Capítulo 8
Mau Agouro
– James! – a garota repetiu o nome já com pouca paciência. – Droga! Se não pretendia aparecer, por que me chamou?
Lily jogou os braços para cima, numa atitude típica e se virou para ir embora. Mal tinha dado um passo e James saltou de cima da árvore onde havia se escondido, aterrissando leve, bem na sua frente.
– AI! – ela pulou levando as mãos ao coração. – Muito engraçado, James Potter! – berrou furiosa. – Qual era o seu plano? Me matar de susto?
Para aumentar a indignação da garota, ele sorria.
– Na verdade, eu queria ver se você ficaria muito chateada caso eu não aparecesse.
– Grrr... eu mereço! Uma lógica de conquista dessas somente poderia sair de uma mente deturpada como a sua.
Sem vontade de lhe dar qualquer conversa, Lily juntou o vestido e desviou do rapaz, pronta para ir embora. James a ouviu resmungar baixinho, se maldizendo por ter atendido ao chamado dele. Seu sorriso ficou maior, mas ele não a segurou. Deixou-a se afastar uns três passos antes de falar.
– Nem ao menos vai querer saber por que a chamei?
Os olhos verdes da menina faiscaram ao se virar para ele.
– Como se eu não conhecesse os seus motivos. Poupe-me!
James não se abalou com o ar desdenhoso dela. De fato, uma louca vontade de rir o fez desviar os olhos do rosto da garota e parecer subitamente interessado em um detalhe de sua sobre-túnica.
– Se sabe os meus motivos e não gosta, por que veio?
As narinas dela inflaram de indignação e suas faces tomaram rapidamente a cor dos cabelos muito vermelhos. James ergueu os olhos e contou divertidamente a quantidade de desculpas que passaram pelo rosto lívido, antes que ela conseguisse dizer.
– Eu quis te dar uma chance!
– De conquistá-la? – perguntou esperançoso.
– Claro que não! – Lily retorquiu cheia de dignidade. – Queria te dar era uma chance de dizer que iria parar de me perseguir. Afinal, não custa esperar o dia em que o cavaleiro que seu pai quer que você seja, aflore, não é mesmo?
Ela arrematou cruzando os braços em frente ao corpo, muito senhora de si. James, porém, notou que Lily não voltara a ameaçar ir embora e isso era sempre um bom sinal. De fato, precisou controlar sua vontade de dizer que já teria desistido há muito tempo, se ela realmente o desestimulasse. Mas Lily jamais fizera isso, não “de verdade”. Ela continuava a vir sempre que ele a chamava, e ficava horas discutindo com ele quando ele a procurava. E, naquele momento, continuava ali, parada na sua frente, mesmo se arriscando.
– Bem, eu acho que vou frustrá-la, mas não a chamei aqui para lhe declarar meu amor. Não agora.
Lily o mediu com ceticismo.
– É? Então chamou para o quê?
– Eu quero te mostrar uma coisa – falou lhe estendendo a mão. Ela manteve a postura desconfiada. – Venha! – pediu com delicadeza. – Você vai gostar, eu garanto.
Com um suspiro resignado, Lily aceitou sua mão e deixou que um James muito feliz a conduzisse pelo bosque. A primavera brotava em cada pequeno espaço de chão. Flores de melissa branqueavam o caminho como um luxuoso tapete branco. O ar recendia de partículas amarelas e fiapinhos brancos que se desprendiam das flores e buscavam outras para se alojar. Depois de meses de frio congelante, quando tudo parecia morto, a floresta era uma luxuriante declaração de vida a qualquer lance de olhos, em cada fôlego de ar, na textura morna do vento, no tato das suas mãos unidas.
Seguiram pelo caminho apontado por James, ambos muito conscientes daquele contato, que, pelos mesmos motivos, ia lhes minando a respiração. A de James em completa alegria, a de Lily, num quase pânico, quando seu coração afirmava coisas que sua mente negava furiosamente.
– Falta muito?Eu não posso me demorar, James.
– Não falta muito mais. Mas não faça barulho. Nós não queremos que eles se assustem.
– Eles? – a curiosidade dela aumentou extraordinariamente.
– Psiu...
James levou o dedo aos próprios lábios e a olhou nos olhos num pedido de cautela. O terreno ficou mais cheio de galhos e pequenos arbustos. Lily precisou segurar o vestido um pouco mais alto, mas não reclamou e continuou a acompanhá-lo. Finalmente, James soltou a mão da menina e a ouviu respirar mais fundo enquanto lhe fazia um gesto para que se aproximasse com ele de uma sebe baixa, entremeada com um vistoso pé de mirtilos silvestres. Ele se ajoelhou e Lily, ao seu lado, o imitou. A menina mal conseguiu conter um pequeno gritinho de encantamento.
Diante deles uma bela corsa parda, muito orgulhosa e desconfiada, analisava se os dois estranhos eram ou não uma ameaça aos dois filhotes entre suas pernas.
– Descobri-os esta manhã – sussurrou James. Parecia deleitado com o prazer nos olhos de Lily.
– E dois! São tão raros – ela exclamou baixinho. – Oh, como são lindos!
James concordou, mas já tinha olhado os filhotes por tempo o bastante e nunca parecia ter visto Lily por todo tempo que ele queria, então ficou observando-a exclamar e se encantar com o pequeno milagre. Ficaram ali tempo o suficiente para que a jovem mãe desistisse deles como ameaça e recostasse a cabeça no chão. Quando ela fechou os olhos, Lily pareceu lembrar-se de sua urgência em partir e chamou James. Eles se afastaram do ninho, caminhando lado a lado. Ambos sorriam, mas só Lily achava que era por causa dos filhotes. Quando estavam distantes, quase no lugar em que haviam se encontrado, ela se voltou para ele.
– Obrigada, James. Eu realmente adorei vê-los. Desculpe ter sido grosseira com você.
James deu de ombros, um pouco sem jeito. Apenas tinha querido dividir aquilo com ela, não achava que ela precisasse lhe pedir desculpas por qualquer coisa. Contudo, não queria que ela fosse ainda, por isso perguntou:
– Eu realmente a importuno tanto assim?
A resposta devia ser clara pelo tanto que Lily reclamava dele, mas a garota pareceu surpresa o suficiente com a pergunta para que não conseguisse responder de imediato. Tartamudeou por alguns instantes, enquanto olhava por sobre o ombro examinando o caminho que deveria seguir para partir.
– Deixe para lá, James. Estou atrasada, depois conversamos – e, sem mais, ela se virou para ir embora, mas James a prendeu pelo pulso.
– Mesmo?Conversaremos depois?
Mesmo sem planejar, Lily sorriu.
– E eu consigo evitá-lo?
Uma luz de beatitude incendiou os olhos do rapaz e ele tomou a mão dela para beijá-la, mas parou no meio do movimento. Lily soube imediatamente porque e tentou arrancar a mão da dele, mas o esforço foi inútil. A expressão feliz de James tinha escurecido.
– O que foi isso? - ele perguntou com um gesto de cabeça para a feia queimadura na palma da mão dela.
– Nada – Lily respondeu rápido. – Eu me queimei cozinhando.
A mentira não fez James soltar a sua mão, nem tirou a fúria do rosto dele.
– Foi ela, não foi?
– James... deixe para lá.
– Não! Você não é uma escrava! Nem mesmo uma serva! Deus sabe que jamais meu pai tratou qualquer servo dessa maneira. Como quer que eu ache normal que ela a trate assim?
Lily finalmente arrancou a mão das dele.
– Não a estou defendendo! Mas se quer saber? Pode não ser “normal” nas terras do seu pai, mas é “normal” em todas as outras. E Eillen tem direitos sobre mim...
– Direitos? Ela a tirou da sua família! Devia lhe ensinar magia e não brutalizá-la! Você nem ao menos tem uma varinha e tudo o que sabe foi o filho dela que te ensinou. – Lily desviou os olhos dos dele e James se aproximou e a pegou pelos ombros. – Eu já pedi antes e peço novamente: venha para o castelo. Eu a protegerei. Meu pai a protegerá. Eillen Snape não voltará a tocar em você.
– James... você sabe que não posso aceitar isso.
– Por quê?
– Por que você vive lá, oras!
– Você mora na mesma casa que o Severus.
– É diferente – ela tirou as mãos dele dos seus ombros e voltou a se afastar. – Conheço Severus desde os nove anos. Ele é como um irmão para mim. Não é inconveniente estarmos sob o mesmo teto...
– Mas comigo sim? – no meio de toda raiva, a louca alegria reapareceu mais estridente que nunca. Lily tinha o rosto em fogo e fugiu da resposta.
– Eu estou bem. Severus me protege dos desvarios dela, sempre que pode. Até já brigou com ela.
– Brigar com a mãe? – James cruzou os braços na frente do corpo. – É, eu acredito. Mas não parece ser o suficiente para que ela não a machuque, não é?Aliás, acho que quanto mais ele a protege, mais ela odeia você, estou errado?
Lily estava muito desconfortável e ignorou a última parte da fala dele.
– Ele não viu isso – Lily o desculpou e isso irritou James. Nunca gostara do garoto Snape. Menos ainda quando ele se mostrava incapaz de proteger de Lily de sua mãe megera. – Eu devia ter colocado essência de ditamno, mas estava preocupada demais em fugir dela para vir até aqui e...
James já estava bem próximo dela novamente.
– Por favor – implorou – venha para o castelo. Eillen Snape nunca a deixará sequer ser uma bruxa de verdade. Você é filha de gente comum. Ela despreza isto. Só a tomou para escravizá-la. Lily, por favor...
– Ela nunca vai me deixar partir, James. Não de bom grado. – A garota desviou dos olhos suplicantes dele e andou até um pouco além, mas sem intenção de ir embora. – Eu já pensei em fugir. Várias vezes. E é o que vou fazer e...
– Por que não fez até agora?
– Por que a única vez em que eu tentei realmente, Eillen me lembrou que sabe onde minha família vive e que os faria pagar por minha rebeldia.
Lembrar daquilo ainda fazia as pancadas que recebera doerem. Lily tinha onze anos. Ela ficou quieta tentando afastar aquele dia da sua mente e só se voltou novamente para James porque ele ficara silencioso demais. O rapaz seguia na direção oposta, caminhando resoluto.
– Hei! Aonde você vai?- perguntou correndo atrás dele.
– Resolver isso.
– James! – Ela o fez parar. – Por favor, me diga o que pretende?
– Vou dar um jeito de falar a língua que Eillen Snape entende. – Lily pareceu receosa. – Sei que isso pode incomodar você, Lily. Mas vou pedir a meu pai para pagá-la para que ela a deixe ir.
– Ah meu Deus! James, não!
– Você tem outra alternativa?Tenho certeza de que uma boa dose de ouro vai fazê-la não apenas liberal o suficiente para deixá-la ir, como também a fará esquecer onde sua família vive.
Ele voltou a andar, cheio de resolução, mas Lily o segurou.
– Eu não posso aceitar isso!
– Não estou pedindo nada em troca – ofendeu-se James.
– Mas... mas...
– Escute. Se quiser voltar para sua casa, eu garantirei que alguém a leve para lá. Se quiser vir para o castelo, saiba que jamais cobrarei nada de você. Será protegida do meu pai e eu lhe darei todo o respeito que um cavaleiro deve a uma dama. Como protegida, você terá todas as regalias e tenho certeza de que meu pai lhe ajudará a encontrar uma boa varinha e também chamará sua amiga Minerva para ensiná-la. Foi Minerva que ensinou a mim e aos rapazes a maior parte das coisas.
– James... isso é muito generoso, mas eu...
– Se sou eu e minha insistência por você que te preocupam, esqueça. Eu dou minha palavra de cavaleiro que não a importunarei mais. Tratá-la-ei como minha irmã.
Lily acabou rindo e precisou elevar a mão para esconder seu sorriso e não ofendê-lo. Não soube o que lhe trouxe aquele súbito humor. Se a determinação de James ou sua preocupação com ela, pela primeira vez em todos os anos em que ele lhe declarava “amor eterno”, parecer subjugar seus desejos de menino mimado. Seria impossível não sorrir, mesmo que ele estivesse mentindo.
– Você ainda não é um cavaleiro – ela lembrou.
– Guardarei minhas armas em Pentecostes – anunciou com uma seriedade que tornava quase estranho o garoto sempre disposto a rir e pilhar com tudo e todos. Lily não duvidou de sua sinceridade.
– E me trataria como uma irmã?
– Faço o que você quiser se me permitir tirá-la das mãos de Eillen Snape.
A intensidade dele fez Lily se sentir nervosa. Isso era novo. E ruim. E bom. Estava acostumada a deixá-lo irritá-la, a ficar furiosa. Nervosismo era um sinal estranho na relação deles, talvez oculto. Lily levou as mãos para trás do corpo, pois as sentiu trêmulas e não quis olhar para confirmar.
James se moveu até ficar exatamente em frente a ela e se manteve assim, sério e quieto, até ela encará-lo.
– Não estou pedindo que acredite no meu amor, Lily. Estou pedindo apenas que me deixe ajudá-la a ser livre.
– E depois... como eu me livrarei de você? – havia humor na pergunta dela e James sorriu.
– Essa não é a pergunta. A pergunta é: você realmente quer se livrar de mim?
Lily mordeu o lábio inferior. Era bem mais fácil lidar com James quando ele a irritava. E especialmente quando ele ficava há vários passos de distância. Seu primeiro impulso foi responder com alguma pilhéria. Algo que rompesse a seriedade e as esperanças dele, mas, quando seus olhos se encontraram, o que sua voz disse foi mais verdade do que ela queria, e bem menos do que ela sabia ser.
– A questão James é que... você não percebe? O que me oferece parece tão grande – ela não falava da liberdade – e eu não sei se poderia retribuir.
O rapaz ofegou. Seu rosto se iluminou como se estivesse diante de alguma maravilha extraordinária. A mão dele tremeu levemente quando se ergueu e seus dedos deslizaram pelo rosto de Lily, da têmpora até o queixo. A garota fechou os olhos instintivamente.
– Acha mesmo que não consegue, Lily?
A voz dele era quase um sussurro. E mesmo correndo o risco de por tudo a perder, James se inclinou e tocou levemente os lábios dela com os seus.
Depois de um instante em que o mundo ficou muito quieto, Lily retribuiu.
As lembranças não ajudaram a restaurar a paz em James. Como se fosse possível haver paz dentro dele de qualquer maneira. Ele desconhecera a sensação por quase toda a vida adulta e o retorno de Lily certamente não teria o condão de modificar isso. Sendo honesto, ela apenas piorara. Ficou esperando o choro dela se acalmar, enquanto tentava aplacar em si mesmo a sensação de familiaridade com o calor, o cheiro, a textura de Lily em seus braços. Dizia a si mesmo, furiosamente, que não se tratava da mesma mulher. Não era a mesma Lily que ele conhecera aos onze anos e pela qual se apaixonara quase imediatamente, com quem se casara e vivera os melhores três anos de toda a sua vida.
Aquela em seus braços podia ter o mesmo gênio combativo, os mesmos olhos verdes incomparáveis, a mesma teimosia, o mesmo olhar cheio de bondade que nunca se dirigia a ele. Podia continuar até mesmo sendo a mais bela mulher que ele já vira. Mas não era a sua Lily. Não se apagam treze anos em instantes e, mesmo que isso fosse possível, ela ainda seria a Lily que duvidou dele, roubou seu filho e o condenou ao inferno sem sequer lhe dar a chance de se defender. Se tivesse um mínimo de orgulho, nada em Lily seria capaz de abalá-lo.
A mão de James se ergueu quase sem comando e acariciou o cabelo macio do alto até as pontas, enquanto Lily fungava junto a sua túnica. As lágrimas já não saíam mais sem controle. James começou a afastá-la delicadamente antes de perguntar.
– Sente-se melhor?
Lily assentiu e saiu de perto dele, enxugando as lágrimas.
– Me desculpe – James pigarreou para limpar a voz alterada – Autunm era sua amiga. Eu fui rude.
Ela não deu qualquer mostra de aceitar as desculpas e James quase se arrependeu de ter pedido. Ainda abalada, Lily enroscou os próprios braços em torno do corpo.
– Pelo menos, como você disse, ela nunca soube – falou num fio de voz, então o encarou. James pode ver um lampejo de praticidade nos olhos verde-esmeralda. – Quantas noites?
– Três – respondeu respirando fundo. – Apenas quando a lua está totalmente cheia. Nos outros dias, ele fica somente muito enfraquecido.
Lily fez um único movimento seco de cabeça e soltou um suspiro.
– Você disse que ele tem toda a ajuda que pode ter...
– Não acha que nós faríamos tudo ao nosso alcance para minorar o sofrimento dele? – a voz de James voltou a ser rude. Lily não se abalou.
– O que mais se poderia fazer? – ela continuava sendo prática.
– Bem... você sempre foi boa em poções Lily. E é sempre bom poder fortalecer o homem, isso... enfraquece a fera. – Ela concordou imediatamente. Parecia ansiosa por ajudar.
– Foi por isso que você se afastou de sua comitiva armada, não foi? – James assentiu.
– A maioria deles é gente comum, que entenderia bem pouco o fato de seu senhor bruxo proteger um lobisomem ao invés de matá-lo.
– E também foi por isso que você quis se afastar da escola, certo?
James lhe lançou um sorriso de lado.
– Deixá-lo perto de um bando de jovens mulheres e crianças? Concorda que não seria nada prudente, não? Escute, Lily – ele deu um passo pequeno na direção dela – o que aconteceu ontem à noite não se repetirá. Vocês estarão seguros. Hagrid vai afastar as matilhas e isso deixará a fera mais calma. Foi um erro eu não ter ido com o Sirius, ontem. Sempre conseguimos contê-lo quando estamos juntos. Mas ontem... eu não queria tirar os olhos de Harry e ainda a proximidade das matilhas... A fera ficou muito forte. A idéia de Remus sobre as correntes acabou sendo completamente inadequada.
– Correntes? – Lily expressou horror à idéia.
Sem censurar ou tentar explicar, James apenas baixou os olhos. Odiava aquilo também. Lily deve ter notado, pois mudou o tom de voz.
– Como vocês o contêm normalmente?
Se Lily ainda o conhecesse tão bem quanto no passado, ela seria capaz de ler nos olhos dele quando James a encarou. Havia um brilho ali que lembrava muito mais o garoto mimado, irresponsável e autoconfiante que ele fora que o homem que ele era. Mas James não acreditava que Lily pudesse ler qualquer coisa nele e, para provar a si mesmo que não se importava com o que ela pensava, não contou a verdade, apenas uma versão disso.
– Somos bruxos habilidosos, Lily. Deve lembrar-se disso.
– Lembro – ela falou arqueando a sobrancelha, desconfiada. – E até onde me lembro, você está sendo modesto. Você costumava dizer que vocês eram brilhantes.
Ele sorriu.
– As palavras são suas... – completou com sarcasmo. – Pronta para voltar?
A idéia aterrorizou Lily por um instante, mas ela respirou fundo e assentiu.
– Posso lhe fazer um pedido? – Lily concordou com curiosidade. – Poupe Remus de seus olhares de pena. Nenhum homem, em situação alguma, quer isso, e ele não merece. É corajoso demais. Você compreende?
Sem dúvida, Lily compreendia. Remus era um cavaleiro orgulhoso. Piedade, de qualquer forma, lhe seria tão cruel quanto o banimento ou o horror. Ela novamente assentiu ao pedido de James.
– Todos sabem? – perguntou.
– Apenas os que não se importam e o amam de qualquer maneira. Nós, Dumbledore, Minerva, Hagrid e os Weasley. Little John é o único homem comum que sabe e, talvez, por não ter nenhum poder mágico, seja o único que o mataria sem hesitar se fosse necessário. – Lily arregalou os olhos, chocada. – Nesta situação é necessário alguém assim, Lily.
Ela registrou por alguns instantes a informação e, mesmo perplexa, obrigou-se a concordar. Por fim, comentou.
– Você confia mesmo nestes Weasley, não é? – James leu o ressentimento na voz dela. Afinal, fora sua guarida àquela família que acabara por condenar Remus e Autunm.
– Confio, Lily. São pessoas excelentes e de um enorme coração. Não merecem qualquer tipo de hostilidade ou descuido de minha parte – disse imperativo.
Esperava deixar claro que não toleraria qualquer descaso da parte dela com eles. Lily compreendeu, embora não assentisse. Instintivamente, James lhe ofereceu a mão para ajudá-la a retornar e sem titubear, ela aceitou.
Ambos apenas se deram conta do erro e do que ele trazia à memória quando suas peles se tocaram, mas já era tarde demais para recuar. Caminharam assim até o acampamento e somente se soltaram quando os olhos, cheios de ansiedade e esperança de Harry, os flagraram.
Lily se uniu à Hermione na tarefa de cuidar Remus e, pouco depois do meio-dia, eles conseguiram novamente se pôr em marcha. Rendeu pouco, aquela tarde. Remus ainda estava frágil e mesmo Sirius parecia sentir seus ferimentos com mais intensidade. Acamparam assim que a noite caiu. E, muito antes da lua nascer, os três cavaleiros sumiram mato à dentro. Logo, Hagrid os acompanhou. Hermione e Lily cercaram o acampamento com fogo, Little John se armou e Harry teve sua primeira lição de poções com a mãe. Lily achara que fazer uma poção fortalecedora para Remus era uma forma excelente de prosseguir com a educação mágica de Harry. Ele, porém, estava preocupado demais para prestar atenção em tudo o que ela dizia, o que lhe rendeu várias reprimendas.
Contudo, lhe parecia impossível fixar a atenção no pequeno caldeirão a sua frente. Ao menos, não quando a floresta a sua volta pululava, viva e perigosa. O medo pelo pai e os seus dois amigos lhe comprimia o estômago de tal forma, que ele mal conseguia falar. Finalmente, Lily acabou a poção, sem a sua ajuda, é claro, e ordenou que fossem dormir. Mal tinham relaxado e um uivo longínquo cortou a noite. Nenhum deles se moveu e, depois de tempo o suficiente para se convencerem que a noite anterior não se repetiria, voltaram a se acomodar. Hermione começou a chorar baixinho e Harry observou a mãe abraçá-la. Ele viu quando as duas, com os rostos molhados, finalmente dormiram. Viu também Little John cabecear várias vezes, mas manter-se em alerta até que Hagrid retornasse. Quando o gigante mandou seu caçula dormir, Harry perdeu a consciência e só a recobrou sob os raios de sol do dia seguinte.
A poção de Lily foi muito eficiente. Colocou todos aqueles homens mal dormidos em plena disposição e eles puderam partir do acampamento ainda pela manhã. Como estavam indo mais lentamente, o castelo ficara mais distante, mas Harry não reclamou até a amizade nascente entre Hermione sua mãe começar a lhe parecer perigosa.
As duas pareciam ter um acordo mudo de falar de assuntos leves e distrair a disposição de todos. Nas primeiras palavras que trocaram ficou bem claro que James seria um tabu entre elas. Hermione obviamente tomava o partido do irmão e não se furtou a mostrar isso. Contudo, diplomaticamente a garota preferiu não se meter entre os dois. Harry achou que alguns olhares sutis de James a haviam contido nesse sentido. O problema foi que logo elas acharam um assunto perfeitamente afável e sobre o qual ambas pareciam dispostas a concordar. Dispostas demais na opinião de Harry. Especialmente porque o assunto era ele.
Hermione se mostrou chocada ao saber que Harry fugira das aulas em que a mãe tentou lhe ensinar as letras. O motivo dele também não a comoveu e Lily ajudou a envergonhá-lo ainda mais, narrando sua versão dos fatos.
– Então o Dudley, e você não imagina o quanto o meu sobrinho é torpe, começou a colocar na cabeça do Harry que eu o educava porque queria que ele se tornasse padre! Foi a mesma coisa que envenenar os livros. Foram tantas horas desperdiçadas, que tive de abandonar a idéia por um tempo.
Harry rolou os olhos. Infelizmente, nem o pai nem o padrinho lhe ofereceram qualquer solidariedade. Ambos riam demais para isso.
– Bem – completou Hermione, muito segura – agora não há motivos para ele fugir, pois sabe que não será padre. De qualquer modo, não vou permitir que ele se torne um desses senhores analfabetos. Isso pode não ter importância nenhuma entre os comuns, mas seria uma vergonha para um bruxo. De fato – ela ergueu o queixo, resoluta – acho que devemos montar uma escola no castelo. O que acha James?
O pai de Harry ignorou o olhar suplicante do filho. Parecia divertir-se muito com tudo aquilo.
– Uma escola? E como você fará com sua educação junto à Minerva?
– Ora, pensei que você a faria vir ao castelo para auxiliar na educação mágica do Harry. Não foi o que pensou quando a convidou para vir nos visitar?
– Você não perde nada, não é?
– Bem, ele não pode ir para uma escola cheia de garotas e eu certamente serei mais útil no castelo Potter do que – ela girou os olhos – tendo de discutir com aquelas meninas se é mais relevante aprender feitiços de fiação do que feitiços verdadeiramente importantes, como defesa e tudo mais.
A essa altura até mesmo Remus, que andava um pouco arriado sobre o cavalo, ria. Sirius continha gargalhadas e Harry sabia que parte delas eram por sua expressão de pavor.
– O que está sugerindo? – perguntou James.
– Bem, eu posso humm... – ela buscou a palavra exata – coordenar uma pequena escola no castelo. Podemos chamar alguns mestres para nos ensinar. Contaríamos com Remus e até com você e Sirius. Lady Lily certamente nos ajudaria, não é? E, claro, não seremos apenas Harry e eu. Ginny com certeza se juntaria à gente, porque ela iria começar a escola junto comigo no próximo outono. Não foi o que você e Madame Weasley combinaram? Bem, acho que a presença de Harry convenceria o turrão do Ronald a aprender alguma coisa que não fosse tentar imitar os gêmeos. – Ela tomou fôlego. – Será que conseguiríamos que Fred e George participassem?
– Apenas se for uma ordem – retorquiu James rindo abertamente. – É uma boa idéia, Hermione. Não imagina como me deixa orgulhoso vê-la assumir as responsabilidades de uma verdadeira dama.
Harry ignorou o sorriso meio encabulado, meio pretensioso de Hermione.
– Mas... – tentou, sabendo que era provavelmente inútil.
– Ela tem razão, Harry. Você vai herdar uma posição importante e precisará mais do que alguma varinha e feitiços para ser respeitado – James fez um grande esforço para falar aquilo com seriedade.
– Eu sei. Só que...
– Ninguém quer que você seja padre – lhe disse Lily, que também tinha riso na voz.
Harry respirou fundo, cada vez mais amuado.
– Eu entendi, – resmungou – mas eu pensei que iria aprender a ser um cavaleiro.
– Uma coisa não exclui a outra – disse Sirius. – Deixe a cavalaria por nossa conta e as letras com Hermione. Que tal?
O deboche do padrinho lhe incomodou. Tinha a impressão de que pelo menos Sirius diria que aquilo era um exagero. Ele ia argumentar com o cansaço das lições de cavalaria, mas não teve chance. Esbanjando plena felicidade, Hermione se pôs a traçar planos e mais planos, que contaram com o auxílio entusiasmado de sua mãe e até mesmo com dicas e opiniões de Remus. Não que ele tivesse algo contra saber ler, apenas não via no que aquilo poderia lhe ajudar. Ainda mais, imaginando as batalhas que teria pela frente. Até aquele dia, somente vira ler uma pessoa além de sua mãe. Um padre vindo de Oxford e que parecia tão seboso quanto o único livro que carregava e ele passara um sermão inteiro falando do fim do mundo. E, o pior, sua leitura não parecia apontar qualquer alternativa para impedir isso. De que servia então?
O resto da tarde foi consumido pelos planos de Hermione e somente à noite ela pareceu disposta a calar-se um pouco. Harry agora compreendia o que Sirius dissera sobre gostar dela. Não que ele não gostasse. Mas a disposição dela para “ser” sua tia e agir como tal era, no mínimo, irritante.
Aquela foi mais uma noite tensa, mas a última por pelo menos um mês. O dia seguinte pareceu a Harry incrivelmente mais luminoso. Remus, embora exausto, parecia alguém saído de um pesadelo e tudo se tornava mais leve sem a perspectiva de outra noite de terror. Hermione teve menos chance de ficar elaborando sua recém criada “Escola para fazer de Harry Potter um bruxo senhor de terras”. O humor de seu pai e de Sirius a impediram de continuar com qualquer coisa séria. Hagrid também ajudou. Menos preocupado com Remus, ele se pôs a contar piadas e depois passava horas se desculpando das mais grosseiras por causa do vermelhão de Hermione e da simples presença de Lily que, de qualquer forma, não parecia se incomodar.
De tudo, uma coisa servia para que Harry não lamentasse de todo o episódio com os lobos. Seus pais pareciam ter acordado uma trégua. As mãos dadas que Harry surpreendera não se repetiram, e ele precisou justificá-las, para si mesmo, apenas com uma galanteria de seu pai ao ajudar Lily com o terreno da floresta. Os dois também não conversavam diretamente e evitavam qualquer polêmica. Mas Harry achou que, mais de uma vez, tinha notado Lily examinando James com atenção. Eram olhares cheios de dúvida que ela se apressava em disfarçar assim que notava que alguém tinha percebido. Dolorosamente, Harry anotou que James não retribuiu nenhum daqueles olhares.
Little John anunciou que em seguida começariam a descer o vale e que logo poderiam ver o castelo. Harry sentiu uma alegria descomunal tomá-lo. E quando se perguntou se era porque seu pai era o senhor a resposta foi negativa. Obviamente que a magia que devia haver ali atraia em muito a sua curiosidade, mas era uma palavra que seu pai não parava de usar a responsável por toda a sua felicidade. James chamava aquele lugar de casa, de lar. Isso já era maravilhoso o bastante para Harry de qualquer maneira, mesmo que fosse uma choupana. Ele sorriu intimamente. Só que era um castelo...
– Teremos companhia – anunciou Remus com a voz grave.
Uma espécie corrente de estremecimentos passou por todos e Harry notou que as posturas relaxadas abandonaram a pequena comitiva.
– De que tipo? – quis saber Sirius.
– Estão logo após a curva, subindo a colina para cá – respondeu Remus. Ele fechou os olhos um instante e depois disse. – Uma boa quantidade de homens e cavalos.
– Um exército? – James tocou na espada em sua cintura, mas Remus negou.
– Parece uma comitiva. Maior que a nossa.
– Talvez devamos sair da estrada, Sir – sugeriu Little John.
– Estou nos limites das minhas terras, John. Não gosto da idéia de me esconder.
Sem esperar qualquer deliberação, Sirius esporeou o cavalo e avançou. Várias jardas à frente o terreno curvava, era onde se iniciava a descida para o vale e dali, certamente, seria possível ver o grupo que se aproximava. Harry se inclinou, curioso, para Remus que estava ao seu lado.
– Como pode saber?
Remus lhe devolveu um sorriso fraco e resignado.
– Ainda é lua cheia, Harry. O lobo não foi embora. – Explicou ele com a voz pausada. – Eu posso farejar.
Instantes depois, Sirius já retornava para junto deles com cara de pouquíssimos amigos.
– É provocação – rosnou ele furioso. – Tem uma cobra grande e branca rastejando aqui para cima.
– Malfoy?! – James pareceu igualmente irritado. Harry se lembrou de ouvir o nome, sem saber exatamente quando.
– Quem mais? – retrucou Sirius. – O que ele está fazendo aqui? Achei que o desgraçado estava no sul!
– Viajar rápido não é problema – disse Remus. – Nós só estamos indo devagar por causa das crianças.
Harry não gostou do termo.
– Não, não é – disse James pensativo. – O que quero saber é: o que ele está fazendo tão perto da minha casa?
– Conhecendo Lucius Malfoy – juntou-se Hagrid, falando entre os dentes – boa coisa é que não é.
Com um movimento rápido, James enfiou a mão dentro da própria túnica e tirou de lá algo que Harry precisou forçar os olhos para entender o que era. Lembrava um tecido, mas Harry tinha certeza de jamais ter visto algo como aquilo. Era escuro, mas parecia, ao se mover, com água. Tinha a mesma fluidez, porém não se esparramava. Para sua surpresa, o pai lhe jogou o que quer que aquilo fosse. Harry apanhou no ar e se surpreendeu por não ser algo molhado.
– O que é isso?
– Uma capa de invisibilidade – respondeu o pai. – Vista-a já!
O garoto arregalou os olhos. Pensou em perguntar um monte de coisas, a começar por quem era Malfoy, mas Remus lhe fez um breve sinal que não haveria tempo para isso. Resignado, Harry jogou o tecido fluido sobre si e percebeu maravilhado que não podia ver seus braços e imaginou que seu cavalo parecia não conduzir ninguém. Não demorou muito essa sensação, Remus tocou o cavalo com a ponta de sua varinha e ele também sumiu.
– Uau! – ofegou Harry.
– O que faremos com Lily? – perguntou Sirius. – Eles a reconhecerão. Tenho a impressão de ter visto o cretino do Snape com eles.
Os olhos de Lily arregalaram, mas ela não teve chance de dizer qualquer coisa.
– Talvez possamos mudar o cabelo dela novamente – sugeriu Remus.
– Nem pensar – disse James. Ele movimentou o cavalo até estar ao lado do dela. – Venha para o meu cavalo, Lily.
– James, eu não acho...
– Será que você pode deixar para discutir depois? – ele falou com urgência. – Venha de uma vez! Estou tentando proteger o Harry!
O rosto da mulher avermelhou, mas a última frase foi o bastante para ela. Lily pulou para a garupa do marido, resmungando baixinho, xingando-o, mas ele não fez mais do que fazer uma expressão de pouco caso. No momento seguinte, Harry viu o cavalo de sua mãe sumir a um toque de varinha de Sirius e, por fim, ela também desapareceu. James havia erguido a sua varinha e tocado no alto da cabeça dela. O garoto novamente ofegou. Só sabia que ela estava ali porque percebeu que a mão que o pai colocara firmemente na cintura, estava prendendo as mãos dela.
– Fique bem quieto – disse Hermione se postando de um lado dele. Do outro, ficou Remus, Sirius avançou e ficou junto de James e Lily. Os dois gigantes estavam logo atrás com seus cavalos pesados.
– Que feitiço usaram na minha mãe? – ele surrou com urgência para Hermione. Já era possível ouvir o tropel dos cavalos.
– Feitiço de desilusão – ela respondeu pelo canto da boca.
– Por que não usaram em mim?
– A capa é resistente aos feitiços de detecção – ela explicou. – O outro não.
Harry abriu a boca, mas Remus mandou-os ficar em silêncio, a primeira parelha da comitiva de Malfoy surgia naquele momento, na curva da estrada. Os cavalos não vinham rápido, mas diminuíram assim que viram que havia gente vindo na direção contrária. Eram em torno de uns vinte homens em trajes de cavalaria. Harry notou que o homem da frente tinha um cabelo longo, de um louro prateado e vestia roupas impressionantemente detalhadas. Pretas com bordados em prata e ouro. Algo que Harry, mesmo conhecendo pouco do mundo dos bruxos ricos, achou impróprio para viajar. Logo atrás dele, um homem de armadura, com a barba escura saltando do rosto carregava um estandarte. Uma flâmula negra com uma cobra branca enroscada sobre si mesma, pronta para o bote.
Ao lado direito do homem de cabelos prateados cavalgava um garoto, cuja semelhança com ele era tão evidente que só poderia ser seu filho. Harry calculou que este deveria regular com ele de idade. Vinha com o queixo muito erguido numa atitude arrogante. À esquerda do líder, que a essa altura Harry já deduzira se tratar do tal Lucius Malfoy, vinha um homem de cabelos escuros, pesados, que lhe chegavam aos ombros. Foi o primeiro a reconhecer a comitiva de James Potter e o que pareceu mais irritado.
Os dois grupos não pararam até estarem bem próximos.
– Potter! – saudou o homem de cabelos prateados e algo na memória de Harry ativou.
– Malfoy.
– Ouvi dizer que estava no sul.
– Ouvi o mesmo a seu respeito – retrucou James.
– Ora Potter, é verão. É uma ótima época para viajar, não é?
– E eu posso saber o que o faz viajar para as minhas terras? – perguntou James no mesmo tom agradável, embora ferino.
– Suas terras? – caçoou Lucius Malfoy, os olhos azuis cinzentos cheios de desprezo. Harry ouviu Hagrid rosnar atrás dele. – Claro. Na verdade, fizemos um pequeno desvio de Nothingham. Meu amigo Severus tinha alguns negócios para liquidar em Godric’s Hallow.
– Sério? – questionou Sirius. – Achei que seus negócios por aqui tivessem morrido junto com a sua mãe, Severus.
Não era difícil notar a forte aversão entre Sirius e o homem chamado Severus, muito embora, o olhar homicida deste estivesse em James. Harry já havia decidido que não gostava de Malfoy e, com certeza, também não gostava nem um pouco de seu companheiro, cujo nariz adunco e os cabelos pesados e oleosos lhe pareceram repulsivos.
– Meus negócios nunca foram da sua conta, Black! – o desprezo dele escorreu por cada palavra.
– Nas minhas terras, os negócios de qualquer um, são da minha conta, Snape – a voz macia de James não enganava ninguém.
Lucius riu e lançou um olhar divertido para Snape que mal retribuiu.
– Isso vai mudar, Potter – ele comentou ajeitando a capa de forma casual. O efeito foi ofensivo.
– Sério? Deus desceu a terra e mudou as regras? Ninguém me avisou.
– Deus não. Mas o rei...
– Ricardo está de partida para a Terra Santa – retorquiu Sirius, perdendo a paciência.
– Mas, como devem saber, o Príncipe John irá assumir a regência.
– Não existe nenhuma lei no costume que permita ao regente modificar o poder dos barões – comentou Remus e em troca recebeu um olhar de asco dos dois Malfoys e de Snape. Harry se sentiu pessoalmente ofendido com aquilo.
– Mas o regente pode nomear seus olhos e ouvidos por todo o reino, não é mesmo? – afirmou Malfoy. – Estamos indo para Londres. O Príncipe John irá nomear o nosso Severus, Xerife de Nottinghan!
Não precisava de muita atenção para perceber que nenhum dos homens que acompanhavam Harry havia gostado da notícia. Sirius chegou a ajeitar-se belicosamente no cavalo e Lucius percebeu sua ação intempestiva com um olhar de prazer.
– Como vê, Potter? A partir de agora, o que acontece em suas terras não é apenas da sua conta. – Havia um prazer inegável nas palavras de Snape. – Aliás, sua ignorância sobre o que acontece, mesmo agora, é notável.
E Sirius reagiu imediatamente. Harry viu Remus lançar o cavalo à frente e segurá-lo pelas costas antes que ele fizesse uma bobagem. Lucius divertiu-se ainda mais.
– Seus cães parecem nervosos hoje, Potter. Acho que com as novas regras, você será obrigado a mantê-los na linha.
James tremeu levemente, mas quando falou sua voz era calma.
– Lucius, você está acompanhado do seu filho, não creio que seja uma boa educação para um garoto ver o pai ser humilhado – os lábios de Lucius se tornaram uma linha fina e o filho pareceu indignado. – Sim, e você sabe que mesmo com a diferença de número podemos ser bem indigestos. De fato, você o Snape devem lembrar com clareza disso, não é? – Havia um sorriso desafiador na sua voz. – E, enquanto as novas regras não se instalarem, a voz mais alta nesse lugar ainda é minha!
Lucius ergueu a cabeça, furioso. Snape tinha uma expressão que beirava a náusea ao olhar para James e para o sorriso triunfante de Sirius.
– Eu tenho uma idéia – disse James. – Ambos viraremos os nossos cavalos para a esquerda e seguiremos em frente, o que acham? – Ele não esperou resposta e encarou o novo xerife belicosamente. – E, Snape! Até ter um símbolo real em suas mãos, eu não espero vê-lo por aqui sem a minha expressa permissão.
Juntando ação às palavras, James fez um sinal e todo o grupo tomou o rumo da esquerda abrindo espaço para a comitiva de Malfoy passar. Depois ficou olhando com autoridade para eles, a mão casualmente amparada na espada. Snape não fugiu ao olhar de James e Harry percebeu que seu pai podia não gostar de Malfoy, porém, era claro que ele e o futuro xerife se odiavam profundamente. Parecendo resolver que era melhor não puxar briga, Malfoy fez um sinal e sua comitiva passou pelo lado direito apressando o galope. Harry ainda teve tempo de desgostar ainda mais dos Malfoy, quando o filho de Lucius mirou Hermione e Remus, que estavam ao seu lado, com uma expressão de nojo.
– Grrr... – Hermione foi a primeira a se manifestar, mas o fez em voz baixa, apenas para Harry. – Um dia eu acerto o queixo desse garoto. Criatura nojenta!
– Qual é o nome dele? – perguntou Harry no mesmo tom, ainda sob a capa.
– Draco – ela respondeu como se aquilo lhe desse dor de estômago e Harry não pôde culpá-la. O menino não tinha aberto a boca e ele tivera vontade de socá-lo apenas pelo jeito com que ele olhava para tudo e todos.
– Sumiram – anunciou Little John que acompanhara a comitiva com os olhos até ela desaparecer na curva da estrada.
– Não gostei nada do que ele disse – reclamou Hagrid. – Isso é problema. Problema grande! Snape! Xerife! Estamos bem arrumados! É colocar a raposa para vigiar as galinhas.
– Por que não me deixou tirar o risinho da cara daquele Malfoy, James? – Sirius parecia igualmente inconformado. – Em outra ocasião ele teria saído daqui com a crista no meio das pernas.
– Em outra ocasião Sirius, – concordou James – mas numa em que não precisássemos expor Harry e Hermione.
O outro fez um muxoxo se debruçando sobre o cavalo.
– O que acha, Remus? – James perguntou.
– O mesmo que Hagrid. Teremos problemas.
– Teremos? É isso que vocês pensam? Se eu não tivesse medo que Snape visse Lily e Harry na minha cabeça, eu teria tentado sondar a mente dele.
– Por que diz isso? – a voz incorpórea de Lily saiu insólita da garupa do cavalo de James.
Harry tirou a capa da cabeça como se isso o pudesse ajudar a ver melhor.
– Porque Snape não tem nada nesta região. Vendeu tudo que era da mãe depois que ela morreu. – James negou com a cabeça. – Não! Alguma coisa me diz que há algo errado. Snape mal me provocou, estava quieto demais, não estava se vangloriando. Parecia saber algo importante, mais importante que essa ridícula nomeação para xerife. Se ele soubesse que você tinha voltado, ainda teria algum sentido – ele resmungou. – Não – repetiu. – Tem algo aí. E eu definitivamente não gosto. Vamos acelerar até em casa.
Em pouco tempo, Harry havia devolvido a capa para o pai e seu cavalo, bem como Lily e o cavalo dela, ficaram novamente visíveis. O garoto tinha centenas de perguntas, mas ao mesmo tempo o semblante preocupado de James desaconselhava questões. Mesmo Sirius e Remus pareciam querer poupar fôlego para viajarem mais rapidamente.
Harry queria ter visto a aldeia com mais cuidado, mas James decidiu evitar o centro da vila e ele teve de se contentar em ver o amontoado de casas que era Godric’s Hallow ao longe.
Cavalgaram até que o sol chegasse quase à altura dos olhos de Harry e então ele o viu. Teria gostado do lugar de qualquer maneira. Fosse ele como fosse. Tinha certeza disso. Porém, mal conseguiu ocultar seu deslumbramento. O castelo Potter era mágico mesmo por fora. Ao menos na opinião de Harry. No fundo do vale corria um rio de águas calmas e quando este alargava, parecendo um lago cercado de colinas, uma ilha em seu leito abrigava, imponente, um castelo de pedras cinza-claras. Harry contou com fascinação as cinco torres encimadas pelas bandeiras com a cor de seu pai, um vermelho sanguíneo com a heráldica de um leão dourado. Uma ponte longa e coberta unia o castelo até a terra e Harry viu dois barcos atracados junto à margem da ilha.
Foi o único momento em que James olhou para trás. Harry lhe sorriu feliz, mas percebeu que o pai tinha imaginado aquela chegada de outra maneira. E que sua sensação de mau agouro devia ser muito forte, pois, do contrário, ele não perderia de aproveitar as expressões maravilhadas do filho.
Harry ouviu alguém gritar do alto da torre. Anunciava a chegada do senhor. Imediatamente, o portão junto ao castelo começou a se abrir. O grupo atravessou um pouco mais lentamente a ponte de madeira. Harry conjugava sua emoção em ver tudo aquilo, com sua apreensão pela ansiedade em que, obviamente, mergulhara o seu pai. Ninguém parecia disposto a tentar acalmá-lo. Nem mesmo Lily.
Irromperam dentro dos portões, mas tudo o que Harry pretendia abarcar com os olhos do imenso pátio sumiu com um grito feminino. Uma mulher saía da porta principal correndo na direção deles. Era baixa, gordinha, e tinha cabelos ruivos. Atrás dela irrompeu uma grande quantidade de pessoas, a maioria delas também tinha os cabelos vermelhos. Harry contou um homem mais velho e um grupo de quatro garotos. Dois deles absolutamente iguais, um de cabelos crespos e outro, cuja face vermelha a apavorada disse a Harry quase tanto quanto os gritos da mãe.
James, Sirius e Remus saltaram dos cavalos e logo a mulher estava sobre eles, debulhada em lágrimas. Ela jogou os braços no pescoço de James que olhava tudo atônito, mas não a rejeitou. Abraçou-a e perguntou por sobre sua cabeça.
– Molly! Meu Deus! O que houve? Molly? Artur?
O homem mais velho também parecia transtornado.
– A minha Ginny, James... Ela sumiu. Não a encontramos em lugar nenhum. Apenas...
Os temores de James estavam todos ali, diante deles. Harry desceu do cavalo e ajudou Hermione.
– Apenas o que, homem! – exortou Sirius.
Mas foi o garoto mais jovem, o com o rosto afogueado e o nariz comprido que respondeu. Harry notou grossas e silenciosas lágrimas escorrendo pelas faces dele. Ele estendeu para James o que Harry, com um arrepio desagradável na espinha, identificou como uma mecha de cabelo cor de fogo manchada de sangue.
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N/B: Então. Certo. O que foi isso???? Qual foi a carreta bi-trem 12 rodas puxada por Scania 124 que me atropelou? Alguém anotou a placa??? =O – Começamos com um flash black que, como diria o Bê (;D) foi FOFO!!! – Porém, com ele veio Sebs... Digo, Severus. Ele vai ser xerife é????? Misericórdia! – Muito divertida a passagem da Lily e da Mione esquematizando a vida escolar do Harry! Consegui enxergar o apavoramento dele! =D - E daí, quando eu penso que será só chegar neste castelo onde eu amaria viver, junto com Sebs me aparecem os Malfoy??????? Judiou, Anam! O aprendiz albino de sociopata já revirou meu estômago, sem abrir a boca. Imagino o que vem por aí... – O. O – Agora, O QUE É QUE ACONTECEU COM A GINNY?????????? Por Merlin, Anam, me conte! NOS conte! Logo! Por favor??????? ;D – Impecável em cada reação, espontânea ou premeditada, em cada olhar, em cada sugestão, em cada nuance de problemas vindouros. Perfeito em cada reação dos personagens, tanto que é fácil visualizá-los ali, bem próximos de nós! APLAUSOS, SALLY! De novo e de novo! Ensurdecedores e entusiasmados! Beijo no seu coração! Te adoro e admiro! Até o próximo!!! =D – P.s.: O e-mail com a explicação sobre a Ginny já está a caminho, né???? ;D ;D ;D ;D Beijo!
N/A: Apesar de ser praticamente um capítulo de ligação, eu realmente gostei de escrever este. Espero que vocês também tenham gostado de ler. Novamente terei de ser rápida nas notas é respostas. É o preço por postar rápido, espero que compreendam.
De mais, convido a olharem as novas artes que coloquei no meu Multiply e no Orkut. Nossa querida Sô Prates está cada vez melhor e seu talento cada vez mais evidente. O que acharam da arte que coloquei na capa? Não resisti. Achei perfeita para o fim do capítulo passado e o início deste.
Ganhei dois presentes esta semana.
A Alessandra Amorim editorou os primeiros capítulos da Floresta em forma de livro. Ahh gente, bateu uma emoção!!! Estou pensando numa forma de disponibilizar isso, caso alguém tenha interesse.
Depois, ganhei mais uma capa linda da Gessy Sekmet. Assim, como a que o Henrique Malfoy me deu é cheia de mistério. Está no meu Orkut e no Multiply. Certamente vou usá-la mais adiante quando o capítulo da fic ficar perfeitinho com ela.
Muito obrigada, meninas! Eu realmente adorei os presentes! =D
Respondendo rapidinho:
Thiago Florêncio – Muito obrigada mesmo, Thiago. Respondendo: Anam, vem de Anam Cara. É um termo celta que significa “amiga da alma”. Bonito, não? E, no nosso caso, bem real. Beijos!
Guida Potter – Valeu querida! Sabe o que é pior? Eles ainda terão muito para repreender no Harry, hihi. Tb me dói a história da Autunm, contarei mais dela para vocês no futuro. Bj!
Tonks Butterfly – Eii eu não assisto novela mexicana! Rsrs Só Bety, a feia, mas foi uma fase da minha vida, hahaha. Mas que graça tem um romance simples? Como se eles fossem todos na vida real. Ainda mais o caso deles (não é só o Remus que tem um probleminha peludo, não?). Sim, eu andei lá. Vou comentar com certeza. Bjão querida!
Ginny Potter – Eu tb amo o Dumbledore. Sempre!! Sim, o James foi duro, mas a situação entre os dois é muito delicada, ainda. Fico feliz que tenha curtido. Um beijo enorme.
Regina McGonagall – Ahh essa dupla ainda vai aprontar. Acho os dois muito divertidos, grandalhões com o coração maior ainda. Adorei o seu sonho. Beijos, amiga.
Lica Martins – Hehe, feliz com o seu comentário, linda. Pois é, mas amor, depois de todos esses anos, eles terão de redescobrir isso. Aliás, esse é o nosso prazer, não? Ver como acontece, hihi. Bjão para vc e a Cacá.
Aluada – É, acho que ele terá de se acostumar com isso, rsrs. Bjs linda!
Tonks & Lupin – Boa avaliação deles. Os dois endureceram bastante, por isso a prévia de como eles eram antes para vocês notarem as diferenças. Gostou? Beijocas.
Drika Granger – Rs, claro que está desculpada, linda. Sem problema. Óculos é um bom nome... vou pensar nisso, hihi. Bj.
Cassandra Melissa Wisney – Eu sei... também acho muito sofrido o destino do Remus. Aliás, acho que os Marotos pagaram caro demais. Sim, aguarde, vem muito por aí. Bjs
Sô – O Harry ainda vai ter muito que aprender sobre ser filho de James Potter, em vários sentidos. Vc vai acompanhar isso, né querida? Muito, mas muito obrigada pelo seu comentário. Ele foi um bálsamo, sabia? Te adoro.
Danielle Pereira – Você sabia que Hermione significa “Eloqüente”? Rsrs Acho que combina, não é? A escola é sim apenas para meninas. O estudo dos rapazes era diferente e Minerva e as outras se preocupam mais com as pessoas que não podem ser ensinadas pelos familiares. Ginny tem uma grande família bruxa, tem poucos furos em sua educação. Diferente da Mione que foi criada por trouxas até os 11 anos. Como eu disse, ela iria começar a escola no próximo outono, mas os planos mudaram. Respondi? Bjs.
Clara – Obrigada, Clarinha. Fico feliz em acertar nas cenas de ação, elas sempre foram meu calo, o romance também, eu admito. Ainda bem que o treino tem ajudado, hehe. Beijão!
Kelly – Que bom que gostou da história dos Weasley =D Eles são realmente especiais. Sim, eu gosto muito da cumplicidade do Harry com a Hermione. Os dois sabem colocar limites um no outro. Claro, isso ainda não começou, mas logo, logo... Beijos!
Bernardo Cardoso – Estou chegando lá meu amigo! Beijos enormes e saudades da sua fic!
Mirella Silveira – Ainda vai demorar um pouco para eles se acertarem, Mirella. E sim, a Ginny é, digamos, bem metidinha, rsrs. Bjs.
Sônia Sag – Ser consolada da forma Potter, é? Haha Confesso que a idéia é para lá de agradável. Mas o melhor comentário não está aqui e sim em: Ele não é a última coca gelada no deserto?? Me acabei de rir. Te amo, Anam!
Gina W. Potter – O gostinho vai vir, mas as coisas boas merecem calma na degustação, não é? Obrigada sempre, querida.
Myrthes – Sem dúvida, não há elogio melhor =D Tb adoro a mania de herói do Harry, ainda mais porque ele nem percebe que faz isso, hehe. Bjs.
Doug Potter – Valeu, querido!
Bruna Perazolo – Obrigada, linda. Sim, já existia. Mas assim como no presente, aparatar é algo difícil e não recomendado aos mais jovens. Será preciso ao Harry e aos amigos aprender a fazer isso. Os mais velhos estão acostumados às viagens longas. Ainda mais quando se fazem acompanhar por gente comum, o que era o caso do James. Respondi?
Pedro Henrique Freitas – Obrigada, querido! Bem, respondendo. A timidez do Harry vem um pouco da novidade em ser foco de atenção. Talvez, ele se acostume com isso. A Ginny? Chata? Ahh não seria ela se fosse assim. E claro, terá muita ação e aventura nesta fic. Esse é o mote dela =D
Jéssica M. Adams – Rsrs acho que todo mundo quer ter um Hagrid, né? A gente acha um lugar para ele, ele é tão incrível que nem ocupa espaço, hehe. Sim, você avaliou bem a relação do Harry com as mulheres e agora ele terá uma enxurrada delas a sua volta, hehe. Vamos ver como ele se sai. Bjs!
Bruna Britti – Que bom que vc está se cuidando, querida. Não brinque com isso. Fico feliz que tenha gostado tanto. Beijocas!
Kika – Como sempre, né? Hehe. Beijos amada!
Nath Evans – Obrigada querida! Respondendo: 1. Ainda não é agora. 2. As passagens de tempo serão suaves, pois tem muita coisa para acontecer. 3. Falo sim, eu tb adoro as notas dela! 4. Sou profe. 5. Penso exatamente o mesmo sobre o Voldemort. MATAAA! Rsrs Beijão!
Fabíolo Cardoso – Que bom que você gostou de tudo, querida. Beijos.
Tatiane Evans – Nossa! É a primeira vez que recebo esta comparação, mas aceito com reverência. Ele é e sempre será um dos meus favoritos. E, confesso, já me inspirei nos contos góticos dele mais de uma vez para escrever. Leia o conto chamado “Demônios”. É um show!
Maionese – Muito obrigada, mesmo, querida!!!! De coração.
Charlotte Ravenclaw – Ahh demorou, mas veio, foi uma pena não ter a sua leitura prévia neste. Fico feliz que tenha gostado. Um beijão amada!
Loko Loko – Rsrsrs Mais rápido que um por semana é impossibilidade física, querido, hehe. Obrigada e beijos.
Ribeiro – Hum, a poção “Mata Cão” é recente até mesmo no presente, então acho que ela não vai aparecer, mas tenho outras formas de acalmar o lobo, aguarde. Quanto ao Harry, tudo a seu tempo, né? Hehe Beijão!
Alessandra Amorim – Duas da manhã? Menina!!! Rsrs Isso é um elogio tão grande quanto o seu presente. De novo, obrigada! Eu amei!
Naty L. Potter – Não há do que se desculpar, querida. Acontece de não se gostar de alguma coisa. Mas, como a história é reciclada, eu assumo todas as diferenças em relação à original porque elas servem a minha história. Entende? Bjão!
Naty L. Potter – Aha! Achou que seria só um, né? Rsrs Tb amo a amizade dos dois, aliás dos três, espere o Rony realmente chegar. Que bom que gostou da ação querida. Vai ter muita ainda hehe. Beijocas mil.
Gente, talvez o próximo demore um pouco mais que uma semana, ok?
Porém, eu prometo que será grandão.
Beijos estalados
Sally
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