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ATENÇÃO: Esta fic pode conter linguagem e conteúdo inapropriados para menores de idade então o leitor está concordando com os termos descritos.

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Visualizando o capítulo:

0. Prólogo


Fic: Uma Promessa Para a Eternidade


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Música:Mandy Moore – From Loving You.




Prólogo: Eu sempre vou estar aqui.





(I had you, I had everything I ever needed)

From that first look I knew
I found heaven in your eyes
But who was to know, the way it would go
I have no regrets
Glad I let you in
Wouldn't have missed one single moment
I would do it all over again





“Desde o primeiro olhar, eu soube, eu achei o paraíso em seus olhos. Eu fui amada e tocada. E aprendi como é o amor. Eu fui abençoada, tão abençoada... E aprendi como é o amor. Por amar você.
Eu abracei você, eu tive tudo o que eu nunca sonhei.”





XxX





-... e que assim seja. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém. – O padre terminou de recitar seus votos, sua voz soando num ritmo sonoro e rouco, em sintonia como a leveza do vento que assoprava naquele fim de tarde.


Todos os presentes estavam vestindo roupas de cores escuras, a grande parte; preto. O dia estava lindo, como se a natureza estivesse dando o seu adeus para o maior bruxo de todo Mundo Mágico; Alvo Dumbledore. E ali, com a brisa fresca, o cântico dos pássaros, as flores que floresceram antes mesmo da chegada da primavera, era apenas mais uma irônia da própria vida. Uma paisagem tão bela feita para um momento de solidão, perda e dor.


As pessoas começaram a se movimentar como pequenas formigas, espalhando-se pelo terreno e envolta do túmulo com passos lentos e rasteiros. Alguns não queriam ver o Grande Mago ser enterrado – o que era que estava acontecendo naquele momento – outros apenas se caminharam para dar um abraço de apoio e sentimentos aos amigos.


Mas, Harry diferente de todos não se moveu. Usando um terno preto, sem gravata e sapatos de couro, ele mantinha seus olhos fixos no caixão que carregava a única pessoa que ele havia considerado invencível. O homem que o ensinara a ter paciência, ser cauteloso e lhe dera a esperança que a guerra que vinha se alastrando poderia ser detida. Que Voldemort, o mais temido bruxo das Trevas, poderia ser morto.


As peças da verdade não se encaixavam em sua cabeça. Tudo era tão confuso e atordoante que chegava a lhe causar um ódio ainda maior por si mesmo. Falhara. Não havia impedido Severus Snape no momento em que erguera a varinha, apontando-a diretamente para o coração do Diretor de Hogwarts e proferido a mais aterrorizante Maldição Imperdoável; Avada Kedavra.


Ficara assistindo de camarote o seu ex-professor de Poções matar o homem que ganhara sua admiração e sua confiança. E sentia nojo de si mesmo por ter sido tão franco. Ter hesitado e se acovardado bem na hora em que deveria ter se lançado na frente daquele facho de luz verde e protegido o homem que tantas vezes lhe estendera a mão, que lhe salvara e o fizera ver um mundo cheio de luz e amor.


Em nenhum momento pensou que seria capaz de ter pena de si mesmo. Aquilo chegava ser ainda mais humilhante. Olhava-se no espelho e a única coisa que via era um protótipo de fracasso. Um garoto que jamais deveria ter sobrevivido. Deveria ter morrido junto com seus pais no ataque que houve em sua casa quando tinha apenas um ano de idade.


Suas mãos estavam enfiadas dentro do bolso de sua calça de linho. As pernas levemente aberta numa posição de poder e força. Algo que estava muito longe de estar percorrendo seu corpo.


O que estava impregnado em todo o seu ser além da vergonha de si mesmo, era o ódio. A sede de vingança e de sangue. Nunca pensara que chegaria a um estágio alto em relação ao ódio que sentia por Snape, mas naquele momento, tudo o que Harry pensava era em matar o miserável da mesma forma que matara Dumbledore.
Ele iria pagar. Nem que fosse a ultima coisa que fizesse naquela sua vida credita e amaldiçoada. Mataria Snape, os malditos Comensais e, principalmente, eliminaria da face da Terra a carcaça repugnante do Lorde das Trevas.


Seus olhos se cerraram numa fina linha negra perigosa quando viu os empregados do cemitério começar a jogar a terra sobre o caixão de Dumbledore. Não poderia ir embora. Simplesmente, sentia a necessidade de ficar ali até o ultimo segundo. Até que não sobrasse nem mais um único pedaço para ser visto do caixão de madeira escura e lustrosa.


Vozes ecoavam em sua mente, e Harry sabia que estava sendo observado. Era como se o centro das atenções daquele enterro não fosse o falecido, mas sim ele e a marca que carregava na testa. A cicatriz em forma de raio.


Vamos lá seus montes de merda, me culpem pela morte de Dumbledore, eu assumo a minha covardia, mas vocês assumiram sua infidelidade perante ao maior bruxo de todos os tempos? Corram para suas casas com a cabeça entre as pernas e comecem a rezar, pois eu não vou fazer milagre algum. Por mim, podemos ir juntos para o inferno. Não é de lá que viemos? Pensou friamente.


Seus dedos se apertaram, formando dois punhos fortes e poderosos, numa tentativa de aplacar sua ira. O que eles estavam olhando? Havia necessidade de serem tão óbvios? O brilho de pena nos olhos de algumas pessoas era tão nítido e claro quanto o céu daquele dia.


Tinha que respirar fundo e pensar com clareza. Planejar com cuidado sua vingança e descobrir como encontraria o resto dos horcruxes desaparecidos. Tinha uma missão a cumprir. Uma responsabilidade que sabia que começara a carregar em suas costas desde o momento em que fora marcado na testa, mas descobrira apenas quando completara onze anos de idade. Agora, com quase dezessete, Harry se via com as mãos atadas. Não tinha como fugir. Como se esconder.


Ele estava ferrado. Literalmente.




'Cause I was loved
I was touched
And I learned what love is, and I learned what love is
I was blessed
So blessed
'Cause i learned what love is, I learned what love is
From loving you


(I held you, I held everything I ever dreamed of)






Muito bem. Não tinha tempo a perder. Não voltaria para Hogwarts, essa era uma decisão já firmemente tomada e nada o faria voltar atrás. Tinha que ser decisivo, firme e impetuoso agora. Um passo de cada vez, pois se não tomasse cuidado, o próximo enterro a ser realizado seria o dele. Seria bem provável que poucas pessoas fossem comparecer. Na verdade, nem fazia tanta questão.


Estava sozinho naquele momento. Era apenas ele e sua varinha. Era melhor assim. Já havia perdido pessoas demais. Primeiro; seus pais. Depois veio Sirius, seu padrinho que – misteriosamente – passou através de um véu que havia no Ministério da Magia e assim, perdeu-se em alguma dimensão. Harry ainda acreditava que veria o padrinho algum dia. Não sabia quando, nem onde, mas alguma coisa de bom ele tinha que manter viva dentro de si. Mesmo que fosse a lembrança de um doce, ou um sorriso, aquilo tinha que ajudá-lo de alguma forma. Assim, quando pensara que não poderia acontecer nada pior... Dumbledore deu adeus aquele mundo e foi vagar em outro melhor.


Dumbledore sempre lhe falou na força do amor, na magia do coração e no brilho da esperança. Agora, Harry deduziu, onde estava toda aquela filosofia celestial que por tantas vezes considerara ridícula? Onde estava a sua base para seguir em frente, sem temer o amanhã?


Alvo Dumbledore estava morto! Fora assassinado perante seus olhos por um professor! Então que chances, ele, Harry Potter, teria quando fosse enfrentar Voldemort? Que era muito mais poderoso do que ele junto com o traidor da Ordem?


Nenhuma! Nada! Nem um milésimo de chances ou uma faísca. Mas, algo Harry sabia... A Profecia. Lembrava-se dela com tanta clareza que era como se esta fosse sussurrada ao pé de seu ouvido todo o tempo. E uma das frases repetia para si mesmo constantemente, como se fosse uma canção de ninar; “Um terá que morrer pelas mãos do outro”. Voldemort morreria! Isso era uma certeza que tinha. Faria de tudo para mandar aquele cara-de-cobra ir comer fogo no inferno, e se fosse preciso; Harry não hesitaria em acompanhá-lo.


O inferno não deveria ser tão terrível assim. Não tanto quando era aquele mundo em que vivia. Nada se comparava aquele pesadelo.


Notou que os empregados do cemitério estavam terminando de colocar os arranjados de flores sobre o túmulo de Dumbledore.


Pronto. Estava feito. Aquele era o fim e nada que fizesse poderia trazer o Diretor de volta. E aquela verdade o fazia se sentir menor e inútil ainda mais.


Os homens se afastaram e Harry se viu na oportunidade de se aproximar do local sepultado há poucos minutos. Seus olhos verdes; escuros e opacos fixaram-se como a lâmina de uma espada nos dizeres da lápide de mármore.




Alvo Dumbledore
Um grande Bruxo, um grande Homem, um grande Sábio...





Ora, pelo menos haviam escrito de forma correta. Harry pensou, cultivando seu humor negro. Sem nenhum erro de ortografia. Parece que a administração do cemitério se ocupou em contratar funcionários que soubessem, pelo menos, o abecedário e escrever o próprio nome – algo que iria em torno de; Max, Ty, Tom... Nada que ultrapassasse três letras, se não as coisas poderiam ficar mais complicadas -.


Deslumbrou com fria tristeza as flores que enfeitavam o tumulo de Dumbledore, pequenos lembretes como; “Sua lembrança sempre irá permanecer em nossos corações”, ou, “Fique em paz”. Oh, sim, com certeza ele estava em paz. Dumbledore se encontrava numa situação muito melhor do que qualquer um ali. Harry lançou um olhar cético para as pequenas caixinhas de veludo que deveriam conter alguma lembrança direcionada ao morto.


Sorriu de canto, sem nem um pingo de humor. Porcarias que seriam engolidas pela terra e abraçadas pelos vermes, ou simplesmente, roubadas.




With that first kiss from you
All this world seemed all so right
But who was to see the way it would be
I'll never forget
All the heaven we shared
And I'll thank God for every moment
Every moment that I had you there





Agachou-se perante o túmulo, apoiando o peso do corpo nos pés.


Suspirando, abaixou a cabeça e se permitiu fechar os olhos por um mero instante, tentando fazer seu coração parar de bater tão rápido, ou de seus pulmões pararem de darem pontadas dolorosas a cada inspiração.


Era como se estivessem lhe retirando a alma. Sugando suas forças para deixá-lo num estado ainda mais lamentável.


Maldição! Por que ele tinha que ser o Menino-que-Sobreviveu, O Eleito... Era pedir demais ser um garoto normal? Que pudesse aproveitar a vida da maneira mais tradicional possível; fazer amigos e inimigos, namorar várias garotas bonitas, andar na rua sem medo, sem ter a necessidade de ficar se escondendo para não ser achado... Amar alguém de maneira tão intensa sem pensar que poderiam usá-la para atingi-lo.


Mais não, ele fora o Garoto-do-Bilhete-Premiado e como bônus ganhara uma cicatriz na testa! Isso que poderia chamar de “tirar a sorte grande”.
O vento assoprou com mais força, balançando seus cabelos negros deixando-os num estado ainda mais revoltado. As madeixas caíram-lhe sobre os olhos, chegando a encostar quase em seu queixo.


Abrindo os olhos, Harry memorizou a lápide de Dumbledore, antes de erguer-se. Aquela seria a sua última lembrança que teria do Diretor. A imagem dele sendo morto, os olhos azuis celestes perdendo o seu brilho, o perseguia insaciavelmente todas as noites, mas recusava-se ter aquela cena como seu último memorial da pessoa que fora como a família que jamais tivera, para ele.


- Eu sinto muito, Alvo. Eu falhei. – e dizendo isso, virou-se e caminhou em direção a carruagem que estava esperando-o para levá-lo ao Beco Diagonal. Não iria voltar mais para casa de seus tios, e não colocaria os pés na mansão dos Black. Preferia ter sua carne dilacerada a se aproximar daquela mansão. E, principalmente, não iria para A´Toca. Já colocara muitas pessoas em risco por sua causa, e não iria admitir que ninguém mais morresse por sua incompetência. Talvez mandasse um cartão parabenizando Gui e Fleur pelo casamento, desculparia sua ausência e pronto. Algo direto, tradicional e educado.


Sua presença desagradável não era algo que a família Weasley iria precisar para um dia de alegria e comemoração. Ainda mais, não estava nem um pouco animado ou motivado a comparecer a uma festa no humor em que se encontrava. Estava uma pilha de nervos e na verdade, o que ele precisava era; encontrar um lugar para ficar e um saco de areia para socar e descontar toda sua raiva.

Talvez depois disso viesse a sentir-se humano novamente.


Ignorou os chamados de Rony e Hermione quando passou por eles e o restante da família de cabeças vermelhas. Eles sempre seriam seus melhores amigos, e juntos seriam sempre o Trio Maravilha que colocaram, varias vezes, Hogwarts de pernas para o ar. Mas, agora, aquilo tinha que ser enterrado no passado.


Colocaria sua cabeça direcionada apenas ao futuro.


Um arrepio lhe percorreu a espinha sendo seguida por uma voz macia que penetrou dentro de sua mente; “Por quanto tempo mais você vai fugir, Harry?” . Tinha sido Gina. Ele sabia, e não era necessário virar a cabeça para ter certeza que ela estava o olhando. Apenas sabia disso. Os olhos castanhos, aquecedores, fixos em suas costas à medida que ia se afastando.
Uma nova paulada no peito o fez quase perder o ar por completo. Poderia perder quantas pessoas que fosse, mas nenhum chegaria a ser comparável com a dor indescritível que iria sentir se perdesse Gina, se tivesse que comparecer ao enterro dela. Tudo, menos ela.


- Não pense disso. – ordenou a si mesmo com firmeza, assentindo para o cavalariço que lhe abriu a porta da carruagem assim que se aproximou o suficiente.


- Senhor Potter.


Harry entrou na pequena e confortável cabine, acomodando-se da melhor maneira que podia.


Ele e Gina haviam namorado, mas havia rompido tudo há poucos dias. Era melhor assim. Ninguém estava seguro perto dele.


“Eu amo você” A voz da garota voltou a ecoar em sua mente, fazendo-o trincar o maxilar com força. Sem conter o próprio impulso, afastou a cortina da janela e olhou para o lindo campo verdejante que era contornado por enormes árvores verdes repleta de flores, e para as pessoas que considerava como sendo sua família. Eles deveriam estar esperando o Senhor Weasley com o veículo para levá-los para a casa.


Foi então que seus olhos se encontraram com os de Gina. As íris amêndoas fixas nele de maneira terna e delicada.


Harry sentiu o coração falhar um batimento. Gina não estava com os olhos vermelhos, mostrando que havia se posto firme durante todo o enterro.


Ela crescera. Não pode deixar de pensar. E estava linda.


Naquele dia, ela vestia um simples vestido preto de um tecido muito leve, com mangas longas e uma gola rolê. Os sapatos de salto deixavam-na com uma pose mais sofisticada. Gina havia prendido as madeixas laterais de seu cabelo com uma presilha, deixando o restante dos cachos soltos.


Harry viu um dos gêmeos se aproximarem da irmã e a cobrir com o seu casaco.

Ela sorriu agradecida antes de voltar a fitá-lo. E nesse momento, Harry notou; não havia nem mesmo um risco de pena nos olhos dela.


Sentiu-se grato por aquilo, e a amou ainda mais. Ela o compreendia como ninguém. Tinha o dom de fazê-lo perder a sensatez em questão de segundos. E aquilo era o verdadeiro perigo. O amor incondicional que ambos sentiam um pelo outro.


Franziu o cenho levemente quando a viu direcionar os olhos para cima, como se algo bastante interessante estivesse acontecendo na altura das árvores, mas logo ele entendeu o que ela estava fazendo. Em questão de segundos uma chuva de pétalas cor-de-rosa começaram a banhar o campo.


Molly Weasley ergueu os olhos e viu as pétalas irem se soltando dos galhos à medida que o vento assoprava e sorriu emocionada.


Dumbledore teria gostado muito de ver aquilo.


Harry compreendeu a magnitude do coração de Gina e a viu sorrir, como um sinal de que nem tudo estava perdido. E foi ali que Harry notou a sua nova fonte de esperança. Sentiu-se aquecido e de certo modo, protegido.


Com aquilo, Gina abraçou Hermione que ainda chorava, e caminhou em direção ao pai que os esperava no volante do carro voador.


Cobriu a janela com a cortina e se recostou no banco. Pronto. Tudo estava acabado e agora era questão de algumas horas para um novo dia dar-se inicio, e para Harry, seria apenas o principio de uma nova jornada.




I was loved
I was touched
And I learned what love is, and I learned what love is
I was blessed
So blessed
'Cause I learned what love is, I learned what love is
From loving you







Do nada sentiu a carruagem parar e aquilo o fez levar a mão diretamente para o bolso interno de seu sobretudo onde havia guardado sua varinha.


Num rompante a porta da cabine se abriu e sem se alterar Harry olhou para Remus Lupin que sem pedir licença acomodou-se no banco a sua frente.


Olhou para o professor e ergueu uma sobrancelha numa forma altamente irônica.
Lupin parecia que havia acabado de duelar com um furação! Os cabelos castanhos claros estavam num estado tão deplorável que Harry se viu agradecendo pelos seus próprios não serem daquele jeito. Os olhos do homem estavam envolvidos por uma forte camada escura, insinuando o fim da lua cheia há dois dias, mas isso apenas fez com que os íris dele, um tom quase amarelado, se destacassem.


- Olá Harry. – Lupin o cumprimentou com um doce sorriso enquanto ajeitava as vestes amarrotadas. – Está uma ventania dos infernos lá fora. Quase cai num monte de estrume quando o meu guarda-chuva quebrou e o vento o empurrou para trás.


Harry não se deu ao trabalho de corresponder ao sorriso do professor.


Afastando sua mão da varinha, falou com uma calma irritante:


- Olá, Lupin. Desculpe a sinceridade, mas, você esta horrível.


- É eu sei, não estou num dos meus melhores dias hoje. Por alguma razão devo ter acordado com o pé esquerdo, já que pela manhã eu recebi uma notificação para comparecer ao Ministério.


- O que eles queriam com você? – Perguntou mesmo não se sentindo muito interessado.


Lupin terminou de se ajeitar e o fitou.


- Sempre que termina a lua cheia eu sou submetido a fazer alguns testes psicológicos, para ver se eu sou uma pessoa segura para a população bruxa – seu tom saiu mais sarcástico do que esperava e suavizando, continuou: - E também porque eu tive que resolver algumas coisas em relação a você, Harry.


Aquilo o pegou de surpresa, mas não demonstrando nenhuma emoção, apenas perguntou:


- Como assim?


Os olhos astutos de Lupin percorreram toda a extensão de seu corpo. Indo de sua camisa preta até os sapatos social.


- Vejo que está usando muito bem a fortuna que seus pais deixaram para você Harry, e agora que ela se ajuntou com os milhares de galeões do Sirius, acredito que não vai demorar muito para o Profeta Diário destacar na primeira página que você é um dos bruxos mais rico do Mundo Mágico.


- Eles querem apenas me pressionar para dar uma entrevista coletiva. Aqueles lunáticos estão no meu pé desde que fui para Hogwarts. Jamais se cansam de receber um “não”, como resposta. São piores que mariposas.


- Eles são realmente muito cansativos. Mas, você sempre soube lidar com a imprensa muito bem. Eu até fiquei impressionado com a sua atitude quando divulgaram que você teria um namoro com a Hermione, em seu quarto ano.
Aquela lembrança fez Harry girar os olhos, entediado, mesmo que estivesse contendo o riso em sua garganta.


- Rony quase me matou.


- Imagino, ele sempre gostou da Hermione – encostando-se na parede da cabine, perguntou: - Eles ainda não se resolveram?


Harry soltou uma risada sem humor, como se o que tivesse acabado de ouvir fosse o maior absurdo.


- No dia em que eles pararem de bater a cabeça no mesmo lugar e perceberem que está na hora de arriscarem dar um passo mais longo do que as pernas poderiam alcançar, eu irei passar uma poção alisadora nos cabelos.


Aquele comentário arrancou uma gargalhada de Lupin. Harry notou como era bom conversar com alguém amigo e confiável. Realmente ficar sozinho tinha seus custos, mas quando estava na companhia de alguém, finalmente, era como se as Trevas estivessem se afastando, apenas esperando o momento certo para voltarem a encobri-lo em sua própria solidão.


- Cuidado para não ficar parecendo com o Seboso.


Lupin só veio perceber a besteira que dissera no segundo seguinte, quando viu o rosto de Harry se fechar numa máscara de gelo e os olhos se retesarem de modo quase sanguinário.


- Desculpe Harry, eu sei como isso deve estar sendo difícil para você...


- Esqueça. – ele o interrompeu, virando o rosto para a janela.


Inclinando-se sobre o garoto, Lupin endureceu o olhar.


- Harry eu sei como isso está sendo difícil pra você, acredite. Mas, você não é o único que está sofrendo. Perder Dumbledore foi um grande peso ainda maior do que descobrir a traição de Snape. – ele notou o garoto apertar a mandíbula com mais força quando tocou no nome do Comensal. – Você tem que desabafar se não isso vai acabar destruindo você.


- Eu estou bem. – Harry retrucou, friamente. – Eu estou com a cabeça cheia, Lupin. Foram muitas coisas que aconteceram ao mesmo tempo. Preciso parar e pensar no que vou fazer. Voldemort está ficando cada vez mais forte e na próxima vez que encontrá-lo será para termos um confronto final. Não posso ficar me distraindo com o que aconteceu com Dumbledore e muito menos com Sirius. Minhas prioridades nesse momento são outras.


Lupin assentiu, parecendo concordar com o que ele havia falado.


- Como anda a sua Oclumência?


- Você por acaso se esqueceu quem estava tentando me ensiná-la? – Lupin soltou uma exclamação frustrada com aquilo. – Ter tido aquelas aulas com o Snape foi à mesma coisa do que tentar entender as cantorias da Lula Gigante.


- Temos que dar um jeito nisso Harry, saber a Oclumência e a Legilimencia é fundamental para você ter alguma chance no duelo contra Voldemort.


Harry soltou uma risada tão fria que Lupin não pode deixar de entristecer.

Ele estava completamente destruído por dentro, isso era nítido para quem o conhecia bem, os que apenas conviviam com ele por meios de banalidades rotineiras seriam incapazes de distinguir sua fisionomia ou decifrar o que estava lhe passando na cabeça.


Harry amadurecera rápido, e depois das ultimas tragédias, isso apenas havia servido para transformá-lo em uma pessoa fria e quase sem sentimentos. Quase.
Queria tocar no assunto em relação à Gina, mas o achou delicado demais para aquele momento. Era muito cedo para eles conversarem em relação à ex-namorada do rapaz, que parecia sofrer com aquela separação mais do que qualquer outra coisa.


- Pode deixar que eu vou dar um jeito nisso. – Lupin estranhou a maneira que Harry havia dito aquilo. Soou como se ele estivesse sozinho naquela árdua jornada contra as Trevas.


- O que quer dizer? – Perguntou.


Harry respirou fundo antes de passar a mão pelos cabelos num gesto irritado.


- Eu não vou voltar para casa dos Dursleys nem que me joguem um feitiço de sonolência. E... – Ele nunca pensou que um dia diria aquelas palavras, e viu como era difícil. – E não irei para a casa dos Weasleys.


Lupin recebeu aquela noticia como se houvessem jogado um balaço de encontro ao seu crânio. Ajuntou as sobrancelhas num gesto revoltante e sério.


- Como assim você não vai para a casa dos Weasley nessas férias Harry? Tem o casamento do Gui! Eu até posso compreender a sua indiferença em relação a seus tios, mas com os... – as coisas começaram a fazer sentindo, e o assunto que ele hesitara em tocar, teria que vir a tona. – Você não quer ficar muito perto da Gina não é mesmo? Tem medo de fazer alguma besteira.


Num gesto que revelou ser o do Harry de antes - um jovem mais humano -, posicionou os cotovelos sobre os joelhos e a cabeça entre as mãos, onde demonstrava sua plena frustração.


- Eu amo a Gina mais do que tudo Lupin, e se alguma coisa acontecesse a ela...


- Harry, você querendo ou não ela já está envolvida assim como o resto da família Weasley e Hermione. Você por acaso está se afastando deles para que Voldemort não os machuque? – o quebra-cabeça estava se formando, e a cada peça que se encaixava Lupin se mostrava mais atônito. – Isso é inevitável! Todos nós estamos nisso Harry, e não tem como você impedir. Se tentar chamar a atenção de Voldemort para si isso não irá salvar os outros dos Comensais. É tudo um jogo, e você vai ter que se conformar que, uns irão perder e outros ganhar.


Harry ergueu a cabeça e fitou Lupin com uma determinação tão profunda que fez o homem prender a respiração.


- Voldemort e os Comensais terão que passar por mim antes de feri-los.


Lupin estava tão surpreso pela força e segurança nas palavras de Harry que chegou a considerar que ele seria realmente capaz de lidar com o exercito de Voldemort e o próprio Lorde das Trevas.


- Certas coisas são imprevisíveis, Harry. – os olhos verdes pareceram furá-lo como uma lâmina afiada.


- Mas, posso tentar impedi-las. – Lupin balançou a cabeça.


- Você não está compreendendo Harry. Longe das pessoas que você ama e que se preocupam com você isso irá apenas te enfraquecer, deixá-lo vulnerável contra as forças de Voldemort.


Harry sorriu com deboche e voltou a se sentar corretamente contra o banco antes de proferir as palavras de modo brusco:


- Eu não preciso de ninguém.


- Assim como você pensava que Dumbledore não precisava de ninguém por ter sido um grande bruxo e sábio?




(Some people search their whole lives
Never find what I found in your eyes)
Glad I got to get the chance to
Have you in my life
I won't be sad when I look back
'Cause I was... I was...






Harry sentiu nós se formarem por todo seu estômago. Apertados e terrivelmente doloridos.


A decepção que tinha consigo mesmo era tão recente quanto uma ferida que ainda se mantinha aberta após um árduo duelo.


Cada vez que pensava que não teria mais o apoio de Dumbledore, que, se um dia voltasse a entrar em seu escritório em Hogwarts, não o veria mais sentado atrás de sua escrivaninha, fitando-o carinhosamente com seus incríveis olhos azuis que brilhavam como duas estrelinhas por detrás dos oclinhos de meia-lua, um gosto amargo lhe vinha na boca.


Nada seria como antes. Não receberia mais cartas do Diretor nas férias, ou se divertiria com suas senhas engraçadas sempre relacionadas à comida.


Por alguma razão, Harry percebeu que tudo ao seu redor havia ficado nebuloso e sem brilho.


Tentando engolir o gosto amargo que se formou em sua boca, retrucou:


- Ele está num lugar muito melhor do que eu.


- Do que todos nós. – corrigiu-o Lupin. – Agora, quero esclarecer uma coisa com você que chegou aos meus ouvidos hoje. – como um sinal para que ele continuasse, Harry apoiou-se na porta da cabine e coçou o queixo, prestando a atenção. – Que historia é essa que você não irá retornar a Hogwarts para finalizar os seus estudos?


Por que será que aquela pergunta não havia o surpreendido?


Dando de ombros, respondeu:


- Tenho que ir atrás dos horcruxes, achar um modo de treinar a Oclumência e a Legilimencia e feitiços de defesa e ataque. Ainda tenho que me manter informado em relação à Ordem e dedicar toda a minha atenção a cada passo de Voldemort.


Cruzando os braços, Lupin falou da maneira mais sarcástica que conseguira:


- E depois caíra duro como pedra dentro de um caixão por causa de tanta exaustão? Nunca pensei que você fosse tão descuidado consigo mesmo, Harry.


- Minucioso – o garoto argumentou entre os dentes.


- Burro! – Lupin exclamou – Nunca ouvi uma desculpa tão ridícula. Até mesmo seu pai e Sirius tinham mais criatividade quando Minerva os pegava no meio de um corredor nos maiores beijos com garotas em plena madrugada.


- E o que eles alegavam?


Lupin sorriu.


- Que ela havia trabalho muito durante o dia e que pela idade estava começando a imaginar coisas. Uma vez seu pai chegou a dizer que ela estava sonhando muito com ele que agora via sua miragem em todas as partes.


Seu pai era realmente muito cara-de-pau, Harry pensou, não conseguindo conter um leve sorriso.


- A Professora McGonagall acreditava nisso? – Lupin fez uma careta.


- Ora, por favor, ainda está para existir alguém que passe a perna naquela mulher. Nunca vi ninguém mais cabeça dura e ríspida em relação às regras.


- Isso é porque você não conviveu com Hermione nos últimos anos.
Lupin riu alto, aumentando ainda mais seu afeto pela garota. Hermione era realmente um gênio.


Ela sempre fora uma de suas alunas preferidas – nunca conseguira esconder seu carinho especial por Gina Weasley. Talvez os cabelos ruivos e sua doçura o fizessem lembrar muito de Lily – atenta a cada palavra e respondendo a todas as perguntas. Não havia uma única que Hermione não levantasse a mão. Por alguma razão, Lupin se identificava com ela. Quando estava na sua época de aprendizado em Hogwarts, sempre fora um dos mais inteligentes.


- Você vai para Hogwarts, Harry, assim como também irá para A´Toca alguns dias antes de seu aniversário. Por enquanto você pode ficar comigo. Minha casa é grande o suficiente para nós dois, só não se atreva a colocar os copos de cerveja amanteigada na mesinha de centro da sala de estar, na ultima vez que Sirius fez isso passei um bom tempo tentando tirar as marcas do vidro.


- Eu já tomei minha decisão, Lupin e não irei mudá-la.


Lupin sorriu enigmático, como se estivesse escondendo alguma coisa.


- Em relação aos seus treinos tanto de duelos como de Oclumência e Legilimencia conheço a pessoa perfeitamente adequada para ensiná-lo, mesmo que eu acredite que você já tenha certo domínio sobre isso.


- Você ouviu o que eu disse? – Harry perguntou, começando a se irritar profundamente com tudo aquilo.


Lupin continuou o ignorando e assim prosseguiu:


- Quando você estiver em Hogwarts isso irá facilitar para manter contado com a Ordem da Fênix. Eu já estou pesquisando em relação aos horcruxes Harry – ele notou o olhar surpreso do garoto e sentiu uma enorme satisfação de ter conseguido obter uma reação inesperada dele. – não se preocupe, o manteremos informado de tudo. Fique perto de Hermione e Rony, eles são seus amigos e vão estar sempre ao seu lado, mesmo que você os chute para longe. Ambos são teimosos e cabeças esquentadas e tenho certeza que você não gostaria de ser o centro do motivo se eles explodirem juntos. – tomando fôlego, Lupin se curvou na direção de Harry que o olhava com as íris verdes faiscando. – Agora, em relação à Gina...


- Não se atreva a comentar nada sobre esse assunto.


A carruagem parou e num gesto rápido Lupin abriu a porta e pulou para fora. Já estava escuro e as luzes flutuantes que serviam para iluminar as ruas do Beco Diagonal estavam acesas.


As lojas estavam fechadas, e Lupin pensou que fosse um gesto de respeito em relação à morte de Dumbledore.


Antes de fechar a porta no nariz de Harry, virou-se para ele e finalizou:


- Quer saber de uma coisa? Eu esperava cegamente uma atitude de covardia em relação ao namoro de vocês da parte dela, mas nunca sua. Pelo visto me enganei. – sorriu – Não tenha medo Harry, apenas se deixe levar. Gina é determinada e sabe lutar muito bem quando quer alguma coisa, agora a pergunta central é; você vai conseguir resistir? – e sem dar tempo para Harry responder, ele fechou a porta e foi fazer algumas coisas que havia deixado pendentes.


I was loved
I was touched
And I learned what love is, and I learned what love is
I was blessed
So blessed
'Cause I learned what love is, I learned what love is
From loving you





Harry chegou à casa de Lupin minutos mais tardes.


Sentia que era capaz de explodir qualquer coisa tamanha a sua raiva. Quem Lupin pensava que era para se meter em sua vida daquele jeito? Nem mesmo Sirius conseguira o domar.


Bufando, escancarou a porta da residência do homem sem medir o grau de sua força.


A casa ficava num pequeno vilarejo alguns minutos afastado do Beco Diagonal. Nada que não fosse capaz de fazer o percurso a pé.


Fechou a porta atrás de si apenas murmurando um feitiço e assim, subiu em direção aos quartos. Teria realmente uma séria conversa com Lupin quando ele aparecesse.


Mas, naquele momento a única coisa que queria era tomar um banho e dormir sem interrupções noturnas causadas por pesadelos ou certos desejos. Não fazia muito tempo em que sua mente começou a lhe trair descaradamente, enviando-o imagens nada propicias e inocentes.


Na grande maioria, era ele e Gina, sozinhos na Sala Precisa. Eles discutiam ferozmente no inicio, ambos vermelhos e suados por causa da revolta, e quando o único fio de paciência se rompeu, ele a agarrava e beijava-a com toda paixão que havia resguardado dentro de si.


“... você vai conseguir resistir?” A pergunta de Lupin vagou em sua mente no momento em que adentrou no quarto de hospede.


Inferno sangrento! Ele jamais conseguira segurar seus impulsos primitivos quando estava com aquela ruiva. Tudo nela era fascinante. Desde a forma que piscava até o jeito sensual que caminhava. E aqueles cabelos... Aquela cascada de fogo que ele amava entrelaçar seus dedos.


Algumas vezes, quando estavam se beijando, deixavam-se levar pelo momento e quando davam por si estavam com as blusas abertas e completamente vermelhos pelo ardor.


Céus. Ele a desejava tanto que chegava a doer.


Caminhou até a janela da suíte e olhou o céu. Com o primeiro sorriso verdadeiro que deu, depois de intermináveis semanas, lembrou-se de um momento especial.




(I had you, I had everything I ever needed)

From that first look I knew
I found heaven in your eyes
But who was to know, the way it would go
I have no regrets
Glad I let you in
Wouldn't have missed one single moment
I would do it all over again





Ele estava atrasado para o encontro. Como sempre!


Gina havia marcado com ele às nove horas no domingo na Torre de Astronomia e quando estava indo encontroá-la, deparou-se com um desagradável obstáculo; Malfoy.


Isso lhe rendeu preciosos minutos e, uma sobrancelha – que agora estava com um leve corte – e quase um olho roxo, enquanto o Sonserino se encontrava ainda atordoado na Ala Hospitalar.


Como sempre, Malfoy foi quem começou, provocando-o. E como sempre fora pavio curto, não demorou muito para explodir, e quando se deu de conta o que estava fazendo, já estava se atracando com o loiro no meio do corredor. Ambos caídos no chão e rolando de um lado para o outro.


Por fim, eles foram separados pela voz branda e severa de Lupin que era o professor de Defesas Contra as Artes das Trevas.


Quase uma hora e meia depois, Harry estava saindo da Ala Hospitalar com uma bela detenção pregada na testa. Ouvira umas coisas de Lupin, como também de Madame Ponffrey que resmungou algo como; “Não é possível que um único aluno venha a fazer tantos estragos noutro sem o uso de magia” Aquilo fez sorrir triunfante. Como sempre, havia detonado a cara de Malfoy e vencido na luta de igual pra igual.


Mesmo que tivesse recebido uma ordem direta para voltar imediatamente para a Sala Comunal da Grifinória, Harry tirou a capa de invisibilidade do bolso – já que havia jogado um feitiço para diminuí-la – e com uma sacudida ela se esticou no ar, a medida qual ia se revelando, colocava-se mais na horizontal até que caiu na delicadeza de um véu ao vento diante de si.


Cobriu-se de imediato e assim, correu em direção a Torre de Astronomia. Com certeza iria se alto flagelar se Gina não estivesse lá. Numa mensagem muda de que esperara tanto que se cansara, isso se não viesse junto com um bilhete escrito de maneira direta; “Potter, você é um idiota!”. A parte de xingamento ele também iria realizar por métodos próprios.


Droga. Ele era realmente um idiota. Quantas vezes havia dado quase um bolo em Gina naqueles últimos meses? A Ordem da Fênix estava enchendo tanto a sua cabeça e Snape com treinos cada vez mais rigorosos que era quase um martírio quando conseguia ficar algum tempo com a namorada, e toda vez que ela marcava um encontro; ele se atrasava.


“Eu não a mereço” Pensou amargamente, antes de subir um grande lance de escadas, virar no corredor e assim parar diante da porta da sala na Torre.


Sua mão tremeu ligeiramente num gesto de desconforto e ansiedade para abrir a porta e se deparar com o que estava pensando; o nada.


Balançou a cabeça e murmurou uma blasfêmia. Era lógico que Gina deveria estar ali. Ela sempre estava! E daquela vez não seria diferente. Mesmo sempre se atrasando, toda vez que finalmente chegava ao local do encontro ele a via apoiada em algum lugar, esperando-o pacientemente, e quando os olhos se cruzavam, Gina apenas sorria. Daquela maneira doce e delicada. Ela sempre o entendia e ao vê-la sempre ali ele sabia que era continuaria esperando até o sol nascer se fosse necessário.


Notando que estava dando um de retardado ficando parado no corredor, mesmo estando invisível, Harry girou a maçaneta e abriu a porta sem fazer um único ruído. Quanto mais brigasse consigo mesmo o tempo estava passando.


Entrou dentro da sala na Torre de Astronomia e fechou-a sem emitir um único som e assim suspirou. Pronto, já estava lá. Foi então que, ao virar-se, ele a viu.


Gina estava de costas para si, apoiada na batente da enorme janela e olhando o céu estrelado e a bela lua nova.


Ele não pode deixar de reparar como ela estava linda naquele conjunto simples de jeans e uma blusa branca que deixava seus ombros a amostra. Os cabelos ruivos soltos, abraçando seu corpo como uma manta de puro fogo.


Ela parecia não ter notado a sua presença e com um sorriso maroto, Harry aproximou-se dela, sorrateiramente pensando como seria divertido dar um susto na namorada que parecia tão compenetrada no céu. Era um dos passatempos preferidos dela.


Delicadamente aproximou-se do ouvido dela, pronto para dizer alguma coisa e recebê-la em seus braços quando ela pulasse pelo susto, mas para sua surpresa, Gina disse antes que pudesse fazer isso:


- Você não está nem cogitado a idéia de me dar um susto, não é mesmo, Senhor Potter? – e então ela virou-se, encostando os quadris no apoio da janela e as mãos postas ali, como se tivesse se segurando. Ela inclinou a cabeça e olhou-o com aqueles incríveis olhos num tom de mel-esverdeado que o fez ficar em transe por um momento. Mesmo coberto pela capa de invisibilidade, ela havia fixado os olhos diretamente nos seus. – Ainda mais em mim, sua namorada que está te esperando há quase duas horas. Qual será a sua desculpa dessa vez?


Não havia irritação na voz dela, e muito menos estava o reprimindo. Ela já tinha noção que ele já havia se lamuriado o suficiente e assim apenas... brincou, oprimindo os lábios num delicado sorriso.


Ela esticou a mão e puxou a capa de invisibilidade que deslizou até o chão e viu que ele também estava sorriso.


Mas, o sorriso de Gina foi sumindo à medida que ela olhava para seu semblante. Num gesto rápido, aproximou-se dele e colocou as mãos entre seu rosto.


- Meu Deus! Eu não sabia que você tinha tanta vontade assim de lutar contra o Salgueiro Lutador... Harry, o que aconteceu? Você está horrível!


Aquilo sim eram palavras de incentivo. Tudo o que ele estava precisando para reanimar sua alto-estima.


Será que estava tão feio assim?


Posicionando suas mãos na cintura dela, a apertou contra seu corpo e respondeu, ainda sorrindo – era muito fácil fazer aquilo quando estava com a namorada -:


- Eu tive um encontro rotineiro com Malfoy quando estava vindo para cá. – Gina ergueu uma sobrancelha.


- Espere, se você está nesse estado... Não me diga que cometeu um assassinato! Harry, Malfoy sempre foi um mosquito impertinente, mas não era necessário acabar com ele!


Harry riu com aquela observação da ruiva. Ela tinha razão ao ficar espantada, quando Malfoy e ele brigavam o que sempre levava a pior era o loiro, e com certeza, ficava num estado tão lamentável para motivos de pena.


E saber que Gina o via como um belo duelista, apenas fez seu peito se estudar de tanto orgulho.


- Não se preocupe Gi – acariciou o rosto dela com a costa da mão – Eu não o matei. Ainda – provocou, sabendo que aquilo iria fazer à namorada girar os olhos.


Gina soltou com uma exclamação quase incompreensível antes de girar os olhos.


Aquilo fez Harry alargar ainda mais seu sorriso. Ela era tão previsível aos seus olhos. E aquele conhecimento por inteiro que ambos tinham um com outro, a compreensão de apenas um único olhar, vinha crescendo à medida que o amor deles ia queimando cada vez mais. Se intensificado, e com aquilo, as caricias também avançavam. Pouco a pouco... Numa tortura lenta e perigosa de desejo e paixão.


- Quando é que você vai parar de se meter em problemas? – Gina perguntou, soltando risinhos de incompreensão para aquela rixa ridícula do namorado com o Sonserino.


Harry deu de ombros e dando um passo a frente, fez Gina ficar prensada contra o peitoral da janela.


- Talvez quando ele parar de me encher. – respondeu, aproximando seu rosto do dela enquanto suas mãos acariciavam suas costas. Ela arqueou o corpo, levemente, contra o dele.


- É tão difícil ignorá-lo?


- Eu não gostaria de correr o risco de receber uma azaração pelas costas. – ficando com uma fisionomia mais séria, Harry se concentrou no pescoço da namorada, mais detalhadamente, na delicada parte logo abaixo do lóbulo da orelha. Gina ficava louca quando ele cobria aquele pedaço de pele com sua boca. Era muito bom ouvi-la gemer. - Malfoy gosta de jogos baixos e sujos, mas apenas tem coragem suficiente para me enfrentar quando está acompanhado daqueles dois armários, mas por alguma razão, Crabbe e Goyle não estavam lá, era como se Malfoy estivesse treinando um encontro de igual comigo.


Gina deslizou as mãos que ainda repousava na curva de seu pescoço, para seus ombros e continuou descendo por seu peito usando as unhas. Arranhando-o.


- Você acha que ele está planejando algo? – Harry soltou uma risada sarcástica.


- Ele não tem capacidade para isso, é um idiota. Mas…


- Lucius Malfoy. – Ela completou, tentando se manter firme e com a sensatez fixa na cabeça, mas estava realmente difícil quando as mãos do namorando passeavam por seu corpo, lentamente. - Você tem que tomar cuidado Harry. Não acho uma boa idéia você andar sozinho pelo castelo num certo horário.


Ele divertiu-se com o tom preocupado da voz dela.


- Com medo de alguma coisa, ruiva? – provocou com a voz rouca, enquanto com a pontinha dos dentes mordia a orelha dela.


Gina passou os braços ao redor de seu pescoço, abraçando-o.


- Bem, acredito que seja muito normal à namorada temer pelo bem estar do garoto que ama quando ele aparece para um encontro romântico atrasado e com uma cara horrível cheia de marcas de luta, como se houvesse se atracado com algum ser da Floresta Proibida.


Harry riu com aquilo. Gina era tão divertida e original que algumas vezes o que ela lhe dizia o deixava afoito. Com certeza ela honrava a cor dos cabelos que tinha e principalmente o nome. Os Weasleys eram pessoas que quando muito provocadas simplesmente explodiam. Mas, durante todo o tempo em que conhecia Gina, ele nunca a vira perder a cabeça e por alguma razão, acreditava que, de todos os irmãos, a dela fosse a pior.


- Desculpe, prometo que na próxima vez em que brigar com alguém vou mandar um bilhete para você pedindo desculpas por não poder ir ao encontro porque estou em coma na Ala Hospitalar e que não precisa ir me ver para contemplar os meus inúmeros hematomas.


- Você se acha muito espero não é mesmo, Potter? – ela perguntou, afastando a cabeça e o encarando com os olhos levemente cerrados.


- Quando algo é relacionado a você, é difícil esconder ou simplesmente te passar a perna. – Gina ergueu uma sobrancelha.


- Por alguma razão irei considerar isso como um elogio.


- Mais foi. – garantiu Harry, voltando a aproximar sua cabeça da namorada. Merlin, como queria beijá-la.


- Então faça logo... - Gina murmurou sorrindo maliciosa. – Não temos a noite inteira para ficar discutindo cada cicatriz que você tem pelo corpo, então, por que perder tempo com isso se poderíamos estar fazendo algo bem mais interessante?


Harry apertou seu corpo com mais força de encontro ao dela e sorriu levemente, num gesto perigoso e seus olhos verdes brilharam numa forma maliciosa. Gina sentiu um arrepio percorrendo sua espinha quando ele roçou a boca na dela, os dedos da mão deslizando por sua barriga e passando entre seus seios numa caricia ousada e lhe agarrando a nuca com firmeza.


- Saia da minha mente, ruiva. – Ou será que ele havia pensando aquilo em voz alta? – Se continuar cavando aí vai descobrir coisas muito embaraçosas.


Num gesto rápido, Gina sentou no parapeito da janela e puxou-o pela gravata, colocando-o entre suas pernas.


Harry sorriu com aquilo. Adorava quando ela tomava a iniciativa das posições.


- O que você imagina Harry? – ela perguntou com a voz baixa e sensual. Ele notou quando os olhos dela emitiram uma luz safada e os lábios vermelhos umedecidos pela pontinha da língua, insinuante, começando a fazer seu nível de testosterona começar a bombear dentro de si.


Seu coração falhou um batimento quando Gina encostou as costas no vidro da janela, a luz da lua iluminando com seu resplendor prateado, dando uma cor diferente aos olhos dela. Algo quase faminto.


As pernas dela deslizaram pela lateral de seu corpo para logo se entrelaçarem suas costas, puxando-o para si, fazendo se corpo fica inclinado contra o dele. Sua calça estava começando a ficar apertada e ele notou que Gina sorriu ao sentir o seu grau de excitação que roçava levemente contra suas coxas.


- Você me imagina nua? – ela continuou com aquele mesmo timbre de voz que estava começando a deixá-lo sem ar. Voltando a passar as mãos delicadas por seu corpo, Harry sentiu quando a namorada o abraçou e ondulou o corpo de encontro ao dele. Diacho! Ela estava o abraçando com o próprio corpo, enrolando-se nele como uma serpente perigosa, provocando-o, parecendo testar até onde seu autocontrole poderia chegar.


Fechou os olhos e cerrou as mãos, tentando não perder a cabeça. Mas, estava realmente muito, muito difícil. Gina o provocava como ninguém. Seu sangue circulava com rapidez por seu corpo, descendo em direção ao seu membro, pulsante agora.


- Gina...


- Você imagina o que Harry? – as unhas dela cravaram-se em sua nuca e ele não pode segurar um gemido. – Imagina nós fazendo amor? Me fazendo sua... Deslizando para dentro de mim e me fazendo gemer a cada movimento do seu corpo contra o meu? – ela riu deliciada – Você não é o único.


Para o inferno o autocontrole e a sua maldita cabeça. Ele a queria. E a queria agora!


Erguendo a cabeça e sem perder tempo ele avançou de encontro a ela. Suas mãos agarraram-na com desesperado desejo e assim, sua boca cobriu a dela num beijo de sedução eletrizante, que fez centelhas explodirem por todo o corpo de Gina.


A principio o beijo foi leve, persuasivo, com Harry explorando delicadamente o contorno dos lábios dela. Gina sentiu seu corpo estremecer quando Harry a abraçou com mais força e vontade. Eles já haviam se beijado tantas outras vezes, onde os deixaram sem fôlego, mas naquele beijo havia algo a mais. Uma sensualidade que estava deixando-a ficar fora de controle.


Harry jamais a beijara com lentidão e firmeza como estava fazendo naquele momento. Ele moveu as mãos, descendo uma pelas costas de Gina, puxando-a para mais perto, e deslizando a outra para a nuca, enquanto abria a boca vagarosamente, sobre a dela. Perdida no encantamento produzido pelo beijo, ela introduziu as mãos sob o sobretudo do uniforme, deixando-as subir pelo peito amplo até os ombros largos. Então, enlaçou Harry pelo pescoço.


No instante em que ela comprimiu-se contra ele, Harry começou a passar a língua por seus lábios, induzindo-os a abrirem-se, depois exigindo. Quando isso aconteceu, ele invadiu a boca úmida com a língua, e o beijo explodiu. Com uma das mãos, ele acariciou um seio coberto pelo tecido da blusa, e então, ansioso, pegou Gina pelas nádegas apertando-a de encontro ao corpo, deixando-a perceber sua excitação.


Ela ficou surpresa por aquele gesto de intimidade inusitada, mas mandando o seu recato para o lugar mais fundo de sua cabeça, fazendo-o se unir com sua sensatez que parecia ter se perdido completamente, entrelaçou os dedos nos cabelos dele e comprimiu ainda mais os lábios entreabertos na boca firme e ávida.


Parecia que horas haviam se passado, quando Harry finalmente interrompeu o beijo. Com o coração martelando loucamente, ela ficou no circulo dos braços dele, o rosto encostado em seu peito, enquanto tentava lidar com as turbulentas sensações que experimentava.


Em algum ponto de sua mente anuviada, começou a formar-se o pensamento de que ele ia achar que ela estava comportando-se de modo muito estranho por causa de algo que, na verdade, não passara de um beijo. Essa embaraçosa possibilidade foi que a ajudou a erguer a cabeça. Esperando vê-lo observando-a com ar divertido e intrigado, olhou para o rosto cinzelado e o que viu não foi desconfiança. Os olhos verdes tinham um brilho quente, e as feições duras estavam transformadas em um sentimento de puro amor. Harry apertou-a nos braços, como se não a quisesse soltar nunca mais.


Gina percebeu que o corpo dele continuava com a rigidez da excitação e sentiu um prazer e orgulho, porque ele fora tão afetado pelo beijo quanto ela. Sem pensar no que fazia, fixou o olhar nos lábios do namorado. Havia ousada sensualidade naquela boca firme, no entanto alguns dos beijos haviam sido ternos, de uma gentileza torturante. Como se ele estivesse com medo de que alguma coisa fosse muito mais além do que ela estaria preparada.


Ansiando por sentir aqueles lábios novamente nos seus, ergueu os olhos para o dele com uma expressão inconsciente de súplica.


Harry compreendeu, e um som, entre gemido e uma risada, escapou de seu peito.


- Está bem – ele disse em tom rouco, e apossou-se dos lábios da namorada num beijo violento e devorador, que a deixou sem fôlego e meio louca de prazer.


Soube que era desejada, no momento em que Harry apertou-a nos braços, lançando para dentro de sua mente as imagens eróticas que passavam pela mente dele. Arfou.


Harry a queria. Uniram-se num beijo faminto e consumidor, e ela tentou fazer o melhor que podia para impedi-lo de mudar de idéia. Com gestos desajeitados mais urgentes, desabotoou a camisa dele e abriu-a, acariciando o peito musculoso.


- Gina? – Harry chamou-a num sussurro quando os dedos dela se ocuparam em provocá-lo, brincando com o zíper de sua calça. – Por favor, não me faça perder o controle. Não me torture, porque se eu começar não vou conseguir parar. Ainda acho que este não seja o momento certo.


Derrotada, ela pousou o rosto no peito dele. Harry afagou-lhe o ombro e fechou os dedos longos ao redor de sua nuca, enquanto com o outro braço não conseguiu conter a vontade de colocá-lo por debaixo da blusa dela.


O que ele estava fazendo? Havia dito com todas as palavras que aquele não era o momento mais propicio para eles, então... Por que seu corpo não obedecia? Maldição! Ele ia acabar enlouquecendo, se não fosse morto pelos irmãos da ruiva antes.


- Você tem certeza Harry? – Gina perguntou, respirando o perfume dele como se fosse o aroma mais delicioso que já sentira em sua vida.


Então, para a alegria da ruiva, ele desceu a mão de sua nuca até o zíper de sua calça, puxou-o, e o cós da jeans afrouxou.


- É bom estar preparada para salvar a minha pele quando seus irmãos descobrirem.


- Eles não vão saber. – Gina garantiu, arranhando o tronco dele com as unhas, a pontinha dos dedos contornaram os músculos bem feitos em sua barriga.


- E você acha que eles já não vieram me interrogar? Perguntando quais eram as minhas intenções com você. – Harry falou, enquanto suas próprias mãos brincavam com a pele macia dela por debaixo do tecido leve da blusa.


Prendeu a respiração quando ela começou a brincar com o cós de sua calça, o dedo indicador penetrando por dentro do tecido e brincando com o elástico de sua cueca.


- E o que você respondeu? – quis saber ela, divertida.


Harry permitiu-se soltar um sorriso do mais puro deboche, antes de responder malicioso:


- Que elas estavam muito longe de serem corretas e puras. Quando disse isso Fred quase me acertou um soco e Rony só faltou explodir, mas depois eles viram que eu estava brincando – o brilho nos olhos dele, não a enganaram.


- Estava brincando mesmo? – O provocou.


Harry aproximou-se e roçou sua boca na dela.


- Quer descobrir ruiva? – Gina riu com aquele comentário e sorrindo animada, perguntou com as sobrancelhas levemente franzidas:


- Será mesmo que você é um garoto sem um pingo de princípios?


Curvando a cabeça, Harry não hesitou em dizer:


- Vamos ver pôr nós mesmos.


Gina queria alcançar o nirvana e procurou-o no próximo beijo. E alcançou. Apertando os músculos rijos das costas de Harry, beijou-o com desejo cego, deixando-o invadir-lhe a boca com a língua. Quando o imitou, ele gemeu e apertou-a com mais força. Então, de repente, ela não estava mais no controle de si mesma, não percebia nada, além de sensações. Sentiu sua calça deslizar por suas pernas, o ar frio bater-lhe na pele. Os cabelos soltaram-se dos dedos de Harry, tombando nos ombros, e a sala girou, quando ela se viu deitada em cima da capa de invisibilidade, comprimida contra um corpo masculino exigente.


A vertigem passou, e Gina encontrou-se num mundo escuro, mas agradável, onde só existiam a boca e as mãos de Harry correndo por sua carne. Os gestos delicados a despiam sem pressa, como se ele estivesse ansioso, mas paciente por desembrulhar aquele presente espetacular.


Gina fechou os olhos e seguindo seus instintos abriu a calça de Harry num movimento firme e preciso. Ela o ouvir rir deliciado e aquilo apenas a fez sentir-se mais segura em relação àquela decisão e assim foi em frente, terminando de tirar as roupas dele.


Então, ele parou. Ela abriu os olhos e viu-o apoiado num cotovelo, observando seu rosto á luz suave da lua que vinha diretamente da janela logo a frente deles. Gina podia ver o céu estrelado sem nuvens sobre os ombros de Harry. Tudo estava perfeito.


- O que está fazendo? – perguntou com uma voz delicada e morna.


- Olhando para você – ele respondeu, deixando o olhar descer para os seios, a cintura, as coxas e as pernas femininas.


Um pouco embaraçada, Gina impediu-o de continuar o exame, encostando os lábios em seu peito. Os músculos rijos estremeceram sob o toque e Harry enterrou os dedos em seus cabelos, pegando-a pela nuca. Daquela vez, quando ela ergueu os olhos, ele inclinou a cabeça e capturou-lhe a boca quase com rudeza num beijo erótico que a deixou em chamas, a língua forçando os lábios a abrirem-se, penetrando, explorando.


Meio deitado sobre ela, Harry beijou-a até ouvi-la gemer baixinho, então lhe sugou os seios, provocando um prazer que era quase uma dor, enquanto as mãos corriam, atormentando-a, fazendo-a arquear o corpo num oferecimento. Ele se moveu, deitou-se em cima dela, pressionando-a com os quadris, beijando-a com ardor nas faces e no pescoço.


Beijou-a novamente na boca, pondo as pernas entre as dela, obrigando-a a abrir as coxas, o tempo todo movendo a língua, retirando-a, introduzindo-a. Então, tornou a parar.


- Olha para mim. – pediu, aninhando o rosto de Gina entre as mãos.


Ela conseguiu sair do nevoeiro sensual em que se encontrava e abriu os olhos, fitando os dele, verdes e ardentes.


- Eu te amo. – Harry murmurou e nesse momento penetrou-a com o maior cuidado que conseguia. Gina soltou um grito abafado e arqueou o corpo. Ela percebeu que ele tirara-lhe a virgindade num movimento rápido para que a dor não fosse tão intensa.


Harry ficou imóvel. Com os olhos fechados, os ombros e braços tensos, permaneceu dentro dela, apenas esperando para que Gina se acostumasse com aquela sensação de preenchimento.


- Tu…do… bem? – com a respiração pesada e entrecortada, Harry tentou se manter no controle, respirando fundo enquanto era invadido por uma onda de prazer que estava o deixando louco. Abriu os olhos e observou o estado da namorada.


Gina não conseguia responder. Estava inerte a tudo, menos há aspirais de fogo que serpenteavam seu corpo, cada vez com mais intensidade e força. Sua voz parecia ter sumido dentro de si, e como resposta ela apenas assentiu.


Ouviu Harry gemer, antes de beijar-lhe novamente a boca, com infinito amor, enquanto começava a mover-se dentro dela, saindo quase completamente, tornando a entrar, profundamente, aumentando o ritmo das investidas, até que Gina julgou enlouquecer.


Ela cravou as unhas nas costas e nos quadris dele, puxando-o, quando o fervor em seu íntimo cresceu, transformando-se num holocausto, mas aumentando mais até finalmente explodir em longas erupções de intenso prazer que pareciam destruir-lhe a alma.


Envolvendo-a nos braços, Harry entrelaçou os dedos em seus cabelos, beijando-a com fogosa urgência, e mergulhou dentro dela mais uma vez. A profunda e feroz fome de seu beijo, o líquido que escorria do corpo musculoso para o dela fizeram Gina agarrar-se a ele e gemer, dominada por uma deliciosa sensação de paz.


Depois de um tempo, ainda abraçados e suados, Harry girou o corpo e puxou Gina consigo, para que pudessem ficar de frente para a janela da sala. Ficaram em silêncio, apenas curtindo aquele estado de êxtase. Gina suspirou feliz e contemplou as estrelas.


- Pronto. Agora eu serei um homem morto na certa. – Harry falou, fazendo a ruiva em seus braços contorce-se numa deliciosa gargalhada.


- Eu já disse meu amor, eles não vão saber. – num gesto travesso, Harry mordeu-lhe o pescoço, ao mesmo tempo em que afundava o nariz entre os cabelos vermelhos da namorada e inspirava seu perfume.


- Espero sair vivo do próximo interrogatório. Ou pelo menos, com alguns dentes da frente pra disfarçar a falta dos de trás. Sem esquecer que será muito bom eu levar a minha varinha escondida, assim vou poder fazer uns feitiços de proteção quando a azaração começar.


Gina afastou-se dele apoiou o queixo em seu peito, olhando-o com seus imensos olhos cor de mel.


- Eu amo você, seu bobo. – ela declarou fazendo-o perceber como era boa a sensação de amar e ser amado. Beijou-a docemente antes de roçar seu nariz no dela. Gina sorriu emocionada por aquele gesto tão simples. – Que horas são?


Olhando para o relógio em seu pulso, Harry notou como o tempo voara. Claro, com quem não voaria se você estivesse ocupado demais, ainda mais se estivesse fazendo amor com a garota da sua vida.


- Quase meia noite. – declarou.


Ao ouvir aquilo, Gina apontou para o céu.


- Fique apenas olhando. – pediu, fazendo Harry erguer uma sobrancelha.


- Por quê?


Deitando a cabeça no ombro dele, ela explicou:


- Você acha que eu ti chamei aqui hoje com a idéia de apenas seduzir você e assim fazermos amor? – Gina notou que ele iria confirmar aquela hipótese, mas antes que pudesse expô-las em palavras, pediu: - Não responda. – Harry riu.


- Gina, você é fantástica!


- Eu sei. – aquilo o fez rir ainda mais. – Mas, continuando... Nessa época do ano, uma vez a cada dez anos acontece algo maravilhoso. Algo que eu vejo como um presente divino do céu para nós aqui da Terra.


Harry abraçou-a com mais força e sussurrou em seu ouvido:


- E o que seria?


Ela abriu a boca para responder, mas não foi necessário já que no segundo seguinte Harry teve a visão mais impressionante de sua vida.


Começou com apenas um único facho branco cortando o céu, depois veio outro e outro, e assim prosseguindo-o, aumentando as quantidades de luzes ofuscantes que se misturavam com as estrelas.


Então, de repente, uma chuva de estrelas cadentes percorria o céu fazendo o formato de um arco-íris. A luminosidade de intensificou sobre eles, como se estivessem sendo banhados pelo resplendor de fogos de artifícios.


Harry sentiu Gina deslizar ao seu lado cuidadosamente e encostando os lábios em sua orelha, disse:


- Faça um pedido.


E ele o fez no mesmo instante, sabendo o que iria pedir.


Alguns segundos mais tardes, com o espetáculo das estrelas cadentes chegado ao fim, a cabeça da ruiva se ergueu e fitando o namorado, perguntou:


- O que você pediu? – A curiosidade na voz dela o fez sorrir.


- Se eu contar o pedido não vai se realizar. – com um leve sentimento de pena, Harry observou o sorriso da namorada ir murchando aos poucos.


- Ah, Harry não me venha com essa superstição idiota. – beliscou-o.


Num gesto inesperado por ela, Harry girou o corpo e erguendo seus braços para cima da cabeça, imobilizando.


Os olhos verdes, brilhantes como duas esmeraldas, a fitavam com atenção.


- Eu desejei que você ficasse bem. – Suspirou. - Que nós ficássemos bem.


Gina sorriu comovida com aquela declaração e esticou o pescoço de modo que seu nariz tocasse no nele num carinho afetuoso. Harry fechou os olhos e tentou marcar aquele momento em sua mente, como o acontecimento mais importante.


- Eu sempre vou estar aqui, Harry. – ela garantiu, conseguindo conquistar um leve sorriso dele.


- E você, o que desejou? – Perguntou Harry, aflorado por uma leve curiosidade. Abriu os olhos e esperou pela resposta.


Gina enlaçou sua cintura com uma perna antes de apertar as mãos de Harry que ainda seguravam as suas.


- Eu desejei que você fizesse amor comigo novamente.


Ele sentiu a boca seca e o desejo que havia pensado ter saciado, voltou com força abrupta.


Como um bom cervo, ele atendeu ao pedido da namorada.




'Cause I was loved
I was touched
And I learned what love is, and I learned what love is
I was blessed
So blessed
'Cause i learned what love is, I learned what love is
From loving you

(I held you, I held everything I ever dreamed of)








Voltando ao momento real, Harry suspirou o ar noturno, pensando no que Gina estaria fazendo naquele momento.


Sentia tanta falta dela. Dos abraços. Do perfume. Dos carinhos e principalmente, dos beijos.


E saber que havia relevado a todos aqueles prazeres era pior do que ser consumido pelas chamas intensas do inferno.


Doía demais amar alguém como era em relação à Gina e não poder estar perto dela. Mas o medo de que algo lhe acontecesse era muito maior do que qualquer outra coisa.


Precisava de Gina. Demorara tanto tempo para notá-la, para abrir os olhos e ver o quanto ela essencial em sua vida que, quando finalmente eles estavam juntos, felizes, Harry era obrigado a deixá-la.


- Desgraça! – urrou entre os dentes, sentindo uma nova onde de ódio lhe preencher o peito. Sentia vontade arrebatadora de uivar como um lobo enfurecido, mas conteve-se. Não queria acordar os vizinhos.


Mais cedo ou mais tarde Harry ainda acreditava que ele e Gina ficariam juntos. Isso estava predestinado. Era como uma promessa para a eternidade.


Mas, naquele momento, isso era impossível, e como a garota sempre o compreendia, não seria diferente agora.


Gina continuaria o esperando, como fizera antes, mas havia uma diferença; ele a amava. De forma absurda.


Afastando-se da janela, Harry virou-se para ir o banheiro e tomar banho, não era nada bom ficar se lamuriando pelos cantos em relação ao seu namoro. O que estava feito estava feito e iria continuar em frente agüentando firme e lutando firmemente contra a saudade e o desejo.


Quando deu o primeiro passo, sem querer, bateu a coxa na mesa que ficava ao lado da janela. Soltando uma exclamação grosseira, Harry dirigiu um olhar mortal para o móvel e foi então que viu um pequeno envelope branco repousado ali, como se estivesse esperado por ele.


Harry sentiu tudo parar envolta de si, quase que imediatamente, e seu coração acelerou como se houvesse recebido um choque de pura adrenalina.


No delicado papel do envelope, continha – feita com tinta preta - a letra caprichada de Alvo Dumbledore, onde se podia ler:


Para Harry.


A luz da lua focava-se naquela pequena parte, o único ponto iluminado que Harry podia distinguir com nitidez.


Engolindo em seco e com as mãos trêmulas, pegou o envelope e abriu-o, sem hesitar, arrancou o papel que havia ali dentro e desdobrando-o começou a ler.


Olá, Harry.


Se você estiver lendo isto é porque não me encontro mais neste mundo.
É comum que seu coração seja tomado por uma sensação estranha, quase egoísta, de não querer que os seus queridos partam para outros horizontes. Para outros mundos. E já dizia um sábio e velho amigo que; coitado é aquele que fica, não o que vai. E, se analisarmos de fora, veremos que é isso mesmo.
Àqueles que acreditam em Deus, seja qual for a sua religião, há algo em que se pode acreditar: O ser infinitamente justo e bom não permitiria que seus filhos perambulassem pelo mundo sem uma supervisão... Sem seus cuidados. Um ser que justifica a origem do universo e da vida, pois o acaso não teria tamanha inteligência e engenharia, é o responsável pela nossa criação, e por nossa existência. E olha que nossa existência tende a nada diante da imensidão do universo, tão repleto de detalhes e harmonia. Pra mim, é inquestionável a presença e a existência desse Deus - e o chame como quiser -, diante da realidade em que vivemos.
Sendo assim, acreditando ou não na "vida" após a "morte", há de se esperar que haja um sentido pra tudo, e que nenhum de nós - mesmo os que partem nesse momento -, está desamparado. A dor da saudade é grande, e a lei da existência precede todos nós em, pelo menos, bilhões de anos. O que nos faz perceber que a vida vai continuar sendo assim, início/meio/fim, e que terá como principal argumento sua própria existência. Pensar, agir, chorar, sorrir, aprender, ensinar, construir, amar, ser! Tudo o que apenas a vida torna possível. A vida! Presente inexplicável e incomparável, que nos permite sorrir e chorar juntos... Amigos inseparáveis, mesmo que a quilômetros de distância.
Como imaginar que nada disso tem um propósito, se a cada instante pessoas se conhecem... Pessoas chegam e pessoas vão... Se pra cada vida que deixa o globo, uma outra surge, reiniciamos um o Ciclo sem Fim.
Enquanto choramos a "morte", esquecemos por instantes da vida que nos cerca... e não somente a vida que "continua", mas a vida que acaba de surgir.
Nada é por acaso... e essa frase tem mais sentido do que as palavras expressam. O que importa é o que fazemos com o tempo que nos é dado. Portanto, viva como a pessoa que partiu gostaria de lhe ver: vivo! Viva e dê continuidade à mágica da existência.
A vida é assim. Nós chegamos sós, e vamos embora da mesma forma. O que vale mesmo é o tempo que aproveitamos para viver, conviver e aprender. Pois só com tal experiência, no final, vamos olhar pra trás e ter a nítida sensação de que, de fato, valeu à pena.
Jamais desista Harry. Eu confio em você, assim como também sempre estarei ao seu lado. Faça aquilo que achar certo e jamais desista daquilo que realmente ama.


Com Carinho,
Alvo Dumbledore.


PS: Peça para Minerva, que será a nova Diretora de Hogwarts não mudar a minha tradição; continuem fazendo a senha de meu escritório com nome de doces. Principalmente os que foram de limão.



Ao terminar de ler, Harry escorregou até o chão e se permitiu mergulhar naquela escuridão que estava o quarto e apenas controlou-se contra suas emoções.


Não iria chorar nunca mais, fora uma promessa que fizera a si mesmo quando perdera Sirius e até hoje vem há cumprido com a pouca força que lhe restou que poderia chamar, hipocritamente de dignidade.


Seus olhos nem sequer marejaram. Mas, apenas se deixou levar para as lembranças do passado e se viu sentindo uma arrebatadora saudade.



Continua...



Tradução da música:



“Por amar você”



( Eu tinha você, eu tinha tudo, o que eu sempre precisei)



Desde o primeiro olhar, eu soube
Eu achei o paraíso em seus olhos
Mas quem era para conhecer, do modo que seria
Eu não tive nenhum arrependimento
Eu deixei você contente
Não tínhamos perdido nenhum simples momento
Eu faria isso tudo de novo



Porque eu fui amada
Eu fui tocada
E aprendi como é o amor, e aprendi como é o amor
Eu fui abençoada
Tão abençoada
E aprendi como é o amor , e aprendi como é o amor
Por amar você



(Eu abracei você, eu tive tudo o que eu nunca sonhei)



Com aquele seu primeiro beijo
O mundo todo cresceu correto
Mas quem era para ver, do modo que seria
Eu nunca vou esquecer



Todo o paraíso que nós compartilhamos
E eu agradeço Deus por cada momento
Cada momento em que você estava lá



Porque eu fui amada
Eu fui tocada
E aprendi como é o amor, e aprendi como é o amor
Eu fui abençoada
Tão abençoada
E aprendi como é o amor , e aprendi como é o amor
Por amar você



(Algumas pessoas que procuram em suas vidas inteiras
Nunca acharam o que eu achei em seus olhos)
Felicidade, eu obtive ao pegar a chance
De te ter na minha vida
Eu não serei triste quando olhar para trás
Porque eu fui...eu fui..



Porque eu fui amada
Eu fui tocada
E aprendi como é o amor, e aprendi como é o amor
Eu fui abençoada
Tão abençoada
E aprendi como é o amor , e aprendi como é o amor
Por amar você

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