Capítulo XI
Às seis da manhã, Hermione e Snape já estavam de pé, mas ela saiu das masmorras antes do horário. Só queria ter o prazer da presença dele em lugares públicos, só assim ele não olharia fixamente para ela, e não invadiria sua mente. Ela já estava preocupada em receber a resposta de Harry, e por hora tinha problemas suficientes por um mês ou até mais.
Foi ao Salão Principal não pela portinha dos professores, mas sim pela porta enorme, passando por todos os alunos. Os meninos a acompanhavam com o olhar, principalmente os da Sonserina e os da Grifinória. Os primeiros, pela cobiça e interesse em saber se ela e o diretor de sua casa tinham alguma relação. Já os da Grifinória, pela pura admiração da ex-aluna da casa ser a professora mais bonita e mais inteligente, pela sua idade, em Hogwarts.
Era a segunda vez que entrou pela ‘porta da frente’, e dessa vez não se amedrontou. Deu uma boa olhada em Nicholas Malfoy, que acenou discretamente e apontou sua própria taça. ‘Ótimo sinal’, pensou Hermione. Continuou sua caminhada e chegou à mesa dos professores. Desta vez, Minerva já se fazia presente, junto com os outros professores. Só a cadeira do professor de DCAT estava vaga, para a surpresa de todos, pois Snape sempre chega acompanhado de Hermione. Minerva nem esperou a jovem sentar e começou perguntando com autoritarismo.
- Severo não veio com você?
- Não...acho que foi corrigir alguma coisa, ou dormiu demais.
Hermione só deu de ombros, pegando sua xícara de café e bebericando suavemente o líquido fumegante, nem se dando conta das últimas palavras que acabara de falar. McGonagall simplesmente ficou atônita, e obviamente, pensou em besteira, e que besteira: que Snape e Hermione dormiram juntos. ‘Então o caso é mais sério do que eu pensei.’ Ficou atordoada na explicação mais racional que teve, até que Snape entrou pela portinha com a sua cara fechada, olhando mortalmente para Hermione. Minerva percebeu aquilo e só se dirigiu a ela, falando:
- Antes do almoço, passe na minha sala, srta. Granger. – e saiu abruptamente da mesa, deixando a jovem um pouco assustada pela formalidade.
Hermione continuou a tomar o seu café, até que levou um susto quando ouviu a voz cortante de Snape.
- Acordou mais cedo, Granger?
Ela fechou os olhos e respirou fundo, engolindo o líquido quente antes que se engasgasse.
- Acordei, professor Snape. E o senhor, dormiu bem?
- Otimamente bem após aplicar uma detenção. – sorriu maliciosamente.
- Fico feliz por você, Snape. Era da Grifinória a aluna?
- Acertou, Granger. Que estranho, será que você viu alguma coisa? Ou melhor, ficou espiando? – Severo se controlou para não rir, afinal de contas estava no Salão Principal.
Hermione sentiu um leve rubor chegar à sua face, e a sua pequena irritação ficou visível para o diretor da Sonserina, que percebeu e sorriu maliciosamente. ‘Droga! Vai ter volta, Severo Snape. Não serei uma simples espiã de sonserinos.’ Quando já ia sair da mesa, as corujas chegaram ao salão, e uma levemente acinzentada pousou perto dela, atraindo a atenção de Snape rapidamente. Ela deu um biscoito para a coruja, agradando-a e pegou o pergaminho enrolado; esta, já satisfeita, voou embora. A bruxa se recostou na cadeira, abrindo o pergaminho e reconheceu de pronto aquela letra.
“Cara Hermione, neste fim de semana irei à Hogwarts. Talvez fique para o almoço, verei com Gina e os Weasley’s. Estou curioso, você me conhece muito bem.
Atenciosamente,
Harry.”
Ela guardou o pergaminho no casaco e quando se virou para o lado, pegou Severo a observando, com uma expressão curiosa no rosto.
- Carta do namorado, Granger?
- Hum...praticamente, Snape. Tenha um bom dia. – e sorriu abertamente, deixando o homem desconcertado.
***
Até sábado chegar, Hermione acompanhava Nicholas Malfoy até a Casa dos Gritos nos dias combinados, levando comida e conversando um pouco com Draco. Estava contando os dias, e finalmente sábado chegou. Teria apenas duas aulas duplas pela manhã e a tarde seria livre. Daqui um mês a primavera começaria, e o clima ficaria mais ameno. Apesar do sol tímido, o frio ainda era bem rigoroso, mas era melhor do que uma nevasca e o céu negro.
Prevendo uma visita do tal namorado de Hermione, e sabendo que ela teria a tarde livre, provavelmente o dito cujo viria a Hogwarts. Consequentemente, seu humor tornou-se insuportável, e descontou pontos suficientes para todas as casas beirarem o zero nas ampulhetas. Nem a sua casa foi perdoada. Na hora do almoço, o burburinho em todas as mesas era mais do que audível. Todos os alunos reclamavam do professor Snape, que descontou pontos até por respirarem alto em suas altas. O único que ficava quieto em seu canto, refletindo com seu pensamento perspicaz o que estava por trás da atitude de Snape, foi Nicholas. Lembrou-se que a professora de Poções falou a Draco que logo receberia uma resposta de Potter, e talvez o herói da Guerra estivesse no castelo daqui um tempo. Snape só compareceu ao Salão porque era vice-diretor.
**
/Sábado/
Após terminar suas aulas, Granger recebeu as últimas poções fabricadas pelos terceiranistas da Corvinal e Lufa-Lufa e os alunos gentilmente se despediram da professora. Guardou todas as poções no laboratório, em uma caixa que separou por ano e casa, escritos por um feitiço duradouro. Quando saiu de lá, lembrou do que Minerva lhe falou durante a semana, e sempre se esquecia: encontrá-la em sua sala antes do almoço. Sua barriga já estava roncando, mas para desviar a fome por um momento, comeu um sapo de chocolate, guardado em sua bolsa. Fazia tempo que não consumia doces, mas voltando a Hogwarts comprou alguns deles no Wonka's.
Saiu logo das masmorras gélidas, e subindo as escadas, adentrou na sala quando movimentou a gárgula. Minerva estava um pouco impaciente pelo esquecimento de três dias da sua brilhante aluna, que nunca esquecia nada. Até se assustou um pouco quando ela apareceu na sala, e os quadros dos antigos diretores ficaram em silêncio, observando "a menina que ajudou Harry Potter".
- Pode se sentar, Granger.
Hermione sentou-se na cadeira de frente para a diretora, cruzou as pernas e a olhou.
- Desculpe professora. Esqueci completamente da nossa conversa. Do que se trata?
- Tudo bem, Hermione, fico feliz que lembrou. Vou ser bem direta contigo, minha querida. Está se envolvendo com Severo?
Hermione congelou na hora. Mesmo que não tivesse nada com ele no presente, com certeza teria algo num futuro bem próximo, e já aconteceram 'coisas' entre os dois. Engoliu a saliva, tentando ser a mais fria possível.
- Não, Minerva, somos apenas colegas de trabalho. Por que eu estaria envolvida com ele? Não tenho tempo e nem cabeça para romances. - disse enfaticamente, só que no fundo estava se reprimindo por essa frase totalmente individualista.
- Eu percebi os olhares de vocês dois, Hermione. Vocês dividem as masmorras, têm um nível de inteligência avançado, se ajudaram na Guerra...
Hermione tinha que pensar e rápido num contra-ataque, a diretora pegou pesado..e como!
- Minerva, não tire conclusões precipitadas. Podemos dividir as masmorras, mas isso não faz a menor diferença, já que você mesma obrigou Severo a dividir os aposentos comigo. Foi você que me disse que ele precisava de alguém para conversar, e agora que ele se tornou mais sociável você reclama? Sinceramente Minerva, eu não te entendo. O que te fez mudar de pensamento assim, de uma hora para outra?
A jovem nem deu tempo para McGonagall lhe responder, e continuou, com os olhos castanhos brilhando.
- Mais uma coisa, e se acontecer algo entre eu e ele, o que iria fazer? Desculpe-me Minerva, mas eu não tenho mais 15 anos, sou responsável por meus atos e não tenho mais pai e mãe para dar satisfações.
McGonagall ouviu tudo aquilo com perplexidade. Sua ex-aluna sempre obedeceu a regras e nunca lhe questionou nada. Agora que cresceu, estavam as duas, divergindo em suas opiniões. Cruzou os braços e crispou um pouco os lábios antes de responder.
- Bom, você tem razão em algumas partes...por exemplo a minha ambigüidade. Mudei de opinião sim, porque eu quero te proteger, Hermione. Fui uma burra quando segui os conselhos de Alvo, que aliás deve estar escutando essa conversa. Ele sempre tratou Severo como se fosse um menino. Por Merlin, ele já tem mais de 40 anos! É um homem cheio de marcas do passado, você nem imagina quanto. A infância dele foi traumática, e depois a adolescência, que o levou às escolhas erradas. E você sabe da vida que há pouco tempo ele abandonou. A senhorita pode não ter mais os seus pais, mas tem a mim, e se estou fazendo isso é para o seu bem. Tem certeza que quer se relacionar com um homem desses?
- Eu sei de todas as conseqüências, Minerva, fique tranqüila. Mas eu e Severo somos apenas amigos – quase deixou escapar um “por enquanto”, o que não ficou despercebido pelo quadro de Dumbledore, e o velho bruxo apenas olhou a jovem com seus olhos brilhantes. – Por favor Minerva, espero que não se intrometa mais nestes assuntos. Falou tanto de Dumbledore que está igual a ele. Severo fala que ele sempre manipulou as pessoas... – Hermione deu uma leve risada. – Mas eu sempre gostei do diretor, e de você também. Não quero que a nossa relação se desgaste com essas bobagens. Bom, preciso continuar uma pesquisa no laboratório...com licença.
E a porta se fechou ao seu encalço, deixando Minerva McGonagall e toda a sala em profundo silêncio. Até os quadros pararam de falar sobre a vida alheia para prestarem atenção nas sábias palavras daquela jovem mulher. Alvo não precisou expressar a sua opinião, o silêncio por si só esclarece a própria mente.
**
Eram 15:00 quando Harry Potter chegou em Hogwarts. Aparatou em Hogsmeade, e muitos alunos viram o famoso bruxo. Ficaram bem animados, imaginando o que ele faria por ali. Harry cumprimentou a todos e seguiu em direção ao castelo. Quando recebera a carta de Hermione, ficou preocupado. Não podia imaginar de qual assunto se trataria, mas boa coisa não era. Pensou em não falar para Gina, mas se ela soubesse depois teria problemas. Só deu um aviso que Hermione tinha uns assuntos ministeriais a tratar com Harry, e só. Ela também não insistiu.
O lago da lula gigante continuava o mesmo. Hogwarts em sua aparência era a mesma, mas sabia que a escola não seria igual sem Dumbledore. Harry sentiu uma dor no peito só de lembrar do antigo diretor. Como Minerva estava se saindo no cargo? E por que Hermione não queria que a diretora ficasse sabendo da sua presença? Muito estranho...afinal, as duas sempre foram confidentes.
O que ele nem imaginava era que muita coisa tinha mudado. Ou...talvez não.
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Hermione, com seu humor levemente impaciente, descansava suas costas no sofazinho de seus aposentos, riscando com sua pena um pergaminho em sua mão. Outros trabalhos estavam empilhados ao seu lado para corrigir, e dessa vez preferiu executar a tarefa lá mesmo. Já fora bem desgastante ouvir e rebater McGonagall, e justo com aquele assunto! Será que sempre terá que escutar as opiniões dos outros para decidir se as suas atitudes são certas ou erradas?
Nem percebeu que um aluno havia confundido dois ingredientes da poção revigorante com a poção do sono. Não conseguia esquecer dos seus problemas, e Harry ainda não havia chegado. O que será que aconteceu? Quando voltou a olhar o erro no pergaminho e se punir mentalmente por não ter prestado atenção, um cervo veio em sua direção. Ela sorriu pela primeira vez no dia. Pegou seu sobretudo jogado no sofá, o vestiu e saiu rapidamente. Quando passou pelo corredor das masmorras, nem viu Snape caminhando, e quase o atropelou. Ele ficou mais irritado do que o normal, pelo esbarrão e ao ver a cara de felicidade dela. Ia atrás ver o que estava acontecendo.
A professora de Poções andava apressada, e saiu do castelo em pouco tempo. Tinha certeza de que Harry estava perto do Lago Negro. O menino passou a observar mais o Lago após o quarto ano, e desde então se tornou o segundo lugar preferido dele. Ela sabia que ele não seria louco o suficiente para encontrá-la no campo de quadribol. Teve uma leve impressão de que estava sendo seguida, mas não tinha tempo a perder. Suas vestes farfalhavam quando andava, e seu rosto ficara um pouco corado pelo vento frio e cortante. Viu Harry de costas, com uma capa preta, cabelos desarrumados e mãos no bolso. Foi correndo até ele, colocando suas mãos um pouco geladas em seus olhos.
- Hermione? – Harry começou a rir. Quando ela não pulava em cima dele, fazia essas surpresinhas. Sentia falta da amiga.
Ela tirou as mãos e o encarou. Os dois se abraçaram e ambos fecharam os olhos. Aquele abraço parecia que ia durar pela eternidade, e significava muito. Hermione se ausentara durante um bom tempo, e era a segunda vez que se viam após a sua volta. Ninguém entendia Harry como Hermione, sempre foi assim. Nem Rony era tão ‘presente’ como ela. O ruivo tinha um certo ciúmes da amizade dos dois, desse protecionismo exagerado dela em relação à Harry. A gota d’água foi quando os três procuravam as Horcruxes e a menina resolveu ficar com Harry. Naquela época Hermione nem gostava mais do Rony, e sim de outra pessoa. Depois foi tudo esclarecido, mas era tarde demais para Rony ter algo com Mione.
E esta outra pessoa olhava atentamente a cena melodramática. ‘Que patético’, pensou Snape. Automaticamente fechou os pulsos, controlando a sua raiva. Escondia-se atrás de uma árvore, assim conseguia ver tudo bem de perto. ‘Não acredito que ela me trocou pelo Potter-testa-rachada. Namoradinhos...oh, que romântico. Pensei que ele estava com a Weasley...as aparências enganam, quem diria. Bem que aquela idiota da Skeeter tinha razão. E mais uma vez um maldito Potter estraga a minha vida.’
Após o abraço, Hermione sorriu e observou melhor o amigo.
- Nada mal hein Harry. A Gina teve sorte, modéstia a parte. – riu um pouco. – falou alguma coisa a ela?
- Gina pensa o mesmo que você. Bom, falei que seriam assuntos ministeriais. Fiquei preocupado com a carta, Hermione. Do que se trata?
- E de fato são assuntos ministeriais, mas eu preciso de sua ajuda. E não só eu. Precisamos falar num local seguro, ninguém pode ouvir a conversa.
- Nas masmorras, aonde mora agora?
- Não, lá também não é seguro. Que tal aquele bar em Hogsmeade aonde aconteceu o primeiro encontro da AD? Duvido que até hoje vá alguma pessoa lá.
- Ótimo, assim tomo uma cerveja amanteigada.
Eles foram até Hogsmeade, conversando sobre assuntos banais e corriqueiros. Fazia tempo que não jogavam conversa fora. Enquanto isso, Snape os seguia sorrateiramente, xingando mentalmente a si mesmo por agir feito um adolescente. Não sabia o que queria escutar na conversa dos dois, ou ver. Hermione já estava agindo estranhamente há uns dias, e sempre que podia o evitava. Seria hoje que finalmente iria descobrir a razão deste afastamento.
Harry abriu a porta do velho bar, olhou em volta. As mesas continuavam puídas. O dono nem ligou para os ‘clientes’, eles que pedissem alguma coisa a ele. Os dois sentaram na mesa mais afastada. Hermione olhou para os lados com uma sensação não muito boa e antes que começasse a falar, lançou um feitiço silenciador por precaução.
- Agora estamos realmente seguros. Bom Harry, a história é longa..e é sobre o seu ex-inimigo. Draco Malfoy.
Harry encarou Hermione, não gostando muito do rumo da conversa.
- Malfoy? Você se comunica com o Malfoy, Mione?
- Harry...não é nada do que você está pensando. Escute-me, por favor. Ele mudou, eu juro. Está se escondendo há tempos da sociedade bruxa por puro preconceito, ainda pensam que é um Comensal. – o homem não acreditava muito na conversa dela, mas ela continuou, um pouco mais firme. – Você é o único que pode ajudá-lo.
Eles se fitaram por uns segundos, até Harry quebrar o olhar. – Olha Mione...como tem tanta certeza que ele realmente mudou? Ele é um..Malfoy! Nada vai mudar isso!
- Nunca liguei muito para os sentimentos, mas eu simplesmente sinto que ele está sendo sincero, Harry! Por favor, você tem que ajuda-lo, não seja preconceituoso como ele foi no passado, igual ao pai. Você não sabe como é ter o Lucius como pai. Tudo que ele fez foi para salvar a sua família, ele não podia bater o pé no chão e dizer: ‘não papai, não vou ser Comensal.’ Nada é tão simples assim.
- E você sabe como é ter Lucius como pai? Ora francamente...
- Não sei, mas ele me contou! Não tem coisa pior do que sofrer no silêncio, Harry. Você devia saber disso.
Ficaram quietos por um tempo, se encarando. Depois Harry levantou e pediu uma cerveja amanteigada para o dono do bar, enquanto Hermione olhou para a janela vendo as árvores secas lá de fora. Sabia que faria a coisa certa. Não fizera aquele maldito pacto a toa, tinha que conseguir convencer Harry. Ou não se chamava Hermione Jane Granger.
Snape seguira os dois até Hogsmeade, e não se surpreendeu quando entraram naquele velho bar. Desde os seus tempos aquele lugar já era abandonado..mas não pelos seus adoráveis colegas sonserinos. Era ali que faziam planos para um futuro brilhante junto com o Lord, e também planejavam as suas maldades do dia. Não, definitivamente não eram maldades. Só era uma questão de sobrevivência. Depois que Lily se bandeou mesmo pro lado do Potter, Snape adentrou de fato no mundo dos Comensais, querendo aquilo que estava ao mesmo tempo perto e distante: glória, riqueza, prestígio. Era inteligentíssimo, e desprezava os trouxas particularmente por culpa de seu pai. Lily era a única nascida-trouxa que gostava, mas seus ‘amigos’ sonserinos o desprezavam sempre por isso. Então decidiu ser um sonserino de vez, mas hoje se amargura tristemente por isso. Fez tantas coisas terríveis que tem vergonha de seu passado. Felizmente, mais uma nascida-trouxa entrou na sua vida, para lhe tirar sorrisos e simplesmente deixar o passado no seu devido lugar.
Não gostava nada da aproximação de Potter e Hermione. Via os dois pela janela dos fundos, e não pareciam felizes. Deviam ter brigado, ou algo assim. Tinha que entrar naquele bar para ouvir alguma coisa, e rápido. Deu a volta, se assegurando que não havia ninguém por perto e entrou pela porta dos fundos. Quando era adolescente sempre usava aquela porta para sair sem ser notado. Já dentro da despensa do bar, olhou de relance para o dono, que fingia limpar aqueles copos imundos. Teria que imobilizar aquele velho, de um jeito ou de outro. Um Petrificus Totalus seria muito visível...um Imperius seria melhor. Sabia que era uma maldição imperdoável, mas o que podia fazer? Apontou a sua varinha, e lançou o feitiço não-verbal. Mandaria o velho levar umas bebidas para os dois, e depois o manteria trabalhando.
Harry se incomodou com aquele silêncio sem fim, e seu constrangimento não poderia ser maior. Hermione tinha razão, sua atitude era tipicamente arrogante e egoísta. Já tinha passado por tudo isso, e se ela, Hermione Granger, dizia que Malfoy havia mudado, era mais um motivo para acreditar. Ela nunca se enganara. Bom...quase nunca. Levou um susto quando viu o dono do bar com cervejas amanteigadas em suas mãos. O velho deixou os copos na mesa e saiu sem dizer nada. Muito estranho, pensou Harry. Mesmo assim queria se esquentar, e tomou um gole da bebida. Olhou para a sua amiga, que continuava olhando a janela.
- Mione..
- Então, Harry..o que me diz? Vai deixar as rivalidades para trás?
Snape ficou atrás do balcão, abaixado, e mesmo assim não conseguia ouvir nada. ‘Droga, sabe-tudo insuportável! Até para uma conversa com esse tipo precisa do feitiço silenciador! Não importa, vou ficar aqui até o final...quero ver se é verdade o casinho dos dois.’
- Se você diz, Mione, quem sou eu para duvidar. Só achei estranho você falando bem do Malfoy. Você mudou mesmo.
- Pois é...mudei mais do que você pensa, Harry. – e deu um sorriso. – Vou te contar tudo.
Ele está na....
Enquanto Hermione contava tudo a Harry, Snape já se cansava de ficar esperando acontecer alguma coisa. Quando se arrastava para o outro lado, saindo do balcão, vê os dois sorrindo um para o outro. Mas a gota d’água foi Hermione colocar a sua mão em cima na de Harry. Se não fosse seu autocontrole, teria lançado uma Cruciatus no Potter imediatamente. Sibilando, mandou o dono do bar levar mais cervejas amanteigadas, e que as derrubassem no idiota do testa-rachada. Depois disso iria embora.
- Que bom Harry, fico feliz que vá ajudar o Malfoy. Ele merece uma chance. Quer visitar Hogwarts agora ou precisa ir?
- Não, Mione, tenho que ir mesmo, agora com essas informações preciso acionar logo o Ministério. E depois contar a Gina, sabe como ela é curiosa.
Hermione deu a sua mão a ele e a apertou levemente. Aquilo selava o ‘trato’ dos dois, e mais do que tudo, a amizade. Nem perceberam quando o velho chegou com mais cervejas amanteigadas, e distraidamente derrubou um copo inteiro no casaco de Harry.
- Você tá louco ou o que? Olha o que o senhor fez! Droga! – disse Harry se levantando da cadeira furiosamente.
- Calma Harry, eu dou um jeito. – e pegou sua varinha e limpou toda a sujeira com um feitiço apenas. Hermione estranhou o olhar do velho, era fixo e não parecia próprio. Sim, estava sobre uma Imperdoável.
- Harry, tem alguém comandando esse senhor! Primeiro, olhe nos olhos dele! Segundo, ele não viria aqui entregar essas cervejas! Por Merlin, só faltava ter um Comensal aqui por perto! – Hermione desfez o feitiço silenciador, de nada ele servia agora.
O velho saiu de perto e voltou ao balcão como se nada tivesse acontecido. Snape, finalmente ouvindo as vozes deles, foi à despensa e desfez o Imperius. Já perdera tempo suficiente com bobagens. Aquela mulher era mais esperta do que pensava. Esvoaçou a sua capa e saiu pelos fundos.
Hermione podia jurar que viu uma capa preta nos fundos do bar. Talvez fosse só sua imaginação lhe pregando uma peça, ou de fato um Comensal rondava o bar. Bom..isso não interessava muito agora. O que interessava de fato era ter conseguido o que queria no dia. Os outros? Bom, o amanhã fica para amanhã. Não queria se preocupar com isso por enquanto.
N/A
Oii gente, como vão? hahaha to aqui postando de madrugada, só pra não ter esperar p/ postar amanhã. esses dias vi 'Perfume', já tinha lido o livro e adorei ver o nosso querido Alan no filme. E a perspectiva dq o Enigma tá em pós-produção é ótima^^ Alguem daqui já leu a fic 'Mais que um Granger', no ffnet? pois leiam, é mto boa..pena q tá inacabada ¬¬
Então, sem previsões para o próximo cap, como ultimamente vem acontecendo. mas é ótimo escrever na aula e deixar algumas pessoas curiosas, sem saber oq eu estou escrevendo. :D hahaha
Obrigada pelos comentários, e agradeço cada um de vocês, leitores fiéis, novos, amigos, sonserinos, corvinais..e os grifinórios também, por que não? alias eu já fui uma ^^, snapetes, entre ooutros. Se tiverem alguma fic pra indicar, deixem nos coments q quando der eu leio!
Beijos e mais uma vez OBRIGADA a todos vocês, que pacientemente acompanham a fic.
S.S. (hahaha ainda bem q meu nome começa com S^^) ;** |