- E às vezes, Hermione, se nascia um bebê com algum defeito visivél, os pais espartanos se limitavam a atirar à criança recém-nascido pela janela mais apropriada ou do alto de um penhasco próximo para livrar-se dele. Sim, já vejo que te mostra lógicamente escandalizada, mas meu tio Berton contava as histórias daqueles temíveis guerreiros de tempos já longínquos, e te asseguro que não exagerava seu relato só para me comprazer. Deve compreender que ele tinha a obrigação de contar aquelas histórias sem faltar à verdade.
- Como eram as damas espartanas? Chegou a te contar algo seu tio Berton a respeito delas? - perguntou Hermione em um tom cheio de interesse.
A irmã pequena do Harry estava sentada na beira de sua cama, fazendo tudo o que podia para não estorvar enquanto Gina ia trocando de lugar os móveis de seu dormitório. Hermione já tinha deixado de tratar de convencer ao Gina de que não era nada habitual que ela trabalhasse igual a se fosse uma das empregadas do serviço. Sua nova companheira era um tanto teimosa, e tratar de discutir com ela não servia de nada.
Já tinham transcorrido mais de três semanas desde que Gina forçou sua confrontação com a Hermione. Uma vez que Hermione lhe teve contado a verdade a respeito de sua terrível prova, a dor e a culpa realmente tinham diminuído. Gina tinha estado certa a respeito daquilo. Não havia demosntrado estar escandalizada pela história, e o mais estranho de tudo era que isso lhe tinha sido de tanta ajuda a Hermione como o fato de contar o que lhe tinha ocorrido. Gina simpatizava com a Hermione, mas não a compadecia.
Agora Hermione sempre seguia as indicações de Gina, confiando em que ela sabia o que era melhor para ela. Aceitava o fato de que o passado não podia chegar a ser apagado e tentava deixá-lo atrás, tal como lhe sugeria que fizesse Gina. Aquilo era mais fácil de dizer que de fazer, claro está, mas a amizade de Gina, que tão poucas restrições impunha e tanto estava disposta a dar, ajudava a Hermione a se separar sua mente de seus problemas. Fazia uma semana que por fim tinha começado seu fluxo mensal, e essa era uma preocupação menos com a que obcecar-se.
Gina tinha aberto tudo um mundo novo a Hermione. Contava as histórias mais maravilhosas. Hermione estava realmente assombrada ante a quantidade de informação que se achava contida na memória de Gina, e aguardava com impaciência a nova história de cada dia.
Agora estava sorrindo enquanto contemplava Gina. Sua amiga era todo um espetáculo. um pouco de terra se instalou na ponte de seu nariz e seus cabelos, embora se achavam sujeitos detrás de seu pescoço mediante uma parte de fita azul, estavam-se liberando pouco a pouco de sua atadura.
Gina deixou de varrer o pó de um canto e se apoiou no mando de sua vassoura.
- Já vejo que consegui despertar seu interesse - observou. Logo fez uma pausa para se separar um cacho de sua face, com o que criou uma nova marca de pó em cima de sua frente, e ato seguido continuou com sua história - . Pois eu acredito que as damas espartanas certamente não deviam ter nenhum sentido do decoro. Tinham que ser tão horríveis como seus homens, Hermione. Como tivessem podido levar-se bem com eles se não fossem?
Hermione respondeu à pergunta com uma risita. O som encheu de ternura o coração de Gina. A transformação que tinha tido lugar na irmã do Harry não podia ser mais prazenteira. Agora havia um novo brilho em seus olhos, e sorria muito freqüentemente.
- Agora que chegou o novo sacerdote, temos que ter muito cuidado de não falar desta maneira diante dele - sussurrou Hermione.
- Ainda tenho que conhecê-lo - respondeu Gina - Já ia sendo hora de que os varões da família Potter tivessem a um homem de Deus cuidando de suas almas.
- Antes estavam acostumados ao ter - disse Hermione - . Mas quando morreu o pai John, e logo se acendeu a igreja, ninguém fez grande coisa a respeito. - encolheu-se de ombros e logo disse - : Me conte algo mais sobre os espartanos, Gina.
- Bom, as damas provavelmente já se colocaram todas muito gordas aos doze anos ou assim, embora isso não é mais que uma hipótese por minha parte e não um juízo saído dos lábios de meu querido tio. O que sim sei, não obstante, é que as espartanas levavam a mais de um homem a suas camas.
Hermione soltou uma exclamação abafada, e Gina assentiu, profundamente satisfeita pela reação de seu amiga.
- mais de um de uma vez? - perguntou Hermione, sussurrando a primeiro pergunta e avermelhando de vergonha depois.
Gina se mordiscou o lábio enquanto pensava em se realmente possível tal coisa.
- Não acredito - anunciou finalmente. Suas costas se achava volta para a porta, e Hermione tinha toda a atenção concentrada em seu amiga. Nenhuma das duas se deu conta de que Harry se deteve no vão da porta.
Ele se dispunha a anunciar sua presença, quande Gina voltou a falar.
- Não acredito que seja possível estar jazendo sobre as costas com mais de um homem de uma vez - admitiu.
Hermione soltou uma risita, Gina encolheu os ombros e Harry, que já tinha ouvido a maior parte da dissertação de Gina sobre os espartanos, elevou os olhos para o céu.
Gina tinha apoiado a vassoura na parede e agora estava ajoelhada diante do arca da Hermione.
- Teremos que esvaziar isto se formos movê-lo através da residência - disse.
- Primeiro tem que terminar seu história - insistiu Hermione - . Contas os relatos mais insólitos, Gina.
Harry se dispunha a voltar a interromper, mas em seguida descartou a idéia. Para falar a verdade, sua curiosidade também tinha sido presa.
- Na Esparta não existia nada nem remotamente parecido ao celibato - disse Gina - . Vá, mas não casar-se estava considerado como um crime! Bandas de mulheres que não se casaram tomavam as ruas. Procuravam homens solteiros e, quando os encontravam, equilibravam-se sobre eles.
- equilibravam-se sobre eles? - perguntou Hermione.
- Sim, equilibravam-se sobre o pobre homem e o atingiam até deixá-lo reduzido a uma massa de pulga ensangüentada! - chiou Gina, cuja cabeça tinha desaparecido por completo dentro do arca - . O que te estou dizendo é certo - acrescentou.
- Que mais? - perguntou Hermione.
- Sabia que os jovens eram encerrados em uma residência às escuras com as mulheres às que nunca tinham visto a luz do dia, e que se supunha que então eles deviam…? Bom, suponho que já entende a que me refiro - concluiu.
Gina tragou ar e espirrou devido ao pó que enchia o interior do baú.
- Algumas das mulheres tinham bebês antes que chegassem a ver as faces de seus maridos - seguiu dizendo. Então se incorporou, deu-se com a cabeça na tampa do arca e se apressou a tirá-la fita - . Já sei que isto vai soar horrível, mas te direi uma coisa - acrescentou depois - . Quando penso em seu irmão Harry, não me custa nada imaginar a lady Chang preferindo uma residência às escuras.
Gina fez aquela declaração como uma brincadeira. Hermione deixou escapar um ofego de consternação. A irmã pequena acabava de dar-se conta de que Harry estava apoiado no gonzo da porta.
Gina interpretou equivocadamente a reação da Hermione, e em seguida mostrou seu pesar.
- estivemos mantendo uma autêntica conversação de plebéias - anunciou - depois de tudo, Harry é seu senhor e também seu irmão, e eu não sou quem para me zombar dele ante você. Peço-te desculpas.
- Aceitarei-as.
Aquelas palavras eram as do Harry lhe outorgando seu perdão. Gina ficou tão surpreendida pelo retumbar de sua voz que se atingiu a cabeça novamente no arca quando se voltou para elevar o olhar para ele.
- Quanto tempo leva aí? - perguntou, ruborizando-se de pura mortificação. Logo se levantou e se voltou para ele.
Em vez de lhe responder, Harry se limitou a permanecer onde estava e colocá-la cada vez mais nervosa. Gina alisou as rugas de seu vestido, deu-se conta de que havia uma grande mancha justo em cima de sua cintura e cruzou imediatamente as mãos em frente dela. Uma mecha de cabelos se balançava diante de seu olho esquerdo, mas se movia a mão para se separá-lo, então sem dúvida Harry veria o desastre que tinha feito com seu vestido, verdade?
Gina teve que recordar-se a si mesmo que ela só era seu cativa e ele seu guardião. No que podia trocar as coisas o que ela tivesse um aspecto lamentável ou não o tivesse? Separou-se a mecha de cabelos de seu campo visual com um sopro e lutou por dirigir um olhar sereno ao Harry.
Fracassou miseravelmente e Harry, sabendo o que havia na mente de Gina, sorriu ante seu fracasso. Ao Gina cada vez estava funcionando mais difícil ocultar seus sentimentos. Aquele fato o comprouve quase tanto como o descuidado de sua aparência.
Gina pensou que ele se estava sorrindo do lamentável aspecto de seu vestido. Harry reforçou sua crença submetendo-a a uma conscienciosa inspeção. Seu olhar foi lentamente do alto da cabeça de Gina até o pó que cobria seus sapatos. Seu sorriso foi alargando-se pouco a pouco até que aquele racho tão atraente voltou a aparecer em sua bochecha.
- Sobe para o teu quarto, Gina, e não te mova dali até que vá verte - disse-lhe depois.
- Posso terminar esta primeiro tarefa? - perguntou Gina, tratando de que sua voz soasse o mais humilde possível.
- Não, não pode.
- Harry, Hermione queria trocar a disposição do mobiliário de sua residência para que esta parecesse mais…
Deus, tinha estado a ponto de lhe dizer que Hermione queria que sua residência tivesse um aspecto tão acolhedor como o da estadia da torre! Então Harry teria descoberto tudo o que ela tinha estado fazendo, e provavelmente se colocou muito furioso.
Gina olhou além do Harry para ver o que era o que estava fazendo Hermione. A pobre jovem se espremia as mãos e mantinha os olhos cravados no chão.
- bom dia, meu senhor - murmurou Hermione imediatamente. Não elevou o olhar para o Harry.
- Seu nome é Harry. Senhor destas terras ou não, é seu irmão.
Então Gina se voltou para o Harry e o fulminou com o olhar, lhe dizendo que mais lhe valia não lhe gritar a sua irmã.
Harry arqueou uma sobrancelha quande Gina franziu o sobrecenho. Quando lhe indicou com uma vigorosa inclinação da cabeça que fosse para a Hermione, Harry se encolheu de ombros. Não tinha nem a mais remota idéia do que estava tentando lhe dizer Gina.
- E bem? É que não vais saudar seu irmã, Harry? - quis saber Gina.
O suspiro do Harry ricocheteou nas paredes.
- Estão-me dando ordens? - perguntou.
Parecia bastante irritado. Gina se encolheu de ombros.
- Não consentirei que assuste a sua irmã - disse sem poder conter-se.
Ao Harry entraram vontades de rir. Assim era certo, tal como havia dito Sirius elogiosamente e como tinha protestado Remus: a tímida Gina se converteu na protetora da Hermione. Uma gatita estava tentado proteger a outra, decidiu Harry, exceto pelo fato de que agora Gina se estava comportando mas bem como uma tigresa. Um fogo azul ardia em seus olhos e, OH!, como tentava lhe manter oculta a ira que estava sentindo naqueles momentos.
Harry lhe lançou um olhar que disse muito claramente ao Gina o que pensava de seu ditado. Depois se voltou para sua irmã e disse:
- bom dia, Hermione. Sente-se bem hoje?
Hermione assentiu, e logo elevou o olhar para seu irmão e sorriu. Harry sentiu, surpreendendo-se de que uma saudação tão simples pudesse trocar as maneiras de sua irmã.
Então se voltou para ir-se, decidido ao bater as asas mais possível de sua frágil irmãozinha antes que permitir que Gina chegasse ou seja o que lhe estava passando pela cabeça.
- E Gina não poderia ficar aqui e…?
- Hermione, rogo-te não discuta a ordem de seu irmão - interrompeu-a Gina, temendo que a paciência do Harry estivesse aproximando-se desse ponto de dissipação no que ficaria a gritar - . Não seria honorável - acrescentou com um sorriso de fôlego. Logo se recolheu as saias e se apressou a seguir ao Harry, enquanto dizia por cima de seu ombro - : Estou segura de que Harry tem muito boas razões para ter dado essa ordem.
Logo teve que correr para alcançar ao Harry.
- por que tenho que voltar para a torre? - perguntou assim que esteve segura de que Hermione não podia ouvi-la.
Já tinham chegado ao patamar quando Harry se voltou para ela. Naquele momento ele queria lhe fazer saltar os dentes da boca com um bom murro, mas a mancha de pó que havia na ponte do nariz de Gina atraiu sua atenção. Harry utilizou seu polegar para lhe tirar o pó.
- Tem a face coberta de sujeira, Gina - disse-lhe depois - . Sim, agora já não é perfeita. Acredita que deveria te jogar por uma janela que estivesse o bastante alta?
Gina demorou um momento em entender do que lhe estava falando.
- Os espartanos não jogavam pelas janelas a seus cativos - respondeu - . Isso somente o faziam com os bebês que tinham alguma má formação. Eram uns grandes guerreiros com uns corações muito mesquinhos - acrescentou.
Governavam com o controle mais absoluto - disse Harry enquanto seu polegar ia lentamente para o lábio inferior de Gina, e logo não pôde evitar acontecê-lo muito suavemente pela boca desta - . Sem nenhuma classe de compaixão.
Gina parecia haver-se voltado totalmente incapaz de se separar-se. Elevou o olhar para os olhos do Harry enquanto tentava seguir a conversação que estavam mantendo.
- Sem nenhuma classe de compaixão?
- Sim, porque essa é a maneira como deveria governar um líder.
- Não o é - sussurrou Gina.
Harry assentiu e disse:
- Os espartanos eram invencíveis.
- Vê algum espartano agora, Harry? - perguntou Gina.
Ele encolheu os ombros, embora não pôde evitar sorrir ante o ridículo de sua pergunta.
- Pode que fossem invencíveis, mas agora estão tudos mortos.
Deus, tremia-lhe a voz! Gina conhecia muito bem a razão. Harry a estava olhando com uma imensa fixidez, e ia atraindo-a para ele muito pouco a pouco.
Não a beijou, o qual foi uma decepção.
Gina suspirou.
- Gina, não seguirei me negando durante muito tempo a mim mesmo aquilo que desejo - murmurou Harry. Tinha baixado a cabeça, e sua boca se achava a escassos centímetros da dela.
- Não o fará? - perguntou Gina, com a voz novamente entrecortada e falta de fôlego.
- Não, não o farei - murmurou Harry.
Agora parecia zangado. Gina sacudiu a cabeça sem entender nada.
- Harry, eu permitiria que me beijasse agora mesmo - disse-lhe - . Não é necessário que te negue aquilo que desejas.
A resposta do Harry a aquela sincera admissão por parte dela consistiu em lhe agarrar a mão e levar-se ao Gina pela escada da torre.
- Não estará cativa aqui durante muito mais tempo - anunciou Harry.
- Então admite que me trazer aqui foi um engano? - perguntou ela.
Harry pôde ouvir o medo que havia em sua voz.
- Eu nunca cometo enganos, Gina.
Não se tinha incomodado em voltar-se para olhá-la, e não voltou a falar até que tiveram chegado à porta da residência de Gina. Quando Harry alargou a mão para o maçaneta, Gina bloqueou a porta apoiando-se nela.
- Posso abrir minha própria porta - disse - , e não cabe nenhuma dúvida de que você comete enganos. Eu fui o maior de tudos.
Realmente não tinha tido nenhuma intenção de utilizar aquelas palavras. Deus, mas se em realidade se insultou a si mesmo!
Harry sorriu. Era óbvio que se deu conta do engano que acabava de cometer Gina. Logo a fez a um lado e abriu a porta do dormitório. Gina entrou correndo e tentou fechar a porta atrás dela.
Ele não o permitiu. Agora a gordura já está no fogo, pensou Gina enquanto ia armando-se de valor para fazer frente à reação do Harry ante as mudanças que ela tinha levado a cabo.
Harry não podia dar crédito a seus olhos. Gina tinha convertido a austera cela em um convidativo retiro. Os muros tinham sido limpos, e uma grande tapeçaria de cor bege ocupava o centro do muro que estava contemplando Harry. A colgadura contava a história da última batalha liberada durante a invasão do Guillermo; as cores eram vívidas, as figuras dos soldados tinham sido costuradas com pontos vermelhos e azuis. Era um desenho singelo, mas também muito agradável à vista.
A cama se encontrava coberta por uma colcha azul. No outro extremo da residência havia duas cadeiras, ambas as cobertas com almofadas vermelhas. As cadeiras tinham sido colocadas de tal maneira que formavam ângulo com a chaminé, e havia banquetas diante de cada uma. Harry viu uma tapeçaria inacabada apoiada em uma das cadeiras. Fios marrons penduravam dele roçando o chão. Os contornos da tapeçaria já se achavam o bastante costurados para que Harry pudesse reconhecer o que ia ser. Era o retrato do lobo imaginário de Gina.
O músculo que havia junto ao queixo do Harry se estremeceu. Duas vezes. Gina não esteve muito segura do que significava aquilo. Esperou, com seu gênio acumulado lenha para uma réplica chamejante quando ele começasse a lhe gritar.
Harry não disse nenhuma sozinha palavra. Deu meia volta e fechou a porta atrás dele.
O aroma de rosas o seguiu escada abaixo. Harry conseguiu manter controlada sua ira até que teve chegado à entrada da sala. Sirius o viu e se apressou a ir para ele para lhe falar. Sua voz estava cheia de uma impaciência juvenil quando perguntou:
- Lady Gina ainda não recebeu visitantes esta manhã?
O alarido que soltou Harry pôde ser ouvido no alto da torre.
Sirius abriu muito os olhos. Nunca tinha ouvido gritar daquela maneira a seu irmão. Remus entrou no vestíbulo bem a tempo de ver partir para o Harry.
- O que o colocou tão furioso? - perguntou Sirius.
- Não o que, Sirius, a não ser quem - observo Remus.
- Não o entendo.
Remus sorriu e logo lhe deu uma palmada no ombro a seu irmão.
- Harry tampouco - disse-lhe - , mas arrumado a que não demorará para entendê-lo.
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