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8. Just the way you look tonight.


Fic: Sorvete de limão


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Era inverno e Brianna estava imensamente triste. Ela saiu do apartamento e assim que pisou do lado de fora, foi devorada pela escuridão do céu de Londres. Ainda chovia. Meio confusa, olhou para o relógio: eram 16h37 de um dia cinzento que aliado à chuva e ao vento cortante contribuía para que ela se sentisse mais triste.

Os trens com as crianças, os Kindertransports como eram chamados, começaram a chegar. As crianças eram colocadas em vagões lacrados e enviadas primeiramente para a Holanda e a seguir para a Inglaterra. A maioria jamais veria suas famílias novamente, Brianna sabia. As crianças seriam distribuídas pelos lares, escolas, fazendas e orfanatos por toda a Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda. Brianna se cadastrou para receber uma delas, mas ainda não tinha recebido resposta.

Albus estava em Hogwarts, estava em casa. De vez em quando ele escrevia, mas eram bilhetes esparsos. Provavelmente ele ficaria na escola para o feriado de Natal. Brianna mantinha uma distância escrupulosa de qualquer coisa que lembrasse o mundo bruxo, embora inevitavelmente ela reconhecesse um deles andando pelas ruas de Londres.

A cidade oscilava entre uma euforia enlouquecida e uma tristeza soturna. A guerra estava chegando cada vez mais perto da Ilha e todos sentiam. E ela mais do que os outros, pois sabia que eram na verdade duas guerras.

Precisava de um novo trabalho, já que não tinha coragem nem vontade de voltar ao trabalho anterior e arriscar um encontro com Black. Pretendia ficar dentro do mundo trouxa e longe dos bruxos, com exceção de Albus.

Brianna parou em frente a um pequeno e bem sucedido bar de jazz, no bairro de Shoreditch. O lugar era administrado por um casal completamente trouxa. O dono tinha por volta de 30 anos e aparentava ser bem sucedido e bem casado. Isso a deixava mais segura. Queria uma vaga de garçonete, mas ele insistia em que ela fizesse um teste para cantora e isso a deixava positivamente nervosa.
Ela entrou e cumprimentou Thomas e sua mulher Vivian.

- Olá. Estou tão nervosa! Acho que seria melhor garçonete do que cantora.

- Tudo bem querida, se acharmos que você não serve para cantar você já tem garantida a vaga de garçonete - disse Thomas sorrindo.
Brianna acenou para o pianista e começou a cantar a música que haviam combinado antes.

Some day, when I'm awfully low,

When the world is cold,

I will feel a glow just thinking of you...

And the way you look tonight.

Yes you're lovely, with your smile so warm

And your cheeks so soft,

There is nothing for me but to love you,

And the way you look tonight.

With each word your tenderness grows,

Tearing my fear apart...

And that laugh that wrinkles your nose,

It touches my foolish heart.

Lovely ... Never, ever change.

Keep that breathless charm.

Won't you please arrange it ?

'Cause I love you ... Just the way you look tonight.

Mm, Mm, Mm, Mm,

Just the way you look tonight.

Thomas e Vivian bateram palmas e disseram em coro:
- Contratada!
Pronto. Brianna tinha um novo emprego, e bem longe de bruxos e bruxas. Ao menos era o que ela pensava.


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Janeiro de 1939

Alphard Black acordou meio confuso, sem se lembrar exatamente onde estava. Olhou em volta e viu uma mulher bonita dormindo ao eu lado, passou as mãos pelos cabelos escuros, longos e emaranhados. Estava nu na cama, com uma tremenda dor de cabeça, sentindo-se mais ou menos como um caco. Alguma coisa na qualidade da luz lhe dizia que era tarde.

O quarto estava congelando, literalmente: havia uma fina camada de gelo na parte de dentro da janela. Os lençóis ao seu redor estavam rasgados. A noite parecia ter sido animada, pena que ele não lembrava de nada. Pensou em ficar na cama até a semana seguinte, mas queria sair antes que a mulher acordasse - seria embaraçoso confessar que nem ao menos lembrava seu nome.

Seguiu aos tropeços até o banheiro do apartamento. No pequeno espelho viu um bruxo de aspecto lastimável.

Tentou arranjar melhor os cabelos, seu rosto estava cinzento e encovado.

Precisava parar com aquilo.

Vivia nos últimos tempos bebendo nos bares trouxas e dormindo com mulheres trouxas anônimas.

Vestiu-se, calçou as botas, pôs o casaco, localizou sua varinha e antes de sair do quarto cobriu a mulher adormecida e providenciou algum aquecimento.

Fora do prédio estava mais frio, sua respiração vaporizava. Havia uma camada de neve dura e imunda nas ruas; as nuvens prometiam mais neve. Alphard andou sem rumo e já era noite quando parou numa esquina onde havia um bar. Era um edifício atarracado, com pequenas janelas escuras, pelo qual ele tinha passado dúzias de vezes nas duas últimas semanas, mas ainda não havia entrado. Mas precisava mesmo beber, e além do mais, devia estar mais quente lá dentro. Abriu a porta - o bar estava realmente quente. Bateu a neve das botas e entrou.

Estava cheio de gente e de fumaça e cheirava a cigarro. Black reconheceu dois bruxos no meio da multidão de trouxas e não gostou. Preferia que fossem apenas trouxas. Pensou em sair, quando o barman ergueu os olhos para ele.

— Ei, que tal uma cerveja?

— Claro — disse ele se servindo da bebida oferecida.

Black virou a bebida de qualquer jeito, sem nem mesmo sentir seu gosto.

— Ressaca? — indagou o barman.

— Pode-se dizer que sim.

Serviu outro copo sem que Black pedisse.

— Vai ficar para o show?

— Que show?

— Temos uma cantora muito boa, uma ruiva com uma voz fantástica. Ela tem feito algum sucesso, não quer conferir?

Do lado de fora do bar, flocos de neve grandes haviam recomeçado a cair.

— Odeio a neve. Sua cantora ganhou mais um fã — disse Black.

Olhou ao redor, cumprimentou os dois bruxos e escolheu uma mesa ao fundo, bem distante deles. Sentou-se e inclinou a cadeira de modo que ela se apoiasse na parede.

A luz do palco se acendeu e iluminou uma figura conhecida.

Do lado de fora da janela, a neve caía , no palco a mais linda mulher que Black já vira e que povoava seus sonhos estava de pé no clarão, cantando uma música suave.

Black a fitava estupefato. Olhou de relance para os dois bruxos e afinal os reconheceu: eram dois colegas da Sonserina, dois idiotas, mas positivamente ligados às trevas. Black se recolheu às sombras e esperou enquanto a voz de Brianna enchia o ar e ele se sentia quase feliz.

Love walked right in and drove the shadows away

Love walked right in and brought my sunniest day

One magic moment and my heart seemed to know

That love said "Hello" though not a word was spoken

I can’t pretend
I’m sorry were apart
I can’t pretend

Desde a noite dos Cristais, saía sozinho e dava grandes caminhadas durante as quais passeava entre os trouxas. Vivia, porém, num estado de perpétua ansiedade.

Sentia uma atração apaixonada pelas mulheres trouxas, mas não sabia como lidar com esse sentimento. Não conseguia evitar a sensação de ser sempre um estrangeiro, um intruso entre os trouxas, era inevitável.

Black sabia que era atraente e mulheres nunca foram um problema para ele, sedução era uma arte que ele dominava bem.Bruxas ou não as mulheres em geral gostavam dele.Todas menos uma,Brianna.

Detestava-se por ter usado de magia para tomar Brianna. Nunca havia precisado agir assim antes, mas no período em que trabalharam juntos, ela sempre se esquivava de suas investidas e sempre perguntava sobre Dumbledore.Percebeu que ela amava o velho professor e por isso não cedia ao,até então,insuperável charme de Alphard Black.

Saber que era leal e apaixonada a fazia ainda mais desejável,se deixou levar pelo ciúme,pelo desejo e pelo orgulho ferido e agiu como um dos idiotas da sonserina que ele detestava tanto nos anos de escola.

Sonhava em tê-la de novo, mas sem magia. Sonhava com uma entrega total, um encontro de almas que apagasse aquela noite terrível. E esse sonho o enlouquecia. Vagava pelo mundo trouxa sempre no limite da embriaguês, dormia com mulheres estranhas de quem sequer chegava a saber o nome na tentativa de apagar da memória Brianna e ao mesmo tempo a procurava em todas elas.

Seus passos confusos o fizeram chegar ali, apenas para descobrir-se olhando para ela em silêncio, mergulhando nos seus olhos verdes grandes e inocentes, e procurando se embebedar na beleza do seu corpo jovem, nos seios perfeitamente modelados no vestido.

Seu rosto nas sombras parecia cheio de tristeza enquanto bebia sem parar.

Estava cansado de saber que no mundo dos bruxos as famílias são divididas, entre os considerados nobres e "sangue puro" - aqueles que por tradição não se misturam com os nascidos trouxas - e a ralé: os "traidores da raça", aqueles que não tem preconceito algum com os nascidos trouxa, ou os "sangues-ruins" - aqueles nascidos trouxas.

Os seus primos ruivos, os Weasley já eram classificados como traidores da raça pelo modo como sempre trataram igualitariamente todos os bruxos que conheciam "puros”, "mestiços" ou "nascidos trouxas".

Alphard gostava deles e começava a sentir certa vergonha do modo de ser e de agir dos Black. O lema da sua família: Toujours Pur ,o irritava profundamente, nem queria imaginar o que fariam se soubessem que nos últimos tempos andara conspurcando a pureza da raça com dezenas de trouxas e que trocaria de bom grado toda a tradição e fortuna pelo amor de uma ruiva específica.

I just can’t fool my heart
Though I make mine
My friends all seem to realize
Their smiles, that look in my eye

Fazia muito tempo que não punha os pés na antiga casa dos Black, a casa número 12, em Grimmauld Place, na cidade de Londres. Estava com alergia à casa de aparência velha, suja e sombria, preferia o pequeno apartamento que havia comprado perto do Regent’s Park.

Dinheiro não era problema para ele. Tinha um instinto natural para ganhar mais e mais dinheiro. Não despendia grande esforço nisso, era uma espécie de traço de sua personalidade, mesmo sendo muito jovem tinha muito mais dinheiro do que precisava e que poderia gastar, se a família o renegasse ainda assim poderia viver confortavelmente.

Deixou que seus olhos vagassem pelo bar e percebeu uma figura familiar andando devagar em sua direção. Era seu primo Abraxas Malfoy.

Black odiava seu modo sinuoso de andar que lembrava vagamente uma cobra. Malfoy tinha cílios louros quase invisíveis e sobrancelhas cerradas. O cabelo quase branco de tão louro.

Cumprimentou-o com um aceno de cabeça, torcendo para que seguisse seu caminho e o deixasse em paz. Mas contrariando suas expectativas Abraxas sentou-se na cadeira à sua frente roubando-lhe a visão do palco.

- Alphard Black, quase não o reconheci nessas roupas trouxas ridículas. - disse Malfoy.

Em seus lábios não aparecia um sorriso e seu olhar era duro e mal.

- Eu ao contrário, sempre reconheço o nosso pessoal, para poder me afastar mais rapidamente. Por que você veio?Não sabia que freqüentava bares trouxas.

Lançou um olhar gelado enquanto sorria e Malfoy o observava intrigado.

— É por isso que vim. Sua família está preocupada. — disse Malfoy, pousando a mão no ombro de Black. O tom de sua voz era quase gentil.
— Alphard - disse o outro -, você não deveria ter deixado sua casa e sua família desse jeito, embora eu entenda por que saiu. — disse olhando para Brianna. —Mas você sabe que nós nos preocupamos, somos uma família unida. Soubemos do seu probleminha em Praga e do seu… - fez uma pausa, e num gesto elegante apontou Brianna. — Digamos, interesse em trouxas ruivas e bonitas.
- Sabemos que essa trouxa específica o interessa. – sussurrou numa atitude cúmplice. —Você por acaso sabe que ela é amante de Dumbledore?

- É mesmo? Não fazia idéia. -Mentiu Black. —Em todo caso, preciso admitir que o Professor talvez tenha bom gosto. Ela é adorável.

— Sim, é mesmo muito bonita, estou aqui desde o início da apresentação e ela é realmente encantadora e eu realmente compreendo o interesse que despertou em você e no Professor Dumbledore.

Malfoy se afastou, indo em direção aos dois gorilas que o acompanhavam.

Eram dois idiotas consumados, efeitos colaterais de tantos casamentos consangüíneos em prol da pureza da raça.

Black também se afastou e se aproximou de um pequeno elfo escondido nas sombras.

-Olá, a quem você serve elfo?

-Sirvo ao professor Dumbledore, um grande bruxo e muito gentil com Moody.

-Imagino que sim. Moody,é esse seu nome? Creio que seu mestre o mandou aqui para proteger a moça ruiva, certo?

-Sim, Moody tem que proteger senhorita Brianna, mesmo que ela me mande embora,e ela já mandou Moody embora várias vezes.

Black sorriu.

-Vê aqueles bruxos, Moody?-O Elfo concordou com a cabeça. -Eles querem fazer mal a Srta. Brianna. São poderosos, estão em três e eu estou muito bêbado. Avise seu mestre, que vou ficar e tentar proteger a moça, mas seria bom ter algum reforço. Vá!!

O elfo sumiu num estalo.

Brianna estava terminando sua apresentação sua voz se derramava docemente e Black ouvia de olhos fechados.

I can’t pretend
I simply can't be gayer

Aplausos; a luz do palco se apagou e Brianna seguiu em direção da mesa de um casal trouxa, sumindo do campo de visão dele.

Black olhou em volta e os três bruxos também não estavam mais em seus lugares.

Vagou pelo bar procurando pela ruiva.

Viu Brianna mais adiante se despedindo do barman.

Ela percebeu que ele estava olhando para ela, e, à claridade uniforme da luz da rua, Black viu que seu rosto ficou pálido: ela estava nitidamente com medo dele.

”Perfeito, eu mereço esse olhar aterrorizado, por ter sido um perfeito idiota!"

Ela vestiu um casaco pesado, deixou o bar atordoada e um pouco entorpecida, simplesmente saindo pela porta aberta, sem olhar de novo na direção de Black.

Um cobertor branco parecia tomar conta de tudo.

Os flocos cintilavam e bruxuleavam, rodopiando indecisos entre a luz e as trevas; as árvores pareciam esqueletos negros contra o sombrio céu cinza de inverno.

Black a seguiu em silêncio, queria ter certeza de que os idiotas do bar não fariam nada contra ela, que eram apenas três bruxos idiotas perdidos na noite de Londres. Do lado de fora, flocos de neve grandes e molhados tinham começado a cair e fixavam-se nos cabelos e cílios de Black.

- Odeio neve. –resmungava, enquanto a seguia apressado.

Perto do bar havia algum movimento, pessoas iam e vinham, mas à medida que se aproximavam da Shoreditch Station não havia mais ninguém, ele ouvia o som dos passos apressados de Brianna ecoando pela noite.

De repente, os passos pararam e ele ouviu um e chegou a tempo de ver Brianna flutuando no ar quase vinte metros acima do chão, a cabeça sacudindo molemente de um lado para outro, controlada como uma marionete pela varinha de Malfoy que parecia se divertir bastante. Os dois gorilas que o seguiam riam extasiados enquanto incendiavam um prédio próximo. Brianna parecia apavorada.

Black fez o possível para se controlar e não fazer nenhuma bobagem, enquanto uma onda de raiva gelada tomava conta dele. Mas seu rosto permaneceu impassível.

For in the end
My tears give me away
Without you dear
I live a lie
I cant defend
I love you
And I cant pretend

- Que coisa doentia!-disse ele enquanto batia palmas. - É essa a sua idéia de diversão Malfoy ?A coisa mais excitante que pôde pensar?Você sempre foi um idiota!! Por que não me dá a mulher?Posso pensar em coisas mais interessantes para fazer com ela?

Black mal se mexia, temia que Malfoy deixasse Brianna cair. - Desça a garota e lute comigo.

-Porque faria isso? Lord Grindewald vai ficar feliz em saber que liquidei a amante trouxa de Dumbledore.

Black encolheu os ombros e, sorrindo, virou as costas.

-Já que acha que não pode vencer...

-É claro que posso derrotar você!!

Foi tudo quanto Malfoy disse.

Black gargalhou desdenhoso.

- Vai ser divertido.

Malfoy não respondeu, desceu Brianna e a jogou nos braços dos dois gorilas.

Voltou-se para Black e com rapidez berrou:

— Estupefaça!

Errou, e o jorro de luz vermelha passou raspando pela cabeça de Black, que gritou em resposta:

— Impedimenta!

Malfoy rebateu o feitiço, derrubando Black.

Antes que pudesse levantar Black sentiu uma dor terrível e caiu sentindo uma agonia insuportável.

Ele olhou para Brianna e com um grande esforço pôs-se de pé, cambaleou às cegas.

Apenas para ser atingido de novo e ouvir seus próprios gritos ecoando na noite.

Reunindo todo o seu poder de concentração, Black pensou: "EXPELLIARMUS!!"

Um jato de luz vermelha atingiu Abraxas Malfoy. Os dois bruxos que o acompanhavam soltaram Brianna e juntos dispararam feitiços estuporantes em Black, um deles o atingiu e ele caiu.

Malfoy apontou a varinha para Brianna e antes que o jato de luz verde a atingisse, um escudo prateado surgiu no ar à sua frente e refletiu a maldição.

Albus Dumbledore surgiu imponente, seu rosto branco e furioso. Ao vê-lo, Malfoy e os outros desapareceram rapidamente.

- Você está bem, Black?

Black assentiu com um gesto de cabeça e se levantou para ver Brianna, mas Dumbledore já a tinha nos braços e a observava preocupado.

-E você, minha menina teimosa?

- Sim - ela disse, tremendo tão violentamente que mal conseguia falar.

-Vamos sair daqui. Segurem essa chave de portal, por favor.

Eles obedeceram, e logo estavam viajando num redemoinho de cores e sons.

Dumbledore levou um silencioso Black e uma apavorada Brianna a uma sala precariamente iluminada.

Brianna pensou que seria ótimo que ele parasse de fazer aquelas coisas com ela. A maneira pouco convencional de viajar de Dumbledore a deixava completamente desorientada.

A primeira visão chegar ao aposento foi um escuro medonho e temível. Apenas um mar de escuridão a frente dos três. Dumbledore fez um gesto e a sala se animou com luz que ele invocou e o fogo que surgiu na lareira. Havia uma altíssima estante abarrotada de livros e num armário que estava entreaberto via-se uma bacia de pedra, com um líquido prateado que emitia uma luz espectral nas paredes.

-Bem vindos a minha casa.

Na sala Nicolau Flamel os esperava. Olhou para os três, demorando um pouco mais o olhar no rosto visivelmente assustado de Brianna que permanecia quieta envolvida nos braços de Dumbledore.

-Dumbledore meu amigo, o que houve?Vim para a reunião que havíamos combinado e um elfo confuso me explicou que você tinha problemas urgentes a resolver. Resolvi esperar.

Dumbledore inclinou sua cabeça fazendo uma pequena reverência.

-Flamel que bom vê-lo, creio que o jovem Black ficará feliz em explicar.

Ele parou, deu um suspiro longo e lento, e depois continuou.

-Mas agora tenho que cuidar de Brianna. Volto para nossa reunião, fiquem à vontade.

Dizendo isso ele a pegou no colo, levantou-a como se não pesasse nada e saiu rapidamente pela porta aberta da biblioteca.

Sob aquela luz, os cabelos ruivos da moça brilhavam como chamas. Black observava o modo como o corpo de Brianna se ajustava ao de Dumbledore numa intimidade que ele invejava. Ela estava linda, mas não tinha consciência da sua beleza, nem a estava usando para deslumbrar Black, ele queria trocar de lugar com o outro e ser ele mesmo o responsável por confortá-la ou acalmá-la.

Alfardo lançou um olhar furioso em direção à Dumbledore. Era um olhar cheio de hostilidade declarada.

Flamel percebeu o olhar e hesitou por um segundo, antes de falar.

-O que aconteceu Black?

Black contraiu os olhos e quando falou havia um toque de amargor na sua voz e não ergueu os olhos para Flamel enquanto relatava os fatos da noite. Tinha o olhar perdido, e parecia estar mergulhado nos seus próprios pensamentos.

-Você agiu bem avisando Albus parece que você não teria conseguido protegê-la sem a ajuda dele. Não depois de tanto tempo bêbado.

Ao ouvir isso Black passou os dedos pelo cabelo. Formou um punho com a mão direita e depois a abriu, afastando bem os dedos. Flamel percebeu no seu rosto, algo de muito contrariado e desagradável. Raiva reprimida e certa ambivalência.

- Alphard você precisa controlar seus sentimentos ou eles podem destruir você?

Black o olhou ligeiramente embaraçado.

— Isso, menino, olhe para mim! Ouça minhas palavras.


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Silêncio no grande corredor. Ele abriu a porta devagar.
A casa estava às escuras, mas ele conhecia o caminho.
Brianna seguia em seus braços adorando a sensação de estar nos braços daquele homem, com uma das mãos mergulhadas nos seus cabelos macios.
É claro que tinha milhares de perguntas a fazer sobre o que havia acontecido, mas não agora, ela podia esperar e por isso se aconchegou nos braços de Albus fechando os olhos, enquanto ele a conduzia ao longo do corredor até o quarto, onde a depositou cuidadosamente sobre a cama.
Quando ela abriu os olhos viu que ele olhava, ansioso, para ela. Parecia frustrado, preocupado.
Depois de uns segundos de silêncio constrangido ela falou sem tirar os olhos dele.

—Sabe Albus eu poderia ter acabado com eles não precisava ter ido me salvar.

Dumbledore lançou um olhar cansado para ela, sorriu e passou a mão pelos cabelos ruivos de Brianna.

— Querida menina, você não tem nenhum poder do qual se gabar, a não ser seu jeito atrevido, sua voz e essa beleza. Qualquer um deles poderia ter reduzido você a pedacinhos.

-Mas eles... Eles ficaram com medo de você.

Os olhos arregalados dela examinaram o rosto dele em busca de respostas. Respostas que achava que não conseguiria arrancar.

-O que era aquele jato de luz verde do qual você me protegeu? O que aconteceria se tivesse me atingido?

- Era uma maldição, um feitiço muito potente chamado Avada Kedrava,e teria te matado instantaneamente.Graças à Black eu pude chegar a tempo e nunca poderei agradecer a ele o bastante por esse aviso.

Ela ergueu os olhos e olhou diretamente aqueles olhos azuis intensos e absorveu o que ele dissera. Uma onda de medo percorreu o corpo de Brianna. Ela tinha sentido o poder com que andara brincando, nessa noite ainda mais forte do que no episódio com Black.

— Acho que quando te conheci saí do meu mundo e entrei num outro assustador de onde tento fugir a algum tempo.

— É. E hoje você descobriu que não pode fugir mais.

— Mas por que eles estão atrás de mim?

—Na verdade a culpa é minha eu a expus demais, pensei que o fato de saberem que você estava sob minha proteção seria o bastante, obviamente não foi. Pensei que seria melhor e mais honesto em me mostrar como realmente sou e obviamente também não foi uma boa idéia. O ideal seria você nunca ter me encontrado.

- Isso é ridículo! Por favor, ouça o que está dizendo! Gosto muito de você.

Disse ela, numa voz baixa, rouca, surda.

— Bom — disse Brianna. —É tarde demais para voltar atrás.

Olhou para Dumbledore e deu de ombros.

— Afinal, ninguém nunca me acusou de ser uma pessoa sensata.

Ele sorriu e quando sorriu rugas delicadas se formaram em torno dos olhos azuis.

-Você deveria ficar com alguém mais jovem e menos egoísta que eu. Talvez alguém como o Black, apesar do que aconteceu em Praga, parece que ele gosta de você.

-E o que me importa!Eu gosto de VOCÊ e não dele, embora seja grata pela ajuda. Agora me console grande bruxo. Quase morri hoje e estou péssima. Não estou brincando.

Havia um brilho de lágrimas nos seus olhos. Ela fungou, dando a impressão de que talvez pudesse perder o controle. Desabotoou o vestido. E ele viu o sutiã muito branco, com suas taças de renda, bem como a pele macia e clara do estômago acima da cintura da anágua. As lágrimas escorriam num pranto silencioso. E então ela se jogou contra ele a abraçá-lo e beijá-lo.

— Brianna, não posso me demorar tenho uma reunião muito importante agora. Se você precisar de mim, estarei na biblioteca e Moody virá se você o chamar.

Disse ele, afastando-se relutantemente de seu abraço.

— Está bem grande bruxo, não se preocupe comigo, creio que vou ficar bem aqui.

Ele deu um longo suspiro, quase involuntário, e depois se voltou, afastando-se dela, atravessando de volta o corredor, mergulhando nas sombras para chegar à biblioteca, onde Flamel e outros bruxos estavam à sua espera.


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N/A Alguns esclarecimentos: Quando resolvi escrever essa fic precisei de antepassados dos personagens e pesquisei a árvore genealógica dos Black, encontrei o Alphard e me encantei pela idéia de ser ele um Black que renegava o lema Toujour Pour e pensei que seria interessante de usar já que há ainda a questão da perseguição nazista,mas para isso o envelheci em mais ou menos 10 anos já que as datas dadas pelo Lexus o colocariam com 11 anos em 39.Então nessa estória ele tem,para todos os efeitos entre 20 e 22 anos,idade semelhante à da Brianna.O mesmo vale para o SeptmusWeasley.Quanto ao Dumbledore ele seria mais jovem do que o Dumby dos livros mas ainda assim bem mais velho que Brianna e que o Alphard.Esclarecimento feito siga o trem...

Reclamações??

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N/A: A partir desse capítulo conto com o auxílio luxuoso da Mia,que vai ser minha Beta e tentar controlar minha pressa.Obrigada pela ajuda Mia e muitos beijos.

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