto suas orelhas ou os rostos de Harry, Gina e Hermione que ainda prendiam a respiração para não rir. Hermione já foi se adiantando à frente de todos e indo em suas estantes preferidas quando soltou um berro.
Gina, Rony e Harry, empurrado por Rony foram lá ver o que era. Hermione havia trombado com a linda garota de olhos negros, Mab.
— O que você faz aqui? — Perguntou Hermione com tom de acusação.
— Estou procurando ingredientes para poções, não está vendo? — Respondeu a garota com cinismo.
— Não sabia que você sabia ler? — Rebateu Hermione.
— Mab, você por aqui, que bom revê-la. —Interferiu Rony.
Harry notou que Mab segurava um livro sobre fadas. Ele e Gina achando mais seguro ficar longe de Hermione, Rony e Mab decidiram ir até a sorveteria, Gina empurrando Harry.
— Não entendo porque os dois ainda vivem brigando, eles já não estão namorando, pra que tanta discussão? — Indagou Harry enquanto saboreava outro sorvete de nome estranho e que ele tinha certeza que não queria saber de que era feito.
— Mab estava certa, Mione ainda não sabe dar valor ao meu irmão, ela o subestima muito. —Explicou Gina que dava gostosas lambidas em seu sorvete de morango com caqui.
— Você também subestima muito seu irmão. — Salientou Harry.
— Nem tanto, sei que ele é muito capaz, eu só o provoco, afinal sou irmã dele. — Gina deu um sorriso cínico.
— Garotas. — Deixou escapar Harry.
— Garotas o quê, hein? — Quis saber Gina.
— Vocês são muito complicadas. — Respondeu Harry.
— Eu não sou complicada, você que quer ser muito nobre, então não reclame de mim e sim da sua nobreza. — Gina se sentou em uma cadeira próxima a Harry.
— Eu não sou nobre. — Retrucou o garoto.
— É sim. — Falou Gina com simplicidade dando mais uma lambida em seu sorvete.
— Você acha que um nobre faria isso?
Quando Gina se virou para perguntar o que, Harry lambuzou a cara dela com seu sorvete estranho de cor acinzentada e tentou fugir rodando as rodas de sua cadeira com as próprias mãos. Gina, com a visão turva se levantou para revidar, mas tropeçou na calçada caindo no colo de Harry, que ao tentar não cair com ela da cadeira se virou para a ladeira e os dois despencaram ladeira abaixo no Beco Diagonal.
Em meio de gritos de susto e de Gina pedindo para ele parar, Harry conseguiu, por pura sorte, desviar-se de cada pessoas e obstáculo que apareceram na frente, os dois foram acabar parando só quando bateram nas paredes do Banco dos Bruxos, Gringotes.
— Você está bem? — Perguntou Harry com uma das mãos na costela.
— Sim! — Respondeu Gina com um gemido.
— Então dá pra sair de cima de mim, minhas pernas estão formigando e minhas costas doendo. —Pediu Harry em meio a vários gemidos.
— Ah! Claro, desculpe Harry. — Gina se levantou meio cambaleante e limpando o sorvete do rosto.
Harry se levantou com dificuldade e com a ajuda de Gina voltou a se sentar na cadeira de rodas.
— Da próxima vez me leve pra dar uma volta de vassoura. — Brincou Gina enquanto empurrava Harry até a loja dos gêmeos.
*Nota: Mab significa “Fada dos Sonhos”
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