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20. A Segunda Tarefa


Fic: Reescrevendo a História


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Thiago chegou ao salão comunal e o encontrou vazio, provavelmente os mais novos estavam no jardim ou na biblioteca, enquanto seus amigos dormiam. Abriu a porta do dormitório devagar, sorrindo ao ver que suas suposições estavam certas, se dirigiu silenciosamente até o malão e pegou uma muda de roupa para tomar banho.

Quando voltou ao quarto, sorriu marotamente ao ver que ainda dormiam e se dirigiu às cortinas, vendo que apesar de estarem no inverno, o dia estava claro. Apontou a varinha para si e murmurou um feitiço, começando uma contagem mental até três.

-ACORDEM SEUS PREGUIÇOSOS! –a voz magicamente aumentada ecoou pelo quarto ao mesmo tempo em que as cortinas eram escancaradas, deixando a luz do fim da manhã iluminar o quarto.

-Ficou louco Thiago? –Remo fala após cair da cama assustado. Os outros também acordavam sobressaltados, procurando o “incêndio”.

-ELA ACEITOU, LÍLIAN EVANS EM BREVE SERÁ LÍLIAN POTTER! –Thiago falava pulando sobre sua cama, os travesseiros dos amigos voando em sua direção.

-Você está brincando, não está? –Rony perguntou ainda sonolento.

-Você não cometeu essa loucura de pedir a Lily em casamento tão jovem, não é? –Sírius fala pálido, esquecendo o sono e ficando preocupado com o amigo.

-Deixe de ser tão rabugento, Sírius! –Thiago fala já em seu tom normal de voz –Eu a amo e juntos seremos uma bela família feliz!

-Isso, Pontas! Parabéns! –Remo fala indo cumprimentar o amigo, Rony fazia o mesmo.

-Se você confia mesmo nisso, tem todo meu apoio. –Sírius declara indo até o amigo. Em sua cama, Petgrew olhava a tudo pasmo demais para se levantar, ato que passou totalmente despercebido pelos demais.

***

Harry estava muito ansioso para saber dos pais, mas como ainda era cedo e não havia ninguém acordado para lhe dizer algo, resolveu chamar Snape, que também não conseguia dormir, para tentar resolver o enigma da primeira prova, na sala que Slughorn havia reservado para eles.

Os dois caminharam lentamente fazendo algumas suposições, depois se dirigiram ao fundo da sala, onde se sentaram lado a lado a uma mesa, onde abriram o pergaminho e se puseram a olhar aquele emaranhado de letras. Havia um quadro no centro do pergaminho, onde várias letras se sucediam, mas pareciam não formar palavras, pelo menos pelo espaçamento utilizado.

-Eu não entendo o que pode ser tudo isso! Parece um quebra-cabeça montado errado! –Snape fala irritado e com os olhos doendo de tanto olhar as letrinhas, aparentemente, sem nenhum significado especial.

-É isso! –a afirmação de Snape fez tudo ficar claro, aquilo era um caça palavras, onde eles deveriam encontrar a frase que estavam procurando. –Temos que encontrar uma palavra, qualquer uma na nossa língua. Ela pode estar na vertical, na horizontal ou em diagonal. Eu começo da parte de cima e da esquerda e você da parte de baixo e da direita!

-Você acha que isto é um caça-palavra? –pergunta achando a idéia uma loucura, afinal aquilo era simples demais para uma tarefa do Torneio Tribruxo.

-É a única idéia que tive até agora que explique tudo isso, agora comece a procurar. –Harry fala empolgado, começando a verificar letra por letra.

O trabalho que em tese parecia fácil, mostrou-se extremamente complicado, pois havia 10 linhas e 20 colunas no quadro, totalizando 200 letras. Passaram meia hora olhando o quadro, procurando por uma única palavra que fosse, até que encontraram na região centro esquerda a palavra negro . Após uma breve comemoração, Harry marcou a palavra, circulando-a. No entanto, antes que eles pudessem fazer qualquer coisa, as letras começaram a se mover rapidamente, trocando de lugar uma com as outra, até que o quadro estivesse reorganizado e no topo esquerdo estivesse na horizontal, a palavra circulada.

-Todas as letras se reorganizaram, talvez, cada formação do quadro, contenha apenas uma única palavra. –Snape fala pensativo, sua mente já maquinando as possíveis opções e também calculando o trabalho monstruoso que teriam.

-Acho que não vamos conseguir sozinhos, demoramos meia hora só em uma palavra e agora vamos ter que procurar tudo de novo! Eu não sei quanto a você, mas estou com dor de cabeça. –Harry fala retirando os óculos e passando uma das mãos sobre as pálpebras, numa tentativa de aliviar a ardência causada pelo esforço minucioso.

-Tem razão, vamos chamar Bella e Rodolpho. –Snape sugere se levantando e alongando as costas.

-Você chama os dois, enquanto eu procuro Hermione e Thiago, quanto mais gente procurando, mais rápido terminamos. –Harry fala e Snape assente, entendendo os motivos dele, além de que, bem ou mal, o grifinório era o outro campeão de Hogwarts.

Harry andou apressadamente por mais de vinte minutos pelos corredores perguntando sobre a namorada e sobre Thiago, até encontrar Angel que procurava por Snape.

-Olá, Harry! Estou procurando Snape, você o viu? –pergunta parecendo um pouco ansiosa.

-Sim, há uns vinte minutos ele foi até o nosso salão comunal procurar por Belatriz e Rodolpho, nós estamos trabalhando na segunda tarefa. Estou inclusive procurando por Thiago e Hermione, você os viu? –fala sinceramente, não via porque tentar ocultar uma informação tão simples da amiga, só porque ela era sua adversária.

-Sim, estavam no jardim, pareciam comemorar algo. Já descobriram a mensagem do pergaminho? –pergunta sem conter a curiosidade, mas também não contendo um ar levemente preocupado.

-Ainda não, por isso queria a ajuda deles. Você pode me explicar onde os viu? Prometo que digo a Snape que você quer vê-lo. –fala sorrindo de modo a demonstrar que já sabia da novidade.

-Se isso não for atrapalhar vocês, eu gostaria muito de me encontrar com ele. –fala corando levemente, o que fez Harry ter que reprimir um sorriso, feliz pela conquista do amigo.

-Não se preocupe, creio que ele já tenha me ajudado bastante por hoje. –fala de modo cúmplice, ao que ela assente, antes de começar a lhe explicar onde havia visto os dois grifinórios e sua turma.

Após encontrá-los e saber da novidade, o que o deixou ainda mais feliz, Harry guiou o pai e a namorada até a sala que Slughorn lhe reservara e onde os outros sonserinos deviam o estar aguardando, razão pela qual apenas Thiago e Hermione o acompanharam.

-Até que enfim, chegaram! Por que a demora? –Snape perguntou ao ouvir o barulho da porta, Belatriz e Rodolpho estavam junto com ele, aguardando a chegada de Harry, que estava com o pergaminho.

-Eu não conseguia encontrá-los, até que Angel me disse onde estavam. –a menção do nome da namorada, fez as faces pálidas do sonserino ganharem um tom róseo e seus olhos brilharam a espera de alguma notícia de sua francesa. –Aliás, ela está te esperando saguão.

-Você não está pensando em ir namorar não é, Severo? –Belatriz fala em tom reprovador, fazendo o discreto sorriso de Snape morrer.

-Não seja tão dura, Bella, Snape já me ajudou demais por hoje, não vejo mal em dispensá-lo. –Harry fala sorrindo cúmplice pro amigo, que se surpreende, mas, hesitante, não se move. –O que acha que está fazendo aí parado? Não se deixa uma dama esperando. –Agora o tom de Harry muda para rigoroso, fazendo Snape despertar e se levantar.

-Pelo menos tenta descobrir se ela já decifrou a mensagem deles! –Rodolpho fala ao ver o amigo se afastar rapidamente.

-Acho que todo mundo já sabe o que fazer, então, vamos achar essas palavras! –Harry falou determinado, estendendo o pergaminho diante dos cinco.

Todos perderam a noção do tempo procurando pelas palavras, por vezes marcaram palavras erradas, para as quais a marcação sumia magicamente, indicando o erro. Já havia anoitecido quando terminaram de achar todas as palavras, seus olhos estavam vermelhos pelo esforço, suas cabeças latejavam, estavam exaustos, mas satisfeitos pelo resultado.

Em um pergaminho, Hermione havia anotado as palavras com clareza e espaçamento que permitisse uma boa visualização de cada uma. Não havia nenhuma ordem, assim como não havia preposições ou outros conectivos entre elas.

negro inocente sentimento salva-los sol somente eterno oriunda
verdadeiro deixa sono luz quando manto mergulhar horizonte puro
orvalhada poderá dor selva frio trevas invoca antes

-E agora, o que será que esse amontoado de palavras quer dizer? –Harry pergunta se espreguiçando e dirigindo o olhar a Hermione, que observava atenta o pergaminho.

-Deve ser um texto que fala sobre o desafio de vocês, mas agora eu acho que merecemos comida e um pouco de descanso, não acham? –Hermione fala e tanto Thiago quanto Rodolpho sorriem abertamente com a sugestão.

-Não precisam parar os trabalhos por enquanto, trouxe comida e bebida, para podermos continuar. –Snape surge trazendo uma grande cesta com comida e bebida, o que faz os três rapazes suspirarem frustrados e as meninas sorrirem mais dispostas.

-Então vamos logo tentar por alguma ordem nessa lista! Rodolpho, sirva a comida, Harry, Severo e Granger, se aproximem com pergaminhos para tentar formar o texto. –Belatriz coordena as tarefas, levitando uma mesa até eles.

-Só por curiosidade, o que eu faço? –Thiago pergunta sarcástico, observando a sonserina.

-Por mim, poderia estar se atracando com sua sangue-ruim bem longe daqui. –Belatriz responde friamente, ao que Thiago levanta com a varinha em punho. Imediatamente, Harry, Rodolpho e Snape sacam suas varinhas e apontam para o grifinório.

-Recolha sua varinha agora mesmo! Acho que é inteligente o suficiente para perceber que está em desvantagem, portanto, não vai tumultuar o trabalho em grupo. –Harry fala de forma firme, olhando os olhos de Thiago com frieza, como se quisesse impor sua “autoridade”. –Quanto a você, Bella, -Harry se volta para ela com a varinha abaixada e anda até perto dela, até quase tocar seus narizes –É melhor guardar suas verdades para si, não admitirei que ninguém me faça perder qualquer vantagem que seja sobre meus inimigos. –a voz de Harry estava tão fria e objetiva, seu olhar tão cruel e impiedoso, que Belatriz quase o chamou de My Lord quando assentiu.

Sem que mais alguma coisa precisasse ser dita, todos voltaram a seus trabalhos, apesar do clima descontraído de outrora ter se transformado em uma tensão tão palpável que poderia explodir ao mínimo olhar “errado” de alguma das partes. No entanto, os trabalhos seguiram a um bom ritmo e pouco antes da meia-noite eles tinham o texto pronto, ao qual Harry leu em voz clara e alta.

- Quando o Sol deixa o horizonte na selva orvalhada, o manto negro invoca o frio e a dor, antes de mergulhar o inocente no sono eterno. Somente a luz oriunda do sentimento puro e verdadeiro poderá salva-los das trevas.

-Se eles estavam querendo assustar, conseguiram! Parece até que vão enfrentar um demônio! –Rodolpho fala um pouco tremulo após a leitura feita em voz grave e profunda.

-Deixe de ser covarde, Rodolpho! Olhe pro Harry e veja se ele parece estar minimamente assustado. –Belatriz o censura, não conseguindo esconder a admiração pela coragem do sonserino.

-Tirando todas essas palavras de efeito, o que nós temos? –Thiago pergunta olhando para Hermione, que olhava para o pergaminho concentrada.

-Por mais que eu e Belatriz tenhamos pensado nas mais diferentes combinações para essas palavras e tenhamos certeza de que essa é a melhor combinação, a frase ainda é estranha. –fala franzindo o cenho, Belatriz tinha a mesma expressão desgostosa.

-Ainda não conseguimos entender onde Dumbledore ou quem quer que tenha escrito isso, quis chegar. –Belatriz completa, olhando os demais.

-E o que exatamente está incomodando vocês? –Snape pergunta de modo objetivo, olhando as duas, que estavam lado a lado.

-“ Quando o Sol deixa o horizonte”, ou seja, quando o Sol não está visível, a noite. “Selva orvalhada”, o orvalho cai a noite, ou seja, é uma reiteração de noite. “O manto negro invoca o frio e a dor”, novamente faz referência à noite! –Belatriz lê as passagens e identifica o que não está fazendo sentido.

-Como vocês podem ver, três vezes seguidas ele fez referência a noite e isso não faz nenhum sentido! Já sabíamos que a prova vai ser a noite, não precisava evidenciar. –Hermione explica e eles parecem concordar.

-Nesse caso é melhor esquecermos o todo e analisarmos os fragmentos, para só então tentar entender tudo. –Snape sugere com calma e todos assentem.

-Essa noite vai ser longa! –Harry fala em um suspiro, se aconchegando a Hermione, que correspondeu a seu gesto e ao beijo que o seguiu.

Observando Harry, Rodolpho tenta fazer o mesmo aproximando sua cadeira de Belatriz, mas está lhe dispensa um olhar tão frio e mortal, que na hora ele retira o braço do encosto da cadeira dela e afasta a própria cadeira. Thiago e Snape que observaram a cena, trocaram um olhar e suprimiram o riso para evitar confusões com Belatriz, que parecia estar lançando em pensamento todo tipo de maldições em Hermione.

Já passava de três da manhã quando todos saíram parecendo zumbis da sala na qual ficaram confinados durante todo o dia. Harry chegou a pensar em acompanhar a namorada, mas estava tão exausto que a deixou sob os cuidados do pai e se dirigiu para seu dormitório com Snape e Rodolpho. Era fim da manhã quando Thiago acordou e desceu até o salão principal, onde alguns grifinórios conversavam e procuravam se aquecer na frente da lareira.

-Bom dia meninas! –Thiago cumprimentou Lílian, Sally e Anne, que estavam conversando no sofá.

-Bom dia! –ouviu o coro das meninas, enquanto se sentava entre Lílian e Anne.

-Parece cansado, que horas vocês voltaram ontem? –Lílian pergunta abraçando o namorado e afagando-lhe os cabelos.

-Depois das três. E não estou cansado, estou acabado! Aquela cadeira acabou com minhas costas, estou todo dolorido. –fala se aconchegando contra a ruiva, que lhe dava beijinhos carinhosos, como se quisesse fazer a dor passar.

-Pelo visto aquele quadro estava mesmo difícil de decifrar. Mas o que a mensagem dizia? –Anne pergunta curiosa.

-Não sabemos. –seu comentário faz as três o olharem aturdidas. –Nós sabemos qual a mensagem, mas não conseguimos entendê-la. –completa, fazendo o ânimo das três desaparecer.

-E qual a mensagem afinal? –Sally pergunta numa tentativa de ajudar.

- Quando o Sol deixa o horizonte na selva orvalhada, o manto negro invoca o frio e a dor, antes de mergulhar o inocente no sono eterno. Somente a luz oriunda do sentimento puro e verdadeiro poderá salva-los das trevas. -Thiago fala sem nenhum esforço, havia decorado a frase de tanto ouvi-la na outra noite.

-Quando o Sol deixa o horizonte na selava, parece querer dizer que a tarefa será na floresta proibida durante a noite. A última parte dá a entender que terão que passar por alguma prova de caráter ou algo do tipo. –Lílian pondera pensativa.

-Foi o que deduzimos, mas isso não diz o que vamos enfrentar, que é o que imaginávamos encontrar na mensagem. –Thiago fala demonstrando o quanto aquilo o havia frustrado.

-Talvez porque não tenham decifrado corretamente. –Essa afirmação de Anne fez todos se virarem para ela –A resposta da charada está no trecho que diz: “...o manto negro invoca o frio e a dor...”. –As expressões curiosas ganham ar de dúvida e ela continua. –Manto negro nessa frase não deve está querendo simbolizar a noite como vocês imaginam. Porque se você escuta a palavra manto negro isoladamente, pensa em um manto negro em si e não em uma referência poética à noite.

-Esta querendo dizer que estamos falando de uma roupa? –Sally pergunta ainda confusa e sem conseguir assimilar a idéia.

-Estamos falando de um ser que usa manto negro e quando se aproxima traz frio e a dor na forma de nossas piores lembranças, e cuja única forma de derrotar é invocando seus mais puros sentimentos na forma de lembranças felizes! –Lílian fala como se juntasse todas as peças, fazendo Anne sorrir em concordância.

-Parece que vocês enfrentaram alguns dementadores na floresta proibida! –Anne diz a Thiago que olha as duas incrédulo. Era uma dedução tão simples, que se todos já não tivessem tão exaustos pela caça às palavras, teriam facilmente encontrado.

-Eu preciso dizer isso ao Harry! Vai ser mais fácil que apanhar um sapo de chocolate! –Thiago fala se levantando rapidamente, todo o cansaço se esvaindo rapidamente.

-Eu vou com você! Certamente a experiência dele nessa tarefa será uma grande vantagem! –Lílian fala empolgada e seguindo o namorado.

-Nós dizemos a Hermione quando ela acordar! –Anne fala vendo os dois saírem.

-Vê se não vão comemorar muito! –Sally fala em tom tão malicioso, que faz Lílian corar e rapidamente passar pelo quadro da mulher gorda.

A descoberta de que enfrentariam dementadores deixou todos muito calmos e otimistas no início, mas com o passar dos dias e a aproximação da segunda tarefa, o nervosismo se apoderou deles e fez com que os dias parecessem durar uma eternidade. O mesmo parecia acontecer com os campeões de Durmstrang e de Beauxbatons, que andavam mais quietos e pálidos que nunca, o que fez Snape se preocupar. Apesar de suas inúmeras tentativas, Angélique nada disse a respeito, mesmo quando a aproximação era bem sutil, mas o ar grave que ela ganhava sempre que ele mencionava a segunda tarefa, o deixava cada vez mais preocupado.

O dia da segunda tarefa chegou rapidamente na visão dos alunos das três escolas, todos muito empolgados com o que viria a seguir. O Profeta Diário não parava de publicar matérias especulativas e evidenciava a dupla de Hogwarts como a favorita para segunda prova pelo seu brilhante desempenho na primeira, apesar de sugerir que os franceses estavam se preparando arduamente e poderiam ser uma ameaça. Os três diretores exibiam serenidade e confiança em sua equipe, todos certos de um brilhante desempenho de suas duplas, que ao contrário deles se encontravam concentradas na mesma tenda em que aguardaram sua vez na primeira tarefa.

Harry estava um pouco nervoso, mas aparentava serenidade enquanto conversava com Hermione um pouco distante dos outros campeões, que também procuravam manter sua privacidade com suas companhias, sendo Alexei e Fabien os únicos desacompanhados.

-Harry, eu quero que você mantenha a calma, seja paciente, fique atento e espere ate o momento certo para agir, tudo bem? –Hermione fala apreensiva, suas mãos estavam frias e trêmulas.

-Não se preocupe, eu prometo que vou ser prudente e frio, não vou deixar dementador nenhum chegar perto de mim, não se preocupe. –sua voz estava tão calma e suave, que Hermione se sentiu mais confiante, Harry parecia realmente preparado e ciente do que enfrentaria.

-Então me promete que voltará inteiro, sem nenhum ferimento! –apesar de mais calma, ainda sentia uma angustia inexplicável dentro de si e, se não fosse tão cética, poderia interpretar como um pressentimento muito ruim.

-Não se preocupe, eu vou ficar bem, estou concentrado e cheio de lembranças felizes com você. –fala carinhosamente, a abraçando forte e beijando docemente para lhe passar segurança, sentindo-a relaxar como resposta.

-Então saiba que se voltar sem nenhum ferimento irá ganhar uma ainda mais feliz para sua coleção. –aquele sussurro em seu ouvido já era o suficiente para lhe render um ótimo patrono, porém, só a imaginação do que ganharia como prêmio, o fazia sentir pronto para encarar um batalhão de dementadores.


-Thiago, me prometa que vai trazer nosso filho a salvo, que não deixará que nada de mal aconteça ao Harry. –Lílian pedia preocupada, estava com seus instintos maternos ligados em alerta máximo.

-Você devia estar preocupada comigo e não com ele, afinal ele já tem experiência nisso! –o moreno retruca em um misto de ciúme e confiança no parceiro.

-Justamente por isso que me preocupo! Você estava nas lembranças e viu como os dementadores o enfraquecem, como todas as coisas pelas quais ele passou se voltam contra ele... –os olhos da ruiva brilhavam emocionados, o temor pelo filho evidente na força com que segurava as vestes do grifinório.

-Acalme-se Lily, eu estarei lá e não deixarei que nada aconteça ao nosso garoto. –Thiago fala de forma mais firme, porém suave e a abraçando protetoramente. –Prometo que vou protegê-lo com minha vida. – fala lançando um rápido olhar para a direita, onde Harry e Hermione se beijavam.

-Mas tome cuidado, não quero que você se machuque, preciso dos dois bem, sãos e salvos. E se por acaso isso não acontecer, pode apostar que eu vou lhe mostrar umas azarações que andei aprendendo! E para cada machucado, vai ficar um dia sem encostar em mim. –fala sem conseguir conter seu lado repressor e mandão, fazendo-o rir.

-Essa é minha garota! –Thiago fala rindo sob o olhar dura da noiva. –Pode deixar que com um incentivo desses, não tem criatura que me faça sequer amarrotar minha roupa. –fala em tom divertido, fazendo-a sorrir e o abraçar com força.


-Tem certeza de que está bem para seguir em frente? –Snape pergunta a Angélique, que estava pálida e gelada, apesar de manter o olhar e a postura firmes.

-Não se preocupe, querido. –fala levando uma das mãos ao rosto de Snape, que sorri com o afago –Eu estou preparada e enfrentarei o que for preciso para conquistar o Torneio Tribruxo. Estou confiante em minhas habilidades, em minha serenidade e em minha coragem. –fala mostrando determinação e força.

-Saiba que independente do resultado do torneio, você me deixa muito orgulhoso por te ter como minha namorada. –fala olhando-as nos olhos e depois a puxando para um abraço forte e protetor, como se quisesse ajudá-la a se concentrar e acalmar para seu desafio.

A voz serena do diretor de Hogwarts soou pelo estádio pedindo o silencio e a atenção de todos os espectadores, logo depois anunciando o início da segunda tarefa e chamando os nomes dos participantes, que rapidamente se agruparam e caminharam em direção a arena. As três duplas mostravam frieza e determinação em seus olhares quando chegaram a arena, deparando-se com seus diretores e caminhando até eles. A ovação e os gritos de apoio e incentivo das torcidas pareciam ignorados tamanha era a concentração dos seis jovens.

-Na tarefa de hoje, para a segurança de todos os expectadores, os nossos participantes irão se deslocar a uma região isolada e distante através destas três chaves de portal. –Dumbledore explica apontando três rolos de pergaminho postos em três suportes no meio da arena. –Estes pergaminhos contêm um mapa que os guiará a três estatuetas que representam seus desafios, as quais também são chaves de portal que os trarão de volta para cá, onde uma equipe formada pelos melhores medi-bruxos, curandeiros e enfermeiros os aguardará para dar tratamento completo e imediato. –Esta pequena explicação fez a arena cair em silêncio absoluto, um tremor passou pelo corpo dos seis campeões e uma sombra de incerteza cruzou seus olhares por um momento, antes de Dumbledore prosseguir. –Ao sinal, toquem em seus pergaminhos. A pontuação da tarefa se dará de acordo com a ordem de chegada e pontos serão subtraídos de acordo com a gravidade de ferimentos. Boa sorte a todos. –Dumbledore termina seu pronunciamento, deixando, no fim, um traço de preocupação passar por sua voz.

Alguns segundos tensos passaram até o disparo do canhão, que sinalizou o momento de tocarem nos pergaminhos. Assim que as três duplas sumiram, os diretores trocam olhares preocupados e tensos, deixando pela primeira vez, a “máscara da vitória certa” de lado.

Harry e Thiago caíram em uma grama úmida após a longa viagem cheia de rodopios, que fez Harry se sentir muito tonto. Apoiou-se em uma árvore na tentativa de fazer tudo parar de girar, conseguindo perceber que estava em uma mata fechada e muito diferente da floresta proibida.

-Está quente, e isso só me faz ter certeza de que estamos longe de casa. –Thiago fala parecendo estar muito bem, apesar de ter girado tanto quanto ele.

-Melhor seguirmos logo a trilha do mapa, não quero demorar muito aqui. –Harry fala sentindo que algo não estava muito bem.

Thiago apenas assentiu e abriu o pergaminho que estava em suas mãos. Sorriu ao ver que havia um desenho muito bom da floresta, um ponto bem visível da chave de portal e, o melhor, dois pontos que simbolizavam ele e Harry.

Assim que Thiago mostrou o mapa a Harry, os dois começaram a caminhar pela mata sombria e silenciosa, percebendo que seja lá o que estava provocando aquela ausência de animais, não era algo muito bom. Foram quase cinco minutos de caminhada silenciosa, dificultada apenas pelas raízes altas e cobertas por folhas, que os faziam tropeçar a todo o momento. Em uma dessas quedas, um pouco mais feia, o óculos de Thiago caiu e a lente saiu da armação.

-Droga! A lente caiu, vou ter que procurar. –fala começando a tatear por entre as folhas, enquanto Harry se recostou a uma árvore, se resolvesse se aproximar poderia pisar na lente e piorar as coisas.

Enquanto descansava de olhos fechados, sentiu algo úmido tocar sua pele e pensou que iria chover, só para complicar um pouco a tarefa, no entanto, subitamente algo se fechou em torno dele, comprimindo-o como se uma cobra houvesse se enrolado nele e estivesse tentando o sufocar e esmagar-lhe os ossos. Tentou se concentrar e ordenar algo em língua de cobra, mas um grito lhe cruzou a mente, depois a imagem de Sírius caindo através do véu passou em câmera lenta, seguida da imagem do retorno de Voldemort e então uma sucessão de imagens terríveis, as quais nem apareciam em seus pesadelos de tão traumáticas, voltaram e o atingiram como um punhal, que saía e voltava a lacerar-lhe a carne.

Thiago havia achado a lente e estava com a varinha em punho para realizar o feitiço de reparo, quando viu algo negro, como uma capa, se aproximar de Harry. Tentou avisá-lo, mas antes que fosse possível, um véu negro e úmido lhe cobriu a face e envolveu seu corpo, tirando-lhe a mobilidade. Tentou se libertar, mas seja lá o que fosse aquilo, era muito forte e, por ser elástico, parecia absorver seus golpes.
De repente, a imagem de seu avô doente, pouco antes de morrer, lhe veio a mente, as últimas palavras dele ecoaram grave e fracamente como naquele dia de outono. Sentiu vontade de gritar, mas não conseguia e então lembrou do véu que o aprisionava. Novamente uma lembrança, dessa vez via a seu fantasma saindo da varinha de Voldemort, Harry e o bruxo ligados por raios coloridos que saíam de suas varinhas.

“...o manto negro invoca o frio e a dor ...” “Somente a luz oriunda do sentimento puro e verdadeiro poderá salva-los das trevas.” -a voz de Hermione surgiu em sua cabeça e de repente tudo fez sentido. Esforçou-se para bloquear as lembranças ruins e se focou em Lílian. – “ Thiago, me prometa que vai trazer nosso filho a salvo, que não deixará que nada de mal aconteça ao Harry.” –A voz da ruiva lhe trouxe a lembrança de quando Harry e ele tiveram sua primeira conversa de pai e filho, e de como Lílian ficara feliz ao saber que agora poderiam ser uma família.

Não foi necessário se concentrar muito para conjurar seu patrono. Um enorme leão prateado surgiu de sua varinha e lançou o manto negro para longe, fazendo-o ganhar velocidade e desaparecer entre as árvores. Sem que fosse necessária uma ordem, o felino disparou para onde Harry já parara de se debater e abocanhou o manto, fazendo-o se rasgar e fugir. O leão desapareceu e Thiago se aproximou rapidamente de Harry, que estava caído, havia uma meleca prateada que julgou ser o “sangue” do tal manto.

-Harry! Harry! Responda! –Thiago fala sacudindo-o, mas ao vê-lo não se levantar, apontou sua varinha para o corpo inconsciente do filho e bradou com força. – Enervate .

Uma força, semelhante a uma grande pressão, atingiu o peito de Harry e o fez saltar do chão, mesmo que ninguém o tenha tocado. O coração que estava parado voltou a bater como se houvesse levado uma descarga elétrica e seus pulmões rapidamente se encheram de ar.

-Harry, pode me ouvir? –Thiago pergunta preocupado, seus olhos já úmidos.

-Pai? – a voz mole e fraca denunciava a fraqueza de Harry, mas fora o suficiente para Thiago se sentir mais aliviado.

-Nunca mais me preocupe desse jeito, garoto! Porque se houver uma próxima vez, vai levar uma surra de cinto! –fala o erguendo e sustentando, fazendo-o se apoiar em suas costas, antes de erguê-lo. –Se segure e não durma, fique comigo.

-Sim, senhor. –apesar de ter tentado descontrair, sua voz era um pouco mais audível que um sussurro, seus pulmões ardiam e seu peito doía, assim como boa parte de seus músculos.

Depois de cinco minutos, Harry desceu das costas de Thiago e passou a andar, apesar de ainda estar se sentindo um pouco fraco. Em menos de dez minutos, os dois chegaram sem mais problemas até a pequena estátua que simbolizava a mortalha-viva, o verdadeiro desafio que os dois tinham que enfrentar.

N/A: Oi, desculpem a demora, mas como eu acho que já sabem eu estou com problemas na mão direita, o que torna difícil escrever os caps. Eu ainda não estou 100%, mas tentarei não demorar tanto tempo para voltar a atualizar.

N/A²: Aconteceram várias pequenas coisas nesse cap, acho que o desafio surpreendeu um pouco vocês no final, e, antes que protestem, saibam que no próximo cap eu mostrarei a prova de Durmstrang e de Beauxbatons. O título do cap será: Luto

Próxima atualização: Epílogo de O Sucessor

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