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7. A noite dos cristais


Fic: Sorvete de limão


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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As sinagogas em chamas, os rolos da Torá queimados, o barulho ensurdecedor de centenas de milhares de vidros estilhaçados, a dor e desespero de milhares de judeus continham um presságio: não havia mais esperança o terror não iria parar.

Era a noite do dia 9 de novembro de 1938 que entraria para a história como a Kristallnacht - Noite dos Cristais.

O grupo liderado por Dumbledore havia conseguido reunir mais alguns bruxos e bruxas e tentavam salvar algumas pessoas.
Mas a violência foi orquestrada com precisão.

Os SS colocaram grupos nas ruas especialmente para incendiar e destruir todas as sinagogas, misturados aos terríveis SS estavam muitos bruxos leais a Grindewald. Embora as sinagogas fossem o alvo principal da violência. Membros do partido nazista destruíram e pilharam casas e lojas.
Haviam recebido a mensagem de Úrico Tolce pela manhã, a mensagem os mobilizou imediatamente:
"Nas primeiras horas do dia, ouvi um barulho ensurdecedor, como se fosse uma onda se aproximando. Desci as escadas e, de longe, vi a multidão. Então, alguns judeus se aproximaram de mim e disseram: ‘Corra, esconda-se, eles estão matando judeus, invadindo, depredando e queimando casas’, Venham para Berlim talvez possamos ajudar algumas pessoas.”
Dumbledore e Black chegaram praticamente juntos.

Úrico correu até eles com a varinha em punho, os cabelos cheios de sujeira e a roupa rasgada.
-Invadiram a sinagoga, retiraram os livros sagrados, os rolos da Torá e os jogaram na fogueira, dançando ao redor delas...
Dumbledore e Black o seguiram correndo, desceram as escadas, tentando ver melhor o que acontecia... Tudo estava destruído... Havia pessoas que haviam sido surradas sangrando pelas ruas, outras cercadas por gangues e apanhando incessantemente, além de corpos estendidos no chão.

Móveis foram atirados pelas janelas, travesseiros destruídos e suas penas espalhadas pelo ar ou jogadas diretamente nas chamas.

Todas as lojas de judeus tiveram suas vitrines quebradas e os cacos de vidros inundavam o chão.
Black correu e atacou enfurecido um grupo de bruxos que se divertia torturando uma família trouxa.

Quando chegaram salvaram uma moça de ser estuprada.

Dumbledore ajudou a moça e Black se afastou embaraçado.

Úrico se juntou a ele e juntos expulsaram o bando. Era uma família Judia e estavam todos muito feridos. Black ajoelhou-se ao lado de um Senhor de cabelos brancos que parecia ser o pai.
— Deixe-me ajudá-lo.

O homem olhou para ele sem entender. Black pôs a cabeça do homem em seu colo, ele estava perdendo a consciência, seus olhos estavam injetados, seu rosto muito ferido.
- Dumbledore!!!- Gritou Black - reúna a família em torno de mim, apontou a varinha para um pedaço de madeira e murmurou Portus, levando-os para a casa de Flamel onde Perrenele os esperava.
O homem segurou a mão de Black com firmeza, ele segurou, cerca de meia hora mais tarde, o homem adormeceu e depois morreu.

Black o estava observando.

Viu quando aconteceu. O peito parou de se mexer, as pálpebras abriram-se ligeiramente e nada mais.
Black ficou parado olhando para o fogo imensamente abalado pela morte daquele trouxa desconhecido, horas depois quando os tumultos haviam terminado, os outros voltaram e sentaram-se igualmente calados frente ao fogo. Tinham resgatado uma quantidade ínfima de trouxas e bruxos.
Dumbledore tocou o ombro de Black, que se afastou bruscamente.
— Não quero nada de você! — respondeu furioso. — Posso ficar bem sozinho.

Ele fez menção de passar, mas Dumbledore segurou seu ombro, e aquela mão tinha uma força surpreendente. Sua expressão era serena, quase imparcial. Dumbledore inclinou sua cabeça fazendo uma pequena reverência.
— Você lutou bem e fez o que pôde por aquele homem, não se culpe — disse.
Black acenou a cabeça embaraçado.

Dame Perrenelle entrou na biblioteca trazendo consigo uma bandeja de chá, um elfo trazia um carrinho cheio de comida. Flamel entrou a seguir.

- Fico feliz em informar que o restante da família que Black salvou está bem e já foram transferidos para um lugar seguro, junto com os outros que vocês resgataram.

Úrico Tolce serviu-se de chá e resmungou.

-É tão pouco! Não pudemos fazer quase nada!

Septimus Weasley jogou-se numa das poltronas e falou com a boca cheia de tortinha de abóbora.

-É melhor do que nada!!

Dumbledore estava de pé, na porta, lambendo distraído seu sorvete de limão.

— Acho que sim meu amigo. Não sei. Talvez seja, mas podemos fazer mais, devemos fazer mais.

Black permanecia calado, olhando para a lareira enegrecida. Seus olhos estavam pesados, assim como suas pernas. Ele lutava para permanecer de pé, agarrando-se ao consolo da lareira, estava arrasado. Mal ouvia o que os outros diziam. Seu pensamento vagou até Brianna, a imagem dela sorrindo o acalmava, era um pensamento seguro e feliz.
Despertou de seu devaneio com a voz de Dumbledore.

-Você quer um pouco?- disse ele e colocou algo gelado em suas mãos.

-O que é isso?

- Sorvete de limão, - disse enquanto mergulhava o dedo no sorvete e o lambia - Um doce trouxa que me traz pensamentos felizes.

Esguio e magro, cabelos vermelhos e desalinhados, Dumbledore tinha um jeito jovial de estudante. Apertava os olhinhos azuis enquanto observava Black.

À distância Flamel não tirava os olhos dos dois, ao mesmo tempo em que se despedia dos outros que saiam.

Black o observou furtivamente, sabia que ele era um habilidoso legilimente, e que devia saber que pensava em Brianna, mas não se importou.

— Então, você ainda é amigo dela, não é? Você a guardou em algum lugar seguro?

Passou a mão pelo cabelo e sorriu.

- Ela deve estar entediada, eu estaria!

Provou o sorvete e sorriu malicioso.

- Quanto tempo até ela odiar a gaiola dourada e a você Professor?

Dumbledore olhou para o fogo.

- Acho que fui seu amigo. Posso tê-la decepcionado. Não sei.

Havia um toque de amargor na sua voz, talvez mesmo de raiva. Depois, voltou a sorrir, simpático.

Black fez o sorvete desaparecer.

- Está bem obrigado pelo doce, mas agora preciso ir embora, já me diverti muito, faz tempo que não me divirto tanto, só mesmo a brigada dos loucos para me divertir assim. Deu alguns passos, se voltou,passou de novo a mão pelo cabelo e sorriu melancólico.

- Está tudo bem - disse-lhe. - De verdade. Está tudo bem. Deixe-a sair, eu prometo manter distância, não vou incomodá-la.

Dumbledore meneou a cabeça e Black se foi.

Dumbledore saiu em seguida, abriu a porta devagar, nem se deu ao trabalho de se despedir de Flamel.

Precisava pensar.

Dentro dele, havia um sentimento terrível, uma mistura de desconfiança e raiva, uma sensação de traição e perda.

Precisava conversar com Brianna, mas não tinha muito tempo para isso.

Precisava voltar à Hogwarts.
Sua mente estava totalmente vazia, incapaz de seguir adiante, de criar uma resposta ou um plano.

Aparatou no pequeno apartamento escuro, na cama iluminada pela vaga luz da lua Brianna dormia.

Parecia uma menina, os cabelos vermelhos espalhados pelo travesseiro, ao mesmo tempo em que tudo nela exuberante e sedutor.
Lembrou-se dos versos de Shakespeare e os recitou baixinho para si mesmo;

My mistress’ eyes are nothing like the sun
Coral is far more red than her lips’ red
If snow be white, why then her breasts are dun
If hairs be wires, black wires grow on her head:
I have seen roses damasked, red and white,
But no such roses see I in her cheeks,
And in some perfumes is there more delight
Than in the breath that from my mistress reeks.
I love to hear her speak, yet well I know
That music hath a far more pleasing sound.
I grant I never saw a goddess go;
My mistress when she walks treads on the ground

Ela se virou. Suas costas eram brancas e perfeitas. Decididamente linda, devia haver algo de mágico naquela mulher.
Mais cedo ou mais tarde, ela acordaria e se vestiria. E depois? Ele não sabia. Só tinha esperança de que ela não o deixasse sozinho.
Subitamente ela acordou meio assustada. O cabelo, em desalinho. O rosto ainda sem expressão, com o que restava do sono. Mas ainda assim era tão sensual, tão deliciosa.
— O que houve? — perguntou ele sorrindo. — Alguém entrou por aquela janela?
— Humm só você. — respondeu ela, com a voz sonolenta.

— Visitas noturnas são permitidas nessa prisão?

Olhou para ele e houve um leve toque de raiva nos seus olhos por um segundo, e depois algo irritado e atemorizante no seu olhar. Muito rápido.
— Vou cuidar desse assunto, reclamarei com a direção.
Ele sorriu simpático.
— Sabe Albus há momentos em que odeio você com todas as minhas forças — disse ela. — Quando penso no que eu sou para você e no fato de que me mantém aqui prisioneira e me abandona dias seguidos desse jeito?

Sentou-se na cama, os cabelos soltos sobre a camisola leve.

— Não me peça que o ame agora, seria tolice sua pedir.Odeio você, odeio Black e toda a Bruxandade.
Albus Dumbledore retesou-se levemente.
— Querido Albus você alguma vez já teve notícia de que a espécie superior, a espécie detentora de vantagens, fosse gentil com os que lhe eram inferiores. Pelo contrário, a espécie superior elimina a inferior. Não é isso o que acontece? Tenho lido muito e é isso o que tenho visto. Esse é o mundo de vocês! Olhe para nós, se esse fosse um relacionamento equilibrado eu poderia sair por aquela porta irritada e não voltar, mas não posso!Estou presa pela sua bondade, presa no seu amor, no seu senso de responsabilidade. Mas ainda assim presa!!
— É o que você quer? Sair por aquela porta e não voltar?—Ele perguntou, mas gentil e educado do que nunca. —Pode fazer isso agora mesmo, desfiz os encantos que te impediam de sair enquanto você dormia.
Ela o olhou meio surpresa e incrédula, mas ainda assim levantou-se, vestiu um casaco leve sobre a camisola, toda a proteção que precisava contra o frio, abriu a porta da frente devagar.
— Estou saindo para respirar. Volto mais tarde — disse ela rindo.
— Você deve estar louca se pensa que eu vou deixá-la sair assim no escuro? Ficou maluca?
—Fiquei!! —Acenou e ele viu apenas um borrão de cabelos ruivos sumindo pela porta. Ele sentiu uma fisgada de anseio por ela quando se afastou.
Brianna andou sem parar. Parecia que ela estava aproveitando sua liberdade.
A certa altura, virou à esquerda. E em seguida deu meia-volta e voltou muito depressa pelo mesmo caminho que vinha percorrendo. Era tarde e não havia ninguém na rua. Dumbledore quase deu um encontrão nela, de tão perto que ela estava dele. Ficou de frente para ela, e ela, assustada, afastou-se de lado. Quase tropeçou.
—Estou muito velho para brincar assim. —Disse Dumbledore. Se você não tivesse parado eu teria derrubado você. Diabos o que pensa que está fazendo andando por Londres sozinha de madrugada?? O que você pretendia fazer, Brianna?
— Já disse respirar!Não vou embora, Albus. Quero ficar. Eu estava brincando com você. — Ela não pôde deixar de sorrir. — Me leve de volta para o quarto. — A voz era suave.
Tomou-a nos braços, beijando-a. Aparatou de volta para o quarto.

Brianna sabia que havia um vínculo especial entre eles, um amor irracional, contra o qual não valia a pena lutar. Ela queria se misturar a ele num abraço infinito. Sabia simplesmente que o amava e que de fato dependia tanto dele que não conseguia imaginar a vida sem ele.
- Brianna, minha querida, não faça assim comigo. Você sabe que eu só queria de te proteger de tudo, como se isso fosse possível.

Acariciou lhe o braço com as pontas dos dedos. Ficou sério.

- Por mim te manteria mesmo trancada numa torre bem alta e segura, mas acho que você iria enlouquecer, me odiar de verdade ou as duas coisas juntas.
- E você acha que eu iria?

Ela encarou o, séria por alguns instantes depois riu.
- Sabe, acho que você é mesmo meio maluco... Que idéia! Quando penso, nesse período em que fiquei trancada aqui não entendo como agüentei tanto, me faça um favor Albus, beije, ame, proteja se quiser, mas não me prenda nunca mais!

-Está bem vou tentar, mas você tem de prometer tomar cuidado. Preciso voltar para Hogwarts, mas vou deixar o elfo a seu serviço.
Ela sorriu.
-A meu serviço? Ou como carcereiro?
-Digamos que você está em liberdade vigiada. É que eu me sinto responsável por você.
Albus segurou o queixo de Brianna e deu-lhe um beijo.
-Eu sei.-Ela disse sorrindo e se aconchegando em seus braços.-Querido ouça o que digo,amo você,mas não posso ficar vendo a vida da janela,presa num limbo entre os dois mundos.E por mais responsável que você se sinta não vai poder me proteger de tudo,então relaxe,volte para sua querida Hogwarts e quando sentir saudades venha me ver!

Ela se desfez da camisola num gesto lânguido.

- Hogwarts pode esperar um pouco mais.

Ele disse completamente encantado.


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Black saiu da casa de Flamel atordoado e cheio de dúvidas. Questionava todas as tradições que havia aprendido, questionava a necessidade de todo Black estar ligado às artes das trevas.

Seguiu pela Londres trouxa, caminhando sem rumo.

Viu à distância um grupo de pessoas que se amontoava em frente à uma casa de estilo vitoriano, e todas as janelas da casa estavam iluminadas.

Ele ouviu os berros agudos do saxofone, muito antes de chegar à escada da entrada. Não havia nenhum bruxo que ele pudesse perceber,então simplesmente entrou, abrindo caminho em meio a um verdadeiro congestionamento no corredor. Todos fumavam, riam e se cumprimentavam, sem nem notar sua presença.

A proximidade da guerra havia deixado todos ligeiramente histéricos. Black se misturou à multidão de trouxas, discretamente modificou suas roupas bruxas e se transformou num perfeito trouxa. E se sentia confortável em seu anonimato.

Estava a ponto de ir embora ,quando seus olhos foram atraídos pelos casais que dançavam diante das janelas da frente, havia uma mulher trouxa muito bonita dançando sozinha. Ela usava seda dourada, um vestidinho de nada, que mal lhe cobria os joelhos bem-feitos. Nos pulsos, usava delicadas pulseiras de ouro, tinha os lábios pintados de um vermelho ousado e enormes olhos verdes cintilando como pedras preciosas enquanto recebia o olhar de adoração de todos, sem nunca perder o ritmo da dança. Seus pequenos pés em frágeis sapatos de salto alto batiam impiedosamente no assoalho encerado e, jogando a cabeça para trás, ela ria deliciada, dando uma pequena volta, a requebrar os quadris, com os braços abertos. Seus cabelos longos e castanhos, densos e sedosos, haviam se soltado e ela interrompeu a dança para prendê-los. Foi quando o viu. Sorriu e o convidou para dançar, puxando sua camisa.

Ele não podia imaginar como as pessoas chegavam a conversar com todo aquele barulho. Ele mesmo não conseguia sequer manter a coerência do raciocínio. Mas achou ótimo, dançou e bebeu entre os trouxas. Depois se deixou levar pela bela morena até um dos quartos do andar de cima.

A casa tinha um corredor extraordinariamente longo e uma escada bem longa e reta. Ele contou uns trinta degraus, eram na verdade vinte e sete, mas ele estava bêbado demais para contar.

O segundo andar parecia estar inteiramente às escuras, e a escada estava deserta, embora dezenas de pessoas passassem acotovelando-se por ela na direção da sala iluminada no final do térreo. A garota ria sem parar, enquanto o arrastava escada acima. Ela abriu uma porta e entraram em um quarto em que havia uma majestosa cama de dossel.

Não trocaram uma palavra, ele passou seus dedos com carinho, pelo pescoço dela, e talvez seus polegares estivessem pressionados de encontro à garganta da moça. E então ele sentiu a fragrância da sua pele, muito sutil, agradável, calorosa. Debruçou-se e deu um beijo no seu rosto. Por um instante a imagem de Brianna surgiu diante dele, era ela quem sorria. Ele sabia que era só uma ilusão, mas estava bêbado demais para discutir. E então ela o enlaçou. Ergueu seu queixo e a beijou. Sentiu a pressão dos seus seios no seu corpo e sentiu seu calor e uma fonte de calor que parecia sair dos seus lábios. Levou-a até a cama e a tomou, sem feitiços, sem encantos, sem palavras. Seu vestido se abriu e lá estavam seus seios, uma deliciosa tentação. Segundos depois, estava arrancando as próprias roupas. Amando a desconhecida como se ela fosse Brianna, furiosa e apaixonadamente. Depois, saindo da cama, foi até a janela. A moça o abraçou e tentou puxá-lo de novo, mas a ilusão se desfizera, ele não a queria mais. Vestiu-se e desceu as escadas, confuso e tristonho, rapidamente alcançou a rua e afastando-se da multidão aparatou.


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N/A:

Os versos são do soneto 130 de Shakespeare e essa é uma tradução razoável:

Seus olhos em nada ao sol se parecem,
Seus lábios rubros, menos que o coral,
Se é branca a neve, os seios lhe escurecem,
Negro o cabelo, em fios de metal.
Vi rosas rubras, brancas, cor-de-rosa,
Mas nunca a face de rosas corada,
E fragrância há bem mais deleitosa
Do que o cheiro que exala a minha amada.
Gosto de ouvi-la falar, mas bem sei
Que a música apraz com mais perfeição.
Uma deusa a passar nunca notei,
Pois quando caminha ela pisa o chão.

Inda assim, o meu amor é tão raro
Como o que o desmente quando o comparo.

N/A:

Cerca de 1.400 sinagogas incendiadas e destruídas, cerca de 100 judeus mortos, milhares feridos, centenas desabrigados, casas e lojas destruídas, quase trinta mil judeus presos e enviados para os campos de concentração de Dachau, Buchenwald e Sachsenhausen, nos quais muitos morreriam, posteriormente. Além de centenas de milhares de cacos de vidro espalhados pelo chão. Este foi o saldo da violência indiscriminada contra a população judaica da Alemanha e da Áustria, no dia 9 de novembro de 1938, e que se tornou conhecida como a Kristallnacht - Noite dos Cristais - uma referência às incontáveis vidraças, janelas e vitrinas destruídas pelas tropas de choque nazistas e pela população alemã. Era um movimento orquestrado nas altas esferas do Reich, mais especificamente por Adolf Hitler e seu ministro da Propaganda, Joseph Goebbels. O terror da Noite dos Cristais foi apenas o começo do longo período de trevas que cercou o judaísmo europeu e no qual seis milhões de judeus foram assassinados pelos nazistas.
Os nazistas responsabilizaram os judeus pelos "distúrbios" e pela destruição ocorrida, determinando que a população judaica deveria pagar uma multa de 1 bilhão de marcos (cerca de 400 milhões de dólares). A multa implicava o confisco compulsório de 20 das propriedades de todo judeu da Alemanha. Além disso, o pedido de indenização por parte de judeus nas cortes de justiça foram anulados por um decreto oficial. Foram também anuladas as acusações de terem assassinado judeus contra 23 nazistas. Outros quatro acusados de terem estuprado mulheres judias foram expulsos do partido, pois era "necessário estabelecer uma distinção" entre delitos praticados por "idealismo" dos demais.
Os acontecimentos da Noite dos Cristais foram novamente usados para promulgar mais uma onda de medidas "legais" contra os judeus. A primeira aconteceu já no dia 12 de novembro, três dias após a expedição da ordem de confisco: as crianças judias foram proibidas de freqüentar as escolas alemãs.
A Noite dos Cristais foi um evento de enorme significado, que marcou a mudança da política alemã em relação à população judaica. Esta deixou de ser apenas uma opressão política e econômica para se transformar em uma perseguição física brutal abertamente implantada. Os eventos da Noite dos Cristais não deixavam dúvidas sobre dois fatos: judeus não tinham lugar na Alemanha nazista e os nazistas estavam prontos para derramar o sangue judaico, sem titubear. Estava aberto o caminho que levou à destruição de comunidades inteiras na Europa e à morte de seis milhões de pessoas - pelo simples fato de serem judeus.

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