Capítulo 7
A Vingança de Voldemort
– James não me contou como encontrou vocês – disse Hermione, observando Harry comer. Tanto o comentário com jeito de pergunta, quanto o olhar avaliativo sobre os seus modos desajeitados o desagradaram.
A revelação do parentesco com Hermione não fizera nenhum diferença para Harry. Tudo em sua vida, na última semana, era novo e estranho. Uma tia da sua idade não o surpreendera tanto assim. Até porque, apesar do jeito falador e mandão, Hermione fora mais gentil com ele do que qualquer outra menina de sua idade até aquele dia. Isso, contando inclusive Megan, que ficava quase roxa toda vez que lhe dirigia a palavra. O pensamento lhe causou um aperto no coração, mas Harry procurou esquecer. Tinha outra vida agora e era um fato de que nunca mais voltaria a ver Megan novamente.
– Harry? – chamou Hermione se recusando a ser ignorada. – Você está me ouvindo?
– Desculpe.
– Como foi que James os encontrou?
Hermione foi bem direta dessa vez para ter certeza de ele não fugiria de responder.
– Foi bem estranho... – Harry se lembrou de si mesmo ameaçando o pai com um arco, o que era bem embaraçoso. O fato é que, agora, ele não saberia por onde começar a contar. – Acho que foi meio que... por acaso. – Mais para desviar o assunto até que conseguisse se sentir a vontade com ele, Harry chamou a atenção dela para outra coisa. – O que há com elas? – falou com um breve sinal de cabeça apontando para um grupo de garotas parado em pé alguns passos a sua esquerda.
A risadinha de Hermione serviu apenas para confirmar a suspeita de que as meninas falavam dele e não ajudou a fazê-lo se sentir mais confortável. Era como ter entrado numa terra estranha em que todos conheciam os códigos, menos ele. Até onde sua memória alcançava, ninguém prestava muita atenção ao sobrinho esquisito dos Dursley, cuja mãe era uma pessoa arredia com quem a maioria das pessoas jamais se lembrava de ter falado. Porém, naquele novo universo bizarro, todos pareciam dar grande importância para ele e para quem ele era.
Mesmo sem a presença das três mestras que dirigiam a pequena escola para jovens bruxas, a hospitalidade do lugar, era necessário reconhecer, tinha sido perfeita. Sir James e sua comitiva tinham sido levados a sala maior do conjunto de casas e servidos com grande desvelo e amabilidade pelas alunas. Todas vestiam roupas semelhantes às de Hermione, e as mais velhas comandavam as mais jovens. Elas não haviam se sentado com eles – com exceção de Hermione – mas ficaram em torno, prontas para atenderem a qualquer chamado. As mais velhas atendiam mais rápido aos chamados de Sirius.
A mesa fora coberta de carnes frias, pães, queijo fresco, maçãs carameladas no mel e frutas silvestres. Havia também leite e cerveja – não era a de Dumbledore, mas sem dúvida ficava vários degraus acima da do tio Vernon. As moças também haviam se encarregado de providenciar suprimentos para o restante da viagem deles, que ainda levaria alguns dias, conforme Little John tinha dito para Harry.
Apesar de toda a solicitude – e certamente um pouco por causa dela – Harry não podia negar que algumas coisas o estavam incomodando. Acima de tudo, a dor no corpo. Cada mínima parte de suas pernas e costas estavam protestando alto por causa dos dias de cavalgada. Por outro lado, ele não poderia continuar fingindo que as reações dos pais, um com o outro, não o estavam aborrecendo. Ele os olhou sentados na ponta da mesa, lado a lado, como se sentam os casais, mas pareciam dispostos a não se encararem. O nervosismo que Harry notara em Lily no início da viagem parecia ter sumido, mas em seu lugar, desde que ela fora apresentada a Hermione ficara uma postura ofendida e ainda mais distante.
Não bastasse isso, Hermione se sentara ao seu lado e passara a analisar cada gesto seu com grande interesse. Mesmo sem qualquer palavra dela ou expressões de desagrado, a inspeção reforçava a sua sensação de que a criação que recebera não havia o preparado em absoluto para estar ali. Contudo, de todas essas coisas, eram as risadinhas, olhares e sussurros das garotas que o estavam tirando do sério. Sentia-se um animal em exposição.
– Não há como culpá-las, na verdade – disse finalmente Hermione, acompanhando o seu olhar contrariado. – É claro que é bem bobo da parte delas, mas você é uma grande atração por aqui.
– Eu? – Harry nunca tinha ouvido tamanho absurdo. Compreendia que elas se entusiasmassem por Sirius, que parecia se divertir grandemente em ser paparicado, ou por seu pai, com seus modos educados e sua autoridade evidente, até mesmo pelo jeito firme e seguro de Remus. Mas ele?
Hermione lhe presenteou com um sorriso cheio de condescendência.
– Acho que James ficou tão feliz em encontrá-lo que não explicou exatamente quem você é, não é?
Harry se perguntou se tinha algo a ver com a profecia e, logo, se deu conta de que, não havia perguntado a ninguém quantas pessoas sabiam que Voldemort o escolhera como o inimigo que lhe tinha sido vaticinado. Porém, algo na expressão de Hermione lhe dizia que ela não estava baseando sua afirmação na perseguição da qual ele era vítima. De fato, como Harry não sabia qual o conhecimento dela sobre o assunto, preferiu ser evasivo.
– Eu sei que sou um bruxo, Hermione. Pensei que todos aqui fossem e isso não seria motivo de espanto.
– Claro que todos são – assegurou Hermione pacientemente. – Mas não como o seu pai. O que acho é que ninguém lhe explicou o que significa ser filho de James Potter.
– Isso é tão importante assim? – perguntou Harry.
– Entre os bruxos? Com certeza. James é um homem muito importante, Harry – ela disse com orgulho. – Muitos o consideram o principal líder da resistência contra... – ela baixou a voz dramaticamente – Voldemort, ao lado de Dumbledore, é claro. Dumbledore é o chefe absoluto, o bruxo mais poderoso dentre todos, mas é James quem tem os exércitos e também uma grande força política no mundo dos não-mágicos. As pessoas realmente o respeitam e você é o herdeiro dele.
De alguma forma, Harry intuía aquilo, mas gostou realmente de ouvir. E, como Hermione parecia disposta a lhe dar informações, ele perdeu o interesse pelas garotas risonhas e continuou o assunto para arrancar o que podia dela.
– Eu ouvi homens de Voldemort dizerem que ele não queria enfrentar o meu pai – afirmou contente por poder contar algo que ela realmente não sabia.
Hermione pareceu muito impressionada e isso a fez reagir antes que ele pudesse lhe perguntar qualquer coisa.
– Onde ouviu isso? Você encontrou com homens dele? Quando?
O tema acabou servindo para Harry destravar sobre o encontro com o pai. Ele começou a fazer um breve resumo sobre o que se passara até ali. Contou sobre Robin, sua primeira mágica, e sobre o que tinha ouvido naquela noite antes que ele e a mãe saíssem da casa dos Dursley. Depois arrematou com o encontro com o pai. Ele percebeu que omitira o fato de que havia um vaticínio que parecia ligar ele, Robin e Voldemort, mas deu a si mesmo a desculpa que de isso desviaria o assunto. Deixou Hermione pensar que a perseguição a ele se devia ao fato de ser filho de James e isso a deixou satisfeita em falar mais sobre o irmão. Era bem óbvio que ela o idolatrava.
Assim que Harry acabou sua narração, ela aproximou a cabeça da dele e começou a contar o que sabia.
– Bem, creio que faz sentido. Isto é, Voldemort só entrará em guerra aberta contra James quando tiver certeza de que poderá vencê-lo. Até lá, acho que ele prefere apenas fazer terror. Eles já estiveram bem perto de lutarem frente a frente uma vez, mas Voldemort preferiu manter ainda o segredo sobre quem ele é, e Dumbledore impediu que James fizesse algum tipo de loucura precipitada, pelo que eu sei.
– Meu pai queria a guerra?
– Com certeza.
– E quando foi isso?
– Eu não sei bem. Foi antes de eu chegar ao castelo Potter e isso é um assunto proibido lá dentro.
Os olhos de Harry saltaram das órbitas e seu interesse apagou tudo mais a sua volta, até mesmo as dores no seu corpo e os risinhos afetados das meninas sumiram das suas preocupações.
– Mas você sabe o que aconteceu? – perguntou mal contendo a curiosidade. A palavra: “proibido” tivera um efeito completamente inverso, ao invés de “pare”, lhe dissera “continue”. Ficou feliz em perceber que Hermione tinha um interesse parecido.
– Sei algumas coisas – ela falou se desculpando. – Não muito. Foi Ginny que insistiu para que descobríssemos mais, mas não fomos muito felizes. – Ela notou as sobrancelhas unidas de Harry e explicou. – Ginny Weasley. É uma amiga. Ela também mora no castelo. É a filha mais nova dos Weasley.
– Eu já ouvi falar deles, mas...
– Ninguém explicou.
Ela revirou os olhos em reprovação e lançou um olhar de desagrado para os cavaleiros na ponta da mesa. Harry aprendeu rapidamente a apreciar esta característica de Hermione. Ela acreditava que situações que não eram óbvias deviam ser muito bem explicadas. Harry se viu se apegando a ela como um viajante perdido a um mapa.
– Artur Weasley – a garota começou a explicar – é o administrador das terras do James. Ele é quem cuida dos rendeiros, dos servos, das plantações. A mulher dele, Molly, é... a palavra seria governanta, mas ela está mais para mãe de todo mundo por lá, o que significa que ela manda em todo mundo. – A garota aproximou mais a cabeça da dele, com medo de ser ouvida. – Pois bem, pelo que descobrimos, James e Voldemort quase entraram em guerra justamente por causa dos Weasley.
– O que eles fizeram?
– Os Weasley? Até onde eu sei nada. Mas eles são das famílias antigas, sabe? – Ela rapidamente notou que ali havia outro ponto cego nos conhecimentos do sobrinho. – Assim Harry: existem bruxos que acreditam que os poderes mágicos são mais fortes, mais puros, nas famílias bruxas mais antigas. É como a nobreza para os não-mágicos. Bruxos que são filhos de pessoas comuns ou mestiços são considerados fracos e desprezíveis.
Obviamente, Hermione quis dar alguma neutralidade à voz ao dizer aquilo, mas não conseguiu esconder a sua reprovação. Harry também achou que não poderia concordar. Não tendo Lily como mãe e nem depois de ter passado os últimos dois dias ouvindo Sirius e Remus contando da bruxa formidável que ela era.
– Mestiços como eu?
– Como nós, Harry.
Ele assentiu, mostrando seu idêntico desprezo pela idéia.
– E aí? – falou para ela prosseguir.
– Parece que Voldemort queria que Artur Weasley se unisse a ele. Prometeu mundos e fundos para ele e a família. Imagine, só os rapazes seriam seis bruxos de sangue puro a seu serviço, mais Ginny, seriam sete.
– Sete?
– É – confirmou Hermione – Will, Charlie, Percy, os gêmeos Fred e George e Ronald. – Ela corou um pouco e prosseguiu tomando fôlego. – É um número considerável, não acha? Mas Artur recusou tudo. Você irá conhecê-lo, Harry, então irá compreender. Artur Weasley consideraria a maior de todas as indignidades usar magia para prejudicar pessoas não-mágicas. Acredita que isso seria trair todo o passado da sua família.
Mesmo sem querer, a imagem de Dudley transformado em porco – uma imagem que Harry acalentava com prazer há dias – veio em sua mente e ele se sentiu mal. Lembrou de ter pensado que gostaria que a mãe o tivesse deixado daquele jeito; que Dudley certamente valia mais como porco que como gente. Mas aí, no que ele e a mãe seriam diferentes de alguém ruim e prevalecido de sua força como era o Dudley? O desprezo por si o fez admirar instantaneamente Artur Weasley.
– O que Voldemort fez quando ele recusou?
– Ah, todo o tipo de perseguição – respondeu Hermione. – Os vizinhos passaram a reclamar deles. Diziam que enfeitiçavam o gado, punham fogo nas plantações, acusaram Molly de sugar o sangue de criancinhas para conseguir ter tantos filhos saudáveis. Os homens do rei começaram a caçá-los como bruxos perigosos. Tomaram a pequena terra que eles tinham. Os Weasley nunca foram especialmente ricos, sempre disseram que sua riqueza era de outro tipo e que tinha ficado no norte, de onde vieram. Assim, sem ter do que sobreviver, Artur teve de fugir com a família. Na época, todas as crianças eram menores. – Ela sorriu diante da expressão solidária de Harry. – Então, James os acolheu.
O garoto retribuiu o sorriso cheio de orgulho, mas logo se deu conta das implicações.
– Isso fez Voldemort se voltar contra o meu pai?
– Fez ele se voltar ainda mais contra o seu pai, você quer dizer. É óbvio que ele já havia tentado fazer com que James se unisse a ele. James também é das famílias antigas. Mas é claro que James recusou veementemente. Manteve-se fiel a Dumbledore. Voldemort não poderia persegui-lo do mesmo jeito que aos Weasley, então esperou. Mas quando James acolheu Artur e a família, bem, eu acho que isso soou como uma declaração realmente pessoal de guerra. Voldemort jurou que se vingaria do seu pai. E ele fez isso.
– Como? – a respiração de Harry ficava cada vez mais rasa diante da narração.
– Aí está! Nada do que Ginny e eu tentamos para descobrir funcionou. Nem dos irmãos mais velhos dela (os que se lembram da época) conseguimos arrancar alguma coisa. Quando tentei perguntar ao James, ele ficou furioso. Me proibiu de voltar a tocar no assunto. Disse até que castigaria a mim e a Ginny se continuássemos nos metendo onde não éramos chamadas. – Harry ficou chocado com a reação do pai, ainda mais depois do carinho que vira ele demonstrar por Hermione. – Eu sei – ela concordou lendo sua expressão. – Ele nunca tinha falado comigo daquela maneira e nem eu jamais o tinha visto tão transtornado.
– Mas vocês não conseguiram descobrir mais nada? – ele perguntou frustrado e secretamente culpou-as por serem meninas e terem desistido fácil.
– Bem, conseguimos arrancar uma coisinha do Charlie. Ele costuma ser mais sensível aos apelos da Ginny. Tenho certeza de que se ele não tivesse medo que o Will brigasse com ele, teria contado bem mais.
– O que ele contou?
Hermione apertou as mãos sobre o colo e olhou por cima do ombro antes de baixar mais a voz e falar.
– Alguém morreu, Harry. Quando Voldemort se vingou, ele matou alguém importante e muito amado naquele castelo. Por isso James queria fazer guerra.
– E por que não aconteceu?
– Acho que Voldemort se satisfez em mostrar força e deixar James frustrado por não poder revidar – falou Hermione sombriamente. – Além disso, é difícil fazer guerra contra um fantasma.
– Eu sei... ninguém sabe quem ele é.
– Exato, e nem quem são os seus seguidores. Só existem suspeitas, mas nada que se possa comprovar. Foi por isso que Dumbledore conseguiu segurar o James, impedir que ele queimasse o país atrás de Voldemort. Pelo menos, foi o que Charlie nos contou.
Na ponta da mesa, James se inclinara para conversar com Sirius e Harry se perguntou se o pai lhe contaria o que tinha acontecido realmente, caso ele perguntasse. Porém, quando ele se voltou para saber a opinião de Hermione sobre isso, deu de cara com uma bandeja de frutas. A garota que a oferecia era um pouco mais nova que ele e lhe faltava um dente da parte de trás do sorriso, embora a ponta do novo já fosse visível.
– Quer uma maçã? Ou uma pêra?
– Não, obrigado.
– Se quiser...
– Obrigado.
O sorriso da menina perdeu um pouco o brilho e ela se afastou. Harry sabia que seu rosto devia estar púrpura, o olhar de Hermione lhe atestava justamente isso. O fato de as bochechas dela estarem tremendo também não o ajudou.
– Você falou que estava esperando para ir para casa no verão – disse Harry tentando esconder o embaraço. – Elas não vão também?
Hermione deu um suspiro.
– A maioria não tem para onde ir. Foram abandonadas pelas famílias por serem aberrações... bruxas, eu quero dizer.
– É assim que eles as... nos chamam?
– Alguns – disse Hermione com tristeza. – O problema não é como nos chamam, mas como reagem quando nos descobrem. – Os olhos dela vaguearam em direção as outras garotas. – Algumas delas têm marcas horríveis de castigos, os pais achavam que poderiam tirar a magia delas se obrigassem o demônio a abandonar os seus corpos machucando-o. – Harry ofegou indignado. – É claro que nossa magia nada tem a ver com demônios. Você já viu o bastante para saber disso, não? – ele assentiu rapidamente. – É, mas para eles, os comuns, não funciona assim. Madame Pomfrey conta de garotas que já chegaram aqui à beira da morte, e algumas que jamais voltaram a pensar normalmente, você compreende? E tem também as que as mestras tiveram de ir salvar, porque tem aldeias em que sempre que acontece algo de ruim e tem uma bruxa por perto...
– A culpa é da bruxa – completou Harry. Ele figurou os Dursley claramente em sua cabeça. Só haviam aceitado sua mãe de volta sob o juramento de jamais fazer magia e tudo o que acontecia de errado, se não era culpa de Lily, era dele.
– É. E é por isso que tanta gente se une a Voldemort. Quer atacar antes de ser atacado. Mas quem sofre mais não são as famílias bruxas. Estes em geral conseguem se esconder ou se proteger. Mas – seus olhos castanhos ficaram um pouco sombrios – os que nascem em famílias não-mágicas...
– Foi por isso que seus pais a entregaram para o seu irmão?
Hermione confirmou, forçando um pequeno sorriso. Harry mirou o grupo de garotas com uma maior simpatia agora. Uma nova onda de risinhos das meninas, o fez ficar sem graça novamente. Não estava acostumado a causar tanta comoção nas garotas. Mas deu-se conta de que o alvo não era exatamente ele, mas sua posição naquele novo mundo.
– E todo esse escândalo é porque o meu pai é um bruxo importante – concluiu pegando seu copo de cerveja.
– E porque ele é rico – completou Hermione. Harry tomou um gole, contrafeito. – E também porque a maioria dos casamentos são tratados na nossa idade.
Harry espirrou toda a cerveja para fora da boca enquanto Hermione gargalhava.
Partiram imediatamente após o almoço, o que impediu Harry de continuar a tirar informações de Hermione. Os cavaleiros pareciam ter muita pressa em ir embora e nem ao menos quiseram esperar o retorno das três mestras. Contudo, James deixou um pedido para que McGonagall, e também as outras se quisessem acompanhá-la, fosse visitar o castelo antes do outono.
A viagem tomou um ritmo nervoso e Harry chegou a estranhar. Até mesmo as lições pararam e mal havia espaço para conversas. Tanto os viajantes quanto suas montarias resfolegavam pelo esforço mútuo. Parecia existir uma enorme necessidade em se afastarem, o mais rápido possível, da escola. Quando Harry conseguiu perguntar ao pai, a resposta lhe pareceu pouco convincente.
– Quanto tempo você acha que aquele lugar cheio de mulheres irá guardar segredo sobre você? – Harry franziu a testa e o pai lhe sorriu. – Ok, eu não confiaria nem que fosse um bando de homens, talvez até menos. Mas não podemos achar que o medo que elas têm de McGonagall, Dumbledore ou possivelmente de mim irá mantê-las caladas. Prefiro ter você logo dentro das paredes de casa, Harry. Nossa outra opção seria obliviá-las em grupo, mas isto demandaria tempo demais e McGonagall me mataria... – James notou a incompreensão do filho. – Fazê-las esquecer que você esteve lá.
– Humm – resmungou o garoto, lembrando do adeus que tinha recebido. Sentira-se uma corsa no meio de cães caçadores.
James riu e despenteou o cabelo do filho. Logo, eles voltaram a correr como se a sombra os perseguisse. Acamparam já quase na encosta das primeiras colinas que apareciam indicando que estavam indo para o norte. Enquanto se alimentavam, James explicou a Harry que teriam de subir o terreno e mais adiante desceriam para o vale onde ficava Godric’s Hallow.
Todos estavam muito cansados, mas ainda assim Harry notou que Sirius permanecia anormalmente quieto. Ele não tirava os olhos de Remus e Harry acompanhou a sua preocupação. A marcha forçada da tarde parecia ter drenado ainda mais as forças do capitão. A indisposição continuava tornando seu rosto cada vez mais pálido e as olheiras faziam enormes marcas roxas sob os olhos castanhos e cansados. Harry achara que ele parecia um pouco mais velho que seu pai e Sirius, embora tudo indicasse que eles tinham quase a mesma idade. Porém, agora, Remus parecia vários anos mais gasto que os outros dois.
A noite começou limpa e escura, as poucas estrelas pareciam tímidas enquanto esperavam a lua nascer. A luz bem amarela da fogueira impedia de ver muito além do pequeno círculo de céu que encimava a clareira onde eles acamparam. Little John apressou o jantar e tão logo eles acabaram, James sugeriu – praticamente ordenou – que eles se acomodassem para dormir. Harry cedeu o seu lugar junto à mãe para Hermione e se acomodou próximo a Little John. Contudo, antes que todos ficassem finalmente quietos, Sirius anunciou que Remus e ele iriam fazer feitiços de segurança a uma distância maior do acampamento. James concordou imediatamente e, embora Lily tentasse protestar, dizendo que Remus não estava em condições, os dois homens sumiram no meio das árvores antes mesmo que ela tivesse terminado de falar.
Harry deitou no chão, escorou a cabeça nos braços dobrados e ficou mirando o céu sobre ele. Seu pai havia dito que levariam mais dois dias até o castelo, talvez menos se apertassem ainda mais o passo dos cavalos. É claro que ninguém julgava que isto fosse possível. O cavalo de Little John era muito lento e, certamente, Lily e Hermione não agüentariam muito mais. Harry soltou um gemido enquanto realinhava o corpo sobre o chão duro. A quem ele queria enganar? Ele também não suportaria continuar naquele ritmo por muito tempo. Porém, a sua curiosidade em ver o castelo se tornava cada vez maior. Ficava imaginando como seria viver num lugar cheio de bruxos e nas coisas que veria e aprenderia lá.
Seus pensamentos flutuaram junto com os estalidos da fogueira e ele ficou observando a fumaça clara subir para o céu que lentamente clareava. Em algum lugar, além das árvores, a lua devia estar nascendo. O cansaço entorpecia a mente de Harry e a deixava lenta, mas ele ainda sentia como se lhe tivessem dado um enorme galpão atulhado de coisas para organizar e sabia que levaria muito tempo para fazer isso. Depois de toda a tarde pensando sobre o que Hermione lhe dissera, uma coisa tinha ficado martelando em sua cabeça. Talvez, ainda mais que o secreto motivo, que quase dera início a uma guerra declarada entre Voldemort e seu pai. Harry tinha conseguido entender agora, realmente, quem James era, mas ver a si mesmo como seu herdeiro era estranho e, de muitas formas, assustador. Ela não sabia se seria capaz de ocupar este lugar, ou, isso ele pensou como se baixasse a voz para si mesmo, se ele queria este lugar. Ao mesmo tempo, ele tinha certeza de que jamais teria qualquer escolha sobre isso.
A cabeça cheia de dúvidas não impediu o corpo de reclamar descanso. Por isso, os passos nervosos vindos da mata, algum tempo depois, o fizeram despertar assustado, como se caísse de uma grande altura, e sentar muito ereto no chão com o coração em disparada. Lily e Hermione também estavam acordadas, mas ainda em suas camas no chão. Little John desembainhara seu facão e tinha na outra mão uma lança curta apontada para as árvores. James, que Harry percebeu imediatamente que sequer havia deitado estava em posição de ataque – uma mão segurando a varinha e outra a sua espada – bem em frente do lugar onde Hermione e Lily estavam. Harry voltou a respirar quando percebeu que era Sirius. A expressão do padrinho, porém, não inspirava nenhuma tranqüilidade.
– Ele se soltou! – anunciou sem fôlego. Os cabelos longos estavam colados ao rosto junto com suor e terra. Harry notou um pequeno filete de sangue, no alto da testa.
Os maxilares de James se prenderam por um instante, mas ele não titubeou.
– Hermione, Lily! Ajudem Little John a cercar o acampamento com fogo. É mais rápido e seguro com magia. Ensinem ao Harry como fazer. John alveje qualquer coisa que se aproximar daqui. Vamos! – a voz grave incitou Sirius e, antes que Harry pudesse piscar, os dois tinham sumido na mata.
Lily fez menção de segui-los, as perguntas brotando de sua boca, mas Little John a segurou.
– Não há tempo para explicar, Lady Lily. Estamos em perigo. Vamos fazer o que Sir James mandou. – Ela resistiu. – Por favor?
Algo em sua voz demoveu Lily de continuar a protestar e ela se pôs a fazer um buraco no chão em torno do acampamento, enquanto John espreitava a mata com olhos de caçador.
– Aqui Harry – Hermione pegou da sua mão e o conduziu até onde Lily estava, ele nem tinha notado que estava em pé a essa altura. A garota lhe chamou novamente a atenção e lhe ensinou a fórmula mágica, apontando a varinha para o buraco que Lily estava cavando. Na terceira tentativa, Harry conseguiu acertar o feitiço. O buraco impediria de o fogo se espalhar pela mata e acabar se tornando, ao invés de sua proteção, seu algoz. O fogo proveniente das varinhas mágicas, não necessitava de madeira ou palha para queimar.
– Chamas azuis não! – gritou Little John para Hermione. – As amarelas. Ele teme as amarelas!
Imediatamente, Hermione trocou a cor das chamas. Lily já se juntara a eles na feitura do fogo e trocou um olhar rápido com o filho. Obviamente os dois se perguntavam quem era ele. Em instantes um círculo de fogo cercava aos quatro protetoramente.
Um uivo sobrenatural rompeu a noite. Muito mais alto que os estalidos do fogo, se sobrepondo à agitação dentro da mente de Harry e mais assustador que qualquer som que ele já tivesse ouvido. Era um misto de dor, raiva e selvageria primitiva. A reação dos outros não foi diferente da dele, mas ninguém falou, logo outros uivos se uniram àquele. Uma alcatéia inteira, talvez mais. E, como que para dar a tudo um tom fantasmagórico, a lua branca se ergueu sobre as árvores, cobrindo tudo de luz prateada. Os cavalos, presos fora do circulo de fogo, começaram a coicear e relinchar furiosamente, forçando as amarras para fugir.
– Bestas do inferno! – vociferou Little John. – Ele atraiu uma alcatéia de lobos!
– Ele quem? – Hermione estava histérica, mas John não respondeu. Ele cravou seu facão e a pequena lança no chão e correu para o arco, armando-o na direção da floresta.
– Harry – Lily pôs a mão em seu ombro – aponte a varinha numa estocada e diga Estupefaça! Repete comigo.
Sem contestar e atento ao nervosismo da voz da mãe, ele repetiu e treinou o movimento. Em seguida, dando as costas uns para os outros, os quatro tomaram posição em cada canto da clareira. O coração de Harry ribombava contra as costelas. Além daquela fogueira, seu pai, seu recém encontrado pai, seu padrinho e Remus estavam correndo ainda mais perigo. Uma vontade louca de pular as chamas e ir procurá-los o assaltava a cada instante em que ele sentia a tensão crescer. Os uivos continuavam e pareciam cada vez mais próximos e excitados. Algo estava errado nisso. Era raro que matilhas de lobos atacassem em pleno verão. A época oferecia comida farta, os lobos eram, em geral, bem mais perigosos no alto inverno.
Os estalidos do fogo encobriram os barulhos baixos das patas dos animais pela mata, Harry só se deu conta de que a proximidade dos lobos era maior do que ele julgara, quando inúmeros olhos brilharam em torno deles. Os rosnados dos lobos não eram nada confortadores. Eles farejavam as presas e arreganhavam os dentes com o apetite de predadores satisfeitos por uma caça tão fácil.
– Fiquem calmos – berrou Little John – eles não ultrapassarão as chamas.
Contudo, nem todos estavam protegidos pelas chamas. Os cavalos já se encontravam em pânico, forçando as cordas em busca de libertação. Um lobo mais ousado se aproximou perigosamente da montaria de Hermione e Little John o acertou com uma flechada. Foi o inferno!
Os animais, ao invés de se assustarem, pareceram ficar mais furiosos e chegaram a se aproximar da fogueira como se pouco temessem dela.
– O que há com esses bichos? – gritou Harry. – Estão loucos!
– Antes fosse! – berrou em resposta Little John acertando outra flechada e um ganido alto cortou o ar, sendo logo substituído por rosnados furiosos.
Sem esperar mais, Lily e Hermione começaram a lançar feitiços contra os lobos e Harry as imitou. Demorou um pouco para que sua pontaria fizesse algum estrago, mas quando ele acertou o primeiro, um lugar da sua mente bendisse Dumbledore pelas lentes que agora acertavam sua mira. A alcatéia, contudo, não dava mostras de desistir de suas presas.
Num arroubo, um lobo jovem pulou furiosamente e se jogou sobre o dorso do cavalo de Lily. O animal empinou assustado, pateou e coiceou tentando se livrar dos dentes afiados na parte de cima do seu pescoço, mas apenas conseguiu atingir o cavalo irritadiço de Sirius. O sangue do animal de Lily excitou as feras ainda mais e eles agora se aproximavam para cercar os cavalos.
Little John deu um urro furioso, largou o arco e pegando, quase simultaneamente, seu facão e um dos galhos em chamas da fogueira central, ele saltou o circulo de fogo mágico se postou entre os cavalos e os lobos. Seu facão atingiu a fera que corcoveava sobre o cavalo da mãe de Harry e o animal caiu com o pescoço aberto. A raiva da alcatéia se voltou para um único alvo. Harry mal tinha consciência dos gritos dados por ele, sua mãe e Hermione e nem mesmo conseguiria identificar o que suas vozes aterradas diziam.
O tamanho impressionante de Little John não intimidara os lobos. Eles continuaram se aproximando, rosnado e provocando, esperando uma brecha na postura do caçador para saltar. Ele sacudia o galho chamejante na sua frente, mas isso meramente mantinha os animais à distância do seu braço. Os três bruxos, do interior do círculo tentavam acertar o máximo de feitiços que podiam, mas aos animais pareciam estar a serviço do próprio diabo. Quando caía um, outro tomava o seu lugar. Harry achou que havia mais de uma alcatéia ali. Um lobo cinzento provocou o braço armado de fogo de John e o fez abrir a sua esquerda. Foi um mínimo instante de distração, em que lobo e homem se encararam olhos nos olhos, mas o contato quebrou quando um imenso lobo negro saltou sobre John.
– NÃÃOOO!!!! – berrou Lily. Hermione deu um grito agudo.
Harry correu até a beira do fogo e mirou a varinha contra o lobo, mas antes que ele pronunciasse o feitiço Lily havia pulado para fora do círculo e estava açoitando o lobo atacante com línguas de fogo que saíam da sua varinha. O animal ganiu, mas ainda parecia possuído e continuou sobre o Little John. O homem estava ferido na garganta, mas o lobo não continuara a machucá-lo por causa da intrusão de Lily. O cheiro de pêlo queimado se elevou no ar e os outros animais pareceram ainda mais furiosos. Hermione acertou um lobo que parecia pretender atacar Lily pelas costas.
Eram animais demais. Eles não dariam conta, mesmo com os feitiços, e, certamente, não com um deles sangrando enquanto os outros mal conseguiam defender-se. O cavalo de Lily parecia muito mal e os outros continuavam cada vez mais agitados. A mente de Harry trabalhou rápido. Nunca caçara, mas sabia algumas coisas básicas sobre lobos, a maioria das pessoas sabia. Era preciso encontrar o líder da alcatéia, onde ele fosse os outros iriam atrás, se ele se ferisse, os outros recuariam até ter um novo líder. Não importava se fosse o macho ou a fêmea, o importante era encontrar o chefe. O garoto segurou os feitiços e buscou rápido, precisava tirar os animais dali, era a única chance de salvar John, sua mãe e Hermione.
Um lobo negro diretamente a sua direita lhe chamou a atenção. Não era o tamanho, mas os olhos, o rosnado baixo. Harry resolveu arriscar suas chances. Um grito agudo de Hermione o acompanhou quando ele saltou sobre o círculo de fogo. Lily também berrou, mas foi incapaz de segurá-lo. Com um impulso, Harry se alçou no dorso nervoso do cavalo de seu pai e com um feitiço cortou a corda que o segurava. Ele se segurou quando o animal empinou indócil e com algum esforço não só permaneceu montado como impeliu o garanhão em direção ao lobo que tinha marcado. Apenas vendo a possibilidade de fugir o animal aceitou seu comando. Harry ergueu a varinha e como se manuseasse uma faca fez o mesmo feitiço de corte que usara na corda na direção do lobo negro. O sangue brotou sobre a perna do animal, que soltou um ganido de dor. Com o cavalo vindo em sua direção, a fera resolveu correr e Harry a seguiu, rezando intimamente para que os outros o acompanhassem.
Não demorou a sentir os rosnados dos outros lobos rilhando as patas de sua montaria. Ele continuou a acertar feitiços, e logo os sons que traziam os gritos de sua mãe e Hermione cessaram. Porém, não houve silêncio. Pelo contrário, o que se ergueu sobre a noite fez seu sangue gelar nas veias. Não era um uivo, mas um urro meio humano, meio animal, uma espécie de terror agoniado deslizava dele fazendo quase impossível imaginar a garganta que era capaz de emiti-lo.
– Pai... – ofegou Harry.
Com a mente turvada pelo pânico de perder James, Harry virou o cavalo na direção do urro. Sabia que fosse qual fosse a sua origem, lá encontraria o pai. Mal sentiu os galhos das árvores lhe rasgando os braços e o rosto. Tudo o que conseguia pensar era em chegar até James.
Os lobos ainda estavam em seu encalço, mas começaram a diminuir a corrida. Foi então que Harry se viu diante de um pequeno riacho de pedras. O cavalo escorregou um pouco, diminuindo também o ritmo da corrida por causa das pedras arredondadas. Contudo, ele continuava cercado, com certeza havia mais de uma alcatéia por ali e era tão anormal quanto tudo o que estava acontecendo ver tantos lobos juntos. Os animais não pareceram tão dispostos com a água em suas patas, mas continuavam acompanhando-o perigosamente de perto. Harry imaginou que se o terreno das margens do riachinho se erguesse acima dele, um dos lobos poderia saltar nele. Aumentou o cuidado, mas continuou impelindo o cavalo, ele não podia demonstrar que tinha desistido e ainda buscava o lugar em que julgava que encontraria o pai.
A lua prateava tudo a sua volta, mas a claridade não lhe parecia tranqüilizadora. Ela aumentava a quantidade de sombras e a todo o momento, Harry imaginava ver mais olhos cruéis aparecendo por entre as árvores. Um novo uivo aterrador rasgou a noite e os lobos responderam com satisfação. Neste instante, sem comando, o cavalo de Harry parou. Ele empinou as patas da frente enquanto o garoto, surpreso, pressionava as pernas contra ele para não ser arrebatado ao chão. O animal encostou as patas dianteiras no solo fazendo a água saltar e voltou a empinar cheio de pavor. Harry não precisou mais que um segundo ao olhar para frente para saber o porquê daquela comoção.
No alto de uma pedra, adiante dele, se erguendo sobe o riacho, espreitava a silhueta de um animal peludo, muito maior que qualquer um dos lobos que o perseguiam. Os olhos vermelhos pareciam saltar de seu corpo escuro e baço. A lua sobre ele fazia brilhar os dentes arreganhados e logo ele uivou novamente. Os lobos responderam e pararam de perseguir Harry. Ainda tentando controlar o cavalo, ele sentiu uma garra em seu estômago lhe informando que era presa de um outro tipo de animal agora. O horror era que os lobos apenas o matariam, mas o animal a sua frente, farejando seu sangue, seu cheiro, faria mais que isso.
Não houve tempo para pensar no seu fim. Dois lobos cinzentos saltaram sobre o seu cavalo e a luta o jogou definitivamente no chão. As suas costas se chocaram contra o solo pedregoso e todo o ar que ele tinha saiu dali num bufo. O garanhão foi impelido a se afastar do cavaleiro, mas os lobos não se aproximaram de Harry. O animal adiante o tinha reservado para si. Tonto e lutando contra a dor que queria tomar a sua consciência, Harry viu a besta saltar da pedra com ferocidade e avançar em direção ao garoto sem correr. Os olhos vermelhos luzindo, antecipando. Harry mal conseguiu erguer a varinha, ela tremia em sua mão e mesmo que ele conseguisse achar voz para pronunciar qualquer dos feitiços que sabia, era como se estivesse em branco. Nada lhe vinha mente. Apenas a certeza de que logo estaria morto, ou pior. Sentia uma sensação amarga subindo de seu estômago, e era incapaz de puxar ar suficiente para seu peito. Sob as costelas ele sentia chamas minando seus resquícios de vontade de continuar vivo.
Algo grande e escuro, porém, saltou sobre o lobisomem. Harry não conseguiu saber se era outro lobo, mas os dois logo entraram numa luta furiosa. Quando ele tentou se mexer, viu-se acossado e preso entre quatro patas. Por um instante, Harry achou que o garanhão tinha voltado, mas era outro o animal que o mantinha sob a proteção de quatro pernas poderosas. O garoto olhou para cima e seu fôlego sumiu ao ver-se sob a defesa de imenso cervo castanho. Os olhos do animal pareciam mandá-lo ficar quieto enquanto, adiante, o lobisomem e seu oponente lutavam ruidosamente. Apavorado, Harry tentou recuar, saindo de sob o bicho, mas o cervo pateou e continuou a mantê-lo sob suas quatro patas.
A cena demorou ainda e Harry não saberia dizer quanto tempo ficou ali, assistindo a luta e tentando, com todas as forças, manter-se lúcido. Finalmente, o lobisomem pareceu ferir-se e recuou. Seu oponente seguiu em seu encalço. O cervo, porém não se mexeu. Ele lançou um olhar a Harry e depois de um longo instante ergueu as orelhas como se ouvisse alguma coisa. Com um aceno para algo que Harry não viu, ele saiu de cima do garoto e seguiu pelo mesmo caminho que o lobisomem e o outro tinham desaparecido. Houve um instante em que o garoto se sentiu seguro, mas isso foi antes de sua visão ser coberta por uma sombra imensa, de aspecto selvagem, mas muito mais larga que a do lobisomem. Talvez outro. Harry não soube. Tudo escureceu ali.
Foi um raio fino de sol a primeira coisa que Harry teve a consciência de ver na manhã seguinte. Sua visão ficou turva pela luz e depois de algum tempo, ele sentiu falta das lentes no seu rosto.
– Ele acordou – disse a voz de sua mãe entre aflita e aliviada.
Várias vozes agradeceram a Deus e à Virgem. No instante seguinte, ele viu os rostos preocupados de James e Lily sobre ele.
– Estou bem – falou com a voz rouca.
– Agora está – disse James com alguma severidade. – Você machucou as costas de um jeito bem feio. Fique feliz por sua mãe ser tão boa em feitiços de cura.
Harry achou melhor ignorar que o pai parecia bravo com ele.
– Little John? – perguntou.
– Eu estou bem – trovejou o homem um pouco adiante. – Foi muito corajoso, Mestre Harry.
Ele achou estranho ser chamado assim. Mas não teve tempo de saber se gostava. James não parecia calmo o suficiente para elogios ao que Harry tinha feito.
– Não o estimule, John!
– Ótimo – gemeu Harry tentando levantar, as mãos da mãe e do pai o auxiliaram. – Agora são dois me tratando como um bebê.
– Como um bebê? – retorquiu James e só então Harry viu o rosto do pai e o quanto ele estava transtornado. – Você tem idéia dos riscos que correu? Tem idéia do que poderia ter acontecido?!
Harry achou que Lily repreenderia o pai por falar com ele daquela maneira, mas ela parecia apoiá-lo integralmente.
– Espero que saiba ao menos o que fez conosco? Você quase nos matou de aflição! – esganiçou ela.
– Peguem leve com o garoto – disse Sirius. Estava sentado do outro lado da clareira, ao lado de um monte coberto por capas. Harry reconheceu, com alguma dificuldade, os olhos exaustos de Remus ali. Os dois pareciam terrivelmente machucados. Mas Sirius tinha força para estar sentado e tomava algo fumegante em uma caneca. Hermione estava ajoelhada ao lado de Remus e cuidava zelosamente de um feio ferimento em sua têmpora. – Ele foi formidável ontem à noite.
– Ele quase morreu! – Rugiu James.
As mãos de Lily ainda estavam trêmulas enquanto o seguravam e havia mais dor que fúria nas palavras do pai. Harry se sentiu culpado por deixá-los daquele jeito, apesar de, no fundo, não imaginar como poderia ter agido de outra maneira. Ele ia pedir desculpas, mas um som de galhos quebrando o sobressaltou. Seu movimento, no entanto, não foi acompanhado pelos outros. Logo, um homem realmente imenso adentrou na clareira e Harry precisou erguer o pescoço para chegar até o rosto de aparência selvagem coberto por uma barba desgrenhada e longos cabelos emaranhados. Ele achara, até aquele momento, que Little John era altíssimo, mas aquele homem não era apenas alto. De fato, quase duas cabeças mais alto que Little John. Era largo também. Suas mãos pareciam dois escudos pequenos e os pés imensos sustentavam pernas da grossura de um carvalho jovem. Dois olhos negros como besouros o miraram, porém, com grande simpatia.
– Eu mal acredito que estou olhando para você! – falou com surpreendente doçura e uma óbvia felicidade. – Claro que ontem a noite não conta – ele riu. – Você desmaiou assim que cheguei até você.
– Foi você! – reconheceu Harry. Era a sombra que o havia encontrado sob as patas do cervo. Harry tinha a estranha sensação de que o cervo só o deixara porque confiara a sua segurança ao gigante.
Ele lhe estendeu a mão enorme.
– Sou Rubeo Hagrid! Trabalho para o seu pai e para Dumbledore – afirmou satisfeito.
Harry estendeu a mão, mas não conseguiu apertar de volta, apenas gemeu baixinho quando os dedos foram rapidamente esmagados.
– É um prazer.
– Oh, isto deve ser seu – o gigante lhe estendeu seu par de lentes. – Reconheço o trabalho de Dumbledore aqui. Homem excelente Dumbledore, não é?
Harry pegou os óculos, agradecido e assentiu. Sua estranheza pelo tamanho do gigante evaporando.
– Eu não disse que o John era um tampinha – caçoou Sirius. Isso fez Rubeo rir e abraçar Little John pela cabeça, colocando-a sob o braço sem qualquer esforço. Harry viu na fala do padrinho uma forma de afastar as repreensões de James e Lily de cima dele. Grato, ele sorriu para Sirius e os dois homenzarrões.
– Uau! Você é o irmão do Little Jonh?
– É o que diz o nosso pai – falou o maior deles.
John se livrou do abraço de urso do irmão, com uma cara contrariada. Harry viu nos seus olhos azuis a sombra de um garotinho que não gostava de parecer fraco perto do irmão imenso.
– Mães diferentes – ele resmungou. – Papai gostava das grandonas.
– Eu não o culpo – disse o irmão maior. – Mulher tem que ter espaço.
– Hagrid!
– Desculpe Hermione.
Harry teve de rir. O que se podia ver do rosto do gigante ficou muito corado, e ele pareceu realmente embaraçado pela presença de Hermione e Lily.
A conversa, felizmente, desviou um pouco as atenções de James e Lily. Os dois, entretanto, continuavam ao lado do garoto, segurando-o levemente, como se temessem que algo acontecesse ali. Hagrid engoliu o embaraço e se voltou para James.
– Eu dei um jeito de afastar duas das alcatéias. Mas teremos de seguir viagem o quanto antes.
James concordou.
– Partiremos assim que Harry e Remus se sintam bem. Tomaremos precauções maiores esta noite. – Hagrid assentiu.
– Eu estou bem – disse Harry, mesmo sabendo que cavalgar seria horrivelmente doloroso, ele também não queria anoitecer perto dali.
– Certo – falou James, finalmente se erguendo do seu lado. Ele fez um sinal para Sirius que o seguiu imediatamente. Mas não foi apenas ele. Lily não pareceu disposta a ver os dois tramando o que fariam a seguir sem ela. Ela os seguiu alguns passos além da clareira.
Harry se irritou. Ele não iria ser tratado como criança depois do que tinha passado, sabia que havia algo naquela noite que era mais que sobrenatural. Algo que o seu pai e Sirius sabiam e, se Lily ia ouvir, ele também ia. Tirou a capa que estava sobre seus ombros e os acompanhou. Hermione veio no seu encalço. John e Hagrid permaneceram com Remus e Harry apenas os viu trocar um olhar apreensivo.
Num espaço entre três árvores altas os dois homens pararam. James os olhou, irritado, enquanto Sirius apenas rolou os olhos e se encostou a um dos troncos. Ele parecia achar aquilo inevitável.
– Se eu quisesse uma assembléia, não teria vindo para cá – reclamou James.
– Eu só vou sair daqui no momento em que souber o que aconteceu ontem à noite – teimou Lily, cruzando os braços.
Harry teve a breve impressão de que aquela conversa já tinha começado antes de ele acordar.
– Não vai adiantar deixá-los no escuro, James. – Sirius estava sério. – Talvez, Harry não tivesse se arriscado tanto ontem se soubesse do que se tratava.
– É o Remus, não é? – a voz temerosa de Hermione cortou a resposta do irmão. – Por que não me disseram? Eu podia ter tentado ajudar.
– Toda a ajuda que é possível ele tem – vociferou James. Ele continuava realmente alterado, como se o medo da noite anterior lhe tivesse roubado cada mínimo pedaço de paciência.
– Mas eu podia...
– Não, Hermione! Não podia!
– Não grite com a menina! Ela só quer ajudar! – Lily se pôs em defesa da garota.
– Remus está além da capacidade dela ajudar, Lily!
– Pelo amor de Deus, homem! Me diga o que aconteceu! – berrou ela. James deu-lhe as costas e Sirius suspirou. – Harry quase morreu! Little John, eu! Ficamos à mercê de lobos enlouquecidos e eu sei que alcatéias só se comportam assim quando há um lobisomem por perto. Ele as chama, as comanda, as excita. Olhe para mim James! – ela o agarrou pelo braço e o fez se voltar. – É isso? Remus é um lobisomem?
Harry estava preso no chão. Aterrado demais para se mover, mas lúcido o suficiente para ver o sim nos olhos do pai. Hermione pegara na sua mão e chorava baixinho com o rosto nas costas do seu ombro.
– O que mais poderia ser? – perguntou James.
Lily desabou.
– Meu Deus! Como? Quando? Autunm sabe?
Pela primeira vez, Harry desconheceu completamente a expressão do pai. Havia um ódio sem tamanho em cada traço seu. Ele lhe pareceu velho e maligno ao encarar Lily. Sirius retesou o corpo, alertado pela explosão. Mas ela não veio daquela vez.
– Felizmente, Autunm nunca soube.
– Mas como...? – Lily congelou no mesmo lugar.
– Como você acha, Lily?
– James, por favor – reagiu Sirius.
– Ela quer saber o que houve, Sirius. Eu vou contar para ela. – James deu um passo na direção de Lily e Harry também se aproximou. Estava com medo do jeito dele. – Foi mais um menos um ano depois de você partir. Parece que o bruxo de quem você me acusou de ser cúmplice, resolveu que ou eu era um cúmplice muito ruim ou um inimigo muito incômodo. Ele quis se vingar quando eu ajudei uma família a quem ele perseguia. Mandou um lobisomem rondar as minhas terras. Não importava exatamente quem ele pegasse. Acho que a ordem era apenas: pegue alguém que o faça lamentar muito.
Harry percebeu que as lágrimas começaram a escorrer pelos olhos da mãe sem que ela se mexesse. Parecia uma estátua que chorava. Mas James não se comoveu.
– O animal transformou meu amigo nisto! Transformou-o em dor e sofrimento para todo o sempre! Eu nunca soube o que foi pior. Se foi encontrar os corpos dele e de Autunm depois do ataque. Se perceber o que tinham feito ao meu amigo. Ou se foi, quando ele acordou tão ferido e fraco, narrar para ele o que o... – a voz dele falhou – o que o monstro que o atacou fez com a sua jovem e bela esposa. Ou se foi escutá-lo, dia após dias, durante meses, implorar que para que eu e Sirius o matássemos.
O choro de Hermione era convulsivo agora e Harry instintivamente passou o braço sobre os ombros dela. Lily levou as mãos à boca controlando o próprio horror, mas seus ombros sacudiam sem controle. Sirius era o único que aparentava alguma calma, ele segurou o braço de James, que mantinha os olhos fixos no desespero de Lily.
– Pare James! – ele o sacudiu. – Por que fez isso? Nada seria diferente se ela estivesse aqui.
O pai de Harry se livrou da mão do amigo e voltou a ficar bem perto da esposa. Sua voz foi baixa e cruel.
– Eu gostaria de saber que espécie de monstro você acha que eu sou, a ponto de entregar meu filho para a morte, ou permitir que alguém fizesse isso com um homem que é como um irmão para mim.
Aquilo era agora muito maior do Harry se sentia capaz de interferir. Ele sabia que sua mãe havia fugido pela sua segurança, mas também por uma enorme mágoa. Ele também tinha certeza de que o pai era inocente, mas jamais foi capaz de mensurar a dor dele. Lily cobriu o rosto com as mãos e se entregou ao desespero. A noite que haviam passado caiu inteira sobre ela, o medo, a tensão, e agora uma tristeza que não tinha fim. Harry achou que ela desabaria no chão, mas antes que isso acontecesse, James fechou os olhos por um instante, depois, com uma expressão que seu filho não conseguiu ler, ele a tomou nos braços. Lily lutou por um momento contra o conforto que ele oferecia, mas depois se entregou, chorando copiosamente.
Sirius se afastou dos dois e caminhou até Harry e Hermione. Passou os braços sobre os seus ombros.
– Vamos. É melhor deixá-los sozinhos.
Os três voltaram caminhando lentamente em direção à clareira.
X – – – X – – –X
N/A: Estou escrevendo a nota, e nem sei se minha Anam terminou o capítulo... Porém, preciso falar! JÁ! - Eu SOU uma leitora assídua. E grandes aventuras épicas são minhas preferidas, a ponto de minha mão me chamar de “tracinha de livros”, porque costumo jantá-los em algumas horas. E poucas vezes apreciei um capítulo a ponto de catatonizar como aconteceu agora, aqui. No espaço desta leitura, ri, me surpreendi, me enterneci (O Hagrid! Yes!), fiquei louca da vida de brava e desci ao caos do temor, com direito à tensão absoluta em mãos, ombros, mente... – Que aventura, Anam! Que passagem lupina fantástica! Que genialidade em cada ataque, em cada defesa, em cada detalhe! Bem queria eu ser uma crítica escolada, para saber te fazer o elogio que bem merece! – Tenha certeza da minha admiração! De meu aplauso a teu talento! De minha leal leitura, todas as horas! - =D Parabéns pela obra de arte! Palmas e assobios ensurdecedores! Beijo enorme nesse coração talentoso! Até o próximo!(Não demora, né?...) ;D
N/A: Não demorou nada, não é? Uma semana certinho. Infelizmente, terei de ser rápida nesta N/A. Na verdade, eu não tenho muito que comentar. Apenas que escrever este capítulo mexeu mais comigo do que eu previa.
Fica meu convite para que visitem os belíssimos desenhos que a Sô tem feito para a fic e que tenho colocado nos meus álbuns no Orkut e no Multiply. Vocês com certeza vão gostar tanto deles quanto eu. Tb colocarei algumas fanarts que, durante o ano que planejei a fic me ajudaram a me inspirar. Espero que gostem.
Ana Fuchs – Seu comentário foi tão interessante que se eu responder entrego muita coisa, rsrs. Então, obrigada, um enorme beijo e selo na minha boca.
Sô – Ahh minha amiga, obrigada mesmo pelo carinho. Fico feliz que tenha curtido tudo e mais ainda de ver vc dando vida aos meus amadinhos desta fic. Serei eternamente grata. Um beijo carinhoso.
Guida Potter – Acertou de novo o parentesco, Guida. E sim, a escola é Hogwarts, mas ela só entrará mais tarde na história. O resto... bem, eu já contei, não? Eu baixei a música, muito linda, fará parte do álbum sim, obrigada. Beijos.
Cassandra Mellissa Wisney – Rsrs desculpe, mas acabei rindo. Vc é muito fofa, obrigada mesmo. Acho que respondi as suas perguntas no texto, espero que tenha gostado. Bjão!
Regina McGonagall – Sua tia vai demorar um pouquinho para aparecer, mas aguarde. Vou esperar o sonho, então =D. Bjs
Ginny Potter – Viu? Eu disse para confiar. Quanto aos Weasley, vale o mesmo, hehe. Bjs
Thayse Couto – Fico feliz, Thayse, mesmo. Muito. Bjs
Charlotte Ravenclaw – Obrigada amiga. Senti falta da sua leitura prévia desta vez. Bjs.
Tonks & Lupin – Que bom que está gostando. Aliás, é uma ótima pergunta para os dois, não é? Bj
Kelly – Ué? É a Id. Média, né? O problema é que aparatar com menores ainda é complicado, hehe. Além disso, a viagem promete. Claro que todos queriam que a Lily aparecesse. Especialmente que o Harry aparecesse, pois poucos entenderam o que ela fez. Mas eu explicarei adiante. Beijocas!
Clara – Suas suspeitas confirmaram? Fico aguardando. Beijos linda!
Danielle Pereira – Que bom que gostou do lugar da Mione nessa história. Quase um ano, exatamente como no original. Ela é de setembro e ele de julho do ano seguinte. A família Weasley aparece em peso no próximo. É só esperar. Nj
Aluad@ - Fiquei rindo da sua reação à comida, Duda! Acredite, em se tratando de Id. Média, eu estou pegando leve, hehe. Beijocas.
Priscila Louredo – Obrigada pela confiança, amiga. Saudade. Bjo imenso.
Kika – Rsrs eu sei, muita gente pensou, mas eu ainda sou certinha da cabeça, hihi. Beijocas.
Rodrigo Salvador – Se vc mandar azaração não poderei escrever o próximo capitulo que está cheio de Weasleys e mais algumas personagenzinhas... *cantarola* E vcs tem pouca fé em mim se realmente acharam que eu uniria James com Mione, aff. Hehe! Valeu querido.
Bernardo Bardoso – Eu sei que vc adora ela, não é meu amigo? Bem, a nossa Mione vai fazer e acontecer. Vc vai ver isso, logo (espero que a bonança continue). BJ
Pedro Henrique Freitas – Tb estou apaixonada por escrever os dois, Pedro. Sim, os Weasley estão chegando e, claro, haverá saltos temporais (nem tão saltados assim) nesta história. Eu não sei se tinha comentado, mas é uma looonga história, rsrs. Bj querido.
Gina W. Potter – Tenho certeza de que vc vai curtir muito o que estou planejando tanto para a entrada dos Weasley como para o encontro da Gina e do Harry. Só um pouquinho de paciência. Bjs
Eleonora – Muito obrigada, querida!
Lili Coutinho – Fico feliz que tenha gostado de tudo, Lili. Sim, haverá aulas, mas de um jeito diferente. Acredite que haverá incêndio nisso, hihi. Bjs
Ribeiro – Muito obrigada.
Tatiane Evans – Logo, logo, Tati. Obrigada. Bjs
Maionese – Acho que toda mulher queria ser bruxa para mudar o cabelo, né? (e não ter cabelo de bruxa, o que é o meu caso, rsrs). Que bom que gostou. Beijo querida.
Sônia Sag – Rsrs, vc é impagável, Anam. Obrigada.
Mirella Silveira – Muito obrigada, linda. Sim, os Weasley estão chegando e com muita... hummm se eu falar emoção eu entrego alguma coisa? Faz de conta que não falei, hehe. Bjs
Bruna Britti – Ora, ora, Dona Bru, já devia ter ido!! Aff, não se brinca com isso. Quero relatório, viu? *passado o momento mãe* Tb estou adorando o James, quase traindo meu amor supremo pelo filho, hihi. E, sabe o pior, acho que ele tende a ficar melhor ainda. Aguarde!
Fabíola Cardoso – Acho que todos intuíram correto sobre o Little John, hehe. E fico feliz que tenham gostado dele. Os outros estão chegando, loguinho. Bj.
Loko loko – Me senti um gênio da lâmpada, vc pediu e aconteceu, rsrs. Mas antes da semana que vem não tem outro, ok? Mas tenho sido bem rápida nesta fic. Bj!
Jéssica M. Adams – Valeu Jéssica! É bom poder explorar isso, fico feliz que tenha gostado.
Beijos gente, até o próximo!
Sally
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