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18. Perdedores e Vencidos


Fic: Amuleto e Espada - por Georgea - Aviso: CONVITE


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Capítulo 18
Perdedores e Vencidos


“Há um buraco em minha alma que está sempre me matando
É um lugar onde um jardim nunca cresce
Há um buraco em minha alma, sim eu deveria saber melhor,
Porque seu amor é como um espinho sem a rosa”

( Aerosmith - Hole in my Soul)


Salão principal. O último banquete do ano escolar. Também o último banquete dos setimanistas. As palavras de Minerva McGonagall ecoando pelo mesmo aposento, que no ano anterior, abrigava centenas de alunos.

Na mesa da Gryffindor os veteranos restantes pareciam se perder numa névoa de emoção indefinida. Nostalgia. Embora alguns deles ainda fossem muito jovens para compreender o significado da palavra. Embora muitos só fossem entender dali a muitos anos, dentro de vidas muito diferentes da que tinham possuído até ali.

Mas era real. Dentro de algumas horas, os sete anos vividos em Hogwarts estariam terminados.

As palavras finais da professora foram o sinal para que as mesas relativamente vazias se enchessem de iguarias e fosse iniciado o banquete final daquele ano.

Hermione observou o salão com o mesmo olhar antecipadamente saudoso que vinha tendo nas últimas semanas. Neville lhe sorriu brevemente do outro lado da mesa, a mesma expressão agridoce visível em todos os rostos dos setimanistas. Na Hufflepuff algumas garotas enxugavam lágrimas discretas, e até mesmo a seu lado, Ron se mantinha inusitadamente sem apetite. Ela sabia o que veria naqueles olhos azuis quando os encontrasse. “Está terminado este período. Vamos deixar Hogwarts”. E embora os tempos difíceis não encorajassem sentimentalismos, ela soube que estavam deixando para trás uma era preciosa, justamente por ter sido totalmente extraordinária, excitante e perigosa. Uma era diferente de tudo o que já vivera e viveria.

- Sem fome? – ela perguntou por perguntar, tentando afrouxar o bolo na garganta.

- Você sabe... – Ron se esforçou a colocar um sorriso torto no rosto. – Comi uns caramelos mais cedo. Estragaram meu apetite.

Ela fez um ruído de riso. Nada era capaz de tirar o apetite de Ron.

- É... o mesmo sucede comigo. – ela falou, não colocando nada no prato.

Eles se olharam intensamente, sem necessidade de maiores explicações.

- Você acha... – ele começou.

Mione sorriu o encorajando.

- Você acha que algum dia...

- As coisas voltarão a ser iguais? – ela completou por ele.

Eles prolongaram aquele olhar sem querer uma resposta verdadeira para aquilo.

Ron esticou os dedos, tocando de leve o rosto da garota.

- Cada um de nós, Harry, Celina, Neville... até a Lovegood. – apontou para a cabeleira loira, visível na mesa da Ravenclaw. - Bem, nós todos passamos por bons momentos e também quase morremos. Perdemos gente importante. Aquela enfermaria viu a cara de todo mundo até enjoar. – ele balançou a cabeça e cravou os olhos profundamente nos dela. – Ainda assim, acho que estes anos aqui vão ser sempre a melhor época da minha vida. Principalmente por causa de você.

Um calor, que era mais forte que uma boa lareira de inverno, aqueceu o peito de Hermione e coloriu seu rosto.

- O que está dizendo? – ela mal cochichou.

- Que eu acho que amo você. – sua voz tremeu um pouco. - Desde a primeira vez que invadiu minha cabine no expresso e implicou com meus feitiços ruins. Eu não sabia disso naquele tempo. Mas agora sei.

Ela mal pestanejou quando se inclinou e apertou com força a boca na dele, sem parar para raciocinar ou medir as conseqüências e seus prós e contras. A monitora certinha apenas agiu por impulso.

E continuou agindo.

- Acho que deveria vir comigo. – ela sussurrou com urgência.

Por algum esgar de luminoso bom senso, ele não disse palavra alguma e apenas a seguiu, sem saber ao certo o que ocorria, mas com o coração batendo feito tambor. Enquanto subiam as escadas, Ron apertou mais forte a mão da garota e rompeu o silêncio.

- Para onde estamos indo?

- Parvati e Lavender não estão mais na escola. – ela mirava a frente, tentando por tudo não olhar na direção dele.

- Sim... – ele relanceou os olhos, incerto, e Mione corou.

- Não estão... no dormitório – forçou uma explicação mais conclusiva. - Estou sozinha lá.

Ah, sim... sim, disso ele sabia. Sabia e durante as noites pensava sobre o assunto de um modo que se tornava quase obsessivo.

Não foi por simples impulso, nem tampouco por premeditação, ele apenas achou que se não provasse a boca dela naquele segundo, morreria.

Puxando a mão que tinha entre as suas, Ron fez Hermione dar um meio giro e vir de encontro ao seu peito. E aninhando o corpo trêmulo em seus braços, a beijou de uma forma que ela jamais desejaria escapar.

Mas não precisaria nem se esforçar. No momento em que ele a puxou, todo o raciocínio de Mione, todas as suas crenças e verdades concordaram unânimes com seu corpo. Deixou que ele a enlaçasse e envolveu o pescoço do rapaz, se colando a ele até ficar na ponta dos pés, ajudando o abraço a se tornar mais apertado e suas bocas se unirem como se os dois fossem um. E estava tudo certo, tudo bem.

Depois de um tempo justo o suficiente para se sufocarem, ela afastou um pouco o rosto.

- Ron... ainda... faltam três lances de escada até a Torre.

- Dois, se pegarmos a passagem secreta às suas costas, Mi.

- E o que estamos esperando?

Nunca a Torre da Gryffindor parecera tão distante. Nunca fora tão difícil caminhar, quase correr, quando beijos famintos espreitavam a cada curva e eles não conseguiam se impedir de prová-los.

Mal parando na frente da Mulher Gorda, Ron disse a senha sem deixar o rosto de Mione. Só pararam de se fitar quando chegaram ao pé da escada para o dormitório feminino.

- Não vou conseguir subir... – ele pareceu confuso pela primeira vez. – A escada, você sabe.

- Bem... – ela conteve um sorriso e tirou a varinha das vestes, a agitando sem pronunciar palavra. – Pra tudo tem um meio.

- Como conseguiu isso? - ele a encarou com admiração, adivinhando algum feitiço salvador.

- O Harry já fez isso. Celina comentou algo à respeito.

- Harry... – Ron sussurrou para si mesmo. Estava devendo mais uma ao amigo.

Ele colocou os pés devagar sobre o primeiro degrau, testando a veracidade do feitiço, subindo mais alguns, quase temerosamente. E eles continuaram firmes e quietos.

“Graças à Merlin.”

- Desde quando você pratica este feitiço? – ele sorriu um pouco divertido.

- Tenho pensado um pouco sobre o assunto.

- Que bom. – ele finalmente a tomou nos braços, o rosto ficando sério, intenso. - Acho que eu também.

No quarto, porta trancada, Hermione se desvencilhou gentilmente dos braços do rapaz.

- Você... tem idéia do que vamos... de como...

- Eu achava que tinha, mas agora... Com você, não sei de mais nada. – falou sem tirar os olhos dela.

Sua relação com Lavender não tinha sido remotamente semelhante. Ron sentia-se tão inexperiente como se, para ele, também fosse a primeira vez. E ao observar a moça insegura à sua frente, ele só conseguiu expressar o que era real para o seu coração.

- A única coisa que eu sei é o quanto tenho vontade de te tocar, o quanto quero ficar com você.

Ele mal sabia que era tudo o que ela precisava escutar.

Sem mais esperar, Hermione foi até ele, o abraçando apertado, se atirando numa descida suave de doloroso amor e esquecimento.

Os beijos cresceram em intensidade, as mãos se buscaram famintas. Nada era estranho, nada era desconfortável ou constrangedor. Ela descobriu uma liberdade que julgava ser impossível, como se outra Hermione se escondesse por debaixo de sua pele, quieta e adormecida, até então.

Blusas desabotoadas deslizando para o chão, sapatos chutados, passos vacilantes. Cegos. Eles não conseguiam se olhar como queriam, enxergar a pele por debaixo das roupas. O momento era intenso demais para curiosidade ou contemplação. Foi muita espera, muito tempo se segurando. Precisavam se ter com urgência, selar definitivamente um amor que apenas crescera pelos anos, até se tornar tão grande que transbordara.

Eles se deitaram meio despidos, meio vestidos, rolando sobre a cama, lutando contra as peças que tolhiam os seus movimentos.

As mãos grandes que cobriam os seus seios, a boca macia que cobria seus gemidos. Hermione sorriu em meio ao beijo. Por mais que já tivessem ido longe em suas carícias, nunca tinham estado daquela forma. Tão íntimos e tão certos do que fariam. A boca dele descendo por seu corpo, sua relutância em ser passiva a deixando surpresa. Ela o empurrando para o colchão e o imitando, conhecendo a pele clara com a boca, os arquejos macios que ele fazia sob seus lábios.

Ron agora agindo como se quisesse mostrar a ela o quanto seus músculos podiam ser ágeis e flexíveis. Ela abafou uma exclamação de surpresa quando, num átimo, o ruivo a girou para baixo, prendendo suas mãos nas dele.

Ela que sempre fora mandona, descobriu o prazer de ser subjugada, ter a boca devorada, permanecer deliciosamente presa ao corpo dele. Abençoadamente indefesa.

Fechou os olhos com força quando uma das mãos desceu por seu corpo, descobrindo, tateando, encontrando. A levando a pulsar tão rápido quanto as batidas do seu coração. E sabia que ele estaria assistindo, olhos cravados sobre o rosto dela. Esperando ofegante e ansioso por seu consentimento final.

Quando ela demorou, Ron apenas se encaixou sobre o corpo dela, oscilando em movimentos circulares, fazendo com que ela gemesse agarrada aos seus ombros.

- Você quer? – a voz dele soou irreconhecível, ciciando rouca em seu ouvido. – Quer?

Foi o clique de uma bomba. Não agüentando mais, ela o abraçou com as pernas, se movendo no mesmo ritmo, com a mesma fome.

- Sim. Sim, sim, sim.

Ele se empurrou devagar e úmido para ela. Sem interromper a dança, sem deixar de observar cada mudança em suas feições. E quando a barreira foi forçada e rompida ele engoliu o gemido dela em sua boca.

Foram suaves, foram intensos. Os gostos de suas peles se misturando de tal forma que Ron não sabia onde começava Mione, e Mione não sabia onde terminava Ron. Eram infinitos e só existiam os dois em todo o mundo. E quando ela atirou a cabeça para trás, seu corpo parecendo ser lançado no ar numa brilhante explosão de calor e luz, ele finalmente a seguiu e soube o que era se tornar um homem.

XXX

O tempo já havia deixado de fazer sentido e Mione não sabia o quanto tinham estado assim, entrelaçados e quietos, iluminados pela chama de uma única vela.

Era assim que tinha imaginado? Não saberia dizer. Tudo o que tinha pensado ou planejado em noites de devaneios, desaparecera de sua mente. Sabia que a dor não fora importante, um momento muito breve, esquecido quase que no mesmo instante. E até mesmo o seu prazer não fora tão importante. Não quando comparado ao atordoamento de pertencer à alguém, aos sentimentos saindo de seus poros aos borbotões.

Ela já tinha lido sobre o assunto, tentando se preparar. Tinha devorado páginas e páginas entre o receio e a ansiedade, e nada daquilo, absolutamente nada, conseguira captar remotamente a verdade do que acontecera. Como se explicar emoções pelo papel? Como se explicar emoções para quem nunca as viveu?

Hermione sorriu para o ruivo adormecido ao seu lado. O ruivo que era seu, só seu.

- E eu também sou sua, afinal. – tocou os lábios dele com os seus, muito devagar. – Te amo.

- Te amo também. – ele a encarou e através do fogo azul daquelas íris, ela pôde compreender o significado da expressão: ter o coração nos olhos. Ele tinha o coração nos olhos, e o oferecia a ela. – Te amo demais.

Sem deixar que ela afastasse os lábios dos seus, Ron a girou para baixo de si, a beijando suavemente.

- Achei que estava dormindo. – ela arfou com a surpresa, não sabendo direito o que falar, corando tanto pelo que dissera, como pelo que escutara.

- Não estava dormindo. Não. Nunca mais.

Ela soube que ele se referia ao tempo que tinham perdido no passado. Cegos e adormecidos. Mas de agora em diante, estariam acordados.

Nada jamais seria igual. Outra lembrança para ser levada. Mais uma recordação a ser suspirada nos anos futuros. A noite em que se uniram e selaram seu amor. Sua última noite dentro das paredes de pedra do castelo milenar.


XXXXXXX


Florência entrou no quarto da filha, carregando um livro escolhido ao acaso, mas a mulher sabia que não havia muito a ser feito. Não se pode pedir a uma adolescente que fique quieta e tranqüila enquanto as coisas acontecem, principalmente em se tratando de alguém com a energia de Celina. Por isso a mãe arranjava pretextos para conversarem, tentando assim, tirar a garota dos extremos de angústia e apatia em que andava se alternando.

Estavam na Sede da Ordem da Fênix, e mais uma vez Celina se isolava no quarto, deprimida, aparentando estar adoentada de tristeza.

- Querida, achei este livro no meio de suas coisas. - ela puxou assunto – Será que é bom?

Celina relanceou os olhos sobre a mãe, sem nem atentar para o livro. Então estavam de volta à operação “Vamos fazer a Celina feliz”? Um indício de sorriso ácido curvou um lado de seu rosto. As coisas eram bem mais complicadas do que qualquer um podia imaginar.

- Bom livro. – ela nem sabia de que livro se tratava. – Agora vai dizer o motivo real de estar aqui? Alguma novidade? – tentou não soar esperançosa, no que sempre falhava.

- Ainda não. – a mulher mordeu o lábio, sabendo que dois meses quase sem notícias estavam abalando seus próprios nervos, quanto mais os da sua menina. – E você sabe porque estou aqui. Querida, você não tem se alimentado, não tem dormido, não pode se entregar deste jeito. – a aparência da garota estava mesmo doentia. - Ele fez o que era melhor...

- Melhor pra quem? – ela agora se enfurecia com tanta facilidade... - Está me matando não ter notícias.

- Eu sei, pensa que não me preocupo com seu pai? Cada vez que sai por aquela porta?

- É tão diferente, mamãe. – ela apertou os olhos numa careta. – Tão... distante.

- Será mesmo? São tempos perigosos, meu bem. Todos corremos riscos. Tanta gente morreu antes mesmo que você nascesse...

- Ah, você não entende. – ela queria ficar sozinha novamente. Mergulhar de novo nos seus pensamentos ansiosos.

- O que é que eu não entendo?

- Pode me deixar quieta?

- Não. – Florência se postou de frente a ela, comprando a briga. - Está mal conversando com seus pais, Jason e sua avó. Você não está bem, eu entendo, mas não posso virar as costas para isso. Queria que me dissesse, que desabafasse. Tenho certeza que é melhor do que esse mutismo.

Celina a analisou com cuidado e acabou por fazer que sim, com o semblante sério de quem pesava algumas coisas. “Ela iria saber, de qualquer forma.”

- Talvez não seja boa idéia, mas vamos lá. – tinha as pernas cruzadas por cima da cama e toda a saudade do mundo no coração. Inclinando a cabeça, ela se perguntou como conseguiria começar aquela conversa. - Já sentiu que ama alguém de um modo que prefere passar o diabo ao lado dele do que viver no paraíso, mas longe?

A mãe sorriu ao se sentar sobre a cama. Aquele terreno, ela conhecia bem.

- Está me subestimando, filha. Acha que tem sido fácil? Já abdiquei de muita coisa.

- Abdicou de Sirius. Você o amou realmente?

Florência pareceu ter sido pega desprevenida.

- Sirius? O quê uma coisa tem a ver...

- Você o deixou, mamãe.

A mulher se calou, refletindo com seus botões e suspirando baixinho, por fim. Evitava assuntos dolorosos o quanto podia e aquele era um dos maiores.

- Nós nos deixamos, Celina. Não foi uma desistência. Apenas não deu certo.

- Fala como se fosse tão simples...

- Não teve nada de simples. Eu sofri o diabo quando acabou. Era... foi tudo muito intenso.

A curiosidade fez a jovem se esquecer por segundos de suas próprias inquietações.

- Como era entre vocês?

- Como seria com qualquer jovem casal apaixonado. – sorriu com tristeza. – Amor, brigas exageradas, reconciliações maravilhosas, muito riso. Ainda mais em se tratando de Sirius. Tudo com ele era duplicado. – ela levou os olhos para cima, em recordação. - Eu fui sim, muito feliz.

- Você saiu de casa. – Celina já sabia que eles tinham vivido juntos por algum tempo. Mal conseguia imaginar a mãe nesta outra vida. – Foram morar juntos, não é?

- Fomos sim, e seu avô não ficou nada satisfeito. – Florência riu de leve se lembrando daquela época colorida. - Moramos na casa que Sirius herdou do tio. Ele estava iniciando um negócio próprio, algo sobre motos voadoras. Era muito bom em todo tipo de feitiços. E eu comecei a trabalhar em traduzir textos antigos, e arrumei um emprego de meio expediente no Beco Diagonal. – ela cerrou os olhos assentindo consigo mesma. – E foi uma das melhores épocas da minha vida.

Celina não pôde deixar de sorrir ao observar a expressão da mãe. Tinha certeza que era a mesma expressão que fazia quando pensava nos bons momentos com Harry.

- Mesmo com tudo... – sondou, mais confiante - rompimento, todo o sofrimento pelo que passou, você se arrepende?

- Nem por um segundo. – Florência falou com segurança, achando que sabia aonde a filha queria chegar.

- Então você me entende. Entende como é enfrentar a todos pelo seu amor. Eu enfrentaria. – os olhos violeta brilharam de um jeito determinado. - Eu enfrentarei. Meu amor por ele é a coisa mais importante da minha vida. – então o brilho se tornou mais emotivo. - Na verdade, agora... é a segunda coisa mais importante.

Florência franziu os olhos.

- O que está dizendo...?

- Estou grávida, mamãe. – falou de supetão. - Harry e eu vamos ter um bebê.

A bruxa escutou o eco daquilo reverberando em seus ouvidos e crescendo como a onda gigantesca de um Tsunami. O que Celina estava falando?

- Um bebê. – ela disse novamente, assentindo para a mãe. - Não é o tempo certo. Não tenho a idade certa. E eu nunca me senti tão segura quanto a qualquer coisa na vida.

- Você... não pode estar falando sério... – a bruxa negava com a cabeça - Tinha as poções...

- Me esqueci. Não tomei na última vez que o vi.

- O que estava se passando em sua cabeça?!

- Harry. Apenas ele. Que eu precisava tê-lo de volta, precisava de qualquer parte dele comigo. Só não esperava... que fosse essa parte.

Florência parecia absolutamente estuporada, os lábios abertos ao fitarem a única filha, a última da linhagem, que acabara de aumentar infinitamente o preço de caça por sua cabeça.

- Essa parte... um filho... – a mulher tentava absorver a notícia.

- Uma parte tão bem vinda... – Celina dissecou ansiosamente a expressão da mãe. – Que eu já amo tanto...

Florência estremeceu com violência, puxando a filha para si num abraço tão intenso, tão apertado, que poderia machucar. Envolvia Celina com força, querendo protegê-la, proteger a vida que crescia nela. Querendo... Querendo tanto poder trazê-la de novo para dentro do próprio corpo. “Ser mãe é carregar nas mãos o próprio coração, que esbarra, machuca e você apenas teme, sem conseguir resguardá-lo de novo dentro de você”. Florência sempre soube.

Mais tarde foi o pai. Gabriel bateu timidamente na porta antes de entrar, aparentemente utilizando como assunto o mesmo subterfúgio da esposa. Ela só queria adivinhar se Florência dissera alguma coisa.

- Celina...

- Pai... - ela soube que ele estava tenso, mas ultimamente não precisava de nenhuma novidade para deixá-lo assim. Novidades como bebês e filha única tendo vida sexual, por exemplo. Será que ele sabia?

- Você... ahh... leu aquele livro de arte que eu te comprei?

Ela o fitou inquieta. Aquilo tinha ocorrido há séculos.

- Ah... dei uma olhada. Não tive muita cabeça.

- Sim... ninguém tem tido. Mas devia ler... Muitas pinturas lindas. Precisamos visitar novamente aqueles museus trouxas quando esta guerra estúpida terminar. Quando a gente tiver um mundo novo e melhor. Quem sabe, posso até voltar a pintar aquele seu retrato.

Ela assentiu, sentindo um bolo se formar em sua garganta.

Gabriel passeou pelo quarto, passando a mão nervosamente pelos cabelos. Movia os lábios sem som e desenhava um rastro de pés ansiosos pelo velho piso encerado. Então, finalmente parou ao lado dela, de súbito.

- Você vai precisar sair daqui. Quanto menos gente souber, melhor. A casa de férias da mãe de Phillys parece uma boa idéia. É tranqüila o suficiente... – ele gesticulou fazendo Celina o observar num misto de incompreensão e temor. - e longe o bastante, acho. Quase em outro país. Alguns membros da Ordem podem cuidar de sua segurança. E, é claro que um mínimo de pessoas vai precisar saber sobre o seu paradeiro. Mas vamos ser cuidadosos. Em todo caso, agora mais do que nunca você precisa sumir do mapa e estar a salvo.

Gabriel finalmente ficou sem palavras, seus planos desaparecendo por completo. Aquela pessoa sentada à sua frente, rosto baixo, mãos retorcendo o lençol, era uma mulher, uma mulher forte, decidida, mas ainda era sua menina. Sua menininha que ainda não crescera de todo. Ele suspirou emocionado:

- Filha...

Celina levantou os olhos, hesitante.

- Eu te amo. – os olhos dele brilharam intensamente. – E apesar de tantos problemas, da hora errada, deste tempo tão desesperador, estou muito feliz em ter um neto pra apresentar ao novo mundo que virá.

Um impulso. Ela nem se viu levantando, apenas percebeu que o fizera quando caiu nos braços do pai, rindo e chorando ao mesmo tempo.

Sua “mudança” esteve pronta ao final daquela semana. Antes disso, tinha recebido uma carta de Harry através de Edwiges. Uma carta breve que falava por meio de códigos e meias palavras, mas que mesmo assim deixava claro o quanto ele a amava. E abraçando o pergaminho amassado, ela decidiu partir sem avisar a mais ninguém sobre sua situação, guardar segredo aos amigos e principalmente ao maior interessado. Apenas os pais, a avó e tio Tarsilus, de volta de suas viagens, sabiam da sua gravidez. Gente até demais, pensou a bruxa. Mas não Harry. Não seria bom para ele saber, o deixaria preocupado, desconcentrado. E só Deus sabe as conseqüências que isto poderia trazer. Mais uma vez, Celina não tinha o direito de intervir, muito menos o de piorar o nó de uma situação quase impossível de ser mais complicada.

Queria mais do que tudo poder olhar nos olhos dele, ver se haveria contrariedade ou alegria pela notícia, mas sabia que seu momento teria que esperar. Ela agora tinha um motivo ainda mais importante do que Harry para ser cuidadosa. A vida que crescia dentro dela era valiosa demais para as duas partes daquela guerra. E por motivos bem diferentes.


XXXXXXX


Eles voltaram da caçada. Os três. O trio. Machucados, fracos, mas esfuziantes. Ron e Mione tinham ido ao encontro do amigo para uma mera ajuda teórica, mas, como de costume na vida de Harry, os acontecimentos os atropelaram.

Dentro de um saco muito pesado e sujo, eles tinham os despojos de uma luta assustadora, mas vitoriosa. E esta parte da vitória tinha sido concluída por Hermione. Seu cérebro, coragem Gryffindor e um bom feitiço Sectumsempra. Seria ironia do destino que a ex-monitora utilizasse um feitiço do tão malfadado príncipe mestiço, que ela tanto desprezara. O mesmo Severus Snape, o traidor que todos diziam ter perecido num combate com o Ministério.

Estava cumprido o juramento. Ron e Hermione tinham feito sua parte e ajudado o amigo do melhor modo que puderam. Mesmo à contragosto deste. À princípio, Harry se encontrara com os amigos apenas para estudarem algumas possibilidades. Três cabeças pensavam melhor do que uma. Mas de um modo um pouco egoísta, Harry também sabia que precisava de contato humano. Precisava ficar um pouco próximo de pessoas que o amavam. Sua solidão algumas vezes ameaçava devorá-lo e nestas horas a tentação de ver Celina era quase incontrolável.

Quando se encontraram, os amigos tinham lhe trazido algumas coisas. Dentre elas uma importante encomenda vinda de Hogwarts, mas também uma impressionante quantidade de guloseimas enviadas por Dobby e alguns bilhetes concisos e recados das pessoas que se importavam com ele. Num destes pergaminhos, Celina reafirmava seu amor por ele e dizia que o esperava para reiniciarem sua vida, que o aguardava com esperança e para sempre. Promessas de uma vida cheia de risos.

Ele guardara o pergaminho no bolso e nunca mais o tirara. Era sua bíblia para os momentos difíceis de dúvida e horror. Era sua oração.

Mas como não podia deixar de ser, os três amigos finalmente se separaram. Era o trato. Harry partiria sozinho para rumo ignorado, levando consigo suas armas secretas e os despojos da última Horcrux.

Eles se certificaram que o amigo estaria bem, partindo depois de palavras inesquecíveis, partindo depois de algumas lágrimas de Hermione, e de um abraço entre tapas nas costas, dado pelos dois desconcertados rapazes.

O trio estava separado. A sorte estava lançada.

E sozinho, Harry finalmente chegou ao seu destino. A casa em Godric’s Hollow. A casa de seus pais. Sua casa. Sem dúvida, naquele momento, o lugar mais perigoso em que ele poderia ficar.

De alguma forma, sabia que Voldemort iria querer acabar a tarefa fracassada da mesma forma que há dezessete anos. Sozinho. Seria apenas entre os dois, tal e qual dizia a profecia.

Naquela noite, a última de sua sina, ele orou para Celina através de seu pergaminho, orou para seus pais, padrinho e Dumbledore. O ciclo estava completo.

Harry se postou na sala semi-obscurecida, de frente para a porta de entrada. E, sentado no chão, aguardou seu visitante.


I want to, I want to be someone else or I'll explode
(Eu quero, eu quero ser outro alguém ou explodirei)
Floating upon the surface for
(Flutuando numa superfície para)
The birds, the birds, the birds
(Os pássaros, os pássaros, os pássaros)

You want me, well fucking well come and find me
(Você me quer, bem ,foda-se, venha e me ache)
I'll be waiting with a gun and a pack of sandwiches
(Eu estarei esperando com uma arma e um pacote de sanduíches)
And nothing, nothing, nothing, nothing
(E nada, nada, nada, nada)

You want me, well, come on and break the door down
(Você me quer, bem, venha e arrombe a porta)
You want me, fucking come on and break the door down
(Você me quer, foda-se venha e arrombe a porta)
I'm ready, I'm ready, I'm ready, I'm ready, I'm ready...
(Eu estou pronto, eu estou pronto, eu estou pronto...)



A noite havia caído por completo. Foi quando Harry ouviu passos macios atravessarem o matagal da frente da casa. E foi também quando seu nervosismo deu lugar a tranqüilidade que sempre vinha quando algo é esperado por muito tempo, e agora é inevitável. Para o bem ou para o mal.

A porta explodiu em estilhaços de madeira velha e o Lorde das Trevas pisou em Godric’s Hollow pela segunda vez na vida.

- Bem vindo à minha casa. – a voz de Harry veio de algum lugar, entre as sombras. – Mas, na verdade, preferia que tivesse apenas batido na porta.

- Estive procurando por você, garoto. – a voz fria ciciou em resposta.

- E como pode ver, eu estive esperando.

- Estranha escolha. – Voldemort passou os olhos fendidos pela sala vazia, não localizando de onde vinha a voz. – Em todo caso não vou negar que me agrada te matar no lugar em que deveria ter perecido há... – ele apertou os olhos - dezessete anos? Você conseguiu sobreviver bem mais tempo do que eu previa.

- É, eu tenho esse defeito de continuar vivo.

Voldemort riu baixinho.

- Acha mesmo que vai continuar?

- Detesto desapontá-lo, Ridlle, sucessivamente, - Harry também riu - mas não vou fazer com que seja fácil.

Mas o eco da breve risada indicou o paradeiro do rapaz. Praticamente sem se mover, Voldemort exclamou:

- Expelliarmus!

- Impedimenta! – e com o mesmo movimento rápido e sutil, Harry se defendeu.

Com os olhos agora habituados à penumbra, Voldemort enxergava o vulto de Harry, da mesma forma como também era enxergado por este.

- Andou praticando. – o lorde disse sarcástico, mas tinha ficado desagradavelmente surpreso.

- Você não imagina o quanto. E em alvos muito... interessantes.

Voldemort seguiu a direção apontada por Harry, se deparando com um vulto volumoso e retorcido, jogado como uma grossa corda no canto do espaçoso aposento. Fixou a vista e viu a cabeça de Nagini, totalmente separada do corpo, o observando com seus olhos vítreos, bem do alto da montanha de pele retorcida.

- Você...

- Não, o prazer não foi meu. Outra pessoa partiu seu brinquedinho em pedaços.

Voldemort respirou ruidosamente.

- Garoto... você não está achando que pode me vencer.

- Na verdade... nenhum de nós vence, mas certamente um de nós vai morrer.

- Então se prepare para rever seus pais. – e dizendo isso, Voldemort lançou uma maldição, errando por milímetros. Surpreendentemente, Harry começou a rir. O lorde sibilou, viperino.

- Está achando que a morte será mais fácil se estiver rindo?

- Não, estou achando terrivelmente engraçado o quanto você não sabe.

- Então me diga o que eu não sei. – aquela brincadeira estava começando a ficar desagradável.

- Ah, não. Você vai descobrir sozinho.

- Reducto!

Uma das pilastras de sustentação explodiu ao lado da cabeça de Harry, cortando seu supercílio.

- Bombarda! – o rapaz devolveu.

O contra-feitiço atingiu o chão, aos pés de Voldemort, lançando o bruxo violentamente para a porta traseira. Com o impacto, ele foi jogado no ar noturno, no jardim de puro mato de Godric’s Hollow.

- Espero que não tenha sido um golpe muito duro, ter perdido Nagini. – Harry gritou pela outra porta destroçada. - Sei o quanto eram... ligados.

- Nada que não possa ser reposto. – Voldemort já meio que se refizera de um corte feio do rosto até o pescoço, e empunhava a varinha novamente em direção ao rapaz. – Crucio!

Harry se desviou, fazendo a maldição resvalar na parede.

- Ah... duvido que tudo possa ser reposto tão facilmente, Tom. Coisas perdidas, destruídas, coisas que você nem imagina.

Uma leve dúvida repassou pelo olhar viperino. Aquele modo estranho que o garoto usava para falar, como se soubesse de algo...

“Não, impossível.”

Potter estava apenas tentando ganhar tempo. Mas Voldemort podia sorrir, tinha uma pequena surpresa para seu adversário.

- Você sabe, - Harry falou por dentre as imensas ervas daninhas - uma vez uma pessoa me disse que você não passava de um bruxo egocêntrico e emocionalmente pouco inteligente. Não é que ela estava certa?

- Firus! – uma língua azulada de fogo atingiu o ombro de Harry, que cambaleou instintivamente para trás de uma árvore.

Estavam ambos feridos, contundidos, mas ainda fortes. Harry sabia que Voldemort conhecia infinitamente mais de magia do que ele. Portanto antes que se cansasse à exaustão, era hora de usar sua arma secreta.


XXXXXXX

Celina sorriu de leve enquanto acariciava o ventre ainda achatado. Desde que se mudara para aquela casa afastada tinha pouco mais a fazer do que sonhar. Enquanto, em outra época, aquela inércia a deixaria maluca, agora apenas a enfastiava. Sua vida se resumia a enjôos matinais, as caminhadas vigiadas que sempre melhoravam sua indisposição, e a dormir. Mérlin, como dormia. Era como se tivesse tomado a poção do morto vivo.

Nunca passava um dia sozinha, sempre havia alguém para cuidar de sua segurança. A mãe permanecera por quase todo o tempo, só se ausentando de tempos em tempos, sendo rendida por Lilith e Jason, que de certa forma parecia ter adivinhado seu “estado interessante”. Apenas algumas pessoas sabiam de seu paradeiro e quando seu pai chegara, há duas noites, substituindo sua mãe, ela soube qual seria sua nova babá.

Eles fariam o feitiço Fidelius, tendo encontrado dificuldades apenas porque todos queriam ser o fiel do segredo. Estavam apenas esperando por Jason. Gabriel e ele fariam o feitiço naquela mesma noite.

- É uma graça, mas não acha que é um pouco cedo pra isso? - Celina riu, remexendo a pequena vassoura em suas mãos. Uma Firebolt versão infantil.

- É meu primeiro neto, tenho todo o direito de mimá-lo. – animado, Gabriel desempacotava pequenos brinquedos bruxos, parecendo ter voltado à infância.

- Sabe... já te passou pela cabeça que pode ser uma menina? – ela implicou alegremente.

- Já sim. Só espero que seja mais tranqüila que você. Duas, eu não sei se tenho idade para agüentar.

Ela fez uma careta falsamente ofendida, mas estava feliz. Depois do susto inicial o pai se mostrava o mais animado com sua gravidez. Fazia planos constantes e nunca deixava que a filha desanimasse. Estavam mais amigos do que nunca. E ela também andava tendo esta esperança louca de que tudo daria certo, que Harry venceria e ficariam todos bem. “Será que isso era culpa dos hormônios desordenados?”

Estavam daquele modo, distraídos e relaxados, quando um barulho chegou do corredor que vinha para a sala.

- Jason? – foi a única coisa que Gabriel disse antes de ser derrubado sob um estranho feitiço. Não houve barulho, ele apenas caiu no chão sentindo todos os seus órgãos internos explodirem lentamente.

De pé no umbral da porta, Bellatrix Lestrange sorria demoníaca.


XXXXXXX


- Accio Espada! – o chamado de Harry varou a noite e um brilho prateado faiscante cortou o ar até chegar às mãos do rapaz. A espada de Godric Gryffindor, sua preciosa encomenda de Hogwarts.

Harry saiu de trás da árvore, espada erguida no punho em lugar da varinha.

- Moleque tolo. Acha que pode me vencer usando isto de novo? – o Lorde forçou uma risada fria. - Avada Kedavra! – o poderoso feitiço ricocheteou na espada, indo destruir parte da selvagem cerca viva.

Voldemort ofegou, irritado.

- Você pode se esconder atrás deste sabre, mas não pode me atingir com ele. Vai fugir a noite toda?

- Não vou fugir. - Harry sorriu cansado – Mas se eu fosse você não teria tanta certeza de não poder ser atingido.

E então, diante dos olhos abismados de seu rival, Harry arrancou o Amuleto de Ísis do pescoço e o encaixou no punho da espada, numa ranhura que parecia ter sido feita para acomodar a pedra antiga.

A espada se acendeu como uma luz, e dela ressoou um som que lembrava uma canção. Naquele instante, Harry estava pensando em Celina, seu amor reverberando pelo corpo, pela arma. Foi desta forma que ele avançou para Voldemort, não sendo atingido por nenhum feitiço pronunciado, por nenhuma maldição. E foi desta forma que a espada se afundou no peito viperino e sem coração.

O barulho era de faíscas, trovoadas. Como uma corrente elétrica utilizando o final de suas forças para espocar até que se extinguisse.

Homem e garoto se fitaram, apenas um deles permanecendo de pé, apenas um deles sobrevivendo.

A profecia estava cumprida e em seus momentos finais, Voldemort soube que suas Horcruxes não mais existiam. “Como? Como?”

- Você sempre subestimou a todos. – Harry pareceu ler através da mente convulsiva do bruxo. – Nem o mais sábio dos homens vê todos os lados, e você... está bem longe dessa sabedoria.

A morte chegava. A horrível morte gelada, assustadora com suas garras tenazes. Estava acabado, mas ele não morreria sem um malefício final.

- Uma coisa... garoto. Sua pequena companheira... Achou que eu não ficaria sabendo? – Voldemort riu, com o sangue nauseabundo subindo aos borbotões pela boca fendida. – Ela já não está segura. E... mesmo morrendo, vou ter o prazer de saber... que enquanto você está aqui, ela já está morta. E se não estiver, será apenas uma questão de tempo. Tenho servos fiéis... A vida dos que te amam não vale um nuque. – ele estremeceu mais uma vez. - Por sua causa.

Uma última faísca. Tudo voltou a ficar silencioso e quieto. Voldemort estava morto.

Por breves instantes ficaram ao relento. O corpo que se desintegrava diante dos olhos de Harry, murchando, virando cinzas como o cadáver de um vampiro. E o medo, palpável como uma terceira pessoa, fazendo o coração do rapaz diminuir de horror.

Ele puxou a espada e a pedra. Celina. Precisava encontrar Celina.


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Estava no chão novamente. As dores se multiplicavam pelo corpo, mas a única coisa em que pensava era em chegar até o pai. Sua varinha jogada à metros de distância. Alvo fácil, indefesa. Precisava fazer alguma coisa.

- Onde está, queridinha? – Bella repetia a mesma pergunta - Você tem uma coisa que o Lorde Negro quer.

- Sim, um cérebro. - Celina conteve o gemido quando as unhas da mulher apertaram a ferida em seu ombro.

- O Amuleto de Ísis, o brinquedo que sua família vem escondendo por tempo demais.

- Não sei do que está falando. – outra fisgada no couro cabeludo.

- Acho que sabe sim. – a voz de Bella ciciou em seu ouvido.

- Sinto muito, se existisse algo como o que diz... estaria mais longe do que sua magia medíocre pode alcançar.

Um tapa violento machucou a boca de Celina, mas o sorriso de Bella foi ainda mais perigoso.

- Vejo que está precisando de incentivo. – ela apontou a varinha para o corpo da garota, decidindo onde atacar. – Um Cruciatus costuma ser bastante eficaz para abrir bocas fechadas.

Celina não conseguiu reter o impulso de abraçar o próprio corpo, tentando proteger o ventre. O movimento foi seu maior erro.

Bellatrix arqueou uma sobrancelha, curiosamente. Os olhos relanceando rapidamente para a vassoura infantil e outros pequenos brinquedos, jogados ao redor.

- Ah, menininha... Você tem um segredo? – ela riu deliciada. – Um segredo bem, bem grande? Tia Bella acha que sim.

Celina abriu os olhos com o terror da descoberta próxima, e nem mesmo compreendeu de onde tirou o espírito para fingir descaso. Talvez do medo.

- Agora você descobriu. Ainda brinco com bonecas. Não espalhe, por favor.

- Não duvido. - Bella apontou a varinha direto para a barriga da bruxa. - Brinca com uma boneca bem viva, heim? Mas eu também posso brincar. Crucio! – ela gritou de súbito.

A dor a atingiu com um gosto amargo na boca. Celina não gritou apenas porque a dor superava esta capacidade.

Bellatrix tinha um sorriso insano, sua prioridade deixando de ser o Amuleto, de ser as ordens recebidas por seu mestre e passando a ser o próprio sofrimento que infligia à outra pessoa. Queria ver o sangue de Celina, queria ver a sua morte.

Celina se debatia no chão, sentindo que não duraria muito tempo, sentindo a nova vida dentro de si lutar e se contrair, querendo sobreviver. “Merlin, não. Não...”

- Não! – uma outra voz parou o momento. Alguém tinha vindo.

O grito fez a tortura cessar, e Celina se aquietar como uma boneca de trapos atirada ao chão. Por entre o suor e seus cabelos embaraçados, ela conseguiu enxergar a figura embaçada de Draco Malfoy, se interpondo entre ela e sua algoz.

- Você só precisa do amuleto! Ela não vai ser machucada.

- Saia da frente, pirralho. Você não sabe nada sobre os planos do mestre.

- Os planos se referem ao Amuleto e ao Potter. Ninguém aqui precisa sair ferido.

- Potter? Foi o nome que disse? E o que sua amiguinha é? A namoradinha do Potter. A que carrega um filho de nosso inimigo.

O rosto de Draco mostrou um espanto tão genuíno, que Bellatrix voltou a rir.

- Você também não sabia, é claro. Ah... sua amiguinha é muito valiosa. Imagine quando o Mestre souber de sua morte, e é claro, da morte do que está carregando neste momento?

- Não... – Celina se levantou aos tropeços, tentando chegar até a bruxa com as próprias mãos e caindo de novo. Estava fraca. Fraca demais.

- Fique longe dela, tia Bella.

- Saia da frente, Draco. – mas Bellatrix já adivinhava a expressão decidida no rosto do rapaz. – Com quem está sua fidelidade, moleque?

- Ela não vai morrer. – ele tinha a confusão estampada no rosto, mas a própria varinha permanecia apertada nas mãos suadas.

No chão, caída de bruços, a mente de Celina trabalhava febrilmente. Precisava salvar seu pai, seu filho. “Harry, onde está você? Jason? Hermione, Ron? Alguém...”

Ao alcance de seus ouvidos a discussão entre Draco e Bellatrix se tornava mais perigosa, mais decisiva. Ela não dispunha de muito tempo. Foi quando seus dedos tatearam seu corpo e se fecharam sobre algo quase milagroso. Se ela ao menos pudesse...

Sabendo que precisaria de mais do que isso, ela se concentrou com todas as suas forças em sua varinha, fora de seu alcance. E ela quase riu quando percebeu que o objeto de madeira deslizava pelo chão, o objeto mágico que continha uma lasca da Pedra de Ísis, o objeto que respondia ao chamado do seu sangue. Sua varinha. Sua única chance.

- Estupefaça! – Bellatrix finalmente perdera a paciência, azarando seu sobrinho de um modo que o deixara desacordado, lançado até se chocar contra a parede com violência.

Era agora ou nunca.

- Expeliarmus! – Celina gritou, conseguindo atingir Bellatrix, no calor do momento.

A varinha da bruxa voou em direção à porta, mas antes que Celina pudesse pronunciar outro feitiço, uma voz trovejou da entrada.

- Tormentum! – uma nova voz sarcástica se fez ouvir e, enquanto sentia os efeitos de um profundo soco no estômago, Celina percebeu que sua esperança chegava ao fim

- Desarmada por uma garota, Bellatrix? – a voz masculina voltou a falar com escárnio.

Pelo canto do olho, a garota viu a figura alta e encapuzada. Era impossível adivinhar suas feições. Novamente sem sua varinha. Sem forças. Celina sentiu a dor queimá-la por dentro, algo úmido escorrendo por entre as pernas. Um cheiro metálico invadindo suas narinas. “Não. Não. Não.”

- Ela não está com a pedra, não é? – o homem encapuzado chegou até as duas, recuperando a varinha de Bellatrix e a devolvendo furioso. – Eu já devia imaginar.

- Mas temos outra vantagem. Ela está esperando um filho do Potter. – Bella rangeu os dentes para o homem. – Isso pode ser uma arma preciosa.

- Isso não adianta de nada. – falou contrariado. - O importante é a pedra. Se ela não disser onde está, acabe com ela.

- Onde pensa que vai?

- Não há mais nada que eu possa fazer aqui. – a voz agora demonstrava frustração e certo temor. – Minha posição é arriscada demais neste lugar. Tire a informação, qualquer uma. E seja rápida. O Lorde ainda pode contar com você ao menos para isso, não é, Bella?

Passos se distanciando. “Pedra? Como o homem poderia saber o que o Amuleto era uma pedra?” Com a mente confusa, Celina percebeu que estava novamente sozinha com Bellatrix. E esta, ódio duplicado, utilizou na garota sua maldição preferida. A dor. Pela última vez.

Por alguns momentos Celina sentiu que seus ossos queimavam, seu corpo explodia. Seu corpo expulsou uma grande quantidade de sangue e ela soube que a canção se acabava dentro de si.

Não sabia se tinha desacordado, mas recuperou um pouco do raciocínio quando sentiu seu couro cabeludo ser puxado para cima com violência.

- Você fala, ou você morre. – Bellatrix estava ajoelhada a seu lado, sustentando o rosto de Celina à centímetros do chão.

- Então, eu morro. – não havia mais pelo que lutar, e a garota apertou com mais força o objeto oculto pelas vestes. – E você morre também.

Celina ergueu o braço e um brilho prateado faíscou. Um gemido saiu dos lábios de Bella quando sentiu a frieza da lâmina afiada se enterrar em seu estômago. A bruxa arregalou os olhos, a boca se retorcendo num esgar de surpresa enquanto largava os cabelos de Celina e caía no chão, tentando arrancar a lâmina sem sucesso.

Com os movimentos bêbados, Celina se ergueu pouco à pouco sobre os cotovelos, ficando por cima da bruxa que gemia, agonizando.

- Nós duas vamos morrer Bellatrix, - Celina buscou forças para permanecer acordada mais um pouco. Só mais um pouco. - mas antes... quero que saiba de duas coisas. Harry está com o Amuleto, ele o controla e vai matar seu mestre.

A mulher crispou as mãos sobre os ombros da garota soltando sons guturais de desespero e arranhando a pele de Celina com as longas unhas.

- A outra coisa... – Celina puxou os cabelos de Bella forçando os olhos negros até os seus.- Você não vai morrer por mágica, vai morrer por causa de um objeto trouxa, um brinquedo de criança.

E então Celina puxou a lâmina, fazendo a bruxa gemer mais forte, o sangue abundando.

- Vê? – ela mostrou o canivete e Bella viu duas letras gravadas no punho do objeto ensangüentado. – SB. Sirius Black. O sangue de um pelo do outro. Ele está vingado, Bella. – a garota cochichou. – No final, Sirius te matou.

- Maldita... – a mulher resfolegou. – Maldita...

- Malditas. Nós duas.

E Celina ficou vendo os olhos negros da outra embaçarem depois de um último brilho de ódio.

- Eu... te amaldiçôo... - Bellatrix tombou o pescoço, de olhos abertos.

Celina sentiu as mãos queimarem, sangrarem, e soltou a bruxa, se voltando imediatamente para onde estava o pai. Ignorando a dor, o sangue escorrendo pelas pernas, escorrendo estranhamente pelas mãos, ela se arrastou com dificuldade até Gabriel.

Colocou os dedos manchados sobre o rosto dele.

- Pai... – ela tentou sacudi-lo, desabando a seu lado no chão.

O bruxo tinha uma fraca respiração arranhada, mas ao sentir o toque da filha, conseguiu entreabrir os olhos.

- Minha menina... – Gabriel girou os olhos para a filha, deixando sangue escorrer pela boca. - Amo... você... – uma golfada mais forte o fez se engasgar.

- Paizinho, não... – tosse e sangue, ele sofria mais do que agüentava ver. - Não dorme... Não me deixa. Você prometeu.

- Queria poder... Cuida do meu neto, sim? Continue... lutando, querida. Lutando...

A última coisa que ouviu Gabriel dizer foi o nome de Florência, sussurrado, estremecido, e então ele estava quieto, descansando afinal.

Celina não pediu ajuda, não tentou recuperar a varinha, fazer um feitiço qualquer que estancasse o próprio sangue. Não havia mais bebê. Não havia mais pai. Estava vazia e suja. Suja do sangue e da morte de Bellatrix. Ela se aconchegou, passando o braço ao redor do pai. Não chorou, não havia forças e nem porque. Ela apenas se abandonou esperando a morte e rezando para que viesse logo.

“Não sofre, não sofre”, ela se embalava nos braços frios do pai. Logo não haverá mais dor, mais abandono.

“Logo estarei com você.”

XXXXXXX

Hospital St. Mungus. Afinal fora Jason quem a encontrara, quem dera o alarme, desaparatando com a garota coberta de sangue para o hospital. Malfoy também fora trazido por Remus Lupin, com uma feia pancada na cabeça. Quanto à Gabriel McGregor, não houve nada que pudessem fazer.

As informações corriam de boca em boca, como um rastro de pólvora. Fontes anônimas soltavam estórias de todo teor imaginável. Dentre as verdadeiras, a derrota do Lorde das Trevas e a identidade das mulheres Lux. Numa reação em cadeia, brilhantemente engendrada por Kingsley Shacklebolt apenas horas depois da morte de Voldemort, foram presos e interrogados dezenas de comensais e suspeitos espalhados em debandada depois de perderem o seu mestre. Ficou claro o quanto sabiam, e eles piaram muito, tentando se safar. O nome Godric Gryffindor fora bastante pronunciado, e os nomes de suas descendentes também. O segredo sobre as Lux era passado.

Mas entre as notícias falsas estavam as que divergiam sobre o paradeiro de Harry Potter, que metade do mundo bruxo julgava morto, e a outra metade julgava gravemente ferido, agonizando em St. Mungus.

O hospital estava em polvorosa. Dentre as centenas de curiosos, abismando os “trouxas” que passavam pelas ruas, e entre festejos pouco discretos, Ron e Hermione se acotovelavam nas portas de entrada do local, não recebendo permissão para passar. E dentro de uma das salas de espera, a família Lux McGregor recebia as notícias que iriam modificar para sempre suas vidas.

- Infelizmente ela perdeu muito sangue... e ainda está perdendo. – o curandeiro chefe passava o estado delicado de sua paciente.

- Faça parar! É simples pra vocês. – Florência parecia ter enlouquecido. Depois da morte do marido, ela não suportaria perder também a única filha.

- Seria... – ele pareceu um tanto confuso. – Mas tudo o que tentamos até agora não adiantou de nada. A hemorragia continua, ela está num estado crítico.

- Por favor, doutor... não entendo.

- Senhora McGregor, pela minha experiência... não estou certo de haver outros recursos. Usei todos os meus conhecimentos, minha equipe se empenhou ao máximo, mas não podemos obrigá-la a melhorar se não quiser.

- O que quer dizer?

- Sua filha, pelo que pudemos concluir, não quer viver.

Florência deu uma curta risada histérica.

- Não quer viver! Não seja ridículo! Não conhece minha filha. Não sabe de nada.

Lilith tentava amparar a filha ao mesmo tempo em que procurava entender o completo significado do que dizia o curandeiro.

- O que mais aconteceu a ela? – a bruxa imponente captou uma troca de olhares entre os dois curandeiros encarregados do caso.

- Não sei se sabiam, mas ela estava grávida, madame. Lamento...

- Mas... – Florência estacou com os olhos desmesurados. – Estão querendo dizer que ela perdeu...

- Ela não perdeu apenas o pai, senhora... mas o filho também.

Florência pareceu paralisar, seu mundo ruindo ao seu redor. Foi o estopim para Lilith avançar até o curandeiro, o segurando com firmeza pelos ombros.

- Doutor, vi minha família inteira morrer. Há um oceano formado apenas por seus túmulos. Nós não podemos perder essa menina. Minha filha pode sobreviver à morte do marido, mas se minha neta... se o pior acontecer, terei mais dois enterros para fazer. – grossas lágrimas derramaram pelo rosto calejado de Lilith Lux. – Somos as últimas.

O homem se sentiu sacudido por uma emoção difícil de explicar. O desafio de trazer de volta à vida um pouco daquela família. Eram tantas as coisas que estavam dizendo sobre a moça... Seria mesmo horrível demais perder aquela jovem vida tão estupidamente.

- Farei tudo o que puder, madame. – sua voz soou firme. - Nada se compara ao seu sofrimento, mas também não quero perder a vida da última Gryffindor. De certa forma... ela também ajudou a destruir “Você-Sabe-Quem”.

- Como...? – Lilith se surpreendeu. “A que velocidade as notícias corriam?”

- Perdoe-me - o curandeiro esclareceu, - mas neste momento não há mais ninguém que não saiba. Os boatos... e uma edição urgente do Profeta Diário...

- Skeeter. – Jason cerrou os maxilares com força.

- A menor de minhas preocupações. – tornou Lilith, segurando com força as mãos do homem. – Você está certo, com a ajuda de minha neta Voldemort foi morto. O sangue dela é antigo, muito forte. Use o que puder.

Os medi-bruxos sumiram novamente pelo corredor e a espera continuou. Cada vez que um deles passava pela família, parecia mais cansado, mais desanimado. Sem nenhuma novidade para aplacar a extrema angústia de Florência.

Quando o curandeiro chefe retornou, com ar derrotado, a bruxa se atirou sobre ele antes que dissesse qualquer coisa.

- Não me diga que não conseguiram! Não diga isso! Faça alguma coisa! Qualquer coisa! É minha filhinha... – Florência sacudiu o medibruxo pelo colarinho. – Ela não pode morrer!

- Florência... – Jason Connor a afastou com firmeza do mortificado homem. – Nós vamos encontrar um meio. Tenha fé. – e mesmo que suas esperanças também fossem se perdendo ele se esforçou para se manter forte. Aquelas mulheres precisavam de alguma esperança. E depois de ter encontrado a garota e visto o seu estado, ele também precisava desta fé.

Florência deixou os braços penderem frouxamente até ver Tarsilus McGregor entrando apressado, coxeando com sua bengala pela sala. A bela bruxa se jogou nos braços do velho homem, dando soluços sentidos.

- Soube de tudo, minha querida. – o velho tinha os olhos marejados. – Não se desespere, tenho novidades. A esperança vem vindo.

A palavra esperança fez a bruxa loira erguer a cabeça num estalo. Então viu sobre o que Silus estava falando. No umbral da porta de entrada, parecendo ter saído do mundo dos mortos, estava a figura de um bruxo extremamente pálido, abatido, com ferimentos por todo o corpo, mas com olhos em fogo. A esperança de sua filha, Harry Potter.

- Harry! É Celina! Você precisa... – a bruxa o abraçou em prantos. - Eu imploro...

A bruxa media vários centímetros a menos que Harry, e ele passou a mão pelos cabelos loiros sem abraçá-la, contudo.

Depois da morte de Voldemort, Harry procurara por Celina em todos os cantos, na casa dos McGregor, na Ordem da Fênix. Todos os lugares fantasmagoricamente vazios. Quando retornou à Sede pela segunda vez, veio a se esbarrar com Tarsilus McGregor que buscava roupas para as duas Lux, acampadas no hospital. O velho homem o acolhera e informara brevemente dos acontecimentos, da morte de Bellatrix, do estado crítico da sobrinha, e com insuspeitada delicadeza, o informara da melhor maneira possível sobre a gravidez interrompida da jovem.

Mais uma vez estuporado pelos acontecimentos vertiginosos. Mais uma navalhada na sua alma machucada. A vingança de Voldemort fora maior do que este imaginara.

- Me leve até ela. – Harry murmurou para que Florência ouvisse. – Depressa.

A bruxa praticamente o arrastou até o quarto da moça.

Os enfermeiros e curandeiros num raio de dezenas de metros pareceram surgir aos montes, como por encanto. Nenhum ousando impedir o avanço do bruxo, mas nenhum conseguindo se afastar da visão do Eleito, coberto de escoriações e manchas de sangue. O poder parecia chispar através de Harry Potter.

Ao entrar no quarto branco, ele fez um gesto, impedindo a entrada de qualquer pessoa, menos a família da garota. A porta se fechou por detrás das duas Lux e de Tarsilus McGregor.

Harry caminhou até a figura que jazia sobre a cama, andando deliberadamente devagar, como se temesse ver o que já sabia. Seus olhos subiram relutantes pelo lençol antes claro, nodoado pelo fraco e incessante fluxo de sangue. Sua vida estava sobre aquela cama. Se esvaindo. Sua vida. Uma jovem branca como a morte.

Ele se inclinou sobre ela, tocando o pulso, as mãos geladas. Retirou o Amuleto de entro das vestes, mas não conseguiu retirá-lo do pescoço. Era como se uma estranha força em Celina impedisse o Amuleto de sair.

Se inclinando mais sobre ela, Harry ficou à milímetros de distância, colocando a pedra verde sobre o peito da jovem, sem que precisasse movê-la do pescoço.

- Você vai voltar, está ouvindo? – falou baixo, só para ela escutar. Mas os outros ouvindo-o mesmo assim, tal era o silêncio. – Vai fazer este sangue parar e vai voltar.

Florência mal respirava, fitando intensamente o rosto da filha. Mas não passou despercebido à Lilith a presença do Amuleto no pescoço do rapaz. A bruxa apertou os olhos e segurou instintivamente o braço de Tarsilus, que nada compreendeu.

- Volta pra mim. – Harry continuou. - Abra os olhos, Celina. Se você não viver nada terá valido a pena. Anda! Abre os olhos... Você precisa viver. Precisa. Por mim. Eu agüento tudo... mas isso não.

Com os olhos marejados de lágrimas ele sentiu o Amuleto emanar calor. “Vamos. Vamos. Precisa dar certo.”

- Acorda, Celina. Me perdoa... Eu amo você.

As pálpebras da moça se agitaram e os presentes seguraram as respirações quando os olhos violeta se entreabriram, fitaram a névoa e voltaram a se fechar.

Ela voltara à imobilidade, mas todos sentiram que agora sua respiração se devia ao sono. Tarsilus abriu a porta para os medi-bruxos e estes, afastando Harry o máximo que puderam, poucos centímetros, constataram que a perda de sangue cessara e Celina agora apenas dormia.

Estava salva.

XXXXXXX

Lilith Lux observava sua neta adormecida, pensando nos motivos que Celina tivera para se desfazer do Amuleto de Ísis, o repassando para Harry. Nenhum choque à respeito. As coisas eram como deviam ser. Enquanto Celina não o aceitasse de volta, o Amuleto teria Harry por guardião. E por breves palavras, a velha bruxa tinha dado a entender exatamente isso ao rapaz. Mas não tinha certeza sequer que Harry tivesse entendido alguma coisa, ele parecia não perceber muita coisa ao seu redor, exceto sua jovem neta.

- Alguma alteração? – Silus entrou silenciosamente no quarto do hospital e afagou o ombro de Lilith.

- Ainda não acordou. – ela disse, passando a fitar o rapaz na cabeceira da cama.

Durante uma noite inteira eles velaram pela garota, que não voltara à consciência. Os curandeiros disseram ser uma questão de tempo, mas a ansiedade ainda era imensa. E também durante aquela noite os principais membros da Ordem se reuniram rapidamente nos corredores do hospital. Cochichando e tentando compreender como o paradeiro de Celina e Gabriel fora descoberto. Traição era uma opção horrível, mas possível. Cuidado redobrado por todas as partes.

- Ele ainda não arredou pé? – Tarsilus apontou com o queixo para Harry.

- Não dormiu, comeu, não se afastou por mais que alguns minutos. – ela fitou os curativos do rapaz, feitos às pressas pelos curandeiros. - Ele acredita que é culpado, Silus.

- É claro que não é! Você falou com ele?

- Todos nós falamos. Ele está além de argumentos.

O velho suspirou.

- Parece um homem carregando um peso muito grande nas costas, e isso não bate. Ele derrotou Voldemort, salvou Celina da morte... Devia ter mais esperança em torno deste rapaz. – ele fitou o jovem argutamente.

- Tem algo mais o consumindo, Silus, eu posso sentir. Minha neta vai sofrer. Ainda mais. Ela é só uma criança... – Lilith gemeu e começou a chorar baixinho, abrindo a guarda pela primeira vez. – Não queria que tivesse que passar pelo mesmo que eu.

- Vamos, vamos... – Tarsilus confortou a amiga. – Solte essa dor. Já estava na hora. Chorar vai te fazer bem.

- Não tenho esse tipo de luxo. – ela limpou as lágrimas, forçando-as a recuarem. - Elas precisam de mim.

- Florência está dormindo, - ele apontou para o sofá ao lado. - coisa que você devia fazer. E pelo que vejo, Celina não poderia estar em melhores mãos.

Lilith sorriu fracamente em direção ao casal. Uma nuvem de ternura os envolvia.

- Você já viu coisa assim?

- Já... Nos meus sonhos. – Tarsilus sorriu com tristeza para os dois jovens. – Ela não vai mais acordar criança, Luxie. E se este rapaz não permanecer ao lado dela... Como eu acho que pode acontecer... Talvez nunca mais vejamos a Celina que conhecemos.

- Está certo, meu amigo. – ela apertou a mão do velho. – É meu maior medo.

- Mas se você sobreviveu... ela também conseguirá. Que minha querida Florência não nos ouça, mas sua neta é mais filha sua do que dela.

- Eu nunca perdi um filho, Tarsilus. E meu grande amor... este se foi numa idade em que, se há dor, há também consolo. Ela já perdeu três. Dimitri, o pai e um filho. Agora, se perder um outro... Nem eu mesma estaria certa de me recuperar.


XXX


- Pai... Harry... – ela bateu as longas pestanas pesadamente, voltando com dificuldade para a bruma nebulosa que era o mundo dos vivos.

- Estou aqui, amor. – ele se debruçou sobre ela, apressado. – Aqui com você.

- Harry... o que...

- Shhh, não fala nada. – ele pôs os dedos sobre a boca descorada. - Você está em St. Mungus, está bem, mas precisa descansar.

Ela estava terrivelmente tonta, mas um pensamento conseguiu se fixar em sua mente.

- Voldemort...

Ele tirou forças do fundo da alma para sorrir.

- Vencemos. Ele foi destruído.

- Bom... – ela tentou sorrir de volta, mas ainda era muito cedo. Os olhos foram se fechando. – Vencemos, então. - e ela voltou a cair num sono pesado, exausto.

Ele respirou num alívio momentâneo. Fazia dois dias que estava naquele estado e ainda bem que voltara a dormir. Como ele poderia ter explicado o motivo de estarem sozinhos? Como explicar que sua mãe e avó, mais todos os McGregor e amigos, estavam no funeral de seu pai, ao qual ela não assistiria?

Ela ainda permaneceu quase uma semana se alternando em estados de semi consciência e sono profundo. Seu estado de saúde inspirando sérios cuidados. E quando finalmente voltou à realidade, sua pálida mãe segurou uma de suas mãos, enquanto Harry segurava a outra, e então Florência contou sobre a morte de seu pai.

Celina não esboçou nenhuma reação, como se sempre soubesse daquilo, mas não quisesse de fato aceitar. Ela se limitou a assentir e a fitar o vazio, logo depois dormindo novamente. Havia deixado a mãe libertar sua mão, mas apertara a de Harry levemente antes de dormir. Um lembrete: não se afaste.

Mesmo sem saber o porquê, era assim que ela procedia. Retinha Harry, segurava sua mão, procurava os seus olhos, suas palavras. Retinha Harry bem perto de si.

E mesmo adiando ao máximo, chegou o momento em que as palavras letais não puderam ser mais adiadas.

O mundo mágico estava em polvorosa. Prisões, interrogatórios e ataques isolados se alternavam, não cessando de absorver a atenção dos bruxos e os esforços da força de bruxos policiais e aurores. Ainda havia comensais a serem descobertos e aprisionados. Bruxos perigosos que sem o seu mestre, não tinham mais nada a perder.

Era mais do que tempo de colocar seus planos em prática, e Harry sabia disso.

Haviam passado uma boa tarde juntos. Agradável na medida do possível. Receberam alguns amigos, escutaram estórias engraçadas sobre os rumores espalhados pelo mundo mágico. Ron e Hermione tinham sido os últimos a se despedir. E através do mar de flores que ocupava o quarto da moça, Harry esperou que a enfermeira ministrasse outra dose maciça de poções à Celina. Ela sempre dormia depois de tomar.

Soava covarde agir desta forma, mas ele julgava ser o único modo de conseguir fazer o que precisava.

Mas quando finalmente ficaram à sós foi Celina quem se dirigiu à ele.

- Você vem me olhando de um jeito estranho. O que está querendo me dizer, Harry? – esta tinha sido a coisa mais corajosa que ela tinha dito na vida.

- Não é fácil. – ele procurou decorar cada detalhe do rosto dela, até mesmo o modo como as sobrancelhas se franziam com preocupação.

E foi justamente aquele modo, quase saudoso, de ser observada, que fez a coragem dela se quebrar, ficando apenas cacos e insegurança.

- Então é melhor não dizer nada.

- Queria poder. – ele se forçou a olhar para ela enquanto falava, ter coragem de enfrentar seus olhos para o que precisava ser feito.

- Não foi simpático, Neville ter trazido estas flores? – ela tocou os Jacintos Dançantes na cabeceira da cama, os fazendo tremular como se realmente dançassem. – E ele nem ficou muito desconfortável quando se esbarrou com a Luna, não é? Será que existe alguma chance daqueles dois se acertarem?

- Celina...

- Acho que ela ainda gosta de outra pessoa, mas como nunca virou nada... – ela se esforçava em falar, em impedir Harry de dizer o que pressentia. – Seria um casal muito legal, não acha?

- Tenho que partir, Celina. – Harry falou de supetão.

- Do hospital? – foi a vez dela retirar os olhos. – Claro, você precisa descansar direito. Estou sendo muito egoísta , não é?

- Preciso partir de Londres.

Ela preferiu não crer no que diziam seus instintos.

- Uma viagem? – tentou soar despreocupada. – Espero que não demore. Quando vai voltar?

- Não é viagem. – ele tocou o rosto dela até que o fitasse novamente. - Estou indo embora.

Ela segurou a respiração.

- Não estou entendendo.

- Tem dezenas de comensais a serem caçados, gente querendo vingança. Eles vão vir atrás daquilo que é mais importante pra mim. Voldemort os instruiu bem. Se eu ficar... eles vêm atrás de você, das pessoas que eu gosto. Se eu me for... provavelmente virão atrás apenas de mim.

- Isso... não faz sentido. Eles vão ser pegos. Estou protegida, nós somos a maioria, agora. Vencemos, Harry.

- Não vamos correr este risco, Lyn. Eu não vou.

Ela tentou se erguer, ficando um pouco tonta. A poção...

- Você não pode... Não vai.

- Não há outro jeito.

- Harry... me diz que está mentindo, que é alguma brincadeira de muito mau gosto.

- Não é brincadeira. – os dedos tremeram sobre a pele dela. - Estou partindo hoje.

- Não... não. – ela sacudiu a cabeça procurando por uma solução. - Eu posso ir com você. É só esperar mais uns dias. Vou melhorar...

- Não, você não vai. Não faria sentido. Eu não vou te colocar em outra caçada. O preço já foi alto demais.

- Será mais alto ainda se não me escutar. Tem que ter outro jeito. Nós podemos...

- Não, Celina. Não... existe mais “nós”. – dizer aquilo trouxe um gosto amargo para sua boca. - É minha sina, minha caçada. Acabou.

- Olhe bem pra mim. – ela apertou a mão que ele mantinha em seu rosto. – Não acabou e você sabe disso.

Ele a encarou com intensidade.

- Acabou.

Ele falava a verdade. Então era aquilo. Tudo pelo que lutara, sem nenhum sentido ou redenção. As lágrimas que ela tinha retido com tanta tenacidade, saltaram com ferocidade quente e borbulhante.

- Não faz isso comigo, por tudo... Não faz! – ela soluçou com tanta intensidade que mal conseguiu falar.- Eu já perdi tudo... só ficou você. Não faz, Harry.

Harry travou a mandíbula, apertando os dentes o quanto podia. Tentando se manter tranqüilo enquanto seu corpo tremia, tentando se manter frio enquanto seu coração gritava. Mas era assim que tinha que ser.

- Você tem uma família. Não vai ficar sozinha, elas vão ficar a seu lado.

- Eu preciso de você. – ela tocou a boca dele com os dedos, o fazendo estremecer como se tivesse frio. - Não. Você não pode. Você não pode... estar sempre me deixando.

Algo dentro dele se quebrou. Sua força.

- Eu preciso, meu amor. Pela gente. – e deixou as próprias lágrimas escorrerem queimando pelo rosto. – Não posso ficar com você e te proteger. Preciso ir embora, entende Celina? – ele segurou os ombros dela quando percebeu que queria se levantar. - Não vou deixar mais nada te acontecer.

- Quem não entende é você. – a voz dela saiu fraquinha, a agonia a sufocando sem ter um corpo com energia para lutar. – Por que me trouxe de volta? Por quê? Se você me deixar, vai estar me matando de um jeito pior.

Ele tentou negar, mas ela o segurou com sua pouca força.

- Você está fazendo uma coisa muito ruim. Está sendo muito cruel.

- Não, é por você. Eu amo você.

- Então fica. – tentou abraçá-lo. - A gente tem que tentar... a gente precisa um do outro. o efeito da poção já a desorientava no final. – Eu te imploro... Eles morreram. – ela falava de todos os mortos, seu pai, Bellatrix, seu filho. - Todos mortos. Tem sangue nas minhas mãos. Não me deixe sozinha com isso, por favor... não. Eu preciso tanto de você... “Vi mia estas l’espero, por mi vie estas la am”

Ele não conseguia mais escutar, não podia agüentar mais um segundo daquelas súplicas sem sucumbir.

- Eu te amo. – ele a calou com um beijo forte, sentindo as batidas enfraquecidas do coração dela, desesperadas com a proximidade da inconsciência.

- Harr... – ela tentava debilmente falar enquanto ele a impedia com sua boca.

Ele continuava beijando, sufocando as palavras em sua boca enquanto os dedos dela, frios e fracos, foram se afrouxando mais e mais, até o momento em que Harry percebeu que beijava uma Celina inconsciente.

“Tão linda...” Ele depositou dezenas de beijos fervorosos em seu rosto, sua boca. Seu amor crescendo violento com a iminência de perdê-la. Por fim a abraçou com força pela cintura e afundou o rosto sobre seu ventre, se abandonando a um longo choro violento e desesperançado.

Seu filho, que nem sabia existir, assassinado. Seu futuro, assassinado. Mas ela estava viva, permaneceria viva. Nem que para isso ele precisasse viver amaldiçoado, nem que para isso ele precisasse deixar de viver. Voldemort vencera no final das contas. Comensais não seriam necessários. A partir daquela data estaria tão sozinho que era como se estivesse morto, como se fosse ele quem tivesse sido destruído.


Primeiro ato - Finito

XXXXXXXXXX



N/B: Perdedores e Vencidos. Palavras que traduzem o fim de uma guerra. Palavras que resumem o que se passou neste capítulo, palavras que irão perseguir a todos. Dumbledore disse, quando Voldemort retornou, que tempos difíceis viriam; mas, mesmo com a morte do Lorde das Trevas, esses tempos difíceis não irão se esvair na velocidade que muitos desejam. Não com tanta dor, desespero e perdas. Não enquanto essas personagens – as quais tanto aprendemos a amar – não conseguirem viver, ao invés de apenas sobreviver. A sina da família Lux. A sina de Harry Potter.
A única coisa que queremos é que, se o tempo não trouxer a cura para suas almas e corações, que traga um maravilhoso analgésico.
E com os olhos anuviados e o coração apertado, termino minha N/B com sincera, e também singelamente: Capítulo perfeito. O fim da uma jornada para, agora, começar outra mais espinhosa, mas também com maior esperança e luz. Todos os sentimentos deste capítulo, sem exceção, estiveram mais que palpáveis. E ainda posso senti-los. Um super beijo da Beta Livinha muito orgulhosa. Um sorriso entre lágrimas da irmã paulista mais que emocionada, Lili.
Desculpe pela N/B enorme, mas não consegui simplificar

XXX

N/A: Geo quase desmaiando sobre o teclado.
Finalmente consegui terminar este, que foi o maior capítulo desta fic. Só posso dizer o quanto estou cansada e o quanto estou aliviada também. Foi de longe o mais difícil de escrever. E também o mais demorado. - disfarça assoviando
Mas para compensar, a atualização vai ser relâmpago. \o/ \o/ \o/ Palavra de bruxa.

Uma coisa legal: a parte da conversa entre a Celina e o pai sobre a gravidez, “- Eu te amo. E estou muito feliz em ter um neto pra apresentar ao mundo.”, aconteceu com uma amiga minha, então com dezessete anos. Todo mundo chorou. Lindo mesmo. XD

Obrigada à compreensão de todos, foi o que me sustentou por estes tempos. E me perdoem por alguma falha mais grosseira (a minha betinha querida é quem me salvou do suicídio literário), mas foi realmente difícil concluir esta fase.

O que me leva à informação: A Amuleto estará entrando em sua segunda fase no próximo capítulo. Saltos no tempo, novos personagens, novos casais e coisas assim. Espero que gostem. Eu, pelo menos, amei escrever. Hihihi.

A música, antes da luta final entre Harry e Voldie é “Talk Show Host” do Radiohead, e está na minha lista de músicas no Multiply. A tradução não ficou essas coisas, mas foi cópia pronta ( pq meu ingrêisi...).
Meu endereço: http://georgearod.multiply.com/
À propósito, endereço no Orkut:
http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=1077191759613765194


No Fanfiction, procurem no meu perfil.


Vi mia estas l’espero, por mi vie estas la am’.
Não se esqueçam desta frase. XD


Agradecimentos especiais:


Mickky: Se vc me achou malvada no último... Ai, imagino neste. O.O’ Mas estória em que dá tudo certo no começo não cola, né? Hihi. Agora é com a segunda fase. Beijos e obrigada, querida.

Pry: Obrigada mesmo pela paciência, Pry, que este cap foi recorde de demora. Um beijão pra vc e a gte se vê na próxima att (que vai ser bem rapidinha, viu?) XD

Sil 17: Querida, sabia que estou dançando até agora? De alegria com o seu comentário. \o/ Puxa, fica até difícil de agradecer. Sobre essa coisa de intensidade, acho que foi o que mais pegou neste último cap. Estava com uma resistência imensa em escrever. Você, que tem experiência no assunto, sabe melhor do que ninguém como é difícil fazer partes tristes, fortes, sem se deixar abalar. Tenho mais facilidade em escrevê-las quando tbém estou down. É como se nosso mundo interno se combinasse com o que exteriorizamos, não é? Obrigada de verdade por me acompanhar, e não some muito não... Estou com saudades, amiga. :-*

Macah Potter: Ai, Merlin, num chora neste cap... Eu sei que foi bem deprê, mas segura, tem coisa boa por vir. E a música “Only Hope”, que coisa fofa. E minha mente maquiavélica promete muitas surpresas, tá? Rsrsrsrsrsrs. Um super beijo.

Priscila Louredo: Nossas mentes combinam, irmã. Gente inteligente é f*... Rsrsrsrsrs
E nosso herói ainda vai sofrer um cadinho, mas “Celinny” tbém. Te adoro, querida, e sua nova fic está bárbara. Bjo enorme.

Remaria: Ah, que coisa mais gostosa o seu review! Ando meio insegura com a escrita. Sabe quando a gte se esforça mas fica com a sensação de que está forçando a barra? Pois é. Eu tenho sempre que controlar os “violinos” (drama-queen, complexo de novela mexicana. Hihi). E que estória é essa de qdo crescer? A idade nem é tanta, viu? Rsrsrsrsrs. Mas, falando sério, foi muito importante pra mim o que vc disse, pq se consegui atingir com emoções... noossa... Consegui o objetivo. Te adoro muito mana postiça. Bjos mil.

Ara Potter: Arinhaa... Cadê você?! O mundinho nético não tem a mesma graça sem sua alegria. E bota alegria. Vc me faz rir até quando chora. “O Clã do Amuleto que tem uma espada.” Ahuahuahuahuahauahua! Coitado do Érico. Uma hora ele veta essa amizade. Estou MORRENDO de saudades e doida pra ter Harry e Gina naquelas suas fics deliciosas. Amo muito vc.

Livinha: Betinha amada, não dá pra explicar o quanto te devo (pega a calculadora, faz as contas e infarta). Sério, vc é aquela pessoa sempre disponível, cheia de boa vontade, disposta a ajudar, e sempre fazendo tudo isso incondicionalmente. Quero te agradecer muito o HELP monstruoso que tem me dado. Betar um cap todo complicado e com este tanto de págs? Ai, ai, ai. Mas mais que tudo, quero agradecer sua amizade virtual, tão importante como algumas em carne e osso. Pra você, o beijo maior de todos.

Ninguém: Querido Nin, dessa vez nem as ameaças puderam ajudar. Estive enrolada e meia. Estava até com vergonha de vcs. Mas enfim... aqui estamos. Não foi um cap feliz, mas tem muita estrada pela frente. E o melhor, o próximo vem rapidinho. Super beijo.

Maria Eduarda: Oi, querida. Que feliz eu fiquei em ler seu review (a Celina ficou contentíssima tbém). E quanto à abandonar, NUNCA! Demorei muito, mas por bons motivos. Mas adorei ter seu apoio. Beijo imenso.

Tata C. Evans: Querida, não desisti, nem farei nunca. Você não imagina minha aflição quando leio os coments achando que abandonei a fic. O que acontece é uma sobrecarga de trabalho e outras atividades da vida. Essa foi minha att mais demorada, mas pode contar que mesmo nestes casos, a fic SEMPRE será atualizada. Um beijo muito grande e obrigada pelo carinho e por estar à espera.

Marilala: Quem é vivo sempre aparece, né? Então... Apareci! E pode deixar que o próximo não demora nadinha. Mega beijo, querida.

Paty Black: Ahuahuahuahuahua! Mana, eu adoro os seus comentários. O velho e bom Ford Anglia... Huummm, vamos dizer que dei uma função mais “trouxa” para ele. XD Vc é adorável, florzinha, e mesmo sem nos falarmos tanto quanto eu gostaria, saiba que vc mora no meu coração. Beijo, beijo, beijo.

Pedro James Potter: Brigada pela paciência, querido, mas principalmente pelo apoio. É muito gostoso saber que a fic te acompanha, que as coisas do cotidiano, como uma música, te fazem lembrar dos personagens e tramas. Isso deixa um sorrisão no meu rosto, pode crer. Beijo estalado.

Luana: Que bom que entendeu, Lu. Fases difíceis atrapalham tudo o mais, principalmente o que a gte mais gosta de fazer. Dava uma tristeza danada entrar no site e saber que não poderia postar nada tão cedo... Mas vamos confiar que as coisas entrem nos eixos. *faz figa. Mas mesmo assim sinto que tenho bons aliados nos momentos complicados. Vc é um deles. Beijo grande e cheio de saudade.

A gente se vê logo, logo.
Da amiga, Geo.

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