CAPÍTULO 4
O diretor sentou-se à mesa dos professores durante o café da manhã. Os alunos distribuíam-se nas mesas de suas casas e o barulho era, como sempre, ensurdecedor. Snape, como sempre, só sentia seu mal-humor aumentar à medida que o café da manhã. Tomou um gole do café puro e amargo, fazendo uma careta de desagrado. Pelo estado de seu fígado, nada teria sabor agradável naquele dia. Olhando para os lados viu que os professores se acomodavam em seus locais costumeiros, mas Hermione não chegara ainda. Isso se ela viesse. Massageando as têmporas e pensando como faria para cobrir as aulas dela naquele dia, ouviu a cadeira ao seu lado ser afastada. Hermione sentava-se ao seu lado, como sempre. Snape olhou para ela e recebeu em troca uma sobrancelha levantada.
“Bom dia, diretor.” Ela disse, polidamente, tomando um gole de chá.
Snape, com o coração aos saltos, respondeu. “Bom dia, Profa. Snape.” Ele disse, enfatizando o título. Ela queria ser formal? Pois bem, ele seria formal então.
“Diretor, gostaria de conversar com você durante meu intervalo. Seria possível?” Ela quis saber.
Não conseguindo conter a impaciência, Snape falou entre dentes. “Quer, por favor, para de me chamar de diretor?”
“Mas é o que você é nesta escola, DIRETOR. Não vejo de que outra forma deveria chamá-lo.” Disse a bruxa, teimosamente.
Snape olhou-a com cinismo. “Ahh... mas eu vejo... na verdade, tenho lembranças muito recentes de você me chamando de muitas coisas... e diretor não era uma delas...” Ele falou aproximando os lábios do ouvido de Hermione.
“É mesmo... como pude esquecer...” Ela olhou-o, fingindo doçura. “Mentiroso cai como uma luva em você. Traidor também combina muito bem...” Ela falou sibilante, não escondendo a mágoa que sentia.
Ele segurou-lhe o pulso. “Hermione, não me provoque ou...” Ele falou, nervoso.
Hermione puxou o braço com força e ele a soltou. Levantando-se, murmurou. “Tenho assuntos profissionais para tratar com você. Estarei em sua sala na hora do meu intervalo.” Dizendo isso, retirou-se do salão principal.
Snape apertou a ponte do nariz avantajado para tentar aliviar a dor de cabeça. Levantou-se e, sem sequer despedir-se dos colegas professores, saiu, com a capa esvoaçando.
Hermione disse a senha e a escadaria em espiral surgiu em sua frente. Ao avançar rumo ao escritório de Severus seu coração palpitava de ansiedade. Ao chegar à porta preparava-se para bater quando ela subitamente abriu.
“Entre Profa. Snape.” Severus disse, sentado à sua escrivaninha.
Hermione entrou e parou em frente a ele.
“Por favor, sente-se.” Ele disse. Ela acomodou-se, cruzando as mãos sobre o colo, subitamente sem saber o que falar.
“E então, Profa. Snape, o que quer? Não tenho o dia todo...” Ele perguntou com acidez
“Severus...” Ela começou, mas ele a interrompeu.
“Ah... vejo que agora sou Severus novamente... anda indecisa ultimamente, Sra Snape?” Ele perguntou com cinismo.
Hermione respirou profundamente. “Não, Severus, pelo contrário. Estou muito decidida! Na verdade, é por isso que estou aqui! Gostaria de deixar claro que nossa... separação... não vai afetar o meu trabalho aqui em Hogwarts. E espero que você aja da mesma forma.”
Severus recostou-se no espaldar da cadeira alta. E não falou absolutamente nada. Aproveitando-se do momento, Hermione continuou. “Eu gostaria de não ter que encontrá-lo todos os dias, mas serei profissional, pode ter certeza. A minha dúvida é se você será capaz disso... Agora a pouco tive a leve impressão de que não é.”
Snape levantou a sobrancelha. “Por acaso, sei como devo tratar meus funcionários, Profa. Snape. Não há necessidade de me dar uma aula sobre profissionalismo!” Ele cuspiu as palavras, com os olhos brilhando de ódio. E emendou. “Tampouco existe a necessidade de me dizer o que fazer! O diretor desta escola, por enquanto, SOU EU!”
“Ótimo, então! Devo ficar segura de que você não vai fazer nenhum escândalo ou tentar me agarrar pelos corredores?” Ela perguntou, com a sobrancelha levantada.
Snape deu uma risadinha cínica. “Não pretendo dar nenhum espetáculo para esses alunos imbecis, fique tranqüila.” E inclinando-se sobre a mesa, com um olhar predador, sussurrou. “Quanto a agarrar você pelos corredores, não farei isso.” E com a voz ainda mais baixa e sedutora, acrescentou. “A menos que você me peça, é claro...”
Hermione levantou-se de um salto, subitamente excitada com os comentários do marido... ex-marido, corrigiu mentalmente. Rindo com ironia, ela respondeu. “No dia em que Voldemort ressuscitar, talvez você tenha sorte, Severus Snape!” E rumou para a porta.
Snape recostou-se no espaldar da cadeira “Não subestime o Lorde das Trevas, Profa. Snape.”
Hermione saiu da sala do diretor e praticamente correu para sua sala de aula. Os alunos já a aguardavam. Ela sentia os joelhos tremendo e a umidade incômoda em sua calcinha a fazia sentir ódio de Severus Snape. Como ele podia excitá-la com uma simples frase, estando ela tão profundamente magoada com o bruxo? Como ele conseguia reduzi-la a uma criatura totalmente dominada pelo amor que sentia por ele? Como ela seria capaz de viver sem tocar aquele corpo novamente, sem sentir o membro faminto dentro dela, sem receber a essência de seu bruxo em suas entranhas?
“Professora? A sra está bem?” Uma aluninha da Lufa-Lufa a olhava preocupada. Hermione, voltando à realidade, respondeu. “Sim, srta. Stuart, estou bem. Por favor, abram seus livros na página 394!”
Snape caminhava pelos corredores da escola em sua costumeira ronda matinal. A maioria dos cabeças-de-vento estava em sala de aula, portanto pouco havia para ser feito. Satisfeito com a calma e a ordem aparentes no castelo, desceu em direção às masmorras e rumou para seus antigos aposentos. Pretendia ficar em Hogwarts, agora que se separara. Depois da noite infeliz na casa da Rua da Fiação, Snape decidira voltar a viver no quarto que ocupara por longos anos, desde que se tornara professor em Hogwarts. Isso até que sua esposa decidisse voltar para ele, o que, em sua opinião não levaria muito tempo. Durante a conversa daquela manhã, ele sentira que ela ficara nervosa quando ele mencionara que a ‘atacaria’ se ela pedisse. Apesar da resposta mal-criada que dera, Snape tinha certeza de que sua Hermione ficara excitada com o tom íntimo da conversa. Ele a conhecia mais do que a si próprio. Podia sentir seu cheiro, mesmo a metros de distância. E o odor que Hermione emanara naquela manhã não era o perfume floral que ela sempre usava. Era a essência feminina de seu desejo. Desejo por ele. Com uma expressão de determinação, Snape abriu a porta de seus aposentos. Tudo estava exatamente como ele deixara e, conforme ordens do diretor, os elfos domésticos mantinham o quarto impecável. Temporariamente, vai servir. Snape pensou, enquanto caminhava pelo quarto escuro.
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