Capítulo 9
Cobras na cabeça
Foi Sirius quem rompeu o silêncio chocado. Harry achou que o padrinho mais rosnou do que falou.
– Malfoy!
– Malfoy? – Artur Weasley pareceu abraçar a idéia imediatamente.
– O vimos saindo da região – informou Hagrid com tal fúria, que parecia ser ainda mais alto e largo. Uma das mãos, grande como uma marreta de moirão, bateu na outra espalmada, numa ameaça clara.
Molly se afastou chorosa do peito de James.
– Mas eles não passaram por aqui. Como podem ter levado a minha Ginny?
– O fato de Malfoy estar nas redondezas e algo acontecer a um dos nossos filhos, já o suficiente – falou Artur com a voz vibrando de ódio. – Ele é um deles! Nós sabemos que é!
Sirius puxou o braço de James, que ainda encarava a mecha de cabelo ruivo em sua mão, com a testa muito vincada.
– Só uma palavra, James – pediu. – Uma!
– Vá! – Sirius brilhou de satisfação. – Reúna os homens que conseguir. Bruxos na maioria.
– Isso! – o padrinho de Harry deu um soco no ar e saiu correndo pelo pátio berrando nomes.
– Você vai provocar uma guerra, James – falou Remus sombriamente.
– Eu não. Eles! – Sem se dar conta exatamente do que fazia, James passou a mecha de cabelo para as mãos de Harry, que estava ao seu lado. O garoto a segurou atônito.
– O resto dos homens ainda não chegou, Sir – comentou Little John, num tom preocupado. – Temos apenas a defesa do castelo e os bruxos de Godric’s Hallow.
– Temos o bastante – disse James. – Além disso, os rapazes devem estar chegando. Podemos até encontrá-los no meio do caminho.
Ele fez um movimento de cabeça indicando o caminho seguido por Sirius. O grandão deu um sorriso torto e, colocando a mão sobre o facão, correu na mesma direção.
– Eu vou com vocês, claro – afirmou Artur e Molly comprimiu a boca com um lencinho.
– Eu também – disse o rapaz ruivo de cabelos cacheados.
James assentiu e ele se foi com o pai. Do outro lado do pátio já se formava uma tropa de homens e cavalos. Era possível ouvir suas ameaças e gritos de guerra enquanto juntavam armas. Artur e o filho foram recebidos com tapas nas costas e promessas de que a menina seria recuperada.
Os gêmeos ensaiaram segui-los.
– Hei! – Chamou James.
– Nós também iremos – garantiram os dois ao mesmo tempo.
– Vocês não! – berrou Molly.
Harry viu o pai coçar o rosto, cuja barba cerrara nos últimos dias, quase apagando o cavanhaque. Ao mesmo tempo, os rapazes irromperam em grandes protestos contra a mãe.
– Temos dezesseis!
– Guardaremos as nossas armas no próximo ano!
– Ginny é nossa irmã!
– Sabemos mais feitiços incapacitantes que a maioria dos bruxos da redondeza.
– É! Até inventamos alguns.
Harry não sabia quem era quem, apenas acompanhou a verborragia, indo de um rosto igual para o outro.
– O que eles estão dizendo é verdade – concordou Hagrid, mas o olhar assassino de Molly o fez diminuir.
A essa altura James já sorria e Harry teve certeza de que ele não barraria os garotos. Porém, quando assentiu, ele evitou cuidadosamente o olhar perigoso da mãe dos rapazes. Os dois correram felizes para ponto de reunião. Remus deu um longo suspiro e saiu no encalço deles. James o segurou pelo braço.
– Você não, Aluado.
Harry estranhou o apelido, mas o mesmo não ocorreu com o capitão.
– Eu vou com vocês, James – afirmou o outro, com segurança.
– Mas você ainda está muito fraco, Remus – a objeção partiu de Lily.
Molly a olhou como se somente naquele momento tivesse percebido que havia pessoas sobressalentes ali. Ela ficou encarando Lily com a testa enrugada, seu rosto só pareceu ter um lampejo de compreensão quando ela percebeu Harry e o analisou com alguma atenção.
– Obrigado pela preocupação, Milady – ele falou o título sem nenhuma ironia, que era como James costumava fazer. Pelo contrário, Remus falou com uma reverência carinhosa. – Mas nós dois sabemos que não é prudente deixar os dois esquentadinhos sem supervisão. James e Sirius podem não precisar das minhas habilidades, mas precisam de um pouco de bom-senso e... eu creio que, desta vez, Artur não está em condições de exercer o papel.
– Eu posso ir com eles – disse Lily.
A expressão de James escureceu num raio.
– Só sobre o meu cadáver!
A frase era o bastante para uma nova guerra, ali mesmo. Lily inflou para retrucar, mas Remus foi mais rápido. Se colocou entre os dois e tomou as mãos dela nas suas antes de falar no mesmo tom carinhoso.
– Lily, não é prudente deixar o castelo completamente desguarnecido. A maioria dos homens irá conosco. Precisamos da sua capacidade, mas aqui. Molly precisa de companhia. Não queremos que ela fique sozinha com as crianças.
Harry e o garoto ruivo mais jovem se empertigaram imediatamente. Hermione deu um puxão no braço de cada um, enquanto rolava os olhos. Lily não os notou. Ela deixou o peito baixar junto com a indignação e concordou. Remus se curvou e beijou suas mãos com respeito.
– Hagrid... – falou assim que ergueu a cabeça.
– Pode deixar, Remus. Eu fico com eles. Ninguém vai ultrapassar essa muralha enquanto vocês estiverem fora. Eu tenho alguns amigos que podem ajudar – falou com um sorriso enigmático.
Os adultos o olharam com gratidão – havia apreensão nos olhos de Molly e Hermione, mas Remus e seu pai pareceram se divertir com a idéia. Harry ficou conjeturando quem seriam os amigos e se quando ele falara em muralhas tinha se referido ao castelo ou a si mesmo. O gigante pediu licença e se afastou para organizar as defesas carentes de pessoas.
James o acompanhou e depois fez uma careta para o seu capitão.
– Será que alguém ainda lembra quem é o senhor deste lugar?
– Às vezes – disse Remus com um sorriso fraco. – Em geral, quando você nos lembra disso. E aí? Vai dar a ordem para partirmos de uma vez ou eu farei isso?
O pai de Harry fez outra careta sem mostrar qualquer sinal de ter ficado incomodado em ser preterido nas ordens. Os dois voltaram a montar nos cavalos – Remus com alguma dificuldade sob o olhar atento do amigo – e, antes de se afastarem, James tornou para Hermione.
– Faça as apresentações – ordenou. – Molly está nervosa, Lily esteve fora por muito tempo, então, você ainda é a senhora da casa.
A garota assentiu. James olhou para Harry como se fosse dizer algo, mas desistiu. Ele esticou a mão e bagunçou ainda mais os cabelos espetados do filho e se foi.
Breve, a companhia estava reunida e inquieta e eles partiram. Quando o pátio praticamente silenciou, as últimas luzes do dia já estavam se pondo nas colinas além das muralhas altas e a noite chegava rápida. Hermione havia se aproximado de Molly Weasley e tomado sua mão numa tentativa de confortá-la, mas Harry podia ver o quanto a garota também estava abalada. Lembrava dela falar de Ginny Weasley o tempo todo, as duas deviam ser muito amigas.
Ele tinha ficado parado entre e mãe e o irmão mais jovem. O garoto era mais alto do que ele e tinha ficado o tempo todo se balançando sobre os pés. Não era difícil adivinhar por que. Com certeza, ele daria qualquer coisa para ter ido junto com os homens, para participar da busca pela irmã. Harry sabia disso porque aquele também era o seu desejo. Ser deixado para trás e ser chamado de criança não tinha agradado a nenhum deles. Contudo, nenhum dos dois demonstrou ter coragem o suficiente para pedir para ser incluído.
Molly assoou o nariz no lencinho e se virou para Lily, se antecipando a Hermione.
– Acho que não há necessidade de apresentações, Lady Lily. Seja – ela fungou e dobrou um pouquinho os joelhos – bem vinda. Sou...
– Molly Weasley – falou Lily com delicadeza. – Eu sei. – Num gesto que Harry reconhecia ser bem próprio da sua mãe, ela se adiantou e colocou o braço sobre os ombros da outra e disse carinhosamente. – Vamos entrar e conversar. Você precisa de algo que a acalme. Vai dar tudo certo. James a trará de volta. Eu sei que sim.
Molly a olhou agradecida, enquanto Harry se perguntava se Lily tinha se dado conta da enorme fé com que dissera o nome do seu pai. Finalmente, o rosto gentil da mãe dos garotos ruivos o mirou.
– Você deve ser o Harry, não é? – ele fez que sim com a cabeça. – É uma grande alegria tê-lo aqui. Imagino como seu pai deve estar se sentindo feliz após tantos anos sem...
Um soluço fundo cortou sua fala e Lily precisou ampará-la para que ela começasse a andar para atravessarem o pátio. Hermione seguiu atrás delas parecendo ao igualmente preocupada e ela mesma prestes a chorar. Harry e o outro garoto ficaram para trás. Os dois se olharam um pouco constrangidos.
– Ronald Weasley – disse o garoto lhe estendendo a mão e Harry a apertou de volta imediatamente.
– Harry... – o nome flutuou na sua frente, pela primeira vez, pedindo um complemento – er... Potter.
O outro lhe deu um sorriso fraco.
– Eu sei. Pode me chamar de Ron, mestre Harry.
– E você pode nunca me chamar de mestre – falou Harry com rapidez. Aquilo já era estranho na boca de Little John, mas John tinha um jeito de falar que o fazia se sentir como um garotinho. Na boca de alguém da sua idade, mais soava apavorante. Além disso, Harry já tinha decidido que queria ser como o seu pai. – Me chame só de Harry, ok?
O outro não pareceu tão assombrado com o pedido de Harry. Ele assentiu satisfeito e os dois começaram a caminhar para a porta aberta do outro lado do pátio.
– Eu sinto muito pela sua irmã. – Ron assentiu novamente, mas de um jeito mais grave. As orelhas se tingindo de vermelho. – Será que foi mesmo Malfoy que a levou?
– Não surpreenderia ninguém. Malfoy já nos causou problemas antes.
– Ninguém gosta nada deles por aqui, não é?
– É bem difícil gostar. Ele encabeçou toda a perseguição ao meu pai. Foi ele quem tomou as terras que tínhamos e bem, todo mundo tem quase certeza que ele é um dos homens dele.
– Você diz: do Voldemort?
Ron estremeceu e arregalou os olhos para Harry. Pareceu julgá-lo muito corajoso por dizer aquele nome sem preocupação.
– É.
– Acha que ele... – Harry titubeou sem saber como perguntar, ainda mais depois que soubera sobre Remus – bem, que ele ainda quer se vingar da sua família? É, o meu pai me contou. Você acha?
– Eu não sei. Mas faz muito tempo desde a última vez. Acho que eles nos consideram escória demais, porque nunca demos importância a essa coisa de famílias antigas.
Estavam já na porta quando Harry se deu conta que ainda segurava a mecha de cabelo em suas mãos. Estendeu-a para Ron imediatamente. O garoto a pegou sem comentar e a colocou cuidadosamente entre o cinto e a túnica cor de mostarda que usava. Harry não conseguiu não invejar um pouco a roupa limpa dele. Os dias de cavalgada não fizeram nada de lisonjeiro por suas roupas gastas e rotas. Para disfarçar seu sentimento de inadequação, ele perguntou.
– Onde achou?
– O que?
– A mecha de cabelo?
Ron piscou antes de responder.
– Lá dentro. Num dos corredores que levam à cozinha. Posso mostrar.
– Terá de me mostrar tudo por aqui – admitiu Harry olhando em torno e percebendo o novo ambiente.
– E isso será esquisito.
– Por quê?
– A casa é sua, não é?
Os dois atravessaram o vestíbulo todo em pedra, onde grandes archotes iluminavam um espaço quase vazio. Ron explicou que naquele lugar, os que iriam entrar no castelo eram convidados a deixarem suas armas.
– É um sinal de paz – explicou Ron.
Ele continuou a conduzir Harry por um corredor que os levou a um salão grande e confortável. O garoto não precisou de mais de um olhar para concluir que a casa inteira dos Dursley caberia ali com folga. Harry teve de segurar uma exclamação ao ver o lugar. Não era tanto o tamanho da sala, mas o fato de ela irradiar algo que Harry jamais vira naquela quantidade: conforto.
Uma lareira imensa dominava uma das paredes menores do aposento retangular. A parede que se estendia ao lado da porta e a que ficava do lado contrário à lareira eram cobertas por imensas tapeçarias de lã colorida. Dessa vez, Harry não se assustou ao perceber que os personagens ali retratados se moviam. Na maior, um grupo de unicórnios saltitava em torno de uma donzela com uma longa trança cor de cobre. A tapeçaria menor abrigava um leão de juba marrom que olhava para o grupo vizinho preguiçosamente, soltando bocejos ocasionais. O chão era de madeira e resistia aos passos, mostrando a solidez da construção.
A grande surpresa era a quarta parede. Ela se abria em arcos para uma balaustrada que se jogava sobre o rio e, naquele momento, começava a receber a luz convidativa do luar. Harry imaginou como ela seria fria no inverno, mas logo percebeu que estava enganado quanto a isso. O frio exterior era barrado por imensas placas de vidro transparente e isso era algo que ele jamais tinha visto.Admirou-se em pensar que só alguém muito rico, ou muito mágico, ou ambos, para possuir algo assim em sua casa.
No centro, havia uma mesa de madeira, polida até brilhar, e ladeada por umas dez cadeiras de cada lado. Em uma das extremidades ficava uma cadeira de braços, grande o suficiente para duas pessoas. Esta ficava de costas para a lareira encimada pelo que, Harry julgou ser, o brasão da família Potter. Acima do brasão um incrível escudo polido e duas espadas entrelaçadas. Harry ficou um pouco nervoso ao achar que, pela cor e pelo brilho, o escudo era revestido de prata e ouro.
Bem perto da lareira, havia mais cinco cadeiras, igualmente confortáveis, sobre um tapete de pele e duas delas estavam ocupadas por Molly e Lily. As cabeças juntas deixavam claro que Lily continuava a consolar a aflita mãe de Ron. Hermione correu para os dois.
– Parece que Lady Lily está conseguindo acalmar a sua mãe, Ron.
– Será que ela vai dar ordem para servir o jantar aqui no salão? Mesmo sem Sir James?
Hermione pôs as mãos na cintura.
– Eu não acredito que esteja pensando em comida num momento desses?
– Eu estou preocupado, Mione, mas eu ainda preciso sobreviver.
A garota bufou. O apelido e o tom disseram a Harry que Ron não tratava Hermione como a senhora da casa. Viu ali a mesma familiaridade que os amigos de seu pai dirigiam a ele. Percebeu que acertara em dizer para Ron não tratá-lo por mestre. Ainda estranhava tudo aquilo. Até porque sempre estivera na parte de baixo de qualquer relação que tivesse com qualquer tipo de pessoa. Os bruxos não pareciam fazer caso disso, mas isso seria um escândalo no lugar de onde Harry tinha vindo.
Uma nova crise de nervosismo de Molly fez o três se voltarem assustados para as mulheres. Lily abraçou-a e fez um sinal, por cima da cabeça da outra, para que eles fossem para outro local. Hermione empurrou os dois para fora do salão.
Assim, que saíram, Ron voltou à carga.
– E aí? Vamos até a cozinha?
– Oh, Ginny vai ficar satisfeita em saber que durante o tempo que ela esteve desaparecida, você não descuidou de si mesmo.
– Você é uma péssima anfitriã, sabia? – Hermione arregalou os olhos, chocada. – Harry nem sabe quem é a Ginny. Viajou dias. E você nem foi capaz de perguntar se ele não está morrendo de fome.
Ron observou com prazer o rosto de Hermione se tingir de vermelho e ela se voltar para Harry cheia de culpa.
– Ah Harry, me desculpe. Ron tem razão. Você deve estar doido por comer e descansar um pouco.
– Sem problema, Hermione. Eu não estou... – Ron acertou discretamente o lado de suas costelas com o cotovelo. – Quero dizer, agora que você lembrou...
O jantar servido na cozinha foi uma experiência. Primeiro pelo lugar. Ficava na parte debaixo do castelo. Na verdade, exatamente sob o salão de refeições, e isso, com certeza, ajudava o lugar acima a ficar mais quente e acolhedor. Suas várias salas e saletas ultrapassavam até mesmo o tamanho do andar debaixo da estalagem de Surrey. Segundo, por quem Harry encontrou trabalhando lá, ou o que. Na verdade, ele demorou a ter certeza como deveria identificá-los.
Cerca de uma meia dúzia de criaturas, que mal chegavam a sua cintura, corriam por ali. Todos eram muito semelhantes. Tinham olhos enormes, muito maiores que os de qualquer homem ou animal que Harry já tivesse visto. A cabeça grande era ladeada por duas grandes orelhas que pareciam asas de morcego. Os braços e pernas muito finos os faziam bem diferentes dos entroncados duendes com quem Harry topara em Londres.
– O que... quem? – ele não soube exatamente como perguntar.
– São elfos domésticos – explicou Ron surpreso. – Nunca viu um?
Harry negou.
– Claro que não viu, Ron. Os elfos só servem aos bruxos ou quando sentem muita pena de um ser humano. Harry foi criado no meio de gente comum, sem saber que era um bruxo.
– Sério? – Ron o mirou com piedade.
– E o que...? – Harry tentou novamente.
– Você já deve ter ouvido histórias sobre eles, Harry. Eu ouvia quando vivia com a minha mãe. É claro que as pessoas comuns confundem os nomes, chamam-nos de duendes, de gnomos, de espíritos da floresta. – Ela deu de ombros como se não houvesse o que fazer para corrigir o erro. – Lembra-se das histórias que contam que tem alguém passando dificuldades e de repente aparece algo que ele pode vender, ou trocar. Acho que a mais famosa destas, fala de um artesão que fazia sapatos.
Harry sorriu em reconhecimento.
– Claro, conheço esta!
– Elfos domésticos – disse Hermione com grande certeza. – Mas eles não fazem muito isso. A maioria passa seu tempo todo apenas querendo agradar os seus senhores bruxos. São criaturas muito doces, sabe? A maioria dos bruxos é extremamente perversa com eles. Mas eu lhe asseguro que James os trata muito bem.
– Sir James trata todo mundo bem – disse Ron rolando os olhos e tentando dar a conversa por encerrada enquanto se espalhava em uma cadeira e convidava Harry para sentar com um gesto. – Seu pai é o senhor que todos pediram a Deus.
Harry sentou sorridente. Hermione o acompanhou. Ela ficou um pouco chateada de Ron desviar o assunto de sua defesa dos elfos, mas elogiar o irmão também parecia ser um dos passatempos favoritos.
– Não há nenhum garoto, nem no castelo, nem em Godric’s Hallow que não queira, um dia, ser um dos seus cavaleiros. Meu irmão Will já é.
– O que foi para as Cruzadas? – Harry se sentiu bem em não estar tão mal informado.
– É. Ele foi como espião – falou Ron com evidente orgulho.
Harry ia contar que era um pouco mais do que isso, mas foi interrompido por uma das criaturinhas, que lhe fez uma grande reverência.
– Em que podemos servir nossos jovens mestres?
– Jantar! – disse Ron, sem se fazer de rogado. – E caprichem, pois hoje vocês têm de se apresentar bem ao seu futuro senhor. – Ele bateu no ombro de Harry. – Este é Harry Potter.
Houve um estrondo na cozinha. Todos os elfos largaram o que quer que estivessem segurando e correram para reverenciar Harry. O garoto ficou mais do que constrangido, seu rosto efetivamente ferveu com a atenção. Rony, ao contrário, se divertiu. Deu risadinhas até Hermione bater nele.
Jantaram magnificamente. Harry tinha certeza de que jamais tinha provado nada que se assemelhasse às iguarias que lhe foram servidas. Teve uma codorna inteira em seu prato, assada e corada com mel, pão branco (que ele nunca tinha visto, só ouvido falar) e feijões grandes e cozidos num molho de mostarda simplesmente inacreditável. Melões frescos e maçãs cozidas em vinho e mel de sobremesa. Foi a melhor refeição da sua vida, ele não tinha dúvidas.
Além disso, Harry percebeu que estar com Ron e Hermione era muito fácil. Ele nunca convivera muito com pessoas de sua idade, então ficava encantado em perceber que certos comentários e pensamentos nem precisavam ser ditos para serem partilhados.
Logo, os três voltaram a preocupação que embaçava todas as coisas: o que teria acontecido a Ginny? Harry voltou a questão da mecha de cabelo.
– Você disse que foi perto das cozinhas que a encontrou – falou para Ron. – Onde?
Ron terminou de enfiar um enorme pedaço de melão para dentro da boca.
– Aqui! – disse saltando da cadeira e saindo para porta. Harry e Hermione ainda levaram uns instantes para alcançá-lo, pois precisavam agradecer a todos os elfos e negar suas ofertas de comida extra.
Se reuniram no corredor e Ron os guiou para o lado oposto daquele de onde tinham vindo. Paredes de pedra escura os achatavam de ambos os lados. Havia poucos archotes por ali e, num movimento displicente, Ron e Hermione sacaram as varinhas e disseram juntos ”Lumus”. Imediatamente a ponta das varinhas acendeu. Hermione notou o olhar de Harry.
– Tente – ela exortou. – Este é bem fácil. Você consegue.
Harry imitou seus dois novos amigos e, para a sua alegria, o feitiço funcionou tão perfeitamente para ele quanto para os outros. Seguiram assim por vários passos.
– O que você estava fazendo por aqui? – quis saber Hermione.
– Eu tinha ido pescar com Fred e George. – Ron olhou diretamente para Harry e apontou para frente. – Lá adiante tem uma saída. Um portão disfarçado na muralha e que dá direto para o rio.
– Eles não podem ter entrado por lá? – perguntou Harry.
Ron considerou por um instante.
– Seria difícil. Há feitiços de guarda em toda a margem oposta do rio. Ninguém conseguiria penetrar a muralha sem que sua entrada fosse expressamente permitida. Além disso, ficamos quase todo o dia ali e teríamos visto se alguém tivesse tentado chegar ao castelo.
– Talvez tenham confundido vocês – sugeriu Hermione.
– Por que eles se arriscariam entrando no castelo, se havia três de nós dando sopa por ali?
– Ele tem razão – disse Harry. – Se o caso era pegar um Weasley, por que a garota?
– E ninguém me confundiria sem que eu soubesse – garantiu Ron, um pouco chateado. Hermione se limitou a revirar os olhos, sem dar atenção ao orgulho do garoto.
– Certo. Então, onde estava afinal?
Ron andou mais uns passos cuidando traços nas paredes de pedra nua e no chão. Até estacar.
– Foi aqui.
– Tem certeza – perguntou Hermione, vasculhando o lugar com a luz da varinha. Harry a imitou.
– Tenho.
Ficaram em silêncio, escrutinando o local. Hermione encontrou mais alguns fios de cabelo e, com eles, marcas de barro e gostas de sangue. Isso a fez ficar bem perturbada e Harry notou que ela e Ron se esforçavam para disfarçar a náusea enquanto estavam ali. Seus olhos porém foram atraídos por um detalhe um pouco adiante. A forma como as marcas de barro seguiam pelo corredor.
– Ron, você trouxe o resto da sua família até aqui?
– Sim.
– Eles investigaram a saída de pesca?
– Claro. Não vimos nada.
– E essas marcas de barro?
Ron trocou um olhar rápido com Hermione.
– Sempre tem barro por aqui, Harry. O caminho leva para o rio. Olha, se eles tivessem passado por aqui, haveria pegadas, mas só tem barro.
– Não – falou Harry acompanhando as marcas por uma determinada distância. Isso aqui não são restos de barro. Vejam – ele apontou a varinha e acompanhou uma longa lista de barro. – Tem um padrão de movimento. Parece que alguma coisa se arrastou por aqui.
Ele evitou cuidadosamente usar o primeiro termo que lhe tinha vindo à cabeça: “foi arrastado”. Os dois pareceram muito impressionados com a sua suposição e se curvaram para continuar o exame. Foi Hermione quem falou afinal.
– O que isso te parece? – ela olhou para Harry e o garoto titubeou. Não queria magoar Rony, mas acabou respondendo.
– Parece o jeito que uma cobra se movimenta. – Ron tremeu involuntariamente. – Mas eu nunca soube de uma cobra deste tamanho, então não deve ser. Eu...
– Sabemos de algumas que pode ser bem grandes – disse Hermione, que agora parecia prestes a chorar.
Ron foi até ela e passou o braço em seus ombros. Ele e Harry preferiram não comentar o tom agourento da garota. Depois de uns instantes, os três voltaram a analisar o chão. Adiante, Ron mostrou a Harry a porta que dava para a área de pesca. As marcas passavam reto por ali e prosseguiam pelo corredor. Trocaram um olhar rápido e continuaram a acompanhar as marcas. Mais além, algumas gotas de sangue demonstraram que eles estavam certos. O longo corredor acompanhava a muralha e, logo a seguir, fez uma curva acentuada à direita. As marcas continuaram por uns poucos passos então sumiram.
– O que isso quer dizer? – perguntou Ron aflito.
Harry, porém, analisava a forma como as marcas desapareciam abruptamente num pedaço de chão. Aproximou ainda mais a varinha, era como se o rastro houvesse sido cortado.
– O que acha? – a sua pergunta foi dirigia a Hermione, que olhava para o chão com a mesma intensidade que ele, um vinco fundo entre as sobrancelhas.
– É muito estranho. É como se houvesse entrado em...
– Uma passagem – ele completou.
– Vocês dizem: uma passagem secreta? – quis saber Ron.
– Faria sentido ter uma por aqui? – perguntou Harry em resposta e Ron deu um sorriso de lado.
– Isso é um castelo, não é? Pelo que seu pai fala foi construído há umas três gerações, é antigo o suficiente.
– O que Ron quer dizer é: faz todo o sentido uma passagem secreta. Talvez até esquecida – disse Hermione. O rosto dela brilhou um pouco com a excitação da descoberta.
– Bem, nesse caso, precisamos achar como abrir, não é? – Harry se sentia plenamente confiante de que eles estavam no caminho para encontrar... Bem, alguma coisa.
Hermione endireitou o corpo e apontou a varinha para o exato lugar em que o rastro sumia.
– Alorramorra! – Nada aconteceu. Ela deu de ombros, um pouco constrangida. – Não custava tentar, não é?
Ron trocou um olhar com Harry, que perguntou para Hermione.
– Alternativas?
– Deve haver algum tipo de mecanismo que acione a abertura por aqui – afirmou ela.
Sem esperar mais, os três se puseram a bater nas paredes e no chão em busca de qualquer saliência, qualquer coisa que pudesse abrir a tal porta. O tempo passou longamente. Nenhum deles parecia disposto a desistir. Revisaram várias vezes cada lugar, mas sem alteração. Harry começou a se preocupar, pois a fina linha de esperança que Ron e Hermione se agarravam estava prestes a arrebentar e ele sentia muita pena dos dois. Havia ainda algo que nenhum deles comentara. Se estavam certos e não achassem como prosseguir, então, as chances de Ginny Weasley diminuíam, pois, muito provavelmente, os homens que o pai de Harry mobilizara para resgatá-la estavam indo para o lado errado.
O pensamento ainda o corroia quando, ao invés de testar a junção entre as pedras da parede, sua mão deslizou sobre a superfície de uma delas. A pedra estremeceu e Harry deu um passo para trás ao sentir o movimento sob os dedos. Ron e Hermione pararam imediatamente ao seu lado. A pedra tomou uma feição semelhante a um líquido e uma boca sem rosto apareceu e perguntou.
– Meu senhor?
Os três se olharam apreensivos. Hermione cravou as unhas no braço de Harry.
– O quê? – Harry não tinha entendido.
A boca não se movimentou.
– Acho que ele quer que respondamos – Hermione afrouxou um pouco a pressão.
– Mas o quê?
– Eu acho que o nome do senhor dele – disse Hermione.
– Isso é fácil – falou Ron e olhou para a pedra. – Potter.
A boca se torceu em desgosto e começou a se movimentar para desaparecer. Hermione sacudiu o braço de Harry com urgência.
– Não você, Ron. Harry!
– Potter – ele disse rapidamente e a pedra parou de tremular. A boca voltou a aparecer.
– A seu dispor, Milord.
No instante seguinte os três tiveram de pular, pois a pedra sob os seus pés, aquela onde os rastros sumiam começou a se mover. Uma escada levava para baixo, bem mais baixo do que onde eles estavam. Os três aproximaram as varinhas para iluminar e não viram o fim das escadas.
– Tem masmorras aqui? – perguntou Harry.
– A entrada é pelo outro lado do castelo – informou Ron. – Nunca ouvi falar de nada por aqui.
– Talvez leve a uma rota de fuga pelo rio – sugeriu Hermione. – Pode ter sido construída para ser usada no caso de um ataque.
– Será que Malfoy conseguiria usá-la?
– Parece difícil, Harry. Ao menos aqui de dentro, a passagem parece apenas ser acionada pelo senhor. – Ela parou a negativa dele. – Por isso não funcionou com o Ron. Você é o herdeiro. Provavelmente, só você e o James poderiam abri-la. Talvez eu, mas não temos tempo para testar.
– Bem, isso ainda não resolve quem levou a irmã do Ron. – Ele inclinou o corpo um pouco para baixo. O buraco lhe trouxe um hálito frio, úmido e limoso. – Vamos dar uma olhada lá embaixo.
Ele já havia começado a descer e Ron estava logo atrás dele, mas Hermione ainda não havia se mexido.
– O que foi?
– Não seria melhor chamarmos alguém? – perguntou ela. – Hagrid. Ou talvez a sua mãe?
Os dois garotos trocaram um olhar rápido. Harry pensou no desespero de Molly Weasley. Não parecia certo lhe dar uma esperança que poderia estar errada. Chamar Hagrid poderia deixar o castelo desguarnecido nas muralhas, e seria tirá-lo do posto que ele havia prometido para James que ficaria. A outra alternativa era Lily. Harry sabia que a mãe os acompanharia, mas tirá-la de perto de Molly acabaria acionando o primeiro problema.
– Não temos certeza sobre o que achamos, Hermione. A mãe do Ron não suportaria se estivéssemos errados. – Ela não pareceu convencida e Harry olhou para o fundo escuro para onde as escadas levavam. – Se encontrarmos alguma coisa, a gente volta pedindo ajuda, certo?
Ela mordeu o lábio, indecisa.
– Por favor, Mione – pediu Ron. – E se a Ginny estiver realmente lá?
– Certo – ela aceitou com um suspiro. E se encaminhou para segui-los. – Mas se James brigar com a gente, direi que a culpa é de vocês.
– Seu companheirismo é notável, Milady – disse Ron num tom que lembrava muito o sarcasmo de James quando se dirigia para Lily e estava bravo.
Hermione ergueu o queixo, passou por Ron e começou a descer as escadas, logo atrás de Harry. Na medida em que afundavam na escuridão ia se tornando mais molhada e impenetrável. As varinhas deles mal conseguiam fazê-los distinguir os degraus. Num dado momento, Harry se abaixou para olhar o chão. As marcas prosseguiam ali. Ele estava correto.
A escada dava algumas voltas e Harry acreditou que ela se enroscava no alicerce subterrâneo de uma das torres. Ele achou que tinham dado cerca de duas voltas quando seus pés tocaram em algo fofo e levemente escorregadio.
– Barro – disse finalmente. A primeira palavra em voz alta desde que haviam entrado ali. Virou-se cuidadosamente para olhar os outros dois. Ron vinha de mãos dadas com Hermione ajudando-a a descer. – Parece que é o lugar certo.
– Eu ouço barulho de água – disse Hermione, apontando a varinha para frente.
– É a lógica ter um ancoradouro escondido aqui, não é? – falou Ron.
E havia. Um pouco adiante, uma espécie minúscula de praia se estendia até a pedra sólida da ilha sobre onde o castelo Potter fora construído. A água refletiu as luzes das varinhas dos três e as ampliou. Era apenas um buraco escuro com um pouco de água. Hermione soltou a mão de Ron e olhou o chão.
– O rastro parece ir até água, mas não consigo ver a saída.
– Tem que haver – disse Harry. – É uma rota de fuga inútil se não tem uma saída.
As três varinhas passaram a vasculhar cada pedaço do lugar em busca de uma pista de onde estava a saída. Os três garotos se afastaram um pouco um dos outros. Harry ajustou as lentes de vidro que ganhara de Dumbledore sobre os olhos e, mais uma vez, mentalmente, as agradeceu. Tinha certeza de que elas o ajudariam a... Um grito agudo de Hermione o fez se voltar tão rapidamente para trás que ele escorregou e caiu enfiando o traseiro e uma das mãos no barro úmido e limoso. Ron chegou até ela com mais rapidez. Quando ele conseguiu, já a encontrou soluçando, com o rosto escondido no ombro de um Ron cujo rosto, mesmo com aquela luz, era verde.
Ele acompanhou o olhar dos dois, mas temeu o que iria ver. Talvez, a pobre garota mutilada. Isso seria o suficiente para explicar o horror de Hermione. Mas não era isso. Ao lado do início da escada, mais alto que a cabeça deles – o que explicava não o terem visto imediatamente – havia uma coisa cravada. Era uma montoeira com tecido, cabelos, manchas que ele reconheceu, nauseado, serem de sangue, algum barro e uma centena de agulhas de osso. Uma maior prendendo tudo na junção de duas pedras. Estava a uma altura bem grande. O único homem que poderia alcançá-la sem problema era Hagrid.
– Que horror! – comentou. – Será que eles sabiam que alguém viria aqui?
Ron lhe devolveu um olhar vazio, foi Hermione com algum esforço que lhe respondeu.
– Isso não é para ser visto, Harry. É a marca de um feitiço – ela fungou, escondendo a boca com as mãos. – É um Mata-casa.
– O quê?
– Um feitiço para matar todos na casa – ela explicou tentando controlar o pavor. – Primeiro, levam a criança, ou o mais jovem daqueles que pode chamar a casa de lar. – Hermione não controlava mais o choro. – Sete dias – ela soluçou – a criança é torturada.
Harry olhou para Ron. Ele ainda estava verde e tremia.
– A família sonha... tem pesadelos durante a noite... no fim, todos sabem exatamente o que a criança sofre. Quando a acaba, o corpo da criança é devolvido... de... um... jeito...
Ela desabou chorando convulsivamente e Harry colocou a mão no seu ombro,
– Tudo bem, Hermione. Eu entendi.
– Não é tudo – disse Ron com uma voz de além túmulo. – A dor é tão insuportável que ela se espalha como um veneno. Na verdade, ela se torna um veneno. Tudo o que a vítima tocou fica envenenado. Até mesmo o corpo ao qual os parentes não conseguem se recusar a tocar e enterrar. Em um ano: todos na casa também estarão mortos. Não há o que fazer. Não existe um contra-feitiço para isto. A maioria dos bruxos, nem quer que exista. Ninguém quer... sobreviver a... isso.
Ron parou. Falara com seu último fôlego. Ele saiu de perto dos dois, agachou-se perto da água e vomitou. Harry se lembrava de sua mãe desfazendo do feitiço que se vendia na Rua da Magia para enganar as pessoas comuns. Algo com terra de cemitério que pretendia a mesma coisa, matar todos os que viviam em uma casa. Lembrou de ela dizer que os bruxos tinham outros métodos. Bem mais cruéis que o uso de terra de cemitério.
– Quem a levou, Hermione? – perguntou Harry, mas a menina estava ainda fora de si. Ele a pegou pelos ombros. – São sete dias, Mione. Sabemos que Ginny ainda está viva. Nós só temos de achá-la. Se o fizermos antes que todos durmam e possam sonhar talvez ela nem sofra. Preciso que fique firme, entendeu? Você estudou essas coisas de magia. Tem idéia de quem ou o que pode tê-la levado?
Hermione tentou com custo engolir o choro e Harry esperou pacientemente até que ela se acalmasse, mas não tirou os olhos do rosto dela, nem as mãos dos seus ombros. Sua mãe costumava fazer isso quando ele ficava com muita raiva dos Dursley. Era um jeito de centrá-lo e ele se viu instintivamente usando o mesmo expediente. Deu certo. Ela finalmente enxugou as lágrimas com vontade, parecia até envergonhada de ter perdido a calma.
– Certo. Eu... o que me vem à cabeça... – ela olhou para trás. Ron ainda estava inclinado sobre si mesmo, sofrendo muito, os dois sabiam, então, ela baixou um pouco a voz. – Nunca se usam seres humanos nesse tipo de feitiço. É preciso... uma criatura mágica.
– De que tipo?
– Um monstro – a voz dela não saiu, apenas os lábios se mexeram e Harry precisou respirar fundo.
– Tem idéia...?
– Não importa o que é! – A voz de Ron estava estrangulada, mas cheia de determinação. – Vamos atrás dele de qualquer jeito. Não é?
Ele havia se erguido e encarava os dois como se os desafiasse a dizer que não.
– É claro que vamos – concordou Harry.
– Mas ajudaria a gente saber do que se trata – disse Hermione.
Harry não achou que ela fraquejaria de novo, mas a disposição deles decididamente a deixava nervosa.
– Talvez devêssemos chamar alguém. Nós sabemos agora o que é e... Podemos morrer...
– Se Ginny morrer, todos nós estaremos mortos em um ano. Qual a diferença?
A lógica de Ron era temerária, mas ainda era uma lógica, pensou Harry. A alternativa aventada por Hermione fazia sentido também. Ou seja, subir e chamar a sua mãe, Hagrid e a Sra. Weasley. Mas isso levaria tempo. E Harry sentia que cada instante era precioso.
– Não temos muito tempo a perder. Então, vamos organizar isso, certo? Primeiro, sabemos que é provavelmente um monstro – ele testou a palavra em voz alta, Ron reagiu corajosamente, embora tornasse a esverdear um pouco. – E que se mexe como uma cobra, mais ou menos... – ele fez um círculo com os braços, para mostrar o que tinha imaginado pelas marcas que os tinham levado até ali – deste tamanho. Opções? Vocês certamente conhecem mais criaturas mágicas do que eu.
– É pequeno para algumas coisas que eu pensei – disse Ron, mirando os braços dele.
– E grande demais para outras – completou Hermione, com a voz pensativa. Ela começou a andar de um lado para o outro. Os dois aguardaram enquanto ela falava sozinha. Uma ou duas vezes ela bateu no próprio rosto para se forçar a lembrar de alguma coisa. Então:
– Por que vocês dois estão me olhando? Não deviam estar procurando por onde a coisa saiu desse lugar? – quis saber, mandona.
Ron e Harry nem retrucaram. Empunharam as varinhas e saíram à caça da saída. Depois de algum tempo, os dois chegaram à conclusão que a única saída deveria estar escondida pela água. Provavelmente uma passagem que levava ao rio no lado externo. Os dois deliberaram aos cochichos o que fariam e decidiram que poderiam convencer Hermione a buscar ajuda enquanto eles mergulhavam na água em busca da saída. Porém quando se viraram para a garota, ela parecia completamente alheia a eles. Os olhos dela estavam fixos na parede de rocha que havia do outro lado da água. Ela inclinou a cabeça para o lado, tentando ver melhor.
– Venham aqui – chamou e eles se juntaram a ela. Hermione apontou com a varinha para cima. – Joguem a luz ali.
Os dois obedeceram. A parede escura e brilhante continuou escura e brilhante de umidade, exceto por um pequeno espaço. Uma forma arredondada que parecia mais escura e sem nenhum brilho se destacava ali.
– Acha que o monstro saiu por ali? – perguntou Ron um pouco incrédulo. – Como ele chegaria lá?
– Saltando – sussurrou Hermione.
– E como nós chegaremos lá? – quis saber Harry rodando a cabeça enquanto imaginava no que poderiam se apoiar.
– Harry... – chamou Hermione – acho que precisaremos de ajuda, agora.
Os dois garotos a olharam ao mesmo tempo, assustados com o tom dela. Hermione não tirara os olhos do buraco acima da cabeça deles.
– Você sabe o que é? – o tom de Ron tinha uma nota incômoda de pavor. Harry sentiu seu estômago contorcer quando viu Hermione assentir.
– Fale de uma vez!
– É... é uma... górgone.
– Uma o quê? – Harry sentiu novamente aquela horrível sensação de completa ignorância, mas o vinco na testa de Ron lhe pareceu um alento.
– Uma górgone – ela repetiu. – É um ser muito cruel. Corpo de cobra, tronco e rosto de mulher e cabelos de serpentes. Provavelmente um dos animais mais venenosos que se tem notícia.
Os olhos dos dois garotos estavam arregalados de forma inacreditável.
– E como esse bicho veio parar aqui?
– Eu não sei, Ron... – Hermione sussurrou. – Mas tenho certeza de que foi ela que pegou a Ginny. Esses buracos, o tamanho que imaginamos para o corpo de cobra, as unhas grudadas no feitiço...
– Aquilo são unhas? – perguntou Ron, apavorado. Hermione fez que sim.
Os três voltaram a olhar para o buraco.
– Precisamos chamar alguém – disse Hermione, a voz ainda fraca.
– Você vai – disse Harry. – Ron e eu acharemos um jeito de chegar lá em cima. – Ron concordou imediatamente.
– Não! É muito arriscado!
– Hermione , nós não podemos esperar. Cada minuto... foi você quem disse que ela torturaria Ginny. Como podemos esperar aqui? – falou Harry.
– Mas, mas... chegar lá em cima é...
– Eu tenho certeza que você conhece algum feitiço para nos ensinar – exortou-a Ron. – Um que nos faça chegar lá.
– Em último caso, escalamos a pedra – afirmou Harry.
Ela olhou de um para outro torcendo as mãos. Harry podia ver a prudência brigando com a necessidade de salvar a amiga o mais rápido possível. Ele ficou feliz quando a segunda alternativa venceu.
– Certo. – Ela respirou fundo decidindo o que fazer. – O feitiço é simples. Apontem para os próprios pés e digam: Ascendio!
Os pés de Hermione imediatamente saíram do solo e ela flutuou graciosamente até o buraco negro na parede. Assim que chegou lá, a menina se posicionou para ajudá-los, ficando de joelhos. O buraco não permitiria a nenhum deles ficar em pé.
– Não se esqueçam de visualizar firmemente onde querem chegar. Isso é muito importante. Você primeiro, Ron.
Ele pigarreou e depois apontou a varinha para os pés. A primeira tentativa não teve nem de longe a precisão e graça de Hermione. Ron ficou tão encantado em ver seus pés saírem do chão que se desconcentrou e voltou a cair. Não fosse Harry segurá-lo, ele teria escorregado e se afundado na lama sob os pés deles. Hermione rolou os olhos. A segunda tentativa funcionou e logo ele estava junto com Hermione esperando por Harry.
Concentrando-se com toda a força que podia, Harry realizou o feitiço. Não foi perfeito como o de Hermione. Ele se sentiu um peixe se contorcendo no anzol. Mas funcionou na primeira vez e quando ele chegou perto do buraco, Ron e Hermione jogaram os braços e o puxaram para dentro.
– E agora? – perguntou.
– Seguimos – disse Hermione. – A toca dela deve ser no fim desse buraco.
Ron estendeu a varinha pare frente. A iluminação foi mínima.
– Parece um gigantesco buraco de minhoca.
– É mais ou menos o que é – resfolegou Hermione. – Mas tem uma coisinha a mais. – Os dois a encararam, esperando. – Não olhem diretamente para ela. Os olhos dela transformam em pedra quem olha para eles.
– Bem, com a descrição que você tinha feito antes, eu já não estava exatamente curioso – falou Ron.
– Fechem os olhos a qualquer movimento, ok? – ela pediu e os dois concordaram.
Harry assumiu a dianteira e começou a se arrastar pelo túnel. Sua cabeça só pensava em como deveria ser a toca daquele bicho estranhíssimo e como eles fariam para tirar a irmã de Ron de lá e fugir antes que alguma coisa ruim acontecesse a algum deles. Umas duas vezes sua cabeça tentou convencê-lo a voltar e chamar sua mãe e Hagrid. Mas Hagrid não conseguiria se espremer por aquele túnel – a comparação com um buraco de minhoca fora perfeita – e sua mãe... Harry confiava em Lily. Ela os ajudaria, com certeza. Mas tinha algo que o incomodava desde o momento em que ele vira o feitiço. Era como se uma ampulheta tivesse sido virada dentro dele. E se no tempo que eles levassem para chamá-la, algo muito ruim acontecesse a irmã de Ron? Não. A melhor chance que eles tinham era fazer o possível. Ele sabia que nada menos que essa lógica teria feito Hermione concordar com ele em seguir em frente.
O buraco serpenteava pela terra e era perfeitamente circular, Harry tentou não imaginar qual a força que teria de ter o corpo que o abriu. Havia terra e rocha ali. A rocha lhe garantia que aquilo não desabaria, mas também não parava de gritar sobre o oponente formidável que teriam à frente. Como forma de manter o coração no lugar certo – no seu peito e não na garganta –, ele não parava de pensar que só pegariam a garota. Que seriam rápidos. Que eram bruxos. Bem, ao menos Hermione realmente parecia saber o que fazia quando empunhava a varinha e Ron não lhe parecera ruim, apenas um pouco descuidado. Então, eles tinham vantagens. Não era como se fossem pessoas comuns sem nenhuma arma. Isso o fez estremecer.
– Hermione! – sussurrou com urgência.
– O que?
– Não seria bom termos alguma arma? Só para o caso de... – engoliu a frase. Como lutariam com um ser que não podiam olhar?
– Estava pensando nisso – ela sussurrou de volta. – Vou tentar conjurar alguma coisa.
– Fazer surgir do nada?
– Não – ela explicou. – Só se pode conjurar se você sabe onde tem o que você quer, e se você tem direito àquilo. – Harry olhou para trás sem compreender. – Explico melhor a teoria depois.
– Ok.
– Você está pensando no que? – perguntou Ron, que fechava o grupo.
– Nas espadas e no escudo da sala de jantar.
– Você enlouqueceu? – perguntou o garoto. – Sir James vai fazê-la em picadinho se você...
– Meu pai não vai se zangar se for para a gente se defender – interrompeu Harry.
Ron ficou quieto e só então Harry percebeu que uma parte dele tinha desejado empunhar uma daquelas espadas no momento em que as tinha visto, assim como o escudo. Imaginara a si mesmo e ao pai, lado a lado, lutando como cavaleiros. A imagem sumiu quando o buraco virou abruptamente para a esquerda e se abriu a sua frente. Algo semelhante a uma caverna seca, sustentada por grossas vigas de rocha que se estreitavam no meio, se estendia por ali. No centro, uma fogueira fraca iluminava o local. Ron e Hermione apagaram as varinhas e Harry repetiu a palavra que eles disseram. A luz da varinha dele também sumiu. O lugar era muito úmido e tinha alguma altura nas paredes. Um pouco mais altas que aquelas que Harry tinha visto no castelo.
Fez um sinal para os outros se manterem bem perto do chão e, por um instante, agradeceu que a terra tivesse transformado a “amazona”(1) clara que Hermione usava, em algo imundamente marrom. Isso os tornaria menos visíveis. Se arrastaram até saírem do buraco e ficarem escondidos atrás de um dos pilares de rocha. Felizmente não havia sinal da górgone. Mas podia-se ver vários túneis que saíam daquela espécie de sala principal, onde, provavelmente, ela estaria. Harry achou um ótimo agouro o tal bicho não estar ali. Sem trocarem uma palavra, eles vasculharam o lugar com os olhos, os três procurando por qualquer indício de Ginny. Harry imaginou que bastava procurar por qualquer coisa que lembrasse o cabelo vermelho que ele vira em todos os Weasley.
Ron gemeu baixinho. Não havia nenhum sinal aparente da menina. Então, Harry a viu. Em um dos inúmeros buracos de minhoca, do outro lado da caverna, um pouco alto do chão, uma sombra encimada por uma cabeleira de fogo estava caída ali. Ele apontou imediatamente para os outros e Hermione reprimiu um gritinho levando a mão à boca. Era preciso pensar rápido e Harry soube instintivamente o que devia ser feito.
– Hermione – sussurrou. – Você pode... qual foi a palavra? Aquela de trazer as armas.
– Conjurar? – Ela assentiu trêmula.
– Faça.
A garota fechou os olhos e depois com o rosto muito concentrado murmurou um feitiço. Para o deslumbramento de Harry e Ron as duas espadas e o escudo apareceram ali, bem no meio deles.
– Brilhante! – exultou Ron e Hermione corou um pouco.
– Valeu, Hermione! Agora, me ouçam. Eu ainda não sei feitiços o bastante, então vamos fazer o seguinte. Eu pego uma das espadas. Ron, você fica com a outra e Hermione com o escudo. – Ele fez a divisão e nenhum dos dois reclamou. Ron pegou a espada encantado. – Agora, eu vou atravessar a sala e pegar a irmã do Ron. Vocês dois, me dão cobertura. É o mais lógico, Ron. Você sabe fazer mais mágicas que eu! Não poderá se preocupar com isso se estiver com a sua irmã e eu não serei útil.
Hermione pareceu disposta a concordar com Harry e ia argumentar com Ron, mas não foi necessário.
– Ok. Mas acho que você deve levar o escudo, nesse caso. Eu e Hermione podemos fazer escudos com magia, você precisará mais que a gente.
– Certo. – Harry pegou o escudo, passou a alça dele pelo tronco e o colocou para trás em suas costas. Segurou a espada com a mão direita. – Certo – repetiu, segurando o nervosismo.
– Acha que chega até lá? – perguntou Hermione, aflita.
– Eu sou bem rápido – confessou. – Isso sempre me ajudou a escapar do meu primo quando ele queria me bater.
Com um meio sorriso tenso, ele se virou e mirou o lugar onde os cabelos ruivos eram visíveis. Respirou fundo e se pôs a atravessar a caverna com os passos mais largos que conseguiu dar. Não era apenas rapidez. Era preciso fazer pouco barulho. A górgone poderia ouvi-los. Ou senti-los. Será que ela não tinha ouvidos como as cobras? Nesse caso ela sentiria o cheiro deles. Era preciso ser rápido.
Harry teve a sensação dupla de que fizera o trajeto em poucos instantes e que ele tinha durado uma eternidade. Estava já sob o buraco de minhoca em que Ginny tinha sido colocada. Ele colocou a espada presa no cinto e estendeu a mão para cima, buscando uma saliência na rocha. Com agilidade conseguiu se impulsionar para cima e escalar. Imaginou que estava subindo em uma árvore. Soube que tinha chegado quando seus dedos roçaram nos cabelos da garota. Tentou afastá-los um pouco antes de se segurar e dar impulso para cima.
Finalmente, Harry conseguiu sentar no buraco. Parou olhando para fora. Nenhum sinal da górgone. Ele fez um sinal positivo para Ron e Hermione que lhe sorriram do outro lado da caverna. Agora, era preciso decidir como ele levaria Ginny dali. Virou-se para a garota que ele acreditava desacordada, mas deu de cara com dois olhos castanhos muito assustados encarando-o. Ela se mantinha próxima ao chão, o cabelo completamente desalinhado, o rosto sujo de terra e lágrimas, havia cortes nos braços e um bem feio na raiz dos cabelos. O medo parecia prestes a fazer com que ela empurrasse o corpo para longe dele.
– Calma... eu vim ajudar.
Ela mexeu com a cabeça. Parecia um pouco fora de si.
– Eu vim com o seu irmão – Harry se apressou em dizer, precisava que a garota colaborasse com ele. – E com a Hermione. Olhe, eles estão lá embaixo.
Harry abriu espaço com o corpo. Ginny ainda o olhava, cautelosa, mas ela se animou a olhar um pouco a frente. Ron e Hermione acenaram. Ela respirou fundo.
– Essa... coisa... – disse numa voz baixinha. – Ela é horrível. Vai matar vocês também.
– Não! Não vai. – Harry estendeu a mão para Ginny. – Vamos levar você para casa. Ninguém vai morrer hoje. Eu prometo.
Fora uma coisa tola de dizer, mas ele precisava que ela viesse com ele e rápido. Funcionou. O olhar assustado passou para confiante e ela quase sorriu. Ginny lhe pareceu menor do que ele tinha imaginado. O rosto um pouco infantil se tingiu de coragem e ela aceitou a mão dele.
– Vou cobrar a promessa – ela disse.
Harry sorriu enquanto a ajudava a ficar de joelhos.
– Certo. Você pode se segurar em mim, eu vou ajudá-la a descer.
Ginny se sentou ao seu lado e Harry passou o escudo para a sua frente e a fez se segurar nele. Um braço sobre o ombro direito e o outro sob o braço esquerdo. Assim que ele se impulsionou para baixo sentiu o coração acelerar. Agora estava responsável por alguém e isso tornou sua descida mais cautelosa. Estava com muito medo de escorregar, mas deu certo. Assim que encostaram os pés no chão, ele ajudou os dedos rígidos da menina a soltá-lo.
– Tudo bem?
– Sim – ela falou quase sorrindo.
Um grito selvagem rasgou o espaço por sobre os sussurros deles. Era algo que lembrava ao mesmo tempo uma águia, um urso e alguém tomado por uma fúria assassina. O sangue de Harry gelou nas veias
– Ah meu Deus! É ela – disse Ginny em pânico.
Harry, no entanto, não conseguia se mexer. Ele olhava para um dos buracos de minhoca que estava entre eles e os outros dois amigos. Algo escuro e furtivo se mexia lá dentro. Vinha rápido, muito rápido, na direção deles. Mal deu tempo de pensar o quanto ele tinha sido estúpido em arrastar os outros até ali. Nem era capaz de figurar o animal que se arrasta até eles e que, provavelmente, os mataria. O grito dela tinha sido o suficiente para ele compreender isso.
Primeiro, foram as serpentes. Verdes, vivas, enroscando-se em si mesmas, abrindo as bocas com dentes afiados em centenas de botes. Depois o alto da cabeça feminina, as mãos em garras, o peito que, de humano, ia se terminando em escamas azuladas e, por fim, um longo e sinuoso corpo de cobra.
– Não! – disse Ginny, num último fôlego, puxando-o para o chão um instante antes da górgone erguer a cabeça e os olhos dela encontrarem com os seus.
X – – X – – X
(1) “Amazona” é um nome que se dava a um tipo de vestido aberto na parte da frente até a altura da cintura. Na época medieval, essa roupa permitia às mulheres usarem calças de montaria por baixo dessa roupa quando iam cavalgar. Como ainda não existia o selim, um tipo de sela no qual as mulheres montavam com as duas pernas para um único lado do cavalo, então, era preciso uma alternativa para montar como homem sem ferir o decoro da época. Como eles chegaram de viagem e Hermione não teve tempo de trocar de roupa, ela ainda a estava usando.
N/B Sônia: E Harry conheceu Ginny. Eu SEMPRE me emociono com os primeiros encontros entre esses dois. E o seu, Anam, foi de arrasar o quarteirão, o bairro, a vila, o reino!... – E o trio? Instantaneamente amigos, para sempre irmãos, heróis desde o primeiro dia juntos. – FANTÁSTICO! Eu estava com saudades das aventuras desses três! Foi fascinante, também, observar as mudanças do Harry neste capítulo. A sutil, mas definitiva, transformação que houve nele. Passaram- se os dias de se acostumar a ser um bruxo e um filho de senhores, e chegou a hora tomar a frente, quando foi necessário... =D - Sobre a górgone? Não vou comentar muito. Só posso dizer que o pobre bichinho nem tem idéia da baita encrenca onde se meteu... ;D – Irrepreensível, Anam, em cada parágrafo! *aplaudindo* - Uno-me ao coro que pede, emocionado> ATUALIZA! ATUALIZA! ATUALIZA! =D – Beijo no seu coração, talentosa! Até o próximo! - BRAVO!!!!!!!!!!!!!
N/A: Eu sei, eu sei... não devia ter parado aí, não é? Mas, o que eu posso fazer? O suspense é completamente irresistível para mim, rsrs.
Ao menos vocês reencontraram a Ginny, não é? Gostaram dela? E do Ron? Eu espero que sim. E espero que tenham curtido o meu bichinho também. A Sô fez um lindo retrato da ilustre convidada. Então não esqueçam de olhar os álbuns da fic no Multiply e no Orkut, ok?
Desculpem a nota curtinha, a semana foi pesada. O próximo só perto do dia 30 por questões de trabalho trouxa. Se eu puder posto uma short que está me rondando, nesse tempo, mas eu aviso na comu.
Muito obrigada por todo o carinho, gentileza e elogios nos comentários. Vocês não imaginam o quanto são especiais estes retornos.
Guida Potter (Sim, querida, haverão MAIS cenas dessas), Clara, Thayse Couto, Tonks e Lupin, Bernardo Cardoso, Aluada, Kika, Bruna Perazolo (Não posso responder a sua pergunta dessa vez, rsrs), Danielle Pereira, Cassandra Melissa Wisney, Mirella Silveira, Thiago Florêncio (obrigada, querido), Bruna Weasley, Ginny Potter (Não, o Little Jonh não é uma aborto, mas a mãe dele não era giganta e sim uma mulher grandona. Ele puxou a mãe comum), Jéssica M. Adams, Eleonora, Drika Granger, Bruna Britti, Priscila Louredo, Sô, Naty L. Potter, Alessandra Amorim, Pedro Henrique Freitas, Myrthes, Charlotte Ravenclaw, Lili Coutinho, Patrícia Ribeiro, Nath Evans, Loko Loko, Tatiane Evans, Tonks Butterfly, Maionese, Ribeiro, Regina McGonagall.
Bom final de semana, se cuidem.
Beijos estalados
Sally
|