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2. O BOLO MUSICAL


Fic: HAPPY HALLOWEEN -


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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CAPÍTULO II
O BOLO MUSICAL


Quando chegaram à confeitaria, Hermione saltou rapidamente da vassoura, antes que Rony resolvesse erguê-la novamente em seus braços. Tinha medo de que ele tentasse levantá-la como se fosse um saco de batatas.

_ Certo. – ele comentou, dirigindo-lhe um belo sorriso. _ Chegamos!

“Que ótimo”, pensou Hermione, mas resolveu não dizer nada. Não podia perder tempo com palavras. Julie já estava na casa onde aconteceria a festa, esperando por um bolo que não existia mais.

Antecipando-se a Rony, ela entrou na confeitaria. O desânimo estampou-se em seu rosto quando viu a escassa oferta de doces na vitrina. E agora, o que faria?

_ Olá, Bolton! QUAL É O TIME? – disse Rony, efusivamente, cumprimentando o homem vestido com um uniforme branco com enfeites vermelho e dourado do outro lado do balcão.

_ WILDCATS! – o confeiteiro respondeu dando um rodopio. _ Weasley! Como tem passado? – perguntou o confeiteiro. _ Sinto muito a sua falta agora que começou a temporada de quadribol. _ Tenho a impressão de que a senhorita aqui não está muito interessada em quadribol. Está? – Rony deu uma olhada de soslaio para Hermione, que tinha a expressão sombria. Parecia que um temporal com nuvens escuras, raios e trovões estava sobre sua cabeça...

_ Francamente, não. – Rony admitiu para Troy, cochichando. _ Na verdade, ela odeia...

_ Vamos mudar de assunto, então, porque ela está parecendo uma fera – disse Troy sorrindo e ainda falando baixinho. _ Mas que companhia encantadora! – Troy falou alto agora, olhando diretamente para Hermione, sorrindo e erguendo as sobrancelhas. _ Não vai nos apresentar, Weasley?

Hermione assustou-se e fechou mais ainda a cara, se é que isso era possível. Troy abriu seu melhor sorriso.

_ Não ligue, - disse Rony para Troy – é que estamos com um probleminha. Sem querer, fiz com que Hermione derrubasse o bolo de Halloween que precisava levar a uma festa. Será que pode nos quebrar esse galho?

_ Pra você eu quebro qualquer galho, Weasley. Estamos na época do Halloween. Tenho alguns bolos maravilhosos lá no fundo, feitos pelo Chris. Venham comigo.

Olhando para Rony, Hermione não se moveu. Notou pela primeira vez, talvez pela ambiente mais iluminado, que ele estava lindo. A calça jeans que usava delineava os músculos de sua perna, assim como o suéter de lã realçava o peito amplo e bem definido. Os cabelos ruivos estavam médios, mas alguns fios caiam displicentemente por sua testa. Os olhos pareciam duas safiras brilhantes e hipnotizantes. Precisava piscar rápido, se não, a baba ia começar a escorrer pelo canto da boca...

Baixou o olhar para sua própria roupa, uma calça de brim, suéter e jaqueta e achou-se insignificante e sem graça.

Rony estalou os dedos na frente dela.

_ Ei, Mione! Vem conosco ou quer que eu mesmo apanhe o bolo?

Hermione lançou-lhe um olhar duro. – ele parecia estar se divertindo as suas custas.

_ Eu mesma apanho meu bolo, obrigada! – replicou secamente. E passou por ele como se não existisse.

No entanto, seu queixo caiu ao entrar no cômodo dos fundos da confeitaria. As pessoas cantavam e dançavam enquanto faziam seus trabalhos. O confeiteiro entrou na dança junto com seu pessoal e Hermione imaginou que haviam entrado por algum portal para um mundo totalmente longe de sua realidade. Sobre uma mesa havia um bolo tão parecido com o que ela fizera que ninguém na festa seria capaz de notar a diferença.

_ Aquele! – exclamou, excitada pela primeira vez, se descontraindo e mostrando entusiasmo. _ É quase idêntico ao que eu fiz! E ainda canta... O bolo canta Rony! Que lindo! – o bolo laranja, uma enorme cara de abóbora sorridente, tinha uma leve cobertura de chocolate e folhas de açúcar verde no topo, recheado com um creme fosforescente que fazia seu interior brilhar e, nesse momento, cantava junto com a turma daquela inusitada confeitaria.

Rony estava às costas dela e cochichou-lhe ao ouvido: _ Ele será seu! – Hermione sentiu um leve e agradável arrepio percorrer-lhe o corpo.

Mas nem tudo são flores. Ou melhor, bolos...

_ Oh, sinto muito. – disse Troy. _ Esse vai ser entregue daqui a pouco. Mas temos aquele ali. – apontou para uma caixa com tampa transparente.

_ Ah! – gemeu Hermione, desapontada. O bolo também se parecia com uma abóbora, mas era sem graça aos olhos dela. Um bolo nada feliz para ir a uma festa...

Rony deu um tapa no ombro de Troy e puxou-lhe de lado, falando em voz baixa:

_ Sabe, Troy, eu coloquei Hermione numa enrascada. Será que não pode dar um jeito? Talvez a outra pessoa não se importe tanto se o bolo for um pouco diferente do que o encomendado. E, além do quê, se você não me ajudar, eu é que estarei numa enrascada, sacou?

Troy ainda quis argumentar, mas Rony cochichou-lhe mais algumas palavras. Hermione observava a cena, morrendo de curiosidade para saber o que ele falava, porém, manteve-se impassível, aguardando o desenlace da situação.

Troy assentiu com um gesto de cabeça.

_ Só um minuto.

Rony e Hermione esperaram enquanto Troy conversava com o pessoal de sua equipe. Logo, ele retornou, com um largo sorriso e falou para Rony:

_ Tudo acertado. Já temos outro bolo igual quase pronto e todos vão trabalhar para terminá-lo a tempo. O bolo da mesa é seu. – Voltou-se pra Hermione. _ Ou melhor, acho que devo dizer que é seu.

_ Mil vezes obrigada! – exclamou Hermione, animada. O sol voltava a brilhar. Passarinhos cantavam. Corações coloridos pipocavam no ar envoltos em nuvens lilases. A vida não era tão ruim como chegara a pensar. _ Quanto é?

Rony sacou a carteira, antes que Troy respondesse.

_ Eu estraguei o bolo, eu coloco outro no lugar.

Hermione já ia protestar, por instinto, mas mudou de idéia. Ele fora mesmo a causa do acidente. Além disso, não tinha a noite toda para ficar discutindo. Limitou-se a apanhar o bolo. Ao virar-se viu Rony entregar a Troy sicles suficientes para pagar tanto o bolo enorme que tinha nas mãos como o outro que estava sendo feito. Preferiu não comentar.

Sentindo-se mais alegre, apressou-se em direção à saída.

_ Cuidado! – advertiu Rony. _ Não vai dar para substituir esse bolo. Não quer que eu o carregue?

_ De jeito nenhum! – ela exclamou. Mas estava se sentindo bem melhor, e relaxou um pouco a guarda. _ Obrigada, Rony.

_ Aonde quer que eu leve você e o bolo? – ele perguntou.

_ Não posso ir de vassoura com esse bolo, Rony. Vou ter que desaparatar direto pra festa.

_ Você não vai conseguir desaparatar sozinha com esse bolo e já está bem atrasada. Vou desaparatar com você. Vamos, me diga onde fica a festa.

Hermione suspirou. Não tinha tempo nem vontade para explicar a Rony as inúmeras razões que a levava a fazer as coisas do seu jeito, sozinha, mas infelizmente ele tinha razão mais uma vez. A festa já devia estar começando. Era melhor ceder, mesmo contra sua vontade. Deu-lhe o endereço.

Despediram-se de Troy, o confeiteiro, e sua turma. Antes de partirem, Rony explicou a Hermione que eles não eram da região e que estavam viajando pelo mundo com uma equipe de basquete da América. Ele próprio os conhecera numa Gincana Mundial de Esportes.

Chegou apenas alguns minutos atrasada. A própria Julie, com sua calma habitual, abriu a porta.

_ Onde você estava, Hermione? – perguntou, mas sua atenção foi logo desviada para o homem parado atrás da amiga. _ Deixe pra lá. Quem é ele? – quis saber, abrindo seu melhor sorriso.

_ É meu destruidor-de-bolos, repositor-de-bolos e, agora, meu guarda-bolos. – respondeu Hermione, com uma ponta de cinismo.

_ Como assim? – Julie fez sinal para que Hermione entrasse.

_ É uma longa história. Conto depois.

Olhando para trás, Hermione notou com surpresa que Rony a seguia para dentro da casa. Tentando ser educada, apesar das atitudes abusivas dele, Hermione aproximou-se e limpou a garganta.

_ Ah, Rony, eu lhe agradeço, mas não preciso mais de ajuda. Não posso convidá-lo para ficar. Estamos aqui a trabalho.

_ Quer dizer que se você estivesse aqui para se divertir me convidaria para ficar? – ele lhe ofereceu seu melhor sorriso.

_ Rony! Você é impossível!

_ Não vai querer se livrar de mim agora, não é? – brincou ele, olhando ao redor da sala.

Hermione indicou com a cabeça os convidados que se entretinham tomando bebidas coloridas, borbulhantes e esfumaçantes e comendo doces e salgados em formato de morcegos, gatos pretos, bruxas, caveiras, bolas-de-cristal, aranhas e suas teias...

_ Acho que essas pessoas não gostariam de ter um bicão na festa. E duvido que acreditariam que você faz parte do serviço de bufê.

Involuntariamente, ela desviou os olhos para o jeans e o suéter de Rony. Não pôde deixar de notar o quanto ele estava másculo. Mesmo que, às vezes, desejasse nunca tê-lo conhecido, tinha de admitir que ele estava fisicamente muito atraente. Muito diferente do garoto que fora seu amigo no passado. Mas as sardas que salpicavam seu rosto e pescoço ainda estavam lá. Além do corpo forte e perfeito, tinha os olhos azuis mais luminosos que já vira, e um sorriso capaz de derreter o coração de qualquer mulher.

Mas não o seu, decidiu, resoluta. Prometera a si mesma que mudaria seu destino, e isso incluía manter-se o mais longe possível de ruivos altos, fortes, dominadores, prepotentes, lindos, maravilhosos, irresistí...

_ Não vou ficar muito. – disse ele, despertando-a.

Hermione piscou, saindo do transe (a baba quase escorreu) e limpando discretamente o canto da boca.

_ Preciso mesmo pedir que vá embora. – disse num fio de voz.

_ Não vai nem me apresentar a sua amiga? – Rony avaliou Julie, alta e atraente, com curtos cabelos ruivos e olhos verdes.

Hermione encolheu os ombros. Por que se importava com o interesse que ele demonstrava pela amiga? Afinal, certamente, não o queria pra si!

_ Julie Munn, este é...

Não conseguiu resistir. Uma perversa voz interior lhe disse para fingir que não o conhecia e que esquecera o nome dele. Desejava reduzi-lo alguns centímetros, mesmo que fosse apenas dessa vez.

_ Desculpe, mas não me lembro do seu nome. – Hermione estreitou os olhos para desafiar Rony.

Naquele momento, uma das convidadas precipitou-se sobre Rony e beijou-o nos lábios.

_ Ron, seu destruidor de corações! – falou com uma voz melosa._ Aonde tem andado? Eu e suas milhares de fãs tentamos localizá-lo de todas as maneiras!

Ele sorriu, sem muito entusiasmo.

_ Mudei de casa desde que deixei o quadribol. Tenho estado muito ocupado e não estou recebendo corujas. Instalei um afugentador.

_ Eu sei por que se mudou e por que não tem recebido corujas. – disse outra mulher, aproximando-se com um sorriso malicioso. _ Não quer que fiquemos atrás dele.

_ Bem, garotas, acho que agora podem enviar corujas para a casa da minha vizinha. Tenho certeza de que ela não se importará em me entregar os recados. Tem um pequeno corujal, não é Hermione? – Rony lhe dirigiu um olhar provocador.

Hermione fervia de irritação. Para começar, sua tentativa de diminuí-lo nem sequer fora notada. E agora era ela quem estava encostada contra a parede.

_ Não gosto de dar meu endereço a estranhos. – mentiu calmamente, com muito mais frieza do que se julgava capaz. Protegendo o bolo cuidadosamente, abriu caminho entre o grupo.

“Que piada”, pensou consigo mesma. O endereço do bufê, o seu e o de Júlia estavam espalhados pela cidade, em todos os locais que pudessem trazer novos clientes para a amiga.

Para sua estupefação, ao olhar para trás de relance, viu que um grande número de convidados rodeava e saudava Rony animadamente. Com Julie a seu lado, Hermione arrumou o bolo no centro da longa mesa do bufê, encostada em uma das paredes da sala.

_ Onde você encontrou esse encanto de homem? – sussurrou Julie.

Hermione arqueou as sobrancelhas.

_ Encanto? Só se for feitiço de Halloween. Magia negra. Uma boneca de vudu que eu nem sabia que tinham feito contra mim.

_ Pare de rodeios, Hermione. De onde você o conhece? A tensão entre vocês é quase palpável.

_ Ele é um amigo de infância. Estudamos juntos em Hogwarts. E agora, seis anos depois, ele é astro de quadribol, além de ser um vizinho barulhento que me perturba o sono há duas semanas, que me bate com uma escada e que destrói bolos maravilhosos.

_ Bateu em você? – perguntou Julie atônita e indignada.

_ Foi um acidente. Mas não é o cúmulo?

Julie riu e balançou a cabeça.

_ Você deve estar brincando!

_ Antes estivesse. Agora vou ter que morar ao lado dele. Como posso ter tanto azar?

_ Azar? Você está maluca? – Julie sacudiu a cabeça de Hermione._ Tem algum parafuso solto aí? – ela apontou o círculo feminino ao redor de Rony. _ Aposto que aquelas mulheres dariam um dedo para estar em seu lugar.

_ O nome dele é Ronald Abílio Weasley, tem 24 anos. - murmurou Hermione, ansiosa por mudar de assunto. _ Isso é tudo que sei dele hoje e, para ser sincera, não desejo saber mais.

_ Ele também tem um físico... E que olhos! – insistiu Julie com olhar sonhador. _ Como um homem pode ser tão forte e bonito? Isso é covardia!

_ Forte demais! – resmungou Hermione fazendo uma careta. _ Odeio homens fortes. Ele me levantou do chão duas vezes hoje, como se eu fosse uma boneca.

Júlia revirou os olhos verdes e apalpou os cabelos curtos e elegantes. Um garçom serviu uma bebida refrescante para elas.

_ Ai, Meu Merlin! – disse Julie quase gritando. _ E vai me dizer que você não gostou?

_ Não. Não gostei. – replicou Hermione azeda. _ Ele me colocou sobre o corrimão como se eu não pesasse mais do que uma pluma e limpou meus sapatos sujos de bolo. Depois, sentou-me em sua vassoura super veloz e me levou até a confeitaria. Você agüentaria alguém que pusesse as mãos em você o tempo todo?

_ Que fofo! Que lindo! – Julie estava extasiada. _ E ainda limpou seus sapatos! Hummm... Eu não me importaria nem um tiquinho se ele colocasse as mãos em mim um pouco. – brincou Julie com um brilho nos olhos...

_ Pois ele é todo seu. – Hermione já estava mais do que azeda. _ Faça bom proveito, mas vamos logo embora. – As duas fingiam que arrumavam pratos enquanto conversavam. Com a chegada do bolo, não tinham mais nada a fazer. Já haviam sido pagas, só restava irem embora. Mas Julie ainda comentou:

_ Você se esqueceu de mencionar uma coisa sobre ele, Hermione.

_ Qual? – perguntou ela enquanto sorvia um gole de sua bebida, e já se arrumando para sair.

_ Quando foi que você se apaixonou perdidamente por ele?

Hermione engasgou e começou a tossir desesperadamente jogando longe sua bebida. Ficou verde, roxa, amarela. Julie ria enquanto dava pequenas pancadas nas costas da amiga. Quando conseguiu falar, Hermione disse:

_ Não me venha com suas teorias psicanalíticas, Julie. Eu só quero me manter afastada de homens cujo ego é maior que sua própria altura.

_ Está certo, então. Outra hora você me conta.

_ Não há nada pra contar, Julie.

Quando foram se despedir do casal que as contratara, Rony interrompeu a conversa que estavam tendo e juntou-se a elas.

_ Convidem-nas para ficar na festa, Hugh e Mai. – pediu ao casal. _ Sou testemunha de que Hermione passou por uns maus bocados e precisa relaxar. Ela é amiga de infância e, agora, vizinha.

Hugh e Mai sorriram cordialmente.

_ Claro, Hermione e Julie podem ficar, se desejarem.

Incrédula, Hermione virou-se de modo que só Rony pudesse ouvi-la e murmurou, puxando-lhe pelo pescoço para alcançar-lhe o ouvido.

_ Pelo amor de Merlin, Ronald! O que é que você está fazendo? Nós estamos trabalhando aqui e você nem foi convidado! Não podemos e não devemos ficar.

Rony piscou para ela.

_ Eu fui convidado. Só que o destino fez com que eu me atrasasse. Agora estou tão atrasado que nem vou para casa trocar de roupa.

_ Oh, não...- gemeu Hermione. _ Diga-me que não estou ouvindo isso. Mas que droga, Ronald! Você me fez passar por idiota o tempo todo!

_Uma idiota linda...

_ Adoraríamos se ficasse – disse Mai amavelmente, ao perceber o clima tenso entre o casal. _ Os amigos de Ronald são nossos amigos também.

_ Nós não somos... – principiou Hermione. Julie deu-lhe uma discreta cotovelada.

_ Não é de praxe, e não estamos vestidas para uma festa, mas se têm certeza de que não se importam, nós ficaremos com prazer. – declarou a ruiva com um sorriso encantador.

Hermione fuzilou a amiga com os olhos. “Ficaremos com prazer”? Elas tinham sido quase forçadas a aceitar o convite. Não era ético ficar em uma festa que tinham sido contratadas para preparar. Mas o pior era que Rony tinha mais uma vez interferido em sua vida. Nem se dera ao trabalho de perguntar se ela gostaria de ficar na festa, colocando-a em uma situação constrangedora.

_ Infelizmente, não creio que eu possa – disse, cerrando os dentes para um sorriso forçado. Sua vontade era gritar. _ Tenho outros compromissos.

_Ora, Hermione, sejamos sociáveis. Vamos circular um pouco e ver se os convidados estão satisfeitos com o bufê. _ Julie sussurrou, inclinando-se para a amiga. _ Contatos, querida...

Hermione obrigou-se a sorrir, embora fosse a última coisa que desejasse fazer. Contatos! A palavra mágica da responsabilidade a que ela se comprometera com a amiga. Julie tinha razão. Era a única maneira que a amiga tinha de formar freguesia para um negócio novo.

_ Está bem, senhora Justin, e muito obrigada. É que me sinto sem graça invadindo assim a festa de clientes.

_ Por favor, chame-nos de Mai e Hugh, e pode ficar à vontade. _ insistiu Hugh. _ Você é amiga e vizinha de Ronald Weasley, portanto é como se fosse nossa vizinha também. E para quê servem os vizinhos?

_É mesmo, para quê? – repetiu Hermione, mal conseguindo disfarçar o sarcasmo. Lançou um olhar significativo a Rony, que se limitou a sorrir-lhe, com a maior das inocências. Os donos da festa se afastaram. Julie sumiu. Hermione, então, sentiu uma mão pesada sobre seu braço e sabia de quem era.

_ Quer dançar, vizinha?

Hermione nem havia percebido que uma banda começara a tocar em um canto do grande salão. Olhou ao redor e percebeu que muitos convidados olhavam admirados para o grande bolo de abóbora que dançava e cantava alegremente ao som da música. Seria difícil comê-lo...

Tentou recusar o convite de Rony, mas saudosamente lembrou-se do Baile de Inverno no quarto ano, em que sonhou ser convidada por ele para dançar. Num piscar de olhos, Hermione viu-se envolvida por braços musculosos, com o rosto colado no peito forte.

_ Seria uma boa idéia se fizesse um curso de como conquistar amigos. Na verdade, pode aprender comigo. Terei prazer em lhe ensinar.

“Como ele era petulante! Será mesmo que Ronald Weasley poderia mesmo lhe ensinar algo?” Só aprendera duras lições com ele. Ao levantar a cabeça para dar-lhe uma resposta à altura, Hermione mergulhou dentro do azul dos olhos de Rony e as palavras lhe fugiram. Em disparada, diga-se de passagem. A coitada ficou muda. Sentir o calor daquele corpo, a rigidez dos músculos, o aroma masculino tão conhecido, tão íntimo, causou-lhe uma emoção inesperada, e seus membros amoleceram, involuntariamente. “Que feitiço tão poderoso era aquele?” Hermione sabia a resposta. Era saudade. Sentia muita falta dele e de tudo que viveram juntos no passado. “Talvez, talvez... Rony talvez tivesse mudado e estivesse mais gentil, menos machista e menos egoísta...”

Naquele momento tudo era incerteza. Só sabia que se sentia bem nos braços de Rony. Bem demais. Como se intuísse a confusão de Hermione e a usasse em seu favor, Rony a puxou para mais perto. Ela suspirou e inconscientemente se aninhou mais contra seu peito. Por um momento, Hermione esqueceu suas defesas e não se deu conta disso. Tinha diminuído a luz, a música estava mais lenta e acariciante, e ela só tinha consciência de como sua forma esguia se moldava confortavelmente ao corpo de Rony. “Era saudade. Só podia ser. Saudade de seu amigo de infância e protetor. O clima da Guerra há mais de seis anos os fizeram trocar dois beijos, nada mais. Medo, carência, amizade.”

De repente, alguém deu um tapinha no ombro de Hermione. A surpresa da intromissão a trouxe de volta à realidade. “Mas o que será que estava fazendo com Rony, perdida em seus braços, seu corpo colado ao dele? Como pudera se deixar levar assim? Bastara alguns minutos nos braços dele para anular tudo que lhe causara?” Tentou se justificar com a desculpa de que lhe era natural e familiar abraçar um velho amigo. Mas era justamente isso que jurara que jamais aconteceria! Nem abraços, nem beijinhos sem importância.

A tensão das últimas horas tinha sido excessiva. Tudo o que aconteceu a perturbou e a tirou dos trilhos. Mas foi uma fraqueza momentânea. Ronald Weasley não era um homem adequado para ela, e não se esqueceria mais disso!

Quando Hermione se afastou, sentiu claramente que Rony não tinha a menor intenção de deixá-la ir. Virou-se e encontrou uma das mulheres que haviam cercado Rony.

_ Será que se importa? – perguntou uma loira alta, sorrindo mansamente para Hermione. _ Somos velhos amigos.

Que novidade, pensou ela. Rony devia ter mais velhas amigas do que poderia contar. Inclusive ela própria. Tentou sorrir com a mesma doçura da outra mulher, mas seus lábios tremiam. Uma outra loira lhe veio à lembrança e sentiu náuseas.

Honestamente não sabia o que havia de errado, sentia-se ao mesmo tempo gelada e febril. Talvez estivesse ficando doente. Todas aquelas noites em que ficou acordada, ouvindo o incansável martelar de Rony devem ter abalado a sua saúde. Precisava ficar bem, pois ainda teria intensas atividades durante todo o mês de comemoração do Halloween.

Por sinal, elas tinham mais uma festa na noite seguinte, outra grande no sábado, sem contar uma festinha infantil pela manhã. Na verdade, não havia nenhum motivo para ficar ali. Dominando-se, Hermione assentiu com a cabeça para a mulher.

_ Ele é todo seu. Nunca fico no caminho de velhos amigos.

E, sem olhar para Rony novamente, abriu caminho entre os convidados e avistou Julie, que dançava com um loiro. Hermione pensou que os casais deviam ser iguais em todos os sentidos: aparência, altura, temperamento, crenças... Automaticamente dirigiu o olhar para Rony e a loira. Formavam um par harmonioso. De saltos altos, ela ficava quase da altura dele. E por falar em dançar juntinho...

Continuou a andar, lembrando-se bruscamente, de como se abandonara nos braços de Rony. Ah, que noite absurda! Só queria ir pra casa. Tocou o braço de Julie. Era óbvio que sua amiga não ficou encantada com a interrupção. Mal virou a cabeça para ouvir o que Hermione tinha a dizer.

_ Olhe, Julie, eu realmente não acho que deveríamos estar aqui. Quero ir embora. – Antes que Julie pudesse recusar, Hermione levantou as duas mãos. _ O que você faz é assunto seu, mas não se esqueça que temos duas festas para preparar amanhã. Eu vou direto pra casa.

Julie deu um suspiro de exasperação.

_ Sam, esta é minha amiga Hermione Granger. – disse ao loiro._ Este é Sam Meyers, Hermione.

Ele parou de dançar e estendeu a mão com um sorriso tímido.

_ Oi, Hermione.

_Oi, Sam. – Hermione retribuiu o sorriso, sentindo-se à vontade com ele.

Sam era da altura de Julie, não tão alto quanto Rony. Eles deviam ter pouco mais de um metro e setenta. Uma boa altura, Hermione se pegou pensando. “Ora, por que estava tão obcecada por altura naquela noite? Só podia ser por causa de Rony e todo o festival de recordações que ele trouxe.”

_ Ainda não estou com vontade de ir – explicou Julie, sorrindo para Sam. _ Mas não se preocupe, Hermione. Você sabe que estarei no bufê às seis horas, com a corda toda. Lembro-me muito bem que temos de preparar cem brigadeiros para a festinha infantil, e que temos uma festa à noite e outra no sábado também.

Hermione encolheu os ombros. Não havia mais nada a fazer. Sorriu para Sam, quando ele voltou a olhar para ela. Achou-o discreto e agradável, o que fez com que simpatizasse com ele.

_ Prazer em conhecê-lo, Sam. Boa noite. Até amanhã cedo, Julie.

Depois de procurar um pouco, localizou os anfitriões. Agradeceu-lhes educadamente pelo trabalho e por terem permitido que ficassem na festa, mas explicou que precisava ir embora. Eles ainda comentaram com ela que haviam adorado o bolo. Ele realmente era a atração da festa. “Que bom!”

Ainda lhe ocorreu desaparatar,mas logo desistiu da idéia. Não morava tão longe assim, e uma caminhada esfriaria sua cabeça e lhe traria lucidez. Precisava ficar algum tempo sozinha. Tudo lhe provocara emoções exageradas naquela noite. Emoções há muito adormecidas como as lavas de um vulcão inativo. O problema era que o vulcão estava acordando.

Sentiu um impulso de procurar Rony e avisar-lhe de que estava indo embora. Repreendeu-se imediatamente. “Que idéia estúpida!” Não lhe devia nenhuma explicação sobre o que fazia ou deixava de fazer. Abrindo caminho delicadamente entre a multidão de convidados, que aumentava a cada instante, encontrou a porta da frente e saiu. De pé, na varanda, contemplando a noite de outono, tentou convencer-se de que ainda era cedo e estaria bem.

A noite estava linda, a lua viajava no céu, cheia e límpida. Folhas multicoloridas cobriam as calçadas; a maioria das casas estavam decoradas com enfeites de Halloween. Caminhar por aquele cenário lhe renovaria as energias e a autoconfiança.

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Meninas E MENINOS beijos no coração de todos. Saudades.
Aeshma.

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