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11. Traição Inconsciente


Fic: Memórias do Escudeiro . CAMARA SECRETA . Série pelo ponto de vista do RONY .


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Capítulo 11 – Traição Inconsciente



Sim, era possível.

Harry e Hermione foram pegos, mas ao contrário do que eu esperava, não foi por culpa de Draco Malfoy, mas de Argo Filch. Para completar, tínhamos perdido cento e cinqüenta pontos, já que Neville – sabe-se lá Merlim porque – se juntara a eles na brincadeira ‘leve-Bertinho-embora-e-perca-150-pontos’.

Todos os nossos companheiros estavam muito contentes, lançando olhares irritadiços para os três sempre que tinham a chance, sendo eu o único que sabia o verdadeiro motivo porque Harry e Hermione estavam fora da cama tão tarde, não poderia dar as costas a eles.

“Eles nos odeiam”, Hermione murmurou, infeliz, quando uma menina do quinto ano passou olhando feio para o nosso grupo, antes de empinar o nariz e passar por nós, direto.

“Eles vão esquecer dentro de umas semanas”, tentei, “Fred e Jorge já perderam montes de pontos desde que chegaram aqui e as pessoas continuam a gostar deles”, lembrei.

“Eles nunca perderam cento e cinqüenta pontos de uma tacada, ou perderam?”, Harry questionou, infeliz, apoiando o queixo em uma das mãos, enquanto observava Fred e Jorge conversar com um grupo de amigos, animados.

“Bom... não”, encolhi os ombros, “Mas a questão não é essa”, desconversei.

“Vou largar o time”, Harry disse, finalmente.

“Só se você quiser que cortem sua cabeça e pendurem no Salão Principal”, respondi, sem erguer os olhos.

“Vou falar com Olívio”, e se levantou.

Eu esperava, com sinceridade, que Harry estivesse vivo até os testes.

XxXxX


“E qual é o nome da constelação que fica ao leste de Sirius?”, Hermione perguntou, erguendo os olhos de suas anotações, enquanto me observava, aguardando pela resposta.

“É...”, fechei os olhos, tentando me lembrar, “É...”, mas nesse instante, Harry abriu a porta da biblioteca e sentou-se ao meu lado.

“Quirrell cedeu”, disse, sem se importar com o que estava interrompendo, “Tenho quase certeza. Ouvi-o dizendo alguma coisa, numa sala, e saiu de lá chorando... bem, quase”, encolheu os ombros, seus olhos indo de Hermione para mim, ansioso pela nossa reação.

“Então, Snape conseguiu!”, exclamei, aproveitando a deixa e empurrando os livros de Astronomia para longe, “Se Quirrell contou a ele como quebrar o feitiço antimagia negra...”

“Mas ainda tem o Fofo”, Hermione lembrou, também empurrando seu livro para o lado.

Ficamos alguns segundos em silêncio, pensando no ponto levantado pela garota.

“Talvez Snape tenha descoberto como passar pelo cachorro sem perguntar ao Rúbeo”, sugeri, enquanto analisava a biblioteca, “Aposto como tem um livro por aqui que ensina como se passar por um cachorrão de três cabeças. Então, o que vamos fazer, Harry?”

Hermione respondeu por ele.

“Vamos procurar Dumbledore. Isto é o que deveríamos ter feito há séculos. Se tentarmos alguma coisa por conta própria, com certeza vamos ser expulsos”, disse, seriamente.

“Mas não temos provas”, Harry contrapôs, exasperado, “Quirrell está apavorado demais para nos apoiar. Snape só precisa dizer que não sabe como foi que o trasgo entrou no Dia das Bruxas e que nem chegou perto do terceiro andar. Em quem vocês acham que ele vão acreditar, nele ou em nós? Não é bem segredo que nós o detestamos, Dumbledore vai pensar que inventamos isso para ele ser despedido. Filch não nos ajudaria nem que a vida dele dependesse disso, é muito amigo de Snape, e quanto mais alunos forem expulsos, tanto melhor, é o que ele pensa. E não se esqueçam, nós nem devíamos saber da Pedra nem de Fofo. O que vai exigir muita explicação”

Hermione aquiesceu, voltando a abrir o livro de astronomia.

“Se déssemos só uma espiadinha”, tentei, sério.

Não podíamos deixar que Snape pegasse a pedra.

“Não”, Harry me cortou, “já demos muita espiadinhas”, informou, decidido, puxando o livro para perto e começando a lê-lo.

Observei-os, relutante, antes de voltar minha atenção para meu próprio livro.

XxXxX


Harry e Hermione estavam se arrumando para comparecer à detenção junto com Neville, acompanhei-os até o quadro da Mulher Gorda. Se, ao menos, a capa de Harry não tivesse sido confiscada, eu poderia ter ido com eles.

Não que eu tivesse morrendo de vontade de me meter na Floresta Proibida, onde sabe Merlim o que habita lá, nem nada do tipo.

Hermione tinha me aconselhado a estudar, o que eu tinha começado a fazer, entediado, abrindo meu livro teórico de Feitiços e começando a fazer algumas anotações sobre os principais feitiços, quando percebi duas sombras me cobrirem.

“Ora, ora... o Roniquinho está estudando”, a voz de Fred fez-se ouvir.

“Caiam fora”, resmunguei, coçando meu nariz com a ponta da pena, enquanto virava a página do livro.

“Para onde Harry e a Hermione foram, acompanhados pelo gordinho?”, Jorge ignorou meu pedido, ocupando o assento à minha frente.

“O gordinho se chama Neville”, corrigi, sem erguer os olhos do texto que lia, “E eles foram prestar detenção”

“Ah, é... os cento e cinqüenta pontos”, Fred estremeceu, “Eu odiaria ser eles. Eu tive que dissolver um motim que o pessoal do segundo ano estava armando, acho que Harry ia acordar com os cabelos lambuzados de mel”

“Muito bondoso da sua parte”, rebati, começando a resumir as utilidades do Lumus.

“Sabe, Rony, nunca achei que você fosse virar um Percy Júnior”, comentou Jorge, apoiando o queixo em uma das mãos, enquanto me observava.

Com um suspiro, deixei a pena de lado.

“Tenho provas em duas semanas e nada para fazer. O que mais eu poderia fazer?”, perguntei, num tom entediado.

Fred e Jorge sorriram.

“Torneio de xadrez?”, e puxaram suas peças dos bolsos das calças.

Um sorriso, lentamente, tomou o meu rosto.

XxXxX


“Vamos dormir”, decidiram os gêmeos, colocando-se de pé e fingindo bocejos.

“Vocês não podem estar com sono”, olhei para o relógio na parede, horrorizado, “São só meia-noite e meia!”, soltei, indignado.

“Bem, se você não vencesse tanto, talvez não estivéssemos tão cansados”, Jorge ergueu as sobrancelhas.

“Maricas”, soltei, baixinho, enquanto eles se afastavam. Ajeitei-me no sofá, esperando por Harry e Hermione, mas acabei adormecendo.

XxXxX


Acordei às três horas da manhã, com Harry me sacudindo pelos ombros. Super gentil da parte dele.

Ou não.

“Rony, acorda, preciso falar com vocês”, abri os olhos pra encarar Harry, que estava sentado na mesa de centro, onde antes estivera o tabuleiro, enquanto Hermione ocupava o lugar ao meu lado no sofá, “Eu vi uma coisa na floresta”, ele disse.

“Animais?”, perguntei, coçando meus olhos, enquanto bocejava, “Porque existem muitos deles por lá”

“Rony, é sério. Tem alguma coisa matando os unicórnios”, Hermione me repreendeu, “Hagrid nem mesmo sabe o que é, então...”

“Eu o vi”, Harry interrompeu-a, “O animal que está matando os unicórnios... eu o vi”, disse, relutante.

“Quem está matando o quê?”, perguntei, piscando os olhos com força, tentando focar minha atenção.

“Alguma coisa está matando os unicórnios da Floresta Proibida”, explicou Hermione, eficiente, “Hagrid não sabe exatamente o que é, ele diz que é muito difícil matar um...”

“Eu vi quem foi”, Harry interrompeu-a novamente, “Eu sei quem foi. Vi-o tomando o sangue do unicórnio”, ele estremeceu com a lembrança, “Vocês sabem para que é usado o sangue do unicórnio?”, nós dois nos voltamos para Hermione, que deu de ombros, corando por não saber a resposta, “Se você está à beira da morte e bebe do sangue de unicórnio, sua vida se alonga, é, na verdade, uma ‘meia-vida’ e, em troca desse tempo a mais, sua vida se torna amaldiçoada”, ele respondeu à própria pergunta.

“Mas se você vai viver amaldiçoado... não é melhor morrer?”, perguntei, confuso, “Para que você vai querer uma vida... perdão, uma meia-vida amaldiçoada?”

“Foi o que eu perguntei”, Harry concordou com um aceno de cabeça, “Firenze, um centauro que conhecemos”, ele acrescentou para mim, “, disse que o sangue de unicórnio poderia servir até o ser em questão conseguir voltar a ter uma vida completa”, nos encarou, como se esperasse por uma reação, “O que é que nós conhecemos que pode nos dar vida eterna?”

Hermione soltou um ofego, levando as mãos à boca.

“O animal que está matando os unicórnios quer a Pedra?”

“O animal que está matando os unicórnios é o Snape?”, franzi o cenho. Ali estava outra coisa que eu não conseguia imaginar o professor fazendo.

“Não”, Harry respirou fundo, erguendo os olhos e nos fitando fixamente impaciente, “Qual é a única pessoa que conhecemos que quer voltar a tomar o poder e está só esperando por uma oportunidade?”

Arregalei os olhos, e hesitei.

“Não”, soltei, finalmente, “Ele está morto”

“Você acredita mesmo?”, Harry levantou-se e começou a andar de um lado para o outro, “Pode ser que seja verdade, o que quer que eu tenha visto hoje, não se parecia muito com um humano. Snape quer a Pedra para Voldemort... e Voldemort está esperando na Floresta... e todo esse tempo pensamos que Snape só queria ficar rico”

Estremeci ao pensar naquilo tudo. Voldemort. Minha mãe ainda chorava quando lembrava dos tempos em que ele era vivo, lembrava-me de que seu nome costumava ser um tabu, quando ele estava no poder.

“Pare de repetir esse nome!”, resmunguei, repentinamente muito mais assustado do que antes.

Harry seguiu em uma narração de tudo o que tinha acontecido, murmurando coisas sem qualquer nexo como ‘escrito nas estrelas’, mas o nome de Voldemort apareceu novamente.

Quer parar de dizer esse nome?”, sibilei, irritado.

Hermione, então, argumentou que Dumbledore era o único homem de quem Voldemort tinha medo, então ele não atacaria enquanto ele estivesse por perto. Isso me acalmou um pouco e pareceu acalmar Harry também.

Tudo ficaria bem, contanto que Dumbledore não tirasse os pés do castelo.

XxXxX


Acordei com o barulho de alguns guinchos e ofegos. Sentei-me na cama e observei Harry, na cama ao lado, chutando os lençóis, o rosto franzido numa careta, enquanto movia pernas e braços em todas as direções.

Isso tinha acontecido com uma freqüência assustadora desde que ele havia voltado da detenção e visto Voldemort. Respirei fundo, empurrei os lençóis para os meus pés e desci da cama. Parei ao lado da cama dele e chacoalhei-o pelos ombros, acordando-o.

“Harry?”, chamei, baixinho, enquanto ele se sentava, ofegante e suando frio.

“Vold...”, começou, os olhos verdes arregalados em horror.

“Ele não está aqui”, interrompi-o, “Foi só outro sonho”, acrescentei, coçando um dos olhos e abafando um bocejo.

No começo, Harry se assustara tanto com esses sonhos que vestíamos a capa de invisibilidade e descíamos até a sala de Fofo, só para nos certificar de que ele ainda estava lá.

Agora, no entanto, já tínhamos nos habituado com os pesadelos.

Harry aquiesceu e voltou a se deitar; voltei para a minha cama.

“O que foi?”, Neville perguntou sonolento, enquanto se apoiava em um dos cotovelos, me fitando com os olhos embaçados de sono.

“Ele está ansioso com as provas”, respondi, enquanto me ajeitava na cama.

XxXxX


Finalmente, a última prova do ano.

Espreguicei-me, dando um largo sorriso.

Estava tudo acabado, no melhor sentido possível da palavra.

Harry, Hermione e eu nos sentamos sob uma das árvores, próximos à margem do lago, enquanto observávamos Fred, Jorge e Lino fazerem cócegas num tentáculo da lula gigante.

“Acabaram-se as revisões”, anunciei, recostando-me contra o tronco da árvore, “Você podia fazer uma cara mais alegre, Harry, temos uma semana inteira até descobrir se nos demos mal, não precisa se preocupar agora”, informei, fechando os olhos.

“Eu gostaria de saber o que significa isso!”, ele soltou, tão irritado, que abri os olhos para encará-lo, “Minha cicatriz não pára de doer, já senti isso antes, mas nunca com tanta freqüência”

Hermione pareceu genuinamente preocupada.

“Procure a Madame Pomfrey”, sugeriu, abraçando um livro que estava lendo.

“Eu não estou doente”, Harry sibilou, “Acho que é um aviso... significa que o perigo está se aproximando...”

Claro, porque tudo faz muito sentido: você está em apuros e a sua cicatriz dói. Quem sabe um dia ela não fala se vai chover ou não, né? Ou informar o número da loteria? Afinal, é a Super Cicatriz de quem estamos falando.

Sério mesmo, que tipo de programas esse garoto tem assistido ultimamente?

“Harry, relaxe. Hermione tem razão, a Pedra está segura enquanto Dumbledore estiver por aqui. Em todo o caso, nunca encontramos nenhuma prova de que Snape tenha descoberto como passar por Fofo. Ele quase teve a perna arrancada uma vez, não vai tentar outra tão cedo. E Neville vai jogar quadriboll na equipe da Inglaterra antes que Hagrid traia Dumbledore”, acrescentei, voltando a fechar os olhos.

XxXxX


Acordei com o barulho de passos. Quando abri os olhos, vi Harry se levantando e começando a caminhar em direção à cabana de Hagrid.

“Onde é que você tá indo?”, perguntei, sentando-me e bocejando.

“Acabei de me lembrar de uma coisa”, ele disse, pálido, “Tenho que ver Rúbeo agora”, explicou.

Com um suspiro, comecei a me levantar, enquanto ele avançava em direção à pequena cabana.

“Por quê?”, Hermione já estava correndo para alcançá-lo.

“Vocês não acham um pouco estranho que o que Rúbeo mais quer na vida é um dragão, e aparece um estranho que por acaso tem ovos de dragão no bolso, quando isso é contra as leis dos bruxos? Que sorte encontrar Rúbeo, não acham? Por que não percebi isto antes?”, ele bateu com a mão na testa.

Cocei a testa, confuso. Estava com muito sono e Harry tem essa mania irritante de começar a falar como se nós morássemos em sua cabeça e tivéssemos acesso instantâneo a todas as suas linhas de raciocínio. E, caso não tenha ficado claro, não possuo essa habilidade.

“Do que é que você está falando?”, perguntei, finalmente alcançando-o. Mas, claro, ele não respondeu, porque Hagrid estava sentado em um caldeirão virado ao contrário, e estava descascando ervilhas.

“Olá”, ele ergueu o rosto redondo para nos encarar, com um sorriso, “Terminaram os exames? Têm tempo para um refresco?”

“Temos, obrigado”, respondi, mas Harry me censurou com os olhos e se pronunciou.

“Não, estamos com pressa, Rúbeo”, é, quem é que liga para a minha sede? “Preciso lhe perguntar uma coisa. Sabe aquela noite que você ganhou o Norberto? Que cara tinha o estranho com quem você jogou cartas?”

“Não lembro”, Hagrid voltou a sua importantíssima tarefa, “Ele não quis tirar a capa...”

Ao perceber nossa cara, o gigante começou a resmungar algo sobre existirem muitas pessoas estranhas em Hog’s Head. Harry, então, abaixou-se, e voltou a atenção de Hagrid para ele.

“O que você conversou com ele, Rúbeo? Chegou a mencionar Hogwarts?”, perguntou, incisivo.

Hagrid começou a murmurar coisas, sem sequer erguer os olhos de suas mãos ocupadas. Eu estava começando a divagar, tentando contar quantas galinhas Hagrid tinha em seu viveiro, quando uma determinada frase chamou minha atenção, “... respondi que depois de Fofo, um dragão seria moleza...”, voltei minha cabeça na direção dele imediatamente, os olhos arregalados.

“E ele pareceu interessado no Fofo?”, a voz de Harry era calma, mas percebi que ele alterava o peso de um pé para o outro, enquanto Hermione e eu trocávamos olhares perplexos.

“Bom... pareceu... quantos cachorros de três cabeças a pessoa encontra por aí, mesmo em Hogwarts?”, Hagrid pareceu incomodado sob o olhar inquisidor de Harry, “Então, contei a ele que Fofo é uma doçura se a pessoa sabe como acalmá-lo, é só tocar um pouco de música e ele cai no sono...”

Meu coração começou a bater muito mais rápido agora e não ouvi a expressão, surpresa, de Hagrid, quando nós três nos viramos e caminhamos na direção do castelo.

Então, Hagrid traíra Dumbledore.

Ele só não o tinha percebido.

Continua...


N/A: Oi, gente!

Como combinado, o novo capítulo!

Estamos chegando ao final da Pedra Filosofal!

O que estão achando?!

Respondendo aos comentários do último capítulo...

Tailana Schreiber: Aqui está o novo capítulo! Gostou? ;)

Pollitá: Fico contente que você esteja achando a fic engraçada! Estou me esforçando ao máximo para isso! Aqui está o novo capítulo! O que achou?

Renata Nofal: Aqui está o novo capítulo! É que eu tenho mesmo que fazer de duas em duas semanas, porque eu só tenho até o capítulo 14 escrito até agora... :/ O que achou desse?

Aguardo pelo comentário de vocês!

Um abraço apertado!

Gii.

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