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ATENÇÃO: Esta fic pode conter linguagem e conteúdo inapropriados para menores de idade então o leitor está concordando com os termos descritos.

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6. De volta pra casa


Fic: Confissoes de Adolescente


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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“Oi, Hermione!”

Logo que as palavras saem da minha boca, percebo o quão feliz estou de vê-la e, pior, o quanto isso ficou tão claramente impresso no que eu disse. Ela parecia concentrada em algo na mesa do Bill, enquanto Harry e Ginny se encaram de uma maneira muito estranha, mas assim que ouve minha voz se vira. E sorri – um sorriso tão Hermione, daqueles que ela costuma esboçar quando chega a alguma daquelas conclusões brilhantes dela.

“Oi!”, responde, sem nunca parar de sorrir. Ela nem imagina o quanto isso é perigoso pra mim. “Ainda bem que você apareceu. Tava começando a sobrar aqui”, ela sussurra, apontando Harry e Ginny com a cabeça. Parece estar meio nervosa, porque gagueja um pouco, mas eu não entendo por quê.

“É, meu timing é sempre perfeito”, digo, e aposto que agora tenho um sorriso bobo no rosto.

“Você é impossível”, ela responde, e quando me dou conta do que está acontecendo, não posso deixar de me sentir o cara mais sortudo do mundo. Estamos... flertando. Se é que é assim que se diz. Eu e Hermione Granger, flertando.

A voz do Harry interrompe minha constatação e eu percebo que ainda estamos junto com eles, na mesma mesa. Olho pra Ginny e Harry tem a mão no rosto dela – eu e Hermione nos olhamos e não precisamos dizer nada. Vamos os dois para a mesa do lado, que é incomodamente próxima à do Harry e da minha irmã, mas pelo menos não é a mesma. Nos sentamos e, por um momento, ficamos sem assunto. Ela é a primeira a rir baixinho pra quebrar o clima chato.

“Ehr, vou pegar algo pra beber”, digo. “Você... não quer nada, quer?”

“Claro que quero, Ronald. Porque não iria querer?”, ela diz, uma voz de falsa indignação. É como se ela não conseguisse ficar brava comigo, simplesmente – em outros tempos isso seria o combustível pra me fazer tentar até conseguir. Mas estamos tão bem que eu freio o impulso. “Pois bem, senhorita, me perdoe. O que vai ser? Um martini duplo?”, brinco, fazendo uma reverência exagerada. Ela ri.

“Não, só quero um vinho dos elfos, obrigada.”

“Vinho dos elfos?”, pergunto, desdenhoso. “Desde quando você bebe qualquer coisa com teor alcoólico maior que um cerveja amanteigada, Hermione? O que houve com você? Aliás, quem é você e o que fez com minha amiga Hermione?”, digo, e gargalho da minha própria piada – pra logo depois perceber que deve ser efeito do álcool essa capacidade de achar tanta graça em si mesmo.

A piada contribuiu pra quebrar a tensão da provocação. Ela só ri, mas é uma risada que não tem nada a ver com ela – um riso de menininha, acentuado pelas bochechas e pelos lábios extremamente vermelhos. “Ron, deixa de bobeira e vai pegar logo as bebidas. Quando você voltar eu explico tudo.” Ela fala de forma pontuada, com uma entonação estranha – e se eu não a conhecesse diria que está quase bêbada.

“Ahn, sim. A Hermione-mandona que eu conheço está de volta. Pelo menos agora tenho certeza que é você mesma”, brinco, e me dirijo ao balcão, ainda com alguma dificuldade pra caminhar em linha reta. Volto com uma garrafa de Firewhisky e uma de Vinho e dois copos, para encontrar uma Hermione Granger em pé, apoiada de costas para a mesa, olhando na minha direção. “Onde você vai?”, pergunto, enquanto coloco os copos e garrafas na mesa.

“Eu... levantei, pra ver se você precisava de ajuda. Quero dizer, com as coisas. Dois copos e duas garrafas, sabe, e você só tem...”, ela ri (eu não entendo porque) e continua, “uma... duas mãos...”

Agora eu tenho certeza: ela provavelmente bebeu antes de chegar. Não sei se isso é bom ou ruim; quero dizer, é óbvio que esse é o motivo pelo qual as coisas estão acontecendo tão facilmente, e esse entendimento não me deixa feliz, acho. E as bochechas e lábios vermelhos, as frases pontuadas... Não sei como não notei antes.

“Obrigada, mas não foi tão difícil mesmo com uma, quero dizer, duas mãos”, digo, fazendo graça da confusão dela. Como ela não se senta eu continuo em pé. De frente pra ela, encho nossos copos com o vinho (resolvo acompanhá-la porque vinho é mais fraco e eu talvez já esteja um pouco tonto) e ofereço um brinde. Olho em volta, buscando um motivo para brindar.

“A... nós...?”, digo, e percebo que estamos muito perto um do outro, algumas partes do corpo se encostando. Preciso me lembrar de agradecer o Charlie por aquela poção com as presas de dragão, porque se não a tivesse tomado eu estaria em maus-lençóis agora, sem dúvida nenhuma.

Ela faz uma cara estranha, e aí que me dou conta de que... droga, eu quis dizer “todos nós”, eu, ela, o Harry, Ginny e os gêmeos e todo mundo que estava ali pra se divertir... Mas soou como se fosse só a ela e a mim, então logo procuro corrigir – quer dizer, não sei se devo. Ela continua com a cara estranha então eu me decido. “Não, quero dizer- nós, nós todos aqui no bar esta noite”

Noto uma leve expressão de decepção passar por seu rosto e vejo a besteira que fiz. “Não, não que nós - eu e... eu e você, quero dizer - não mereçamos um brinde...”

Não sei de onde isso saiu. Foi meio ousado demais. Mesmo assim, ela sorriu e me interrompeu. “Ron, tudo bem, eu entendi. Vamos beber isso logo”, ela diz, rindo bastante, e eu me surpreendo, mas faço o que ela manda – no fim das contas, eu sempre faço o que ela diz, o que no fundo é um pouco deprimente. Pra mim, não pra ela. Ela sorri, aquele sorriso triunfal e apaixonante, talvez por causa da minha cara de derrotado – que logo se transforma em um sorriso, em resposta ao dela. Eu poderia ficar olhando a Hermione sorrir por horas, sem nenhum tipo de complicação. Eu poderia ser feliz assim.

Mais uma vez, o silêncio chato – e o mais curioso é que meu silêncio com a Hermione não acontece exatamente por não termos o que falar um para o outro. Eu costumava ter momentos chatos de silêncio assim com a Lavender (que eu não deixava durar muito tempo, era só agarrá-la), mas com ela era diferente porque nós realmente não tínhamos nada pra falar um pro outro. No caso da Hermione... é exatamente o contrário. Parece que ficamos em silêncio – bom, não vou falar por ela, mas no meu caso o silêncio é na verdade porque eu tenho coisas demais pra falar. E nunca sei por onde começar, na verdade eu nunca começo. E também porque eu acabo me perdendo olhando pra ela e esqueço de falar alguma coisa – como está acontecendo agora. Só que em nenhum momento o olhar dela deixou o meu, e vice-versa. É estranho estarmos estranhamente corajosos, e eu sei que tudo isso de bebida vai no mínimo nos dar uma dor de cabeça amanhã, mas pelo menos tá valendo a pena agora.

“Mas então, me diga. O que, digamos assim, fez com que você mudasse da água pro vinho de uma hora pra outra?”, digo, apontando pro copo de bebida na mão dela. Rio do meu próprio trocadilho e ela também.

“Ahn, Ron. Não mudei nada, só tomei uns goles de vinho hoje. Que mal há nisso, é proibido? Por acaso a senhora-puritana-monitora-Granger não pode beber?” O tom não é agressivo exatamente, ou seja, ela ainda não está brava. Mas definitivamente pode ficar, então vou com calma e levanto os braços, tentando frear o ataque. “Ô, calma aí! Não quis dizer nada disso, mulher! Na verdade, eu até... bom, eu até aprovo isso, sabe. Você, bebendo.” A expressão dela muda e eu corrijo. “Não que você precise da minha aprovação, acho, mas você entendeu.” Ela sorri e eu fico feliz de novo.

“Hum. E porque você ‘aprova’ quando eu bebo?”, ela pergunta, os olhos faiscando. Eu me aproximo dela pra falar, uma porque o som do lugar está meio alto e em segundo porque o assunto é meio pessoal, e estamos mais perto do que nunca. Sinto a respiração dela no meu pescoço, a perna direita dela contra a minha, e novamente abençôo a poção do Charlie. Respiro fundo pra conseguir falar.

“Eu acho que você, às vezes... se preocupa demais. E não que isso seja ruim, mas pode ser que faça mal pra você, então... quando você se solta um pouco, e relaxa, acho que isso pode te fazer bem.” Fui bem sincero na resposta e a reação dela me surpreende, porque depois que eu disse achei que fosse possível que ela gritasse comigo sobre ‘ser um irresponsável’ ou algo assim.

“É, você tem razão”, ela diz, e dá um gole no vinho. “Mas você não é do tipo que precisa relaxar, você já vive relaxado, se é que você me entende, e você andou bebendo também.”

“Hey, dispenso sua opinião sobre meu estilo de vida. E por que você acha que eu bebi qualquer coisa antes de você chegar?”, pergunto, rindo.

Ela ri e continua. “Ron, é óbvio. Seu rosto está vermelho, você está falando de forma lenta e um pouco confusa, tem dificuldade pra andar em linha reta e está com uma coragem fora do comum”, ela termina, aquela expressão de ‘é elementar’ estampada. Nossa, como ela é observadora.

“Quer dizer que normalmente eu sou um covarde?” Tento dar um tom divertido à pergunta, mas a impressão que eu tive foi essa mesmo – que no fundo ela me acha um covarde.

Ela gargalha e isso é triste, porque parece que o que eu disse é verdade - mas ela se prontifica a negar. “Não, não foi isso que eu quis dizer, Ron. Você sabe disso!” Percebo, com certo orgulho, que ela ri muito de tudo o que eu digo – sendo engraçado ou não. E eu também dou muita risada de toda a situação. Não pode ser só porque ela está bêbada, pode? Sobre a observação dela, agora eu noto como estou estranhamente corajoso – quero dizer, as coisas são muito fáceis do que parecem. Tenho a impressão de que eu complico muito as coisas quando estou sóbrio e agora elas parecem um pouco mais fáceis. Acho.

Ouço uma gargalhada e olho pro Harry. “Desculpem, mas é que é demais. Não vou sair daqui porque deixar vocês dois aí sozinhos vai chamar a atenção dos gêmeos, e vocês certamente não querem isso, mas fiquem à vontade”, ele diz. Como se a gente precisasse da permissão dele pra ficar à vontade. Hunft.

Ótimo, Harry, agora você nos deixou absolutamente sem graça. Sorrio pra disfarçar e murmuro um “Pára, Harry” pra ele, que olha pro outro lado. Hermione agora está tão vermelha quando o salão comunal da Grifinória, e parece absolutamente constrangida – assim como eu.

“Eu, ahn... o Harry pode ser bem inconveniente, às vezes”, digo, tentando minimizar a situação.

Ela ri baixinho. “É triste, Ron, mas todos nós podemos. Especialmente quando bebemos!”

“Isso quer dizer que eu estou sendo inconveniente?”, pergunto, apreensivo.

“Não, não... que complexo, Ron! Enfim, agora você entende porque eu não aprovo muito esse negócio de ficar bebendo. As pessoas podem ficar inconvenientese complexadas...”, ela diz, uma expressão que não consigo decifrar.

“Tem algumas desvantagens”, falo, “mas uma boa parte das coisas é bem divertida. Por exemplo, como você disse, nós podemos ficar bem mais corajosos quando bebemos!”

“É, mas nem assim...” Ela deixa a frase morrer e não termina.

“Nem assim o quê?”, digo, e é aí que percebo que estou tão próximo dela quando poderia estar, minha boca perto do ouvido esquerdo. Quando me dou conta congelo, mas ela não se afasta nem me afasta, então continuo onde estou, a mão enfiada no bolso e a outra ocupada com o copo para impedi-las de tentar qualquer movimento independente, tipo ir até a cintura dela ou algo assim.

“Não é nada, besteira. Pensei alto”, ela ri, e olha pra baixo - a respiração um pouco ofegante, percebo. Ela parece bem constrangida então eu não insisto, e novamente a constatação da proximidade me atinge, dessa vez de forma estranha. Me afasto um pouco e pigarreio, e ela olha pra mim, visivelmente apreensiva. Será que eu fui longe demais? Cheguei muito perto, falei o que não devia? Será que eu não entendi nada, todas essas brincadeiras não queriam dizer nada, ela está conversando comigo como amiga – e aí, quando se deu conta que eu estava levando as coisas pro outro lado, riu da minha ingenuidade e quis parar tudo antes que fosse tarde? Provavelmente ela ia dizer que ‘nem assim ela teria coragem de estar comigo’ ou algo do gênero, e parou no meio porque achou que isso era pegar pesado demais.

Ou então ela ia dizer que nem assim eu me comparo ao Krum, que eu... que eu jamais poderia ser tão bom quanto ele, bom o suficiente pra ela. É, o idiota do Ron entendeu tudo errado, mesmo. Me afasto dela devagar.

“Ahn, desculpe”, digo.

“O que foi?”, ela me olha, ainda apreensiva. Talvez ela ache que eu sou ‘obtuso demais’ pra entender a frase dela, mesmo pela metade.

“Sei que entendi tudo errado, me desculpe por... por achar que você poderia... querer o mesmo que eu, por achar que eu podia ser tão bom quando o McLaggen ou o Krum. Acho que eu estava errado, afinal-”

“Ah não, não, não! Essa história de novo, não! De onde você tirou o nome dele justo agora, Ron?”, ela fala, parecendo indignada, como se não estivesse entendendo de onde eu tirei isso.

“Não me venha com essa, Hermione! E qual o problema de falar o nome dele agora? Você não quer que eu mencione o nome do Vitinho em vão?”

“Você sabe muito bem que não é isso que eu quis dizer, Ronald! Não distorça minhas palavras!”

“É, parece que nada do que você diz é realmente o que você quis dizer. Acho que você deveria ser mais direta, pra variar!”

“O quê? Como você...? Argh, como você ousa me falar sobre ser mais direto? Não exija dos outros aquilo que você não pode oferecer, Ronald!”

“Como assim, Hermione? Do que você está falando? Aposto que o Vítor sim era muito direto! Me perdoe por não ser tão bom quanto ele!”

“O que você não entende é que EU-NÃO-GOSTO-DELE! Ronald, se você não é capaz de entender algo tão simples, sinto muito!”, ela grita, e sai em direção ao banheiro.

Olho em volta e vejo algumas pessoas olhando pra mim – agora percebo que estávamos gritando mais alto do que seria educado num bar. Sinto um empurrão no peito e olho pra baixo pra ver minha irmã passando irritada e murmurando um ‘Idiota’. Harry se levanta, a expressão resignada.

“Cara, o que foi que você fez desta vez?”




”É, meu timing é sempre perfeito”, ele diz, o idiota. E eu querendo dizer que sim, o timing dele é perfeito, que o cabelo dele é perfeito, que esse sorriso de ‘fiz a piada engraçada’ é perfeito, mas tudo o que sai é um “Você é impossível”, seguido de um riso nervoso. E por alguns milésimos de segundos tudo o que fazemos é sorrir um pro outro, como se aquilo fosse tudo que pudéssemos fazer.

Ele olha pro lado, o que é ótimo, porque contribuiu para me tirar do transe. Vemos Harry e Ginny e nos entreolhamos – não dá pra ficar ali com os dois. Mudamos pra mesa do lado, e por alguns segundos agora mais longos, não falo nada. Nem ele. A situação toda é meia surreal – eu, totalmente alegre porque bebi (!), numa mesa de bar com Ronald Weasley. Rio em voz alta da situação e quebro o silêncio.

“Ehr, vou pegar algo pra beber. Você... não quer nada, quer?” Ahn, então quer dizer que só ele pode beber. Ele deve achar que mulher não bebe. “Claro que quero, Ronald. Porque não?”, digo, mas não consigo estar brava com ele. Ele está tão adorável – engraçado como nunca, essa calça jeans e os cabelos meio desarrumados meio úmidos por causa do calor -, eu jamais conseguiria realmente ficar indignada com ele. Ok, não posso duvidar da capacidade de ser estúpido de Ronald Weasley.

“Pois bem, senhorita, me perdoe. O que vai ser? Um martini duplo?”

Dou risada de um comentário sem graça, mas que pra mim parece extremamente divertido. Finjo um tom solene. “Não, só quero um vinho dos elfos, obrigada.”

“Vinho dos elfos?”, ele pergunta, um tom de descrença. “Desde quando você bebe qualquer coisa com teor alcoólico maior que um cerveja amanteigada, Hermione? O que houve com você? Aliás, quem é você e o que fez com minha amiga Hermione?”

“Ron, deixa de bobeira e vai pegar logo as bebidas. Quando você voltar eu explico tudo”, falo, rindo da última palhaçada. Acho que ele nem desconfia o quanto me faz rir e o quanto eu gosto disso. Tudo bem que tem hora pra tudo, e em certas ocasiões as brincadeiras dele podem ser extremamente inapropriadas. Mas ele pode ser realmente engraçado quando quer e eu amo isso.

“Ahn, sim. A Hermione-mandona que eu conheço está de volta. Pelo menos agora tenho certeza que é você mesma”, Ron completa, e eu rio de novo, é claro. Ainda não sei se rio das coisas idiotas que ele diz ou da situação que é... bom, que é o suficiente pra me dar motivos pra gargalhar. Sem motivos.

Mandona, hunft. Eu não sou mandona. Observo-o vindo do bar, milhares de garrafas e copos nas mãos, e antevejo ele tropeçando e derrubando tudo aquilo pelo Pub – ele já não é muito habilidoso normalmente, imagine se não consegue manter um pé na frente do outro ao caminhar. Me levanto pra ajudá-lo mas ele me hipnotiza de novo e eu não sei como é capaz disso.

“Onde você vai?”, ele pergunta, e me acorda de novo.

“Eu... levantei, pra ver se você precisava de ajuda. Quero dizer, com as coisas. Dois copos e duas garrafas, sabe, e você só tem...”, e aqui eu rio de novo de nervoso, “uma... duas mãos...”

Não sei o que foi isso e provavelmente nem o Ron entendeu, mas ele é tão simpático e incrível que nem comentou que eu pareço uma louca, gaguejando, falando mole e balbuciando coisas sem sentido só porque o perfume dele me intoxicou e a visão dele fez com que eu não pudesse olhar pra mais nada. Talvez esse vinho esteja contribuindo. Talvez.

“Obrigada, mas não foi tão difícil mesmo com uma, quero dizer, duas mãos”, ele fala, e eu rio de novo, porque tudo o que sei fazer perto dele é rir hoje. Deve existir uma explicação, não? Ele pára na minha frente e enche nossos copos.

“A nós?”, pergunta, e meu estômago dá uma cambalhota. O que ele quer dizer com “À nós”? Já existe um “nós” e eu nem percebi? Essa é a maneira dele de querer que exista um “nós”? Se for, ele deveria ser mais direto. Como eu vou adivinhar? Mas é claro que não é, porque se fosse acho que ele gostaria que ficasse bem claro e, enfim, não ficou-

“Não, quero dizer - nós, nós todos aqui no bar essa noite”

Droga. Quero dizer, não sei o que eu esperava – talvez que, de repente, fosse tudo verdade, que ele realmente gostasse de mim e dissesse tudo aqui e agora, através de um brinde estúpido ou algo assim.

“Não, não que nós - eu e... eu e você, quero dizer - não mereçamos um brinde...”

Um homem é capaz de se enrolar. “Ron, tudo bem, eu entendi. Vamos beber isso logo”, asseguro, e nós brindamos “a nós”, seja lá quem formos nós, e bebemos. Não ficou simbólico, como deveria. Foi meio brusco até, porque eu o interrompi. Mas aquilo já estava ficando constrangedor.

Ele faz uma cara engraçada e vira o copo, e eu sorrio quando constato que ele fez a barba. Sim, porque tinha uma barba ali durante a semana – nada muito expressivo, mas eu seria capaz de notar essas coisas nele a quilômetros de distância. Sei, é patético e brega e obssessivo, mas não posso evitar. E bem, noto que estamos muito perto – ele de frente pra mim e eu contra a mesa, algumas partes do corpo dele contra a minha. Nada muito explícito, é claro, mas é idiota como damos valores a coisas tão pequenas, tipo a respiração dele perto do meu ouvido, mas perto do que eu posso agüentar por muito tempo, acho.

“Mas então, me diga. O que, digamos assim, fez com que você mudasse da água pro vinho de uma hora pra outra?”, ele solta, e eu rio porque o trocadilho foi realmente engraçado. Mesmo assim, não entendo a surpresa dele. Não é como se eu tivesse feito votos de abstinência alcoólica, é?

“Ahn, Ron. Não mudei nada, só tomei uns goles de vinho hoje. Que mal há nisso, é proibido? Por acaso a senhora-puritana-monitora-Granger não pode beber?”, digo, levemente irritada. Ok, não estou muito irritada, é só pra provocar.

“Ô, calma aí! Não quis dizer nada disso, mulher! Na verdade, eu até... bom, eu até aprovo isso, sabe. Você, bebendo.”

Como assim, aprova? E desde quando eu preciso que ele aprove algo que faço?

“Não que você precise da minha aprovação, acho, mas você entendeu.”

Hum, ok.

“Hum. E porque você ‘aprova’ quando eu bebo?”, pergunto, sorrindo levemente. Ainda não entendi essa história da tal ‘aprovação’. Ele se abaixa e eu sinto a respiração dele perto do meu ouvido, o que me causa arrepios e faz com que eu grude minhas mãos na mesa.

“Eu acho que você, às vezes... se preocupa demais. E não que isso seja ruim, mas pode ser que faça mal pra você, então... quando você se solta um pouco, e relaxa, acho que isso pode te fazer bem.”

Uau. Acho que ele me conhece bem. É, não poderia esperar outra coisa, porque nós convivemos diariamente há seis anos ou quase isso. Mas não... bom, o Ron não é exatamente o cara mais sensível e observador do mundo. E o fato de ele saber essas coisas e se importar que eu esteja estressada ou algo assim... Uau.

“É, você tem razão. Mas você não é do tipo que precisa relaxar, você já vive relaxado, se é que você me entende, e você andou bebendo também.”

“Hey, dispenso sua opinião sobre meu estilo de vida. E por que você acha que eu bebi qualquer coisa antes de você chegar?”, ele pergunta. Que ridículo. Como se não fosse possível notar.

“Ron, é óbvio. Seu rosto está vermelho, você está falando de forma lenta e um pouco confusa, tem dificuldade pra andar em linha reta e está com uma coragem fora do comum.” Não que normalmente ele não seja corajoso, mas ele está quase encostado em mim contra uma mesa de bar e falando no meu ouvido. Ele jamais faria essas coisas sóbrio. Ou porque não tem coragem ou porque não tem vontade.

“Quer dizer que normalmente eu sou um covarde?”, ele pergunta e eu dou risada antes de perceber uma certa insegurança na pergunta. Me apresso a corrigir. “Não, não foi isso que eu quis dizer, Ron. Você sabe disso!”

Não sei se ele sabe. Ele me parece muito inseguro às vezes, não sei se é impressão minha. Mas toda essa pose que ele coloca na frente dos outros é um escudo, porque ele quase não tem auto-estima e eu não entendo porque, sendo tudo que ele é.

Ouço uma gargalhada na mesa ao nosso lado. Harry nos olha e parece achar tudo isso muito engraçado, o que eu não consigo decidir se é adorável ou bem grosseiro. “Desculpem”, ele diz, pegando fôlego, “mas é que é demais. Não vou sair daqui porque deixar vocês dois aí sozinhos vai chamar a atenção dos gêmeos, e vocês certamente não querem isso, mas fiquem à vontade.”

Uau, Harry, como você é discreto. Não tem nada demais acontecendo aqui, exceto o Ron mais próximo do que jamais esteve, a boca dele perto do meu ouvido, nossas risadas excessivas e despropositadas e os elogios mútuos e freqüentes...

Olho pra baixo, envergonhada, enquanto o Ron também parece meio constrangido. Ele murmura um ‘Pára, Harry’, e olha pra baixo também. E agora estamos os dois absolutamente envergonhados um do outro, o que não nos fez afastar ou algo assim – ou seja, não é tão preocupante.

“Eu, ahn... o Harry pode ser bem inconveniente, às vezes”, ele diz, tentando parecer natural e re-estabelecer a ordem natural das coisas. É óbvio que a inconveniência do Harry tem um motivo: o Firewhisky.

“É triste, Ron, mas todos nós podemos. Especialmente quando bebemos!”, constato em voz alta.

“Isso quer dizer que eu estou sendo inconveniente?”, ele pergunta, a insegurança novamente na voz.

“Não, não... que complexo, Ron! Enfim, agora você entende porque eu não aprovo muito esse negócio de ficar bebendo. As pessoas podem ficar inconvenientes e complexadas...”, embora ele seja complexado quando não bebe, infelizmente. Eu estou aqui, conversando com ele há quase uma hora, dando risada e me divertindo e ele ainda acha que pode estar sendo inconveniente. Eu não acho que se ele fosse inconveniente eu estaria perdendo meu tempo com ele – não acho que se ele fosse inconveniente eu estaria perdidamente apaixonada por esse idiota, oras! Ás vezes eu tenho certeza que ele sente o mesmo por mim e que não se aproxima por medo de que eu o rejeite, medo que vem dessa insegurança sem fundamento. Que droga, que droga!

“Tem algumas desvantagens, mas uma boa parte das coisas é bem divertida. Por exemplo, como você disse, nós podemos ficar bem mais corajosos quando bebemos!”

E de que adianta alguma coragem, se ela não é suficiente pra nenhum de nós dois tomar alguma atitude de verdade?! “É, mas nem assim...”

Percebo que disse a frase em voz alta e deixo ela morrer no final. Foi muito impulsivo e espero sinceramente que ele não tenha percebido – mas, pela expressão dele, ele percebeu sim.

“Nem assim o quê?”, ele pergunta, e parece que é pra me provocar, porque ele fica tão perto que eu mal posso estabelecer algum pensamento coerente. Respiro fundo algumas vezes e digo “Não é nada, besteira. Pensei alto”, desvio meu olhar do dele olhando pra baixo e rio nervosamente depois.

Sinto o olhar dele sobre mim durante alguns segundos e quase protesto quando sinto corpo dele se afastando do meu. “Ahn, desculpe”, ele diz enquanto se afasta, e eu imediatamente levanto a cabeça pra ver algo sem sua expressão que se parece com ódio – e sim, aquela auto-piedade que ele coloca no rosto sempre... sempre que lembra do Victor.

“O que foi?”, pergunto, sinceramente preocupada. Será que eu fiz algo errado?

“Sei que entendi tudo errado, me desculpe por... por achar que você poderia... querer o mesmo que eu, por achar que eu podia ser tão bom quando o McLaggen ou o Krum. Acho que eu estava errado, afinal-”

É como um soco no estômago. Não sabia que era possível ir do céu ao inferno tão rápido, mas Ron Weasley mais uma vez me prova que expectativas são fáceis de frustrar, o idiota! Victor Krum? Que tem o Victor nessa história? Estávamos os dois aqui, mais perto do que jamais estivemos de qualquer coisa, ele tão... adorável e carinhoso, como se realmente se importasse! No fundo, é só uma competição com Victor. Ele quer provar pra si mesmo que pode ser melhor que o Krum, como se isso importasse algo, e se isso inclui iludir a idiota da Granger, que seja, então! E, DROGA, de onde ele tirou o Krum???

“Ah não, não, não! Essa história de novo, não! De onde você tirou o nome dele justo agora, Ron?”, falo, indignada. Queria dizer todas as outras coisas mas tudo que sai é isso.

“Não me venha com essa, Hermione! E qual o problema de falar o nome dele agora? Você não quer que eu mencione o nome do Vitinho em vão?”

Não acredito, é bem ele mesmo distorcer o que eu digo! “Você sabe muito bem que não é isso que eu quis dizer, Ronald! Não distorça minhas palavras!”

“É, parece que nada do que você diz é realmente o que você quis dizer. Acho que você deveria ser mais direta, pra variar!”

“O quê? Como você...? Argh, como você ousa me falar sobre ser mais direto? Não exija dos outros aquilo que você não pode oferecer, Ronald!”

“Como assim, Hermione? Do que você está falando? Aposto que o Victor sim era muito direto! Me perdoe por não ser tão bom quanto ele!”

AHN, DROGA! “O que você não entende é que EU-NÃO-GOSTO-DELE! Ronald, se você não é capaz de entender algo tão simples, sinto muito!”, e sinto o gosto salgado das lágrimas na minha boca. Saio correndo por um corredor na lateral do balcão do bar, e é aí que percebo que estou meio tonta, porque tenho que ir me apoiando nas paredes e quase caio uma hora.

Às vezes, eu acho que a culpa é minha. Culpa por ter me envolvido com o Victor, culpa por ter deixado o Ron saber disso e culpa por gostar de um idiota que não é capaz de enxergar a verdade óbvia na frente do nariz dele. Aí depois eu caio na real que não posso me culpar pelo erros de outras pessoas, mas isso só me deixa mais triste, porque se os erros das outras pessoas me prejudicam e a culpa não é minha, ou seja, eu não posso consertá-los, o que vou fazer?

Sinto uma mão no meu braço. É a Ginny. Encosto na parede e coloco as mãos no rosto, e o choro vem. Não sei se estou triste, se estou nervosa, e se é comigo ou com ele ou com a situação.

“Cretino”, grito entre os dedos. A Ginny me chama e me puxa pra dentro do banheiro, uma porta à nossa esquerda. “Vem aqui, lava o rosto. O que houve?”, ela diz, solidária.

Lavo rosto e tento me acalmar. Respiro fundo algumas vezes. “Ginny, estava tudo tão bem, sabe?”

“É, eu percebi”, ela diz, um sorriso malicioso. Sorrio o máximo que posso na situação, agradecendo a tentativa dela de me animar.

“Ahn, pára. Mas tava mesmo, e aí ele trouxe de novo essa história do Krum. Eu não agüento mais isso, Ginny. Se eu pudesse voltar atrás, jamais teria conhecido esse búlgaro idiota, ele tem sido a origem de todos os meus problemas com seu irmão nos últimos três anos! Aahhh!”

“Hermione, não é que o que eu vou falar justifique as atitudes dele... Mas é que você sabe como ele é inseguro. Essa do Krum, sei que não tem nada a ver e que você não deve nada pra ele, mas isso esmagou o ego dele. Não se sinta culpada!”

Droga, porque diabos esse búlgaro foi se aproximar de mim, justo o cara que é o melhor jogador de Quadribol do mundo? A culpa é minha, que deixei isso acontecer!

“Não se sinta culpada! A culpa não é sua – é dele, que não tem auto-estima.”

Tanto faz se a culpa é minha ou dele. O que interessa é que agora está tudo estragado. “E agora?, pergunto, já bem mais calma e um pouco conformada, acho.

“Não sei”, ela diz. “Se vocês beberem um pouco mais, talvez amanhã não se lembrem de nada. Mas isso não vai ser bom, porque aí você também não vai lembrar da parte boa, né...”

“Eu já bebi o bastante”, digo, por um momento culpando a bebida por toda essa situação horrível.

“É, dá pra ver – não só por você estar falando mole e andando com dificuldade, mas o quanto você estava perto dele sem se envergonhar ou fazer aquelas coisas idiotas que vocês fazem quando estão perto do outro. Merlim, ele estava cochichando no seu ouvido!”

Sim, ele cochichou no meu ouvido, e não era nada demais, mas eu podia sentir a voz dele e a respiração dele tão perto que era bem difícil manter qualquer controle mesmo se eu não tivesse bebido nada. Eu fui bem forte.“É, ele estava... e eu não vou dizer o que era, não insista”, digo, mas é só pra fazer graça, porque afinal ele não disse nada de mais, mesmo.

“Eu hein, não quero detalhes sobre o linguajar que meu irmão usa para conquistar as mulheres. É bom não contar mesmo. Acho que já podemos voltar né? Vai deixar o copo de Firewhisky aí?”

Não é Firewhisky, é vinho. Dá pra confundir por causa da cor branco-amarelada. Mas dispenso a explicação sobre o tipo de bebida. “Não”, digo, e viro o copo. Talvez anestesiada seja mais fácil lidar com tudo isso.

No fim das contas, o que me resta é levantar a cabeça e continuar. O cara que eu gosto é um cretino inseguro e isso é a raiz dos meus problemas, mas poucas vezes eu estive tão feliz e tão próxima dele do que nas últimas horas e isso... eu ainda devo a ele. E durante alguns momentos essa noite eu tive certeza que... que era isso mesmo. Que estar perto dele era o certo a fazer e que ele sentia o mesmo.

Além do mais, racionalmente falando, estamos todos alegres demais pra responder pelo que fazemos. Não podemos ficar muito tempo brigados; não somos capazes disso, eu não sou mais capaz de ficar muito tempo longe dele. Não vou... simplesmente esquecer que ele disse aquelas coisas idiotas, mas eu quero acreditar que está chegando a hora em que ele vai entender que tudo o que ele falou não faz sentido nenhum. E aí eu já não vou precisar perdoá-lo por nada, porque as coisas vão se acertar.

“Hermione! Você já não tinha bebido o suficiente?”, Ginny diz, perplexa, sobre eu ter virado o copo de vinho.

Eu dou risada, não sei se da expressão dela, ou se pra tentar esquecer tudo isso. “É, acho que eu me enganei... Vamos!”, termino, e a puxo pra fora do banheiro.




“Cara, o que foi que você fez desta vez?”

O pateta do Ron continua me olhando, com aquela cara de sempre – a de foi-ela-não-fui-eu. “Cara, eu-ela... ah, ela estragou tudo! Não foi culpa minha!”

“Sente-se, Ronald”, digo, e encho nossos copos. “O que houve desta vez, meu caro?”

Ele me olha meio estranho, e eu percebo que nunca realmente conversamos sobre isso. Sobre as brigas deles. Ele me conta um pouco tímido uma história cuja conclusão é a mesma de todas as histórias de brigas Ron e Hermione: os dois cabeças-duras acabam brigando por uma coisa absolutamente idiota e sem sentido num momento absolutamente crucial pro possível relacionamento deles.

“Quer dizer que então ela ia dizer que você... que o Krum era melhor. É isso?”, digo, perplexo.

“Claro que ia, Harry, não era óbvio? Ela estava rindo o tempo todo, e eu achando que era pra mim. Idiota, é claro que era de mim e da minha ingenuidade em achar que-“

“Ron”, eu o interrompo, “por Merlim. Perceba a idiotice que você está falando. Não vou permitir que você pense isso da Hermione cara, que ela seria capaz de... rir da sua cara e de te ofender assim. Porque ela não seria e você sabe disso!”

Ele abaixa a cabeça, acho que envergonhado. “É, mas ela estava rindo, e quando eu perguntei se eu era um covarde ela riu também. E depois, ela ia dizer que nem bêbada teria coragem de... de... ficar junto comigo, tenho certeza que era isso que ela ia dizer, porque depois-“

“Ronald, chega dessas coisas. Cara, vou te dizer uma coisa, você é meu amigo. Eu amo você cara. Você sabia disso, não sabia?” Ele confirma com a cabeça depois de fazer uma careta. “Mas você pode ser muito idiota quando se trata das mulheres. Ok, nós podemos. Desculpe”, corrijo, “mas quero dizer que você tem que abrir os olhos. Vocês dois estão nesse vai-não-vai desde não sei quando, e nem eu agüento mais os chiliques de vocês. E cara, você não quer enxergar, mas por favor, acredite em mim. Eu não mentiria pra você sobre algo assim, ainda mais no estado que eu estou. Você não consegue ver, mas ela... é recíproco, Ron, por Merlim, está na cara.”

“O que é recíproco, Harry?”

“Deixa de se fazer de idiota, Ron, que droga! Você gosta dela, cara, e ela gosta de você! Ela também não vê que você gosta dela, mas enfim, dois parvos, é o que vocês são! Essas brigas de vocês, toda a tensão, você não percebe?”

“Qu-quê? Gostar dela, Harry? Do que você está falando? Gostar da Hermione, voc-cê diz, como... namorada ou algo assim? De onde você tirou isso, não é isso que-“

“Ronald, comigo? Você vai negar... pra mim? Nem precisa tanto pra ver algo assim, mas ainda assim, eu convivo com você há seis anos cara! Pára de negar pra si mesmo ou pros outros, não sei! Tome uma atitude, faça alguma coisa!”

Bebo mais um copo de uma vez e sinto tudo rodar. Ron se desculpa, baixinho, e não diz mais nada. Ele pergunta se eu estou bem. “Cara, você tá falando meio mole, isso é engraçado...”, ele diz. “É, como se você fosse o senhor sóbrio”, digo. “Elas vêm vindo, Ron.”

Ginny chega com a Hermione e tenta me arrastar pra beber mais, mas eu nem consigo ficar de pé, quanto mais beber mais. E quando digo a ela que não quero mais beber, veja só, ela me arrasta do mesmo jeito e diz que vamos beber suco de abóbora. Eu não quero ir, mas não tenho muita força de vontade pra ficar, nem pra ir, nem pra nada, então vou.

No balcão do bar, ela fica me perguntando uma série de coisas sobre o que eu falei com o Ron e eu explico pra ela o que eu falei – na verdade não sei porque faço isso. Na hora não percebo que não deveria estar falando essas coisas, porque ela é amiga da Hermione, mas depois eu me dou conta que não seria legal da minha parte fazer isso. Não seria mesmo, mesmo.

Ela fala algo sobre mentir e eu deito a cabeça no balcão, pra ver se ajuda a parar de rodar. Ela me chama pra ir... onde? A voz parece distante, e eu presto atenção. Ahn, casa e dormir... dormir! Mas ir pra casa, é meio longe... e ainda é cedo...

“Ginny, querida, não diga uma coisa dessas. Ainda é tão cedo, a noite é tão longa! Vamos ficar mais um...”




A única explicação que consigo encontrar pro comportamento bipolar da Hermione é o excesso de bebida. Uma hora está chorando feito uma louca, dali a cinco minutos vira um copo do que eu acho ser Firewhisky, dá uma risadinha e sai andando, cabeça erguida, como se fosse sair e puxar meu irmão pra um canto escuro e não fosse mais dar chance pra ele entender qualquer coisa errada.

Não acharia estranho se ela fizesse isso, mas acho difícil. Saímos do banheiro e assim que acaba o corredor, a cena é patética: um Ron cabisbaixo, a cabeça apoiada nas mãos, ouvindo um monte de um Harry mais bêbado do que todos nós juntos.

A Hermione me olha. “Vamos lá?”, ela pergunta, apreensiva. Não parece exatamente feliz, mas o desespero de 15 minutos atrás já foi embora. Os olhos ainda estão vermelhos.

“Não sei. Podemos nos aproximar devagar, não quero ir pra outra mesa porquê os gêmeos iriam te encher de perguntas e isso seria um saco.”

Ela concorda. Contornamos e mesa e nos aproximamos devagar, por trás do Ron, de uma maneira que o Harry pudesse ver que estávamos chegando. Ele vai esgotando a conversa, dá pra perceber. Nos aproximamos e eu pigarreio. “Ehr, Harry, vamos pegar uma bebida!”

“Ginny, sinceramente,... eu não acho uma boa idéia. Porque sabe de uma coisa? Sabe, eu já bebi bastante, acho que não seria apropriado se eu bebesse mais, você me entende?”, ele fala. Ainda por cima tenho que ter paciência com bêbado.

“Tudo bem, Harry. A gente pede um suco de abóbora, vamos!”, digo, e puxo ele da cadeira. Ele se levanta com dificuldade e se apóia em mim até o balcão, e nos sentamos nuns banquinhos do bar.

“Esses dois, eles nunca se entendem de verdade, não é mesmo Ginny-Gin? Mas eu te digo, Ginny, acho que agora as coisas vão entrar nos eixos, porque eu falei um monte de verdades pro Ronald, e agora ele vai ter que aprender, aquele cabeça dura!”

Ahn, o Harry está completamente embriagado. Chega a ser engraçado ver o menino-que-sobreviveu numa situação dessas. Rita Skeeter daria um braço por uma foto. “Harry, o que você disse pra ele?”, pergunto. O Harry não é exatamente o cara mais experiente no mundo em relacionamentos pra poder dar conselhos assim. Na verdade, ele não está conseguindo nem falar direito, e dar conselhos inclui essa capacidade.

“Ué, o que eu disse? O que deveria ter dito há muito tempo, que ele é um idiota que não vê um palmo na frente do grande nariz dele. Que ele fica falando essas besteiras e que não percebe a tensão entre eles, que as brigas e as discussões são todas porque eles não conseguem ficar perto um do outro sem chamarem a atenção um do outro. E que ela é visivelmente louca por ele tanto quanto ele é por ela... Ele negou isso, sabe, Ginny. Disse que não gosta dela, que não sei de onde eu tirei isso. Aí eu me ofendi!”

A essa altura eu já estava rindo, porque o Harry estava inclusive interpretando tudo com gestos. “Você se ofendeu por quê?”, pergunto, entre risos.

“Me ofendi porque ele foi capaz de negar isso pra mim, que sou quase o irmão dele, Ginny-Gin! E isso é tão óbvio, que ele gosta de Hermione. E ele nunca falou sobre isso comigo diretamente, às vezes eu faço uma piada ou algo assim, mas ele nunca falou. Tudo bem que ele nunca precisou falar, porque eu soube desde o início, mas negar... e aí eu fiquei um pouco nervoso, que foi a hora que vocês chegaram. Mas ficou tudo bem.”

O Harry está um pouco confuso e já sonolento. “E você acha que ele acreditou? Quando você disse que ela gostava dele também e tudo mais?”, pergunto.

“Acho que sim... Sim, eu acho que ele acreditou, porque... bom, eu não mentiria pra ele, mentiria? Ainda mais bêbado, acho que eu não seria capaz de dizer nenhuma mentira agora, Ginny. Por isso não per pergunte nada, nada mais, porque eu não quero ter que mentir pra você, ah isso eu não quero!”

Percebo que ele já está falando besteira. Ele deita a cabeça sobre o balcão e faz força pra manter os olhos abertos. “Ok, Harry, já entendi. Vamos procurar os gêmeos, acho melhor você ir pra casa dormir, já é hora.”

“Ginny, querida, não diga uma coisa dessas. Ainda é tão cedo, a noite é tão longa! Vamos ficar mais um...”, e ele não termina a frase porque cai no sono. Volto pra mesa e encontro as pessoas já pronta pra saírem.

“Ginny”, Charlie me chama, “já estávamos indo atrás de vocês dois. Onde estavam?”, e tom da voz dele é inquisitivo. Como se eu devesse satisfação pra ele... ah, não tenho mais disposição pra brigar, não hoje. A noite já durou o suficiente. “Ele está no balcão, Charlie. Dormindo. Alguém vai ter que aparatar com ele de lá!”

“Ginny, não dá pra aparatar alguém que de tão bêbado dormiu. É muito esforço, pode até desacordar o bruxo que tentar, ou coisas piores. Deixa comigo, vou dar a poção de sobriedade pra ele e levá-lo pra casa”, Lupin diz, e eu indico pra ele onde Harry está. Tonks o acompanha.

Agora vejo Hermione e Ron. Eles já estão de pé, e pela expressão do meu irmão, mais suave, parece terem se entendido, ao menos superficialmente. Ela também parece mais tranqüila quando Bill avisa que Fred e George foram na frente por precaução, e que iríamos aparatar dali mesmo, do hall do bar.

“Vem, Ginny, você vem comigo”, Bill diz. Vejo Ron e Charlie sumirem. Bill pega a varinha e eu sinto a já conhecida sensação horrível, e num instante estamos na porta da Toca.

Todos nós sabemos onde a Toca fica então não temos dificuldade em achá-la. E poucas vezes foi tão bom estar em casa. Alguns minutos depois, Lupin chega com um Harry que parece absolutamente cansado. Dá um ‘boa-noite’ murmurado e sobe direto pro quarto. E eu faço o mesmo, assim como Hermione. Ela parece um pouco tonta, ainda, e também parece bem cansada. Subimos juntas para o quarto e, pijamas já vestidos, caímos na cama. “Boa-noite, Ginny”, ela diz, e eu faço o mesmo.




N/A: Em primeiríssimo, perdão pela demora. Fui acometida por uma série de problemas de saúde que, somados a alguns problemas familiares plus faculdade e trabalho (além de um bloqueio criativo), me impediram de escrever. Como vcs podem perceber, fui atingida por uma zica desgraçada, mas já me benzi e o capítulo saiu. Mil agradecimentos novamente à Flávia, minha beta que me ajuda a extrair os pensamentos da minha cabeça (ela é demais) e à todo mundo que comentou e pediu o próximo cap. na Floreios, no 3V e no FF.net. Vocês são ótimos, muito obrigada mesmo!
Esse cap. está um pouco mais curto do que os dois anteriores, mas mantém a média da fic. É mais um capítulo de explicações/transição mesmo, embora exista alguma ação. Enfim. Prometo que o próximo não demora nem um terço do que esse demorou.

Vou fazer uma lista de e-mails pra mandar notícia sobre a atualização da fic. Todo mundo que quiser ser avisado quando a fic for atualizada, por e-mail, é só comentar e deixar o e-mail aqui. Quem já comentou e deixou o e-mail já está incluído. XD

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