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11. perdão


Fic: Sorvete de limão


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A porta bateu com um leve estrondo e ele caminhou até uma poltrona com seu andar displicente ignorando o olhar de Dumbledore.

Septimus foi o primeiro a falar quebrando o silêncio.

— Black, seu retardado, onde você estava?

— Esperando por mim? Eu saí, precisava respirar, não posso?

Septimus Weasley tinha cabelo cor fogo, e era, um de seus primos mais simpáticos. Alphard gostava dele.

Dumbledore ainda o observava, o rosto de Black contraiu-se numa expressão de astúcia e desviou o olhar, quando Flamel começou a falar.

— Como contei a vocês hoje mais cedo Dumbledore e Black tiveram um pequeno embate com aliados de Grindewald. Graças ao aviso de Black Dumbledore pôde salvar sua amiga Brianna de morrer. —Disse de maneira calma. — Mas não me parece que o objetivo primário deles fosse atacar Brianna,ao contrário,matá-la era só diversão. O objetivo era encontrar você Black.

— Mas por que eles estão atrás de mim?

—Pelo que você contou me contou, Malfoy foi enviado a você com lisonjas e promessas na intenção de levá-lo até Grindewald. Não se esqueceu que é um Black?

—Como poderia!

—A razão pela qual esperávamos que voltasse de seu passeio, é saber se aceitaria se aproximar de Grindewald?Seria importante ter alguém próximo a ele nos repassando informações. É claro que você é livre para recusar.

— Fico lisonjeado,mas preciso pensar,minha alma tem dançado demais entre a luz e as sombras,posso não conseguir voltar. — Disse Black sem sorrir. — Estão me entendendo?

Com um aperto no estômago tentou imaginar co­mo aquilo terminaria.— Se eu não aceitar o que faremos?

— Outro de nós irá. — Disse Dumbledore erguendo finalmente seus olhos, cansados, depois de horas sem dormir... Black olhou para os companheiros,para Úrico e Septimus em especial,pois sabia que teria de ser um a balançar a cabeça lentamente.

Permaneceu sentado reunindo coragem por algum tempo e depois sorriu.

—Não seja tolo,Professor Dumbledore,quem iria em meu lugar Septmus? Não,mesmo! – sussurrou ao mesmo tempo em que fechava os olhos. —Não sou covarde,só preciso de um tempo para me acostumar com a idéia,me preparar.

—Sei que não é. —Disse Dumbledore sorrindo. —E quanto à preparação ela vai ser essencial,Flamel irá ajudá-lo com a oclumência e no que mais for preciso.Eu preciso voltar à Hogwarts,mas gostaria que todos ficassem aqui para ajudar na preparação de Alphard e também na proteção de Brianna.Ficarei muito grato por isso.

Black balançou a cabeça.

— E o senhor confia em mim para cuidar de Brianna?

— Mais do que imagina,sei que você não permitiria que nada de mal acontecesse a ela,foi seu aviso que me permitiu salvá-la,e jamais poderei agradecer o bastante por isso.

Quando falou assim, estava de pé, à porta da Biblioteca.Black o olhava sinceramente surpreso, seus olhos novamente se encontraram, e Black constatou que havia com­paixão, no olhar de Dumbledore,além de amizade e amor. Sua mágoa e sua raiva viraram pó.

— Agradeço pela confiança e vou fazer o possível para não decepcionar.

— Agora meus amigos preciso dormir e acho que vocês deviam fazer o mesmo.Moody indicará seus quartos.

E saiu parecendo imensamente cansado.

Albus Dumbledore seguiu para o quarto,sabia que Brianna estaria lá em sua cama,provavelmente dormindo a essa altura.

Estavam naquele momento em que a luz começa a se inflitrar no véu da noite.Um vento gelado assobiava pelas frestas da casa,tornando o corredor inóspito.

Dumbledore meditava sobre a palavra que Flamel havia usada para falar de Brianna durante a reunião.

“NOIVA,nunca pensei nela assim.AMANTE,AMIGA,PROTEGIDA,são palavras que eu usaria mas nunca NOIVA ou... ESPOSA que seria o título seguinte a se esperar.”

Estava inquieto e ligeiramente irritado com seu velho amigo.

Era agradável fazer amor com Brianna,mas,também era agradável voltar à sua própria vida depois.

Sempre fora um solitário e era feliz assim,Hogwarts era sua família.

Não era nenhum misógino,tinha tido suas mulheres,mas não muitas a quem quisesse dar o título de Sra Dumbledore..

Abriu a porta e logo que a viu sentiu um imenso prazer em saber que era sua.Duvidava que houvesse alguma outra mulher bruxa ou não tão sedutora e bonita.

Tirou suas roupas devagar,olhando de vez em quando para a moça adormecida.

O que faria agora? Flamel lhe indicou um caminho,mas, justificava-se Albus “ela quase morrreu apenas por ser minha amante o que não fariam se fosse minha esposa?”

A noite ficava cada vez mais clara ,o véu de escuridão estava a ponto de rasgar-se ,ele fez com que as cortinas se fechassem embora gostasse do modo como a luz se refletia no rosto dela.

“O que sentia por ela afinal? Amor?Nunca disse que a amava,ao menos não em voz alta.”

Então ela se moveu em seu sono e se aninhou em seu peito,como se fosse a coisa mais natural,e ele sentiu como se aquele fosse exatamente o lugar em que ela devia estar.

Ele não prestou atenção à mais nada,seus pensamentos se perderam e sua imaginação estava presa, como por uma corda fina, ao quar­to e a ruiva em seus braços.Ela acordou seus dedos brincaram com os fios de sua barba.

Brianna passou os dedos perfumados pela barba ruiva de Dumbledore.

—Adoro sua barba — disse ela,sonolenta. — Até os fios brancos.

— Verdade? – falou enquanto acariciava a curva do seu pescoço - Você devia estar dormindo.

—Huhum,mas acordei quando você deitou.Precisava te contar que Black veio até aqui.

—E o que ele fez? —Disse com a voz mais calma que pôde encontrar.

—Me pediu perdão.

—E você perdoou?

—Não,mas disse que não o odeio.

—Foi só isso?

—Sim.

Ele acariciou seu rosto.

— Quero você. - Gosto de estar com você. Quero estar aqui. Não quero estar em nenhum outro lugar do mundo... — ainda não conseguia dizer “Eu te Amo”,mas realmente não queria perdê-la.— Volto hoje para Hogwarts,mas quero que me espere,essa casa é sua.

—Não se preocupe tudo o que eu quero é você. —disse ao mesmo tempo em que se aproximava mais. —A minha quase morte me fez pensar no que realmente desejo.

— E o que é?

—Vou mostrar com o que me importo.


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Era tarde da noite quando Brianna desceu, pretendia ir à Bibilioteca em busca de um novo livro. Já estava na casa há dois meses e andava com desenvoltura por todos os seus cômodos.Naquela noite o corredor estava escuro, frio. Dava para sentir o frio ao se encostar a palma da mão na vidraça.

Albus acabara de voltar para Hogwarts, depois de cear com Brianna. Septmus já estava retornando para sua casa, para ficar com sua esposa . Ele ficara corado quando dissera que estava indo; era completamente apaixonado por Cedrella Black.

— Ele me faz lembrar a mim mesmo nessa idade — balbuciara Flamel.

Um agitado, gaguejante e enrubescido Septmus Weasley deixou a casa depois da ceia.

“Ah, o poder do amor”, pensou Brianna. Havia algo de puro em Septmus, algo de puro, leal e bom que a fazia sorrir.

Deserto. Escuridão. E então ela se deu conta: estava sozinha com Moody. Estavam todos mais tranqüilos quanto a ela, parecia que aquele havia sido um ataque isolado, e desde que ela permanecesse dentro da casa, não se preocupavam tanto com ela.

Percebeu que havia luz na biblioteca, e ao abrir a porta viu que o fogo estava queimando forte, com um aroma delicioso, lançando nas paredes reflexos alaranjados.


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Era noite. Black estava sentado com um livro aberto sobre o peito e uma das pernas esticada sobre o braço da poltrona. Os dias passados lutando com recordações que preferia não lembrar haviam drenado suas forças e seu corpo ainda pulsa­va, mas sem viço. Sentia-se sobrecarregado por uma tristeza inexprimível e tomado por um cansaço que nenhum sono parecia aplacar. O treinamento estava acabando e ele estava péssimo, o esforço constante para controlar as emoções e esvaziar a mente o estava deixando amargurado e igualmente vazio. No dia seguinte iria encontrar-se pela primeira vez com Grindewald em pessoa, pelo menos era o que dizia Abraxas Malfoy.

O fogo crepitava na lareira. E lá de onde estava, Brianna não era visível, nem ele, oculto pelo espaldar alto da poltrona e pelas sombras, mas ele sabia que era ela por seu jeito peculiar de se mover nas sombras, e se fosse qualquer outra pessoa que se aproximasse, ele teria gritado “vá embora”, mas para ela não disse coisa alguma.

Tinha por ela um grande e inabalável amor, algo que não sentia por nenhuma outra pessoa. Ela fizera milagres por ele, embora talvez jamais houvesse notado.

Brianna entrou na biblioteca, afinal, com a luz da lareira lançando reflexos chamejantes. Ela parecia a coisa mais estável da casa sob aquela luz, os cabelos ruivos brilhavam como chama, enquanto ela se aproximava das poltronas.

Black percebia o silêncio no resto da casa e ali na Biblioteca havia apenas o crepitar do fogo, e som da sua própria respiração profunda e ritmada.

Ele não havia desejado que viesse, nem sequer pensava nela e não desviou os olhos do fogo para olhar para ela, era tabu, terreno proibido e vinha procurando manter-se a distância, mesmo em pensamentos.

Foi quando ela o percebeu parado, com os olhos voltados para a lareira, com o perfil longo e harmonioso que aos poucos foi se virando e olhando para ela, como se a tivesse ouvido o tempo todo, enquanto atravessava a escuridão. Não pôde evitar o susto, recuou um pouco e seu gesto fez com que ele ficasse ainda mais amargo.

Ela lhe deu então um dos seus sorrisos suaves, radiantes, e ele viu nos seus olhos ternura e uma certa tristeza, também.

— O senhor me assustou, assim escondido nas sombras. Pensei que estivesse só na casa, apenas eu e Moody.

— É, minha senhora, as sombras são o lugar ideal para mim - disse numa voz baixa e grave. —Alfardo Black, o perverso ao seu dispor.

Ela pareceu ficar constrangida e olhou em volta, como se procurasse alguma coisa e depois seus olhos se encontraram por um segundo e viu que ele enrubescia, embaraçado.

— Só se escolher ficar com elas, e me parece que não é o que quer. Septmus me falou sobre como você...digo...o senhor o ajudou e apoiou quando quis se casar com Cedrella, mesmo quando toda a família era contra.

O fogo continuava queimando forte, com o aroma delicioso tranqüilizando-a, e ele a olhava de soslaio, tentando guardar na memória cada um dos seus traços. Seu rosto anguloso, as maçãs perfeitas, salientes e delicadas. A linha do queixo e os olhos muito claros, que ele advinhava na semi-escuridão - verdes -, e cercados por densos cílios. Se havia alguma imperfeição nela seria talvez o seu modo de se mover, que a fazia parecer travessa, quase uma garotinha. Ele gostava de ficar olhando para ela.

— Mas pode acreditar em mim, senhora, não sou o que aparento ser.

Ela ficou quieta por algum tempo. E enquanto isso ele ficou sentado ali, olhando para a lareira, querendo dizer milhões de coisas, sobretudo o quanto a amava.

— Isso eu sei. Claro que sei - ela desviou o olhar por um momento, depois voltou-se para ele. — Mas você é muitas coisas, não apenas uma. Você carrega o bem e o mal, luz e sombra é uma questão de não ceder ao mal que há em você — disse baixinho. —Olhe, mesmo no escuro voc... o senhor... está com uma aparência horrível e parece faminto! Invoque uma luz para essa biblioteca, já que eu não posso simplesmente acionar um interruptor e vamos tomar um chá?

Ele a olhava em silêncio, espantado, pois ela tinha tocado exatamente no ponto que o torturava: ele não acreditava que podia ser bom, ser realmente bom, mas o fato de ela, justamente ela dizer que podia, o liberava de um peso enorme.

Quando ela falou na falta que sentia de um interruptor, ele riu um pouco e ela sacudiu a cabeça, meio sorrindo. Depois sem perceber caiu numa risada incontrolável. Socava o joelho com o punho e batia com a cabeça na poltrona, imaginando interruptores por toda a casa; ela também riu.

Ela soltou os cabelos e deixou-os cair sobre os ombros. Depois ficaram em silêncio, sem risos ou conversas, apenas o fogo ardendo e xícaras de chá fumegante em suas mãos; às vezes, ela se virava de modo a poder ver o fogo. E ele ficava observando seu perfil, a delicadeza de seu nariz e lábios, sentindo-se afinal perdoado. Dumbledore tinha razão: nunca permitiria que alguém fizesse mal àquela mulher.

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