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24. Capítulo 23: Os Motivos


Fic: Férias de Verão


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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CAPÍTULO 23: OS MOTIVOS

********************

CRACK!

Hermione fechou os olhos e sentiu o cheiro familiar. Ao abrí-los viu que estava no quintal, de frente para a porta. Dentro da casa ainda havia luzes acesas... Certamente a dona da casa ainda estava arrumando alguma coisa. Então a moça bateu com a mão na cabeça em sinal de frustração.

Droga! Como eu me esqueci disso? É claro que Molly ainda está acordada e vai querer saber o que estou fazendo aqui há essa hora...

Mas ela não podia voltar... Não tinha pra onde ir...

- Hermione? – a figura de Molly apareceu na janela – Hermione querida é você?

E antes que Hermione pudesse se mexer, Molly saiu pela porta encarando-a com confusão.

- Ouvi o barulho de alguém aparatando... Querida, o que está fazendo aqui há essa hora?

- Vim ver a Gina... – respondeu ela sem ter o que dizer.

- Oh... Aconteceu alguma coisa?

- Não! Eu prometi que vinha dormir aqui com ela hoje... Mas só agora pude sair.

- A Gina não comentou nada...

- Culpa do Harry. Ele a está deixando muito aluada, não acha?

Hermione deu à senhora Weasley o sorriso mais confiante que pôde, esperando que ela acreditasse em sua mal interpretada calma. Molly pareceu considerar um pouco, mas resolveu não insistir. Sabia que se algo tivesse acontecido, Hermione não lhe diria... Ao menos não naquele momento.

- Bom, - disse Molly – Infelizmente, a Gina não está... Recebeu um chamado do hospital... Mas ela disse que vem pra casa assim que acabar.

- Oh... – respondeu Hermione desolada.

- Mas pode esperar no quarto dela, se quiser...

- Obrigada Molly... Eu acho melhor.

Hermione subiu as escadas lentamente e entrou no quarto de Gina. A decoração estava bem diferente de quando ela ainda estava em Hogwarts. A pintura cor de rosa deu lugar a um papel de parede em tons pastéis. Havia uma cama larga ao centro, um guarda-roupa ao canto, uma prateleira entulhada de livros, outra com bichinhos de pelúcia, duas mesinhas de cabeceira e na parede da esquerda uma grande janela.

Escondeu o rosto nas mãos. Não podia acreditar no que estava acontecendo... Não podia acreditar no que ela tinha feito! Em sua cabeça era algo fora de cogitação e como num passe de mágica... Aconteceu!

Mas era algo tão lógico! Como fora tão estúpida de não imaginar que isto aconteceria? Somente os dois naquela casa... O Rony carente...

Sim, porque quase dois meses sem... Bom, sem! Isso devia ser muito para Ronald Weasley, que vivia rodeado de mulheres. Okay, okay... Ela tinha que admitir que também estava sentindo-se um pouco carente...

Sejamos francos, como ela resistiria a Ronald Weasley por mais tempo? Ele era tão... Tão... Atraente! Sedutor... Perfeito! Com aqueles fios cor de fogo, aquele corpo definido... Aqueles olhos profundamente azuis, aquela voz macia... Aquele sorriso inclinado....

“Calma Hermione” - dizia pra si mesma.

Tinha de manter a calma. Colocar a cabeça no lugar. Pensar logicamente. Ela simplesmente não podia se deixar apaixonar de novo! Não mesmo! Lembrava perfeitamente das dúvidas e angústias que aquele sentimento lhe causava. Num momento era tão perfeito e maravilhoso... No outro era dor e incerteza.

Sentou-se no parapeito da janela apelando para que seu lado racional vencesse mais essa batalha.

********************

Gina limpou as cinzas da roupa branca e saiu da lareira. Olhou ao redor e não estranhou o fato de a sala estar vazia. Caminhou para a cozinha e cumprimentou a, sempre muito atarefada, elfo.

- Bom dia Dafne! – disse Gina nervosa.

- Oh, minha senhora... Senhorita Weasley. É bom vê-la de novo, minha senhora.

- Onde estão Rony e Hermione?

- Oh... O senhor Weasley não desceu ainda... Na verdade, quando acordei, ele estava sentado no sofá e disse que não tinha fome. – ela ponderou um pouco e continuou – eu achei muito estranho. Depois ele subiu e a senhorita Granger ainda não desceu. Deve estar deitada ainda...

- Ah, claro que não! Ele faz a besteira e depois fica angustiado... – irritou-se Gina – vou subir e vê-lo.

Gina subiu as escadas, possessa. Como é que o idiota do Rony tinha coragem de fazer uma coisa daquelas! Tudo bem que ele era impulsivo... Tudo bem que ele queria defender o Harry, mas daí a xingar o Ministro... Era demais!

Será que ele não pensava nas conseqüências que isso ia trazer para sua carreira? Irresponsável, essa é a palavra pra defini-lo. Hermione devia pensar a mesma coisa e devia estar lhe dando um sermão nesse momento.

A ruiva balançou a cabeça e cerrou os punhos.

Toda a vida profissional de Rony estava em risco agora! Pois ele tinha mexido com gente grande... E com certeza seria perseguido...

Gina entrou no quarto do irmão sem nem bater na porta antes... Estava furiosa!

Mas ao vasculhar o aposento com os olhos, verificou que estava vazio. Então virou-se e bateu na porta do quarto da amiga. Talvez ele estivesse lá, ouvindo uma bronca de Hermione... Mas estava tudo tão silencioso...

Bateu novamente e ninguém atendeu. Então abriu a porta lentamente e observou o local. No canto esquerdo, estava Rony, sentado em uma poltrona. Com o aspecto cansado, olheiras profundas, mas os olhos muito atentos quando ela entrou no quarto.

- Ah, é você... – murmurou ele.

Em um segundo, a raiva de Gina transformou-se em preocupação, pelo estado em que seu irmão se encontrava.

- O que aconteceu? Cadê a Mione? – perguntou ela se aproximando dele.

- Não sei.

- Como não sabe?

- Ela foi embora...

- Embora? Mas... Pra onde?

- Eu não sei! – disse ele frustrado.

Gina observou o irmão afundar a mão nos cabelos muito vermelhos e praguejar baixinho.

Será que Hermione tinha ficado tão furiosa com a atitude dele que tinha simplesmente ido embora? Não. Esta definitivamente não seria a reação de Hermione. Ela ficaria ali brigando com ele durante todo o dia. Algo mais sério tinha acontecido ali.

- Rony... – Gina abaixou-se ao lado do irmão – O que aconteceu? Quando a Mione foi embora?

- Ontem à noite...

- Depois da aula de tango?

- Não. Não fomos à aula... A reunião do Ministério demorou mais do que devia... Eu...

- Eu sei o que aconteceu. Não se fala em outra coisa na St. Mungus... E em toda a comunidade bruxa. – ela respiro fundo – Eu quero saber o que aconteceu aqui. Por que a Mione foi embora...

Ele baixou os olhos e encarou o chão.

- Vocês brigaram de novo?

- Antes fosse... Aí eu saberia o que fazer.

- E com o quê você não sabe lidar?

- A gente... Bom... Ontem eu cheguei da reunião e droga! Eu não consegui me controlar... E...

- Ron?

- A gente... – ele suspirou – A gente acabou ali... – ele apontou para a cama de Hermione ainda com os lençóis remexidos.

- Vocês dormiram juntos?!?!?!?!

- Não – Gina levantou as sobrancelhas – Nem deu tempo pra boa e velha sonequinha... – disse ele sarcástico – A Hermione foi embora antes.

- Peraí... – Gina tentava entender a situação – Vocês finalmente desenrolaram... Aí a Mione se arrependeu... – ele afirmou com a cabeça – aí ela foi embora e você nem foi atrás?

- Ela aparatou Gina!

- Você procurou por ela?

- Não...

- Como não?!?!?! Ela deve estar na casa dos pais...

- Sim... – começou ele, sarcástico – aí eu ligo pra casa dos Granger no meio da noite: “Alô... Boa noite Sra. Granger! Sabe, eu e a Hermione transamos... E depois ela simplesmente sumiu... Ela por acaso não estaria aí, estaria?”

Gina revirou os olhos. Mas pensou que Rony realmente estava certo.

- Já tentou Hogwarts? Talvez ela tenha procurado McGonagall...

- Só iria preocupá-la também... E de desesperado aqui, basta eu. – ele ficou em silêncio alguns segundos e completou – Mas é bem capaz de ela ter corrido para lá...

- Bom, tem um jeito de a gente descobrir sem precisar incomodar a Minerva...

********************

- Bom dia Molly!

- Oh, Harry querido... Entre, entre... – disse a matriarca Weasley indo abraçar o futuro genro. – Venha, coma alguma coisa... Você está tão magrinho...

- Eu sou magro Molly. – disse ele rindo – acho que isso nunca vai mudar.

- Na verdade, eu acho que aquele elfo não cuida muito bem de você... É isso o que eu acho!

A senhora entortou a boca ao fim da afirmação, arrancando uma gargalhada de Harry. Ele já se sentia à vontade com a superproteção de sua “mãe de coração”.

- Na verdade, eu vim convidar a Gina pra tomarmos café no Beco Diagonal... Lógico, sem desmerecer sua comida maravilhosa – emendou ele ao perceber a expressão contrariada da sogra – Só pra fazermos algo diferente sabe... Romântico – acrescentou sem graça.

Em segundos a expressão indignada de Molly suavizou-se e transformou-se num sorriso terno e compreensivo.

- Oh, é uma pena querido... A Gina não está. Ela saiu para o hospital de madrugada... Ah, mas a Hermione está aí... Desde ontem – Molly assumiu uma expressão preocupada. – Eu sei que aconteceu alguma coisa... Mas ela não quer me dizer...

- Talvez seja melhor eu subir e falar com ela... – cortou Harry também preocupado pela descrição feita por Molly.

Harry subiu as escadas rapidamente, mas sem fazer barulho e entrou devagar no quarto de Gina. Assim que ele abriu a porta Hermione, que estava sentada no parapeito da janela, virou o rosto rapidamente em sua direção.

- Gina? – assumiu uma expressão confusa, quando viu o amigo – Hã... Harry?

- Bom dia moça...

Hermione corou e baixou os olhos. Abria e fechava os lábios, tentando dizer algo, mas sua voz simplesmente tinha sumido.

- O que aconteceu? – disse Harry se aproximando.

- Como você me encontrou aqui? – atirou ela.

- Eu não estava procurando você... Na verdade, vim ver a Gina, que não está... Mas você sim.

- Eu... Eu... Hã... Eu também vim procurar Gina. Ficamos de procurar o vestido de noiva juntas...

- Ah, e você vai comprar um vestido de noiva com essa cara angustiada? – ele levantou o queixo dela fazendo com que a amiga o encarasse – Você e o Rony brigaram de novo?

De repente Harry deu um salto e colocou a mão no bolso. Hermione olhou intrigada, e ele apenas lhe lançava um sorriso envergonhado.

- É o meu celular...

Hermione não pode deixar de sorrir em meio às lágrimas, enquanto Harry se distanciava dela.

- Bom dia futura Srª. Potter! – disse ele baixinho.

- Oi amor... - disse Gina em tom de voz doce, mas de repente seu mudou para aflita - Precisamos do mapa do maroto urgente... Eu e Rony. A gente tá procurando a Mione, talvez ela esteja em Hogwarts, mas não queremos preocupar McGonagall... - ela disparava as palavras, sem nem se lembrar de respirar.

- Calma querida... A Mione tá aqui comigo... – alguma coisa, talvez o instinto, lhe dizia que devia continuar cochichando.

- Na sua casa?!

- Não, na Toca. Eu vim te procurar... E encontrei a Mione. Mas ela parece tão aflita...

- Eu tô na casa do Rony, vem pra cá

- E deixar a Mione nesse estado?

- Eu não quero deixar o Rony sozinho, garanto que é mais perigoso... Vem logo!

- Tá, tô indo... – ele nunca discutia quando a ruiva usava aquele tom de voz.

- Tô esperando... Beijo, te amo... [tu-tu-tu-tu]*

Harry desligou o telefone e foi até a morena que olhava fixamente para fora, perdida em seus pensamentos.

- Mione... Era do Ministério – desculpou-se ele – e eu tenho que correr pra lá... Eles querem meu sangue sabe?

- Cretinos. – ela disse sem o encarar.

- Bom, eu sei que daqui a pouco a Gi chega e vocês conversam... Já que você não vai me contar mesmo o que aconteceu né? – ele sorriu, ela também. – Fica tranqüila tá?

Ele deu um beijo nos cabelos castanhos e saiu.

********************

- Eu preciso falar com ela! – gritava Rony a plenos pulmões.

- Mas não agora! – a voz aguda de Gina se sobrepunha a dele.

Rony, que andava de um lado para o outro como um animal enjaulado, sentou-se frustrado enquanto olhava para a irmã.

- Você não entende... Eu preciso falar com ela... Nós precisamos conversar – disse ele em tom mais baixo.

Gina suspirou e ajoelhou-se na frente do irmão, tomando-lhe as mãos.

- É claro que eu entendo... Mas você não acha que uma conversa agora só atrapalharia... Vocês precisam se acalmar, os dois.

- Gina... – ele sorria bobamente – nós fizemos amor... Eu... Eu... Eu – Rony afundou as mãos nos cabelos novamente – Eu acho que vou explodir! Por que ela tá agindo dessa maneira?

- Até parece que você não conhece a Mione... Ela perdeu o controle, e precisa se acostumar com essa idéia.

De repente a campainha tocou e Gina levantou-se para atender a porta. Era Harry.

- Oi amor! – disse Gina se jogando no pescoço dele. – Entra.

Harry entrou e viu Rony recostado no sofá com uma expressão desolada.

- Será que alguém pode me explicar o que tá acontecendo? – disse o moreno arqueando as sobrancelhas.

- Como é que a Mione tá? – perguntou Rony sem se importar com o que o amigo havia dito.

Harry revirou os olhos, mas recebeu um olhar compreensivo da noiva. E naquele instante ele soube. O que havia acontecido ali não tinha sido apenas mais uma briga entre seus melhores amigos. Era algo maior. Algo que se não os afastasse de vez, os aproximaria para sempre.

- Bom, ela está bem, fisicamente falando – disse o moreno – Mas parece perdida... Confusa. Ela não parece estar com raiva, só está muito pensativa. Como na época da guerra... Depois que destruímos o diário de Ravenclaw...

Rony soltou um bufo e levantou-se rapidamente, caminhou até a parede e socou-a deixando a marca de seu punho**. Depois virou-se para os amigos e disse, com a respiração ofegante:

- Eu preciso vê-la, agora!

- Ronald Billius Weasley... – disse Gina estreitando os olhos – Sente seu traseiro branquelo neste sofá... Agora!

Tanto Rony quanto Harry encolheram os ombros diante da expressão dura de Gina. Harry sentou-se ao lado do amigo, como se a ordem tivesse sido para ele também.

- Eu já disse que agir como um garotinho mimado não vai resolver esta situação! – continuou ela. – A Hermione está se sentindo confusa e se você for lá agora só vai piorar tudo.

- Será que alguém vai me explicar o que diabos aconteceu? – exasperou-se Harry.

Rony lançou um olhar para a irmã, que entendeu o que ele queria e começou a falar.

- Bom, é que o Rony e a Mione foram pra cama ontem à noite...

De repente Harry se levantou com um sorriso no rosto.

- Peraí... Vocês finalmente desencantaram? Mas isso é maravilhoso!

De repente Rony se voltou para ele fuzilando-o com o olhar.

- Você acha que se tivesse sido realmente “maravilhoso” nós estaríamos nessa situação Potter?

Harry fez uma expressão intrigada e depois arregalou os olhos.

- Então... Er... Quer dizer que...hã... – ele pigarreou – Então quer dizer que... Rony... Você... – então o moreno fez um movimento para baixo com o indicador.

Gina segurou uma risada. Mas de repente Rony ficou vermelho como um tomate maduro e bufou como um touro. Ele pegou a varinha que estava no bolso e lançou um olhar mortal para o amigo.

- LEVIOCORPUS!

E, antes que pudesse se defender, Harry ficou suspenso de pernas para o ar, fazendo com que sua camisa descesse até o tórax e seus óculos caíssem. Ele agitava os braços e as pernas em uma cena que seria motivo de gargalhadas, se não fosse a situação em que estavam.

- Rony!!!!! – gritou Gina - LIBERACORPUS!

Harry caiu com um baque surdo no chão, enquanto Gina tomava a varinha da mão do irmão e dizia-lhe algumas palavras de censura.

A ruiva correu para o amontoado de olhos verdes que era o seu noivo e ele se preparou para ser paparicado pela noiva.

- E você pare de falar besteiras! – brigou ela enquanto dava a mão para ajudá-lo a se levantar, sem ao menos perguntar se ele estava bem. - Eu tenho que ver a Mione agora. Harry, segure o Rony – disse ela entregando a varinha do irmão para o noivo – E não façam nada... Nada, ouviram? Até que eu diga alguma coisa.

A moça se encaminhou para a lareira, pegou pó de flú e foi para a Toca.

Assim que ela desapareceu nas chamas verdes, Rony se levantou e estendeu a mão para o amigo.

- Vamos, me dá a varinha... Se eu aparatar chego primeiro que ela...

- Nem pensar irmãozinho... A Gina disse para você ficar aqui. E eu concordo com ela.

- Ah, dá um tempo Harry... Você é manicaca***, concorda com tudo que a Gina diz. Me dá a droga da varinha!

Harry sorriu. Rony franziu as sobrancelhas.

- Incarcerous!

E Rony viu-se amarrado por cordas, o que fez com que ele caísse sentado no sofá.

- Harry que droga é essa? Me solta!

- Não até você me contar direitinho o que aconteceu... E, lógico, até a Gina dar notícias.

********************

Gina saiu da lareira na sala da Toca e correu para as escadas, mas não passou despercebida por sua mãe que veio rápido da cozinha.

- Oh, querida... Que bom que você chegou. O Harry esteve procurando por você...

- Eu já falei com ele pelo celular.

- A Hermione também está lá em cima...

- Eu sei mãe... Esqueci completamente que tinha marcado com ela. Vou subir para compensar o atraso tá?

E correu para seu quarto.

A ruiva parou diante da porta, ainda sem saber como começar aquela conversa com a amiga. Tinha certeza de que esta estaria na defensiva, embora soubesse que era uma situação que não podia ser evitada. Não mais.

Abriu a porta devagar e viu Hermione sentada no chão, encostada na parede ao lado da cama fazendo um pequeno origami.

- Oi Gi... – disse a morena, sem graça, quando percebeu a presença da amiga no quarto.

- Bom dia Mione... – respondeu Gina com um sorriso condescendente.

- Er... Bom, desculpa eu ter invadido seu quarto assim, mas... – falou Hermione levantando-se e colocando uma mecha de cabelo atrás das orelhas – Mas é que... Eu precisava sair lá da casa do Rony, sabe?

- Eu estive na casa do Ron hoje...

- Esteve?! Como ele está?

- Não posso dizer que ele está em seus melhores dias.

- Está zangado?

- Está frustrado.

- Oh, claro – disse Hermione em um tom amargurado – Ele não deve estar muito acostumado a levar foras.

Hermione voltou-se novamente para a janela com os braços cruzados sobre o peito, os lábios crispados. Gina lançou um olhar complacente para a amiga. Sorriu e balançou a cabeça devagar, fazendo seus cabelos rubros caírem nos olhos. Caminhou lentamente para perto da amiga, fazendo-a ficar de frente para ela.

- Hermione Jane Granger... – disse ela com tom de voz doce – Você não acha que o Rony ficou com você só por ficar né?

A morena permaneceu calada. Mordeu o lábio inferior tentando conter as lágrimas que já eram visíveis em seus olhos.

- Ah, Mione... Pelo amor de Merlin! Eu não acredito que você tá pensando uma besteira dessas... O Rony tá doido querendo esclarecer as coisas... – ela segurou a amiga pelos ombros – Ele tá desesperado... Quase tive que estuporar ele para que não corresse pra cá...

- Ele sabe que eu tô aqui? Como ele ficou sabendo? – cortou Hermione.

- O Harry... – Hermione bufou e caminhou pelo quarto – Mas o Rony não virá...

- Eu não quero falar com ele agora!

- Droga Mione! – disse Gina perdendo a paciência – Deixa de ser infantil!

********************

- Eu não sei o que dizer... – falou Harry depois de ouvir a história do amigo.

- Mas eu sei... Desfaz logo esse feitiço! – esbravejou Rony.

- Prometa que não vai fazer besteira – Rony bufou – Cara, eu entendo a Gina... A Mione tá perdida... Ela não perde o controle nunca e deve ser difícil pra ela.

- Eu prometo... – murmurou o ruivo.

Então Harry pronunciou o feitiço que o livrou das cordas e sentou-se ao lado do amigo.

- Eu sempre achei que quando isso finalmente acontecesse, - desabafou o moreno – tudo entraria nos eixos....

Rony suspirou.

********************

- Olha só – continuou Gina – É de consenso geral que vocês sempre foram loucos um pelo outro, desde Hogwarts. Todo mundo sabia que aquelas brigas eram apenas um escape para tanto “fogo”...

- Especulações de pessoas desocupadas. – cortou Hermione. Mas Gina não ligou e prosseguiu.

- Ninguém, nunca entendeu o fato de vocês não terem ficado juntos. Isso sempre pareceu algo “antinatural” sabe? Aí, finalmente quando algo acontece... Quando a primeira vez de vocês acontece... Você age desse jeito torto!

Hermione corou furiosamente, baixou a cabeça e depois de um longo suspiro disse, num fio de voz.

- Mas não foi a primeira vez...

********************

- Como assim não foi a primeira vez?!?!?! – Harry não conseguiu esconder a surpresa.

- Quer dizer que eu e a Mione já... Ah, Harry você entendeu! Antes, sabe?

********************

- Mas... Péra... – Gina tentava arrumar os pensamentos – Quando? Onde? Como?

- Em Hogwarts... Alguns dias antes da batalha final.

********************

- Mas nós estávamos sempre juntos... O tempo todo lendo, treinando... – falou Harry.

- Nós não ficamos com você na ala hospitalar... – disse Rony fitando o carpete.

********************

- Foi quando o Harry destruiu o Diário de Ravenclaw? – perguntou Gina estreitando os olhos.

- É. Foi sim. – Hermione respondeu evitando o olhar da amiga.

********************

- A gente queria ficar com você, mas Minerva mandou a gente pra Torre de Grifinória... Pra descansarmos um pouco... Só estávamos nós dois lá – Rony explicava meio sem jeito – A escola tava fechada...


***FLASHBACK***

Rony e Hermione vinham caminhando pelos corredores de Hogwarts. Tinham acabado de deixar a Ala Hospitalar, onde Harry se recuperava dos ferimentos sofridos enquanto destruía a quinta horcruxe, o Diário de Ravenclaw. Gostariam de passar a noite ao lado do amigo, mas não foi permitido. Ele precisava descansar. MacGonagall recomendou que fossem para a torre de Grifinória e descansassem também, pois assim que toda a Ordem estivesse reunida haveria uma reunião para traçar estratégias, o que provavelmente, segundo ela, só ocorreria pela manhã.

A escola estava vazia. Tinha reaberto no início do ano, mas as investidas de Voldemort tornaram-se tão freqüentes que os pais preferiam ter seus filhos perto de si. Então, pouco antes do natal os portões de Hogwarts foram fechados e o castelo servia como um dos pontos principais da Ordem da Fênix.

- Esperança – disse Hermione quando chegaram á entrada da torre. A Mulher Gorda, no quadro, sorriu de satisfação ao vê-los. Eles retribuíram o sorriso. Entraram no salão comunal – Não acredito que estamos aqui... – disse ela sentando-se perto da lareira apagada.

O local parecia maior do que realmente era. Sem o barulho dos alunos, os sorrisos, as conversas animadas. Parecia um lugar triste, frio...

- E o melhor: estamos vivos... – Rony tentava fazer um feitiço para acender o fogo.

- Incendium - disse Hermione apontando a varinha para a lareira, onde o fogo começou a crepitar.

- Valeu... – disse ele sentando-se na poltrona ao lado da dela.

- Não tem de quê – respondeu ela dando de ombros.

Ficaram alguns minutos em silêncio. Absorvendo seus próprios sentimentos, ouvindo o estalar das chamas.

Hermione enrolava um cachinho com o dedo, mania que tinha adquirido enquanto estava com a cara enfiada nos livros pesquisando formas de derrotar Voldemort.

Rony parecia hipnotizado pelo fogo. Ficava observando as labaredas que subiam e desciam em um movimento irregular. A cor que variava do laranja para o vermelho vivo. A madeira sendo consumida lentamente. Queria esvaziar a mente. Não suportava mais tanta pressão. Tanto medo. Precisava desligar o alerta um pouco, já que qualquer barulho para ficar atento.

- Não é justo!

Um desabafo revoltado da morena ao lado o tirou de seus devaneios.

- O quê? – disse ele, mais por reflexo.

- O Harry ferido mais uma vez! A escola fechada! Todo mundo assustado! A Gina triste pelos cantos! Mortes de inocentes! Um idiota querendo ser imortal! Essa guerra estúpida! É tudo tão injusto!

- Mione... Você já fez esse discurso antes... – disse ele querendo acalmá-la.

- Mas eu preciso dele – disse ela, olhando para o amigo – Eu preciso ficar lembrando o quanto toda essa situação está errada... Para ter forças e lutar contra ela.

Ele levantou da poltrona onde estava e sentou-se ao lado da amiga, abraçando-a pelos ombros.

- E nós vamos lutar... Nós vamos vencer...

- Quando eu recebi a carta de Hogwarts... – ela continuou – Um mundo fantástico se mostrou pra mim... Eu era igual aos personagens dos contos lia. Mas não me passou pela cabeça que teria de enfrentar um vilão...

- Mione – ele passava a mão pelos cabelos dela – Olha... A gente pode falar com a Ordem... Podemos conseguir um lugar seguro pra você... Sabe, podemos levá-la para junto dos seus pais, deixá-la em segurança...

Hermione afastou-se dele tão rápido que ele nem pôde impedi-la de fazer isso. Olhava para ele com uma expressão incrédula.

- Ficou doido? Eu jamais deixaria você e o Harry! Pare de tentar me proteger, eu não sou uma boneca de porcelana e você sabe disso. Já dei provas suficientes de que estou pronta para qualquer batalha...

- É que você disse... Eu pensei que...

- Eu não estava pedindo para ser protegida... Eu não quero isso. Só estava desabafando... – ela voltou-se a se aninhar nos braços dele – Eu só acho que devíamos ter tido uma juventude normal. – ela virou o rosto para encará-lo – Você não acha que passamos por cima de muitas experiências? Sempre assustados. Sempre desvendando mistérios sombrios. Sempre correndo. – ele suspirou – Nem tivemos tempo para ser adolescentes direito. Coisas simples... Que nós perdemos.

- Por exemplo.

- Ah... As pequenas crises adolescentes. As dúvidas que qualquer um tem. As mudanças que sofremos e nem reparamos.

- Tem razão... A gente nem teve tempo pras pequenas travessuras, pra conversar bobagem... Nem pra paquerar direito!

- É, nossas paqueras foram tão... irreais.

De repente ele ficou receoso, mas não conseguiu se conter.

- Mione... Você.. er... Bem...

- Sim. Eu beijei o Krum – disse ela de repente – Por quê?

- Nada – ele deu de ombros, tentando esconder o rugido do monstro em suas entranhas.

- Mas no geral, nossas experiências amorosas foram meio tortas não é? De nós três.

- Tortas? – ele riu – Pareciam novelos de lã de tão enroladas.

Hermione riu também.

- Acho que crescemos rápido demais. – disse a morena.

- Talvez não. – ele silenciou um tempo, e depois continuou sem perceber – Eu não acredito... Que eu posso morrer vi... – ele parou de repente.

- Morrer o quê Ron? – disse Hermione intrigada.

- Nada. Esquece. – disparou ele sem-graça.

- Ah, vamos Ron... Fala! Nós somos amigos não somos?

- Hermione... Tem coisas que um garoto não diz pra uma garota... Mesmo ela sendo sua melhor amiga.

- Ah, agora você lembra que eu sou uma garota?

- Não enche!

- Francamente! Você acha que eu não sou boa o suficiente para saber de seus anseios?

- Não é isso Mione...

- Você é mesmo um legume insensível que não sabe dar valor a uma boa amizade! – ela disparou – Então quer dizer que o fato de eu ser uma garota me faz indigna de compartilhar todos os assuntos com você e o Harry? Eu pensei que tínhamos superado isso...

- Ok! Ok! – disse ele levantando os braços em sinal de rendição e afastando-se dela – Somos amigos e podemos conversar sobre tudo né? – ele corou furiosamente – É que eu... Bem, eu... Er... Eu posso morrer amanhã e... Poxa, eu posso morrer virgem!

- Oh! – Hermione arregalou os olhos e suas bochechas adquiriram um tom rosado – Você não vai morrer – arriscou ela.

- Há sempre uma possibilidade não é?

- Bom... Mas eu acredito que vamos sair inteiros disso tudo... Eu tenho que acreditar nisso – ela falava sem encarar o amigo, que olhava fixamente para a lareira – E bom... Se existe essa possibilidade... Hã... Eu... Eu também posso morrer virgem – disparou ela.

- Ah, Mione... Eu não vou deixar você morrer... Além do mais, você é uma menina!

De repente, o vermelho de vergonha na face da morena se transformou em vermelho de raiva e indignação.

- Eu não sou uma menina Ronald! Eu já tenho 18 anos, inclusive sou mais velha que você! Sou uma mulher como qualquer outra, que tem vontades e desejos... Mas, ah! Esqueci que você é tapado demais para notar isso!

De repente ela se arrependeu de ter dito aquilo, pois Rony encarou-a com um olhar surpreso, que a fez novamente corar de vergonha.

- Então... Er... Você também...?

- Você e a Lilá... Nunca? – perguntou Hermione antes que o amigo completasse a frase.

- Er... Hã... Na verdade... Não. – respondeu ele sem jeito.

- Não era o que ela comentava com a Parvati no dormitório... – comentou ela dando um ar forçadamente natural às palavras.

- Como assim? – de repente ele pareceu muito interessado.

- Ela falava sobre a Sala Precisa...

- Sim eu a levei lá algumas vezes... – Hermione trincou os dentes e cerrou os punhos diante das palavras do ruivo - Mas nunca! O que ela dizia?

- Ah, Ronald!

- Diz... O que ela dizia?

Hermione colocou uma mecha do cabelo atrás da orelha. Estava completamente sem graça... Não devia ter começado aquela conversa...

- Vamos Mione... Eu quero saber. Era de mim que ela falava... Eu tenho o direito de saber.

- Bom... – continuou Hermione fitando os sapatos – Ela dizia o quanto você tinha sido carinhoso com ela... As palavras... Que você sabia o carinho que ela mais gostava...

- Beijo atrás da orelha... – murmurou ele com o olhar perdido.

Hermione bufou de ódio e cerrou os punhos com tanta força que as unhas machucavam a palma de suas mãos, mas continuou.

- Mesmo sem ela nunca ter dito o quanto gostava daquilo... – ela balançou a cabeça e não conseguiu controlar uma careta – Ela dava até detalhes!

- Detalhes... Detalhes? – perguntou ele.

- É Ronald! Detalhes! – Hermione levantou-se e foi até janela, enxugando rapidamente uma lágrima teimosa. – E por favor... poupe-me das descrições!

- Uau! – disse ele por fim – Que imaginação fértil a dela...

- Ela é uma esquizofrênica isso sim! Fazia aquilo só pra me atingir – falou Hermione baixinho.

- O quê?

- Nada!

- Foi bom ter terminado... Mas se bem que eu nunca iria até o fim com ela...

- Por que não? – Hermione voltou-se rapidamente para o amigo.

- Se ela dizia isso tudo só com uns amassos... Imagina se tivesse ido até o fim. – ele riu nervoso - Ela é meio doida sabe?

- Meio?!? Ela é completamente maluca!

- Eu poderia dizer que é implicância sua... Mas vou ter que concordar com sua opinião.

Hermione não conseguiu segurar o sorriso que brotou de seus lábios

- Mesmo ela sendo maluca – ela disse – Se você tivesse... Bem... Se tivesse ido até o fim com ela, não estaria se lamentando por ainda ser... “casto”.

Os dois riram. Parecia que nada de ruim estava acontecendo lá fora. Sentiam-se bem por se abrir assim um com o outro. Era como se tivessem recuperando o tempo perdido, a cumplicidade que somente uma grande amizade trazia.

- Oh não... – ele sorriu nervoso – Não com ela. Eu posso ter a sensibilidade de uma colher de chá, mas quero que seja com a pessoa certa. Não vou fazer uma coisa dessas só por fazer.

- Ronald... Por acaso você está com febre? – disse Hermione divertida.

- Sem-graça. – disse ele rindo.

- É que eu pensei... Sei lá, que só as garotas pensassem dessa forma.

- Oh, e por acaso o seu príncipe búlgaro não preenche seus requisitos?

- Francamente Rony... Eu posso ter beijado o Krum, mas isso não faz dele o meu príncipe. Ele é meio... Búlgaro demais sabe? – ela fez uma expressão imitando a de Rita Skeeter e olhou para Rony – Vamos Ronald, diga para as milhares de bruxas britânicas o que você espera da moça para quem vai finalmente se entregar?

- Hã... Tem que ser alguém em quem eu confie, que eu conheça bem sabe? Alguém com quem eu tenha alguma intimidade, assim eu não fico com tanta vergonha... Alguém que eu goste... Por quem eu tenha um sentimento sincero e que não queira só usar meu corpinho... Alguém que não seja tão avoada... Que tenha algo na cabeça, que tenha consciência do que está fazendo...

- Não sabia que você é tão exigente...

- Acho que a convivência com você acabou me contaminando.

- É. Eu tenho qualidades – disse ela divertida.

- Eu sei... Você é o modelo de todos os meus pré-requisitos... Não consigo pensar em alguém diferente de você para uma experiência dessas... – Rony parou de súbito.

Hermione engoliu em seco.

Oh não... Ele não poderia estar insinuando aquilo...

Oh sim... Ele estava insinuando aquilo...

O coração dela dava saltos tão altos, que ela tinha certeza que ia sair pela boca a qualquer momento... Não era isso o que ela mais queria? Que fosse com ele? Mas agora, que tinha a situação toda arrumada, ela simplesmente não sabia o que falar.

Rony sentia-se um idiota, insensível, maníaco, tarado... Enfim, tudo o que Hermione devia odiar. Mas as palavras simplesmente haviam saltado de sua boca sem que ele pudesse controlar. Ele a queria demais... E tinha medo de não ter aquela oportunidade outra vez.


Ele observava a amiga que estava com o olhar confuso, as sobrancelhas franzidas, os lábios abriam e fechavam, apertando as mãos, a respiração entrecortada...

Ela só ficava daquele jeito quando...

Merlin, ela estava considerando a hipótese!

De repente o ar ficou rarefeito para o garoto. Ele não podia acreditar que ela estava considerando a hipótese...

- Somos amigos né?

Ele assustou-se ao ouvir a voz dela. Fitou a amiga e afirmou com a cabeça.

- A gente convive junto há mais de seis anos... Temos bastante intimidade...

- Temos – disse ele simplesmente.

- Considerando a hipótese de que não temos a menor idéia do que nos acontecerá amanhã, ou daqui a pouco...

Ele prendeu a respiração.

- Talvez seja uma experiência interessante... – disparou ela. – Pelos meus cálculos não estou em período fértil...

Agora era ele quem estava com os olhos muito abertos, as orelhas muito vermelhas, e os lábios abrindo e fechando, como os de um peixe.

- Ah não ser... Claro – disse ela nervosa – que você tenha se arrependido do que disse...

- Não! Não me arrependi não... A não ser... Que você tenha se arrependido...

- Não... Pode ser realmente uma experiência interessante. – eles ficaram alguns segundos em silêncio – Agora? – perguntou ela receosa.

- Acho que não teremos outra oportunidade né? – disse ele corando – A gente pode ficar aqui... ou ir para o dormitório...

- No dormitório – cortou ela.

Ele caminhou até ela e estendeu a mão. Hermione a segurou firme, mas não conseguia saber se era a sua mão ou a dele que estava tão fria e suada.

Subiram as escadas em silêncio e Rony abriu a porta do dormitório masculino. Estava arrumado como da primeira vez em que entraram ali. As camas de dossel, as cortinas de veludo, as mesinhas de cabeceira, a luz da lua entrando pelas janelas de vidro.

O ruivo foi até a janela e fez menção de fechar as cortinas.

- Não... – pediu Hermione – A lua tá tão bonita...

Ele encarou a moça e sorriu, sem jeito. Estava vermelho como os próprios cabelos... E Hermione achou aquilo adorável.

Rony era tão lindo! Os cabelos ruivos contrastando perfeitamente com a pele alva e as sardas. Os olhos que lembravam duas piscinas cristalinas. Os lábios que mais pareciam maçãs de tão vermelhos e suculentos... Principalmente quando se inclinavam naquele sorriso que só ele sabia dar. Ele era alto, a ponto de Hermione ter de olhar para cima se quisesse encará-lo, mas não tinha mais aquele jeito desengonçado de antes. Estava másculo, graças aos treinos no quadribol e em DCAT. Ela podia ver o desenho dos músculos dele sob a camisa de algodão. Os braços compridos e fortes, sempre prontos para recebê-la num abraço aconchegante. E a voz... Nossa! Não era mais aquela voz desafinada de dois anos atrás... Era grave, rouca... Sedutora.

Ela parou diante dele e percebeu que tinha sido um tanto indiscreta ao admirá-lo, pois ele parecia mais sem graça ainda. A moça baixou a cabeça e mordeu o lábio inferior colocando uma mecha do cabelo atrás da orelha.

- Você... Er... Você tem certeza mesmo? – ela afirmou com a cabeça ao ouvir a voz macia dele.

Sentiu a mão trêmula dele sob seu queixo, fazendo-a olhá-lo. Depois a mão dele subiu em um carinho suave pela face dela.

- Você é tão bonita... – disse ele tão baixo, que ela quase não ouviu.

Hermione fechou os olhos e umedeceu os lábios ao sentir o corpo dele se aproximando cada vez mais. Abriu os olhos somente para ver que ele já tinha fechado os dele e avançava lentamente para ela.

Ela novamente fechou seus olhos quando os lábios se tocaram em um selinho doce e receoso, que foi sendo aprofundado devagar enquanto as mãos dele continuavam a acariciar o rosto dela e ela arranhava lentamente a nuca do rapaz.

E Hermione só pode constatar o quanto Lilá estava certa ao afirmar que o beijo de Ronald Weasley era simplesmente delicioso.

Num arroubo de ousadia, Hermione aproximou-se mais fazendo com que seus corpos ficassem colados. Rony a estreitou em seus braços, descendo a mão pelas suas costas.

- Desculpa – disse ele afastando os lábios dos dela.

Ela apenas sorriu e fechou os olhos convidando-o para mais um beijo, que agora se tornava mais intenso. Sem perceber o que estava fazendo, Rony colocou a mão dentro da blusa dela, apertando a cintura da moça.

- Desculpa... – disse ele novamente, e a beijou de novo.

Hermione apertou os braços ao redor do pescoço dele, fazendo-o arquejar e descer os lábios para o pescoço dela que ofegou diante o carinho dele.

- Desculpa... – disse mais uma vez.

- Rony... – ela se afastou dos lábios dele – como você pretende que nós... Bem, que nós... Ah, você sabe! Se cada vez que seus dedos encostam-se a mim, você pede desculpas?

- Er... bem, é que eu tenho medo... De fazer algo que você não aprove. De que eu toque em algum lugar proibido.

- Bom, se nós nos propusemos a fazer... Bem a... Ir para cama – disse rapidamente enquanto os dois coravam furiosamente – é suposto que nós precisamos nos tocar. E eu prometo que se você fizer alguma coisa que me desagrade... Eu falo.

- Fala mesmo?

- Eu sempre falo Ron... – ela sorriu e baixou os olhos – Mas eu acho que numa situação dessas não pode haver lugares proibidos...

Rony sorriu com a colocação da amiga. Mas depois ficou sério. Hermione franziu a testa preocupada com a reação dele.

- Ron?

- Você tá dizendo que eu posso tocar você... Tipo, onde eu quiser? E que se caso... Hipoteticamente, haja um lugar proibido...

- Eu afasto sua mão de lá.

- Certo – ele sentou na cama e respirou fundo, ela olhou intrigada para ele – é que eu nunca pensei... Tá, nunca é uma palavra muito forte... Eu não imaginava como real a possibilidade de um dia conseguir permissão para tocar seu corpo... – ele caiu de costas na cama com as mãos no rosto – eu preciso me acostumar com essa nova idéia.

Hermione se assustou.

Então ele já pensou em me tocar? Eu fazia parte das fantasias de adolescente dele? Oh, meu Merlin! Oh, meu Merlin! Oh, meu Merlin!

- Ron se você não quiser continuar agora... – mas ele se levantou abruptamente e a puxou para si.

- Eu acho que já me acostumei com a idéia – e colou seus lábios mais uma vez. Hermione não pôde deixar de sorrir da reação dele.

- Desculpe – disse ela quando ele se afastou para ver seu sorriso.

- Não! Não se desculpe por isso. Preciso do seu sorriso... Preciso saber se você está satisfeita, ou então eu não poderei ir adiante.

Do you still remember how we used to be,
Feeling together, believe in whatever my love has said to me,
Both of us were dreamers, Young love in the sun,
Felt like my Saviour, my spirit I gave you, We'd only just begun


“Onde está o legume, a colher de chá que eu tinha como amigo?”

Hasta Mañana, Always be mine

Estava ali, conduzindo-a para a cama. O coração dela estava aos pulos quando ele a deitou delicadamente no colchão macio. Quando ele se inclinou sobre ela e começou a beijar seu pescoço. Parecia que ele já tinha descoberto que aquele era o carinho que ela mais gostava. Quando as mãos hesitantes dela passaram pelos cabelos cor de fogo. Quando ele levantou e se ajoelhou aos seus pés para lhe retirar os sapatos e beijar suavemente os pés pequeninos.

Viva forever, I'll be waiting,
Ever lasting like the sun,
Live forever, for the moment,
Ever searching for the one.


Em poucos minutos ele já estava sem camisa e com a calça desabotoada. Enquanto isso, a despia devagar.

- Fecha as cortinas... – pediu ela.

E ele o fez. Ficaram os dois ali na mais completa escuridão, tateando-se como que para descobrir os corpos um do outro. De repente, Hermione sentiu que Rony procurava alguma coisa ao lado dela.

- Achei – murmurou ele pegando a varinha que estava aos pés dos dois – Lumus...

- Não Ron... – pediu ela – Eu tenho vergonha...

- Mas eu quero tanto te ver...

Yes I still remember every whispered word,
The touch of your skin giving life from within like a love song that I'd heard
Slipping through our fingers, like the sands of time,
Promises made, every memory saved as reflections in my mind


E ele ficou ali, ajoelhado no colchão, admirando o corpo dela, que corou imediatamente. Ele sorriu diante do embaraço dela, talvez para não deixá-la perceber seu próprio embaraço ao tê-la olhando para seu corpo.

- Você é linda... Muito linda... – deixou escapar com um suspiro.

Hasta Mañana, Always be mine

Hermione sentou e tocou o rosto dele, que cerrou os olhos.

- E você é o Weasley mais bonito... – murmurou ela envergonhada. Ele não conseguiu não sorrir.

- Nox... – disse ele baixinho.

Viva forever, I'll be waiting,
Ever lasting like the sun,
Live forever, for the moment,
Ever searching for the one


Ficaram ali entre beijos e carícias, quando finalmente sentiram-se prontos para ir até o final. E eles foram. Não sem receios, mas com a certeza que só os apaixonados (embora não tivessem admitido isto) têm.

Back where I belong now, was it just a dream,
Feelings unfold, they will never be sold, and the secret's safe with me

Hasta Mañana, Always be mine


Rony lembrava cada palavra dita por seus irmãos na noite do casamento de Gui. Era como se elas estivessem gravadas em sua mente apenas para aquele momento, onde tinha a garota mais preciosa em seus braços. Não era mais a sabe-tudo, ou sua amiga de aventuras. Eram homem e mulher comungando de algo novo e misteriosamente saboroso.

Viva forever (Viva forever),
I'll be waiting (I'll be waiting),
Ever lasting (Everlasting) like the sun (Like the sun),
Live forever (Live forever), for the moment (for the moment),
Ever searching (Ever searching) for the one (for the one),


Vinham à mente de Hermione as páginas que tinha lido sobre o assunto. E constatou, com grande felicidade, que nenhum dos livros ou conversas com amigas era capaz de descrever a sensação maravilhosa que sentia junto ao seu melhor amigo. Era como se partilhassem de algo sagrado a partir daquela noite... Algo que apesar de o mundo inteiro falar sobre, somente eles conheciam.

Viva forever (Viva forever),
I'll be waiting,
Ever lasting like the sun,
Live forever (Live forever), for the moment,
Ever searching for the one,


Então, o corpo de Rony pesou sobre o dela junto a um gemido rouco que Hermione também não pôde conter. Eles ficaram ali um tempo, normalizando a respiração, abraçados, sentindo o suor grudado em suas peles.

Viva forever (Viva forever),
I'll be waiting,
Ever lasting like the sun,
Live forever (Live forever), for the moment,
Ever searching for the one (for the one)


- Uow... – foi só o que Rony conseguiu murmurar com o rosto na curva do pescoço de Hermione.

Ela apenas deu um risinho satisfeito. E soube que aquela mínima palavra era a coisa mais sábia que Rony poderia ter dito naquele momento... Havia sido tão intenso... Havia sido tão... Uow!

Viva forever, I'll be waiting (I'll be waiting),
Ever lasting like the sun,
Live forever (Live forever), for the moment,
Ever searching for the one.


De repente ouviram passos dentro do quarto.

- Ronald? Está dormindo? A Ordem já está reunida... Precisa levantar agora se não quiser chegar no meio da reunião a Tonks foi chamar a Herm... Oh meu Merlin!

Antes que os dois jovens pudessem fazer qualquer coisa, a cortina foi aberta e viram a expressão assustada e constrangida de Remo Lupin.

Imediatamente Rony cobriu Hermione com o próprio corpo e esta afundou o rosto na curva do pescoço dele.

Como se tivesse sofrido uma descarga elétrica, Lupin fechou as pesadas cortinas.

- Oh... Eu... – gaguejava o lobisomem – per... Perdão... Eu não podia imaginar... Que... Por favor me desculpem...

- Nós já iremos Lupin – disse Rony rapidamente.

- Certo então... Vou pedir para esperá-los... E levar a Tonks daqui... Er... Desculpem novamente... – e o maroto saiu batendo a porta.

Hermione ficou estática e Rony sentou-se ao lado dela, levando as mãos ao rosto.

- Eu não acredito...

- Estão nos esperando – cortou ela – É melhor nos apressarmos.

Ela enrolou um lençol no corpo e saiu catando suas roupas no chão, sem encarar o ruivo que estava sentado na cama.

De repente ele se levantou e a segurou pelo braço.

- Mione... Eu não podia imaginar que o Lupin viria tão cedo nos procurar...

Ela fitou o rosto do amigo e disse com uma expressão séria.

- Ninguém podia Ronald... Ninguém – ela soltou seu braço dele e baixou os olhos – Vou tomar um banho rápido... Você devia fazer o mesmo – ela virou-se para sair, mas quando chegou na porta voltou e disse com brandura – Ah, tente não demorar. Não podemos deixar a Ordem esperando. Temos uma guerra para vencer.

***

Em poucos minutos encontraram-se no salão comunal e foram para a ala hospitalar, onde seria a reunião, já que Harry ainda precisava de cuidados. Durante o percurso não trocaram palavras ou olhares. Somente o fato de estarem lado a lado fazia com que suas faces tomassem tonalidades avermelhadas.

Entraram na ala hospitalar que já estava cheia (com certeza madame Pomfrey não devia estar gostando nem um pouco daquela invasão), praticamente toda a Ordem da Fênix estava ali e alguns membros da AD também. Assim que adentraram o recinto, Rony e Hermione trataram de se separar... E ficar bem longe de Remo Lupin.

Ao ver Hermione, Tonks correu ao seu encontro.

- E então Hermione, terminaram o que estavam fazendo lá em cima?

- Hã? – perguntou a morena assustada.

- Fui procurá-la no dormitório feminino, mas Remo me contou que vocês estavam no dormitório masculino agarrados...

Hermione arregalou os olhos e engoliu em seco. Rony que estava um pouco atrás conversando com Luna e Neville virou-se bruscamente com as orelhas vermelhas.

- Nos livros – completou Tonks sorridente.

Rony soltou um suspiro aliviado e parecia que um cubo de gelo enorme havia caído no estômago de Hermione.

- Livros? – disse ela sem jeito – É livros! Pesquisa... – completou rapidamente – Se quisermos vencer logo esta guerra estúpida, não podemos parar um minuto.

Tonks sorriu divertida.

- Rony deve ter ficado uma fera de vocês terem usado o tempo de descanso para estudar...

- É... – Hermione sorriu nervosa – Você sabe como Rony é... Não gosta de estudar... Reclamou o tempo todo!

***FIM DO FLASHBACK***

- Depois daquele dia... Batalha após batalha... – disse Rony.

********************

- Tínhamos tanto para nos preocupar... – falou Hermione.

- Peraí! – disse Gina exaltada – Depois disso vocês dois nunca mais tocaram no assunto?

********************

- Não – soltou Rony junto com um suspiro.

- Calminha... – disse Harry pausadamente – deixa eu ver se entendi direito: depois daquele dia... Depois de vocês terem tido a primeira vez juntos... Nunca mais falaram sobre isso?

********************

- Não! – disse Hermione em meio às lágrimas que ela já não mais continha.

- Dois cabeçudos é isso o que vocês são! – Gina levantou-se irritada.

********************

- Cara, eu não acredito na burrada que vocês fizeram! – frustrou-se Harry.

- E tinha tanta coisa acontecendo... A guerra... Você abdicando da Gina... Não parecia justo que...

********************

- Eu e o Rony ficássemos juntos, quando o Harry tinha abdicado de você...

- Ok... Vocês não são cabeçudos... São idiotas! Assim como o Harry foi!

********************

- Mas se bem que... Talvez não fosse pra gente ficar junto mesmo! – Rony levantou-se e foi para a janela – Viu, a gente ficou tanto tempo separado e nem morremos ou ficamos depressivos como você!

- Oh, suposição brilhante Ronald... – disse Harry sarcástico – Eu fiquei depressivo e a Gina meio fútil... Foi bem melhor com vocês que perderam o controle da situação e agora estão desse jeito não acha?

Rony escondeu o rosto entre as mãos.

- Existem certos momentos em que você é cruel Harry...

- De nada. Amigos são pra essas coisas.

********************

- Gina... Mas vamos ver pelo lado bom... – tentou argumentar Hermione – Se seu irmão e eu tivéssemos ficado juntos... Talvez fôssemos piores inimigos de tanto que brigamos!

- Oh! – disse Gina afetada – Se eu tivesse assistido mais aulas de adivinhação... talvez eu tivesse me apaixonado pelo Firenzi! Se... se... essa história de “se” não existe! Sinceramente Hermione, você e meu irmão juntos são a coisa mais óbvia... – de repente ela parou.

- Gina... você tá bem? – perguntou Hermione entre furiosa e preocupada.

- Tô... tô... Mas, será possível? – disse a ruiva para si mesma.

- Gina?

- Eu preciso sair... e você vem comigo!

- Pra onde? Eu não vou voltar pra casa do Rony!

- Calmex... vamos pro meu apartamento!

********************

Gina abriu a porta e acendeu as luzes, então Hermione pôde enxergar o ambiente aconchegante e bem decorado. A sala tinha as paredes em tom caramelo e os móveis da sala em tons de bege e branco. Um sofá aparentemente bem confortável, duas poltronas, estantes com livros, uma mesa de centro, algumas miniaturas e vasos de flores. Ao fundo ela podia ver uma cozinha americana e a porta que dava para os quartos.

- Tem comida à vontade na geladeira, pacotinhos de chá no armário, roupas no meu quarto... bom, sinta-se em casa viu?

- E onde você pensa que vai? – perguntou Hermione atordoada.

- Tenho que resolver umas coisas... e você vai ficar aqui me esperando viu?

- Gina...

- Pra garantir, vou fazer alguns feitiços que a impedirão de sair.

- Gina!!!!

- Desculpe, mas tenho que fazer isto tá? Você vai me agradecer depois.

- Você não pensa em trazer o Rony aqui né?

- Não seja tonta... claro que não!

A ruiva tirou a varinha do bolso e começou a murmurar alguns feitiços diante de uma Hermione perplexa. Quando acabou, deu um sorriso para a amiga e caminhou para a porta.

- Ah – disse ela já com metade do corpo fora – Tem uns DVDs e CDs no meu quarto... Fique à vontade!

E saiu, deixando Hermione sem entender nada e muito assustada.

********************

Gina cruzava os corredores com pressa. Não se detinha em cumprimentar ninguém, o fazia apenas com um sorriso e um aceno de cabeça. Ia tão rápido que quase passou direto pela sala onde ia entrar.

Parou diante da porta e respirou fundo. Tinha prometido não mais tocar naquele assunto com ela. Sabia que era difícil para sua amiga falar naquilo. Ela havia sido tão feliz que devia ser duro voltar ao passado.

Mas Gina sabia que tinha de passar por cima do receio e questionar a mulher do outro lado da porta. Esta tinha uma resposta e Gina iria indagá-la.

Bateu e a voz suave de sua amiga respondeu de dentro.

- Pode entrar...

Gina entrou e sentiu sobre si os olhos verdes de Luna Lovegood. Esta abriu um pequeno sorriso e levantou-se para abraçar a amiga e ex-futura-cunhada.

- Desculpa vir atrapalhar seu trabalho... – disse Gina – Mas eu precisava falar com você.

- Eu sei. – respondeu Luna – Já estava esperando sua visita.

- Também sabe o que vim fazer aqui?

A loura balançou a cabeça afirmativamente.

- Como?

- Existem coisas Gi, que não sabemos explicar de forma racional – a voz de Luna tinha o habitual tom etéreo.

- É o “dom”... você o tem não é?

Luna apenas sorriu mansinho e apontou uma poltrona para a amiga se sentar.

- Por que você terminou com o Rony? – disparou a ruiva.

- Você sabe o porquê.

- Eu quero ouvir você dizer.

- Não é óbvio? – lágrimas se formavam nos olhos de Luna.

- Bom, todo mundo imaginava que ia acontecer... mas de repente, parecia que você era a realidade da vida do Rony... A gente pensou que os dois eram passado, ou melhor, uma ilusão.

- Eu também pensei isso... mas não é porque o óbvio está demorando que ele não vai acontecer né? E felizmente eu vi que ia acontecer... vi antes que fosse tarde e que eu saísse muito ferida.

- Você amava o Rony né? – disse Gina com doçura.

- Demais. Mas um dia eu vi que a Hermione ainda estava no caminho dele. Era inevitável e eu não podia lutar contra algo tão forte que só foi ficando mais intenso com o passar do tempo. Embora eles não percebessem.

- Desde quando você percebeu que tem o “dom”?

- Faz muito tempo Gina... mas vocês sempre foram tão céticos quanto a isso, mesmo que a vida do Harry tenha sido guiada por uma profecia... – enfatizou Luna – Bom, eu preferi guardar isso pra mim. Mas em alguns momentos não consegui me conter...

De repente houve outro estalo na cabeça de Gina.

- Uma vez você disse que para minha busca ser bem sucedida, eu tinha de voltar pra o começo... eu pensava que você estava falando de Hogwarts... mas era do Harry né?

Luna sorriu, e Gina continuou.

- E seu comportamento pouco antes da mamãe adoecer... o Rony me falou.

- Não é fácil guardar um segredo destes o tempo todo... – Luna suspirou e levantou-se – Bom, o que eu posso afirmar é que não há nada que possa impedir a felicidade de Rony e Hermione... a não ser eles mesmos.

- E qual é meu papel nisso? – perguntou Gina também se levantando.

- Os papéis não mudaram... ao menos o seu e o do Harry continuam os mesmos. Só depende de vocês. – ao falar, parecia que uma aura luminosa desprendia de Luna. Era tão diferente da Trelawney – O destino é algo mágico... mas necessita da vontade e do comando de alguém para acontecer, como qualquer feitiço.

- Obrigada Luna...

- Não agradeça por isso. Eu apenas tive vontade e dei o comando. Minha parte está feita.

Gina abraçou a amiga e caminhou até a porta, mas antes de abri-la virou-se e perguntou:

- E você Lu? Consegue ver algo em seu caminho?

- Não consigo enxergar com detalhes... mas vejo olhos acinzentados e uma postura aristocrática... – respondeu ela meio sem jeito.

- Draco? – perguntou Gina zombeteira.

- Talvez sim... talvez não. Só vai depender do nosso comando.

- E a vontade?

- Acho melhor você se apressar Gina... – sorriu Luna.

Gina soltou um beijo e piscou para a amiga. Quando saiu do “Pasquim” já era noite. Mas as estrelas pareciam mais brilhantes. Tudo iria se resolver e todos seriam muito felizes. Bastava que o plano, o qual acabara de lhe ocorrer, desse certo.

********************

Já era noite e nada de notícias. Harry já não sabia o que fazer para controlar o ruivo furioso ao seu lado. Estava pensando seriamente em estuporá-lo, mas ele era seu melhor amigo e só faria isso em último caso.

O toque da campainha o despertou e ele abriu o maior sorriso do mundo para atender a sua noiva. Mas decepcionou-se, ou melhor, assustou-se ao ver John Fontaine parado na porta.

- Fontaine?!

- Hã... Olá Potter! – sorriu ele – Eu vim buscar a Hermione... ficamos de sair hoje...

- É a Gina Harry? – perguntou Rony se aproximando da porta.

Quando viu o rosto do rival, as feições de Rony mudaram e ele ficou temivelmente escarlate. Cerrou os punhos mas permaneceu no mesmo lugar, como se colado ao chão.

- O que esse cara está fazendo aqui? – disparou.

- Calma Rony... – tentou Harry.

- Eu só vim buscar a Hermione... ela está me esperando... vocês poderiam chamá-la por favor?

- Tira esse cara daqui... ou eu mesmo faço isso!

- Rony... se acalma...

- Alguém poderia me explicar o que está acontecendo? – indagou John.

E como que milagrosamente, Gina apareceu, vindo por trás de John e lhe dando seu sorriso apaziguador.

Harry suspirou aliviado

Rony bufou irado.

- Boa noite John... – disse ela apertando a mão do homem enquanto Harry levava Rony para dentro – Hã... infelizmente a Hermione não pôde comparecer hoje...

- O que houve? Aconteceu alguma coisa?

- Calma... ela está bem... Mas você sabe, ela e meu irmão brigam muito e eles discutiram por uma bobagem. Bem, e a Mione é meio cabeça dura, assim como o Rony, e está meio difícil fazer com que eles dêem o braço a torcer... – ela riu nervosa.

- Então quer dizer...

- É, ela não pôde avisá-lo, mas pediu para eu comunicar-lhe que não poderá sair com você hoje... está meio chateada sabe? E a Hermione de mau humor não é boa companhia, garanto! Assim que toda a confusão passar, ela vai falar com você certo?

E Gina terminou seu discurso com um sorriso que tentava aparentar confiança.

- Er... Tudo bem. Já que não há mais nada a fazer... Eu a procuro depois. – e virou-se para ir embora.

Gina entrou na casa e fechou a porta atrás de si. Seguiu o som das pragas e imprecações que Rony soltava e o encontrou, junto com Harry, na sala de vídeo.

- Pode ficar tranqüilo Rony, ele já foi – disse ela.

- Aquele idiota! Se não fosse esse maldito “encontro” – o ruivo praticamente cuspiu a última palavra – Tudo teria sido diferente ontem...

- Rony... ele já foi – repetiu Harry.

- Eu já ouvi senhor “eco-de-Gina-Weasley”!

- Rony, eu conversei muito com a Mione... – disse Gina ignorando a rudeza do irmão – E ela está resolvida a não vir mais aqui.

- Como assim?!?!?! – exasperou-se ele.

- Você quer ter calma? – Gina lançou um olhar duro para o irmão – Mas eu tenho um plano. Pra isso é preciso que você vá para a casa do Harry.

- Heim?! – disseram os dois ao mesmo tempo.

Gina revirou os olhos.

- Eu não vou sair daqui até ter uma boa conversa com Hermione!

- Se você quiser ter pelo menos um pequeno dialógo com ela, vai ter que sair – Gina permaneceu firme – Eu tenho certeza do que estou fazendo. Quantas vezes eu te deixei na mão heim Ronald Weasley?

Rony abriu a boca para falar, mas foi novamente interrompido por Gina.

- Nem pense em enumerar! Se não eu não movo uma palha pra você e a Mione se entenderem!

Rony resignou-se e Gina explicou seu plano para os dois homens, que concordaram prontamente. Porém a missão de Harry continuava a mesma: não deixar o Rony fazer nenhuma besteira. Do resto, Gina cuidava.

********************

Quando ouviu o barulho da chave na fechadura, Hermione levantou-se de um pulo e colocou-se ao lado da porta

- Gina, pelo amor de Deus! – disse ela aflita – O John! Eu esqueci dele... Nem sei como pude ter esquecido disso, mas ele deve estar me esperando... Eu marquei com ele hoje. Deve estar na casa do Ron... E imagine a confusão...

- Fica tranqüila que eu já falei com o Fontaine. Estive na casa do Rony e impedi mais uma confusão – a ruiva suspirou frustrada – Sinceramente eu acho que vocês deviam resolver logo esta situação!

- Gina, eu já falei que não quero resolver nada!

- Okay Mione... – respondeu Gina com um ar cansado – Eu não vou mais forçar a barra. Vocês são adultos e sabem o que fazer da vida de vocês... Tô cansada de bater cabeça com você e o Rony... Que por sinal, é da mesma opinião que você, prefere protelar.

- Ele disse isso? – perguntou Hermione desconfiada.

- O que você acha?

Hermione caminhou até a estante estalando dos dedos.

- Mas sinceramente – continuou Gina – você não acha que deve ao menos ir buscar suas coisas? Eu quis trazê-las, mas tive medo de esquecer algo.

- Voltar lá? – espantou-se a morena – Mas o Rony...

- E se eu te garantir que o Rony não vai estar lá quando você chegar?

- Gina...

- Francamente Mione! Ao menos para pegar suas coisas! Ou você não as quer mais?

- Claro que quero!

- Então? Eu te garanto: o Rony não vai estar lá quando você chegar.

- Se for assim... Tudo bem.

- Então vou dar um jeito do Harry tirar o Rony de casa amanhã de manhã. – finalizou a ruiva com um brilho diferente nos olhos castanhos.

****************************

* Esse deveria ser o som do telefone desligando ^.^

** Um grande amigo meu costumava fazer isso...

*** Do potiguar, homem completamente dominado pela mulher.

Música utilizada: “Viva Forever” das Spice Girls (é velhinha, mas é tão suave... =])

Oi!

Eu sei que vivo fazendo isso, mas... desculpa de novo! Tá muito difícil manter o ritmo de escrita... tenho todos os dias da semana ocupados de manhã à noite. Tá ficando tão difícil que estou pensando se vou continuar a escrever depois dessa fic (que vou terminar, é só ter paciência), embora deseje muito postar mais fics, já que estou com a cabeça fervilhando...

Obrigada a todos que não desistiram, vocês são muito importantes pra mim... de verdade!

Ah, e um agradecimento pra lá de especial a todos que entenderam minha situação... foi bom contar com a compreensão de vocês ^.^

E então... gostaram do capítulo? Espero que sim! Bastante explicações né? *rsrsrs*

Perdão a todos que me enviaram mensagens no orkut, pois como Murphy é um cara muito legal (aquele da lei de Murphy, conhecem? “Se uma coisa tem chance de dar errado, certamente ela dará”), minha net deu paw e estou praticamente incomunicável... porque não tenho tempo de ir à Lan Houses... Tá fogo!

Bom, acho que não vai dar pra responder recados... sorry!
Aviso de antemão que o capítulo novo não sairá em menos de 15 dias... sorry de novo!

Adoro todos vocês!
Beijões!!!!!


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Comentários: 1

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Enviado por Lana Silva em 02/10/2011

Nossa quanto sentimento guardado desses dois nem acredito....Lupim incoviniente... kkkkkkkkkk

Nota: 5

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