Dumbledore abriu a porta que dava acesso à biblioteca e assim que entrou percebeu que os outros o encaravam, ele aparentava ser um homem de 40 anos, elegante e bem vestido. Embora a aparência não correspondesse à sua idade real, era sempre uma visão imponente e emanava uma aura de poder e bondade à sua volta. Sua entrada fez com que as conversas parassem e um silêncio cheio de uma expectativa nítida e franca se abateu sobre os bruxos que tinham vindo até ali para discutir como lutar contra o mal que Grindewald representava.
Dumbledore se colocou no centro da sala e disse numa voz forte e clara o suficiente para que os muitos bruxos presentes o ouvissem:
- Em meu nome e de Nicolau Flamel, eu lhes dou as boas-vindas e agradeço por aceitarem o convite de vir hoje à minha casa.
Um bruxo alto atirou para trás o capuz da capa, revelando uma hirsuta barba preta e uma calva brilhante, adiantando-se para sacudir Dumbledore num abraço caloroso.
-- Harvey Ridgebit! Que bom que veio. Como vão seus estudos sobre os dragões?
- Bem, meu amigo, muito bem. Criaturas fascinantes os dragões.
Dumbledore circulava entre os bruxos cumprimentando um a um.
- Idris Oakby, minha velha amiga, como vai?
- Não tão bem quanto você! Parece que o tempo não o atinge, meu velho amigo!
Dumbledore sorriu e olhou para Flamel de modo cúmplice.
- Carlotta Pinkstone, ainda lutando pelo fim do Código Internacional de Segredo em Magia?
- Sempre, tal como você, só que eu me exponho mais! - respondeu a bruxa por trás de seus imensos óculos.
- Cada um luta a seu modo, Carlotta, mas admiro seu esforço. Você está se tornando Famosa devido ao seu empenho em sua luta contra a Confederação Internacional do Estatuto de Discrição dos Bruxos, e, por dizer a Trouxas que bruxos ainda existem. Sabe Flamel a Srta. Pinkstone foi aprisionada diversas vezes pelo uso proposital de magia em lugares públicos.
-Acho que você e ela têm mais em comum do que imaginam. Deveria trazer Brianna aqui para conhecê-la.
-Talvez em um outro dia.
Carlotta observou o diálogo, curiosa.
-Quem é Brianna?
-A noiva trouxa de Dumbledore. -disse Flamel displicentemente.
-Mesmo!Seria realmente um prazer conhece-la.
-Era mesmo necessário lhe dar essa informação?-Sussurrou Dumbledore.
-Claro que sim, agora ela te considera realmente excêntrico o bastante para confiar no que vamos dizer. -Sussurrou Flamel de volta.
Flamel se afastou e em alguns instantes voltou trazendo pela mão uma bela bruxa loira e de porte atlético.
- Albus, essa é a Srta. Jocunda Sykes, famosa por voar através do Atlântico em uma vassoura. – foi a primeira pessoa a fazê-lo.
- Muito prazer Srta.
Olhando à sua volta, cumprimentou outros bruxos.
- Septmus, Úrico, Black e todos os outros presentes, por favor, acomodem-se.
- Meus amigos, todos nós sentimos os tremores que sacodem nossos mundos. Sim, MUNDOS - repetiu, em tom firme, - pois o mesmo desastre ameaça o nosso mundo e o mundo dos trouxas De modo que nos reunimos aqui para, juntos, deliberarmos sobre a ameaça que está diante de todos nós. - fez uma pausa e olhou lentamente ao redor da sala.
Como sabem, depois de um período de aparente quietude, Lord Grindewald está de volta. Ele começou a espalhar uma nova onda de terror na Europa, principalmente naqueles países onde o exército de seu assecla trouxa, Adolf Hitler, obteve o controle. Seu exército das Trevas tem causado medo a todas as famílias bruxas, em especial aos nascidos trouxas. Ele tem tentado coagir bruxos influentes dos países do Reich a se juntarem a ele, matando ou ameaçando as famílias dos que se recusam. Aqueles que se recusam a se aliar a Grindelwald não tem tido outra escolha além de fugir de sua pátria. Nosso grupo ajudou muitas famílias a emigrar para a Inglaterra, onde muitos já estão a salvo.
- Grindewald tem muitos aliados, conquistados pela força e pelo medo. As forças de Grindewald e as de Hitler já mataram e torturaram muitos trouxas e bruxos. E devem fazer ainda mais; o objetivo é desestruturar o mundo bruxo através da destruição e da calamidade, da dor e do ódio que leva aos trouxas. Ele sabe que estamos interligados e vai usar isso para atingir seu objetivo que é o poder.
- Ainda há muito que podemos fazer - disse em tom encorajador - pois, como certamente sabem já enfrentamos circunstâncias não menos terríveis e sobrevivemos até - hoje. – fez uma pausa, permitindo que um burburinho percorresse a sala.
- Por que o Ministério não se pronuncia oficialmente, porque não se divulgam os ataques no Profeta Diário? – Perguntou a bruxa chamada Íris. - Tinham a intenção de manter esse segredo para talvez se aliar a Grindewald?
Flamel tomou a palavra.
- Tornamos de conhecimento público os fatos de que dispomos à medida que os recebemos. Mas o Ministério é mais criterioso e quer evitar criar pânico ao proclamar um desastre que poderia não vir a ocorrer?
Dumbledore recomeçou.
- É claro nós sabemos a verdade e somos menos criteriosos que o Ministério e o Profeta Diário em divulgá-la, - disse sorrindo. -pois acreditamos que a verdade vai nos preparar para os tempos difíceis que chegarão também à nossa Ilha. - Esse foi, na verdade, o erro cometido muitas vezes no passado. Negar a verdade dos fatos até que seja tarde demais para agir, só restando a opção de reagir.
Alguns dos bruxos presentes ainda pareciam inseguros, mas a maioria começou a se abrir em sorrisos. Dumbledore não conseguiu conter um largo sorriso.
- Então que esta seja a nossa decisão - declarou Flamel, de novo assumindo o comando. - Os senhores voltarão para suas casas, famílias e amigos e darão conhecimento a eles desta notícia da maneira que acharem melhor e sempre que necessário, ajudarão nosso grupo na luta contra Grindewald e seus seguidores, façam os preparativos necessários. Não entrem em pânico, mas ninguém deve se desfazer da sua segurança e tranqüilidade desnecessariamente.
Alphard Black se afastou em direção às sombras e ficou contente por poder se deixar cair numa cadeira perto da porta e passar despercebido; estava terrivelmente cansado, dividido e confuso. Admirava Dumbledore, mas ao mesmo tempo sentia uma raiva surda ao vê-lo com Brianna.
Olhou à sua volta, duas dezenas de bruxos ouviam Dumbledore com atenção, e depois dessa reunião outros viriam se unir a eles. A expressão no rosto deles era séria, sombria - sabiam o que estava por vir. Black percebeu também no rosto dos outros, uma apreensão crescente à medida que Dumbledore falava.
Fechou os olhos e sua mente voltou à noite dos massacres. Via-se de novo nas ruas de Berlin e havia corpos, sangue e gritos por todos os lados.
Deixou a biblioteca em silêncio, perseguido pelas lembranças daquela noite. Vagou pelos corredores escuros sem rumo, a biblioteca ficava no térreo e Black imaginou que Brianna estaria num dos quartos do andar de cima. Subiu as escadas sentindo-se um traidor miserável, mas pensar nela iluminava sua alma e precisava ver se ela estava realmente bem.
Silenciosamente seguiu pelo corredor; contemplou calado a porta entreaberta.
- Ela está ali. Tem de estar.
Logo avistou Brianna pela fresta da porta, parecia adormecida o cabelo se espalhava sobre o travesseiro e as dobras do vestido formavam uma composição charmosa.
Sem pensar, entrou no quarto e ficou observando a moça adormecida.
Brianna não dormia estava deitada, olhando para a janela, observando a camada de gelo que se grudava nas vidraças. Viu o reflexo de Black parado a observá-la.
Ela não chegou a se mexer. Tinha os joelhos encolhidos junto ao corpo, e seus braços envolviam as pernas como se estivesse com frio. Ela podia sentir o desejo que emanava do olhar do rapaz e tentou tornar sua respiração lenta e regular, fingindo dormir, numa vaga esperança de que ele fosse embora.
Black se ajoelhou e repousou a cabeça contra a cama; ficou quieto inalando o perfume do corpo dela, mesclado com o cheiro de pele limpa, de banho recém tomado. Aproximou o rosto dos cabelos da moça e depois se afastou, cruzou os braços e, chorando em silêncio, pousou a mão na cabeça dela.
Ela estava sem saber o que fazer, sozinha ali com aquele bruxo. Seu coração batia acelerado num misto de medo e confusão.Resolveu encarar o problema, e como num sonho ela se voltou e olhou diretamente para a figura sombria de Black, com os cabelos desalinhados e olhos tristes.
- Devo gritar? Você vai me atacar de novo? - disse suavemente.
Ele pareceu ficar constrangido.
- Não. Não vou lhe fazer nenhum mal.Isso não vai acontecer novamente. Pode me evitar. Pode ter medo de mim. Eu mereço isso.. Fui um monstro com você e peço perdão.
Ela então se recostou na cama e tentou avaliar sua sinceridade.
- Ainda não. Sou grata pela sua ajuda hoje, mas ainda não posso perdoar você pelo que fez.
Ele a olhou com um olhar cheio de desejo e dor e ela se retraiu um pouco ante a força daquele olhar.
- Posso segurar sua mão por um instante? - perguntou subitamente, fixando os olhos nela de um modo quase hipnótico e enviando um apelo que fez com que ela se comovesse involuntariamente.
Ela o olhava atordoada enquanto ele tomava suas mãos e as beijava rapidamente, depois enterrou o rosto no colo dela permanecendo imóvel. Ela estava absolutamente confusa e tonta, olhando estupefata, observando a massa de cabelos escuros e suaves, sentindo o rosto pressionando suas pernas. .Não pôde evitar pousar a mão com ternura e compaixão sobre a cabeça indefesa de Black, que estremeceu com aquele toque. Ele então ergueu os olhos tristes e brilhantes, beijou-lhe novamente as mãos e se afastou até a porta, de onde ficou olhando em silêncio.
- Peço apenas que não me odeie.
- Está bem, eu não o odeio Sr. Black, não mais.
Ele sorriu.
- Você é incrivelmente bondosa... Comigo. Obrigado e boa noite.
Desceu as escadas e voltou à Biblioteca.A reunião já havia acabado e ao abrir a porta deparou-se com os olhares da Brigada de loucos que o esperava.O olhar de Dumbledore era o que mais o incomodava.
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