Grindewald não se escondia em uma masmorra úmida, mas em castelo situado, numa região de clima ameno e saudável.
No topo de um monte rochoso com portões ladeados por duas altas torres sombrias. Passando os portões chega-se a uma ampla área verde, cercada de árvores e com um jardim bem cuidado, onde há uma fonte cuja água brilha aos últimos raios de sol.
Cercado pelos altos muros, no centro do jardim, está o prédio principal que, ao contrário, do restante dos prédios do castelo, surpreende pela sua cor luminosa e clara, levemente rosada.
A família Grindewald é proprietária do castelo desde o século XV, e ele é magicamente protegido contra trouxas e bruxos bisbilhoteiros, sendo visível apenas aos seus convidados.
Lord Grindewald era um bruxo de rosto bonito, com cabelos negros e penetrantes olhos azuis e tinha o porte e a confiança de alguém que jamais duvidava de seu direito de comando. Havia alguns fios prateados em suas têmporas, que não afetavam a impressão de força que ele transmitia.
Há muito tempo Lord Grindewald tinha aprendido que às vezes era útil controlar sua impaciência natural.
Odiava falhas e punia seus servos duramente , é claro, mas quando precisava seduzir e encantar algum novo discípulo era afável e gentil.
Abraxas Malfoy já não se enganava com a aparência bela e suave do castelo nem com o jeito afável de seu senhor. Ele sabia que, muitas vezes, algo parece uma inocente flor, quando, na verdade, é uma armadilha onde serpentes se escondem. Entrou no Grande Salão e ficou olhando por muito tempo para seu próprio reflexo sombrio no espelho acima da lareira, com a minúscula luz vermelha do cigarro lembrando um vaga-lume no escuro. Havia voltado ao Castelo sem pressa, para relatar seu fracasso e esperava pelo castigo que iria receber com resignação. A luz suave da lua banhava a noite à sua volta. Ela brilhava nos espelhos e quadros que decoravam o ambiente e no seu rosto pálido de medo. Um pequeno estalido. Uma porta que se fechava? E o ruído de passos suaves revelou a presença de Grindewald parado imponente na entrada do salão com seus olhos azuis e frios fixados no rapaz, ao vê-lo, o jovem Malfoy se ajoelhou.
-Mestre. Eu falhei.
-Sim Abraxas Malfoy, você falhou.
Disse Grindewald sentando-se numa cadeira em frente ao rapaz.
- Falhou por que tentou pensar sozinho.
Malfoy suspirou e remexeu-se tentando encontrar uma posição mais confortável.
-Quais foram suas ordens?
Pediu num sussurro gentil.
-Repita-as para mim, por favor.
-Eu devia observar a trouxa Brianna Doyle, encontrar Alphard Black me reaproximar dele e traze-lo até aqui.
Abraxas inclinou-se um pouco para frente. Sabia que o melhor que tinha a fazer era manter-se em silêncio.
-Muito bem Abraxas,em algum momento eu lhe disse que deveria atacar a trouxa que Alfardo e Dumbledore amam?
A voz de Grindewald era suave e ele parecia maravilhosamente plácido. Abraxas Malfoy tremia visivelmente.
-Não meu senhor. Eu apenas pensei...
Abriu a boca para explicar; depois pensou melhor e se calou.
-Você pensou?
Grindewald riu o rosto cheio de uma súbita maldade.
Não pense meu caro, você não foi feito para isso.
-Ela é apenas uma trouxa, meu senhor.
Disse do modo mais neutro que conseguiu, mas sentiu um leve arrepio de perigo.
Grindewald apontou a varinha para Malfoy com um movimento elegantemente displicente e imediatamente o rapaz caiu se contorcendo de dor.
-Será que não lhe ensinei nada?? Os trouxas tem sua própria magia, seu próprio poder, não os despreze. Quero Alphard Black ao nosso lado, ele é jovem, esperto e vem de uma longa linhagem de sangue puro. Não acha meu jovem e tolo amigo que se matarmos a mulher que ele ama ele será mais difícil atraí-lo?
Malfoy não podia responder, estava ofegante no chão se recuperando do ataque.Todos os músculos do corpo doíam .
-Agora escute com atenção, volte ao Black, traga-o até mim e não falhe desta vez. Você está autorizado a trazê-lo a força se não tiver inteligência o bastante para agir de outro modo, mas eu o quero vivo.
Lord Grindewald caminhou até Abraxas e ergueu sua cabeça segurando-o pelos cabelos.
-Quanto à moça, Dumbledore a ama e isso será útil a mim.
Algo nos modos de Grindewald revelou a Abraxas que a jovem trouxa corria um perigo mais mortal agora que quando estava sob a mira de sua varinha.
Lord Grindewald largou os cabelos de Abraxas.
- Mantenha-se longe dela entendeu?- E acrescentou desdenhosamente - Eu decidirei quando, como e se ela vai morrer.
-Sim meu Senhor.
-Agora saia da minha frente.
Dispensou o rapaz com um gesto displicente.
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