Capítulo 18
Harry sorriu lhe abraçando de lado. – Acredite. Seremos o melhor casal que alguém já pôde ter imaginado um dia.
Hermione suspirou. “Por que ele sorri tanto ao dizer isso? Não vejo nada divertido por aqui”. Talvez seu ar amargurado tenha alertado de algum modo a Harry, porque ele parou o elevador e a fez o fitar.
-O quê? – indagou defensivamente.
-Vamos lá, ainda podemos desistir. Eu telefono para a Vitória e digo que você pegou uma gripe forte e está de cama – disse encolhendo os ombros. - Tudo estará resolvido.
-Já disse que não irei desistir – retrucou virando os olhos.
-O que tanto preocupa você?
-Não é nada – respondeu desviando o olhar.
-Eu sei que se sente desconfortável por estarmos indo para aquele lugar. E até entendo que sua “amiga” não seja a companhia que, nesse momento, esteja desejando. Mas por que você precisa agir desse modo? Está tão rígida e parece angustiada... Onde está o mal de estarmos indo para aquela casa?
-Sem contar o fato de termos um quanto de amigos falsos a nossa espera. Umas mulheres que, provavelmente, estão mais interessadas no “meu marido” que em seus próprios, e estarmos mentindo para todos eles? Imagino que a resposta seja: em nenhum lugar – contrapôs com deboche.
Harry lhe ofereceu sorriso torto. – Não deveria se martirizar por isso. E daí que estamos mentindo? – retrucou como se não se importasse, Hermione ergueu a sobrancelha e ele continuou. – Não foi você mesma quem disse que aquele grupo tem as pessoas mais soberbas, falsas e mesquinhas que um dia conheceu? Então por que está se importando de o fazer? Acredita que, se pudessem, não fariam o mesmo? Fracamente, Herms.
-Não é questão de “se eles tivessem a oportunidade de fazer isto ou aquilo”. Não me sinto bem em mentir.
-Então diga a verdade.
Hermione lhe olhou sem realmente enxergar. - Não, obrigada. Eu prefiro conviver com este peso na consciência para todo sempre antes, ao menos, de ponderar sobre esta alternativa.
-Ótimo, mas preste atenção: sua culpa não irá ajudar na encenação, Hermione.
-Eu bem sei...
-Preste atenção – pediu. – Quando sairmos daqui, não seremos mais nós – ele a fez fitá-lo outra vez. – Trate como uma missão se quiser. Pode fazer isso? - a morena assentiu. – Muito bem, senhora Potter.
Hermione sorriu abanando as mãos. – Seu tolo.
-A propósito: gostarei de vê-las tentar algo com o senhor Potter, aqui.
Hermione lhe lançou um olhar ameaçador. – Nem pense em ficar animadinho, Potter – retrucou apontando para ele. – Não esqueça que esse é um relacionamento monogâmico. Nada moderno. E – ela acrescentou aproximando-se perigosamente. – Que tenho licença para matar maridos infiéis.
Harry gargalhou. E, delicadamente, segurou sua cintura. – Não se preocupe, benzinho. Tenho amor à vida – falou em motejo, tocando a testa dela com a sua. – Além do mais, sei o quando adora aquelas suas “amigas”. Eu não seria tão baixo...
-Você não entendeu, Harry Potter – ela o interrompeu seriamente. – Eu não quero você com nenhuma mulher. Sendo ela “amiga” ou não minha, não nestes dias que passaremos naquele lugar – Harry abriu a boca parecendo indignado. – Me deve isso – acrescentou.
-Só ia dizer que, para ser sincero, não tinha nenhuma intenção de ser o “traidor” da nossa história. Além disso, como fez questão de me lembrar segundos atrás, devo isto a você. Serei seu príncipe encantado.
Ela ergueu a sobrancelha novamente. – Só aja como um marido, e eu ficarei grata.
O homem lhe encarou fingindo um ar ofendido. - Posso ser um marido excepcional. Permita-me começar agora? – indagou de uma maneira galante propositalmente afetada.
Hermione encolheu os ombros, virando os olhos. – Como quiser, marido excepcional.
Harry assentiu e, para a surpresa da morena, envolvendo-a firmemente pela cintura, a girou e lhe inclinando para trás, num gesto falsamente dramático. Lhe ofereceu um sorriso extremamente sedutor e, só então, a beijou.
Hermione expirou pasma, mas não foi capaz de se afastar. Envolveu com firmeza o pescoço do homem e entreabriu os lábios.
Quando Harry se afastou e a ergueu novamente, ela ainda estava atordoada. – Vo-Você...!? – ela piscou várias vezes observando o sorriso divertido que Harry lhe dispensava enquanto voltava a liberar o elevador.
Ele deu uma piscadela. – Só estou bancando o marido.
–Harry! Eu não posso acreditar que tenha sido ta--
O moreno pegou as malas e voltou-se para ela quando a porta do elevador abriu. – Serei um menino comportado, carinho – a cortou.
-Oh! Eu realmente espero que sim – contrapôs franzindo o cenho, seguindo-o.
-Não confia em mim?
-Não tem nada que ver com “confiança”, Harry. Somos nós contra toda uma corja.
-Age como se estivesse indo pra guerra.
-Agora está começando a entender, rapaz – disse com picardia. – E, francamente – ela o empurrou levemente. – O que deu em você?
-Do que está falando? – perguntou inocentemente enquanto guardava as malas no carro.
-Harry James você não pode--
-Não posso? – indagou abrindo a porta para que ela entrava.
-Não! – exclamou, ainda que estivesse sorrindo.
-Não lembro de tê-la ouvido protestar – disse enquanto ligava o carro, olhando-a de esgueira. Hermione havia se voltando completamente para ele.
-Isto porque não me deu tempo de reagir! – contrapôs com dignidade.
-Claro e suas mãos enlaçando meu colo não quis dizer nada.
A mulher abriu a boca disposta a redargüir, mas se encontrou sem argumentos. Com um muxoxo, disse apenas: - Vamos embora.
O moreno assentiu com um sorriso brejeiro, sabia que havia ganhado a batalha e, por esse motivo também, Hermione balançou a cabeça negativamente, cruzando os braços. Como se quisesse demonstrar indignação, algo que não condizia com o discreto sorriso em seus lábios.
***
Ela lhe lançou um olhar mortífero que, se Draco tivesse algum juízo restando-lhe, teria corrido de imediato. Mas como ele próprio estava lançando a ela o seu melhor olhar de desprezo, ficaram quites...
Sem dizer uma palavra, Gina pôs suas malas no porta-malas, logo depois abriu a porta do carro e sentou-se. Draco deu a partida assim que a mulher fechou a porta.
Deste aquele momento, estavam calados... Gina suspirou sentindo em si grandes cotas de frustração. Ela fechou os olhos com força enquanto o silêncio naquele veiculo lhe preenchia por completo, causando-lhe a sensação de desconforto.
Não é como se sentisse mal por estar sem falar com Draco, isto pouco a importava. Até achava melhor deste modo. Mas o silêncio a corroia por dentro... De modo que lembranças indesejáveis se faziam presentes, ela não tinha certeza se as queriam para ocupar o tempo.
Não era segredo que não suportava o silêncio, também, todavia, era conhecido seu grande brio - este quase tão vasto quando suas habilidades de derrubar um adversário. -, por esse motivo, recusava-se a quebrar o silêncio instalado.
Gina sorriu com amargura ao abrir os olhos e se dar conta de que tudo aquilo realmente estava acontecendo. Ela arriscou um rápido olhar em direção a Draco – este aparentava estar muito concentrado ao volante, portanto, inconsciente de sua presença. -, antes de voltar-se para a janela pensando que sua vida era um conto ridículo e de amplo mau gosto.
Era uma bela mulher, sabia disso sem precisar que as pessoas lhe dissessem, ela simplesmente sabia. Porém, este fato não a livrou de humilhar-se ao ameaçar Malfoy. Forçando-o a fingir ser seu marido para um bando de mulheres fúteis.
Sequer passou por sua cabeça naquele tempo que, se estava ou não casada, não era da conta de nenhuma delas, visto que nunca se importou de dar satisfações de sua vida, pensassem o que pensassem... Também não lembrou que, ainda que estivesse solteira, era extremamente feliz com sua condição ou que nunca havia pensando em se casar desde que terminara com Harry e despertara para o mundo real. Ela adorava a liberdade desde que a desfrutara pela primeira vez e, talvez por esse motivo, seus relacionamentos não durassem muito, Gina se cansava facilmente, sentia-se presa e sufocada.
A ruiva balançou a cabeça, “Desculpas”, no fim das contas era apenas isso: justificativas. Não podia negar que, no momento em que Hermione lhe contara sobre o casamento de Vitória e Josh (e sobre seu casal de gêmeos lindo), perdera toda a consciência e linha de raciocínio. Queria apenas demonstrar que não era uma “encalhada”, que poderia “fisgar” – no linguajar daquelas suas “amigas”. – um “bom partido” – ainda levando em conta o “dicionário-para-mulheres-que-desejam-uma-boa-vida-com-o-menor-esforço-possível”; sendo este, obviamente, patenteado por Vitória Warker e Keyla Madison. Gina pensou sordidamente que elas ficariam ainda mais ricas do que são se o lançassem realmente. -, enfim... Uma coisa levou a outra. E logo Draco surgiu como uma luz no fim do túnel – a ruiva preferiu ignorar o quanto aquela frase poderia ser démodé ou piegas. – E acabou vendo a si e a Draco seguindo novamente um caminho que lhes levava diretamente ao que, durante todos os anos de sua vida, seus pais ensinaram a desprezar: falsidade cobiça e hipocrisia de mais, escrúpulos honestidade e decência de menos...
Então ela percebeu a desnecessária situação que se encontrava: Estava ela dirigindo-se a um lugar que não via com bons olhos, encontrar pessoas que não gostava, ao lado de um homem insuportável; este mesmo homem passava-se por seu marido por mero capricho seu... Tudo isso por culpa de um funesto reencontro de uma maldita turma de universidade “malditamente” conceituada...
Ao se precatar que, apesar de dizer tantas e incontáveis vezes que o odiava, ainda era Draco quem a estava levando para a casa de campo, era ele quem ia se fazer (e outra vez!) passar por seu marido, era ele quem estava ao seu lado, riu. “Quanta ironia...” Era tudo que conseguia pensar enquanto ria mais perdida nas aventuras que a esperavam. “Tudo soa tão patético”.
O loiro a olhou de lado com estranheza, mas ela não se importou enquanto secava as lágrimas que, agora, caíram de seus olhos. Não sabia Gina se por desespero ou por achar graça da sua posição, de modo que isto a fazia rir ainda mais enquanto lágrimas continuavam a cair por sua face. Ela já não sabia se estava rindo ou chorando quando Draco encostou e parou o carro repentinamente e a fitou de cenho franzindo.
-O que demônios você tem, Weasley?
Suspirando para se acalmar, Gina passou a mão por seu rosto, retirando delicadamente as lágrimas dele e só então se voltou para o homem. – Preocupado? – indagou com escárnio, sob um sorriso falso.
O loiro ergueu a sobrancelha. – De modo algum, só queria ter a certeza de que não estou lidando com uma louca extremamente perigosa – disse em deboche. - Visto que você já deu mostras suficientes para que seus familiares pudessem lhe interditar, devo ressaltar que não entendo porque não o fizeram ainda... – acrescentou dando de ombros. – Também o fato de que estou ciente sobre o quanto você é uma completa louca e, portanto, devo e preciso tomar cuidado, não queria correr o risco de estar ao seu lado e ao volante quando desse seu ataque.
-Eu riria se não estivesse tão pasmada por ter uma fala tão eloqüente, Malfoy – a ruiva falou colocando a mão sobre a boca fingindo choque. – De repente tudo se fez claro para mim: sou louca! Sou uma louca extremamente perigosa...– ela elevou a mão à testa e dramaticamente continuou. - E realmente tenho vontade de estar casada com você, porque eu percebi que... Eu te amo Draco Malfoy! Te amo, te amo, te amo e é tão mais forte que eu que... – então ela retirou o cinto de segurança e se aproximou brusca e perigosamente dele. - Oh não! – gritou, fazendo-o lhe encarar como se a sua frente estivesse o próprio diabo. - Socorro. Por favor, me internem. Me internem agora ou não respondo por meus atos! Sou perigosa! Certamente estou louca... Eu disse “Te amo” e “Draco Malfoy” na mesma frase?! Isso deve ser um crime federal com direito a chave da minha cela ser jogada fora – sem mais, Gina gargalhou observando-o cheia de motejo.
Ele virou os olhos e deu a partida do carro novamente enquanto ainda a ouvia rir. Desde que fora ao encontro de Gina - mais cedo naquele mesmo dia. - já havia se arrependido mais de dez vezes de ter aceitado a proposta de Harry. No fim das contas, ele pensou, suas férias e nem mesmo o abono salarial seriam suficientes para bancar o marido daquela mulher. Parecia-lhe sempre um pesadelo que se repetia e repetia e repetia aparentemente sem fim.
Aquela mulher podia ser demasiadamente desagradável quando queria – lê-se: quase sempre. – e era tão mordaz quanto ele, sabia como lhe tirar do sério... E lhe ferir como, orgulhava-se ele, pouquíssimas pessoas tinham o dom de o fazer - Para seu rancor, Gina era uma dessas pessoas. Ele não compreendia como suas palavras conseguiam lhe atingir tão certeiramente e, muito menos, como ela ainda se fazia ouvir em si. Não entendia como dava ouvidos ao que aquela monstrenga lhe dizia. Por esse e outros motivos, a odiava.
Ainda assim, entretanto, seguia com ela, passando-se por se marido num ambiente trouxa sem estar sendo forçado a isso – sem estar sendo teoricamente forçado a isso.
***
Quando Harry estacionou por fim, Hermione estremeceu levemente... Ela estivera praticamente a viajem inteira ponderando sobre o que a esperava nesse lugar, ainda que Harry tentasse diversas vezes distraí-la, tudo lhe parecia irreal.
Antes que ela pudesse abrir a porta para sair, Harry segurou seu braço. Voltando-se para ele, a morena não pôde deixar de sorrir levemente. Só de olhar em seus olhos sentia-se mais confiante e o sorriso que lhe oferecia a faziam esquecer de coisas desagradáveis.
Suspirando, Hermione pensou que, assim como Harry tinha uma fraqueza quando ela lhe dispensava um certo olhar, ela também o tinha quando ele lhe observava daquela forma. Deu-se conta, um pouco atordoada, que se ele lhe dispensasse este seu olhar e sorriso, iria até mesmo para o inferno... Então, com enfado, ela se lembrou que estavam prestes a entrar nele e amaldiçoou a si por tamanha fraqueza.
Harry acariciou levemente seu rosto. – Vai dar tudo certo, carinho - a mulher levantou os olhos para encontrar outra vez os dele. – Vamos lhes dar mais uma chance? Hum?
Ela respirou fundo antes de assentir. - Farei o melhor possível. Está bem. Uma segunda chance.
-Essa é a minha garota – disse numa piscadela enquanto tocava com seu dedo indicador o nariz dela. – Então venha aqui, senhora Potter – Harry a chamou aproximando-se. Ele sorriu a fitando quando seus rostos estavam a centímetros e, tocando levemente seus lábios com o dela, complementou num murmurou ainda com sua boca na dela. - boa sorte, carinho.
Hermione segurou seu colarinho com uma das mãos, impedindo-o de se afastar – Precisarei de mais do que isso para ter boa sorte, Harry James - ela murmurou por sua vez antes de beijá-lo com toda a vontade que podia encontrar em si, resoluta a acabar com todo o ar que Harry possivelmente retinha.
Nem mesmo o desconforto de se encontrarem nos bancos da frente do carro lhes impediu de tentar se aproximarem mais... O braço de Harry insistia em puxá-la pela cintura enquanto tentava encaixar seus pés do modo mais confortável possível e Hermione estava praticamente ajoelhada em seu banco enquanto seu corpo se inclinava para frente para, além de se aproximar mais de Harry, não bater a cabeça no teto do carro. “Definitivamente carros não são feitos para o nosso bem-estar” Hermione pensou amuada quando bateu outra vez a cabeça no teto baixo do carro enquanto insistia em ter seus lábios presos nos de Harry, agarrando com força o ombro dele, suas unhas cravando em sua pele sobre sua camisa enquanto o ouvia gemer em protesto. Ela sorriu marotamente mordiscando seu lábio inferior antes de recomeçar tudo. Novamente. Como “repreensão”, Harry deslizou devagar sua mão sobre toda sua espalda e a outra apertou levemente uma de suas coxas, a fazendo estremecer. Hermione pensou que... Francamente, aquele era um castigo demasiadamente agradável. Agora sim, teria uma boa sorte...
-Harry! Herms! – os morenos se sobressaltaram ao observar uma Vitória sorridente batendo no vidro do carro. Desanimada, Hermione saiu de cima do colo do amigo (ela não tinha idéia como fora para lá), detestando a si mesma ter sido tão correta ao impedir que Harry pusesse os vidros fumê que ele tanto, mais tanto, queria...
Depois de se recompor, quase totalmente, eles se pegaram pensando, o quê, em nome de Merlim, Vitória estava fazendo ali fora ao invés de lhes estar esperando em casa ou em qualquer que fosse o lugar.
Desolada, Hermione lançou um rápido olhar a Harry antes de descer do Carro. Vitória a abraçou com entusiasmo, como se não se vissem há anos e realmente a estimasse como uma amiga. No abraço apertado da loira, Hermione já estava sentindo-se incomoda quando a outra mulher a soltou – quase repentinamente. – para ir ao encontro de Harry; este lhe deu um leve e casto beijo no rosto.
-Estou tão feliz que tenham aceitado nosso convite! – ela disse enquanto fazia sinais para que o “casal” a seguisse.
“Mal posso entender o porquê”, Hermione pensou ironicamente consigo enquanto observava Vitória quase devorar Harry enquanto este pegava as malas.
-Gina e Draco já chegaram?
-Ainda não - a mulher retrucou alheia, vendo Harry carregar as malas. Por alguma razão, ela parecia achar aquilo o máximo... Hermione suspirou resignada. “Serão longos os meus dias”.
***
A tal casa de campo do casal Warker mais parecia uma mansão... Gina se perguntou para quê tanto enquanto seguia o caminho, repleto de árvores ao seu redor, para a grande sacada da casa; o lugar era lindo, enorme e transmitia uma paz que a ruiva sabia que estaria longe de alcançar ali... Sem falar da casa que era perfeita.
Olhou para trás para observar Draco carregando as malas, ela se sentiria culpada de fazê-lo carregar todas as malas se não soubesse que aquele peso não era nada para ele. Além do mais, a ruiva se encontrava muito amuada desde que percebera que Draco levava consigo a sua aliança, aquela que jogara dentro da blusa da nojenta da Lauren junto ao galeão, dias atrás, no ministério.
-Será que a minha ilustre esposa poderia esperar um instante? – Draco indagou em remoque enquanto observava Gina parar de dar passos rápidos e largos. – Assim fica muito melhor. Ao menos acredito que, agora, conseguiremos enganar esses trouxas que somos casados – acrescentou cheio de ironia ao chegar perto, Gina apenas virou os olhos.
-O que eu posso fazer se você é tão lerdo? – indagou olhando-o por cima dos ombros.
Draco fitou suas costas, ofendido. – O que eu posso fazer se você decidiu trazer a casa na porcaria de sua mala?! - a ruiva rolou os olhos enquanto movia a boca e balançava as mãos enquanto ele falava. Ela sabia o quanto estava sendo infantil, mas não se importou quando viu Draco corar de raiva.
-Eu te odeio, Weasley.
-Idem – ela retrucou acariciando a bochecha dele afetando carinho ao mesmo tempo em que a porta fora aberta, o que obrigou Draco a engolir seus insultos.
Eles ergueram a sobrancelha ao observar o senhor uniformizado que encarava com certo ar de curiosidade. – Senhor e senhora Malfoy?
-Exatamente.
-Por favor, entrem... Sejam bem-vindos, chamo-me Anthony. O quarto dos senhores está preparado, se assim desejarem, Richard poderá lhes mostrar o caminho – Draco e Gina se sobressaltaram quando observaram o homem que acabara, aparentemente, de surgir do nada.
–Por favor, senhor. Dei-me suas malas – pediu Richard, o loiro o fez de bom-grado.
-Ele não parece familiar? Talvez como um elfo-doméstico? – Draco indagou enquanto subiam as escadas, em tom baixo olhando com estranheza para o homem a sua frente. Gina se forçou a não rir enquanto lançava um olhar incrédulo para Draco. – O quê?! Vai dizer que não pensou?
A mulher sorriu levemente antes de retrucar. – Ele bem me lembra Filch.
Richard deixara as malas no chão e antes de se retirar lhes disse. – Se precisarem de qualquer coisa, é só me chamar. Farei o possível para que a estadia dos senhores aqui seja a mais agradável e cômoda possível – e então se voltou para a saída. – Ah! Ia esquecendo... O banheiro fica à direita – ele apontou para uma porta a uns três metros da cama.
-Richard, este é o seu nome não é? – o homem o olhou por um instante parando de andar e assentiu, depois tornou a se afastar. – Sim, definitivamente parece o desenxabido do Filch – o loiro disse depois de ponderar um instante.
-Draco! – exclamou chocada, sem conseguir sufocar o riso. Draco deu de ombros enquanto sorria ao observá-la ainda rir.
Mas Gina parou de sorrir no momento que percebeu que estavam num quarto. Ela olhou a sua volta apenas para ter certeza do que supusera: era um quarto de casal.
Bufou mal-dizendo o casal Warker com as piores maldições que conseguia se lembrar, dirigindo-se com uma de suas malas para o banheiro e trancando-se lá. Draco observou tudo bastante divertido. Os dias naquele lugar seriam interessantes...
***
Hermione suspirou com alivio quando finalmente voltou ao seu quarto, ela olhou sorrindo para Harry antes de indagar:
-Temos mesmo de voltar lá para baixo? Não estou com tanta fome assim...
-Temo que sim – Harry retrucou antes de pegar uma toalha no armário e ir para o banheiro. Resignada, a mulher assentiu enquanto sentava-se na cama.
Eles haviam passado mais de duas horas na companhia dos Warker e dos Madison – que não queriam, de modo algum, deixá-los livre de atenção...
Depois de terem chegado, foram guiados por Vitória para o quarto de hospedes – esta, Vitória, apenas os deixou a sós quando Hermione praticamente a expulsara do quarto... Já que, por alguma razão, quando Harry lhe dissera que iria tomar banho a loira sequer se manifestou. “Na verdade, ela só faltou se oferecer para esfregar suas costas...”. - onde permaneceram por pouco mais de meia hora para organizar-se.
Hermione olhou a sua volta um tanto quanto alheia, era um quarto espaçoso. Encontrava-se sentada numa grande e confortável cama de casal. O armário ficava do lado esquerdo do quarto, havia uma grande janela do lado direito coberta por uma cortina cor de vinho que contrasta demasiadamente com todo o quarto que fora decorado todo em tons claros. A sua frente encontrava-se o banheiro, que era imenso. Ao entrar no quarto, era preciso dar uns três ou quatro passos antes de poder observar todo o ambiente.
Harry saiu minutos depois - ainda molhado. - com a toalha presa a sua cintura. – Me pergunto porque está com uma toalha se não a usa.
-Charme – Harry contrapôs rindo-se indo ao encontro do armário.
Ela o seguiu e, o empurrando levemente com um movimento de sua cadeira, se postou à frente do armário buscando uma roupa e pegando uma toalha seca sob o olhar fingido de indignação de Harry. – Francamente Harry – ela disse ainda escolhendo uma roupa. – Deveria se envergonhar – continuou debochada parando o que estava fazendo para o fitar da cabeça aos pés.
-O que eu posso fazer se você monopoliza o armário? – indagou inocentemente.
-Você deveria ter levado uma roupa para o banheiro, assim poderia se trocar lá – ela contrapôs.
Harry nem se abalou e olhou para Hermione parecendo avaliar o que dissera. – Estou querendo me vestir, mas parece que a senhora tem outros planos... – acrescentou encolhendo os olhos. Hermione ergueu uma das sobrancelhas. – Quais são eles? Hum? – apontou para ela. - Me perverter completamente?! – insinuou lhe oferecendo uma piscadela, Hermione ficou sem ação por um momento antes de gritar um “Harry!” indignado e ir ao seu encontro, mas, rindo-se, o homem se afastou rapidamente.
-Potter! Como pôde dizer isso?!
-O que? – ele pôs as mãos na cintura enquanto. de uma distancia consideravelmente sadia, a observava. – Ela quer me beijar... Ela quer me beijar e retirar esta toalha... Ela quer – ele cantarolava zombeteiro enquanto a observava corar e se dirigir outra vez ao seu encontro.
Antes que ela pudesse fazer alguma coisa, o moreno desviou e se aproximou da porta. – Aí não tem saída, Potter... – falou se aproximando. - A não ser que queira sair deste modo e cegar todas a mulheres que passarem por ti. – Disse ironicamente, mas Harry ergueu a sobrancelha desafiante. – Ora seu...! – de um salto ela acabou com a distância entre eles e estava preste a lhe ‘bater’ por tudo que havia dito, mas Harry segurou ambos os braços dela.
-A melhor auror que conheço só pode fazer isso? – debochou. – Isso é frustrante – provocou. Hermione lhe lançou um olhar aborrecido antes de tentar lhe chutar. – Que feio, senhora Potter! Como eu poderei lhe dar seus tão desejados herdeiros? – indagou num sorriso torto enquanto a empurrava contra a parede e forçava suas mãos para cima da cabeça. – Eu deveria castigá-la... Ah, eu deveria sim.
Hermione desviou o rosto, fingindo enfado enquanto sentia o corpo de Harry praticamente colado ao seu. Não conseguia esquecer que ele apenas se encontrava de toalha, isso não a deixava ficar de mal-humor. – Pode me soltar, Harry Potter? – pediu forçando-se a dizer com frieza.
-Apenas se olhar em meus olhos – respondeu divertido. – Eu sei que não está aborrecida realmente, Herms. Então... – ela o encarou e assim que o fez, sorriu. Tinha pretendido agir como se não estivesse muito irritada... Mas, Francamente! Tente fazer isso quando é um Harry James Potter, sem óculos, despenteado, molhado e praticamente desnudo lhe sorrindo de modo malicioso quem está a sua frente lhe prendendo com seu corpo, tendo sua boca a poucos centímetros da dele. Como alguém pode ser racional?
-Eu vou odiar você assim que me soltar – ela o alertou num sussurro áspero, como se de repente sua boca estivesse seca.
-Ótimo, eu já não tinha mesmo a intenção de soltá-la...
-E por que quer me ter presa a você?
Harry não chegou a responder. Alguém bateu na porta e, antes que pudessem reagir, estava sendo aberta. – Ops... Desculpem-me. Espero não ter atrapalhado...
Hermione lançou um olhar assassino a Keyla, passando a encenar, enquanto Harry se afastava de si. – De modo algum – respondeu em tom cínico. – O que quer, querida? – indagou asperamente ao reparar no olhar que Keyla lançava para Harry, que se dirigia ao armário.
-Oh sim... – ela ainda tentava observar a Harry quando disse. - Vitória pediu para que lhes avisasse, os Malfoy chegaram.
-Obrigada, Keyla, meu bem... Logo estaremos descendo – e sem mais, fechou a porta atrás de si. “Honestamente! Irei-matar-a-próxima-que-não-me-respeitar-como-esposa”, sem paciência, a morena se dirigiu ao armário e, cegamente pegou roupa e toalha antes de se dirigir ao banheiro ainda passada com o comportamento de Keyla.
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(continua)
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Depois de uma eternidade... Eu aqui novamente.
Obrigada, obrigada, obrigada mesmo pelos comentários! Fico feliz que estejam gostando!!!
Então, espero que curtam e que comentem sobre este capítulo que eu pretendia acrescentar umas coisas mais, mas ele já está bem grandinho. Então me dou por “satisfeita”.
Se eu gostei do capítulo? Não, não gostei. O achei tolo e repetitivo... De toda forma, dê-me sua opinião. XD
PS: Não lembro se foi aqui, de todo modo... Alguém me perguntou sobre a palavra "olvidar" - utilizada no espanhol, com o significado de "esquecer". - e se ela também era utilizada em português. Ela é sim^^, e também tem o mesmo significado, visto que é sinônimo de "esquecer".
Também adoro o espanhol e às vezes, me pego usando palavras em espanhol. Mas esta existe em português. |