Lina estava apavorada, presa sob o braço do monstro que corria desgovernado se chocando contra as árvores e tropeçando nas pedras pelo caminho. Ela colocava o braço esquerdo contra o corpo do bicho, numa tentativa de afastar sua cabeça da fétida e perigosa boca da criatura. O braço direito estava preso e com muito esforço ela tentava liberta-lo para poder usar a varinha que segurava firmemente na mão direita.
Harry corria atrás do Mapinguari, mas não conseguia mante-lo no seu campo de visão. Mesmo atordoado e sem enxergar o bicho era muito veloz. Harry apenas seguia os gritos de Lina e o rastro de galhos quebrados que o monstro deixava nos arbustos.
Virgílio acompanhava de perto sentia uma dor aguda no ombro esquerdo devido ao golpe do Mapinguari, mas não desejava perder Harry de vista e se esforçava ao máximo na perseguição.
O Mapinguari tropeçou e bateu com a cabeça numa árvore, esse acidente fez o braço de Lina se desprender. Mas também rasgou sua mochila. O que ela não percebeu foi que isso foi bastante útil pois suas coisas foram se espalhando, enquanto o monstro corria, deixando uma trilha clara para Harry e Virgílio seguirem.
Agora Lina podia usar os dois braços para afastar seu rosto dos dentes afiados do Mapinguari. Ela tentou se controlar e retomar a calma, se concentrou. Teve que se contorcer toda para apontar a varinha na direção da monstruosa boca na barriga do bicho e desferiu um feitiço estuporante.
O Mapinguari caiu desajeitadamente, ele e Lina rolaram pelo chão acidentado, devido a velocidade em que avançavam. Foram parados pelos troncos robustos de duas árvores.
Lina sentia seu corpo todo doer, tinha um corte na testa e os cotovelos ralados. Olhou e percebeu que estava a beira de um barranco. Não tinha a menor vontade de se levantar. O Mapinguari estava caído próximo à ela amparado por uma árvore, única coisa que o impediu de rolar barranco abaixo. Ele se movia vagarosamente tentando se levantar.
Harry e Virgílio ouviram o som da queda, e logo chegaram ao local. Encontraram Lina perto de uma árvore e o Mapinguari já de pé se apoiando no tronco da outra árvore. O bicho urrou, já podia enxergar novamente. Numa demonstração extrema de força ele arrancou a árvore (que já estava abalada devido ao impacto) do solo, arrebentando suas raízes a levantou sobre a cabeça e a arremessou em direção aos dois rapazes. Virgílio se jogou no chão e rolou para frente. Harry não foi tão ágil tentou se esquivar mas foi atingindo. Sua perna ficou presa sobre o imenso peso da árvore.
Virgílio havia parado na frente do Mapinguari, se colocou de pé antes que o monstro pudesse se mover, fez, novamente as luzes pipocarem na frete do bicho. Enquanto moveu a árvore que prendia Harry na direção do inimigo. Mas foi muito lento dessa vez o Mapinguari ignorou as luzes e avançou sobre ele.
O auror fez uma forte luz "estourar" entre ele e o monstro. O bicho errou o golpe mas prendeu suas garras nas vestes do rapaz, Lina tentou ajudar, mas sua varinha havia se quebrado na queda, a moça apenas assistiu sem poder fazer nada a árvore convocada pelo próprio Virgílio atingir os dois fazendo-os cair barranco abaixo.
Harry correu até a beira do barranco, viu Virgílio, O Mapinguari e a árvore rolarem até o Igarapé que passava lá embaixo. Lina já estava de pé, os dois se olharam e não precisaram dizer nada, rapidamente foram descendo o barranco se apoiando nos galhos dos arbustos para não caírem. Seguiam o grande rastro causado pela queda do Mapinguari, que havia arrancado vários arbustos e pedras do caminho que rolaram junto com os dois.
Com muito dificuldade e não sem muitos escorregões, eles chegaram lá em baixo nas margens do igarapé um grande monte de terra, galhos e pedras descia até a água. Olharam naquela direção e viram a água se movendo.
O Mapinguari surgiu levantando água para todos os lados, o pelo encharcado, os braços erguidos com Virgílio sobre eles, com uma fúria incrível ele arremessou Virgílio, que parecia uma inerte massa de farrapos enlameados, no centro do igarapé, a forte correnteza arrastou-o para longe.
Lina gritou em desespero diante da dramática cena. Harry atirou tudo o que pode fazer se mover contra o monstro. Uma avalanche de pedras e arbustos atingia o Mapinguari, que em retaliação atirava pedras do fundo do Igarapé contra Harry, e uma elas o atingiu, fazendo-o cair para trás.
O Mapinguari urrou com sua enorme boca, sacudia os braços jogando água para todo lado, nada parecia deter o monstro, ele começou a se mover na direção da margem.
Nesse momento jatos de água e pedras saiam do fundo do igarapé na direção do Mapinguari que voltou sua atenção para a água. Ele mergulhava os braços no Igarapé tentando atingir alguma coisa.
Harry se arrastou até Lina que estava de joelhos tentando enxergar Virgílio na correnteza. O rapaz colocou a mão na mochila e retirou de lá a varinha e Alberto Marnoto.
- Tome, você vai precisar – Disse estendendo a varinha para Lina. Que se virou com o rosto coberto por uma mistura de sangue lágrimas e lama.
A moça pegou a varinha e olhou na direção do Mapinguari que levantava os braços de dentro d’água e arremessava um boto para margem.
Harry e Lina viram o boto cair sobre um arbusto à alguns metros deles, o Mapinguari saltou da água é caiu próximo a margem. Avançou rápido para fora d’água. Outro boto saltou nas suas costas segurando sua cabeça pelo pescoço. O monstro atingiu o boto com suas garras e o lançou sobre seu companheiro.
Os dois botos tentavam tomar forma humanóide pois precisariam de pernas para lutar fora d’água, mas a transformação era muito lenta e O Mapinguari já estava sobre eles.
- Conjutivictus – Harry atingiu novamente o olho do Mapinguari.
Enquanto ele ficou atordoado pelo feitiço Lina se levantou com uma expressão de ódio, fez dois galhos arrebentados de uma árvore levitarem, os posicionou como estacas e os fez voarem numa incrível velocidade na direção do monstro.
O Mapinguari, devido ao feitiço de Harry, nem viu o que o atingiu, Os dois galhos foram cravados em seu corpo como estacas. Um deles atingiu o peito e não perfurou muito fundo, o segundo atingiu o centro de sua imensa boca e quase saiu nas costas.
O Monstro caiu para trás dessa vez não urrava, e sim dava gritos agudos e abafados em agonia. Seu sangue escuro e viscoso escorria abundantemente enquanto ele se arrastava engatinhando para o mato.
Vendo que vencera Lina desabou no chão. Harry também relaxou deixando o corpo se deitar no solo e se entregando a forte dor na cabeça por causa da pedrada.
Os dois não perceberam que os botos haviam adquirido uma forma quase humana e agora avançavam na direção deles.