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9. Capítulo IX


Fic: Uma dor chamada saudade


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Capítulo IX


*¨* A tired song keeps playing on a tired radio

Uma música cansada continua tocando em um rádio cansado
And I won't tell no one your name... no I won't tell 'em
your name

E eu não direi a ninguém seu nome... não direi a eles seu nome

I won't tell 'em your name...

Não direi a eles seu nome*¨*



- Desde o dia em que eu fui à sala de astronomia junto com Malfoy, eu fiquei extremamente receosa com ele. Acho que receosa não é bem a palavra... acredito que apavorada seja uma palavra melhor. Não demonstrava, mas sentia um calafrio ao chegar perto dele. Tinha medo por mim e pelos meus amigos, pois sabia que se houvesse uma oportunidade, ele não hesitaria em lançar uma maldição imperdoável contra nós. Malfoy era um aprendiz de Comensal da Morte e isso me assustava muito. Pensei em denunciá-lo diversas vezes, mas logo esses pensamentos me fugiam à mente, já que eu não tinha provas nenhuma quanto a isso. Pensei também em contar o que houve ao Rony e ao Harry, mas além de saber que eles iriam querer tirar satisfações com ele, eu sabia que essa história poderia atrapalha-los nas provas finais. Parece besteira, mas era muito importante para mim ver o Rony e o Harry indo bem nas provas da escola. Hoje eu me arrependo de não ter contado nada a ninguém.

Não sabia se era impressão minha, mas notei que o próprio Malfoy estava mais próximo à mim. Não próximo com afeto, pois ele continuava a me zombar sempre que tinha oportunidade, mas eu digo "próximo" no sentido de encontra-lo nos mais diversos lugares. Chegava a pensar que ele queria estar sempre nos mesmos lugares que eu. Eu sempre procurava descartar essa idéia, pois sabia que era absurda! "Um Malfoy atrás de uma 'sangue-ruim' como eu???". Na minha concepção isso só podia significar uma coisa: ele estava tramando algo contra mim. Cada dia mais eu ficava angustiada em não revelar nada ao Rony, pois sabia que me sentiria segura com ele ao lado. Guardei essa história comigo, como um sombrio segredo.

Cheguei a encontrar o Malfoy na biblioteca umas duas vezes. Ele nunca foi de freqüentar a biblioteca de Hogwarts antes e, agora, sempre estava lá. Ao mesmo tempo que eu tinha medo da companhia dele, eu tinha raiva de vê-lo tão perto de mim. Chegamos a discutir nas duas vezes que eu o encontrei lá.

"Vai ficar me perseguindo, é?" – eu perguntei a ele uma vez.

"Por favor, Granger. Eu seguindo você? Que bobagem!" ele me respondera. Mas, apesar dele negar, a verdade era que ele estava me perseguindo sim. A partir desta dia eu pude ter a certeza de que Malfoy procurava os mais simples motivos para estar perto de mim.

Ao mesmo tempo que ele estava se aproximando, ele estava ficando cada vez mais arrogante e sarcástico. Não podia me ver sem debochar do meu namoro ou me xingar de sangue-ruim. Com o tempo eu fui até me acostumando com isso e passei a não ligar mais para os deboches dele.

Nesta época nós estávamos no auge da guerra. Todos falavam de você-sabe-quem e seus comensais com extremo medo. Pais chegaram a tirar seus filhos da escola, procurando mais segurança. E alguns pais, pelo contrário, deixavam seus filhos em Hogwarts, pois todos achavam que ali estariam seguros. Doce ilusão, já que no último dia de aula os comensais da morte invadiram a escola.

- Foi quando Aquele-que-não-deve-ser-nomeado foi morto, não é? – perguntou Jaqueline.

- Exatamente! Foi neste dia que Harry o matou.

- Foi muita sorte a de vocês, sabe? A batalha pareceu ter sido muito difícil. – Sabe falava mansamente.

- E foi. – Hermione ajeitou-se em sua poltrona antes de prosseguir - Se não foi a maior batalha de todos os tempos, foi, pelo menos, a mais sangrenta. Muitos alunos e professores morreram lutando contra o mal. Houve muitas mortes também por parte dos comensais, já que só tínhamos duas escolhas: matar ou morrer. Vi garotas mais novas do que eu morrerem sem nem ao menos poderem revidar. Elfos domésticos corriam desesperadamente procurando abrigo, enquanto alguns deles eram lançados a metros de distância por feitiços perdidos. Primeiro-anistas choravam pelos cantos e gritos de horror eram ouvidos por todo o castelo. Eu, sinceramente, achei que não viveria para contar o que houve naquele dia a alguém, ainda mais quando recebi a pior de todas as maldições imperdoáveis: o Cruciatus. É a pior dor que pode existir. É uma dor que parece que vai lhe cortar a pele. Seus ossos parecem estar sendo moídos por uma força descomunal. Pensei que estava sendo cortada ao meio. Não conseguia nem enxergar, nem chorar... só podia ouvir de fundo a risada maligna da Lestrange enquanto me contorcia. A maldição não durou mais que alguns segundos, pois Rony conseguiu acertar um feitiço em Lestrange, mas, para mim, é como se hoje ainda pudesse senti-la. Um pouco antes de morrer eu ainda tinha pesadelos deste dia horrível. Enfim, foram os piores momentos de minha vida! Tudo isso que houve foi terrível, mas poderia ter sido muito pior se não fosse a ajuda de Malfoy.

- Como assim? Malfoy ajudou vocês??? – perguntou Jaqueline estarrecida.

- Neste dia, logo pela manhã, eu estava andando pelo corredores de Hogwarts até ao Salão Principal, quando vi o Malfoy correndo em minha direção desesperado. Como já disse, eu ficava receosa de estar perto dele, mas não tive tempo nem de dizer-lhe algo. Ele suava muito e lançou a mim um olhar de alivio assim que me viu. Ele se aproximou e começou a dizer umas palavras muito rapidamente. Não conseguia entender nada então pedi para que ele falasse mais devagar.

"Hogwarts será invadida hoje à noite." – ele disse um pouco mais calmo.

"O quê???", eu não havia assimilado o que acabara de ouvir. "Hogwarts será invadida? Como assim?". Ele ainda estava agitado, mas aos poucos ele voltou a parecer o Malfoy de sempre.

"Acabei de receber uma carta de meu pai, dizendo para que eu saísse daqui o mais rápido possível, pois os comensais invadirão a escola ao anoitecer", ele disse. Eu não estava entendendo porque Malfoy estava me dizendo isso. Na hora eu imaginei ser mentira, pois ele jamais me contaria uma coisa dessas.

"Você está mentindo", disse tentando seguir meu caminho. Então, ele segurou meus braços e falou quase numa súplica: "Estou falando sério, Granger. Acredita em mim". Eu não sabia o que dizer. Por mais que não quisesse acreditar nele, seu desespero me convencia.

"Por que está me contando isso?", perguntei por fim. Não queria que ele percebesse que eu estava acreditando nele, mas não consegui ser muito convincente.

"Não interessa o porquê. Apenas estou te avisando", Malfoy falou de um modo extremamente arrogante. Fiquei super brava com o jeito que ele disse a última frase, então, resolvi sair andando sem dizer nada. Por mais que não quisesse admitir, eu estava acreditando nesta história e precisava contar para alguém isso.

"Aonde você vai?", Malfoy voltou a falar em um tom de desespero quando me virei para sair.

"Vou contar essa história para o Rony e para o Harry", disse da forma mais banal possível.

"Você não vai fugir?", ele falou como se fugir fosse a saída mais sensata a seguir.

"Eu deveria? Se tudo isso que você contou for verdade, preciso ficar e lutar", eu disse.

"Não seja burra, Granger!!! Precisamos fugir!". Fiquei espantada ao ouvir ele dizer 'precisamos', no plural. Nunca imaginei que ele pudesse me colocar em seu plano de fuga. Fiquei estática alguns minutos, até que perguntei: "Precisamos...??? Como assim? Está louco?". Percebi que ele ficou sem fala. Parecia estar mantendo uma luta interna, onde ele selecionava silenciosamente as palavras que iria usar.

"Meu pai me ensinou uma passagem que dá até Hogsmeade..."

"... eu sei qual é.", disse impulsivamente e depois me arrependi, pois se Malfoy estava mentindo ele acabara de descobri que eu sabia como sair de Hogwarts sem ser notado. Mas, para minha surpresa, ele pareceu não se importar com isso e continuou falando.

"Irei para lá assim que todos os alunos forem para o Salão Principal para almoçar", ele disse. Então, de repente, entendi que ele estava fugindo mesmo. Tudo que ele dissera poderia ser realmente verdade.

"Não vai lutar?", perguntei depois de alguns segundos.

"Lutar? Está louca, Granger? Não sou como o perfeito-Potter que se mete em todas as brigas para ganhar prestígio do puxa-saco do Dumbledore. Eu sei que essa batalha é perdida", Malfoy falou naquele tom de voz arrastada que me irritava extremamente.

"Não fale mal do Harry!", eu disse.

"Vocês não podem ganhar", ele dizia ignorando completamente o meu último comentário. "Eles são comensais. São treinados para matar qualquer pessoa que atrapalhe seu caminho. Não seja estúpida e fuja comigo".

Esta última frase de Malfoy, confesso, me pegou de surpresa. Nunca, em toda minha existência como bruxa, poderia imaginar que Draco Malfoy diria para eu fugir com ele. Ao meu ver, ele também não estava acreditando em suas próprias palavras. Parecia que o som de sua voz saia sem sua ordem.

"Eu não vou com você!", disse um pouco ríspida. Não conseguia acreditar que ele estava pensando em fugir sem nem ao menos lutar. Sem nem ao menos defender seus amigos. Tá certo que ele não tinha amigos, mas seria muita covardia da parte dele partir sem nem ao menos tentar.

"Então você não vem?", disse por fim.

"Não, vou ficar e lutar e você devia fazer o mesmo", eu falei.

"Não aceito conselhos de Sangues-Ruins estúpidas como você", ele parecia um pouco ressentido. Ignorei por completo esta última frase dele e corri em disparada até o Salão Principal, onde sabia que iria encontrar Rony e Harry.

- Então foi o Malfoy que alertou vocês? Sobre a invasão, sabe? – Sabe falou mais em tom de afirmação do que de interrogação.

- Sei que, a essa altura, é péssimo admitir isso, mas, se não fosse a ajuda dele, nós talvez tivéssemos perdido.

- Mas a que, afinal, ele se referia quando disse para o Jona que você tinha feito algo para ele, no seu último ano de escola, que ele nunca esqueceria? – disse Jaqueline impaciente.

- Era o que eu ia explicar agora.

- Mas que pressa! – agora fora a fez de Sabe falar – Espera a amiga aqui terminar, sabe?

- Desculpa, mas é que estou curiosa!

- Quando Harry venceu a batalha contra você-sabe-quem e a guerra enfim acabou, todos os aliados do bem ficaram à caça de comensais sobreviventes, supostos comensais e também de pessoas que ajudaram às trevas de algum modo. Todos que eram pegos passavam por um julgamento, quase sempre liderado por Dumbledore, onde seria decidido seu destino.

- Foi o que aconteceu com Cornélio Fudge, não é? – Jaqueline perguntou.

- Isso. Foi descoberto que ele financiou muitos atentados contra bruxos da ordem da fênix. Ele e Lúcio Malfoy também mantiam uma parceria que visava fazer um grande desvio de dinheiro dos cofres do ministério para aquele-que-não-deve-ser-nomeado.

- Falando nisso, o que houve com Lucio Malfoy, sabe?

- Morreu lutando em nome de seu 'lorde'. Ele foi um dos Comensais que invadiram Hogwarts. Acredito que ele fosse um dos principais, pois ele parecia chefiar os outros. Foi ele quem matou o professor Snape, mas não antes de ser fortemente estuporado da torre do castelo. Soube que Narcisa Malfoy se matou após saber da notícia. Enfim, depois disso tudo, o prestígio da família Malfoy se findou. Todos associavam o nome dessa família com Comensais da morte e quem mais sofreu com isso foi o único Malfoy vivo, isto é, Draco Malfoy.

- Agora me lembrei, Draco Malfoy era um aprendiz de Comensal, não é? Então ele passou por um julgamento? – Jaqueline falou de uma maneira empolgada como se tivesse descoberto algo inédito.

- Sim, e foi a partir deste julgamento que ele ganhou um grande afeto por mim.

- Como assim? – perguntaram Sabe e Jaqueline quase ao mesmo tempo.

- Passada umas semanas, a Ordem da Fênix foi informada de que o Malfoy estava escondido em uma pequena cidade ao norte do Reino-Unido. Houve uma enorme comoção por parte da população bruxa e pela imprensa, pois todos queriam, de certa forma, descontar todos os maus, que Lucio fez, no filho. Malfoy foi detido e mantevesse preso até o dia de seu julgamento. Todos estavam contra ele, pois quem fora das trevas e não havia sido descoberto jamais poderia defender Malfoy sem se denunciar. Malfoy estava sozinho, como sempre fora!

- Coitado! – exclamou Jack piedosamente.

- Coitado nada, amiga. Ele fez muitas coisas erradas antes e depois disso. Merecia ter sido preso mesmo, sabe? – Sabe já não falava com uma voz mansa, pois agora elevara ligeiramente o tom.

- Conversei com Rony e Harry antes do julgamento, dizendo que não podíamos deixar o Malfoy ser condenado, pois apesar de não gostarmos dele, devíamos a nossa vitória a ele.

"Não diga besteiras, Mione. Devemos a nossa vitória ao Harry, que venceu você-sabe-quem", Rony me corrigiu uma vez. O Harry não gostava de ouvir dizerem que ele fora responsável pela vitória. Sempre dizia que fora "a equipe".

O dia do julgamento do Malfoy foi marcado e notei que Rony e Harry estavam, de certa forma, animados com isso. Eu me lembro que fiquei extremamente irritada com Rony, pois não era certo fazermos isso com alguém, mesmo que esse alguém fosse um dos nossos inimigos. Tentei falar com Dumbledore também, mas ele só dizia que "as verdades seriam ouvidas e era isso que importava". Comecei a me desesperar, pois não suportaria o peso na consciência de que mandaríamos alguém do "bem" para a prisão. Minha situação piorou ainda mais quando descobri que Malfoy não tinha testemunhas de defesa e que, dentre as testemunhas de acusação estavam Rony e Harry.

Sabia que se alguém pudesse fazer algo por Malfoy, esse alguém era eu. Entrei num dilema, não sabia se iria contra todos os meus amigos e defendia um inimigo, ou se ficava calada e deixava Draco Malfoy ser condenado. Sabia que, mesmo que me arrependesse depois, precisava testemunhar a favor do Malfoy.

- Você defendeu o Malfoy???- Jaqueline estava incrédula.

- Defendi. – Hermione falou com uma voz fraca - O julgamento transcorreu em direção à condenação dele. Todas as testemunhas entravam e saiam dizendo que ele mexia com Maldições Imperdoáveis e que ele mantinha contato freqüente com o pai Comensal. Rony e Harry contaram para os jures as maldades que Malfoy fazia na escola. Até Crabbe e Goyle, a trupe de Malfoy, denunciaram armações planejadas por ele. Tudo estava indo muito mal.

Lembro-me como se fosse hoje a expressão de surpresa do Rony quando Dumbledore me chamou como testemunha de defesa. Ninguém, com exceção do diretor, sabia que eu iria testemunhar pelo Malfoy. Ele mesmo me lançou um olhar diferente de todos os outros que já me lançara antes... algo muito parecido com orgulho. Provavelmente orgulho por eu ter ficado, pela primeira vez, contra o Rony e o Harry.

- Falando neles, como eles reagiram com essa sua decisão, sabe? – perguntou Sabe.

- Da maneira pior possível. Eu me lembro que o Rony ficou semanas sem falar comigo. Ele ficou magoado, pois tomei essa decisão sozinha. Não que ele quisesse mandar em mim, lógico que não, mas ele queria participar de certa forma da minha vida. Tinha todo o direito, pois sei que eu ficaria super irritada se fosse o contrário: ele tomar esta decisão sem mim. Depois de algumas semanas separados, ele me procurou e nós fizemos as pazes. Foi nesta época que começamos a preparar de vez o casamento.

- O Malfoy foi inocentado por sua causa, e daí? – perguntou Jaqueline extremamente curiosa.

- A vida continuou. Os preparativos do casamento me ocupavam todo o tempo até começarem as aulas em Hogwarts. Quando começaram as aulas, eu estava tão animada. Parecia que era meu primeiro dia... bem, de certa forma era, já que era meu primeiro dia como professora.

Nunca imaginei ser professora de Defesa Contra as Artes das Trevas antes. Já havia me imaginado dando aulas de Tranformação, que era minha matéria preferida, mas quando professora McGonnagall me ofereceu a vaga de D.C.A.T., na minha festa de formatura, eu não pude recusar. Ela me disse que ficaria muito feliz se eu estivesse ao lado dela até ela tomar a decisão de se aposentar, dando a vaga de mestre em Transformação à mim. Eu estava radiante com a idéia.

Tudo transcorria bem. Estava feliz com Rony e ansiosa com o casamento. Minha família estava mais entrosada com os Weasley do que nunca. Harry havia conseguido uma vaga no time juvenil da Inglaterra e Rony havia sido promovido à Chefe de Departamento de Eventos Esportivos. Preparei as primeiras aulas semanas antes dos alunos chegarem e até os pesadelos com o dia da invasão à Hogwarts tinham diminuído. Estava feliz, muito feliz. Até que descobri quem era o novo professor de Poções de Hogwarts.

- Draco Malfoy! – disseram Jack e Sabe quase em um coro.

- Pois é. Eu estava em minha sala, arrumando os últimos preparativos para as aulas, quando Malfoy entrou. Eu me assustei com a presença dele. Não o via desde o julgamento.

"Assustada, Granger?", ele perguntou após ver o pulo que eu dei na cadeira.

"Não, eu só... o que faz aqui???", perguntei. Não estava entendendo nada.

"Sou um companheiro de trabalho seu.", ele falou com aquele sorrisinho que me irritava muito. Ele estava me deixando cada vez mais confusa, então, eu perguntei o que ele estava querendo dizer com isso.

"Sou o novo professor de Poções", ele falou sem muito entusiasmo. Havia pensado nestes dias quem iria substituir Snape nas aulas, mas havia esquecido de perguntar isso à McGonagall. Conclui que era perfeitamente razoável Draco Malfoy ser o novo professor, já que ele era muito bom nesta matéria em época de aula. Só que essa possibilidade não passou por minha cabeça antes porque nunca imaginei que ele fosse aceitar isso.

- Mas aceitou! Por quê? – Jaqueline ficou pensativa.

- Com a queda do prestigio de sua família, Malfoy não teve outra escolha a não ser aceitar a ajuda de Dumbledore.

- Faz sentido, sabe? Ainda mais que, como você disse, todos estavam contra ele e, por isso, ele não encontraria serviço nenhum. – Sabe falava mansamente de novo.

- Ele se tornou um bom professor de Poções, era extremamente injusto e arrogante, mas conhecia poções como ninguém. Cheguei a ouvir uma vez uns alunos falarem que achavam que ele havia aprendido todas essas poções com o pai comensal.

- Provavelmente, sabe!!! – disse Sabe levantando o tom de voz novamente.

- Deixa ela continuar, Sabe!!!!!! – Jaqueline já estava no cúmulo da curiosidade.

- Tá, tá certo. Continua, amiga. – Sabe voltou a falar amavelmente.

- Lembram que eu falei que Malfoy começou a me perseguir antes de acabar as aulas? – Sabe e Jack assentiram com a cabeça – Quando nós nos tornamos professores, essa impressão de que ele estava sempre me circundando só aumentou. Eu o encontrava em todos os cantos que ia. Às vezes achava que ele tentava, da forma dele, se tornar até amável comigo. Desde essa época, eu nunca mais o ouvi me chamar de 'sangue-ruim'. Não gostava da idéia dele estar tão diferente comigo, mas conclui que era somente uma gratidão inconsciente por parte dele.

Quando faltavam apenas algumas semanas para meu casamento com Rony, Hogwarts inteira estava agitada, pois eu não poderia casar sem convidar meus alunos. Os comentários eram gerais: meninas falavam de vestidos e meninos falavam de meninas. Toda essa história me deixava mais ansiosa ainda. Não via a hora de me tornar uma Weasley.

Foi nesta época que Malfoy se tornou diferente. Ficava sarcástico quando algum aluno comentava do casamento perto dele e passou a soltar indiretas para mim.

- Indiretas? – perguntou Jack.

- Agora é você quem está interrompendo, sabe?

- Desculpa, continue logo!

- Ele comentava que "...nunca gostara de trouxa antes, mas que eu era diferente", dizia que "...o Weasley não te merece" e por aí afora. Na época eu não entendia o porquê daquelas frases, mas hoje entendo que ele finalmente havia percebido que estava gostando de mim.

- E quando você percebeu que ele gostava de você, sabe?

- No dia do meu casamento! – Hermione começou a falar com um olhar perdido - Eu recebi licença de três dias de Dumbledore para preparar as últimas coisas. Verifiquei pessoalmente todo o bufê (não queria que tivesse elfos domésticos trabalhando), escolhi a dedo as flores da decoração, encomendei o bolo na melhor confeitaria do Beco Diagonal (apesar dos protestos de mamãe e Senhora Weasley, que o queria fazer) e, o principal, o vestido de noiva. Meu vestido era lindo! Era exatamente como havia sonhado... perfeito!!!

- Que lindo! – disse Jack com uma voz sonhadora.

- Realmente, tudo estava lindo. Eu estava animada, mas, ao mesmo tempo, estava atrapalhada. Não conseguia nem se quer fechar um botão no dia do casamento. Gina me ajudou a colocar o vestido, mas, como ela era minha madrinha, precisava 'voar' para o altar. Ela saiu rapidamente do quarto onde eu estava e me deixou sozinha. Eu me olhei no espelho incrédula com o que eu via: uma Hermione diferente, uma Hermione madura e até uma Hermione mais bonita. Estava radiando felicidade e nem ouvi baterem na porta duas vezes, só percebi quando a abriram vagarosamente. Por instantes imaginei que fosse Gina, mas assim que Draco Malfoy entrou, aquele calafrio que eu sentia quando estava perto dele me tomou novamente. Ele estava vestido com roupa social e tinha um olhar triste quando falou: "Você vai casar mesmo?". Eu estava incrédula. Não conseguia falar nada.

"Você está bonita", Malfoy falou depois de uns minutos de silêncio. Eu não o estava reconhecendo, pois além de estar me elogiando (coisa que ele nunca fazia) ele tinha um olhar perdido e falava como um... como posso dizer... um louco. Fiquei com medo quando ele se aproximou. Juro que me xinguei mentalmente por não estar com minha varinha por perto. Ele se aproximou e chegou a passar as mãos pelos meus cabelos antes de eu me afastar.

"O que você quer, Malfoy?", perguntei meio nervosa.

"Pedir para que você não case", Malfoy falou mais composto. Estava com seu tom arrastado e arrogante de novo.

"Não casar??? Está louco???", eu estava começando a me exaltar quando a Sra Weasley entrou no quarto. Ela olhou preocupada a cena assim que colocou a cabeça para dentro.

"Algum problema, querida?", a Sra Weasley nunca fora muito com a cara de Malfoy e provavelmente ficou assustada ao vê-lo. Eu disse para ela que estava tudo bem e ambas saímos da sala, deixando Malfoy parado perto da porta.

Depois que eu e o Rony nos casamos, eu fiquei o mês de novembro inteiro de licença para a lua-de-mel. Não contei nada para o Rony sobre o Malfoy, pois achei que não havia necessidade de preocupa-lo com isso. Achava que Malfoy provavelmente se arrependeria pelo que fez e voltaria a me tratar com desprezo agora que eu era casada.

- Mas como foi? – Jack, a essa altura, já estava roendo suas unhas.

- Assim que cheguei da lua-de-mel, eu voltei a dar aulas. Estava tão atarefada que só via o Malfoy no Salão Principal durante as refeições. Estava começando a perder a sensação de receio quando o via. Achei que minha vida estava tomando rumo finalmente.

Depois que a correria das provas passaram, Malfoy voltou a se aproximar novamente. Eu fingia não reparar os olhares que ele me lançava, apesar de continuar me xingando sempre que podia. Foi nesta época que a escola estava se aprontando para mais um Baile de Inverno. A escola estava em polvorosa com a ansiedade dos alunos. Eu, particularmente, preferiria ficar no meu quarto a noite toda, mas Gina estava me incentivando muito a ir. Acabei sendo convencida, mas estava com a pretensão de ficar somente um pouco na festa, já que dia seguinte era sábado e eu iria voltar para casa para ver o Rony.

Estava tudo muito animado, quando cheguei. Muitos casaizinhos dançavam no centro do Salão e outros estavam sentados nas mesinhas que circundavam o lugar. Avistei, assim que entrei, a mesa onde estavam sentados todos os professores, inclusive Malfoy. Acabei me animando pela empolgação de todos os outros professores. Não pareciam tão sérios e responsáveis como eu imaginava até o ano anterior, quando eu ainda estudava. Flitwick e Sprout eram os mais animados e até a Trelawney, com quem eu aprendera a conviver, estava mais alegre depois de uns oito copos de cerveja amanteigada.

Eu evitava olhar para Malfoy, que estava do meu lado, apesar de notar um olhar ou outro que ele me lançava. A uma certa altura do baile, começou a tocar uma música lenta. Vi diversos casais se levantarem e irem em direção ao centro. Na nossa mesa, Dumbledore foi o primeiro a convidar McGonagall para dançar e assim que eles se levantaram diversos outros os imitaram. Binns chegou a me convidar para dançar, mas nem imagino como seria dançar com um fantasma, então, recusei. Aos poucos todos os professores foram para o centro do salão, sobrando à mesa somente eu, Malfoy e Trelawney totalmente bêbada depois de quase doze copos de cerveja.

Enquanto Trelawney falava frases sem nexo sobre um fim apocalíptico que ela estava prevendo para aquela noite, Malfoy puxou assunto comigo.

"Como foi a viagem?", ele me perguntou.

"Boa.", eu não estava com vontade nenhuma de conversar.

"E o pobretão do Weasley? Como ele se comportou durante a lua-de-mel, Granger?", ele perguntou com aquela voz irritante. Senti meu sangue ferver quando ouvi o que ele disse. Acho que essa era a intenção dele, pois ele sorriu quando eu me virei para olha-lo.

"Não chame meu marido assim!!! E tem outra coisa, não quero que você me chame de Granger, pois agora sou uma Weasley. Está entendido?!?!". Eu estava muito nervosa e me lembro que até mandei a Trelawney calar a boca quando ela disse pela terceira vez que eu ia morrer quando um dragão comesse minha cabeça.

"Calma! Não precisa ficar nervosa", ele falava e eu prometi a mim mesmo que eu o transformaria em uma doninha quicante se ele falasse comigo com aquela voz arrastada novamente. "Se não quer que eu a chame de Granger, tudo bem. Só não precisa descontar sua raiva na pobre da Trelawney, Hermione. Coitada!". Juro que quis esgana-lo ao ouvi-lo me chamar de 'Hermione'.

"O que você quer, Malfoy? Primeiro você aparece no meu casamento e pede para eu não casar e agora fica tentando me irritar. Diga-me o que você quer, afinal?", eu já estava de saco cheio desse joguinho. Queria resolver tudo de uma vez por todas, mas a resposta que ele me deu me deixou estática: "Você!". Não sabia o que dizer e mesmo que soubesse tenho certeza que meus lábios não iriam obedecer minhas ordens. Nesse exato momento Dumbledore voltou todo arfante junto com McGonagall. Ouvi vagamente ele falar para Trelawney parar de beber, pois eu estava quase em estado de transe. Não estava acreditando no que eu acabara de ouvir. Reparei que Malfoy também ficou extremamente desconcertado e, logo em seguida, inventou uma desculpa e foi para seus aposentos.

- Nossa, amiga, que situação, sabe? – disse Sabe docemente.

- Depois disso, eu ele me evitou. Chegou o Natal e eu fui para casa ainda preocupada com essa situação do Malfoy. Mas minhas preocupações acabaram quando fiquei sabendo que estava grávida. Nunca me senti tão feliz em toda minha vida. Lembro-me que fiquei desconfiada da gravidez por algumas semanas, aí quando os resultados dos exames saíram eu chorei de felicidade. Meu prazer só foi maior quando vi a emoção do Rony quando soube da notícia. Ele parecia um bobo. Ficou passando as mãos na minha barriga durante horas. Eu e ele ficamos fazendo planos e mais planos de como nossa vida ia ser depois que o bebê nascesse. Nunca fui tão paparicada em toda minha vida. Todos os Weasley me tratavam como uma criança e minha mãe vinha todos os finais de semana ver se eu estava comendo direitinho.

- Que legal! – Jaqueline falava abraçada às pernas.

- Não sei como, mas assim que voltei às aulas, toda Hogwarts já estava sabendo da gravidez. A maioria dos alunos sempre me traziam doces e as meninas sempre pediam para passar a mão na minha barriga. Estava sendo paparicada por diversas pessoas, mas a pessoa mais me mimava era a pessoa que eu menos esperava. Draco Malfoy ficou muito atencioso comigo assim que soube da gravidez. Sempre controlava minha alimentação, não deixava eu ficar na minha sala preparando aula até tarde, me dava sua cadeira sempre que eu entrava no Salão Principal e ficava me fazendo poções quando eu me sentia enjoada. Apesar dessa atenção toda dispensada à mim, eu estava preocupada, pois sabia que Malfoy estava gostando de mim e eu não queria alimentar suas esperanças. Sempre que eu podia, eu tocava no nome do Rony, para que Malfoy nunca se esquecesse que eu tinha um marido, mas apesar disso, ele parecia ignorar por completo esse fato.

Um certo dia, Malfoy apareceu na minha sala, como era de costume, dizendo para eu ir dormir que já era tarde. Esse cuidado todo estava começando a me irritar e eu decidi perguntar a ele, da maneira mais amável possível, por que ele estava fazendo tudo isso por mim.

"Porque você está grávida, Hermione", ele falou como se isso fosse a coisa mais óbvia do mundo. Sempre me irritava ouvi-lo me chamar pelo primeiro nome, mas isso já havia se tornado um costume.

"Isso eu sei, Malfoy. O que eu quero saber é por que você mudou seu tratamento comigo por causa da gravidez?", perguntei a ele como se estivesse falando com um aluno do 1º ano. Lembro-me que ele me olhou de uma maneira loucamente bondosa antes de falar. "Por que tenho que cuidar da mãe do meu filho, sua boba".

"Mãe do quê?", eu jurei para mim mesmo que eu não estava ouvindo direito.

"Vamos, Hermione, você precisa descansar. Seu semblante está péssimo de tanto trabalhar", ele ainda falava com uma voz louca, me conduzindo até à porta.

"Malfoy, o que você está dizendo? Eu sou casada", tentei falar sem me exaltar. "Vou ter um bebê...".

"Eu sei, e nós sermos muito feliz: eu, você e nosso filho", ele falou. Eu estava começando a me assustar com ele. Aquele calafrio começou a me tomar novamente. "Você não está dizendo coisa, com coisa", eu falei.

"Como assim? É você quem não está bem. Venha comigo, querida, que eu te acompanharei até seus aposentos.", ele falava com uma voz cada vez mais doce e louca.

"Solta, Malfoy. Ouça, eu sou casada com o Rony e esse filho que eu estou esperando é dele", eu falei olhando para ele nervosamente. Malfoy pareceu não prestar atenção no que eu disse. Ele se virou e disse: "Pobrezinha. Eu sei porque você está assim. É porque pensa que eu não te quero mais depois desta gravidez, mas para provar que quero ficar com você para sempre quero que você diga sim ao meu pedido".

"Pedido?", eu estava desconcertada com toda aquela conversa. Aí ele segurou meu rosto e perguntou se eu queria casar com ele.

- Creedooo!!! – Jack exclamou chocada.

- Como aquele cretino pode ser tão nojento, sabe? – disse Sabe indignado.

- Ele estava enlouquecendo. Não foi de uma hora para outra, não. Desde que ele perdeu toda sua fortuna e seu prestigio, sua mente vinha definhando. Ele vinha demonstrando isso há um tempo, mas eu fingia não perceber.

- O que houve depois disso? – Jack perguntou.

- Eu decidi pedir demissão no dia seguinte. Não queria estar perto dele depois do que ele disse. Dumbledore ficou preocupado com minha decisão repentina, mas depois que eu disse que o motivo era umas indisposições por cauda da gravidez, ele acabou concordando. Fui para casa e Rony ficou extremamente feliz com minha decisão. Ele falou que estava se sentindo muito mal por não estar podendo acompanhar em tempo integral a gravidez. Ele passava todo os dias depois do trabalho em uma doceria e numa floricultura, trazendo sempre muitos doces e lírios para mim. Oh, como eu adorava isso!!! Procurei me distrair montando o quartinho do Jonathan. Tinha certeza que iria ser menino, não sei porque. Não deixei Rony dar palpite no nome do bebê, pois meu sonho sempre foi dar o nome de Jonathan ao meu primeiro filho. O Rony nem me contrariou e ficou decidido assim.

Passaram-se dois meses desde que saí de Hogwarts e as únicas notícias que eu tinha da escola eram por cartas que alguns alunos ainda me mandavam. Não estava a fim de me interagir com os acontecimentos da escola, muito menos que relacionavam Draco Malfoy, então, ocupava meu tempo o máximo que podia. Estava feliz! Estava casada com o homem que mais amava no mundo e, para completar, estava gerando o fruto deste amor dentro de mim. Esqueci, aos poucos, os acontecimentos passados com Malfoy.

Mas, em um certo dia, eu estava sozinha em casa lendo as cartas de alguns alunos, quando ouvi a campainha tocar. Até cheguei a pensar que fosse o Rony chegando mais cedo do serviço, mas o relógio da casa marcava que ele estava ainda no ministério. Perguntei quem era na porta, mas ninguém respondeu. Abri lentamente a porta e vi, parado do lado de fora, o Malfoy. Fazia meses que não o via, então, perguntei espantada o que ele estava fazendo ali. Ele pediu para entrar. Hesitei por um instante, mas deixei.

"O que quer?", eu perguntei.

"Gostaria de saber sua resposta, Hermione.", ele respondeu. Senti meu sangue subir à cabeça quando o ouvi me chamar de 'Hermione'. Não queria intimidades com ele, então, pedi para ele não me chamar assim.

"Já lhe disse diversas vezes, Malfoy, que não quero nada contigo. Sou casada! Por que insiste?", falei me irritando cada vez mais.

"Porque te amo", eu ouvi ele dizer. Senti um nojo ao ouvir isso. Aquela história já tinha passado dos limites então eu falei que ele não me amava.

"Não sabes o que sinto. Você não pode afirmar o que não sabe.", ele disse um pouco ressentido. Ele tentou se aproximar de mim e segurar minhas mãos, mas eu me desvencilhava dele. Eu queria distância.

"Eu amo meu marido e estou esperando um filho.", falei exaltada.

"Um filho nosso!", ele falava com aquele tom louco na voz, que eu já descrevi. Eu senti, por instantes, pena dele, apesar do calafrio que me corria o corpo. Eu me aproximei dele cautelosamente e falei: "Malfoy, você precisa de ajuda. Você não está bem. Nós não temos e nem nunca tivemos nada. Esse filho aqui é do Rony Weasley, meu marido. Lembra?". Neste instante vi o sorriso sumir dos lábios dele. Ele abaixou a cabeça e começou a murmurar coisas sem nexo, andando pela casa. Fiquei preocupada com ele, ele estava extremamente abalado. Ainda tentei me aproximar dele para acalma-lo, mas ele me encarou com os olhos lacrimejantes e começou a perguntar aos gritos por que eu estava fazendo isso com ele.

"Isso o quê?", eu perguntei num sopro de voz.

"Você me provoca e depois me abandona?", ele estava me assustando pela maneira que ele falava. "Isso não se faz!!!!!!", ele gritava. Comecei a ficar apavorada por mim e pelo filho que estava esperando. Não sabia o que Malfoy seria capaz de fazer naquele estado. Procurei com o olhar minha varinha e a achei em cima da mesinha central da sala a uns metros de distância.

"Aceitei esse emprego nojento em Hogwarts por você, para ficar mais perto de você e é assim que me agradece?!?!", ele dizia ainda aos berros.

"Malfoy, você não tem mais dinheiro. Por isso você aceitou o emprego", eu falava caminhando devagar até minha varinha.

"Não, você está enganada! Eu aceitei por que te amo", ele dizia se aproximando. "Posso dar de tudo para você e para nosso filho, Hermione", ele falava enquanto cariciava meu rosto. Tentei me soltar dele, mas ele era mais forte que eu. Ele dizia coisas sem nexo e tentava me beijar à força. Eu gritei, mas minha casa era muito isolada, não tinha vizinhos. Minha varinha estava muito longe. Estava ficando desesperada. Ele beijava meu pescoço enquanto me segurava fortemente pelo braço. Batia nele, mas minhas forças eram mínimas perto da dele. Fiquei apavorada e procurava algo para me defender. Passei minhas mãos pela cômoda em qual estava encostada e senti um metal frio roçar minhas mãos. Não hesitei e o enfiei no rosto de Malfoy. Somente quando ele se afastou, gritando de dor, que eu pude ver o que era aquele instrumento que eu usei para me defender: o abridor de carta que eu estava usando pouco antes dele chegar. Ele sangrava muito e suas vestes estavam se encharcando de vermelho. Ainda fiquei assistindo àquela cena horrenda até que percebi que precisava pegar minha varinha, mas antes que pudesse alcança-la, Malfoy foi em minha direção com sua própria varinha apontada para mim.

"Não devia ter feito isso, Granger!", ele falava com a mão cobrindo o pedaço do rosto que antes estava com um abridor de cartas enfiado. "Isso dói, sabia? E não estou dizendo do machucado, estou falando do que você fez comigo neste último ano. Por que me defendeu no tribunal se não gosta de mim, hein???? Pena?!?! Ou você é igualzinha àqueles perdedores que só querem aparecer as custas dos outros? Você me decepcionou muito, Hermione. Podíamos ser felizes. Sim, podíamos. Eu, você e nosso filho. Mas não... Você prefere ficar com o pobretão do Weasley.", ele parecia um louco. Estava com o os olhos, cheios de lágrimas, fixos em mim. Estava apavorada. Pensei que iria morrer naquele momento e só no que pensava era no meu filho que estava ali, dentro de mim.

"Você nega mais sei que me ama. O que nos impede de ficarmos juntos é essa criança, não é? Você não me deixa outra escola, Hermione. Terei que sacrificar nosso filho, pelo nosso amor.", falava enquanto apertava fortemente a varinha. Eu me desesperei! Comecei a chorar descompassadamente e a implorar pela vida do meu filho. Tentei mais uma vez alcançar minha varinha, mas só me lembro de ouvir Malfoy gritar "Forcius Envecti!" e uma forte rajada de luz branca me lançou a uns metros de distância.

Fiquei caída no chão sentindo uma dor aguda na barriga. Senti medo! Medo do que estava acontecendo com meu filho! Sempre tive um amor imenso por aquele pequeno ser que estava no meu ventre. Amei Jonathan a partir do momento que soube que ele estava dentro de mim. E, naquele momento, pensar que algo de mau pudesse estar acontecendo a ele... era terrível! Não conseguia enxergar, tamanha a dor. Era uma dor que parecia vir de dentro, como se estivesse me cortando internamente. Gritava, gritava muito de dor e medo! Senti uma mão contornar meu ombro e ouvi Malfoy falar mansamente para eu me acalmar que tudo isso ia passar. Senti ser levada até o sofá. Eu chorava, chorava muito, pois sabia que algo horrível estava acontecendo com meu filho. Aos poucos a dor foi diminuindo. Fui sentindo minha visão voltar e na minha frente estava Malfoy chorando como um bebê. Explodi em raiva e gritei com ele, perguntando o que ele tinha feito.

"Desculpe...me desculpe...o que eu fiz???", ele falava como um louco. Eu não conseguia parar de chorar. Gritei muito para ele sair. Não queria ele ali do meu lado. Ele disse algo que não ouvi e saiu depois que beijou minha mão. Não sei dizer a vocês quanto tempo fiquei ali, deitada no sofá, chorando enquanto passava as mãos em minha barriga, em uma tentativa desesperada de sentir vida dentro do meu ventre. Jurei a mim mesma que se Malfoy tivesse matado meu filho, eu iria machuca-lo com minhas próprias mãos.

Aos poucos fui tomando consciência própria, como se saísse de um transe. Não iria adiantar nada ficar naquele estado. Eu, que sempre fui tão racional, naquele momento nunca estivera tão perdida. Levantei-me do sofá e fui até a cozinha. Decidi que pesquisaria sobre este feitiço que Malfoy havia lançado ao meu filho. Prometi a mim mesma que iria achar um contra feitiço (se fosse um feitiço mesmo) e iria salvar a vida de meu filho. Estava tão atordoada que nem ouvi o Rony chegar do serviço. Eu estava limpando um respingo de sangue do Malfoy, que tinha caído em minha roupa. Ele ficou preocupado com a bagunça da sala e com as manchas de sangue em minha roupa, mas, mesmo sabendo que deveria ter contado toda a verdade ao Rony, eu não contei.

- Como você fez, amiga, para achar a cura? – Jaqueline já estava comendo as unhas de nervoso.

- Eu passei o resto dos meses de gravidez procurando em todos os lugares possíveis e imaginários qualquer coisa que pudesse me ajudar, ajudar meu filho. Por mais que procurasse, não conseguia achar nada sobre este feitiço que Malfoy havia lançado a mim. Ficava cada dia mais desesperada, principalmente porque não sentia meu filho se mexer ou chutar dentro de minha barriga. Eu estava enlouquecendo!!! Fiquei séria, estúpida, chorosa... O Rony, coitado, sempre me perguntava o que eu tinha, mas o máximo que eu conseguia fazer era chorar no ombro dele. Não falei nada para ele, pois eu tinha esperança disso tudo ser um pesadelo do qual eu iria acordar a qualquer momento. Mas o tempo passava e eu continuava sem saber o que Malfoy tinha feito comigo.

Foi quando eu lembrei que o Malfoy mexia com artes das trevas e que, infelizmente, era muito provável que o "Forcius Envecti" fosse algo ilegal. Procurei em todas as bibliotecas disponíveis de Londres, mas nada. Até que um dia fui ao Ministério da Magia, com uma desculpa qualquer, e achei um grosso livro falando sobre a "Maldição Debilitante". Entendi o porquê eu não estava achando nada antes, pois eu procurava um feitiço sendo que na verdade era uma Maldição. Esta Maldição tirava, gradativamente, os poderes de bruxos e poderia, por isso mesmo, matar.

Não achei registros quanto a ter vitimas que nem ao menos tivessem nascido, por isso não sabia o que fazer quanto a Jonathan, que, provavelmente, ele era o primeiro caso de vitimas não nascidas. Foi por esse fato ser inédito, que eu criei uma esperança dentro de mim, pois talvez houvesse uma remota chance de vida a ele. A cura era uma lenda, mas eu precisava encontra-la. Precisava encontrar vida para Jonathan. Sabia que se existisse uma cura para essa maldição, com certeza o Ministério da Magia a possuía.

- Você roubou a cura do ministério? – Jaqueline perguntou alarmada.

- Não diga "roubar", amiga! Diga que ela "pegou emprestado", sabe? – Sabe defendeu Hermione.

- Fui escondida até o Departamento de Mistérios e lá eu encontrei a "Poção Habilitante", isto é, a cura para a Maldição de Jonathan, mas a cura só poderia ser feita com a transmissão de poderes mágicos.

- Isso quer dizer...

- Isso quer dizer que eu doei meus poderes, isto é, minha vida pela vida de Jonathan. Na hora do parto dele, eu bebi a poção e morri por meu filho.

- Mas, amiga, você tem poderes. Quando nós fugimos do Conselho Divinal você usou magia, sabe? Nós vimos. – disse Sabe moderadamente.

- Isso porque hoje eu tenho poderes.

- Como assim? – Jaqueline estava confusa.

- Assim que cheguei ao Limbo, meu Pescador de Ilusões me encaminhou até o Departamento de Assuntos Divinos Extraordinários, onde se realizou meu julgamento. Foi um julgamento especial, já que, como eu tinha doado minha vida a Jonathan, meu destino era o de me tornar uma Estrela. Eu relutei muito ao saber que não podia estar perto da minha família. Queria estar perto de Rony e queria também proteger Jonathan de Malfoy, pois sabia que ele continuaria com essa loucura de ser pai dele.

- Mas, o Malfoy não disse para o Jona que era pai dele. – disse Jaqueline.

- E isso é o mais estranho.

- Talvez ele tenha se curado, sabe?

- Não, Malfoy não é bom. Ele provavelmente está planejando algo para Jonathan. Eu o vi matando meu filho.

- Você viu o Malfoy matando o Jona? – perguntou Jack alarmada.

- Depois que o Conselho Divinal concordou em eu ser a Guardiã de Sonhos de Rony e Jonathan e eu ganhei poderes mágicos novos, eu vi o futuro de meu filho. Eu assisti uma cena que até hoje não consigo tirar de minha mente. Ela mostrava o Jonathan caído inerte no chão desta casa com Draco Malfoy em pé ao lado de seu corpo. E desde então eu venho tentando protege-lo desta morte precoce. Não me arrependo de nada que fiz para mantê-lo à salvo.

- Como você pretende ajuda-lo agora que nós somos fugitivos do Conselho Divinal? – Jack perguntou.

- A cena que eu assisti no julgamento era aqui, nesta casa, então, acho que podemos nos preparar e mudar este tal "destino".

- Podemos ajudar, amiga? –perguntou Sabe animadamente.

- Precisamos trazer o Rony para cá. Só ele pode defender o Jona do Malfoy.

- E como faremos isso, já que ele não vem aqui a mais de uma década? – Jack quis saber.

- Usaremos alguma desculpa para que ele venha.

- Estamos mortos, sabe? – Sabe parecia estar falando com uma criança.

- Mas temos poderes. – Hermione tinha um singelo sorrisinho maroto nos lábios.

- O que você quer dizer? – Jack já imaginava a resposta.

- Eu e o Sabe não podemos ficar visíveis, mas você pode, Jack.

- Você quer que eu...

- ... que você apareça para o Rony – Hermione interrompeu Jaqueline – e o convença a vir aqui.

Jaqueline lançou um olhar horrorizado para a amiga antes de falar:

- Euuuu??? Pelas barbas de Merlim, não!!! – Jack começara a andar por todos os lados da sala – Não vou saber o que falar!!! Isso é loucura!

- Eu não acho, sabe? – disse Sabe levantando de sua poltrona depois de um pulo animado – Você é a única que pode se tornar visível aos vivos. E pare de andar pra lá e para cá! A casa é velha, quer que ela se desmorone, sabe???

- Mas eu...

- Jaqueline, eu não gostaria de envolver vocês dois nesta história, mas vocês já estão envolvidos. – dizia Hermione quase numa suplica – Por favor, me ajude! Ajude o Jonathan.

Hermione necessitava ouvir um "sim" da amiga. Não iria desistir se ela se negasse, mas realmente precisava da ajuda dela.

- Está certo... eu vou. Mas vocês terão que me dizer o que eu tenho que falar para ele, ta? – Jack falou desanimada.

- Nós falaremos! – Hermione também se levantou da poltrona - Não deixarei que meu filho morra pelas mãos sujas de Draco Malfoy!





N/A: E aí??? Bom, aí está quase toda a explicação, mas lembre-se de que este é somente o lado da Mione na história. Vocês sabem que tem outros pontos de vista, então, saibam que tem mais coisas por aí.... ai ai ai... No próximo capítulo eu, ou melhor a Jack, vai falar com o Rony... isso vai ser problema, né??? he he... A fic está em sua reta final, então, quero seus e-mails e reviews, ok?

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