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12. A Grande Partida


Fic: Memórias do Escudeiro . CAMARA SECRETA . Série pelo ponto de vista do RONY .


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Capítulo 12 – A Grande Partida


“Temos de procurar Dumbledore”, Harry disse, assim que pisamos dentro do castelo, “Rúbeo contou àquele estranho como passar por Fofo e quem estava debaixo daquela capa era o Snape ou o Voldemort, deve ter sido fácil, depois que embebedou Rúbeo. Só espero que Dumbledore acredite na gente. Firenze talvez confirme, se Agouro não o impedir”, então, parou de andar, olhando para os lados, “Onde é a sala de Dumbledore?”

Para vocês terem uma idéia, nem Hermione sabia – e ela tinha lido ‘Hogwarts, Uma História’ trinta e nove vezes, no mínimo -, então quais eram as chances de qualquer outra pessoa saber?

Olhávamos em volta, buscando por qualquer indicação, quando a voz da professora McGonagall fez-se ouvir.

“Que é que vocês estão fazendo aqui dentro?”, aproximou-se de nós, seus sapatos batendo contra o chão de pedra.

“Queremos ver o professor Dumbledore”, Hermione se pronunciou, determinada.

“Ver o professor Dumbledore?”, a mulher ergueu as sobrancelhas, entre surpresa e desconfiada, “Por quê?”

“É uma espécie de segredo”, Harry soltou, mas logo se arrependeu perante a cara de desdém da mulher à nossa frente.

“O professor Dumbledore saiu há dez minutos”, por favor, alguém diga que eu não ouvi direito, “Recebeu uma coruja urgente do Ministro da Magia e partiu em seguida para Londres”, droga!

“Ele saiu?”, Harry parecia tão feliz com a notícia quanto eu, “Agora?”

“O professor Dumbledore é um grande mago, Potter, o tempo dele é muito solicitado”, ela retrucou, secamente.

“Mas é importante”, Harry grunhiu, pálido.

“Alguma coisa que você tenha a dizer é mais importante do que o Ministro da Magia, Potter?”, ela enrugou o nariz.

“Olha, professora”, pelo jeito como Harry bufara, era óbvio que a palavra cautela não estava em sua cabeça, “É sobre a Pedra Filosofal...”

Então, os livros que ela estava segurando caíram no chão com um estrondo, mas ela nem pareceu perceber.

“Como é que vocês sabem?”, perguntou, num fio de voz, os olhos arregalados, fixos em nós três.

“Professora, acho... sei... que Sn...”, Hermione deu-lhe uma pisada discreta no pé, “que alguém vai tentar roubar a pedra. Preciso falar com o professor Dumbledore”

“O professor Dumbledore volta amanhã”, disse ela, depois de alguma hesitação, “Não sei como descobriu sobre a Pedra, mas fique tranqüilo, não é possível ninguém roubá-la, está muitíssimo bem protegida”

“Mas, professora...”, e percebi que Harry contaria tudo para ela.

“Potter, sei do que estou falando”, ela estava irritada, enquanto abaixava-se para recuperar os livros que estavam caídos aos seus pés, “Sugiro que vocês voltem para fora e aproveitem o sol”, disse, em tom definitivo, enquanto começava a caminhar na direção oposta à nossa.

Harry esperou até que ela estivesse longe o suficiente, então se voltou para nos encarar.

“É hoje à noite”, disse, finalmente, num sussurro, “Snape vai entrar no alçapão hoje à noite. Ele já descobriu tudo o que precisa e agora tirou Dumbledore do caminho. Foi ele quem mandou aquela carta, aposto que o Ministro da Magia vai levar um choque quando Dumbledore aparecer”

E foi então que Snape apareceu.

“Boa tarde”, disse com uma voz tão suave que você quase poderia achar que ele era inocente, não fossem aqueles olhos escuros maldosos brilhando malignamente, “Vocês não deviam estar dentro do castelo num dia como este”, falou como se ele jogasse quadriboll com os alunos todas as tardes ensolaradas e depois nos convidasse para tomar um suco de abóbora na sala cor de rosa dele e que tem uns unicórnios na porta.

Aham, sei.

“Estávamos...”, Harry se engasgou, incapaz de inventar uma desculpa.

“Vocês precisam ter mais cuidado. Andando por aqui assim, as pessoas vão pensar que estão armando alguma coisa. E Grifinória realmente não pode se dar ao luxo de perder mais nenhum ponto, não é mesmo?”, Snape lançou um olhar particularmente cruel para Harry e Hermione, que coraram, “E, fique avisado, Potter, se ficar perambulando outra vez à noite, vou providenciar pessoalmente para que seja expulso. Bom dia para vocês”

Acho que ele foi irônico.

XxXxX


“E se o Snape vier para cá, o que é que a gente faz, exatamente?”, perguntei, enquanto apoiava minha cabeça na parede e apertava minha varinha com força.

“Rony, nós conseguimos vencer um trasgo...”

“Harry, sinto desapontar, mas tenho quase certeza que vencer um trasgo é bem mais fácil do que vencer o Snape, já que os monstros em questão têm o QI de um balde de areia”, respondi, observando Harry se apoiar, casualmente, contra a porta, encostando o ouvido nela, “Você checou há cinco minutos atrás”

“Eu sei”, Harry se afastou, parecendo envergonhado, “Eu sei que estou sendo idiota, mas é... Voldemort tentou me matar uma vez, Rony...”, começou, escolhendo cuidadosamente as palavras.

“Você não quer que ele tente de novo, eu entendo”, completei, “Mas não vamos enlouquecer, OK? Entre você morto ou vivo, mas pirado, eu realmente não sei qual é pior”

Harry fez uma careta.

“Eu só queria que as pessoas acreditassem na gente”, disse, revoltado, “Quero dizer, por que diabos nós inventaríamos...?”

Então, ouvimos passos. Erguemos nossa varinha e nos viramos na direção do som. Encontrando com a professora McGonagall.

Engoli em seco, enquanto observava a expressão de surpresa dela se tornar uma de irritação desdenhosa.

“Suponho que vocês achem que é mais difícil alguém passar por vocês do que por um pacote de feitiços! Chega de bobagens! E se eu souber que vocês voltaram aqui outra vez, vou descontar mais cinqüenta pontos da Grifinória!”, arregalei os olhos e abri a boca para retrucar, mas ela foi mais rápida, “É, Weasley, da minha própria casa!”

Velha sem coração.

XxXxX


“Snape vai roubar a Pedra e não vamos poder fazer nada”, Harry murmurou, amuado, “Tudo isso porque ninguém dá atenção para o que falamos! Pelo menos, Hermione está na cola de Snape”, lembrou.

Nesse instante, o retrato da Mulher Gorda se moveu e Hermione entrou, uma expressão miserável no rosto.

“Sinto muito, Harry! Snape saiu e me perguntou o que eu estava fazendo, então disse que estava esperando Flicktick e Snape foi buscá-lo, e me mandei, não sei onde ele foi”, desviou os olhos e cruzou os braços.

Balancei a cabeça, desolado, enquanto Harry soltava o ar, lentamente.

“Bom, acabou-se, não é?”, encolheu-se contra o sofá, enquanto Hermione ocupava o lugar ao seu lado. Então, ele se endireitou, como se uma idéia acabasse de passar pela sua cabeça. Hermione e eu trocamos olhares confusos antes de voltarmos nossa atenção para ele, “Vou sair daqui hoje à noite e vou tentar apanhar a Pedra primeiro”, decidiu.

Meu Merlim amado.

“Você ficou maluco!”, soltei, perplexo, colocando-me de pé.

“Você não pode!”, os olhos de Hermione estavam arregalados, “Depois do que a professora Minerva e o Snape disseram? Vai ser expulso!”

Expulso? Eu estou pensando em ‘ter sua cabeça arrancada por três bocas ferozes e sem piedade’ e ela pensa na ‘expulsão’? Harry teria muita sorte se saísse de lá vivo, pelo amor de Merlim.

“E DAÍ? Vocês não percebem? Se Snape apanhar a pedra, Voldemort vai voltar! Vocês não ouviram contar como era quando ele estava tentando conquistar o poder? Não vai haver Hogwarts para nos expulsar!”, olhou para Hermione, “Ele vai arrasar Hogwarts, ou transformá-la numa escola de magia negra! Perder pontos não importa mais, vocês não entendem? Acham que ele vai deixar vocês e suas famílias em paz, se Grifinória ganhar o campeonato das casas? Se eu for pego antes de conseguir a pedra, bem, vou ter que voltar para os Durlsey e esperar Voldemort me encontrar lá. É só uma questão de morrer um pouquinho depois do que teria morrido, porque eu nunca vou me aliar aos partidários de magia negra! Vou entrar naquele alçapão hoje à noite e nada que vocês dois disserem vai me impedir! Voldemort matou meus pais, estão lembrados?”, lançou um olhar acusador na nossa direção e Hermione se encolheu.

“Você tem razão, Harry”, ela disse, num fio de voz.

“Vou usar a capa de invisibilidade. Foi uma sorte tê-la recuperado”, ele disse, mais para si mesmo do que para a gente.

“Mas ela dá para esconder nós três?”, perguntei, num ímpeto, mal percebendo que tinha articulado as palavras.

“Nós... nós três?”, Harry pareceu surpreso.

Ele não achou que ia se divertir sozinho, achou?

XxXxX


Harry desceu as escadas segurando a capa de invisibilidade e uma flauta, reconheci-a como a que Hagrid havia dado para ele de Natal.

“O que você vai fazer com isso?”, perguntei, apontando para o instrumento em sua mão.

“Hagrid falou que a única forma de passar por Fofo é fazê-lo dormir e a única forma de fazê-lo dormir é tocando uma música”, Harry entregou a capa para Hermione, enquanto analisava a flauta em suas mãos.

“Engraçado que eu não lembro de te ouvir tocar essa flauta uma vez sequer”, franzi o cenho.

“Isso é porque eu não sei tocar”, Harry resmungou, distraído.

“E você acha que assoprando o treco e apertando os botões ao acaso, o bicho vai dormir?”, ergui as sobrancelhas.

Harry deu de ombros e pegou a capa com Hermione.

“É melhor vestirmos a capa aqui para ter certeza de que cobre nós três. Se Filch vir os pés da gente andando sozinhos...”

“O que vocês estão fazendo?”, veio uma voz do canto escuro do Salão Comunal.

Nos viramos para encarar Neville, que se levantou da poltrona que ocupava, segurando Trevo com força, enquanto o anfíbio se remexia, tentando se soltar das mãos do dono.

“Nada, Neville, nada”, Harry disse, rapidamente, escondendo a capa às suas costas.

“Vocês vão sair outra vez”, o rosto dele tinha uma expressão determinada.

“Não, não, não”, Hermione sacudiu a cabeça, dando ênfase para cada não, “Não vamos, não”, mentiu, “Por que você não vai se deitar, Neville?”

Harry e eu lançamos um olhar discreto para o relógio. Não poderíamos demorar demais.

“Vocês não podem sair”, Neville sacudiu a cabeça, determinado, “Vocês vão ser pegos outra vez. Grifinória vai ficar ainda mais enrolada”

“Você não compreende”, Harry respirou fundo, “Isso é importante”

“Não vou deixar vocês irem”, Neville correu, colocando-se entre nós e a saída do Salão Comunal, “Eu... eu vou brigar com vocês”

Ele e... o sapo, suponho.

Particularmente, eu teria mais medo de Trevo – ele tem aqueles olhos esbugalhados, é todo enrugado e nojento, enquanto o Neville... deixa para lá.

Neville”, exclamei, perplexo, passando a mão pelos meus cabelos, “Se afaste desse buraco e não banque o idiota...”, comecei, exasperado.

“Não me chame de idiota!”, Neville berrou, irritado, e arregalei meus olhos, surpreso com a reação, “Acho que você não devia estar desrespeitando mais regulamentos! E foi você quem me disse para enfrentar as pessoas”

Fuzilei-o com os olhos; odiava quando as pessoas usavam minhas palavras contra mim.

“Foi, mas não contra nós. Neville, você não sabe o que está fazendo”, argumentei. Ao ver que ele se negava a sair da frente, cerrei minhas mãos em dois punhos e dei um passo na direção dele, odiaria ter que bater nele, mas não tinha muitas outras alternativas, tinha?

“Vem, então, tenta me bater!”, Neville estava furioso, soltou Trevo que saiu pulando, passando por mim e, provavelmente, indo se esconder embaixo de um dos sofás, “Estou esperando!”

Rangi os dentes, e respirei fundo, sentindo minhas bochechas queimando, provavelmente graças à raiva. Foi então que Hermione passou por mim, engoliu em seco e parou na frente de Neville.

“Neville, eu realmente lamento muito”, ela disse, e recuei, respirando pesadamente, “Petrificus Totalus!”, disse, sacando sua varinha.

Imediatamente, as pernas e braços de Neville se juntaram e ele caiu para trás, com um baque ensurdecedor. Pisquei, perplexo, enquanto Hermione corria para desvirá-lo. A única coisa que não estava paralisada eram seus olhos, que nos observavam de maneira aterrorizada e acusadora.

Observando isso, engoli em seco – talvez fosse melhor começar a dobrar a minha língua perto da Hermione.

XxXxX


Genial, Harry!”, exclamei, assim que Pirraça se afastou, assustado, achando que nós éramos o Barão Sangrento, mas, então, paramos, surpresos, ao ver a porta que guardava Fofo aberta.

“Bom, aqui estamos”, Harry disse, baixinho, “Snape já passou por Fofo”, Harry, então, moveu-se para encarar Hermione e eu, “Se vocês quiserem voltar, não vou culpá-los. Podem levar a capa, não vou precisar dela agora”, acrescentou.

“Não seja burro”, respondi, sacudindo a cabeça.

“Vamos com você”, Hermione acrescentou.

Harry aquiesceu e empurrou a porta, para abri-la mais, fazendo com que ela rangesse. Isso colocou Fofo à espreita, que começou a farejar, embora não pudesse nos ver.

“O que é isso nos pés dele?”, Hermione perguntou, num sussurro, indicando algo próximo à pata esquerda dianteira do animal.

“Parece uma harpa”, respondi, cerrando os olhos para tentar focar minha visão mais, “Snape deve tê-la deixado aí”, analisei.

“Ele acorda no momento que se deixa de tocar”, Harry concluiu, “Bom, aqui vai”, e levou a flauta à boca.

Uma coisa eu tenho que falar: Fofo não tinha um gosto musical muito bom, porque o que quer que Harry estivesse fazendo, parecia-se muito mais com um tipo de tortura chinesa do que com música, mas, ainda assim, a criatura bocejou – sim, com as três bocas – e seus olhos começaram a ficar pesados, então, ele se deitou, adormecido. Realmente, seu gosto musical é uma porcaria.

“Continue tocando”, instruí, embora minhas orelhas suplicassem o contrário. Ergui meu pescoço e vi que, entre as pernas do cachorro, tinha uma porta fechada, “Acho que vamos conseguir abrir a porta”, disse, voltando-me para eles, “Quer entrar primeiro, Hermione?”

Ela arregalou os olhos e estremeceu.

“Não, eu não!”

Bufei e lancei um olhar cauteloso para o bicho.

“Tudo bem”, resmunguei, passando, com todo o cuidado, pela primeira pata do animal, engolindo em seco quando ele esticou-a, provavelmente reflexo do sonho que estava tendo. Finalmente cheguei à porta do alçapão. Respirei fundo, peguei a argola e puxei-a, abrindo-a; ajoelhei-me ao lado do buraco e espiei lá dentro.

“O que é que você está vendo?”, a voz ansiosa de Hermione veio, num sussurro, lutando para se fazer ouvir junto com o som da flauta.

“Nada... só escuridão”, relutante, apalpei as extremidades da entrada, buscando por uma escada ou uma corda pela qual deveríamos descer, “Não tem como descer, teremos que pular”, concluí. Estava começando a me preparar para pular, quando Harry começou a acenar, chamando minha atenção; quando finalmente o vi, ele apontou para si mesmo.

“Você quer ir primeiro? Tem certeza? Não sei qual é a profundidade dessa coisa. Dá a flauta para Hermione manter Fofo adormecido”, Harry aquiesceu e fez como eu pedi.

Nos breves segundos em que não houve música alguma, Fofo agitou-se, mas logo Hermione começou a tocar a flauta. Harry, cuidadoso, passou pelas patas do cachorro e parou ao meu lado. Ele engoliu em seco e, se segurando, começou a escorregar pelo quadrado no chão que dava acesso a sabe lá Merlim o quê.

“Se alguma coisa acontecer comigo, não me siga. Vá direto ao corujal e mande Edwiges ao Dumbledore, certo?”, ele disse, lentamente, tentando soar corajoso. Aquiesci, “Vejo você daqui a pouco, espero...”

Ele se soltou.

Prendi a respiração e apurei minha audição, aguardando pelo som de ossos se partindo, mas, alguns segundos – que pareceram horas – depois, ouvi um barulho abafado.

“Tudo bem!”, sua voz veio lá de baixo e o alívio que eu senti foi imenso. Virei para Hermione e gesticulei para que ela se aproximasse, “A queda é macia, pode pular!”

Sem pensar duas vezes, o fiz. Caí ao lado de Harry e senti algo estranho abaixo de mim.

“O que é isso?”, perguntei, franzindo o cenho e apalpando o que estava abaixo de mim.

“Sei lá, uma espécie de planta”, Harry respondeu, “Suponho que esteja aqui para amortecer a queda. Venha, Hermione!”, berrou e, então, ouvimos a flauta parar, o cachorro começou a ganir, acordando, e ela pulou, caindo do outro lado de Harry.

“Devemos estar a quilômetros abaixo da escola”, Hermione comentou, sentando-se.

“É realmente uma sorte que esta planta esteja aqui!”, exclamei, imaginando como seria cair por quilômetros.

Sorte!”, Hermione guinchou, “Olhem só para vocês dois!”

Baixei os olhos e perplexo, constatei que a planta tinha envolvido minha perna firmemente. Voltei, horrorizado, minha atenção para Harry, que parecia tão apavorado quanto eu. Hermione tinha conseguido caminhar até uma das paredes e estava tentando se livrar de um pedaço da planta que tinha envolvido seu tornozelo.

“Parem de se mexer!”, ela berrou, “Sei o que é isso. É visgo do diabo!”

Parem de se mexer? Claro, por que não? Morrer engolido por uma planta sempre foi minha maior ambição.

“Ah, fico tão contente que você saiba como se chama, é uma grande ajuda!”, rosnei, enquanto tentava livrar meu pescoço de uma samambaia que tinha vida própria e que estava prestes a tirar a minha.

“Cala a boca, estou tentando me lembrar como matá-la!”, Hermione massageava suas têmporas.

“Bom, anda logo, não consigo respirar!”, Harry ofegou, também tentando se livrar das plantas que tentavam envolver seu pescoço.

“Visgo do diabo, visgo do diabo... O que foi que a professora Sprout disse? Gosta da umidade e da escuridão...”, ela murmurou, desesperada.

“Então acenda um fogo!”, Harry berrou, sua voz trêmula.

“É... é claro... mas não tem madeira...”

“VOCÊ ENLOUQUECEU?”, berrei, irritado. Para uma pequena gênia, ela não estava se dando muito bem naquele momento, “VOCÊ É UMA BRUXA OU NÃO É?”

“Ah, certo!”, Hermione soltou, apatetada, pegando sua varinha e murmurando algo. Logo, seu fogo azul apareceu e, imediatamente, senti a planta me soltar. Caímos no chão, um pouco abaixo, um sobre o outro.

Hermione se levantou.

“Que sorte que você presta atenção às aulas de Herbologia, Hermione”, disse Harry, levantando-se.

“É”, resmunguei, “E que sorte que Harry não perde a cabeça numa crise, ‘não tem madeira’, francamente”, fiz uma careta.

“Por ali”, Harry apontou e nós o acompanhamos. Não falávamos e os únicos sons eram os dos pingos de água se soltando do teto e pingando no chão de pedra aos nossos pés. Foi então que ouvi uma segunda coisa. Um som estranho, metálico...

“Vocês estão ouvindo alguma coisa?”, perguntei, num sussurro.

“Você acha que é um fantasma?”, Harry sugeriu.

Franzi o cenho, me concentrando no som.

“Não sei... para mim, parecem asas”

“Há uma luz à frente”, Hermione disse, apontando, “Estou vendo alguma coisa se mexendo”

Quando finalmente chegamos à luz, ergui os olhos e vi o que pareciam pequenos pássaros metálicos voando acima de nossas cabeças. Do outro lado da câmara, tinha uma porta.

“Você acha que nos atacarão se atravessarmos a câmara?”, perguntei, sem desviar os olhos dos estranhos seres.

“Provavelmente”, Harry também estava com os olhos fixos nos animais, “Eles não parecem muito bravos, mas suponho que se todos mergulhassem ao mesmo tempo... Bom, não tem remédio... vou correr”, cobrindo o rosto com as mãos, Harry saiu correndo.

Pensei em dizer que os seres não estavam avançando na direção dele – sequer pareciam tê-lo notado -, mas ver Harry correndo que nem um desesperado era divertido e, vendo a situação em que nos encontrávamos, um momento divertido daqueles não podia ser desperdiçado – poderia ser o último, vejam bem.

Quando Harry finalmente alcançou o outro lado da câmara, tentou abrir a porta, mas não conseguiu. Hermione e eu nos entreolhamos e começamos a caminhar na direção da porta. Quando chegamos lá, tentamos ajudá-lo a empurrar e, depois, Hermione tentou o ‘Alorromora’, mas nada dava certo.

“E agora?”, perguntei, desolado.

“Esses pássaros... não podem estar aqui só para enfeitar”, Hermione virou-se para encará-los. Todos nos viramos para encará-los.

“Eles não são pássaros!”, Harry bramiu, finalmente, “São chaves!”, foquei meus olhos melhor e percebi que todos os ‘pássaros’ eram, na verdade, finos demais, “Chaves aladas, olhe com atenção. Então, isso deve querer dizer...”, olhou em volta, “É, olhem!”, apontou para vassouras num canto da câmara, “Temos que apanhar a chave da porta”

A chave. Deviam existir milhares ali! Voltei a atenção para a porta, analisando a fechadura.

“Estamos procurando uma chave bem grande e antiga, provavelmente de prata, como a maçaneta”, informei-os.

Corremos para as vassouras e montamo-las. Demos impulso e saímos voando, olhando para os lados, buscando por uma chave que se parecesse com o que eu tinha descrito.

“Aquela ali!”, Harry berrou para mim, parando a vassoura no meio do ar e apontando para algo que estava à minha esquerda. O único problema é que o lugar para onde ele apontava quando dizia ‘aquela ali’ tinha, pelo menos, quarenta ‘aquelas alis’ em potencial, “Aquela grandona...”, tentei buscar por uma grandona com os olhos, mas nada, “ali... não... lá”, ele mudou a direção para a qual estava apontando, “com as asas azul escuro. As penas estão todas amassadas de um lado”, especificou.

Então, a vi. Inclinei-me sobre a vassoura, avançando na direção dela, com a mão esticada, mas quando meus dedos estavam há apenas alguns centímetros dela, ela se desviou abruptamente e eu quase bati contra o teto da câmara, desviando por reflexo e quase me desequilibrando da vassoura.

“Temos que cercá-la!”, Harry berrou para nós, “Rony, você cerca por cima. Hermione, fique embaixo e não deixa ela descer, e eu vou tentar pegá-la. Certo, AGORA!”, avancei com a vassoura, ficando alguns metros acima da chave, enquanto Hermione se posicionava abaixo dela e Harry avançava como um foguete em sua direção.

Hermione avançou para cima, a chave se desviou dela, e começou a tentar fugir de Harry, até que ele se inclinou um pouco mais, aumentando a velocidade e, tombando contra a parede, conseguiu cerrar a mão sobre o objeto alado. Hermione e eu aplaudimos; nossos aplausos ecoando pela câmara.

Inclinamos as vassouras em direção ao chão e Harry, rapidamente, enfiou-a na maçaneta, girando-a. A porta se abriu.

“Estão prontos?”, Harry perguntou, a mão na maçaneta e os olhos fixos em nós dois. Aquiescemos e ele abriu a porta com força.

A câmara seguinte era escura. Nos entreolhamos e, engolindo em seco, entramos nela, ansiosos. Mal demos dois passos, várias tochas se acenderam, revelando um gigantesco tabuleiro de xadrez.

As peças eram muito maiores do que nós e feitas de um material que me lembrava mármore. Arregalei os olhos.

“Agora o que vamos fazer?”, Harry perguntou, num sussurro.

“É óbvio, não é?”, perguntei, meus olhos presos nas estranhas peças brancas sem feições, “Temos que jogar para chegar ao outro lado da câmara”, estiquei meu pescoço e vi que, atrás das peças brancas, tinha uma nova porta.

“Como?”, Hermione perguntou, nervosa, aproximando-se de mim e olhando, aterrorizada, para as gigantescas peças.

“Acho que vamos ter que virar peças”, respondi, relutante, desviando meus olhos da porta para analisar, cuidadosamente, as peças negras. Hesitante, caminhei alguns passos e toquei o cavalo; a peça estremeceu ao meu toque e o cavaleiro que o montava voltou a cabeça na minha direção.

“Temos que nos unir a vocês para chegar ao outro lado?”, perguntei, admirado demais para sentir qualquer medo. O cavaleiro aquiesceu e voltei-me para eles, “Isto exige reflexão. Suponho que a gente tenha que tomar o lugar de três peças pretas...”, continuei pensativo, mas também satisfeito por ser o único que entendia o suficiente disso.

Nós vamos salvar o mundo e, para isso, usaremos xadrez bruxo! Cara, esse deve ser o melhor último dia da minha vida. E as pessoas ainda diziam para mim que o xadrez não acrescentaria nada na minha vida.

“Agora, não vão se ofender, mas nenhum dos dois é tão bom assim em xadrez...”, comentei, relutante.

“Não estamos ofendidos!”, Harry rebateu, imediatamente, “Diga o que vamos fazer”, pediu.

“Bom, Harry, você toma o lugar daquele bispo”, apontei para o lado esquerdo do tabuleiro, “e, Hermione, fique ao lado dele, substituindo a torre”, falei, a testa franzida.

“E você?”, perguntou Hermione.

“Vou ser o cavaleiro”, respondi.

Como se tivessem nos ouvido – provavelmente ouviram – as peças deram as costas para as peças brancas e saíram do tabuleiro, deixando três casas vagas. Cada um de nós ocupou seu respectivo lugar.

“No xadrez, as brancas sempre jogam primeiro”, expliquei, observando o tabuleiro atentamente, “É... olhem...”, apontei para um dos peões brancos, que avançara duas casas.

Respirando fundo, comecei a indicar os movimentos das peças. Ordenei que os peões se movessem, sempre tomando o cuidado de me assegurar que nenhuma das peças pretas poderia acertá-los.

“Harry, ande quatro casas para a direita em diagonal”, pedi. Harry respirou fundo e fez o que lhe pedi. Então, percebi que a rainha estava bloqueando um dos bispos.

Lentamente, analisei as demais peças no jogo – uma teria que ser sacrificada para que o bispo pudesse ser comido. Respirando fundo, ordenei que o outro cavalo se movesse, deixando-o na mira da Rainha Branca. Meus olhos se arregalaram e senti meu coração começar a bater mais rápido, quando vi a rainha desmanchar a peça com um movimento brusco.

Engoli em seco, meus olhos varrendo o tabuleiro. Hermione e Harry se encolheram, horrorizados. Analisei, cuidadosamente, o que pediria para Hermione fazer, tinha que me certificar de que ela não seria machucada.

“Eu tinha que deixar isso acontecer”, informei-os, “Assim, você fica livre para comer aquele bispo, Hermione, ande”, disse, apontando para uma outra peça do outro lado do tabuleiro”

Hermione caminhou até o bispo que se retirou, caindo do tabuleiro e se estilhaçando. Ela arregalou os olhos e, se abraçando, ficou parada no seu lugar. Alguns movimentos depois, um dos peões tinha se posicionado para comê-la, mas movimentei-me e tirei-o do tabuleiro.

Alguns minutos depois, parei, ofegante, olhando em volta.

“Estamos quase chegando”, murmurei, “Me deixem pensar... me deixem pensar...”, fechei os olhos e massageei minha têmpora, tentando raciocinar com cuidado, então, ergui os olhos e rainha voltou-se para mim, “É...”, murmurei, fechando os olhos e respirando lentamente, tentando me acalmar, “E o jeito... preciso me sacrificar”, falei, baixinho.

“NÃO!”, Harry e Hermione berraram.

“Isto é xadrez!”, retorqui, irritado, porque já não era fácil me entregar daquele jeito, mas ter que insistir em morrer era demais para a minha cabeça, “A pessoa tem que fazer alguns sacrifícios! Dou um passo à frente e ela me come, isso deixa você livre para dar o xeque-mate no rei, Harry!”, expliquei.

“Mas...”, Harry olhou para o rei, incerto, e voltou os olhos na minha direção.

“Vocês quer deter Snape ou não?”, perguntei, exasperado, enquanto tentava me encher de coragem.

“Rony...”, Harry me lançou um olhar desesperado.

“Olhe, se você não se apressar, ele já terá apanhado a Pedra!”, retorqui e vi Harry dar um leve aceno com a cabeça, “Pronto? Então vamos, agora, não se demore depois de ganhar a partida”, pedi e, engolindo em seco e respirando fundo, dei um passo para frente.

A única coisa que lembro foi da Rainha Branca voltando-se completamente na minha direção, erguendo seu braço branco e firme e de uma dor insuportável na minha cabeça.

Depois disso, era só escuridão.

Continua...


N/A: Oi, gente!

Aqui está o novo capítulo! ;D

O que acharam?

Espero que tenham gostado das cenas extras! ;D

Próximo capítulo é o ÚLTIMO da PF! ;DDDD

Quero saber o que acharam desse!

Respondendo aos comentários...

Primo Barney: Fico contente que você ache a fic boa! ;D Eu adoro escrevê-la e é muito bom receber comentários que mostrem que meus esforços valeram a pena! :) O que achou do novo capítulo?

Pollitá: Postei hoje! ;) Tem alguma cena que você tenha gostado? Espero que sim!! :D

Renata Nofal: Oi, Rê! O que achou do novo capítulo? Espero que tenha gostado tanto desse quanto gostou do anterior! Aquela cena dos pesadelos do Harry também é uma das minhas favoritas do capítulo 11! ;D O que achou desse capítulo?

Beijos,

Gii.

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