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2. Capítulo 2


Fic: Uma segunda chance para viver


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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No dia seguinte, Hermione acordou bem cedo para ir ao hospital. Queria ter tempo de conversar com o diretor sobre sua licença antes que tivesse que passar a ronda pelas enfermarias de sua responsabilidade. Se deixasse a conversa para a hora do almoço, talvez não mais encontrasse seu superior disponível.

O relógio sobre a mesa da recepcionista ainda marcava sete horas quando ela chegou ao seu destino. A moça, uma mulher loira e muito magra, que lembrava uma Luna sem a aura de birutice, a cumprimentou sorridente:

- Bom dia, dra. Granger. Chegando cada vez mais cedo, hein?
- Pois é, Liz, eu hoje quis vir antes para falar com o Dr. Shepard. Você sabe se ele já chegou?
- Sim, faz uns quinze minutos. É tão viciado em trabalho quanto você! – brincou a recepcionista.

Hermione riu e se despediu com um aceno, dirigindo-se em seguida diretamente para o escritório do diretor. Nem mesmo a secretária dele havia chegado ainda para trabalhar, então Hermione bateu duas vezes à porta, hesitante, com medo de estar sendo inconveniente. Ela ouviu-o murmurar:

- Entre.

O diretor do hospital era um homem de meia idade, que usava óculos de aro redondo e um vasto bigode que lhe conferia um ar severo.

- Perdão, senhor. Desculpe incomodá-lo tão cedo, mas será que posso ter uns dois minutos de sua atenção? – perguntou a moça educadamente, ainda parada à porta.
- Claro, srta. Granger. Sente-se. – a garota obedeceu, sorrindo aliviada – Só lamento não poder lhe oferecer nada, pois, como pôde ver, minha secretária ainda não chegou.
- Não se preocupe, senhor. Meu assunto é breve. Gostaria apenas de saber se existe a possibilidade de eu retirar uma licença por alguns dias no final da próxima semana. É que meu melhor amigo vai se casar em Londres, e eu gostaria de ajudar nos preparativos da cerimônia.
- Srta. Granger, me diga uma coisa. Que dia da semana é hoje?

A garota ficou desconcertada com a pergunta. Ele tinha começado o discurso tão sério que ela achou que ele iria negar de plano seu pedido. De repente, um questionamento aparentemente sem sentido.

- Sábado, senhor.
- E você virá trabalhar amanhã?
- Sim, tenho plantão de Domingo a cada 15 dias.
- Qual foi a última vez que a senhorita tirou férias?

Ela emudeceu, tentando se lembrar. A sua preocupação com os feridos de guerra era tanta que ela nem se importava com os dias de folga. Só descansava em alguns Domingos por insistência de Vítor, pois, se dependesse dela, passaria todo o tempo dentro do hospital. O diretor encontrou a resposta sozinho, ao retirar do arquivo a ficha cadastral de Hermione.

- Diz aqui que, desde que veio para cá, a senhorita tirou férias apenas uma vez, durante dez dias, entre o fim do curso de medibruxicina e o início de suas atividades profissionais. – o diretor então retirou os óculos e a olhou com um ar paternal – Sei que também não tenho sido nenhum exemplo em relação a isso, mas não acha que precisa descansar um pouco? Quero dizer, os pacientes não vão morrer se ficarem sem você... seus colegas podem substituir seus turnos como a senhorita já fez por eles muitas vezes...
- Eu... eu não sei o que dizer, senhor. – respondeu Hermione com um sorriso amargo, ao pensar que desperdiçara os únicos dias de férias que tirara até então para viajar até a Bulgária para conhecer a família de Vítor – Acho que venho mesmo negligenciando um pouco a minha vida pessoal.
- Então vamos fazer assim. Vou conversar hoje com os outros medibruxos do seu setor e ver quem pode cuidar de seus pacientes durante o tempo que estiver fora. Mas prometo que será liberada até o fim dessa semana, pode ser?
- Está ótimo, Dr. Shepard! Nem sei como agradecer...
- Não me agradeça. Apenas faça esse favor a si mesma: descanse! E não se preocupe com os seus pacientes... eles vão ficar bem.






- Gina, esse vestido está tão lindo em você! O Harry vai ficar bobo!
- Esse é o espírito!

Tonks e a caçula dos Weasley estavam na Madame Malkin, para a prova do vestido. Ele era verde bem escuro, criando um lindo contraste com a pele alva de Gina; era tomara que caia, bem justo na cintura, mas depois abria-se delicadamente numa elegante saia bordada.

- Às vezes tenho saudades de quando era mais nova... – Tonks permitiu-se uma reminiscência – qualquer roupa servia na minha cintura!
- Não diga uma coisa dessas, Tonks! Você é tão bonita!

Gina aqui estava sendo honesta. Embora a auror usasse aquele berrante cabelo rosa chiclete na maioria das ocasiões, seu jeito extrovertido combinava com sua aparência de tal forma que era impossível considerá-la feia, não importava quantos narizes de porco ela metamorfoseasse para a diversão alheia.

- Ah, obrigada, querida... mas é que o frescor da juventude é outra coisa... – com um sussurro, ela acrescentou – pelo menos eu agora tenho o meu lobinho, coisa que não tinha quando era jovem.

A ruiva riu em concordância e refletiu que todas as mulheres apaixonadas eram bobas por seus homens daquele jeito. Um jeito maravilhoso! Ela voltou a se admirar no espelho e pensou em voz alta:

- É tão bom se arrumar para quem a gente ama! Será que existem pessoas no mundo que nunca vão amar ninguém? Tipo o Snape, por exemplo...
- Não subestime o velho professor de poções... Se quer saber, acho que ele já foi apaixonado pela sua sogra. – disse Tonks.
- É mesmo... o Harry já me disse que acha que foi por causa do amor à mãe dele que o Snape voltou para o lado do Bem... – concordou Gina enquanto atravessava a cortina do provador, para retirar o vestido. Do lado de fora, a mulher mais velha prosseguiu:
- Como se vê, todos são mordidos pelo bichinho do amor ao menos uma vez na vida... quer dizer, quase todos.
- O que você quer dizer com quase todos? – perguntou a garota ruiva de dentro do provador.
- Bem, é que nós convivemos talvez com a única exceção mundial a essa regra...

Gina espiou para fora da cortina, com uma carinha travessa:

- Você quer dizer o Sirius?
- Exatamente. Meu caro primo já está beirando os quarenta anos e eu nunca o vi sofrer por mulher nenhuma! Nem se declarar honestamente para nenhuma delas...

Novamente oculta pela cortina, Gina rebateu:

- Isso porque ele não demonstra o que sente. E depois, ele não iria fazer declarações de amor em público... não combina nem um pouco com a personalidade dele. Mas eu duvido que Sirius nunca tenha gostado de verdade de alguém...
- Você deve levar em consideração que o coitado passou doze anos preso e seis foragido, sem poder viver a vida. E isso justamente na fase em que a maioria das pessoas se apaixona e casa...

Gina enfim abriu de vez a cortina, já usando suas roupas triviais. A expressão dela demonstrava a pena que sentia por Sirius por sua história de vida.

- A vida foi mesmo injusta com ele! Um homem tão bom, corajoso, charmoso... amargurando os anos sozinho sem ter culpa de nada! O Ministério deveria indenizá-lo por isso.
- Tenha certeza de que a Suprema Corte dos Bruxos vai ordenar o pagamento de uma generosa indenização. Mas isso não devolve os anos de vida que ele perdeu, não é? Só espero que o próprio destino se encarregue de fazer as compensações a Sirius... – disse Tonks enigmaticamente.






Já era quase uma hora da tarde e a cozinha do Largo Grimmauld, 12, estava cheia. Além dos membros da Ordem que ainda residiam na mansão dos Black, muitos aurores vinham se juntar a eles na hora do almoço para trocar informações sobre o paradeiro de Comensais renitentes e formular estratégias de ataque. Os próprios aurores haviam sugerido esse arranjo, uma vez que a casa de Sirius era mais segura para esse tipo de conversa que os tumultuados corredores do Ministério da Magia.

- Veja bem – disse Dawlish à mesa, entre uma garfada e outra do delicioso purê com sardinhas que os novos elfos domésticos que serviam a casa haviam preparado – Se esse Hanson realmente estiver na antiga casa de veraneio de Nott, precisamos de pelo menos duas equipes para invadir o lugar. Aquilo lá está cheio de feitiços de segurança...
- Dawlish, por favor, vamos deixar os assuntos tétricos para depois da refeição. Meu estômago não digere as duas coisas ao mesmo tempo... – brincou Quim Shackelbolt.
- Apoiado – manifestou Sirius prontamente – Será que nem no Sábado poderemos comer em paz? Vamos falar de temas amenos... como o casamento do nosso querido Weasley, por exemplo.

As orelhas de Rony ficaram instantaneamente escarlates devido ao fato de que toda a mesa agora aguardava suas palavras. O ruivo era muito competente no exercício de suas funções como auror, mas um desastre quando tinha que lidar com oratória. Certas coisas nunca mudam...

- Está indo tudo bem... os pais da Mel já estão hospedados lá em casa, os convites foram todos enviados... tudo corre dentro da normalidade. Quero dizer, fora a minha mãe, que está ficando tão estressada com os preparativos que eu juro que às vezes dá para ver uma fumacinha saindo de suas narinas!

Todos os que conheciam a Sra. Weasley riram, pois dava mesmo para imaginar a cena. Mais à vontade agora que os demais voltavam a seus afazeres, Rony disse para Harry e Sirius, que estavam sentados ao seu lado:

- Recebi a resposta de Hermione hoje de manhã. Ela ainda não sabe quando virá, mas garantiu que estará em Londres para o casamento.
- Que legal, Ron! – exclamou Harry, feliz - Ei, o que acha de fazermos uma reunião do trio num desses dias que ela estiver aqui. Para matar as saudades dos velhos tempos...
- Podemos ir via rede de Flu até o Três Vassouras, que tal? – sugeriu o ruivo.
- Nossa, Hermione vai adorar!
- Estou começando a ficar com ciúmes da Mione – gracejou Sirius – Vou perder todos os meus amigos para ela... concorrência desleal, isso sim!

A brincadeira do maroto tinha um fundo de verdade. O fato era que Thiago estava morto, e Lupin e Tonks haviam se casado e quase não saíam mais com Sirius. Assim, os grandes companheiros dele nos últimos tempos eram Harry, Rony e os gêmeos Weasley.

- Não se chateie, meu caro amigo – disse o afilhado prontamente – Não vamos deixar você entalado em casa enquanto saímos. A reunião do trio vai ser só um dia, para matar as saudades da época de Hogwarts...
- Tudo bem, mas eu vou ter uma conversinha com a Hermione quando ela aparecer. Ninguém me exclui dos passeios assim, impunemente... – disse o homem com um sorriso debochado no rosto.






Os dias passavam com uma velocidade espantosa para Hermione. Determinada a não pensar por ora no pedido de casamento feito por Krum, a garota havia se enfurnado no trabalho de tal forma que, quando deu por si, já era Quarta-feira. Ela estava administrando uma poção a um jovem ferido por cinco feitiços estuporantes quando uma enfermeira baixinha e com um ar eficiente veio lhe dar o recado de que o diretor a aguardava na sala dele ao final do expediente.

Como era previsível, o assunto dele com Hermione era o período de folga que ela havia solicitado. O sr. Shepard explicou à garota que já havia escalado seus substitutos e que, portanto, ela estava dispensada do serviço pelos próximos onze dias. Finalmente ela poderia passar algum tempo com seus pais e amigos!

Mal se contendo de tanta alegria, Hermione aparatou até o Correio Central de Dublin, onde escolheu uma bela coruja-das-torres para levar uma carta a Rony e outra a seus pais. Na do amigo dizia apenas o seguinte:

Entro em férias amanhã. Vou primeiro à casa dos meus pais, para uma rápida visita. Na Sexta-feira, sigo para a Toca. Por Merlim! Estou com tantas saudades de todos! Mande lembranças minhas à Mel. Beijo, Mione.

Na carta que endereçou aos pais, Hermione explicou o motivo de sua rápida visita. Ela dizia que a sra. Weasley precisava de sua ajuda com os preparativos do casamento, e que ela não encontrava com vários de seus amigos há anos. Hermione sabia que seus pais entenderiam. Os dois a haviam visitado com freqüência na Irlanda, uma vez que estavam aposentados, e a última vez que tinham vindo vê-la não fazia nem um mês. Não haveria problemas quanto à decisão dela de passar a maior parte de suas férias com seus amigos bruxos.

Já era madrugada quando Hermione enfim terminou de arrumar sua bagagem. Talvez porque a perspectiva de retornar à Toca lhe trouxesse tantas lembranças da época em que o trio estudava em Hogwarts, a garota desprezou a mala convencional e ajeitou toda a bagagem em seu malão de adolescente. Também buscou no armário o caixote em que transportava Bichento e o deixou limpo e preparado para o dia seguinte.

- Vamos partir bem cedo amanhã – disse ela ao gato enquanto afagava a barriga do felino. Quase como se fosse uma resposta, Bichento pôs-se nas quatro patas e miou alto, o que Hermione interpretou como o desagrado dele por acordar cedo. Mas ela estava enganada e logo viu o que tinha despertado a atenção do animal: Píchi mais uma vez estava bicando a vidraça.
- Nossa, menina, você viaja rápido! – exclamou Hermione depois de lhe franquear a entrada – Não faz nem oito horas que eu enviei aquela carta a Rony... venha cá, descanse um pouco – disse ela colocando a coruja sobre o armário, a salvo das patas esperançosas de Bichento.

Hermione abriu o rolo de pergaminho e leu:

Melanie e eu ficamos muito felizes em saber que você estará conosco em breve! Não vejo a hora de reunirmos o trio novamente!
Desculpe mandar Píchi no meio da noite, mas queria entrar em contato com você antes que saísse da Irlanda e a coruja que você enviou ainda tinha que levar uma carta para seus pais. É que a Toca está cheia de gente por causa do casamento, inclusive os parentes da Mel estão aqui. Além disso há todo o barulho da arrumação e há a minha mãe. Garanto que você não vai querer ficar perto dela nesses dias! É sério, às vezes acho que ela é parente daquele rabo-córneo húngaro que o Harry enfrentou! Então eu acho que você vai ficar mais confortável lá na Sede da Ordem, pois poderá ter um quarto só para você. Acabei de conversar com Harry na lareira e ele achou ótimo ter a sua companhia. Espero que não se importe. Mas depois que deixar a bagagem no Largo Grimmauld, venha correndo nos ver. Senão a Gina me mata!
Beijo, Rony.


Hermione deu um sorriso de puro contentamento. Ela já tinha até se esquecido como era bom aquele universo a que pertencia. Rony fazendo piadas, a Toca cheia de gente e barulho, as conversas com Harry, a sra. Weasley implicando carinhosamente com os filhos, os gêmeos pregando peças em qualquer um... a saudade bateu tão forte que, naquele momento, a chance de se mudar para a Bulgária com Vítor pareceu aos seus olhos menor que nunca...






Sexta-feira, Largo Grimmauld, Londres.

A campainha soara pela segunda vez e ainda ninguém tinha se dado ao trabalho de abrir a porta. A sra. Black gritava como louca e Sirius ficou irritado pelo fato de ninguém fazer algo para ajudar. Ele havia acabado de retornar de mais uma captura pela Ordem da Fênix e estava diante do espelho, tentando fazer um feitiço doméstico para fechar o corte em seu supercílio direito. Harry, que também tinha participado da missão, no momento tomava banho, mas onde diabos estavam os outros moradores da casa?

Exasperado, Sirius desceu os degraus da escada de dois em dois enquanto a campainha soava pela terceira vez, fazendo a sra. Black quase explodir os pulmões de tanto gritar. Enquanto o filho fechava as cortinas de veludo para abafar as lamúrias da velha, pensou com azedume: “Bem que isso poderia acontecer mesmo!”. Ele então foi até a porta e a abriu, deparando-se com uma bela moça que estava de costas, arrastando um malão, como se estivesse indo embora. Sirius não pôde deixar de apreciar as belas curvas da morena antes de lhe dizer:

- Você está procurando alguém?

Quando ela se virou para a porta novamente, Sirius mal podia acreditar no que via. Era Hermione. Não a menina Hermione que ele vira pela última vez aos 15 anos de idade, mas a mulher Hermione, que lhe dava o sorriso mais encantador do mundo. No segundo seguinte, um chumaço de cabelos cacheados lhe tapou a visão. A bela mulher lhe dava um abraço de partir as costelas.

- Sirius! Há quantos anos não te vejo!

O homem correspondeu ao abraço apertado, elevando a garota a alguns centímetros do solo.

- Não é todo dia que a gente reencontra alguém que já nos livrou da morte! – brincou ele recolocando-a no chão e se afastando um pouco para vê-la melhor – Você cresceu, menina!

Sirius agora reparava na elegância despojada de Hermione, que vestia uma justa calça jeans, sandálias de salto baixo, uma blusinha preta cujo decote Sirius fez questão de não olhar e uma jaqueta na cor creme. Mas o que mais deixou o homem com a impressão de que ela crescera era a expressão de Hermione, que tinha ao mesmo tempo a doçura de uma menina e a força de uma mulher.

- Sirius, você está machucado! Vamos entrar e eu curo esse ferimento num instante.

O homem prontamente carregou o malão dela para dentro do hall, enquanto dizia:

- Harry me contou que agora você é medibruxa. Certamente um machucadinho como esse deve ser uma bobagem perto do que presencia no hospital.

Ela colocou o caixote de Bichento sobre o malão e depois aproximou-se perigosamente de Sirius, para observar melhor o ferimento, ficando com o rosto a centímetros da face dele.

- De fato eu já vi muita coisa pior. Mas cortes assim podem infeccionar. É sempre bom tratar.

Então a garota apontou a varinha para o supercílio dele e murmurou um feitiço, fazendo o corte se fechar instantaneamente. Sirius surpreendeu-se olhando meio abobalhado para ela, então decidiu engatar uma conversa amena que lhe permitisse se afastar de Hermione.

- Não me diga que esse gato alaranjado aqui é o Bichento? – perguntou aproximando o rosto da janela do caixote. Ao ouvir seu nome, o gato miou baixinho e começou a dar patadinhas na tela de proteção da caixa para tentar alcançá-lo. Sirius abriu um grande sorriso e disse: - Depois dizem que os elefantes é que têm boa memória.

Hermione sorriu em resposta e indagou quem mais estava na casa, ao mesmo tempo em que abria o caixote para que o felino pudesse explorar o novo ambiente.

- Eu acabo de voltar com Harry de uma missão da Ordem. Ele está tomando banho, deve descer num minuto. Mas achei que o Lupin e a Tonks estariam por aqui... estranhei que ninguém veio antes lhe abrir a porta.
- Eu estava mesmo prestes a ir embora...
- Pude notar. – comentou o homem alegremente – Você... vai ficar aqui esses dias?
- O Harry não te contou? Oh, Sirius, eu sinto muito! – exclamou a garota constrangida, com um leve rubor nas faces - De repente eu bato na porta da sua casa com malão e tudo e você nem sabia que eu viria...
- Ei! Eu não estou me queixando da sua presença! – explicou cordialmente – Vai ser maravilhoso ter você aqui conosco!
- Obrigada.

Nesse ponto da conversa, Harry apareceu no alto da escada e, ao ver a recém-chegada, desceu os degraus apressadamente até parar no abraço demorado de Hermione.

- Que bom que você está aqui! – saudou o amigo.
- Eu que o diga! A Irlanda é legal, mas definitivamente não é a minha casa...
- Você está com fome, Hermione? – indagou Sirius – Posso pedir para os elfos domésticos lhe prepararem um chá com bolachas...
- Eu não acredito que você ainda mantém elfos escravos! – ralhou previsivelmente a garota.
- Não são escravos. Recebem salário. – respondeu Sirius prontamente. Hermione o olhou com descrença, ao que ele acrescentou: - É sério. Vá até a cozinha e veja com seus próprios olhos quem são eles.

Entrando na escura cozinha do Largo Grimmauld, Hermione deparou-se com ninguém menos que Dobby e Whinky, que terminavam de arrumar a louça. O primeiro elfo virou-se para ver quem entrava e reconheceu Hermione imediatamente. Abanando as orelhas de tanta alegria, exclamou admirado:

- A amiga de Harry Potter! Olhe, Whinky, a boa moça que nos deu tantos gorros de lã está aqui!
- Olá, Dobby! Olá, Whinky! – cumprimentou Hermione - Achei que ainda trabalhassem em Hogwarts...
- Não, minha linda senhora! – respondeu Dobby fazendo uma profunda reverência – A diretora nos dispensou do serviço quando o meu senhor Harry Poter disse que gostaria que viéssemos morar com ele. Dobby nunca se sentiu tão feliz!
- E você, Whinky? Também está feliz?

Com um tom amargurado, a elfo respondeu:

- Whinky nunca vai ser feliz porque foi libertada por seu amo...

Harry olhou de esguelha para a amiga como se dissesse “não adianta insistir, deixa pra lá”. No meio tempo, Dobby puxou uma cadeira para que Hermione se sentasse e, não se contendo, comentou:

- A senhora está muito, muito bonita!

Meio sem graça, a garota murmurou um “obrigada”. Aproveitando que Harry havia se afastado até a pia para pedir um serviço de chá aos elfos, Sirius comentou discretamente, fazendo Hermione corar:

- Os elfos às vezes têm coragem de dizer aquilo que os bruxos pensam mas não enunciam em voz alta.

A garota não sabia que resposta dar àquele comentário. Desde quando era adolescente, Hermione tinha uma certa dificuldade em se expressar na presença de Sirius, porque o charme natural dele era quase intimidador. Ouví-lo fazer um elogio à beleza dela, ainda que indireto, fez seu raciocínio parar de vez. Por sorte, Harry já voltava para se juntar a eles e tomou a palavra:

- Pedi que Dobby arrumasse seu quarto no primeiro andar, no mesmo corredor em que ficam os nossos dormitórios. Existe um cômodo maior no andar de cima, se você preferir, mas achei que seria melhor se você ficasse perto da gente. É meio assustador ficar sozinho lá em cima à noite...
- Está ótimo, Harry, não se preocupe. Mas por que o segundo pavimento é assustador? Achei que toda a casa já estivesse descontaminada...

Sirius foi quem respondeu:

- Estamos lutando com essa casa há oito anos. Os cômodos de cima já estão limpos e livre de infestações, mas sempre tem um vampiro que aparece do sótão, algum fantasma que vem perambular por aqui... nada demais, mas é melhor mesmo você ficar perto da gente. Quem às vezes dorme lá em cima são os aurores, quando precisam passar a noite, mas isso é raro.

Os elfos domésticos se aproximaram e encheram a mesa de bolos, torradas, biscoitos, geléias, queijos, leite e diversos tipos de chá. Hermione refletiu o quanto Harry deveria estar ganhando como auror para lhe oferecer uma banquete digno de Hogwarts como aquele.

O trio então se deliciou com os quitutes enquanto Hermione lhes contava um pouco sobre sua vida na Irlanda. Ela discursava animadamente sobre o curso de medibruxicina e lhes narrava alguns casos de pacientes que ela salvara, ainda que seus colegas os julgassem desenganados. Sirius aproveitou a oportunidade de a garota ter a palavra para ficar analisando seu rostinho encantador e pensou que ela ficava ainda mais bela quando trazia aquele fulgor no olhar ao falar de sua profissão. Hermione, por sua vez, não deixou de notar a excessiva atenção de Sirius ao que dizia, mas tomou isso apenas como curiosidade. Em determinado ponto da conversa, Harry tocou num assunto delicado:

- Por que Krum não veio com você?
- Bem, Harry – respondeu Hermione sem graça, desviando o olhar para a própria xícara de chá –, você sabe como é a relação dele com o Rony... Vítor não foi convidado para o casamento...
- É, eu imaginava que uma coisas dessas poderia acontecer depois daquele nosso último encontro. – ponderou Harry – Mas você não está chateada?
- Oh, não! Eu também não o convidaria se estivesse no lugar do Rony. E depois... eu e ele estamos dando um tempo. – admitiu cabisbaixa. Sirius sentiu uma espécie de alegria involuntária, mas tentou aparentar neutralidade.
- Um tempo? Mas o que foi que aconteceu, Mione? – indagou Harry solidário, buscando a mão da amiga sobre a mesa.
- Ah, Harry... é uma história complicada... não estou com vontade de conversar sobre essas coisas... vim para o casamento do Ronald e para me divertir com meus amigos. Os problemas ficam para depois.
- Tem razão – disse ele sorrindo como em pedido de desculpas – Vamos nos concentrar em coisas mais alegres.
- Falando em alegria, pretendo fazer uma visita à família Weasley ainda hoje. Portanto, se vocês não se importarem, gostaria de subir e tomar um banho.
- Claro, fique à vontade! – respondeu Harry prontamente – E acho que vou com você à Toca. Assim eu aproveito e revejo a minha ruivinha...

Hermione se levantou da mesa e Sirius a acompanhou, oferecendo-se para carregar a bagagem. Bem, carregar não era exatamente o termo. Sirius levitou o malão de Hermione escada acima, depositando-o aos pés da cama que Dobby havia preparado para ela. Era um quarto pequeno e simples, mas tinha boa iluminação e uma cama aconchegante.

- Isso aqui está bem diferente da última vez que vim... o colchão é novinho! – exclamou Hermione maravilhada após sentar-se na cama para testá-la.
- Harry vem me ajudando a arrumar a casa aos poucos – admitiu Sirius envergonhado – Se tivesse uma profissão definida eu mesmo faria isso...

Hermione tirou o sorriso do rosto, aproximou-se de Sirius, pegou em suas mãos e o conduziu até sua cama, fazendo-o se sentar de frente para ela. Então disse com a voz mais suave do mundo:

- Você não tem culpa disso, Sirius. Sei que era um aluno brilhante em Hogwarts, mas as trapalhadas do Ministério impediram que você seguisse o seu caminho normal... E você tem demonstrado um valor inestimável na luta contra as Trevas! Não ache que eu não sei o quanto você tem ajudado os aurores na captura dos Comensais restantes...
- Ah, Hermione, é complicado. Por mais que eu me sinta útil, não receber pelo que faço dói muito. Não gosto de viver de favores...
- Que favores? – interpôs ela exaltada - Se a casa onde ocorrem as reuniões dos aurores é justamente a sua. Fora todas as pessoas que moram aqui...
- Eu sei... mas não vai levar muito tempo até que a pouca herança que me resta no Gringotes se esgote...
- Por que você não procura fazer um dos cursos profissionalizantes do Ministério? Sei que obteve a nota máxima nos NOM´s e nos NIEM´s. Ninguém lhe negaria um estágio.
- Na minha idade, Hermione? Não sei não...
- Fala isso como se fosse um velho... Você está na flor da idade, Sirius! – disse ela sem acreditar que tivera a coragem de dizê-lo - E lembre-se de que nunca é tarde para recomeçar...

Ele não respondeu. Apenas levantou-se da cama e sorriu como retribuição às palavras encorajadoras dela. Sirius já estava na porta, prestes a ir embora, quando retornou e fez um comentário que deixou Hermione sem fôlego:

- Fazia tanto tempo que eu não lhe via que já tinha até esquecido o quanto é especial.

Ele então finalmente saiu, fechando a porta ao passar. Hermione se jogou na cama e ficou observando o teto, pensativa. “Céus! Como esse homem tem o poder de ser tão charmoso? Hermione, Hermione... pare de pensar besteiras... você é apenas uma criança para ele...”






Mais tarde, na Toca, Hermione foi recebida por toda a família Weasley com muito carinho. Gina estava louca para arrancar a amiga do círculo social, mas sabia que nessa noite seria inviável. Entre os afagos da sra. Weasley e os relatos de Ron e Melanie sobre os preparativos do casamento, ficou impossível à ruiva ter um momento a sós com Hermione.

A morena achou que Gina ficaria enciumada por não ter sido convidada para o passeio que o trio maravilha faria a Hogsmeade no Domingo, mas a ruiva compreendia perfeitamente a importância daquele momento para eles. Como forma de lhe compensar a ausência, Hermione convidou a amiga para acompanhá-la ao Beco Diagonal na Segunda-feira; afinal, ela ainda tinha um vestido de madrinha a comprar!

Satisfeitos com os arranjos dos próximos dias, Harry e Hermione retornaram ao Largo Grimmauld. Ao saírem da lareira, depararam-se com Tonks e Lupin aos beijos perto da pia da cozinha, e Harry pigarreou alto, para anunciar-lhes sua presença. Lupin pareceu extremamente constrangido, mas Tonks, extrovertida como sempre, agiu como se tivesse sido interrompida no meio da degustação de um simples mingau.

- E aí, Hermione, beleza?
- Oi, Tonks! Como você está? – perguntou Hermione já a envolvendo num caloroso abraço.
- Muito bem, como você pôde ver... – acrescentou ela com dando uma piscadinha marota.

Harry abafou uma risadinha ao comentário da mulher.

- E o senhor, Prof. Lupin? Estava como saudades...
- Eu também, querida. Parece até que você esqueceu a rota até a Inglaterra. – comentou ele já voltando a sua postura normal.
- Nem me fale! Tenho trabalhado tanto que o meu chefe me dispensou por mais tempo do que eu havia pedido...

Enquanto os quatro prosseguiram conversando na cozinha, Sirius permaneceu cuidando de Bicuço no sótão. Ele podia ouvir as vozes e as risadas ocasionais lá embaixo, mas decidiu privar-se um pouco da companhia da garota que não saía de seu pensamento desde aquela tarde. Enquanto ajeitava alguns ratos mortos para a refeição do hipogrifo, entoava um mantra silencioso internamente “Ela é só uma criança, só uma criança. Tem a idade do Harry. É só uma criança...”.

Naquela noite, Sirius demorou muito para conseguir dormir. Enquanto rolava na cama esperando o sono chegar, ele tomou uma decisão: a partir do dia seguinte, iria convencer a si mesmo de que Hermione não passava de uma garotinha.





N/A: Caros leitores, essa é minha primeira fic. Portanto, comentários, críticas e sugestões são muito bem-vindos! De resto, espero que estejam gostando. Beijos a todos!

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