Capítulo 3
Sir Tiago tinha acabado de receber uma carta do pai. Ainda estava lendo à missiva quando quase deu de encontro com seu sogro pelos corredores da ala que lhe fora destinada depois do casamento.
Já que a outra era destinada aos nobres solteiros.
- Perdão... - disse o Tiago com o ar ausente.
- E assim que você fala com o seu Senhor e sogro, meu jovem. - o Duque fingiu está zangado com a falta de respeito. Ele nunca tinha sido formal com nenhum de seus pupilos, e não ia começar agora, ainda mais com o Tiago, pois tinha uma divida de gratidão.
Percebendo então onde tinha batido Tiago, respirou fundo e disse:
- Meu sogro, estou com problemas. - apontando para a missiva o Duque perguntou:
- Quando você parte? - pois já imaginava que aquela era do seu amigo o Conde, pai do Tiago, e que trazia noticias não muito boas.
- O mais rápido possível, esta missiva é do administrador do meu pai falando que ele na volta para casa sofreu um acidente e está impossibilitado de andar.
- Se você quiser, pode partir amanhã. Mais tarde passo no seu quarto para me despedir de vocês.
- Obrigada. - respirando fundo, o Duque então olhou mais atentamente para ele, percebendo que tinha mais coisa para falar. - Tiago, seja o que mais você esta pensando, ou melhor, planejando pode falar.
- E que eu estava conversando com a Lili, e mesmo com todas essas coisas que ela aprendeu antes do casamento e o que ela continua aprendendo, ela esta super insegura em administrar nosso lar. Como o Senhor sabe minha mãe não esta mais entre nós, então será a Lílian a administrar. - o Duque deu um sorriso com a preocupação do genro - Isso é coisa de mulher, por que eu que ela será capaz. E que eu gostaria de saber é se o Senhor pode conseguir que uma das damas da Rainha fosse conosco.
- Não precisa ficar constrangido, meu caro. Minha filha já tinha me falando das suas preocupações com relação a esse assunto. - o Duque viu então a cara de alivio do genro, não agüentou e deu uma gargalhada. Mais constrangido ele ficou. Dando uns tapinhas nas suas costas disse: - Já escolhi a dama e o Rei já liberou, só está faltando falar com o pai da dama.
O Duque então continuou seu caminho tranquilamente, porém antes de virar para entrar no próximo corredor, perguntou: - O Sírius vai com você? - ainda deu tempo de ver a cara de confusão do Tiago quanto à pergunta.
O Rei estava calmante sentando em sua cadeira. A sua frente estava seu sobrinho o Duque Slyteryn vermelho de raiva com a ordem que acabara de receber. O Rei sabia que ele não faria nada no momento, pois não era burro de desobedecer ao seu soberano. Mas, também sabia que ele descontaria sua raiva na mulher e principalmente na filha, sua querida sobrinha, Gwen. Já sabendo de antemão a sua reação trocou a sobrinha de ala e colocou um nobre para vigiá-la.
Há muito custo o Duque disse:
- Sim, Sire. Peço licença para me retirar e mandar alguém avisar minha filha da viagem.
- Pois não. - O Duque fez uma reverência e já estava quase perto da porta quando o Rei chamou-o de novo, - não agüentando mais de raiva o Duque nem se dignou a virar - Meu sobrinho, sua filha já esta avisada da viajem, mesmo contra a vontade eu a coloquei na ala das damas da minha Rainha até a hora da partida. E fique sabendo que você, Slyteryn, esta me surpreendendo, - agora vendo que realmente chamou a atenção dele. Pois se virou. - Você esta aceitando melhor essa viagem do que sua filha. Ela argumentou enfaticamente contra a viagem.
O Duque fez uma meia mensura e saiu.
O dia estava amanhecendo, no pátio do castelo estava parecendo que era meio-dia de tão movimentado.
Tinha um total de 50 guardas no pátio. Entre os do Sir Tiago, do Conde Sírius mais os emprestados do Duque e do Rei. Fora os servos correndo de um lado para o outro colocando as coisas dos seus senhores nas carroças.
Lady Gwen já estava no pátio organizando o que iria a cada carroça, junto aos servos, pois, mais bem treinados que fosse não teria condições de saber o que era de quem.
Foi quando dando uma ordem para um servo que estava colocando um baú dentro da carroça, ela viu Sir Tiago discutindo com o Conde Sírius e achou aquilo muito estranho, pois, sabia que eles eram muito amigos. Passou então a observá-los, capitando fragmentos da conversa.
- Eu não vou viajar, com aquela mulher, Tiago. - disse o Conde.
- Mas, você não vai viajar com ela, vai viajar comigo, pois eu preciso da sua ajuda. E, além disso, ela é minha convidada e da Lili.
Depois disso, ela não ouviu mais nada, pois, estavam precisando dela.
Lili chegou ao pátio acompanhada da Rainha que veio se despedir de todos em nome dela e do Rei, este estava ocupado no momento.
Primeiro ela falou com as sobrinhas em alto e bom som.
- Minha filhas, pois assim eu as considero, boa viagem e que vocês possam chegar sem nenhuma transtorno.
Ambas disseram obrigada e beijaram sua mão.
- Mais uma coisa, sua mãe Gwen, mandou desejar boa viagem, porém ela não pôde comparecer, e disse também para você dar um jeito de escrever para ela. Que já esta com saudades desde já. - A Rainha foi discreta o suficiente para não mencionar os olhos da sobrinha cheios d'agua. Percebendo que a Lili iria tentar consolá-la, balançou com a cabeça em negativa.
Então deu um beijo em cada fase delas.
Com Lili ela disse no seu ouvido que tinha espiões no pátio que depois a prima explicava, com a Gwen além dos beijos ela passou uma carta da mãe.
Depois a Rainha foi despedir "dos seus meninos", Lady Gwen seguiu para a liteira, e a Lílian foi se despedir das Ladys Ana e Cass.
Para "os meninos" ela repetiu a mesma mensagem que tinha dito as meninas em voz alta. Como era de se esperar mudou a mensagem secreta.
- Tiago, cuide bem das minhas sobrinhas, principalmente da Lili.
Mas a mensagem do Sírius foi tão baixa e tão perto do seu ouvido que nem o Tiago ouviu e o Sírius também não repetiu.
Tiago percebeu que ele ficou perturbado com o que a Rainha falou com ele. Sabia que se insistisse agora para saber ele iria se fechar e não contaria nada. Mais tarde, pensou. E saiu correndo para ajudar a mulher subir na liteira e ir para seu cavalo para começar a viagem.
Então começaram a se movimentar.
Lá em cima na torre, em dois quartos diferentes, duas pessoas também diferentes estavam olhando a caravana partir.
De um lado a Duquesa de Slyteryn, dando adeus para filha mesmo ela não podendo ver e temerosa do que o Duque, seu marido, iria fazer com a filha caso se deparasse com ela.
Na outra janela, estava o próprio Duque. "Eles me pagam".
N/A:
Beijos
Bruxicca