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25. O néctar da maldade


Fic: Harry Potter e o Confronto Final


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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HAGRID ENCHEU AS QUATRO XÍCARAS que estavam sobre a mesa de sua cabana com a infusão de chá que acabara de fazer, despejando o que restou na chaleira em um caneco, que mais parecia um balde, para si mesmo. Rony estava sentado em uma das enormes poltronas que compunham a mobília do meio-gigante, enquanto tentava se esquivar de Canino, que insistia em lamber suas orelhas a todo custo, Gina, sentada ao chão sobre a pele encantada de uma enorme espécie de felino, estudava com grande interesse as mandíbulas da cabeça empalhada do animal enfeitiçado que, vez ou outra, tentava abocanhar as mãos da menina, enquanto Hermione, ao lado de Harry, ambos em pé e debruçados na janela que dava vista para a horta, dava seqüência a um longo interrogatório que se iniciara no dia anterior, logo após a viagem na penseira.
— Como assim um anjo, Harry? Anjos não existem! Não que eu saiba! Por que acha que era um anjo?
— Eu não disse que era um anjo, apenas disse que se parecia com um anjo, como os das estórias dos trouxas! – respondeu com um leve tom de irritação – Além do mais, foi só um sonho! Não sei porque está dando tanta importância para isto!
— Você já teve sonhos bem peculiares antes, Harry!
— Mas era diferente Mione, agora eu pratico oclumência antes de dormir, Lupin me ensinou bastante nas aulas que me deu na Mansão dos Black! Além disso, Você-Sabe-Quem não tem motivos para colocar bons pensamentos em meus sonhos.
— Tudo bem, Harry, mas... acho muito estranho você ter um sonho destes ao mesmo tempo em que um Patrono o observava dormindo!
— Porque não diz logo o que pensa, Mione? – interferiu Gina, escapando por um triz das presas da fera-tapete.
— Pois bem! Firenze não disse que, ao contrário dos Dementadores, os Patronos sugam a maldade das pessoas? Pois eu acho que era exatamente isso que estava acontecendo quando entramos na enfermaria, por isso Harry estava tendo um sonho bom: é o oposto do que sentimos quando nos aproximamos de um Dementador, não é?
— E que maldade você acha que ele poderia encontrar no Harry? – implicou a ruivinha, com os braços cruzados e uma expressão de desafio.
— Pelo que ficamos sabendo ontem, um sétimo da maldade de... Voldemort!
Rony deu um pulo da poltrona ao ouvir aquele nome, Canino correu assustado para o canto da sala onde ficava seu cesto de dormir, Hagrid engasgou com o chá que estava em sua boca cuspindo-o longe, e a bocarra do tapete felino agarrou a manga do casaco que Gina, distraída, deixou ao seu alcance.
Após um breve tempo em que Hagrid, Rony e Gina permaneceram fitando a fisionomia de Harry, meio que abobados, o garoto, que permanecera sustentando o olhar firme de Hermione, finalmente disse, enquanto desviava o olhar e se encaminhava em direção à ruivinha, sentando-se ao lado dela.
— Eu já pensei nisso... mas imaginei que pudesse estar errado! Então... o mal que atraiu o Patrono para Hogwarts... estava em mim o tempo todo?
— Bem... é só uma hipótese! Posso estar enganada, acho! – tentou animá-lo, mas sem muita convicção.
Gina abraçou o pescoço do garoto e escondeu o rosto em seu peito, Hagrid fez menção de dizer alguma coisa, mas foi silenciado por batidas à porta da cabana. Rony, que estava mais próximo, adiantou-se para abri-la, deixando entrar Lupin e Tonks, sendo que esta última, ao localizar Harry, atirou-se sobre o tapete para envolvê-lo num apertado abraço, tropeçando sem querer em Gina e derrubando-a de costas.
— Oh, Harry! – disse ela soluçando, entre lágrimas mal contidas – Nem sei como lhe agradecer... Muito... muito obrigado! – e apertou-o mais ainda, sob o olhar espantado da maioria.
— Ora, Tonks! – disse ele sem jeito – Não tem do que agradecer! Não é mesmo?
Mas Lupin já puxava a bruxa pelo braço e a trazia para junto de si, dando em seguida a mão para Harry e erguendo-o para em seguida também lhe abraçar fortemente: o homem estava muito emocionado e teve grande dificuldade para dizer algumas palavras:
— N-Na ver-verdade... s-sou eu q-quem tem de... lhe a-agradecer, H-Harry!
— Não entendo, Lupin! Do que estão falando? O que aconteceu? – perguntou intrigado.
— Você não faz idéia, não é mesmo Harry? Não faz idéia do que fez! – disse Lupin, recuperando-se um pouco, mas ainda mantendo o rapaz seguro pelos ombros.
— Não mesmo! De que se trata?
— Harry, ao matar Greyback, você quebrou a maldição que herdei dele! Agora sou novamente uma pessoa normal! Não sou mais um lobisomem!
A fisionomia de todos se acendeu, com alguns soltando pequenos gritos de espanto e felicidade, Tonks dava pequenos pulinhos no mesmo lugar, batendo palmas rapidamente, como uma criança que aguarda receber um presente. Harry finalmente soltou um largo sorriso e desta vez foi ele quem abraçou Lupin, que correspondeu efusivamente.
— Puxa vida, Lupin! Não tinha pensado nisso! Que... que maravilha! – disse.
— Ora Harry, qual a surpresa? Se existia alguém que poderia me dar este presente, só poderia ser você!
Todos se aglomeraram ao redor da dupla para abraçá-los e parabenizá-los também, sendo que Tonks entrou na fila várias vezes. Alguns faziam perguntas para Lupin, para certificar-se de que ele realmente estava livre da maldição do lobisomem:
— Como tem certeza? Já passou alguma lua cheia? – quis certificar-se Hermione.
— E o Gui? Será que vai abandonar os maus hábitos que adquiriu recentemente? – imaginou Gina.
Em meio à algazarra que se formou, novas batidas se fizeram ouvir à porta, Hagrid adiantou-se para atender e deixou entrar Firenze, que trazia um bilhete à mão e, após cumprimentar os presentes, dirigiu-se a Hermione, mostrando-lhe o pedaço de papel:
— A Srta. Granger me convocou para uma reunião aqui! Posso saber do que se trata?
— É verdade! – disse Lupin, tirando um bilhete idêntico do bolso – Também recebi um!
— Bem, é que temos uma nova informação e, assim que a professora Minerva... – Hermione começou a explicar, mas foi interrompida pela chegada de Minerva McGonagall, que também recebera a convocação e juntou-se ao grupo.
Hagrid buscou um banco de madeira no quintal e, após posicionarem as cadeiras e poltronas junto a este numa espécie de círculo, Hermione, com a ajuda forçada de Harry – que não se sentia bem em conversar aquele assunto diante de tanta gente – explicou toda a estória das horcruxes, a destruição delas e de como ficaram sabendo que o próprio Harry era portador da última parte da alma de Voldemort (desta vez, somente Rony se queixou ao ouvir o nome ser pronunciado) que não pertencia ao seu próprio corpo.
— Deixe-me ver se entendi direito: – interrompeu Firenze neste ponto, e que era o único que permanecera em pé, por sua condição de quadrúpede – Voldemort, ciente da profecia ouvida por Snape de que seria derrotado provavelmente por aquele menino, apesar das horcruxes que havia criado, resolveu transformar o próprio Harry em uma horcrux, assim de nada adiantaria ele matar Voldemort, pois ele próprio continuaria vivo e com um pedaço da alma do Lord das Trevas sem ser destruída, confirmando sua condição de imortal. Além disso, Voldemort sempre desejou criar suas horcruxes com um objeto de cada um dos fundadores de Hogwarts, e como nunca conseguira nada da Grifinória, nada melhor do que um legítimo descendente de Godric Gryffindor.
— Então ele pesquisou as famílias das crianças que se encaixavam na profecia e descobriu que Harry era o último descendente da estirpe de Gryffindor, por parte da mãe. Por isso ele o escolheu para “marcá-lo como seu igual”. – completou Lupin.
— Sim! – concordou a professora Minerva – E, por uma macabra coincidência, Você-Sabe-Quem era o último descendente de Salazar Slytherin: repetindo-se o confronto que afastou o bruxo de Hogwarts e deu início a uma nova era de adoração das artes das trevas.
Após o burburinho que esta última parte da narrativa causou, e dos olhares de pena e compaixão que foram dirigidos ao rapaz, Hermione expôs sua teoria de que este era o motivo do Patrono estar sendo atraído para Hogwarts: a enorme fonte de maldade que a horcrux viva de Voldemort guardava e, se não poderiam usar esta circunstancia como uma arma em seu favor.
— Sua teoria é muito inteligente, Srta. Granger! – disse o centauro, fazendo uma pequena reverencia para a menina, que enrubesceu – Eu pressenti isto na noite passada: as estrelas me disseram que um indivíduo inocente poderia ser sacrificado pelo mal que carregava, inconsciente... mas, nunca deduzi que poderia ser isto!
— Vocês não estão pensando... digo... não, não podem estar pensando isto! – Hagrid se levantara e mostrava uma expressão mista de incredulidade e cólera – Quero dizer... não pretendem entregar Harry ao... ao Patrono... para... para ele sugar a sua alma... digo... a alma do... do... V-Vol-Voldemort!
— Creio que isto seria muito arriscado, Hagrid! – tranqüilizou-o Lupin – Não podemos garantir que isto não matará Harry!
— Mas é a única coisa que pode ser feita! – manifestou-se Harry, finalmente.
Novamente uma silenciosa troca de olhares ocorreu entre os presentes, ninguém ousava falar, pois no fundo sabiam que uma atitude devia ser tomada para reverter a vantagem recém-descoberta do Lord das Trevas, e deveria ser uma atitude drástica.
— Os Patronos habitam o coração da Floresta Proibida! – disse Firenze, finalmente quebrando o silencio – Eu me ofereço, Harry Potter, para acompanhá-lo até lá e descobrir quais as intenções daquela espécie para com você. Então decidiremos qual a melhor atitude a tomar.
— Eu os acompanharei! – disse Lupin, levantando-se e jogando a capa rota para as costas, num gesto decidido – Acompanharei meu libertador até onde for preciso!
— Ninguém entrará na Floresta Proibida sem a minha companhia! – disse Hagrid, batendo com a mão no ombro de Harry e fazendo vergar o assento do banco tosco em que se encontrava.
— Obrigado, amigos! – disse Harry, levantando-se e apoiando cada uma das mãos no ombro de Lupin e no cotovelo de Hagrid (que era onde ele alcançava) – Mas não devemos perder tempo... Voldemort está quieto há muito tempo... e não deve ter gostado nada da derrota que sofreu na Albânia.
Hermione, Rony e Gina protestaram muito por não poderem acompanhar o quarteto nesta empreitada, mas acabaram sendo convencidos pelos argumentos de que aquela força-tarefa deveria ser composta pela menor quantidade de pessoas possível, para não chamar a atenção das criaturas que habitavam a floresta, especialmente na sua parte mais distante, e os indivíduos que compunham aquele grupo eram, sem sombra de dúvidas, os mais bem qualificados para o empreendimento.


No dia seguinte, bem pela manhã, os dois bruxos, o meio-gigante e o centauro, embrenharam-se na Floresta Proibida, e iniciaram a longa e perigosa jornada, em direção ao âmago da espessa mata, habitada pelas mais incríveis e perigosas criaturas que já se tivera notícias.
O singular grupo avançou pela estreita vereda que se formava entre os troncos centenários de carvalhos e mognos, Firenze ia à frente, orientando-se pelo olhar aguçado e, de quando em vez, levantando exageradamente a cabeça para captar algum odor específico com seu poderoso olfato, Harry e Lupin formavam um bloco intermediário, e Hagrid fechava o pelotão. Caminharam por cerca de três horas em direção ao coração da Floresta Proibida, seguindo a orientação do centauro, uma vez que estavam tão embrenhados na mata, que nem o mais tênue raio de sol conseguia transpor o manto imaculado formado pelas copas das árvores, para lhes servir como referência.
— Nunca tinha vindo até aqui! – comentou o meio-gigante – O lugar mais distante que adentrei na floresta foi o ninho de Aragogue, mas ficava mais ao norte. – disse, apontando o seu guarda-chuva cor-de-rosa para a sua esquerda, sem muita convicção.
— Estamos chegando próximo ao Riacho das Almas – informou Firenze –, nem mesmo os centauros costumam se aventuram além de suas águas, é onde habitam as criaturas das trevas.
— Deve ser um enorme banquete para os Patronos, hein Firenze? – alardeou o guarda-caça, aparentemente tentando minimizar o perigo ao qual se submeteriam em breve.
Harry sentiu como se uma bola de gelo preenchesse o espaço vazio em seu estomago: se as criaturas existentes na região “amigável” da Floresta Proibida já lhe haviam dado tantas más recordações, o que poderia ocorrer com as da região “perigosa”?
— Não pode ser tão ruim quanto pintam! – animou-o Lupin, parecendo ter lido os pensamentos do rapaz – Nem mais perigoso do que enfrentar um lobisomem... – concluiu com uma piscadela de olho.
Um pouco mais descontraído, Harry parou com o grupo às margens de um pequeno riacho que serpeava por entre um leito de rochas negras e desgastadas, mesmo ali era impossível de se ver o céu e, a olhar para o trecho de mata virgem que os aguardava na outra margem, até mesmo enxergar o caminho por onde seguir seria dificultoso.
— É melhor não nos demorarmos por aqui! – disse o centauro, ao mesmo tempo em que enfiava os cascos n’água, iniciando a travessia.
Hagrid encheu um enorme cantil que trazia preso à cintura e também invadiu o pequeno canal, oferecendo a ponta de seu guarda chuva para que Harry se apoiasse no trecho mais fundo, que atingia até os quadris do grandalhão. Ao terminarem de cruzar o espelho d’água, Lupin secou suas vestes e as de Harry e Hagrid com um largo gesto de sua varinha, realizando os três uma pequena carreira, logo em seguida, para alcançar Firenze, que parecia muito preocupado.
O centauro parou por diversas vezes no novo trecho que enfrentavam, explorando o vazio à frente e acima deles com as narinas dilatadas, chegando por algumas vezes a retornar por um pequeno fragmento de espaço percorrido e tomando outra direção logo em seguida.
— Nunca o vi tão preocupado assim! – comentou Hagrid com os outros dois companheiros – Hei! Firenze! – chamou em seguida – Tudo bem? – mas o centauro não lhe respondeu, levantando uma das mãos com o dedo em riste, pedindo silêncio.
O quarteto permaneceu estático e em silêncio por cerca de vinte minutos, durante os quais a criatura metade homem metade cavalo manteve as orelhas longas e pontudas alternando agilmente de lado a lado, enquanto suas narinas se mantinham em constante atividade, inalando e analisando cada aroma detectado e normalmente não captado pelos demais.
Lupin e Harry mantiveram as varinhas em posição de combate, aguardando o pior, mas, findo aquele período de profunda análise do ambiente, o centauro bateu os cascos algumas vezes no chão e anunciou:
— Podemos seguir agora... já se foi!
— O que era Firenze? – perguntou Hagrid, voltando à formação inicial pela picada.
— Não sei! – respondeu o outro sombriamente – Nunca havia sentido uma presença igual... tão maligna! Mas, seja lá o que fosse, se afastou para o leste.
Caminharam em silêncio por mais algum tempo que Harry não conseguiu determinar, mas deveria passar do meio-dia, pelo menos seu estômago lhe dava indícios disso, em um dado momento, sussurrou a Lupin se poderia acender sua varinha para se locomover melhor, mas o bruxo lhe fez um sinal negativo com a cabeça. Estavam no meio de uma subida mais íngreme, entremeada por grossos galhos desprendidos de sua origem pela ação do tempo e apodrecidos, quando Firenze estancou abruptamente. Harry parou em tempo de evitar pisar nos calcanhares de Lupin, e levantou a cabeça para verificar o que os detinha desta vez, quando percebeu, ao final do aclive, a figura extremamente branca que parecia emitir uma luz prateada, e que, para ele, demonstrava a imagem de um enorme cervo. O centauro olhou para trás e fez um sinal para que Harry de aproximasse, ele buscou o rosto de Lupin que assentiu com a cabeça, então, ganhou rapidamente o espaço que os separava e parou ao lado do professor de Adivinhação.
“Você é Harry Potter!” – ele ouviu uma voz dizer em sua mente.
— Sim... sou... – respondeu olhando disfarçadamente à sua volta para tentar identificar quem dissera tal frase.
“Tenho observado você, Harry Potter!” – a voz tornou a dizer. Só então ele percebeu que era o Patrono em forma de cervo que se comunicava com ele, aparentemente através do pensamento, ele deu uma rápida olhada para os amigos às suas costas, e percebeu que eles também entendiam o que a esplêndida criatura manifestava.
— Tenho o observado, também! – respondeu.
“Você me confunde, Harry Potter!” – continuou o Patrono – “Sinto uma enorme maldade em seu interior, o que atrai meu apetite, mas você vive cercado de bons e fiéis amigos, e os maus não têm amigos, apenas seguidores!”.
— Por isso vim procurá-lo! – respondeu “o Eleito”, avançando um passo – Quero que tire este mal de mim!
Houve um instante de silêncio, em que a estranha criatura pareceu sondar o íntimo do garoto, enquanto tomava uma decisão.
“O que você pede, Harry Potter, é uma tentação para mim!” – respondeu finalmente – “No outro dia mesmo, enquanto você dormia, eu me deixei dominar pelos meus instintos e, não fosse a intervenção do centauro, creio que teria acontecido o pior! Nós, os Patronos, temos a missão de disseminar o mal da face da terra, mas jamais poderíamos sacrificar uma criatura inocente para cumprir esta tarefa! Eu devo encaminhá-lo até o local sagrado em que habitamos, para que o Conselho de Sábios decida sobre o seu pedido!” – e, realizando meia volta, o impressionante ser fitou Harry, aparentemente aguardando que ele avançasse para seguí-lo.
— Obrigado! – Harry realizou uma pequena reverência – Gostaria que meus amigos nos acompanhassem, se permitir.
O alvíssimo cervo consentiu com a cabeça e, em seguida, embrenhou-se na mata, sendo seguido por Harry e, logo atrás, pelos demais.
Seguiram em fila indiana até o topo do monte, onde as arvores passaram a ter um espaçamento maior entre elas e que, devido à sombra eterna que dominava o lugar, não cresciam arbustos ou mesmo trepadeiras, sendo o chão coberto apenas por uma centenária camada de folhas. Neste ponto, Harry emparelhou com a criatura e perguntou-lhe:
— Firenze me disse que você é o líder do seu bando, por que precisa de permissão para fazer o que lhe peço?
A criatura virou a cabeça para ele e continuou a se comunicar pelo pensamento.
“Como líder do bando dos Patronos já há varias décadas, acumulei uma enorme quantidade de maldade em meu interior. Existem duas almas em você: uma maligna e uma benigna, eu posso lhe dar o Beijo do Patrono e sugar a maligna totalmente, mas como já estou no meu limite, me transformarei num Dementador, então você terá que me destruir, primeiro porque tentarei sugar sua alma boa, como todo Dementador se comporta, e segundo porque eu passarei a carregar o horcrux de Voldemort e ele deve ser destruído! Por isso devo consultar o meu Conselho: para saber se aceitar o seu pedido é a atitude mais correta!”.
Harry ficou impressionado pelo fato da criatura saber tanto sobre Voldemort e seus horcruxes, mas imaginou que, como a criatura se comunicava através do pensamento, ler a sua mente seria uma tarefa relativamente fácil para ele. Mais atrás, incomodado com uma dúvida que o atormentava há tempos, Hagrid perguntou:
— Todos estão vendo, não estão? Digo... a forma dele... é um dragão, não é?
— Não – respondeu Lupin –, é um lobo!
Após algum tempo, eles chegaram a uma pequena clareira onde, bem ao centro, havia uma enorme pedra de cor branca, com aproximadamente um metro de altura, e com seu formato lembrando uma espécie de mesa de grandes dimensões. No topo da abóbada criada pela copa das árvores, havia uma pequena falha, por onde a luz do Sol entrava em um facho que incidia exatamente sobre a formação rochosa. O Patrono parou defronte a espécie de altar e permaneceu imóvel durante algum tempo, então Harry percebeu que a parede vegetal que cercava o lugar começou a clarear, pois dezenas de criaturas, também muito brancas e soltando uma luz própria e prateada, se aproximavam de todas as direções. Harry e seus amigos puderam perceber, então, que eles tinham a aparência humana, exceto pelas enormes asas que saltavam de suas costas e os faziam deslizar suavemente sobre o tapete de folhas, enquanto seus cabelos longos e prateados pareciam flutuar, fustigados por uma brisa que não existia.
— São anjos! – exclamou Hagrid, não se contendo – Inclusive o que seguimos!
O bruxinho confirmou com o olhar aquilo que o guarda-caça havia dito: realmente, o líder do bando que os trouxera até ali, havia abandonado a aparência de cervo e tomado a sua forma real, idêntica à do sonho do garoto. As criaturas se aglomeraram ao redor da pedra branca e ali se mantiveram durante um bom tempo.
— Devem estar discutindo o pedido de Harry! – disse o centauro aos companheiros.
— Ouça, Lupin... – Hagrid começou a falar.
— Tudo bem, Rúbeo! Não se preocupe, não deixaremos nada acontecer ao Harry e... – neste momento, o Patrono que os acompanhara até aquele local, agora em sua forma natural, que lembrava muito os anjos venerados pelos trouxas, aproximou-se do grupo e comunicou-se pelo pensamento:
“Pois bem, Harry Potter, seu pedido foi aceito! Todos concordamos que Lord Voldemort representa uma terrível ameaça para o equilíbrio entre o bem e o mal e, sendo que uma pequena porção do todo, como eu, é dispensável, optamos por retirar do inocente a maldade que pretende perpetuar-se. Como sinto que esta será minha última ação como um Patrono combatente do mal, foi eleito um novo líder para me substituir, mas lembrem-se: quando eu me converter para o mal, meu novo instinto fará com que eu tente sugar a sua alma verdadeira – seus amigos devem impedir-me. E eu me transformarei na nova horcrux do Lord das Trevas, aquela que continuará mantendo-o como um imortal – seus amigos deverão destruir-me!”.
Houve um rumor de concordância entre todos, então os outros Patronos se afastaram para os lados, deixando uma trilha livre até a pedra branca. Harry avançou decidido até o pequeno altar e deitou-se, com o ex-líder dos Patronos se debruçando sobre ele.
— Agradeço pelo que fará por mim – disse ele à criatura –, mas sinto muito que isso represente o seu fim.
— Eu cumpro a minha parte naquilo que me foi designado, Harry Potter, espero que você cumpra a sua, quando chegar a hora.
E, abrindo sua boca, aproximou-a da boca do garoto: Harry sentiu seu corpo leve e confortavelmente entorpecido, o ar que enchia seus pulmões trazia aquele cheiro agradável de camélias do campo, que ele se acostumara a associar à presença de Gina, sentiu-se em paz e até um pouco eufórico, com ondas de contida alegria percorrendo seu corpo.
Os outros Patronos foram se afastando lentamente até sumirem novamente na escuridão da floresta, os dois homens se aproximaram do pequeno altar, sendo que Firenze se manteve mais à distância, então eles puderam perceber uma pequena nuvem de fumaça negra e muito espessa ir saindo lentamente da boca de Harry, que se contorcia sobre a laje, mas não aparentava estar sentindo dor, e foi sendo engolida gradualmente pelo Patrono.
Então, uma terrível metamorfose começou a ocorrer diante de seus olhos: o corpo branco da criatura foi coberto por um manto negro e esfarrapado, suas mãos claras e bem desenhadas tornaram-se enrugadas e sua carne apodrecida, surgindo enormes garras retorcidas nas pontas de seus dedos, seu rosto desfigurou-se completamente, com seus olhos, nariz e boca transformando-se num único e horroroso buraco negro, que continuava a tentar sugar o que quer que ainda existisse no interior de Harry.
A alegria virou tristeza, o perfume transformou-se num horrível fedor de podridão, e um frio intenso passou a tomar conta do corpo do garoto, causando-lhe terríveis calafrios. Lupin, ao constatar a transformação, apontou sua varinha para as costas do Dementador e disparou um potente raio vermelho – nada aconteceu, Hagrid disparou de seu guarda-chuva uma potente rajada cor de laranja – a criatura permaneceu inabalável. Agora era possível ver uma luz muito forte vindo de dentro da boca de Harry, a criatura das trevas estava tendo êxito em seu intento: a alma de Harry estava sendo sugada pelo terrível beijo do Dementador.
Lupin tentou mais uma vez e outra vez novamente retirar a criatura de cima do rapaz, com feitiços cada vez mais potentes, mas de nada adiantou, e o ser das trevas lançou seu longo braço em direção a ele, atingindo-o no peito e atirando-o longe. A esfera branca de luz que representava a alma de Harry já flutuava acima de seus lábios e dirigia-se para a bocarra do Dementador, quando Hagrid atirou seu guarda-chuva para o lado e precipitou-se em direção à criatura, atirando todo o peso de seu corpo num impacto extraordinário, que lançou o corpo podre a alguns metros de distância, libertando o rapaz de seu beijo e fazendo-o engolir novamente seu bem mais precioso.
Mas o Dementador recuperou-se rapidamente, dirigindo-se novamente para a pedra branca e atingindo também o grandalhão com seus potentes braços, então ouviu-se um zunido cortar o ar e uma flecha de prata atingiu a criatura maligna no meio do peito. O centauro, ainda na posição em que se mantivera, observou com seu arco em punho, o peito do Dementador abrir-se lentamente no local atingido, e de lá começar a vazar uma luz intensa, que foi se dispersando e enfraquecendo, enquanto o corpo da criatura murchava e se esvaziava, até restar somente o manto negro suspenso no ar e que desabou no chão logo em seguida, debaixo da seta de prata.
Lupin e Hagrid se levantavam para ir ver como Harry se encontrava, este que retornava de seu estado de inconsciência, quando, das vestes vazias do Dementador ergueu-se uma tira de fumaça escurecida em forma de serpente e, de sua boca escancarada, antes de se dissipar por completo, jorrou uma terrível luz verde que atingiu o peito do centauro, elevando seu corpo momentaneamente no ar para depois deixá-lo despencar no chão, sem vida.


Hagrid fez questão de cavar sozinho a sepultura de Firenze, ao lado da pedra branca, no centro da clareira, tendo colocado algumas pedras menores sobre a mesma para demarcar o local. Harry apanhou a flecha prateada com que ele atingira o Dementador e cravou-a na cabeceira do túmulo, ele também recolheu o manto negro da criatura das trevas e enfiou-a no Chapéu Seletor, que sempre levava consigo, preso à cintura, nenhum outro Patrono retornou à clareira enquanto os humanos permaneceram ali. Os três iniciaram, então, a viagem de volta, sem quase proferirem palavra.











Nota do Autor:
Fiquei muito chateado por ter perdido alguns
comentários dos meus leitores, para mim eles valem mais do que o capítulo
inteiro que foi deletado, mas tudo bem, já repuz o capítulo perdido e
mais um, pra compensar. Essas coisas acontecem e tenho certeza que o pessoal
do F&B fez o possível para colocar tudo em ordem no menor tempo possível.
Rufus Sorcerer

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