Ela se deixou afundar na banheira de água quente, escondendo-se naquele mundo silencioso e tépido e ficou observando sua longa cabeleira flutuando na água, vendo o turbilhão ruivo à sua volta, tentando não pensar em Albus e no que tinha acontecido na cama com o outro bruxo.
Levantou-se e estendeu a mão para apanhar a toalha. Secou o cabelo com vigor, jogando-o para frente e então saiu da banheira. A camisola limpa e macia dava-lhe uma sensação de conforto e segurança.
Devagar, ela foi até a cama e sentou-se recostada à cabeceira; no chão ainda estavam suas roupas; ficou observando as sombras que dançavam no teto do quarto, tentando ver formas, desenhos na escuridão.
Não queria pensar.
Estava assustada. Era apenas humana, como poderia se proteger de seres poderosos e amorais como Black? O que aconteceu provava que Albus não poderia protegê-la. Será que todos os bruxos podiam devassar sua alma como Albus fazia? Ela não sabia.
Seus olhos estavam pesados e o sono veio logo.
Ela acordou sobressaltada, ainda era noite. Lentamente, seus olhos se acostumam à penumbra, o preto cedendo lugar ao cinza. E então, ela percebeu um vulto se aproximando nas sombras, e sentiu que mãos quentes a tocavam.
- Afaste-se de mim - sibilou ela e sentou ereta na cama.
- Sou eu, Brianna.
Albus lhe deu um daqueles sorrisos cheios de carinho e proteção que faziam com que ela tivesse vontade de correr para os seus braços, mas ela não se mexeu. Ficou olhando enquanto ele se aproximava dela.
- Está melhor, agora?
Ela chorava sem conseguir falar, sabia que ele podia entender o que ela estava pensando. Afinal o cobriu de beijos, saboreando o sal e a aspereza da sua pele e a delicadeza desajeitada das suas mãos.
- Você tem de acreditar que eu não queria, que eu lutei. Ma... ma... mas... eu não consegui resistir.
- Eu sei, eu compreendo. O que importa é que estou aqui e que você não está sozinha. Desculpe se demorei, se cheguei tarde. Tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo...
Afastando longos fios de cabelo que caíam sobre o rosto ela olhou em volta; não estava mais em Praga, estava em seu antigo apartamento de Ealing.
Ela sorriu, foi um sorriso frágil, mas ao mesmo tempo feroz.
- Você precisa parar de me seqüestrar desse jeito. E nem pense em alterar minhas lembranças, boas ou ruins, são minhas e eu tenho direito a elas - disse enxugando as lágrimas.
Ele também não conseguiu reprimir um sorriso. Abanou a cabeça e lançando-lhe um olhar muito azul e adorável, murmurou:
- Eu deveria ter percebido o que poderia acontecer. Deveria ter compreendido que não podia te deixar carregar toda essa responsabilidade.
- Albus, você apenas me deixou fazer o que eu queria fazer e aquele cretino do Black não vai me impedir de continuar fazendo. E você não vai me trancar em algum lugar supostamente seguro, agora. - Ela se levantou. - Não posso ficar fora disso tudo, gosto do meu trabalho, gosto de ajudar! – exclamou e pareceu assustada por um instante, com o rosto de repente vermelho e os olhos lacrimejantes. Então, ela pegou a mão de Albus e a apertou um pouco. - Preciso acreditar que posso fazer alguma coisa e você tem de acreditar que eu posso.
- Não sei - respondeu ele, num sussurro. - Não sei, não posso deixar que você se arrisque de novo, simplesmente não posso.
Começou a beijá-la com muita suavidade. Era como se não quisesse beijá-la contra vontade. Ele deu a ela todo o tempo necessário para se afastar. E é claro que ela não tinha a menor intenção de fazer isso.
A conexão entre eles era tão forte e Brianna estava tão entretida que não percebeu o movimento da varinha. Então alguma coisa, algum sexto sentido a fez olhar para ele. Por uma fração de segundo o mundo pareceu estar suspenso, fora do espaço, fora do tempo. Ela ficou inteiramente dócil e tonta, sua cabeça se inclinou e então tudo começou a girar.
- Não posso deixar você ir.
Uma voz como um beijo na escuridão. Não uma ordem, nem uma súplica. Algo íntimo como o pedido de um amante que ela não podia recusar.
Ela achou que sentia lábios tocando seu rosto, mas estava com tanto sono... Era como cair em nuvens de seda; os beijos dele eram tão gostosos.
Ela teve a impressão de estar sonhando quando ele a ergueu nos braços. Ele se abaixou para lhe dar um beijo e ela puxou o cabelo dele. Trouxe sua testa para perto e beijou-o na boca. Antes mesmo que seus lábios se afastassem, ela dormia.
Dumbledore a colocou sobre os travesseiros delicadamente. Depois chamou Moody, um elfo doméstico com grandes olhos tristes:
- Moody, cuide dessa moça. Explique que ela não pode sair e que se precisar de alguma coisa deve pedir a você. Pus proteções mágicas e apenas você pode entrar ou sair. Sirva a Srta. Brianna em tudo que ela precisar, menos se o que ela lhe pedir a ajudar a sair daqui. Entendeu?
Moody balançou a cabeça em confirmação e Dumbledore saiu apressado
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Logo ele seguia devagar e silenciosamente pelo corredor do velho prédio em Praga. Viu a porta da frente do apartamento aberta. Dumbledore entrou rapidamente, passando pela porta aberta e já estava bem perto quando Black percebeu a presença dele lá. O feitiço de Dumbledore o colocou para trás facilmente. Dumbledore olhava furioso para Black, que sorria.
- Você nunca mais vai se aproximar dela - disse simplesmente. - Você não irá sequer olhar para ela, se a encontrar, desgraçado. Se eu souber que a incomodou novamente, acabo com você!
Black gargalhou.
- Quer dizer que estamos com ciúme, é verdade? Devia guardar melhor seu brinquedo, Professor. Sejamos honestos, se você quisesse realmente me matar já teria matado.
Dumbledore estava de pé, sua expressão era serena, quase imparcial.
- Professor, devia ter me avisado que ela era sua propriedade e eu nunca a teria tocado. Não sabia que seu amor por trouxas ia além das razões ideológicas e políticas. Mas posso entender agora, ela é mesmo deliciosa.
A gargalhada de Black foi interrompida por um chute nas costelas, aplicado por Dumbledore.
- Eu não posso permitir que você a maltrate - disse Dumbledore, e ele parecia estar de novo furioso. - Ela não é um brinquedo!
Cada palavra era marcada por novo chute.
- Parece que você criou uma ilusão de que eu sou bondoso demais para matar você. Temo que esteja enganado, eu te mato calmamente, se você ousar se aproximar de Brianna de novo. Eu não tenho a menor intenção de ser bonzinho com você. Eu poderia matar você agora e fingir que nada aconteceu, é claro, mas prefiro bater em você tempo suficiente para esgotar minha raiva e, francamente, posso passar muito tempo com raiva - disse Dumbledore, mais educado do que nunca, mas agora com um ar de frieza em suas palavras.
Black se contorcia aos pés dele, cheio de dor. Dumbledore deu um último chute e apontando a varinha para um Black apavorado gritou:
- Petrificus totalus! Espero que demorem bastante para te encontrar aqui, Black.
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