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29. Um aliado inesperado


Fic: Harry Potter e o Confronto Final


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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ERA A ESSÊNCIA DA ESCURIDÃO QUE DOMINAVA os arredores, uma brisa gelada cortava o negrume e produzia um assombroso zunido. Repentinamente, o claque-claque seco de um ruído há muito conhecido de seus piores pesadelos, começou a se intensificar e aproximar-se ameaçadoramente. Logo, dezenas, ou melhor, centenas de enormes aranhas tingidas de tons marrons e vermelhos desciam do teto invisível suspensas por seus fios nojentos: o barulho vinha de suas presas, batendo umas nas outras ameaçadoramente. A escuridão já não era tão intensa, mas o pavor provocado por aquelas terríveis aparições era pior do que o medo do escuro.

“Ronald...” – uma luz de esperança se acendeu ao longe.

“Essa voz...”. Os temíveis insetos contiveram por um instante o seu avanço ameaçador, aquela presença que chamava pelo nome de sua vítima tinha o poder de intimidá-las ou, mais ainda, tinha o poder de fazer renascer o ânimo em sua presa. “O socorro está vindo!” – pensou o rapaz em seu devaneio.

“Rony...”. – ao som daquela voz distante, a escuridão começou a esvair-se lenta e gradualmente.

As monstruosas criaturas finalmente tinham um adversário à sua altura: receosas pelo confronto, cessaram o ruído torturante, retraíram suas pinças e subiram novamente para as entranhas do pesadelo de onde tinham vindo.

— Ron!

— M-Mione... – o ruivo semi-abriu os olhos com dificuldade: a dor e a pressão que sentia no peito ainda eram fortes, mas a voz da garota lhe dava forças para sair daquele mundo maligno em que se encontrava.

— Ah Ron! Graças a Merlin... – ela beijou-lhe a face úmida de suor.

Ele levantou a cabeça com dificuldade para olhar ao seu redor e identificar um leito vazio ao lado do seu, de roupas de cama de cor branca formando conjunto com as paredes de mesmo tom: já conhecia o lugar, de visitas passadas.

Estavam no Hospital Saint Mungus. O rapaz voltou o olhar para a garota ao seu lado e reparou nas bandagens que lhe cobriam o peito, bem como o hematoma, já quase são, de um dos lados da face: ela sorria com os olhos marejados enquanto passava uma das mãos carinhosamente pelos cabelos afogueados dele.

— O que aconteceu? Você está bem? Onde está o Harry? – ele perguntou, ainda um pouco confuso.

— Você foi muito valente me defendendo em Stonehenge... mas, o golpe que recebeu... se não tivesse sido prontamente atendido... nem sei o que poderia ter acontecido. – disse a jovem, enquanto acariciava agora os lábios do ruivo, debruçando-se em seguida sobre ele e depositando um breve beijo nestes – Depois atravessamos o portal atrás dos Malfoy... era um lugar estranho, onde nossas varinhas não funcionavam... – disse ela alisando a própria face machucada – Recebi uma pancada violenta da górgona... acho que foi o menor mal que ela poderia me impingir! – ela hesitou um instante antes de continuar, a palidez do medo tingiu sua fronte – E-ele estava lá...

— O Você-Sabe-Quem? – o rapaz fez menção de saltar da cama, mas a dor do ferimento recente o conteve mais uma vez – E o Harry...

— Não sabemos o que aconteceu! Quando tombei, Dobby me levou para A Toca e, logo em seguida, me encaminharam para cá... para junto de você. Um grupo da Ordem foi ao local onde estivemos, para investigar. Estamos aguardando que retornem.

— E a Gina? – levantou as sobrancelhas e arregalou os olhos, temeroso pela sorte da irmãzinha.

Mal acabara de pronunciar estas palavras e a porta da enfermaria se abriu para a entrada de uma Gina irritada e enfurecida, que invadiu o recinto bufando e batendo os pés fortemente.

— Rony! – a zanga da menina dissipou-se instantaneamente ao perceber o irmão desperto – Que bom que está bem! – disse, e correu até a cama para abraçá-lo.

— Vou avisar seus pais que recobrou os sentidos! – disse Hermione se levantando e dirigindo-se à porta.

— Você não sofreu nada, Gina? Chegou a ver o Você-Sabe-Quem? – disse Rony livrando-se do aperto dolorido que a outra lhe impingia.

— Nem me fale nisso, Rony, que já fico irritada! Você acredita que o Harry havia dado uma ordem pra Wincky de me levar pro Monte dos Imortais se eu corresse perigo? E foi exatamente isso que aquela doidinha fez! Nem cheguei a atravessar o portal de Stonehenge... e acho que estaria lá com ela até agora se a Mione não tivesse feito o Dobby convencê-la de que eu não corria mais perigo! – o rosto da garota ia se tornando mais e mais vermelho de raiva, à medida que ia contando o ocorrido.

Novamente a porta se abriu para a entrada de Hermione acompanhada dos pais dos ruivos, a matrona aproximou-se rapidamente com pequenos passos curtos que faziam balançar exageradamente a enorme bolsa que levava a tiracolo.

— Oh, grande Merlin! – choramingou a Sra. Weasley, enquanto corria a abraçar o filho, sendo imitada por Arthur Weasley do outro lado da cama – Você nos deixou tão preocupados... ainda bem que se recuperou!

— Isso não foi nada, mamãe! – respondeu o garoto se empertigando – Se não tivesse sido atingido à traição eu teria derrotado todos aqueles comensais, assim! – completou levantando uma das mãos e estalando os dedos – Mas, um de vocês deve ter pego aquele que me acertou... quem foi?

— Na verdade... – Hermione hesitou um instante –... foi o Snape... ele estava lá!

— O Snape? – sobressaltou-se o garoto – Mas, o que...

— O Harry acha que ele tentou me acertar e acabou derrubando um de seus comparsas por engano! – disse Gina, não muito convencida de suas palavras.

— Este é um fato que teremos de analisar com mais profundidade! – disse o Sr. Weasley.

Neste momento, um alvoroço no lado externo do quarto chamou-lhes a atenção, reconheceram a voz de Lupin e, logo em seguida o bruxo entrou no recinto acompanhado por Gui.

— Rony! – exclamou ele satisfeito ao aproximar-se do leito do rapaz – Excelente! Vejo que está se recuperando!

— Encontraram o Harry? – ele e Hermione perguntaram ao mesmo tempo, enquanto era a vez do irmão mais velho abraçar o ferido e fazê-lo soltar um gemido de dor.

— Nada! – respondeu o ex-lobisomem, balançando a cabeça desanimadoramente – Eu, Gui, Tonks e mais alguns aurores fomos até Stonehenge, atravessamos o portal onde Hermione indicou e chegamos até o local onde provavelmente ela foi resgatada por Dobby, mas... além da carcaça fumegante do monstro seqüestrado do Departamento de Mistérios... não havia mais nada!

— O que imagina que possa ter acontecido? Com Harry? – perguntou a Sra. Weasley, torcendo as mãos freneticamente de preocupação.

— Não acredito que o que tenha vitimado uma criatura tão poderosa como a górgona tenha partido de Harry, então só pode ter sido feito por Voldemort (um novo gemido de Rony foi ouvido, mas desta vez ninguém o abraçava). E Dobby disse que quando Harry o convocou, o Lord não se encontrava mais lá... só posso deduzir que Harry o seguiu por sua própria vontade... não deve ser seu prisioneiro!

— E... nenhum rastro de feitiço... nenhuma idéia para onde possam ter ido? – questionou-o Hermione.

— Nada! Lamento dizer, mas... agora Harry está por sua própria conta! – respondeu enfático, enquanto Gui concordava com um balanço de cabeça.

Uma sensação de desânimo tomou conta de todos, conversaram ainda por alguns minutos sobre os possíveis paradeiros de Harry e do temível bruxo das trevas, até que um a um todos foram se retirando até restarem apenas Rony e Hermione outra vez. Os dois trocaram algumas poucas palavras sobre amenidades até que o rapaz pigarreou, tomando a decisão de tocar num assunto mais delicado:

— Mione... – começou o bruxo, meio sem jeito, enquanto torcia uma das pontas dos lençóis com as duas mãos.

— Sim? – ela atendeu com um sorriso, imaginando o que viria a seguir.

— Err... desculpe ter... te questionado daquela forma sobre... sobre nós... eu não tenho o direito de te cobrar nada e...

— Ron... – disse ela debruçando-se sobre o peito dele e aproximando-se bastante de seu rosto –... eu te perdôo por você estar confuso... mas, quero que saiba que o que eu sinto pelo Harry é um amor muito forte e intenso... é o amor que se sente por um irmão! – ela disse isso e depositou-lhe outro beijo úmido nos lábios – De quem eu gosto mesmo... daquele jeito... é de você! – mais uma vez seus olhos marejaram.

Ele mostrou um largo sorriso de satisfação que logo se transformou numa espécie de careta, como se alguma coisa o incomodasse muito.

— Mione... eu sinto um aperto no peito... – o garoto disse, com a respiração descompassada.

— Sim, Ron? Você acha que é... amor? – ela esforçou-se ao extremo para proferir estas palavras, e ficou esperando a resposta, ansiosa e ligeiramente enrubescida.

— Hã? Não... é que... você está debruçada bem em cima do local em que fui atingido!

...

”Ronald Weasley e Hermione Granger recuperaram-se plenamente dos ferimentos recebidos na última batalha. Quando as aulas foram retomadas em Hogwarts, após o breve recesso ocasionado pela morte do professor Firenze, os dois retornaram e concluíram sua formação em magia e bruxaria.

Rony foi trabalhar no Banco Gringotes, orientado e encaminhado que foi pelo irmão Gui e pela cunhada Fleur, onde teve a oportunidade de realizar uma brilhante carreira, tendo inclusive recebido diversas comendas dos duendes pela capacidade demonstrada (o que não era fácil, devido à grande criteriosidade destas criaturas).

Hermione aprofundou-se mais ainda nos estudos e acabou por se tornar professora em Hogwarts, onde passou a lecionar Transfiguração em substituição à diretora McGonagall, que passou a dedicar-se apenas à administração da instituição.

Alguns anos mais tarde os dois se casaram à luz do luar em uma cerimônia realizada em Stonehenge, pois ambos acreditavam que foi naquele lugar que o amor entre os dois realmente se firmou. O casal teve sete filhos, sendo os seis primeiros todos varões ruivos, e só a última uma menina... de cabelos castanhos e crespos”.


...

* * *


A velha senhora gorda, de tamancos calçados por sobre as meias três quartos presas logo abaixo dos joelhos por um grosso e mal acabado elástico, descansou a travessa com torradas, geléia e duas xícaras de chá sobre a mesa empoeirada do barzinho de terceira categoria, à frente dos dois vultos encapuzados, e anunciou:

— São duas libras pela refeição e mais cinco... se quiserem um quarto!

— Ora, sua...

— Calma, Draco! – disse a mulher sob o capuz, segurando o braço do filho com uma das mãos – Está tudo bem, minha senhora! Nós ficaremos com o quarto! – e atirou sobre a bandeja o valor solicitado em dinheiro trouxa.

— Essa trouxa maldita! Quem ela pensa que...

— Não devemos chamar a atenção, filho! – disse Narcisa num sussurro, mas com a voz firme – Nossas vidas dependem de nos mantermos incógnitos até que tenhamos uma oportunidade de retornarmos para o nosso mundo!

— Retornarmos? – retrucou o loiro com ironia – Acha realmente que o Mestre nos receberá de volta depois dos últimos acontecimentos?

— Bem... eu havia pensado em que... talvez... se o Potter tivesse êxito... – disse a mulher abaixando o tom da voz, enquanto umedecia uma torrada no líquido quente.

Draco cruzou os dedos das mãos e baixou o olhar para eles, ficando pensativo por algum tempo.

— Acho que isso seria o melhor para a maioria, não é? – tanto ele como a mãe, que sempre se vangloriaram de seu sangue puro e espezinharam os nascidos trouxas e traidores do sangue, admitiam agora; após terem perdido praticamente tudo o que tinham e de estarem relegados à condição de viverem como pessoas normais entre os trouxas para poderem aspirar a uma pequena chance de continuarem vivos; que talvez tivessem escolhido o lado errado na disputa entre o mundo bruxo dominante e as forças das trevas.

— Talvez... mas, creio que para alguns não há retorno... – murmurou a mulher com uma expressão etérea.

O jovem baixou o capuz, revelando seus longos cabelos dourados e encardidos, e encarou a mãe, que desviou o olhar, aparentemente constrangida de ter seus pensamentos revelados.

— Está pensando no Snape, não é? – o olhar dele era duro, mas não tinha a ironia e o sarcasmo habituais – Me diga: o que houve entre vocês e... eu tenho alguma... relação com isso?

Ela permaneceu em silêncio por alguns instantes, analisando qual resposta deveria dar. Enfim, decidiu que uma conversa franca na atual situação seria o melhor para ambos.

— Eu e Severo tivemos um “affair”, muito antes de você nascer... não me envergonho de lhe contar isso... é melhor que saiba por mim. Mas, ele era um mestiço... minha família jamais permitiria e... eu optei pelo mais racional: você é um Malfoy, meu filho! Nunca duvide disso! E o preço disso foi o meu coração partido!

O rapaz olhava fixamente para a mulher, que deixava grossas lágrimas caírem dentro de sua xícara fumegante. Jamais havia visto a mãe tão frágil... tão humana.

— Eu sempre soube que havia algo mais... ele sempre me amparou e protegeu... Acha mesmo que não há esperança para ele? – disse pousando sua mão sobre a dela, aguardando por um instante que ela lhe respondesse em meio aos soluços que a dominavam – O que será de nós, mamãe? – insistiu Draco, ao receber apenas um olhar vazio como resposta.

— O tempo nos dirá, filho... o tempo nos dirá...

...

”Algum tempo depois, mãe e filho conseguiram fugir para um minúsculo país no extremo leste europeu, tendo inclusive mudado seus próprios nomes para não serem reconhecidos.

Com o passar do tempo foram se firmando na comunidade bruxa local e sendo reconhecidos como uma família respeitável e tradicional de sangue puro. Draco casou-se com a filha única do Grão-Mestre local e tornou-se imensamente rico, após a morte estranha e misteriosa do seu sogro.

Sua mãe assumiu o posto do bruxo falecido e reinou por longos anos cercada de luxo e ostentação. Eles nunca ficaram sabendo se Lucio Malfoy chegou a se libertar do feitiço lançado por Olho-Tonto Moody em Azkaban”.


...

* * *


Após ter deixado o quarto de seu irmão no Saint Mungus, Gina despediu-se de Lupin e Tonks que partiriam em uma missão pela Ordem da Fênix, a fim de investigarem o destino dos Dementadores, após a derrota sofrida pelas forças das trevas em Azkaban.

A um canto encontrou-se com Neville e Luna, que haviam vindo saber do estado de saúde de Hermione e Rony.

— É horrível ficar à margem dos acontecimentos... tendo que se satisfazer apenas com fragmentos de notícias aqui e ali... – disse-lhe Neville, cabisbaixo.

— Nem me diga! – concordou a ruivinha – Pra mim então, é bem pior, pois estava envolvida nos acontecimentos e acabei sendo posta de lado contra a minha vontade!

— O destino de Harry Potter já estava escrito quando ele nasceu! – disse Luna, com um brilho estranho no olhar – O que aqueles que o cercam podem lhe oferecer é a amizade e o... amor, mas o seu futuro apenas ele próprio poderá decidir!

Gina concordou com um gesto de cabeça, os olhos marejados e o peito tomado de profunda emoção. Mas, o único pensamento que a dominava desde que retornara do Monte dos Imortais era, se um dia, viria novamente a se encontrar com aquele garoto magricela, de olhos verdes e cabelos rebeldes que conhecera há seis anos atrás na estação de King’s Cross.

...

”Lupin e Tonks nunca se casaram ou tiveram filhos, mas passaram o resto de suas vidas juntos, aproveitando cada instante que a vida lhes permitia usufruir daquele amor que havia transposto tantas barreiras.

Neville Longbottom tornou-se um brilhante herbólogo, tendo se mudado para o Brasil a fim de especializar-se em plantas mágicas tropicais. Luna Lovegood tornou-se editora chefe do Pasquim e, alguns anos depois, casou-se com o filho dos proprietários do Profeta Diário, mas nunca interferiu na linha de conduta da empresa de seu marido, continuando a dedicar-se à herança de seu pai sem alterar qualquer das suas características originais.

Gina Weasley conclui aquele ano em Hogwarts e formou-se no ano seguinte, tendo se tornado uma bruxa de capacidades excepcionais. Alguns anos mais tarde casou-se e, logo em seguida, deu à luz gêmeos: duas meninas espevitadas, sapecas e... ruivinhas como a mãe”.


...

* * *


A luz que a lua refletia incidia sobre o terreno plano e praticamente desprovido de vegetação, Harry mantinha-se alerta e portava a varinha em riste, tentando resguardar-se de um possível ataque de seu inimigo: a região larga e iluminada o tornava um alvo fácil para o Lord das Trevas.

Mas não havia nem sinal do bruxo. O tempo que levara para chamar e instruir Dobby, havia sido o suficiente para que o assassino de seus pais se afastasse do ponto em que levava a passagem que ambos haviam usado. Mais à oeste era possível observar os traços de uma grande construção, era a única coisa que havia até onde os olhos podiam alcançar, e foi pra lá que ele se dirigiu.

Harry se deparou com um local de arquitetura impar, completamente desconhecido para ele. A exemplo de Voldemort, ele deveria ter viajado uma grande distância até ali: era uma grande construção baseada em pedra bruta, formando um enorme circulo de colunas em estilo greco-romano, desprovido de cobertura e, com toda certeza, desabitado e entregue ao tempo há muito, sendo evidente sua má conservação devido às pilhas de escombros que se estendiam por toda sua extensão.

Ocultando-se nas sombras das colunas majestosas, ele caminhou lenta e cuidadosamente ao longo da parede semidestruída que ainda guardava os traços em alto relevo de diversas esculturas de cobras e serpentes: aquela era sem a menor sombra de dúvida o jardim da residência secular dos herdeiros de Slytherin.

Ele iniciava a dobrar a curva em um corredor mais amplo, quando sentiu o pulso que empunhava a varinha ser fortemente seguro e suas costas serem empurradas de encontro à parede, enquanto a ponta ameaçadora de uma varinha era pressionada contra sua garganta.

— Potter, seu idiota! Como pôde vir até aqui? O Mestre poderá descobri-lo! – disse a voz ranhosa, já sua conhecida.

— Snape! – ele rosnou entre dentes, se odiando por ter sido descoberto, apesar de todo o cuidado que havia tomado.

— Moleque tolo! Desse jeito porá tudo a perder! – disse Snape, arrastando Harry pelo colarinho de sua capa até um ponto onde havia uma reentrância entre as colunas e os ocultava do luar.

— E porquê não quer que o seu mestre me descubra? – disse ele, tentando livrar-se em vão do aperto que lhe era infringido – Quer você mesmo realizar o servicinho sujo?

— Não esperaria outra atitude de um mente limitada como a sua! – esbravejou, enquanto o desarmava com uma das mãos e baixava a sua varinha.

Liberto, Harry esfregou com uma das mãos o lugar no pulso onde lhe havia sido imposta violenta pressão. Então voltou o olhar para seu desafeto e falou num tom levemente irônico:

— Então... há pouco... em Stonehenge... acertou a comensal propositadamente?

— Ora, ora! Vejo que não é um tolo completo! – disse-lhe com desdém e, após considerar por um instante, devolveu-lhe a varinha.

— Então me explique melhor... foi um truque... o professor Dumbledore está... vivo?

Severo Snape mostrou-lhe um sorriso amarelo de incredulidade:

— O que pensa que é isso? Um circo? É claro que Dumbledore está morto! Ele deu sua vida para salvá-lo... e a mim!

Harry baixou a cabeça: por um instante a esperança de que tudo o que ocorrera há quase um ano atrás pudesse ter sido um sonho ou talvez uma armação passara-lhe vivamente pela cabeça. Mas, logo a seguir recobrou o ódio que sentia pelo homem à sua frente.

— Ele implorou pela sua vida e... mesmo assim você o matou!

— Sim, ele realmente implorou... mas não pela própria vida, Potter! Como pode ser tão tolo? Após todos estes anos em Hogwarts não conseguiu conhecer Dumbledore? Ele implorou para que eu não pusesse tudo a perder! Para que eu desse seqüência à minha sina! Ele precisava que eu continuasse infiltrado junto ao Mestre!

— Não acredito! Você enganou o professor Dumbledore durante todos estes anos... mas não vai enganar a mim!

— Acredita realmente que eu pudesse enganar a ele? Acha mesmo que um bruxo como Dumbledore seria enganado durante tanto tempo assim? Só você não quer ver isto, Potter!

Novamente Harry recuou em sua investida, ponderando os fatos.

— Então... naquele dia em Grimmauld Place... a Hermione disse que você... tentou me avisar...

— Não me admira que aquela... insuportável... sabe-tudo... tenha percebido. Deveria dar mais atenção a ela, Potter! – disse, contendo a custo um acesso de fúria – Mas, isso não vem ao caso agora... temos de dar um jeito de tirá-lo daqui antes que seja descoberto!

— Não vou embora! Vim aqui para enfrentar Voldemort, e só vou embora após tê-lo derrotado!

Snape levou as duas mãos à cabeça simulando um estado de desespero:

— Volte à realidade Potter! Acha que tem alguma chance contra o Lord na atual circunstância? Acredita realmente que poderá vencê-lo após ter sido grotescamente desarmado por mim sem mesmo ter usado de magia? Porá a perder tudo a que Dumbledore se empenhou e sacrificou a própria vida?

— Você me pegou distraído! Eu estou preparado! Tenho estudado e...

— Estudado? Onde? Na Ala Reservada da Biblioteca de Hogwarts? – e deixando a ironia e apontando-lhe o dedo ameaçadoramente – Olhe aqui moleque! Vou te levar a salvo pra junto de seus ridículos amigos e, quando julgar que estiver apto, eu o procurarei e lhe direi onde encontrar o Mestre!

Harry não teve tempo de retrucar, o ruído que ambos ouviram em seguida fez seu sangue gelar nas veias e um calafrio percorrer sua espinha, causando uma leve tontura e náusea momentânea:

CLAP – CLAP – CLAP...

O som típico de palmas sendo batidas provocou um sobressalto nos dois bruxos, que se viraram rapidamente com as varinhas em riste em direção à origem do ruído, deparando estarrecidos com a figura de Lord Voldemort, saindo das sombras com um sorriso irônico e terrível ao mesmo tempo.

— Ora... ora... ora... Severo... Por que não estou surpreso? – sibilou o bruxo das trevas num misto de desdém e ironia.

— Mestre... eu... eu... – balbuciou o comensal, atônito.

— Poupe-me de mais mentiras! Julga-me um tolo? – disse aproximando-se lentamente, com sua varinha em modo de ataque.

— Mas... – ele esboçou uma possível explicação, enquanto colocava seu corpo estrategicamente entre o herdeiro de Slytherin e o Menino-Que-Sobreviveu.

Harry mantinha o olhar fixo nos movimentos do bruxo, o ódio emanava por seus poros, nunca se sentira tão decidido nos raros encontros que tivera com aquela criatura hedionda.

— Você traiu a si próprio, ao demonstrar sua fraqueza pelo jovem Malfoy! – Voldemort continuou se dirigindo ao servo que o traíra – O que pensaria o velho Lucio... Ah! Que bobagem a minha! Na situação em que ele se encontra... você tem mesmo que assumir o menino e, quem sabe, a mãe também!

— Não se atreva... – Snape ergueu a varinha em direção ao bruxo.

— Não se atreva você! – irritou-se o outro e, recompondo-se em seguida – O amor! Sempre o amor! Essa foi sua fraqueza e sua perdição!

Um rápido e inusitado movimento de Snape, numa desesperada tentativa de reverter aquela situação adversa, foi logo repelido por Voldemort que, num quase imperceptível vibrar de seu instrumento mágico, o atirou violentamente contra o paredão às suas costas, com um estalo de ossos partidos. Em seguida, o semblante viperino mostrou um sorriso cruel, enquanto admirava em êxtase o corpo ferido despencar com brutalidade ao chão, num baque surdo.

O garoto, que até o momento apenas observava o confronto entre os dois bruxos que mais detestara em toda sua vida, deu um passo à frente insinuando um possível ataque ao inimigo, mas estancou imediatamente ao perceber a varinha gêmea da sua virar-se ameaçadoramente em sua direção:

Harry Potter e Lord Voldemort estavam frente a frente!

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