No café da manhã, Márcia não conseguiu comer direito, apenas o suficiente para fingir que tudo está bem com ela, ninguém notou o quanto ela estava infeliz, nem mesmo Tainá, com quem se desculpou pelo incidente da noite anterior.
Ela se despediu do Harry e da Gina, soube que Snape foi acompanhá-los para conhecer o filho deles, já que ele será o padrinho. Mas não esqueceu do que combinou com ele.
Parecia que Hogwarts está mais vazia sem ele, Márcia sentiu saudade e tédio, pois muitos alunos estavam com seus pais e por ser domingo, não havia aulas e as tarefas de professora, como corrigir provas, trabalhos, já estavam todos prontos, ainda mais por ser final de ano letivo.
Mas, enfim, a hora passa, ela janta, come menos da metade do que comeu no café da manhã e almoço, enfim, vai para o escritório dele alguns minutos antes.
Faz o impossível para agir naturalmente na presença dele, que sorri discretamente para ela.
– Pelo visto, foi boa a visita do seu futuro afilhado – falou Márcia, simpática.
– Foi sim, apesar do menino ser a cara do pai, ele tem os mesmos olhos que da avó.
Márcia engoliu em seco, mas não perdeu a pose.
– Qual foi o motivo para o senhor me chamar até aqui?
Ele se levanta e se aproxima dela.
– A senhorita, como fã de HP, leu todos os livros, certo? – perguntou, com aquela voz aveludada que deixa Márcia enlouquecida.
– Sim.
– Então, a senhorita se lembra perfeitamente da cena da penseira, certo?
– O senhor leu os livros?
– A senhorita vai descobrir isso quando penetrar na penseira, certo?
Márcia ficou boquiaberta, pois vai ter a chance de ver os pensamentos do seu amado, ela sorriu.
– Eu posso?
– Pode sim, mas eu lhe digo que uma verdade será revelada, agora eu espero uma coisa.
– O que?
– Que a senhorita continue conversando comigo, mesmo depois de saber de tudo – falou com certo pesar.
Márcia estranhou o tom dele.
– O que o senhor quer dizer com isso?
– Quero dizer que, a senhorita pode não gostar do que vai ver.
Ele levou-a até a penseira, que é uma bacia tipo pia batismal em cima de um suporte de pedra, onde havia vários fios de prata brilhantes e luminosos circulando.
Ela olhou mais afundo abaixou mais a cabeça até que...
Finalmente viu-se em uma cafeteria, que reconheceu de imediato, pois é a cafeteria onde ele levou-a para conversar, no primeiro dia que se conheceram. Chovia forte do lado de fora e ela se lembra do frio daquele dia.
Viu entrar dois homens entrar, um é alto, magro, usando um sobretudo preto, seus cabelos são sebosos, sujos e oleosos, era Snape, o outro é baixo, velho, gordo e com cabelos grisalhos, é o reitor da universidade onde ela trabalha.
Eles se sentam em uma mesa no fundo, próximo ao caixa, a cafeteria está vazia, pois era de manhã.
Márcia observou os dois homens se acomandando.
– Tem certeza que aqui é seguro? – perguntou Snape, para sua surpresa, em português perfeito, sem nenhum sotaque.
– Claro que é, este é um dos poucos lugares freqüentados apenas por bruxos, pois tem uma proteção anti-trouxa poderosa – falou o reitor, deixando Márcia de queixo-caído, pois não sabia que o reitor era bruxo.
Um atendente foi até eles, Snape pediu um café com creme e o reitor, um café preto.
Do nada, a porta abre de forma escancarada, entra uma jovem que parece estar de péssimo humor, pisando firme até o caixa, Márcia achou que iria ter um treco quando a reconheceu, pois é ela mesma.
Ela também notou o olhar fixo do Snape para ela, Mas Márcia do pensamento nem viu. Ela se lembra bem do momento, mas tudo se dissipou e Márcia se viu novamente no escritório do reitor, já na universidade.
– Eu vi uma moça entrando na cafeteria hoje de manhã – falou Snape, em bom português – é a mesma que me atendeu na biblioteca.
– A Márcia? ´– perguntou o reitor, enquanto contempla a chuva – impossível, se ela fosse bruxa, eu saberia.
– Pois sei de todos os bruxos que trabalham aqui – concluiu, olhando para o professor inglês.
– Mas é a mesma moça, eu não tenho dúvida, as mesmas roupas, o mesmo perfume, e você me disse que aquela cafeteria tem proteção anti-trouxa, se ela fosse uma trouxa, não teria conseguido entrar.
– É verdade que ela é um pouco tímida, misteriosa, mas não é uma bruxa! – teimou o reitor.
Snape, muito irritado, levanta-se.
– Eu vou procurar o ministério de vocês e vou apresenta-la como bruxa!
Ele saiu e fechou a porta com força.
A cena se dissipou mais uma vez, e voltou para a cafeteria, Márcia se viu entrando com Snape de braços dados, seguidos de alguns outros bruxos que ela notou.
Márcia viu que estava sendo vigiada o tempo inteiro enquanto esteve ali, por vários bruxos, a cena mais uma vez se dissipou, pois a lembrança foi rápida.
Voltou para a rua, em frente a sua casa, no final daquele mesmo dia, Márcia do pensamento entrou em casa normalmente, mas a Márcia que via tudo percebeu que Snape entrou pela janela, ela seguiu-o e percebeu que podia atravessar as paredes, por se tratar de um pensamento, e assim, viu Snape se camuflando no ambiente e flagrou-a executando alguns feitiços, incluindo o patrono dela.
A Márcia que via tudo ficou bastante constrangida, mas a cena mais uma vez se dissipou e voltou, no shopping, os dois estavam num banco, conversando, ela contava o que achava do personagem Severus Snape, de longe, a Márcia que via tudo notou o brilho de emoção nos olhos dele, pois tocou-o em uma ferida profunda.
A cena se dissipou e voltou no mesmo shopping, e se viu beijando-o na boca. Márcia que vê tudo ficou emocionada, pois o beijo foi lindo, tipo beijo de cinema mesmo, romântico, apaixonado.
Mas a cena se dissipou e voltou novamente para a rua, só que no sábado, de manhã, Snape estava longe, vendo Márcia sendo levada pelos policiais para o Ministério.
– Missão cumprida – falou ele, baixinho, antes de entrar no táxi.
E assim, ela volta para a o escritório dele, Snape estava sentado, lendo um livro velho, Márcia respirou ofegante. Sentiu um ódio súbito, causado após assistir o útimo pensamento dele.
– Ranhoso! – exclamou, colérica.
Ele fita-a, fecha o livro e levanta-se, com ar desafiador.
– Agora que sabe de tudo, srta. Sousa, como se sente? – falou, em bom português com dialeto brasileiro.
– Quer saber como eu me sinto? – perguntou Márcia, se controlando para não voar no pescoço dele.
– Pois bem! Eu me sinto invadida, com a minha privacidade revelada! – ela cerrou os olhos – nunca pensei que você fosse capaz de...
– Não pensava porque a senhorita estava concentrada demais no personagem Snape, não em mim! – ele exclamou, no mesmo tom de voz dela.
Ela fitou-o e viu o ressentimento no fundo daqueles olhos cor-de-ônix.
– Eu sei que desde a primeira vez que me viu, a senhorita pensava que eu fosse o homem dos seus sonhos, o Severus Prince Snape do filme!
Ela ficou chocada, pois ele leu seus pensamentos.
– Mas eu tenho uma novidade para a senhorita: – ele ficou ríspido – EU NÃO SOU QUEM VOCÊ ESPERAVA, MÁRCIA.
– Realmente não é – falou, sem sentir as palavras saírem da sua boca – é pior do que eu pensava – usou um tom de desprezo.
– É assim que a senhorita agradece por ter inserido-a no mundo dos bruxos? – perguntou, mas logo, respondeu abaixando o tom de voz – pois se não fosse por mim, a senhorita estaria vivendo sua vidinha de trouxa.
Ela engoliu em seco.
– Não seria uma bruxa gloriosa, que conseguiu fazer o milagre de agradar a todos sem falhar com ninguém!
Ela deu um tapa na cara dele, foi tão forte que snape sentiu os cinco dedos no seu rosto.
Márcia viu a marca da sua mão no rosto dele e viu seus sonhos virarem pó, pois perdera todas as chances que tinha de conquista-lo.
Ele ficou em silêncio, alisando o rosto, pois não foi só um tapa, mas foi a evidência de que fora, mais uma vez, rejeitado pela mulher que ama.
Antes que ele a mandasse sair, Márcia abriu a porta, mas antes de por os pés para fora, ela perguntou.
– Você amava a Lílian Potter? – perguntou com a voz suave e triste.
Snape estranhou a pergunta, mas como não tinha mais nada a perder, respondeu com a verdade.
– Amava.
Ele só ouviu a porta bater com um estrondo e passos apressados na escada.
Márcia chorou a noite inteira nos seus aposentos, só possibilitando-a de dormir apenas umas três horas.
As aulas já não eram mais as mesmas, para não ter que perder a paciência com os alunos, pedia apenas que eles pesquisassem na biblioteca sobre propriedades de poções mais avançadas.
Durante o almoço, ela fica sabendo que Snape estava mais mal-humorado do que nunca, já deu detenções sem motivos aparentes até para sonserinos.
Ela nem tinha coragem de olhá-lo nos olhos mais, de tão envergonhada que ficou. Já não consegue se concentrar em mais nada, nem comer direito.
Dois dias depois, Márcia começa a sentir tonturas, mas procura disfarçar ao máximo, apesar da maioria dos professores terem notado que ela parecia doente e fraca.
Nem forças para fazer poções restauradoras ela tem mais, por isso, na tarde, no meio de uma aula para alunos do 1 ano da corvinal e lufa-lufa, ela tentava explicar sobre uma poção simples, mas se perdeu nas palavras, viu a sala girar e de repente, tudo parar e ficar preto.
Snape, estava na sala próxima, quase tirando pontos de um aluno do 4° ano da grifinolia, quando entra um menino da lufa-lufa completamente desesperado.
– Sr willy, o que faz aqui ? – perguntou lançando um olhar assassino em cima do menino – menos 100 pontos para....
– A PROFESSORA SOUSA – gritou o menino enlouquecido.
Ele gela ao notar o desespero do menino, que correu e puxou-o pela mão.
– O que aconteceu? fala logo! – Snape, começando a ficar desesperado.
– ELA DESMAIOU, NÃO ESTAMOS CONSEGUINDO REANIMÁ-LA.
Snape não pensa em mais nada, apenas age, corre para fora da sua sala e vai direto para a sala dela, encontra Márcia desacordada no chão, manda os alunos se afastarem e pega-a no colo.
– Vão chamar a madame Ponfrey agora – gritou para os alunos –- CORREM!
Com a Márcia nos seus braços, ele vai para os aposentos dela, faz o feitiço de alorromora avançado através de FSV, e a porta se abre.
Ele deita-a na cama com cuidado, vai para a porta e encontra a enfermeira, que corre desesperada.
Contempla-a enquanto a madame Ponfrey cuida da sua amada, percebe que ela está amarela, pois notou que Márcia sequer tocou na comida nos últimos dias, pode ser que ela não tenha sentido fome, mas o corpo sentiu.
Se sentiu muito culpado pela briga que tiveram no domingo, pois ele sabia que Márcia gostava muito dele, não como personagem, mas como um amigo, pelo menos, ele tinha a amizade dela, agora, ele acha que não tem mais nada.
– Graças a Merlin – exclamou a enfermeira – professor, ela está acordando.
Snape olha para Márcia, que acordava aos poucos e fica aliviado ao vê-la de olhos abertos, mas nota-se que Márcia está muito fraca.
Por sorte, as poções que ela fabrica ficam em um armário de vidro que antes, pertencia a ele, logo, ele identifica uma poção restauradora em bom estado.
Entrega para a enfermeira, que analisa e aprova, dá a poção para a Márcia na boca, ela toma tudo sem parar e volta a fechar os olhos.
A enfermeira se levanta, mais aliviada.
– Ela só estava fraca – falou madame Ponfrey – agora, precisa dormir um pouco para que a poção surta efeito.
Snape sabia disso e concordou, a enfermeira tira os sapatos e ele tira a capa e a blusa dela com cuidado, em seguida, ele a cobre com um feitiço.
Saem do quarto, Snape se encarrega de comunicar aos alunos o que havia ocorrido e a enfermeira fala com o diretor e os outros professores.
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