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15. Revelações Preocupantes


Fic: Harry Potter e o Segredo de Corvinal


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Harry não estava conseguindo entender. Ele estava de pé no meio da sala de Carlinhos e Ana, junto com uma quantidade considerável de membros da Ordem da Fênix sem saber, contudo, o porquê de ter sido chamado até ali.

Claro que ALGO estava acontecendo. Havia uma moça desconhecida deitada no sofá, sua cabeça pousando no colo de Ana, enquanto a aurora segurava preocupadamente as mãos dela. Era evidente que a estranha não estava passando bem, devido a palidez excessiva e ao modo como mantinha os olhos firmemente fechados.

Além disso, todos haviam se retirado para um canto, sussurrando tão baixo que Harry mal conseguia distinguir duas palavras em cada dez. Desde que chegara, fora impedido de abrir a boca até mesmo para questioná-los sobre aquela situação esquisita. Eles faziam sinais de que ele deveria fazer silêncio absoluto.

Registrou vagamente também a presença de duas crianças, que ele sabia serem os filhos de Serenna Snape, irmã de Severo Snape (1). Eles estavam quietos como estátuas, os olhinhos arregalados enquanto observavam tudo, sentados em poltronas em lados opostos. Se perguntou se eles, pelo menos, estavam sabendo mais do que ele sobre tudo aquilo.

Carlinhos, Lupin e Tonks falavam um atrás do outro, mais com gestos do que com palavras, enquanto Quim permanecia calado, tão confuso quanto ele próprio. Mas o tempo estava passando sem que o caso fosse esclarecido. Já estava ficando ridículo.

- Eu não estou entendendo o que estão me dizendo! – Harry achou melhor sussurrar também, embora o tenha feito em um tom ligeiramente mais alto que o dos amigos, o mínimo para ser compreendido.

Mal pronunciara a frase e a moça no sofá emitiu um gemido de pura angústia, dobrando-se sobre si mesma, enquanto apertava a cabeça com as mãos.

Uma cruciatus! Era exatamente esta reação que as pessoas tinham sob aquela maldição imperdoável. Impossível esquecer-se, quando a vira sendo aplicada tantas vezes durante a guerra, nele ou em companheiros de batalha.

Foram segundos apenas até se dar conta que não era o que imaginava. Se magia estivesse envolvida, ele teria sentido. Podia detectar o uso de magia com a mesma facilidade com que um cão fareja odores. Especialmente magia negra. Uma habilidade que deveria “agradecer” a Voldemort.

Mas então o quê...???

Ana, que abraçara protetoramente a desconhecida, apertava firmemente os lábios como se palavras de conforto estivessem a ponto de sair de sua boca e ela não se atrevesse a dizê-las. Em seguida, olhara carrancuda para os demais ocupantes na sala, fazendo um gesto muito claro com o braço direito para que eles fossem para cima.

Carlinhos assentiu com a cabeça e subiu as escadas, sendo seguido pelos demais. Ainda atônico, Harry foi junto, vendo a mulher misteriosa ir se acalmando e voltar à anterior imobilidade. Tonks também ficou olhando para a moça enquanto subia e quase tropeçou nos degraus.

O cunhado só parou quando chegaram ao terraço. Ainda assim, ele manteve o tom baixo de voz quando falou:

- Qualquer frase ou palavra desencadeia aquela reação que você viu, por isso não podemos falar perto dela.

- E quem é a moça, afinal? – Harry perguntou.

- Não sei se lembrará dela. Esteve no meu casamento, foi uma das madrinhas.

Harry franziu o cenho, tentando se lembrar.

- É... Agora que falou acho que recordo... Mas o que aconteceu? Deve ser grave para a Ordem ser acionada.

- Bem, a Ordem não foi acionada. – Tonks esclareceu. - Não a princípio, pelo menos.

- Notei que os filhos de Serenna estão lá em baixo... Snape está envolvido de alguma forma nisso? – Ele estreitou os olhos.

- Não, ela chegou pouco depois da tentativa de lançar um obliviate. – Carlinhos afastou a suspeita de Harry. – Está nos ajudando desde então, e agora está na cozinha, fazendo um chá calmante para Luíza.

- Tentativa de obliviate? Quem tentou apagar a memória de quem?

Instintivamente, ele procurou pelo olhar de Lupin, como se só seu antigo professor pudesse acabar com aquela expectativa e lhe dar respostas plausíveis.

- É uma longa história. – Remo disse, começando a narrar os eventos.

***

[Flashback – Algumas horas atrás]:

É curioso como as coisas aconteceram naquele dia.

Imaginem que Luíza se deparara com um elfo doméstico e, ao mesmo tempo, com um casal de bruxos! E não era um casal de bruxos qualquer, se tratava de uma das suas melhores amigas e o marido.

Tentara fugir quando o segundo raio luminoso saíra da varinha de Ana e se chocara contra ela. Aquilo não lhe fizera dano, mas mesmo assim correra, é claro. Não é algo que um trouxa considere “normal”, afinal de contas. Correra, sendo paralisada por um feitiço de petrificação prontamente lançado por Carlinhos.

Doera em Ana ver o terror nos olhos de Luíza. Não era um mostro ou uma aberração para ser temida. Tentara apagar a memória dela com um obliviate, coisa que qualquer bruxo sensato do mundo, em condições para tanto, faria. Mas o feitiço não funcionara. Por duas vezes!

Não sabia o que poderia ter dado errado e chegou até mesmo a sugerir que Carlinhos tentasse, o que foi prontamente descartado por este: feitiços de memória eram extremamente perigosos, e ele não era um Auror treinado. Nunca precisou usar um para lidar com os dragões.

A palavra “dragão” provocou um piscar de olhos ainda mais terrificado de Luíza. Apesar dos dois fazerem de tudo para que a moça se acalmasse, parecia que não estava dando certo.

A campainha tocou. Tinham até mesmo esquecido que esperavam Serenna, a irmã de Snape. Ana abriu a porta para que ela e seus dois filhos entrassem, falando resumidamente o que tinha acontecido à outra mulher. Serenna chegou a se oferecer para voltar outra hora, mas Ana a impediu e pediu que ficasse a os ajudasse a acalmar a amiga. A outra brasileira, que tinha longa experiência no serviço social trouxa, certamente seria de grande ajuda.

- Vocês a petrificaram! – Serenna protestou em tom de censura, assim que viu Luíza.

- Eu tive que fazer isso. – Carlinhos se defendeu com um levantar de ombros impotente.

- Está certo, mas vocês não podem sair por aí lançando feitiços nas pessoas e esperarem que elas não reajam, não é mesmo? – Serenna pontuou calma e sabiamente.

Ana reconheceu que Serenna tinha chegado ao cerne da questão. Bruxos simplesmente lançam feitiços e esperam que tudo esteja resolvido em poucos segundos, mas o resto da humanidade precisa desesperadamente que o mundo faça sentido. Por isso, resolveu lidar com aquilo ao modo trouxa: explicando.

- Amiga – Ana começou a falar em português, o tom decidido e afável ao mesmo tempo. – Lembra do Harry Potter? A história do menino bruxo? É real, Lú. Tudo. A criatura que você viu ainda a pouco era um elfo doméstico. Como aquele de um pôster que tinha no meu apartamento, lembra? Vou chamá-lo, para que você possa vê-lo novamente. Rampell!

O elfo apareceu na sala com um “ploc!”, parecendo tão culpado quanto um menino que havia sido pego fazendo traquinagens.

- Elfo mau! – Graniu Rampell, lamentoso. – Assustou a amiga de jovem mestra e feriu a lei dos bruxos! Rampell merece um castigo! Vai se atirar do prédio mais alto, da cidade mais alta...

- Eu te proíbo, Rampell! – Ana ordenou apressadamente, enquanto Carlinhos segurava os dedos élficos a tempo de estalarem, fazendo a criatura sumir. – Elfos são um pouco... “sensíveis”, sabe? – Ela explicou para a amiga. – Pode voltar para Smith House, Rampell. E não se preocupe, você não fez nada de errado.

A criaturinha fez um sinal compungido de compreensão e, com um estalar dos dedos já libertos, sumiu com mais um “ploc!” ressoando no ar.

Ana podia sentir que Luíza estava deixando a histeria de lado e se rendendo aos fatos. E o mais importante: ela não sentia mais medo. Além de finalmente ter tido uma explicação, a censura de Serenna por a terem petrificado, somada à atitude lamentosa e submissa de Rampell haviam demonstrado que ninguém queria machucá-la.

- E então moça? Podemos te soltar? – Carlinhos perguntou gentilmente.

Luíza piscou uma vez, indicando que sim, e o feitiço de petrificação foi desfeito. Como ela não conseguia se agüentar em suas pernas (feitiços de imobilização deixam suas vítimas bem fracas), eles a sustentaram e a fizeram se acomodar no sofá.

- Desculpe termos te assustado, Lú. – Ana mordeu o lábio inferior, se sentido culpada. – Aquele feitiço iria te fazer esquecer, só isso...

- E-Então, vocês são...

Ana respirou fundo e respondeu:

- Bruxos.

Foi a vez de Luíza arfar, procurando absorver o impacto da informação. Os olhos dela recaíram sobre Serenna, que simplesmente fez um sinal afirmativo, confirmando que também pertencia à classe dos bruxos.

- Tio Sev disse que nós também somos. – Leo, de oito anos respondeu mesmo sem ser consultado.

- Mas não temos nem varinha! – Aline lamentou. – Somos jovens demais, e só poderemos fazer magia em Hogwarts. Eu vou para lá no ano que vem.

A moça piscou várias vezes diante de tantas informações. Abriu um pequeno sorriso confuso para as crianças, perguntando-se o que seria “Hogwarts” – devia ser um lugar, pois a tradução literal, “verruga de javali”, não se encaixaria na frase dita pelas crianças, principalmente porque elas estavam falando em português.

Serenna pressentiu a confusão da moça e fez a gentileza de explicar:

- Hogwarts, a escola britânica dos bruxos. – Sorriu. – Eu sou Serenna Snape. - Ela acreditava que, se a moça não sabia o que era Hogwarts, não se preocuparia com o uso de seu verdadeiro sobrenome. – E estes são meus filhos, Leo e Aline. Sou inglesa, mas fui criada no Brasil. Meus filhos são brasileiros.

O máximo que Luíza conseguiu fazer foi cumprimentá-los com um sinal de cabeça. Não tinha mais receio que a machucassem, mas a situação era bem esquisita para que se sentisse à vontade.

- Luíza Esteves. – Apresentou-se. Em seguida fez um gesto bem conhecido para Ana: franziu o cenho e soltou uma exclamação baixinha de desgosto.

Isso queria dizer que, nos os poucos segundos entre as palavras de Serenna e a sua resposta, a outra brasileira já havia esquecido qual era o nome da outra mulher e das crianças. Luíza tinha técnicas para que essa sua... “característica” não a prejudicasse tanto no trabalho, mas o nervosismo certamente a fizera dispersar a atenção e, quando percebeu, já era tarde demais.

- Não se preocupe, Lú. – Ana deu umas palmadinhas amigáveis na mão da amiga. – Depois eu escrevo os detalhes para você.

Serenna estranhou o comentário e olhou interrogativamente para Ana.

- Luíza é o computador humano da Agência. – Ana explicou sem entrar nas “outras” minúcias, não percebendo o desagrado da amiga quando mencionou o seu apelido. - Memória fotográfica, lembra de tudo o que lê.

- É mesmo? Isso deve ser fantástico! – Serenna estava impressionada.

- Não se engane. – A moça suspirou, triste. - As desvantagens são maiores. Não consigo ter grande aproveitamento usando os outros sentidos além da visão. Esqueço facilmente as coisas que ouvi. Como os detalhes do que vocês me contaram, só porque estas coisas foram “faladas”, e não escritas. Ou então... – Luíza enrubesceu violentamente. – O seu nome ou o de seus filhos, que você acabou de me dizer. Desculpe.

Serenna sentiu piedade, mas não demonstrou. Simplesmente sorriu:

- Não seja por isso. Eu sou Serenna Snape, e estes são Aline e Leo.

- Certo. Espero que não me esqueça de novo... Serenna. Mas, se acontecer, por favor, tenha paciência comigo. Eu vou acabar decorando.

- É claro que sim. Mas a gente pode dar um jeito... Você poderia ler os livros. Claro que não poderemos passá-los para você porque... Há um feitiço que nos impediria normalmente... Loucuras paranóicas do nosso Ministério, sabe? Porque há informações nas... histórias que não são do domínio público, quero dizer, que "poucos bruxos podem saber".

- Entendo... – Luíza respondeu mais por educação do que por realmente entender. A situação toda ainda era muito assustadora.

- Mas você, como não é bruxa – continuou Serenna - Pode ir a qualquer livraria de Londres e pegar os livros pra ler. Quanto tempo você leva pra ler e decorar um livro de... 700 páginas?

- Eu leio rápido... Meia hora, talvez um pouco mais.

- Mérlin, que memória incrível! - Serenna ficou abismada.

- É isso!!! – Carlinhos exclamou. – E se for essa aptidão que interfere nos feitiços de memória?

Ana ponderou por alguns segundos. Sim, poderia ser isso. Na realidade, era quase certo que sim, pois não conseguia pensar em outra coisa que tornasse Luíza diferente da maioria dos trouxas e que pudesse mantê-la imune aos feitiços desta natureza.

- O Ministério da Magia não pode saber. – Ela declarou, enquanto mordia o lábio inferior. – Uma trouxa que não pode ser atingida por um obliviate. Não a deixariam em paz, vocês sabem como eles são.

Os outros assentiram em silêncio, e Luíza ficou pálida, imaginando-se sendo vítima de uma Inquisição às avessas. Não ajudou muito a imagem de feiticeiros poderosos dos desenhos animados, que estão no subconsciente de qualquer trouxa. Barbas compridas e em ângulos impossíveis. Capas negras e unhas grandes. Reuniões em cavernas e planos de dominar o mundo.

- Está bem. – Carlinhos concordou com a esposa. – Mas vamos chamar o Lupin, amor. Afinal, quais são os efeitos que um feitiço de memória fracassado pode causar?

Ana arregalou os olhos e encarou Serenna, que parecia estar se lembrando da mesma coisa. No entanto, as duas não tiveram coragem de verbalizar seus pensamentos. Aline e Leo – que vieram do mundo trouxa também e, portanto, sabiam dos livros - não tiveram o mesmo tato:

- Como com o Lockhart?!?

- Lockhart? – Luiza perguntou, preocupada com as expressões de espanto. – Quem é esse Lockhart e o que aconteceu com ele?

- Ninguém e não aconteceu nada que vá acontecer com você, Lú. – Ana se apressou a responder. - O caso é diferente. Você está agindo normalmente... Bem, ao menos “normalmente” para alguém na sua situação. O que não aconteceu com ele. – Olhou para o marido. – Sim, vamos chamar o Remo. Por precaução.

Talvez o melhor fosse chamar Alicia. Além de ser da Ordem, ela era medibruxa também. Mas nunca se podia ter certeza se ela estaria em casa ou de plantão no St. Mungus; e caso se arriscasse a falar com Jorge, segundos depois Fred estaria sabendo de tudo. E, em poucas horas, todos os Weasleys. Às vezes, os gêmeos se pareciam com duas velhas fofoqueiras.

Não, por enquanto Lupin era a melhor alternativa. Feitiços de memória eram parte do estudo de Defesa Contra As Artes das Trevas também. Com certeza ele poderia ajudar em alguma coisa.

- Nós vamos chamar um amigo nosso, apenas para ter certeza que está tudo bem com você, ok? – Ana perguntou à Luíza.

- Claro... – A outra concordou sem muita certeza.

- Já vou avisando para não se assustar. – Ana foi dizendo enquanto Carlinhos caminhava em direção à lareira. Ela lançou um olhar discreto para o calendário, só para verificar se aquela não seria noite de lua cheia. – Este é um meio de transporte e comunicação bruxos... Vai fazer muito barulho, mas depois tudo se acalma...

Enquanto ela falava, Carlinhos jogou um pouco de pó-de-flu lá dentro, fazendo um grande fogo verde queimar e crescer por alguns segundos. Mesmo avisada, Luíza não conseguiu deixar de ter um pequeno sobressalto diante da cena.

Conversaram com Lupin, e o ex-professor de Hogwarts lhes dissera que o pegaram bem a tempo: estava quase de saída para a sede da Ordem. Ana se perguntou o que seria tão importante a ponto de Lupin não querer esperar até segunda-feira para voltar ao Largo Grimmauld. Mas tinha outros problemas em que se concentrar agora.

- Não é um meio de comunicação muito limpo, sabe? – Ana comentou com a amiga, depois que o rosto de Lupin sumiu da lareira. – Eu sempre tenho que lavar meu cabelo depois que a uso.

Luíza se assustou de novo quando o ex-professor de Hogwarts reapareceu na lareira – agora realmente presente -, e Ana se desculpou por ter se esquecido de prepará-la para aquilo também.

Quando Lupin perguntara se era realmente importante, porque ele tinha algo urgente para resolver na sede da Ordem, o tratador de dragões simplesmente dissera que tinham uma trouxa que não poderia ser obliviada. Lupin arregalara os olhos e viera imediatamente.

Agora que tinham lhe contado mais detalhadamente o caso, tudo parecia igualmente inusitado, mas parecia fazer sentido. Já ouvira falar dessas ocorrências de trouxas que nascem com certas habilidades mentais extraordinárias, ou as desenvolvem por razões que até mesmo os cientistas estavam apenas começando desvendar. Não havia estudos sobre o assunto entre os bruxos, mas lhe parecia que eram ainda mais raros do que entre os trouxas, e nem sequer poderia afirmar com certeza que existissem. Talvez – e isso era puro achômetro – Dumbledore.

- Não acredito que tenhamos o que nos preocupar. – Ele declarou. - No caso do Lockhart, ele tentou fazer um obliviate com a varinha quebrada do Rony, que fazia os feitiços saírem pela culatra, como dizem os trouxas. – Leo e Aline riram ao se lembrarem da varinha de Rony, e Lupin sorriu para eles. – Mas, vejam... O feitiço que Ana lançou parece ter sido absorvido pelo corpo de Luíza (ele pronunciou o nome com sotaque). Ainda dá para senti-lo. – Ele passou a varinha a alguns centímetros acima do braço esquerdo da mmoça. – Vai se esvair daqui a pouco, o que quer dizer que não achou o ponto sobre o qual deveria agir... Ou algo assim... E está se diluindo.

- Ela ficará bem, então? – Ana suspirou de alívio enquanto pousava as mãos no volumoso ventre, um gesto que estava se tornando hábito quando estava preocupada. Jamais iria se perdoar se algo acontecesse com a amiga por sua culpa.

- Para termos cem por cento de certeza, só com a Alicia, é claro. Eu só posso falar sobre como o feitiço deve agir para fazer efeito, e com base nisso, digo que está tudo bem. Mas a opinião de uma medibruxa é bem vinda. Enquanto isso... – Lupin olhou para o semblante pálido de Luíza. – Você parece estar esgotada, as emoções e os feitiços devem ter tirado suas forças. Espere um minuto... – Ele revirou os bolsos. – Sempre trago uns chocolates comigo... Aqui! – Ele tirou uma barra, estendendo-a para a brasileira.

O movimento fez um objeto metálico escapar do abrigo dos bolsos e cair no chão. Ana o reconheceu imediatamente:

- O medalhão?

O estômago de Leo roncou à vista do chocolate, e Aline reclamou que estava com sede, o que desviou a atenção de Ana:

- Merlin, o almoço! Me esqueci completamente! Rampell deixou tudo pronto...

- Deixe que eu cuido disso. – Serenna se ofereceu, e disse em um tom que só Ana pudesse ouvir. – Sua amiga precisa que você fique aqui com ela. Só me diga onde fica a cozinha. – Ana fez um gesto em direção à peça. – Ah, não, mocinhos! – Serenna repreendeu os filhos quanto viu que eles iriam comer os chocolates que Lupin lhes dera. – Só depois do almoço. E como é que se diz?

- Obrigada, Prof. Lupin. – Aline agradeceu com um sorriso.

- Obrigado, Professor. – Leo imitou a irmã, um pouco decepcionado por não poder devorar logo o doce.

Lupin sorriu e piscou para eles. Já tinha desistido de explicar para os nascidos trouxas que ele não era mais professor.

Ele juntou o medalhão, que ainda estava caído no tapete, observando que a moça brasileira o olhava de maneira compenetrada, como se conseguisse ver algo que ele não conseguia. Tinha até mesmo perdido a timidez e o nervosismo, e agora analisava o objeto com toda a sua atenção.

- Remo, o quê...? – Ana lhe desviou os pensamentos.

- Ah, sim... – Lupin ficou sem jeito. – Eu estava levando o medalhão para a sede da Ordem, para guardá-lo lá.

- Alguma coisa errada? – Carlinhos ficou em alerta.

- O que foi Lú? – Ana questionou a amiga, não dando tempo para Lupin responder. Ela conhecia aquele olhar de “transe”. – Consegue decifrar os símbolos?

- Não, é que... – a voz de Luíza era vaga. – São padrões sobrepostos. A ordem dos desenhos sugere a ordem das idéias na mensagem. Não sei o que os símbolos querem dizer, mas há mais símbolos que se vê aparentemente.

- Mais símbolos? – Lupin levantou o objeto diante de seus olhos e com a outra mão buscou uma lupa no bolso interno do casaco.

- Estão nos cruzamentos das linhas, vê? – Luíza se levantou e indicou com o dedo o local, como se não pudesse suportar desviar o olhar.

- É verdade! Senhorita, que visão você tem!

- Acha que poderia decifrar a mensagem também, Lú? – Ana perguntou.

- Não acredito que seja seguro, Ana. – Lupin declarou, preocupado. – É este o motivo pelo qual eu ia guardá-lo longe de casa. Não consegui descobrir a mensagem completa, mas não gostei do que achei.

- Se me disser os significados... Só precisarei de alguns segundos. – Luíza parecia fascinada pelo mistério, e disse isso sem se vangloriar, apenas em um pedido mudo para que a deixasse resolver o enigma.

- Exatamente do quê está falando, Lupin? – Carlinhos perguntou.

- Possivelmente... Morte. – Lupin engoliu em seco.

- Não, Lú! – Ana negou categoricamente. – Você vai ter que esquecer esse código dessa vez. – Ela sabia como a amiga ficava quando se deparava com um.

- Dessa vez? – Lupin perguntou.

- É uma das especialidades dela. Mas nem pense...

- Eu assumo a responsabilidade. – Luíza falou com uma firmeza na voz que os dois homens não tinham ouvido até então. Só Ana sabia que aquele tom significava que a batalha estava perdida. A amiga era extremamente tímida, um doce de pessoa, quase serviçal em outros pontos... Menos nisso.

- Só alguns segundos. – Suspirou, resignada. – Toque-o só por alguns segundos. Depois, Lupin vai levá-lo, tendo descoberto algo ou não, entendeu?

Luíza não respondeu, apenas estendeu a mão para que Lupin lhe entregasse o objeto.

- Eu não tenho certeza se... – Ele hesitou, preocupado, ainda mais quando lançou um olhar para a barriga proeminente de Ana.

- Amor, melhor você ir para a cozinha, com a Serenna... – Carlinhos começou.

- Não mesmo!

- Ana... – O marido respirou fundo, e ao que tudo indicava, iriam começar mais uma daquelas discussões “eu-sou-mais-teimoso-que-você”.

- No máximo, me afasto alguns metros. – Ana condescendeu, sabendo que provavelmente Carlinhos iria carregá-la no colo se não recuasse um pouco em sua determinação.

- Acho que será o suficiente. – Lupin assentiu.

Diante disso, Carlinhos concordou. Se Remo dizia que era seguro, era por que era.

Ana sugeriu que primeiro ele fizesse um desenho dos símbolos, com os significados escritos ao lado, para que Luíza pudesse absorver a informação. As anotações que Lupin fizera enquanto estudava o objeto serviram para tanto.

Assim que a Auror se pôs a alguns metros de distância, o ex-professor passou o medalhão para Luíza, recomendando que o segurasse sempre através do tecido que ele usava para embrulhá-lo.

Com o polegar e o indicador pressionados no objeto como uma pinça, sempre com o tecido entre eles, Luíza começou a descrever para Lupin os símbolos que conseguia enxergar sobrepostos. Assim, foi girando o objeto, e, com os olhos muito abertos, quase sem piscar, os significados foram se mostrando diante de Luíza, como que soprados por uma inspiração divina.

- Verão. Mudança, punição, Senhora do Lago. Conexão entre extremos. – Ela girou de forma que a outra face se mostrasse. – Inverno, as flores, o corvo ou a Morte. – Após alguns segundos, Luíza sorriu. – Os outros pequenos símbolos são a direção para a interpretação dos símbolos maiores! “O verão abre os portais para o outro extremo.” Mas isso está ligado ao aviso de punição para quem acionar ou... talvez seja passado, quem tenha acionado os portais foi punido. “O inverno é...” Aqui está faltando o significado da flor... Espere! As bordas indicam os locais em dois portais! São lugares. Entrada e saída. A flor deve marcar o lugar do outro extremo. Algum lugar na Amazônia. Que local os pentagramas, que estão nas bordas da outra face, podem marcar?

Lupin gemeu. Como não pensara nisso ainda? Quando vira o símbolo da “Senhora do Lago”, tinha se lembrado da ilha, mas achou que, assim como os outros desenhos, eram metáforas soltas, sem conexão com nada mais concreto que idéias... Levaria semanas até que os outros pequenos símbolos o levassem até a conclusão de que se tratava do local em si. Mas aquela moça o conseguira em alguns segundos!

- O norte dos celtas, a ligação com os céus. – Lupin respondeu. – Avalon. A Terra Sagrada.

A informação tirou Luíza do deslumbramento que desvendar aquele mistério lhe provocara. Há muito tempo, tinha lido um livro de uma escritora americana que contava sobre a Ilha de Avalon, escondida por místicas brumas. Deixou os dedos escorregarem pelo objeto, esquecendo-se que não poderia fazer isso.

De repente, os símbolos do objeto se acenderam. As luzes que emanavam das linhas dos desenhos se projetaram ao redor dela, ao mesmo tempo em que Luíza, assustada, o largou.

O medalhão não caiu, como seria de se esperar. Em vez disso, desceu alguns centímetros, para depois voltar a subir, flutuando no ar.

Ficou na altura dos olhos de Luíza, e começou a girar, provocando um efeito tridimensional impressionante ao redor dela. Uma força invisível impedia a todos de chegar perto. Leo e Aline apareceram na porta da cozinha, atraídos pelas luzes, bem no momento em que Ana gritava para que a amiga corresse.

Serenna, tão logo percebeu a movimentação, puxou os filhos para dentro da cozinha novamente, protegendo-os com o próprio corpo e ordenando que eles não olhassem. Foi questão de segundos entre as luzes, as crianças indo para a porta e Serenna os puxando.

- Ana, Serenna! – Lupin falou para elas. – Fiquem onde estão, estão seguras aí.

A única coisa que impedia Ana de fazer justamente o contrário era o seu bebê.

Os dois homens tentavam chegar perto de Luíza, mas eram sempre repelidos. Haviam símbolos sendo projetados ao redor dela, em aspirais que iam do teto até o chão, como se fossem um cilindro feito de luzes, com símbolos afastados, outros mais próximos, produzindo vários planos.

A sala escurecera como se fosse noite, e o medalhão parecia sugar toda luz para usá-la na projeção dos símbolos.

Após alguns segundos imóvel, vasculhando enfeitiçada toda a extensão do enorme painel que se projetava ao redor dela, Luíza caiu de joelhos no chão, sem forças. Então, ela pôs as mãos na cabeça, gemendo:

- Muito rápido... Não posso, não posso, não posso!

As luzes se apagaram. A sala voltou ao normal e o medalhão caiu sobre o tapete com um baque surdo, novamente um objeto inanimado. Mas Luíza continuava no chão, parecendo cada vez mais confusa e com mais sofrimento.

Carlinhos lançou um feitiço para isolar sonoramente o apartamento, impedindo que tanto os gemidos de Luíza quanto os gritos assustados das crianças chegassem até a rua, onde havia trouxas passando. Ele só percebeu que sua esposa havia corrido para socorrer a amiga quando já era tarde demais para impedi-la.

- Lú, estou aqui, segure minha mão.

A moça segurou-se em Ana como se fosse um náufrago em busca de uma tábua de salvação. Luíza oscilou perigosamente, demonstrando que estava perdendo o senso de equilíbrio também, e a amiga a apoiou, impedindo-a de cair. Em segundos Carlinhos estava do seu lado, ajudando-a a carregar a moça até o sofá.

Serenna já estava conseguindo acalmar seus filhos, sentada no chão e abraçando cada um com um braço, ninando-os.

- Pelo amor de Deus, ninguém diga nada! – Ana sussurrou, dirigindo-se a todos. – Nem uma palavra, silêncio total!

***

- Depois disso, não se trocou muitas palavras. Ana ficou nessa posição, como âncora da moça, até agora. – Lupin terminou seu relato.

- Por que não a levaram para o St. Mungus? – Harry perguntou, penalizado pela moça.

- Ana disse que não. – Carlinhos respondeu. – E até mesmo a troca dessas palavras provocou mais gemidos como os que você viu há pouco.

- No começo achamos que tinha sido o medalhão que fez isso... Mas Ana reagiu como se já tivesse visto isto antes. Ela sabia como agir.

- E vocês dois? Como chegaram até aqui? – Harry perguntou à Tonks e a Quim.

- Lupin foi até em casa, me contou o que estava acontecendo e chamamos você, o Quim e o Rony, depois viemos para cá. – Tonks explicou. - Tivemos que deixar o Hector na casa do Quim, ainda que tenha protestado: foi só “farejar” que a Ordem estava envolvida para que quisesse vir junto com a gente.

Harry fez um gesto de assentimento, mas estava pensando onde se metera Rony.

Segundos depois a voz alta de Rony perguntando “o que diabos era tão importante?” se ouvia lá da sala, sendo imediatamente calada. Serenna apareceu em seguida, guiando-o e a Hermione, esta com um irrequieto Sirius em seu colo.

A história foi repetida para eles.

- A culpa foi minha! – Censurou-se Lupin. – Eu jamais deveria ter permitido... Era a minha função deixar aquele objeto em lugar seguro! Não deveria nem ter trazido comigo...

- Lupin, foi uma fatalidade. – Contestou Quim. – Ninguém tem culpa, e, além disso, a moça sabia dos riscos quando aceitou segurar aquele objeto.

Todos assentiram, mas Lupin continuava preocupado:

- Sabem a extensão disso? Aquele era um objeto ligado à Ravenclaw, aos poderes de Arádia... – Ele olhou para Harry. – Gina sentiu alguma coisa diferente hoje à tarde?

- Não... – Harry hesitou, depois balançou a cabeça, e acrescentou como se não acreditasse que a informação fosse importante: - Exceto que ela sonhou com bêbês quando tirou um cochilo depois de amamentar Lian e Joanne. O que não é de se admirar, quando estamos cercados deles. – Riu, um pouco sem jeito.

Hermione mordeu os lábios nervosamente. Não tinha certeza se era alguma coisa relevante, mas...

- Eu também sonhei. Mas ontem à noite. – Declarou. – Também sonhei com bebês, ou melhor... Sonhei que estavam atrás do Sirius. – Ela apertou mais o filho entre os braços, provocando um pequeno “páia, mamã” do bebê, em protesto.

- Ah, não deve ser nada, Mione... – Rony a consolou do seu jeito estabanado, afagando seus cabelos cheios. – Só um daqueles sonhos que mães superprotetoras como você e a Gina devem sempre ter.

Hermione forçou um sorriso, querendo acreditar firmemente no que o marido lhe dizia. O sonho tinha sido vívido demais para o seu gosto.

- Tem razão... É bobogem. Quem tem ligação com Arádia é a Gi, não eu.

- De qualquer forma, estou indo para Glastonbury amanhã. – Lupin declarou, resoluto.

- Glastonbury? Pra quê? – Rony perguntou.

- A abadia, Rony. – Hermione o lembrou igualzinho a quando o avisava que tinha que fazer dever, em Hogwarts. – A entrada para Avalon.

- Hum... Bom lugar para férias... – O ruivo declarou.

- Rony! – Hermione exclamou, exasperada.

- Estou brincando, Mione! – Ele riu. – Eu sei que Lupin quer investigar a pista que a amiga de Ana achou.

- Eu vou com você. – Tonks disse.

- Não é neces...

- Não estou pedindo permissão, estou apenas te informando, Remo Lupin. – Tonks passou uma mecha do cabelo furiosamente rosa para trás da orelha.

- Hector...

- Pode ficar na casa do Quim, não é, chefe? Ele e Josh vão adorar a novidade.

- Tudo bem... Será só um dia. – Lupin suspirou, concordando.

Ana apareceu na entrada para o terraço, subindo os degraus muito lentamente, exausta. Carlinhos apressou-se em ir até ela, passou o braço em sua cintura e a guiou até uma cadeira de balanço que havia por perto.

- Estamos certos em pensar que isso já aconteceu com sua amiga antes? – Quim perguntou.

- Sim – Ana balançou a cabeça. – Acho que Lupin e Carlinhos já lhes contaram sobre as qualidades da Luíza, e também o “tributo” que a memória privilegiada dela cobra.

- A dificuldade em se lembrar de coisas ouvidas. – Harry respondeu.

- Não é só isso. Vocês não têm idéia da capacidade de armazenar informações que Lú tem. Mas o cérebro humano não é infalível, ele também “quebra”, por assim dizer. Quando Luíza chega ao esgotamento, ele... Entra em colapso, e as funções sensoriais dela ficam todas fora de controle... – Ana respirou um pouco, usando o tempo para pensar na melhor forma de explicar para os outros bruxos. – E é como se os caminhos que as idéias percorrem para reconhecer que determinada palavra significa isto ou aquilo, que esta imagem pertence à de uma flor ou pássaro... Sons, tudo, enfim... Desaparece. Cada estímulo, em vez de seguir o caminho neural correto, provoca uma confusão generalizada, a ponto de ser doloroso para ela...

Os bruxos não compreenderam tudo que Ana disse, mas entendiam as causas e os resultados. Um misto de assombro e pena tomou conta deles.

- Aqueles símbolos... Luíza simplesmente não consegue impedir que as imagens se fixem em sua cabeça, e parece que foi demais para ela. O objetivo dela ao vir para Londres era descansar, porque o médico havia lhe ordenado. Fazia anos que Lú não tirava férias, e estava se sentindo no limite. – Ana emitiu um som de tristeza pela amiga. – Pobrezinha. Ela fica indefesa como uma criança de colo quando isso acontece.

Carlinhos a confortou e, quando Ana estava mais calma, prosseguiu:

- Mas ela está melhor agora, graças a Deus! E... Ela me disse que, entre as centenas de símbolos que se fixaram em sua cabeça, havia umas poucas imagens. A de dois bebês. Um ruivo e um moreno.

- Joanne e Lian! – Harry prendeu a respiração, o maxilar se endurecendo. O desespero tão grande dentro de si que se surpreendeu com um impulso totalmente contraditório: tinha vontade de rir. Já devia esperar uma coisa dessas. Maldito fosse! Nada era normal em sua vida por muito tempo, mas quando seus filhos estavam envolvidos...

- Não... – Ana dizia as palavras como uma autônoma. – Eram dois meninos.

- Sirius e Lian – Hermione vira naquilo a concretização do seu pesadelo. – Aquele sonho era real demais, eu sabia!

Sirius, que já tinha protestado para ficar brincando no chão, percebeu a alteração no humor da mãe, e ficou agitado. Rony o pegou no colo, abraçando mãe e filho ao mesmo tempo.

- Sonho? – Ana estava confusa. – Você sonhou? – Hermione confirmou, as lágrimas ainda embotando seus olhos. – Posso ver, Mione?

Hermione sabia do que Ana estava falando. A cunhada usara seus poderes de Mestra dos Sonhos antes. Ela poderia captar vestígios do seu sonho se Hermione se mantivesse aberta o suficiente.

Ana se aproximou e lhe tocou as mãos. Fragmentos da fuga desabalada e os rostos dos bebês lhe vieram à mente.

- O bebê moreno não era Lian, Mione. – Ana tentou sorrir. – E o rosto de Sirius pode ter sido usado só para chamar a sua atenção.

A brasileira se esforçou para não dar mostras do que estava pensando, mas o cansaço e o choque não deixaram.

- Tem mais, não tem, Ana? – Harry perguntou, muito sério.

“Legilimens”, Ana sorriu, fitando Harry nos olhos. “Não é cavalheiresco de sua parte se aproveitar da minha fragilidade para se imiscuir no meu cérebro, Potter”, ela tentou brincar.

Os olhos de Harry se arregalaram, demonstrando que ele tinha acabado de ver o que lhe ia à mente.

- Você acha que é seu filho?

Ana parou de fingir, seu rosto se contorcendo em um pranto reprimido. Segundos depois, era amparada pelos braços do marido.

- Eu toquei naquele medalhão, e ele se manifestou. – Ela desabafou, as lágrimas quentes correndo por seu rosto. - E eu já estava grávida naquela época... Era disso que o chefe da aldeia indígena estava falando! Eu precisava aperfeiçoar meus dons por causa... Oh, Mérlin!

O choque era praticamente palpável ao redor dela. Ninguém sabia o sexo do bebê que Ana esperava, e a criança poderia ser tanto morena como a mãe, quanto ruiva, como o pai. Fazia sentido. Hermione ou Sirius não tinham nenhuma ligação com medalhão. Nem mesmo Lian ou Joanne, exceto pela hipótese de que tanto Gina quanto Ravenclaw tivessem os poderes de Arádia.

Já quanto à Ana... Ela poderia ter desencadeado uma maldição.

- Olhe para mim. – Carlinhos afastou a esposa somente o suficiente para que ela o olhasse nos olhos. Ele parecia tão desesperado quanto ela, mas havia determinação em seu olhar. – Isso não vai acontecer, entendeu? Eu estou jurando para você. Não vai acontecer. Confia em mim?

Sim, Ana confiava. Sempre confiou, mesmo quando mal o conhecia. E isso a acalmou, ainda que soubesse ser impossível poder afirmar uma coisa dessas. Carlinhos sempre cumprira o que prometera para ela. Sempre.

***

Fazia um friozinho gostoso no Brasil naquela época do ano. No sul, a sensação térmica era mais baixa por causa do vento cortante que soprava constantemente. O sol era uma tímida carícia, e não mais o guerreiro inclemente e abrasador que reinava sob os céus durante o verão.

Na semana final de junho, depois de uma série de testes, Mel fora aprovada. Quase enlouqueceu estudando, apesar dos amigos dizerem que era “im-pos-sí-vel” ela não passar.

Mas mesmo assim, se trancou na torre, estudando. Temia que não conseguisse se recuperar do que perdera por causa do... Hã... Incidentes do ano anterior (2) (sobre os quais, aliás, seus pais nem sonhavam que tivessem acontecido). O Prof. Flitwick, Diretor da Corvinal, ficara muito satisfeito ao ver suas notas e a cumprimentou por ter rendido pontos consideráveis à ampulheta da Casa. E agora gozava de suas merecidas férias, enquanto aguardava o início de seu segundo ano.

A maioria das pessoas acharia que Mel ficaria frustrada por passar a grande parte de suas férias escolares – que na Inglaterra correspondiam ao período de verão – em uma época em que fazia tanto frio no seu país, que não se podia aproveitar as praias do festejado litoral brasileiro. Mas a verdade é que ela e o sol nunca se deram muito bem: a herança germânica que corria em suas veias produziu uma pele branca demais para suportar o sol dos trópicos, ao menos da forma como a maioria dos seus compatriotas fazia.

Era vexatório como geralmente saía da praia, mais parecendo uma lagosta do que um ser humano, por mais protetor solar que passasse!

Por outro lado, as paisagens do interior de seu Estado natal eram bem convidativas. Havia espaço geográfico para todos os gostos: vales, montanhas, planícies... e de junho até outubro festas típicas explodiam por todos os cantos, movimentando a economia e mantendo vivas as tradições dos povos que ali se estabeleceram.

Sim, na opinião de Mel, aquela era a melhor época para estar ali. Pensava nisso enquanto estava sentada em um banquinho ao lado do irmão, Felipe, em um parque próximo de sua casa. O horário – de manhã cedinho – era perfeito para uma brincadeira bem conhecida entre eles:

- Olha só. – Felipe chamou a atenção da irmã. – Sou um daqueles personagens de desenho, quando ficam bravos. – Fechou firmemente a boca, forçando o ar que estava em seus pulmões a sair pelo nariz de uma vez só, produzindo uma cômica “fumacinha” que nascia de suas narinas e se espalhava ao redor do rosto.

Agora que ele sabia que iria para Hogwarts, estava transbordando de felicidade. A garota riu da graça do irmão, e continuou com as imitações.

- E eu – Inclinou a cabeça de forma a obter um melhor resultado. – Sou um dos dragões do tio Carlinhos. – Expulsou lentamente o ar pela boca, como um dragão cuspindo fogo.

- Sinal de índio! – Felipe foi soprando, tampando e destampando a boca de modo a formar pequenas bolotas de fumaça no ar frio da manhã.

As crianças riram de novo, e Mel estava prestes a prosseguir quando Myra apareceu ao lado deles. Não, ela não “aparatou”. Isso seria impossível, já que o parque em frente à casa deles não tinha nada de bruxo. Veio caminhando mesmo, à boa moda trouxa.

A inglesa vinha visitando o país com certa freqüência nos últimos seis meses. Desde o encontro dela com Fernando, o tio das crianças, em janeiro, estava ocorrendo uma lenta, porém inevitável aproximação dos dois. Era mais forte do que Myra. Ela se vira atraída pelo rapaz e, por mais que temesse sofrer, pouco a pouco foi cedendo àquela vontade inexplicável de conhecê-lo melhor.

Então, ela continuou aparecendo nos shows dele sempre que seu trabalho como empresária da banda “As Esquisitonas”, do qual seu irmão era o vocalista, permitia. Desta vez, e quem sabe encorajada pelo rápido encontro que ambos tiveram quando Felipe a seguira até o seu hotel (ah, o jeito como ele a olhara tirava o seu sono todas as noites depois disso!), ela não mais desaparecia, mas ao contrário: foi se aproximando, travando “conversas” cada vez mais longas...

“Conversas” não seria bem a palavra. Ela não falava português, mas, sob o efeito de um feitiço de tradução, conseguia entendê-lo. E ele falava um pouco de inglês e conseguia entender o sentido geral do que ela dizia, mesmo que tivesse que pedir algumas vezes que repetisse. Myra reconhecia que devia ser cômico para alguém que observava os dois de fora, mas ela não se importava. E, ele também não, pela forma como parecia decepcionado quando ela ia embora.

Claro, Felipe dava uma “mãozinha” sempre que estava com eles, mas com o decorrer do tempo ficou cada vez mais óbvio que no tipo de relacionamento que estavam desenvolvendo – ou pelo menos desejavam desenvolver – uma criança de onze anos... “sobrava”.

Myra era louca pelo sobrinho de Fernando. O menino era uma peste, mas como era encantador! No entanto, também queria alguns momentos a sós com o tio do garoto.

E assim, quando se deu conta, estava na casa dos pais dele, sendo apresentada a uma família enorme e barulhenta, que olhava para seu cabelo lilás assombrada. Na ocasião desejou ardentemente ter alterado a cor de suas madeixas para o natural – castanho aloirado – mas já era tarde para usar seus poderes de metamorfomaga.

O brasileiro continuava sem saber que ela era uma bruxa. E nos primeiros meses, seus pais não sabiam também. Mas Felipe lhe advertira que seus avós – Antônio e Bianca, pais de Fernando. – Já estavam desconfiados, pois os netos e a sobrinha, Ana, também eram bruxos, logo conheciam “os sinais”. Por isso resolveu assumir de uma vez para eles a sua condição.

No entanto, “abrir o jogo” com Fernando era mais complicado. Sua mente vagou nas lembranças, voltando ao dia em que contara a Dylan que era uma bruxa. O fato de ele ter declarado seu amor eterno a ela poucos dias antes não o impediu de ficar chocado com a revelação. E de tratá-la como uma... Anomalia ou algo pior.

Pagara um alto preço por ter confiado nele.

Myra balançou a cabeça, afastando os pensamentos. Não era hora para isso. No momento, tinha que levar dois bruxinhos por um passeio pelo bairro mágico do lugar.

Sorriu para os pais dos garotos, que estavam sentados em um banco próximo, e perguntou para as crianças:

- Então? Prontos?

- Siiiiiiiiiiiiiiiiim! – Os dois pularam de alegria no mesmo instante.

- Obrigada por acompanhá-los, Myra. – Patrícia, a mãe dos meninos, agradeceu enquanto se aproximava com o marido.

- É verdade. – Concordou Marcos. – Não temos tido muito tempo por causa do nosso trabalho, e as crianças simplesmente não querem esperar. Parece que vão ter um ataque se não conferirem as novidades do mundo... Er... – Ele abaixou o tom de voz. – Do mundo bruxo.

- Claro, eu compreendo. – Myra respondeu, sorrindo enquanto lançava um olhar rápido para Mel e Felipe. – Mas vai ser um prazer acompanhá-los. Seus filhos são uns amores.

Marcos e Patrícia abriram sorrisos de um evidente orgulho das “crias”. Apesar do constrangimento inicial, Myra se dera bem com os irmãos e cunhados de Fernando, principalmente com os pais de Felipe e Mel, já que ambos falavam inglês. Inclusive, as crianças haviam morado nos Estados Unidos até a idade em que foram alfabetizadas.

A única que ainda não conhecia era Ana. Myra sentia um mal-estar cada vez que pensava na prima de Fernando. A moça havia sido criada pelos pais dele, e era como uma irmã caçula.

Admitia que agora estava em dúvida sobre a sua avaliação inicial do caráter dela (que não havia sido nada bom). Afinal, se compadecera quando soube que a moça havia perdido os pais quando era bebê. Tonks, sua amiga, lhe dissera que haviam sido mortos por Comensais da Morte. Mas... Ainda estava com um pé atrás. Ora, a tal Ana tinha insinuado que ela teria lançado um feitiço sobre o primo!!! Isso uma calúnia!

E estava interferindo em Hogwarts, pelo que pudera constatar. Primeiro, colocando Mel, uma estrangeira, lá dentro. E agora, Felipe. Não que tivesse algo contra. Pessoalmente, acreditava que Hogwarts só ganhava com uma aluna tão inteligente quanto Mel, ou tão espirituoso quanto Felipe. O que a incomodava eram as atitudes da outra mulher, que lhe pareciam... Autoritárias.

Os três se despediram de Marcos e Patrícia e se encaminharam para um canto escondido, entre dois muros. Lá, Myra aparatou com as duas crianças até um beco próximo à entrada de uma das lojas de artefatos bruxos.

Aquele era um país realmente interessante e diferente. Ao contrário dos bairros comerciais bruxos da Europa e da América do Norte, no Brasil as lojas bruxas ficavam no meio de outras lojas trouxas comuns. Apenas havia passagens secretas nos fundos de cada uma delas, que levava até a “verdadeira loja”. Todas no mesmo lugar, mas dividindo espaço com os estabelecimentos comuns.

É só prestar atenção nas ruas populares, repletas de pequenas lojinhas. Com certeza você encontrará algumas com uns nomes bem “suspeitos”, especialmente se observar os tipos singulares que as freqüentam. Aquela na qual iriam entrar, por exemplo, se chamava “Encantus”, e se enquadraria no que trouxas desatentos chamariam de “apenas mais um brexó” – mas na realidade era uma conceituada loja de vestes bruxas.

Em um lugar sempre apinhado de gente, ninguém notaria um ou dois “desgarrados” sendo conduzidos sem muito alarde para os fundos do lugar. Às vezes, o que está bem diante do nariz é o que é mais difícil de enxergar.

Não permaneceram muito tempo na loja – nenhum dos três se interessava por moda. Felipe, que recebera a carta de admissão de Hogwarts no dia anterior, iria comprar suas vestes bruxas na Madame Malkins. Segundo o garoto, “não perderia isso por nada no mundo”.

Entraram em seguida em uma papelaria aparentemente comum. Prateleira simples, com poucos produtos sendo exibidos, e apenas uma recepcionista em um balcão de madeira. Nada de telefones ou computadores – aliás, prestem atenção nesses detalhes, em nenhuma das lojas bruxas existem essas coisas. E os poucos aparelhos que existem vivem “com defeito” como copiadoras ou calculadoras.

Na realidade, aquele era um “Correio Bruxo”. Mel queria enviar uma carta para uma colega de escola, e Myra precisava resolver “um probleminha” com seu irmão. Aliás, quase engasgara com o seu suco de abóbora aquela manhã, quando soubera da notícia através de um exemplar do “Profeta Diário” fornecido pelo hotel.

Myra abafou uma risadinha quando o atendente arregalou os olhos para o maço enorme de pergaminho que Mel lhe entregara – segundo a menina, só iria por sua amiga, Danna, a par dos últimos acontecimentos. Avisando que não demoraria muito, a inglesa entrou em uma cabine reservada que havia em um canto, ao fundo da sala.

Ela pegou um envelope vermelho-vivo com a mão esquerda, enquanto a mão direita fazia um meneio com a varinha na frente dele, terminando o movimento com uma leve batida no papel colorido. Em seguida, respirou fundo e falou bem próxima ao envelope, com a voz mais decidida que tinha:

- MYRON WAGTAIL! FICOU MALUCO, POR ACASO?!? Escute aqui, você NÃO PRECISA de MAIS UM CASTELO, ouviu bem? Está pensando o quê? Que o seu dinheiro nasce em um pé de salgueiro lutador? Não vai gastá-lo em uma frivolidade caríssima dessas, para depois largá-lo como a um brinquedo velho... Exatamente como os outros TRÊS que você comprou! Myron, como sua irmã, isso é um conselho... Mas como sua empresária e administradora... Isso É UMA ORDEM!!!

Myra respirou fundo novamente, desanimada, e lacrou o berrador. Sentia-se exausta. Não sabia se seu irmão iria lhe dar ouvidos, mas tinha que tentar. Myron sempre fazia “doideiras” como essa, e ela é quem tinha que por juízo na cabeça dele. Francamente, estava farta disso. Ora, ele era o mais velho. Supunha-se que devia ser o irmão sensato, não é mesmo?

As pessoas diziam que eram “excentricidades de artista”, mas Myra não queria ser tolerante com esse tipo de comportamento “estrelista”. Sim, “As Esquisitonas” era o grupo de rock mais popular do mundo bruxo, e ganhavam uma quantidade quase obscena de galeões, mas... Do jeito que seu irmão o gastava não havia mágica no mundo que o impediria de ir à falência em poucos anos!

Apesar do meio artístico bruxo pensar que Myra estava igualmente nadando em dinheiro, isso não era verdade. Ela ganhava bem, sim, como empresária da banda. Mas estava longe de ser uma milionária como o irmão ou os colegas. Claro, Myron era generoso – de uma forma até mesmo alarmante, na opinião de Myra. – Mas ela recusava um salário maior do que o necessário para ter uma vida confortável. Detestava quando diziam que vivia às custas do irmão, e não queria dar motivos para os falatórios – mesmo que eles não parassem “só” porque ela ganhava seu dinheiro de forma mais do que justa, praticamente dando a alma pela banda.

Quando a inglesa saiu do reservado, Mel notou que parecia cansada, mas mais aliviada. Não sabia para quem ela enviara o berrador, mas não devia ser algo bom. Afinal... Berradores NUNCA eram uma boa coisa.

A menina tinha tido um pequeno “impasse” com o atendente do Correio Bruxo, por causa do peso do pergaminho que estava enviando para Danna. Ora, sinceramente, eram “só” algumas palavrinhas para a amiga! Usaria Dumbledore, a harpia de estimação da família, se esta não tivesse sido enviada com uma correspondência para tia Ana, mas...

Mel agora estava conformada com o fato do irmão ir para Hogwarts. Diante do inevitável, torcia para estar errada e que Felipe se contivesse. A quebra do Decreto de Sigilo sobre os livros causaria a sua expulsão do Mundo Mágico, e ela já o lembrara disso diversas vezes. O irmão tinha fechado a cara e declarado em alto e bom som que ela era uma “chata”.

Depois de algumas horas emburrados um com o outro, os dois tinham feito as pazes e começado a enumerar, animados, o que Lipe precisaria para usar em Hogwarts...

Os três saíram do Correio Bruxo e continuaram com o seu passeio. Myra perguntou para Mel se ela queria uma camiseta autografada das Esquisitonas. A menina corou violentamente e sorriu. O fato da “namorada” do tio Nando ser a irmã do-“o Myron Wagtail” – a encantara, sim. Claro, gostava da moça independente disso, mas... Uau! Como não ficar entusiasmada?

Mesmo assim, disse que não queria dar trabalho (mas morrendo de vontade de dizer que sim). Myra respondeu que não seria trabalho nenhum. Felipe mesmo, tinha já umas dez.

- Ah, é...? – Ela olhou torto para o irmão mais novo, que caminhava alguns passos à frente delas.

- Sim, ele mencionou algo sobre ser um bom objeto de barganha em Hogwarts. – Myra riu, realmente divertida com a ousadia do menino.

- Mesmo? – Mel sorriu entre os dentes, lançando agora olhares fulminantes em direção a Lipe, que continuou andando como se não fosse com ele. Mas sabia que o garoto podia ouvir muito bem. Estava morrendo de vergonha: que guri mais abusado! Ah, mas ele iria ouvir umas poucas dos pais... Se iria...

Felipe, no entanto, era esperto. E conhecia bem demais a irmã. Tratou logo de mudar o tópico da conversa para um assunto que atrairia a curiosidade de Mel a ponto de fazê-la esquecer do que acabara de ouvir.

- Myra... – Ele começou. – Por que ainda não contou ao tio Nando que é bruxa?

A inglesa não soube por onde começar. Embaraçada, escutou Mel repreender o menino pela indiscrição, mas notou que os olhos da garota subitamente arregalados e o evidente interesse em saber a resposta.

- Hã... Tudo bem, Mel. – Hesitou. – Isso não é um assunto fácil, sabe, Lipe? É preciso um... – Enrubesceu. - Envolvimento muito sério e-e... Duradouro para que um bruxo ou uma bruxa se revele assim...

- Mas é sério para o tio Nando. – Declarou o menino. – Pelo menos, a gente só viu aquela cara de bobo que ele faz quando te vê quando ele acaba de compor uma música, ou algo assim... – Fez uma expressão sorridente e aparvalhada, imitando a suposta “cara de bobo” do tio.

Myra abaixou a cabeça, em um trejeito divertido e embaraçado, feliz com o comentário, embora tentasse não levar tão a sério os comentários do menino – para o seu próprio bem e proteção, pensou.

- É que... Revelar algo assim exige compromisso dos dois lados. Não sei se seu tio está preparado. Tanto para “saber” quanto para assumir as conseqüências...

- Assumir as conseqüências?!? – O “radar” de Mel se ligou imediatamente.

- É... Vocês não sabiam? – Diante das expressões dos garotos, Myra não precisava ouvir a resposta: era evidente que não. – Já devem ter percebido que dificilmente um trouxa que se casa com um bruxo conhecesse a verdadeira... “Natureza” dele ou dela até depois do casamento.

Myra fez uma pausa, e considerou que os meninos tivessem se dado conta disso só agora.

- Pois bem. Existe uma razão. – Ela os olhou com seriedade. – Quando um bruxo resolve revelar-se para um trouxa que não tem relação consangüínea com ele, deve ter certeza que isso é realmente necessário. Nunca se perguntaram porque só os seus pais e seus avós sabem? Por exemplo, Antônio e Bianca são como pais de sua tia Ana, o que a autoriza a contar. Não havia motivos para seus outros tios saberem. Quer dizer... Já são adultos, tem suas próprias famílias – famílias completamente trouxas que não precisam e nem devem saber do Mundo Mágico.

Os garotos pareceram impressionados, emitindo um “Oh!” típico de quem quer dizer: “Ah, então é por isso...”. Na época, Mel simplesmente supôs que os adultos não queriam passar pelo “suplício” que tia Ana e tio Carlinhos passaram quando contaram a seus pais e seus avôs.

- E, além disso... – Myra limpou a garganta. – Ao assumir o risco de contar tudo a um trouxa, o bruxo ou bruxa deve ter certeza de que haverá uma ligação de... “Base permanente”, porque... Só assim se justificaria esta revelação. Para garantir isso, o bruxo deve saber que, se dentro do prazo de alguns meses não se casar com esse trouxa... Perderá sua varinha como punição, pelo tempo que o Ministério determinar.

- Credo! – Mel se escandalizou. – Não seria mais fácil fazer um “obliviate”?

Myra riu com certa tristeza ao responder:

- E você acha que todo mundo pode sair por aí fazendo obliviates à torto e a direito? Em geral, apenas aurores treinados conseguem fazê-los. Fora isso, só em casos de emergência, como aconteceu naquele incidente em Ilfracombe... (3). De qualquer forma, já devem ter notado que existem mais trouxas no mundo do que bruxos, muuuuito mais. Os casamentos mistos são constantes. Se não fosse por esta regra, haveria mais feitiços de memória a serem aplicados do que aurores para dar conta. Assim, forçam-se os bruxos a serem cautelosos.

A inglesa emitiu um profundo suspiro, lembrando-se de sua própria punição. Ela era tão jovem... O escândalo, por ser irmã de Myron, tornou tudo pior. Como se já não bastasse a desilusão sofrida, a profunda mágoa, o orgulho ferido...

Mel sorriu para ela de forma reconfortante e murmurou, gentil, que tinha certeza que algum dia Myra ainda iria ser sua tia. Felipe exibiu o seu costumeiro sorriso malandro, aquele no qual quase se podia ver as engrenagens de sua mente traquina funcionando.

***
Notas:

(1) O Paciente Inglês e Close To You, da Regina McGonagall.

(2) Harry Potter e o Retorno das Trevas, da Sally Owens – OBS: Assunto ainda não confirmado pela autora.

(3) Animais Fantásticos e Onde Habitam - Conforme este livro, em 1932, um dragão verde-gaulês errante mergulhou sobre uma praia apinhada de trouxas que se banhavam ao sol. Uma família de bruxos em férias realizou a maior Operação de Feitiços de Memória daquele século, afastando a “calamidade eminente”.

***
(N/A):

Mérlin, de quantas azarações eu tive que me desviar este mês!!! Ainda bem que andei treinado Defesa Contra As Artes das Trevas, hehehehe!

Mas reconheço que mereci, pela demora em atualizar. Tudo bem, não foi proposital, é que às vezes inspiração e tempo para escrever não andam juntas, daí acontecem estas coisas...

Não se preocupem quanto aos mistérios. As informações vão se encaixar, sério (sei que estou dizendo isso há uns três capítulos, mas é verdade, hehehehe).

Minha mente está vazia... E esse tipo de coisa está cada vez mais comum – acho que fui vítima de algum obliviate!!!

No entanto, lembro-me da coisa mais importante para dizer: obrigada por não desistirem de ler a fic, pelo carinho que vocês têm demonstrado e principalmente pela paciência. Vocês são inacreditáveis! Valeu mesmo!

*Belzinha mandando abraços, beijos e muita vibração positiva para todos*.

Comentários individuais:

Sô Prates - “Fofo” é um adjetivo muito pouco para o Carlinhos... *Ai, ai* Hehehehe. Quanto ao sonho da Hermione, não posso responder não... *Por que será que vcs só fazem perguntas que não posso responder?* Hahahahaa! É, encontrar de repente um elfo doméstico não é mole não. Pra gente, que já viu essas criaturinhas nos filmes, o “baque” pode ser menor, mas... Para os “ignorantes” do mundo potteriano? Coitados! Hihihi. Beijos, obrigada pelo “lembrol” e desculpe pela demora.

Ana Carol Murta - Quanto ao bebê da Ana... *Boca fechada*. Hihihi. As outras perguntas tiveram resposta neste capítulo, mas só para reforçar: pois é, não faço a mínima idéia de quando a Felícia vai se tocar, hehehe. Faz meses que estou tentando tirá-la da história, mas a criatura vive me atormentando! (E, por conseqüência, a Ana). Beijos, e obrigada por ler a fic.

Lize Lupin - Ah, mas “magina” se vcs não iriam concordar com o Carlinhos sobre o sexo do bebê, não é? Já são loucas pelo tratador de dragões mesmo... Hihihi. Lupin conhece o filho, o pior é que não dá para ser mais rápido do que o Hector, hehehe. Puxa, a Felícia está sofrendo um linchamento, hehehe (bem feito para ela). Obrigada pelos elogios!

Srtáh Míííhh - That´s what happened with me: nem sempre a inspiração chega na hora que a gente pode escrever, então, ficam esses espaços enormes de tempo entre um capítulo e outro... Eh! Outra puxando o saco do Carlinhos! Hihihi. Beijos, querida!

Mimi Potter - Aaaaaaaaah! *Aaaaaleluia! Aleluia! Aleeeluiaaaaaaa!* Achei uma que concorda com a Ana! Até que enfim! Existe um “movimento de apoio carliniano” por aqui, que vou te contar! Hihihi. Um abração!

Lince Negra - Hahahaha! Até vc xingando a Felícia, Dru? Hahahaha! Esssa foi boa! Bom, “a do medalhão” eu não posso contar qual é, mas está praticamente exposto em letras garrafais, em néon e tudo... Hihihi. Ah, outra apoiando o Carlinhos... *Belzinha revirando os olhos*. Menina, vc não sabe como algumas das suas frases são proféticas... Só não posso dizer sobre qual parte. Bem, o Lipe vai para Hogwarts, sim. (Como já foi dito neste capítulo). Não se preocupe, pretendo mostrar o Centro Rio Negro também. Beijos!

Trinity Skywalker - Feliz Ano Novo *atrasado, mas antes tarde do que nunca, hehehe*. Ah! Mais um voto computado para a intuição do Carlinhos... Hihihi. Morri de rir com os seus comentários sobre a Felícia. Hahahaha! Que bom que gostou daquela frase sobre o Lupin. Fiquei na dúvida se não estava “poética demais”, mas não resisiti, hehehe. A não, vc não é lerda. Todo mundo está dizendo que não está conseguindo desvendar o mistério – eu é que achei que estava dando bastante bandeira. Ah, pronto: o “caso” Nando e Myra apareceu neste, viu? Beijos (e em breve estarei mandando um e-mail cheio de perguntas, me aguarde! Hihihi).

Morgana Black - Ah, a Morg já pegou o “espírito da coisa”. Hihihi. Ah, eu sei como o Bernardo implica com o “fofo” – o Harry nas fics dele vive reclamando: “eu não sou fofo!” – mas a Gina continua dizendo isso mesmo assim, hehehe. Senhor dos Anéis? Hahahaha! Olha, ta chegando perto... Beijos e obrigada!

Pricila Louredo - Vcs adoram quando a Ana esculacha a Felícia, né? Hihihi. Abração, querida!

Gina W. Potter - Fique com medo dos pesadelos dessas mulheres Weasley: *voz cavernosa* - existem motivos para isso, acredite! Hehehe – sabia, o pessoal adora quando a Felícia é esculachada, hihihihi. Valeu pelo comentário, beijos!

Bruna Perazolo - Uma menina combina com eles? Hummm... Que comentário mais fofo, Bru! Hihihihi. Pronto, respondi a maioria das pergintas. Obriga, e feliz 2007 para vc também!

bernardo - Ai, guri, não posso responder a essas suas perguntas! *Só me faz pergunta difícil, hehehehe!* Valeu Bernardo!

Charlotte Ravenclaw - Notei que a “fofice” já está generalizada nos comentários, então... Já virou moeda de troca, o jeito é aceitar que virou marca registrada das fics dos Segredos dos Fundadores, né? Hehehe. Ai, Merlin, outra “carlista”, hehehe – ou seja, que apóia o Carlinhos. Beijos, querida!

Isadora Brandão - Que bom que gostou do capítulo! Me avise quando postar a sua. Beijos!

Grazy DSM - Bem, acho que agora metade do segredo está escancarada e tudo. Até já fiz a Luíza mencionar o tal livro, hehehe. Não houve uma citação textual, mas uma referência... Beijinhos!

Sally Owens - Ah, que bom que gostou da aparição do Neville. Estava querendo dar um espaço para ele faz tempo. Acho que o nosso Herbologista pode render muito ainda. Sim, sim! Podem bater na Felícia, eu deixo! Hihihi. Tem toda a razão, a Lu é outra que vai render muito ainda *Belzinha toda empolgada com as idéias*. Um abração enorme, espero que esteha dando tudo certo na sua mudança!

Ana Voig G. Malfoy - Hehehe. Comentário curtinho, mas direto! Ta aí a continuação. Obrigada pelos pedidos de atualização e por acompanhar a fic. Beijos!

Regina McGonagall - Que bom que conseguiu um tempinho nas suas férias para ler o capítulo (sabe como eu gosto de comentá-los com vc e com a Sally). Vamos voltar às nossas trocas de idéias pelo MSN? Aaaaaaaaah: que capítulo foi aquele? ADOREI o seu último capítulo!!! Abração amiga!

Ana Carolina Guimarães - Puxa, desculpe pelas suas unhas... (hihihi). Merlin, outra calista! Hihihi. Beijos para vc também!

Rafaela Porto - “Capacidade para explodir coisas ao seu redor”? Isso é característica dos bruxos do Novo Mundo, viu? Hihihihi. Vai ver vc é uma, igual a Ana. Beijos!

Luisa Lima - Não posso responder sobre o sonho, mas adorei seu comentário sobre azarar quem tocar no Siriusinho! Hehehe. Eu também adoro Ana/Calinhos (claro, né?) e a turminha (que é uma criação da Sally também). Já vi que entrou para o movimento “carlista” e apóia o “futuro papai”, hehehe. Isso, isso: pode esculachar a Felícia! Hehehe. O nome “Luíza” foi uma pequena homenagem a uma fãzinha de sete anos do Harry – que é minha priminha (corvinal, segundo a avaliação do Chapéu Seletor, hehehe). Mas a Luíza, assim como a Ana, está lá para representar a todos nós! Adorei seu comentário! Beijos e obrigada!

Escarlet Esthier Petry - Fiquei feliz por ver mais uma pessoa nova lendo a fic. Obrigada por comentar!

Inté o próximo capítulo, gente!

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