Brianna saiu para ver a cidade onde estava na manhã seguinte a sua chegada. Não suportaria ficar novamente trancada e precisava conseguir trabalho, arrecadar dinheiro para voltar a Londres sem a ajuda de Dumbledore.
Tolce havia dito que estava em Innsmouth numa casa que pertencia a Alphard.Era um povoado cercado por pântanos a leste, penhascos a oeste e, no centro, uma enseada que continha alguns barcos pesqueiros e que era feia mesmo ao pôr-do-sol. Viu muitos bruxos em seu passeio era fácil reconhece-los agora e ela acabou conseguindo trabalho com um casal muito simpático.
Dean Thorne era bruxo, mas a esposa não. Tinham vindo para aquele povoado perdido em busca de sossego e comprado uma das cabanas com vista para a enseada. Os dois ficaram encantados com Brianna e acharam que seria ótimo ter uma trouxa que conhecesse os fatos do mundo bruxo, cuidando de seus dois filhos pequenos.
O trabalho era fácil, as crianças eram doces e tudo parecia bem. Até que numa tarde em que voltava de um passeio encontrou um homem de andar sinuoso que lembrava vagamente uma cobra.
Ele tinha cílios louros quase invisíveis e sobrancelhas cerradas. O cabelo quase branco de tão louro. Quando passou por ela o bracelete que Dumbledore havia lhe dado tornou-se quente como brasa embora não a queimasse e ela sabia que o homem representava perigo.
Não sabia de que modo o talismã a ocultaria, mas sabia que era isso que estava acontecendo. Temia colocar os Thorne em perigo por isso pediu demissão e voltou à cabana, disposta a embarcar para Londres no primeiro trem.
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Brianna afundava confortavelmente na escuridão, lutando para manter os olhos abertos, mas era como se tivesse pesos nas pálpebras. Foi com alívio que ela as deixou cair, mergulhando num sono agitado, cheio de sonhos de morte e dor.
De repente, ela acordou com o coração em disparada, inquieta e com uma sensação terrível de perigo... Percebeu que suas mãos tremiam. Levantou-se para fechar as cortinas que não se lembrava de ter deixado abertas e ao olhar pela janela viu um homem observando a cabana. Por um segundo pensou que podia ser Tolce, mas o bracelete dado por Dumbledore ardia em seu braço e instintivamente ela recuou para as sombras, confiando que o talismã a ocultaria novamente enquanto observava o bruxo louro tentando sem sucesso entrar na casa.
Era muito tarde quando ela foi atraída pelo som de copos a tilintar. Imaginou que o feitiço no talismã tivesse alertado Albus e ele a estivesse esperando na sala.
Silenciosamente ela saiu do quarto, os braços envolvendo o corpo e os olhos perdidos nas sombras. A visita do bruxo misterioso e o sonho a deixaram inquieta, sentia-se presa numa armadilha, onde suas vontades e desejos valiam muito pouco. Presa num jogo onde não lhe restavam muitas defesas.
Quando chegou a sala encontrou Alphard numa das poltronas servindo-se da bebida deixada ali por Tolce em sua última visita.
— O que faz aqui?
Alphard acompanhou seus movimentos ao entrar e ela via em seus olhos que ele temia por ela, por ele mesmo ou pelos dois.
— Ei! Essa é minha casa e seu herói não pode vir salvá-la, garota. Vai ter de se contentar comigo. — Black disse enquanto a encarava armado de whisky e olhar chamejante de desespero e paixão. — Está em Londres cumprindo ordens de Flamel. Eu e Septimus viemos em seu socorro
Brianna parou um instante à porta sentindo-se em parte responsável pelo ar de menino desamparado que ele ostentava. Ficou ali parada tentando controlar os pensamentos, ainda podia sentir a força e o desespero contidos no beijo que ele lhe deu após o vôo.
— Confesso que esperava ver Albus ou Úrico. –sorriu gentilmente para o bruxo atormentado. A gentileza e o sorriso eram para ela como escudos que usava com alguma habilidade. — mas fico feliz que você e Septimus tenham vindo. Onde ele está?
—Lá fora. Obedientemente mantendo distância e fingindo que não a conhece. — ele pôs-se de pé e foi em direção à cozinha. — Não sei quanto a você, mas estou faminto. Numa mesura afetada a convidou passar. Ela caminhou até ele, retirou o copo de suas mãos e o fez sentar.
— Acho que obediência nunca foi seu ponto forte Alphard e creio que já bebeu o bastante. Vou preparar algo para comer, acho que Septimus deve estar faminto.
Ela quase sorriu quando ele fez o gesto que sempre fazia quando estava nervoso, passando as mãos pelos cabelos e pôs-se de pé, ficando tão próximo que ela podia sentir o calor da sua pele.
— Sim tem razão. — Black era um bruxo inteligente e capaz menos quando estava diante dela e não havia magia nisso... Era pele. Sua pele era burra diante dela e ela sabia disso.
— Que bom!Confio em você.
Ele então a segurou com força, como já tinha feito antes, sacudindo-a e puxando seu corpo leve para mais perto, o olhar furioso enquanto dizia num sussurro rouco e desesperado.
— Você não sabe o que está dizendo! Como pode confiar em mim? Eu poderia matar você ou subjugar como já fiz antes. Você sabe que para mim... Para nós bruxos... Não é NADA, não tem poder algum. Como pode confiar em mim ou em Dumbledore? —Ela sorria enquanto se deixava sacudir, esperando a fúria passar.
— Você mais do que qualquer outro devia saber que entre o preto e o branco há os tons de Cinza. Ninguém é totalmente bom ou totalmente mal. — ele a abraçou, ela passou as mãos pelos cabelos escuros de Alphard e num sussurro suave e rouco disse em seu ouvido, — Confio em você, no que você é. Não no que você finge ser. Faça o que fizer confio em você. Agora pode me contar o que houve e porque vieram?
— Conhece os Thorne?
Brianna pestanejou o coração aos pulos.
— Conte-me o que houve. O senhor Thorne está bem? — ela disse.
— Morto. A mulher também.
— E os filhos?
— Estão bem, escaparam. Os aurores chegaram a tempo de salva-los.
— E a casa deles?
— Incendiada. Como as outras duas próximas. Treze pessoas morreram além dos Thorne. E estavam atrás de você. Uma das crianças disse onde encontra-la na esperança de salvar a mãe.
Ele segurou o rosto dela entre suas mãos, olhando-a com uma fúria muda antes de beijá-la. Dessa vez ela não fugiu e deu o beijo com que ele sonhava desde que a conhecera. Um beijo que trazia sua alma para dançar na ponta da língua. Afastou-se dela com algum esforço.
—Vem comigo, sem perguntas, apenas vem comigo. Preciso tirar você daqui.
Arrastou-a até os portões de entrada de onde aparataram. Nas sombras do jardim Septimus observava a cena e num silêncio confuso voltou para casa de Flamel.Depois que ele partiu um outro bruxo apertou os olhos azuis,sorriu aparentemente contente com a fuga de Black.Ele desapareceu num estalo
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Aparataram no Regent’s Park e depois caminharam até o pequeno apartamento que pertencia a Black. Ele Puxava Brianna pela mão sem dar maiores explicações. Quando entrou no apartamento fechou a porta e lançou todos os feitiços de proteção que conhecia.
Ela esperou pacientemente até que ele terminasse. Alphard passou as mãos pelos cabelos escuros, longos e desalinhados e naquele momento parecia um guerreiro de brilhante armadura, pronto para a batalha. — Tudo bem, tudo bem. Estamos seguros aqui.
Ele caminhou pela sala parou e novamente segurou os braços de Brianna com tanta força que ela não pôde evitar um gemido.
— Escute não posso lhe dizer muito, mas preciso levar você para longe de Grindewald. — Um arrepio percorreu o corpo de Brianna ao ouvir aquele nome. — Ele quer que eu a entregue, coisa que não pretendo fazer, mas ele virá atrás de você de qualquer modo. O bruxo que estava procurando por você era um homem de Grindewald.
— E porque pensa que estarei mais segura aqui com você do que em outro lugar? Acho que posso perfeitamente cuidar de mim, com sorte o Mundo bruxo vai me esquecer rapidamente, agora que não sou mais a mulher de Dumbledore.
— Vamos deixar Dumbledore fora disso, por favor! — disse Black quase gritando.
— Como?Ele é parte disso, ele é parte de mim! Não fiquei todo esse tempo longe do meu mundo à toa! —Ela pareceu assustada e seus olhos encheram-se de lágrimas de mágoa e raiva.
— Foi ele quem me enviou. — Black disse educadamente.
—Isso não me surpreende. E ele também decidiu me dar de presente a você?— Ele encolheu os ombros em resposta e ela continuou. — Claro que sim, não estaríamos aqui se ele não quisesse.
Brianna dava voltas pelo apartamento , as mãos esfregando distraidamente o bracelete , parou quando Black postou-se a sua frente impedindo se caminho.
—Não. Mas se tivesse dado eu teria recebido muito bem. — ele respondeu para depois amaldiçoar a si mesmo. Meteu as mãos nos bolsos, irritado. Estava se humilhando de novo, mas não se importava mais. — Te amo! sabe perfeitamente que te amo. — agarrou o rosto de Brianna entre as mãos e a beijou de um modo desesperado. Ela o afastou.
— Certo. Eu sei! E daí?Eu não amo você. E você também sabe disso. — Ele segurava o rosto dela dando-lhe beijos rápidos.
— Dane-se o seu amor. Seja minha hoje, preciso de você como nunca precisei de nada, nem de ninguém... - Os olhos dele estavam intensos nos dela. Aquele não era um pedido comum, as palavras de Black chegavam até Brianna impregnadas de sentimentos, traziam junto com elas sua alma, seu desejo.
Os cabelos escuros encobriram seu rosto nos segundos que antecederam a resposta dela. Os lábios que deitaram sobre os seus, quente e molhados, doces e suaves, vibrantes, mas não como a paixão que emanava do seus quando deixou-se levar por eles. Alphard sabia que Brianna não o amava, mas também tinha consciência de que não era indiferente ao seu toque, já havia provado esse gosto antes. Não esperou por novos sinais, e impaciente por revelar a pele branca com que vinha sonhando há meses, deslizou sua mão por sobre a nuca dela, prendendo-a ao calor de seu beijo.
As pontas dos dedos roçando-lhe a alça das vestes, revelando os ombros nus. Ele desceu os lábios pelo queixo, pescoço, vendo-a se render aos poucos. A cabeça inclinou para trás, num convite explícito para que ele prosseguisse. Com um leve sorriso nos lábios, Black se dedicou a maravilhosa tarefa de explorar cada parte do corpo claro que se relevava aos seus olhos, conforme a roupa cedia as suas mãos cada vez mais impacientes. Ela não resistiu e se entregou voluntariamente, sem nenhum feitiço além do que ela própria produzia ao encaixar seu corpo nu ao dele.
O cheiro, o gosto, a maciez da pele de Brianna eram inebriantes, ele podia sentir cada parte de seu corpo reagir de diferentes formas a todos esses estímulos, entregou-se ao prazer de tê-la nos braços, tão diferente da primeira vez, quando somente seus extintos o comandavam. Aos poucos, pacientemente, delicado, tocou-a com amor, arrancando dela gemidos roucos, suspiros, a entrega total. Brianna arfou entre suas mãos, enquanto ele se derramava dentro dela.
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