— Mione? — Chamou Harry. — E aquela surpresa, o que era?
— Bem, vocês vão ver... Assim que meus pais chegarem...
Harry, Hermione, Rony e Gina estavam fazendo um passei pelo jardim do St. Mungus. Segundo a enfermeira Harry precisava movimentar um pouco as pernas, mas com poucos minutos de caminhada ele se sentou em um banco do jardim, alegando que queria ver a paisagem.
Não queria demonstrar fraqueza, logo após um combate contra Voldemort, ainda mais um que ele saiu ferido e fugiu.
Harry queria que seus amigos confiassem nele, mas depois do confronto, após ele perder a cabeça, nem ele mais confiava em si mesmo.
O jardim ali era bem bonito, todo mágico, inclusive o céu, mas era lindo. Um pequeno lago com alguns pássaros estranhos, todo emplumados e com uma coroa de penas na cabeça. Havia ali a um canto algumas roseiras e outras flores, pássaros cantavam nas árvores, e Harry e seus amigos estavam em uma pequena ilha que ficava no meio do lago que tinha acesso por uma pequena ponte lateral e tinha um banquinho que cabiam os quatro bem de frente com a entrada pro jardim.
— E seus pais Rony, quando chegam? —Perguntou Harry.
— Daqui a pouco, eu espero. — Respondeu o ruivo. — Já era para eles terem chegado, pedi à enfermeira que avisasse que estamos aqui embaixo.
— Espero que cheguem antes dos meus, assim eles não perderão a surpresa.
— Eu já estou muito curioso, por que você não fala logo qual é a surpresa? — Perguntou Rony já desesperado.
— Porque se eu falasse não seria mais surpresa, Ronald. — Respondeu Hermione sem tirar os olhos da porta de entrada. — E também porque eu ainda não sei o que é, não vejo os meus pais há tanto tempo, desde que partimos para Hogwarts para lecionar.
Minha mãe me mandou uma coruja a dois dias avisando que traria uma surpresa pro Natal, eu havia escrito a ela para dizer que Harry estava hospitalizado, mas fora de perigo, aí ela me respondeu dizendo que tinha essa surpresa pro Natal que talvez animasse a todos.
— Ah! Então você está fazendo esse doce todo, mas também não sabe. — Rony virou as costas para ela. — Também, agora, não quero mais falar com você.
Hermione continuou olhando a porta sem dar atenção a Rony, e enquanto isso Harry se perdia nos pequenos cachos que se formavam nas pontas dos cabelos ruivos de Gina, seus pensamentos estavam a quilômetros dali, em Godric’s Hollow.
“Como, como fui deixar isso acontecer? Deveria ter destruído o diário assim que ele caiu em minhas mãos, devia ter feito como Rony falou, acertado a Murta e o jogar descarga a baixo, como me deixei enganar?”.
— Está tudo bem, Harry? — Gina perguntou receosa quando percebeu que ele a olhava.
— Não Gi, mas não quero falar sobre isso. —Respondeu sem tirar os olhos dos dela.
— Tudo bem, eu respeito.
— Ah! Olha lá Rony, seus pais chegaram. —Gritou Hermione se levantando e apontando para a porta.
— Eu já disse que não quero falar com você. —Respondeu Rony ainda emburrado. — Vamos Harry eu te levo até os meus pais.
Rony ajudou Harry a se levantar e o apoiou até chegarem perto dos pais de Rony, onde eles se sentaram em outro banco junto com o Sr. e a Sra. Weasley.
— Oh, como se sente, Harry querido? —Perguntou a Sra. Weasley.
— Bem, Sra. Weasley, um pouco cansado, mas bem. — Respondeu Harry com sinceridade. — Como estão todos? Os outros Weasley não viriam também?
— Estão pra chegar Harry a qualquer momento. — Respondeu o Sr. Weasley. — Nós viemos mais cedo porque, tenho que voltar em poucas horas para o Ministério.
— Está tudo tão bagunçado assim, papai? —Perguntou Gina.
— Você nem imagina minha querida, uma batida atrás da outra, estão vendendo cada coisa por aí. E existem bruxos e até alguns trouxas que tem contato com o mundo da magia que os compram, nossa cada coisa...
— Já está bom Arthur, você prometeu não falar sobre o trabalho enquanto estivesse aqui. — Falou a Sra. Weasley.
— Está certo Molly querida, vamos falar de coisas boas. — Concordou o Sr. Weasley. — Qual era a surpresa Hermione, que você disse que tinha pra nós?
— Bem Sr. Weasley, nem eu mesma ainda sei, meus pais me disseram que tinham uma surpresa e que viriam hoje para nos contar o que é. — Respondeu uma Hermione ansiosa.
— Bem, então eles não podem demorar muito, daqui a alguns minutos estarão servindo o almoço de Natal e eu logo terei que voltar pro Ministério e não queria perder uma surpresa.
— Eu também espero que eles não demorem muito. — Falou Hermione voltando a olhar a porta que se abriu nesse instante.
Eram os gêmeos Weasley, seguidos por Carlinhos.
— Desculpe o nosso atraso, mais um ataque de Dragões, no plural. Três Manchas Negras atacaram um povoado... — Carlinhos se calou ao perceber o olhar zangado de sua mãe.
— Nós nos atrasamos porque a loja estava lotada com pessoas que compravam os presentes de última hora. — Falou Fred.
— Eh! Acabaram com todo nosso estoque, só fechamos agora por isso, porque ainda tínhamos muitos clientes a atender. — Falou Jorge comum tom desanimado. — Temos que aumentar nossos estoques para o próximo feriado de Natal.
— E pro próximo aniversário de Harry também. — Acrescentou Fred.
— Pro meu próximo aniversário? — Estranhou Harry.
— Não te contaram ainda? — Perguntou Jorge afrouxando o colarinho da camisa.
Harry olhou da cara zangada da Sra. Weasley para os rostos culpados de Rony, Hermione, Gina e Sr. Weasley e depois ergueu uma das sobrancelhas para Fred e Jorge.
— Não me contaram ainda, podem dizer. — Harry fez a costumeira cara de poucos amigos que sempre fazia quando lhe escondiam algo.
— Bem, Harry querido, eu não queria que se aborrecesse com isso, pelo menos não por agora. —Começou a Sra. Weasley.
— O Ministério andou fazendo propaganda mais uma vez depois da sua aventura no Beco Diagonal. —Continuou o Sr. Weasley. — Encontraram 14 Comensais da Morte, incluindo o Sr. Olivaras...
— Espera aí, 14? — Estranhou Harry.
— Snape e Belatriz não foram encontrados. —Rony confirmou o que Harry já desconfiava.
— Bem, o Ministério logo desconfiou que era um trabalho seu. — Continuou o Sr. Weasley. — E os Comensais não precisaram de muito para confirmar.
No mesmo dia você e Rony viraram capas do Profeta Diário, com um destaque em especial sobre você ter ido enfrentar Você-Sabe-Quem sozinho, mas como não conseguiram depoimentos de nenhum de nós, as suposições foram absurdas. — O Sr. Weasley fez uma pausa enquanto limpava os óculos. — Mencionaram que você enfrentou, você enfrentou Você-Sabe-Quem sozinho, no próprio covil dele, com todos os outros Comensais da Morte e saiu levemente ferido, e Você–Sabe-Quem fugiu com o rabo entre as pernas.
Harry ficou com uma expressão pasma e pálida no rosto.
— Vocês deveriam ter dado um depoimento. —Comentou Harry se afundando no banco.
— O que é isso? Harry se anima! — Falou Fred.
— É, sai dessa, você não viu que seu número de fãs triplicou. — Concordou Jorge.
— Você não viu a pilha de cartas em cima da mesinha do seu quarto? — Perguntou Fred.
— Uma tal de Vanessa mandou até foto, linda.
Harry olhou de Jorge para Rony, Hermione e Gina que estava vermelha como seus cabelos e tentava esconder a cara de culpada.
— Ah, olha lá, o Gui e a Fleur. — Gritou Gina apontando para a porta.
E eram eles mesmos, Gui parecia mais saudável do que antes, mas ainda tinha algumas cicatrizes e a mais nova Weasley sorria radiante de mãos dada com o marido.
— Ainda estão aqui embaixo, em menos de meia hora irão servir o almoço de Natal, vocês já sabiam? — Perguntou Gui logo após chegar até eles.
— Oh! Arry querrido, como está se sentindo? —Perguntou Fleur passando direto por todos os outros. — Eu li as notícias no Profeta Diarrio, era tudo verdade?
— Eu estou bem Fleum... Fleur, a maior parte era invencionices do Ministério, mas a parte que Rony e eu enfrentamos os Comensais era verdadeira. —Respondeu Harry um pouco desanimado por perceber o impacto que o Profeta Diário causava em seus leitores.
— Que pom, e você Ronn, como você se sente? — Perguntou Fleur se virando para Rony que ficou com a costumeira cara torta que ficava toda vez que Fleur falava com ele.
— Es-estou be-bem. — Gaguejou antes de levar uma cotovelada de Hermione. — Estou muito bem.
— Ah! Que pom! — Respondeu fleur sem entender a atitude de Hermione.
Depois Fleur cumprimentou os outros presentes e todos resolveram subir para o salão onde iria ser servido o grande banquete de Natal.
Harry se levantou ainda com um pouco de dificuldades nas pernas, mas antes que conseguisse se por de pé direito a porta de entrada do jardim se abriu mais uma vez, e ao ver que o Sr. E a Sra. Granger se aproximavam, Harry resolveu se sentar de volta.
— Mamãe! Papai! — Gritou Hermione correndo ao encontro dos pais.
Hermione abraçou primeiro o Sr. Granger e depois foi abraçar a Sra. Granger, mas parou no meio do movimento deixando todos sem entender nada, Hermione, após a hesitação de alguns segundos, abraçou a mãe.
Os Weasley cumprimentaram os Granger e depois os Granger cumprimentaram os outros ali presentes e quando a Sra. Granger veio cumprimentar Harry ele não deixou de reparar que ela havia engordado muito, a Sra. Granger era uma mulher bem magra, mas agora estava muito mais cheia para só ter ganhado uns quilinhos a mais.
— Bem mamãe, todos estão ansiosos pela surpresa, inclusive eu. — Falou Hermione sorrindo de orelha a orelha.
— Bem, parece que esta chegando mais um Granger na família, você ganhou um irmãozinho nesse Natal Mione. — Falou a Sra. Granger, sem conter as lágrimas e Hermione também chorava e abraçava a mãe sorrindo.
— Meus parabéns! — Desejou o Sr. Weasley apertando a mão do Sr. Granger. — Fico muito feliz, espero que seja mais um bruxinho a caminho.
— Arthur! — Repreendeu a Sra. Weasley. — Esperamos que seja saudável. — Disse a Sra. Weasley apertando a mão do Sr. Granger e depois de Hermione ter largado da mãe, a Sra. Weasley também foi abraçá-la.
Após todos parabenizarem os Granger e a Sra. Granger falar que já estava no 3º mês de gestação, eles resolveram que era hora de irem para o salão onde seria servido o almoço de Natal. |