E claro, como eu havia prometido, eu vou postar o bonus, ams não agora, ainda estou trabalhando nele. Vai ser uma song como as outras, e vocês podem escolher o tema. Eis as opções:
A) Lyra e Draco - num futuro um pouco distante, pegando uma parte de changes(continuação)
B) Sirius e Elizabeth - não sei o tema ainda
C) Lily e James - um pequeno flashback dos tempos de escola
Deixem a resposta nos cometários, a mais votada será o bonus. Beijos e obrigada por lerem.
A sala já estava cheia quando Sirius entrou. Os trinta membros da Ordem da Fênix ocupavam seus respectivos lugares na enorme mesa redonda e na cadeira principal, com a única janela com vista para os jardins da nova sede da Ordem ao fundo, Dumbledore estava sentado, fitando a sala com um olhar preocupado.
Sirius fez um breve aceno aos demais, depois se dirigiu ao seu lugar, entre Remus e James. Trocou olhares significativos com os amigos e pegou na mão de Lily, tentando consolá-la. Apesar de Lily ser curandeira-chefe, e lidar com a morte todos os dias, sempre ficava naquele estado de choque quando se tratava de assassinatos.
Todos na sala estavam com a mesma expressão desolada nos rostos, perderam um amigo querido da forma mais repentina possível. Ninguém imaginava que a delegação italiana inteira seria morta no meio da noite.
Eram quatro horas da manhã quando recebeu o chamado da Ordem. A coruja deixou a mensagem codificada, e Sirius tinha de admitir que não foi fácil compreender o que significava. Após ler que os amigos italianos estavam mortos, Sirius preferiu não ter conseguido decifrar a mensagem. Lembrara de deixar uma carta para Lyra, avisando que iria trabalhar e foi ao Ministério cuidar dos problemas, e por fim, estava ali, na casa que um dos membros cedeu como sede.
- Agora que estão todos aqui, vamos começar. – Dumbledore fez um aceno com a varinha e a pilha de papel que estava a sua frente, começou a distribuir-se sozinha por entre os membros da Ordem. – Hoje, meus caros, enfrentamos um grande luto por nossos companheiros, aliados e amigos. Morreram combatendo o mal que corrói a Inglaterra e o mundo, trabalhando com o intuito de construir um futuro melhor para todos. Agora este não é o momento mais apropriado para deixarmos o luto e a tristeza nos dominar, temos de reagir; não no sentido de vingança, mas de justiça por todos aqueles que morreram lutando por nossa causa. O poder de Lorde Voldemort está crescendo e é preciso ser detido. Não podemos permitir a ascensão de outro bruxo das trevas.
- A morte dos italianos chegou aos ouvidos da imprensa? – perguntou Rachel.
- Temo que sim. Foram sete pessoas mortas, sendo três envolvidas na política. Mas eles não sabem o que causou isto, e espero que continuem sem saber. – Dumbledore virou-se para os três marotos no outro extremo na mesa. – James, Sirius, o relatório dos aurores, por favor.
James fez o mesmo que Dumbledore, logo havia uma cópia do documento a frente de cada indivíduo presente.
- Feita a autópsia, chegamos à conclusão que foi a maldição da morte. Embora acreditemos que alguns morreram durante a tortura. – falou Sirius.
- Sirius não foi ao local, mas eu fui. – James lançou um olhar à esposa como se pedisse desculpas. Havia prometido que pararia com as saídas no meio da noite. – Era uma verdadeira zona, houve luta com certeza, entretanto, acreditamos que o número de comensais era superior, deixando Maximillian e os outros sem chances.
- Falei com o Fuller, ele disse que dois aurores do esquadrão saíram pela cidade, procurando por algo. Conclusão: nada. Não encontraram nem um rastro, afinal, a casa onde eles estavam hospedados ficava a uns dez quilômetros da cidade.
- Algum empregado viu? Elfo? – indagou Chase, tirando os olhos do papel que James entregara.
- Levantamos a hipótese de que era uma armadilha, pois não foi encontrado nenhum vestígio dos empregados. Voldemort sabia que eles estavam por vir e o motivo. Não creio que ele teria mandado matá-los se não soubesse que Maximillian veio pela Ordem. – respondeu James.
- Voldemort ficou sabendo por algum meio que ainda não temos idéia de qual foi. – completou Sirius.
- Um possível traidor? – uma voz gélida ecoou pela sala, fazendo todos se virarem para a porta.
De pé, diante da entrada, estava um homem de cabelos negros e sebosos caídos até os ombros, com tez pálida, olhos negros e turvos, e com o nariz em forma de gancho. Seus olhos negros pairaram sobre um exato grupo de quatro pessoas, e ao vê-los em profundo choque, esboçou um sorrisinho sarcástico nos lábios.
- Severus. – Dumbledore o cumprimentou com um aperto de mão após se levantar. Magicamente, moveu uma das cadeiras vazias da sala até ao lado da sua. – Pensei que fosse chegar somente na próxima semana.
- Não havia mais nada na Noruega que me prendesse. – sentou-se na cadeira que o diretor pusera para ele. Snape acenou discretamente para alguns conhecidos na sala. – Repetirei novamente a minha teoria: já consideraram um possível traidor na Ordem?
- Claro que já, ele está bem na nossa frente. – rosnou Sirius tão baixo que somente os três amigos o escutaram. Lily não ficou nada satisfeita com o comentário, levou indicador até os lábios, pedindo por silencio.
- Lily! Mas é o Ranhoso! O morcegão! – exclamou James baixo. – Ele sempre foi um baita de um traíra.
- James, eu juro que se você não parar com isso agora, vai dormir no sofá até o próximo século. – Lily pegou o marido pelo colarinho da camisa e só o soltou quando James concordou com a cabeça. – Isso vale para vocês também, ouviu Sirius?
O morenos ao lado de James assentiu diante à ameaça. Era perigoso contrariar Lily quando nervosa, lembrava-se perfeitamente da vez que a ruiva lançou-lhe um feitiço onde não conseguia voltar a forma humana. Passou dois dias inteiros como cachorro, até James convencê-la a desfazer o encantamento.
- Tudo bem, faltam só três anos para o próximo século. Minha coluna vai conseguir agüentar esse tempo no sofá. – riu James discretamente para Sirius.
- Sua mulher é o diabo em pessoa. – sussurrou Sirius a James.
- Nem me fale, ela anda...
- Shii! - Remus cutucou os dois. – Dumbledore voltou a falar.
- Não irei acusar ninguém nesta sala, tenho plena confiança em cada membro dessa organização. – Dumbledore fitou Severus ao seu lado, que parecia não estar satisfeito com o pronunciamento do velho diretor. – Mas devemos tomar medidas de precaução, uma situação como esta não deve voltar a se repetir. Depois cuidaremos disso, mas no momento, o foque da Ordem deve ser na obtenção de informações sobre o caso dos italianos. Iríamos conversar esta tarde, eles tinham novidades, alguma nova informação.
- Mas o senhor já disse que acharam o corpo do garoto.
- Era outro assunto, Annabeth. E tenho certeza que era algo útil para nós. Por isso que estou mandando Sirius, Gabriel e James para a Itália. Vocês se encontrarão com nosso mensageiro em solo italiano.
- Eu sabia que ia sobrar para a gente. – brincou James. – Viu, Lily? A culpa não é minha.
- Pode deixar que eu não deixo o nosso Jamie olhar para nenhum rabo de saia italiano, Lily. - Sirius deu uma piscadela para a ruiva, que revirou os olhos.
- É bom mesmo, ouviu, amor?
- Que isso, paixão. Eu não te troco por nada nesse mundo, a não ser aquela... aí! – James massageou o braço dolorido depois do tapa da esposa. Lily ainda continuava com a mesma mão pesada dos tempos de escola, talvez até pior.
A reunião não durou mais do que meia hora. Dumbledore repassou algumas instruções aos demais membros da Ordem, depois se retirou. Ele e Christopher saíram para o Ministério das Relações Exteriores, na tentativa de amenizar a situação. Afinal, os italianos foram mortos em território inglês, e isso geraria mais do que simples problemas frente ao comitê internacional.
Aos poucos a sala foi se esvaziando com a saída de Dumbledore. Lily o procurou com os olhos de forma discreta, estava curiosa sobre a volta de Severus Snape. Lembrava-se nitidamente quando o garoto de cabelos oleosos e olhos negros veio se despedir na porta do Expresso Vermelho. Foi no sétimo ano, no último dia de aula, Lily seguia para uma casa vazia no subúrbio de Londres e Severus nem chegara a embarcar no trem, seguiria seu caminho dali mesmo.
- Não pensei que fosse voltar. – Lily chegou de mansinho.
- Eu fiz dois pactos há vinte anos atrás, voltei para cumprir um e quebrar o outro. – falou Severus, lacônico.
- Entendo. – Lily procurava palavras cuidadosamente. Estava com a sensação de ter perdido o jeito de falar com o ex-sonserino. O que andou fazendo nesses anos todos?
- Pesquisas e trabalhos, tudo se resume a isso. – ele olhou para o outro lado da sala, vendo Sirius e James aos cochichos. – Casou com o Potter, pelo que vejo.
- É, temos três filhos. O mais velho forma esse ano em Hogwarts. – sorriu ao lembrar dos filhos adormecidos em casa. – E você? Não casou ou teve filhos?
- Vamos, Lily. Pergunte logo o que quer saber. Eu sei que não está com esse interesse todo na minha vida pessoal.
Ela tinha, sim, um pouco de curiosidade para saber como Snape se virara naqueles anos todos, mas no momento, queria saber sobre outro assunto. Duas coisas que sabia perfeitamente sobre Severus Snape: ele odiava os marotos e nunca voltava atrás sobre suas decisões. O motivo pela sua volta deveria ser algo muito maior do que aquela história dos pactos.
- Por que voltou, Severus? – seus olhos verde-esmeralda encararam o homem à sua frente com convicção. – Eu quero saber a verdade. Eu mereço saber a verdade.
- O que eu disse era a verdade, mas não dei todos os meus motivos, nem darei. – Snape fechou a cara, odiava aquela persistência da ex-grifinória. Lily não descansava até ter o que queria, ela nunca desistia sem lutar. Sempre fora assim desde de quando a conheceu, e certamente ela não iria mudar nunca. – Tenho trabalho a fazer e acredito que você também. Até mais, Lily.
A ruiva ia abrir a boca para contestar, mas desistiu ao ver Severus se dirigindo à porta. Logo ele não estava mais lá, aparatou no corredor ao lado, um dos poucos lugares onde se conseguia aparatar naquele velho casarão. Lily suspirou. Aquele diálogo não havia esclarecido suas dúvidas, entretanto, sentia uma certa felicidade ao reencontrar com o velho amigo. Demorou muito até se acostumar com a idéia de não poder mais conversar com Severus. Ele a compreendia, a escutava, sempre o fez.
Voltou até onde estavam James, Sirius e Remus, agora acompanhados por Annabeth e Chase. À medida que se aproximava, ficava mais nítida a expressão cerrada no rosto do marido. James nunca gostou de Severus, e teve que conviver durante muito tempo com o fato de que a namorada, na época, cultivava uma amizade com Snape.
- O que o morcegão disse? Que enjoou da Transilvânia? – indagou James, sarcástico.
- Não comece, James. Não comece, e isso vale para vocês dois também. – ela apontou o dedo indicador para Remus e Sirius, que apenas riam da raiva do amigo.
- Para a gente?! – Sirius fingiu-se de ofendido, com Remus atrás concordando com a cabeça. – Era o James quem estava com o veneno escorrendo pela boca. Eu e o Aluado amamos o Ranhoso!
Lily meneou a cabeça em negativa, enquanto os restantes caíam na risada. Depois de tantos anos, Sirius continuava o mesmo, sempre querendo tirar o corpo fora na hora das broncas dela.
- Quem era ele? – perguntou Chase. Ele estava curioso para saber a verdade, pois a versão de Sirius, que Snape era um vampiro perdido na maternidade, não era convincente nem para sua filha de quatro anos.
- Um velho amigo dá época de escola...
- Que queria ser mais do que amigo. Ranhoso safado! – completou James risonho.
- James!
James recuou para trás, escapando de mais um tapa de Lily. Correu para trás de Remus, colocando o amigo entre ele e a esposa. Sabia que se fizesse o mesmo com Sirius, ambos acabariam apanhando.
- Pense bem antes de usar essa mão novamente, não vai querer acertar o Aluado, não é mesmo, Lily? – James abriu um sorriso vitorioso ao ver a ruiva bufar irritada. – Ele está fragilizado, coitado.
- Fragilizado uma ova, Pontas! – Remus saiu da frente, deixando a passagem livre para Lily fazer o que quisesse com o marido. – Seja homem e enfrente sua mulher.
- Eu enfrento um dragão, mas não a Lily brava. – sussurrou o moreno de óculos e somente Remus o ouviu. – Lembra da mão pesada dela do tempo de escola?
- Lembro, bons tempos esses.
- Então, ainda não perdeu a forma. – essa foi a última coisa que James disse antes de ser puxado por Lily até um canto da sala.
Lily começou a discutir com James. Ele balançava a cabeça concordando com tudo que ela dizia, embora, provavelmente, não estivesse ouvindo uma só palavra.
Deixando o casal de lado, Remus se juntou aos outros três, que estavam a uma distância considerável. As brigas de Lily e James eram famosas desde a época da escola, e todos sabiam que o melhor a fazer era manter distância.
- Isso pode demorar. – Chase sorriu levemente, olhando para o relógio da parede. A filha dormia tranqüila em um sofá na sala ao lado, mas já estava passando da hora dela dormir na própria cama. – Eu vou andando. Preciso levar Kathy para casa.
- Então ficou com a menina nesse fim de ano?
- É, Sirius, mas ela volta para a mãe amanhã mesmo, e eu vou para Hogwarts. Prefiro assim, não quero minha pequena na Inglaterra neste momento.
- Ninguém quer, Nicholas. Se eu pudesse, despachava Lyra para Beauxbatons amanhã mesmo. – Sirius bufou e cruzou os braços. – Um Malfoy! O moleque é um Malfoy!
Os demais se entreolharam sorrindo. Era uma situação cômica cada vez que Sirius se lembrava do novo genro. Fechava a cara e agia feito criança. Não seria de se admirar se começasse a esganar Lucius Malfoy no meio do saguão do Ministério.
- Ele não é tão ruim assim, Sirius. – Chase deu alguns tapinhas nas costas do moreno, consolando-o. – Tem gente pior por entre as paredes de Hogwarts.
- É, mas essa gente pior não está saindo com a minha filha. Falando em Hogwarts, onde está Lennox e o resto do pessoal?
- Anne ficou na escola, ajudando McGonagall e outros professores a ficar de olho nos garotos que passaram o natal por lá. – respondeu Chase, que começava a se distanciar lentamente do grupo. – Bom, agora eu tenho que ir. Até depois.
Chase se dirigiu até a saída, deixando os outros para trás, cada um mais preocupado que o outro. No dia seguinte, seria a volta dos filhos para a escola, isso significava que todos eles, Sirius, Anabeth, James e Lily teriam de se sentar com cada jovem e explicar o que estava acontecendo exatamente. Tinham de dar uma razão para não darem tanta bandeira quando voltassem à escola, serem mais cuidadosos com tudo à volta e que ninguém estava completamente seguro.
- E agora? - Anabeth olhou para os dois homens ao seu lado. Estava cansada de funerais, e possivelmente teria mais um naquele dia. – Como direi á Isabelle que seu amigo morreu de uma forma tão terrível? Céus, ela vai ficar arrasada.
- Acho que adiamos demais essa conversa, Ana. – Sirius fitou o teto. No momento em que contasse à filha o que estava acontecendo, toda a maldade e perigo que aumentava a cada dia, sabia que isso iria mudar a cabeça da filha. Embora Lyra fosse praticamente uma adulta, só tinha dezessete anos, era uma adolescente como qualquer outra, tinha de pensar qualquer coisa menos naquilo tudo, em comensais, em Voldemort. Não queria fazê-la viver na dura realidade tão cedo. – Eu também não queria fazer isso. Mas Lyra não irá para Hogwarts sem que eu a alerte, especialmente sobre Schulat.
- Deixe disso, Sirius. Ele é da LOOP, está lá justamente para garantir a segurança dos garotos. – falou Anabeth. – Se ele não prestasse, não estaria na LOOP.
- Bom, eu não confio a vida da minha filha àquele infeliz. A LOOP está sobre o comando do Schulat, então ele tem total poder de fazer o que bem entender. – ainda não compreendia como Dumbledore permitira a entrada daquele tipo de homem na escola. Como Elizabeth costumava dizer: “Antes só, do que mal acompanhado.” – E mais, a LOOP está lá para protegê-los de um possível ataque, mas não proteger suas mentes de más influencias.
- Na nossa época, as coisas eram mais fáceis.- Anabeth sorriu tristemente. – Bem, eu vou para casa esperar por Christopher. Falaremos juntos com Isabelle e Juliet.
Anabeth deixou a sala assim como a maioria dos outros membros da Ordem, agora o único som que predominava no ambiente era a voz estridente de Lily, que ainda discutia sobre Snape com James. Sirius revirou os olhos e Remus riu. Provavelmente, aquela discussão de casal ainda demoraria, sempre que tocavam no assunto “Snape”, as coisas não acabavam bem. Sirius não tinha certeza se James sentia ciúmes de Snape pelo fato deste ter sido um amigo tão próximo de Lily, com quem ela sempre compartilhava quase tudo, ou se era porque odiava-o desde que o vira pela primeira vez no trem. Talvez fossem as duas coisas.
- O que será que o Ranhoso está aprontando?
- Não sei, Sirius. Mas você não deve se preocupar com isso agora. – os raios de sol invadiram a sala através da única janela, incomodando os olhos de Remus com a forte claridade. Era uma ironia, gostava mais da noite, conseguia pensar melhor, embora fosse nesse período do dia que seus piores temores vinham à tona. – Lyra era amiga do filho de Maximillian. É melhor ela ouvir da sua boca e com a nossa versão, do que ler uma história tendenciosa no Profeta.
- Lyra não lida bem com mortes. Lembra do Bunny? – um pequeno sorriso estampou os lábios de Sirius.
- Bunny era um coelho, Sirius. – Remus meneou a cabeça e Sirius alargou seu sorriso. – E Lyra tinha cinco anos.
- Mas que foi muito doloroso para ela, isso foi.
- Vá para casa e comece a preparar o terreno. Este é o meu conselho.
- É nessas horas que Liz precisa estar aqui, ela era melhor em dar esse tipo de notícia. Sempre foi melhor em consolar também. – suspirou Sirius.
- Eu sei, Sirius. – Remus pousou sua mão sobre o ombro do amigo. – Agora é melhor você ir.
- Está certo, eu vou. – Sirius olhou para o casal briguento mais uma vez. – Vai ficar aqui com a Lily psicopata e o trouxa do James?
- Eu vou daqui a pouco. Primeiro tenho que separar os dois antes que Lily fique rouca e James surdo.
- Nos falamos mais tarde, então. – Sirius começou a se afastar. Antes de aparatar, tinha de pegar na sala ao lado uma pequena encomenda que Dumbledore lhe dera.
Ao pisar na varanda de casa e dar de cara com a porta de entrada, soltou um muxoxo. Adiou aquela conversa por tempo suficiente.
Aquela quinta-feira foi o dia da verdade. Não era somente Sirius quem iria abrir o jogo, vários outros membros da Ordem falariam com os filhos antes destes retornarem à Hogwarts.
Sirius tamborilava os dedos impacientemente na mesa ao lado da cama. Esperava por Lyra há horas, já era quase meio dia e ele ainda não tivera oportunidade de falar com a filha.
Finalmente o barulho de água no banheiro cessou. Não demorou muito para que a imagem de Lyra já vestida e com os cabelos molhados aparecesse no quarto. Ela parecia surpresa, quase nunca via o pai com o semblante tão sério.
- Pai? Pensei que estivesse no trabalho, vi o seu bilhete na porta da geladeira. – Lyra pegou a escova roxa sobre a penteadeira e começou a desembaraçar seus cachos negros. Sentiu um grande alívio ao tirar a franja molhada de perto olhos e colocá-la atrás das orelhas.
- Lyra. – Sirius segurou seu braço, para que ela prestasse atenção nele. A puxou silenciosamente até a cama, fazendo-a sentar no mesmo lugar em que estava segundos atrás. Sirius permaneceu de pé, lançou um olhar a filha e voltou a falar. – Precisamos conversar.
- Ah, pai! Não vamos recomeçar a discussão sobre o Draco, a última já me deu dor de cabeça o suficiente.
- O assunto aqui não é sobre o Malfoy. – embora ainda acreditasse que, pelo menos, o pai do garoto estava envolvido com Artes das Trevas. – Você sabe por que a LOOP está em Hogwarts?
Lyra se lembrou do ocorrido da floresta há algum tempo atrás, quando o alemão a pegou no flagra e quase pegara Draco também.
- Tenho minhas hipóteses, mas conte a sua versão. – baixou a escova até a cama. Fitava o pai com um ar curioso, finalmente ouviria a versão original de toda aquela conspiração que ela e os outros garotos criaram.
Sirius suspirou. Seus olhos focavam o teto, procurava um caminho por onde começar, e as íris azul-escuro da filha observando-o não estavam ajudando.
- Bom... Vamos pelo início.
Assim como Dumbledore lhe contou pela primeira vez, há quase quinze anos atrás, Sirius falou do movimento das trevas, e como este estava ganhando força nos últimos anos. Falou sobre o “líder” entre aspas, pois Voldemort nunca apareceu em público ou foi visto por alguém, na verdade, somente Dumbledore tinha a certeza de quem era ele realmente. Explicou o porquê do excesso de trabalho que surgiu de forma repentina, e o motivo eram os comensais que estavam entrando em conflitos abertos com aurores, matando e torturando bruxos e trouxas. Lyra parecia horrorizada com cada relato, ficou impressionada em como uma simples idéia contrária podia chegar àquele extremo.
Comentou sobre as propostas de Dumbledore para tentar conter o avanço de Voldemort com a Ordem da Fênix. Ela ficou surpresa com a quantidade de conhecidos que faziam parte da Ordem, seus padrinhos, professores e vários outros.
Enfim, contou à filha a história completa, e o único momento que lhe bateu um enorme pesar foi quando tocou no assunto de mortes. Não queria dar aquela maldita notícia, do assassinato do seu amigo e de toda a delegação italiana. Embora Lyra e Julian terem se visto poucas vezes, desenvolveram uma boa amizade, especialmente por cartas. O garoto sempre foi muito atencioso, nunca esqueceu de mandar cartões nas datas festivas.
- Ontem aconteceu mais um assassinato, por isso que saí antes de você acordar. – Sirius, que passou o tempo inteiro de pé, percebeu que aquele era o momento de ceder italiana inteira. Eu sinto muito, Lyra.
Lyra estava em choque. Não chorou após receber a notícia, não pronunciou uma só palavra também. Olhou para Sirius, e este percebeu que ela queria mais detalhes.
- Não sabemos ainda o motivo. Dumbledore acredita que Voldemort os queria mortos só por estarem colaborando com a Ordem.
- E Julian? – indagou Lyra com um fio de voz.
- Ele está morto, Lyra. – Sirius apertou o abraço, sentindo uma fina lágrima escorrer pelo seu braço. Lyra agarrou-se em seu braço com força, deixando mais algumas lágrimas caírem silenciosamente. – Eu sinto muito, querida.
- Eu preciso falar com Harry. – Lyra secou as lágrimas e já ia se levantar, mas Sirius a segurou com firmeza. – Pai, ele precisa saber também. Me deixa ir...
- Eu sei. James está cuidando disso neste momento. Todos estão abrindo o jogo hoje.
- É culpa nossa, eu e os outros não devíamos ter...
- Lyra! – Sirius elevou a voz, assustando-a um pouco, mas agora ela prestaria atenção em cada palavra que ele diria a seguir. – Eu não te criei para ficar se lamentando, por Merlin, você é uma Black! E nada disso que está acontecendo é culpa sua ou dos outros garotos, vocês tem curiosidade, é normal para a idade de vocês. A morte de Julian e de Maximillian é apenas mais uma das conseqüências dessa guerra que está começando. Nunca se culpe pelo erro dos outros, Lyra. Nunca!
- Mas, pai, se ele não tivesse vindo para cá, nada disso teria acontecido.
- É, mas se aconteceu aqui na Inglaterra, não vejo motivo de ter acontecido o mesmo na Itália. Eu já não te disse que o filho do primeiro ministro da Itália foi achado morto? Agora tudo pode acontecer.
- E por que ninguém sabe desse tal de Voldemort? Vocês deviam prevenir as pessoas!
- Sim, nós devíamos, mas tente argumentar com um Ministro da Magia mais burro que um trasgo! Entretanto, acho que a partir de hoje as coisas vão começar a esquentar. Saiu nos jornais que eles foram mortos.
Lyra abriu e fechou a boca algumas vezes, até que finalmente achou as palavras certas para o que queria fazer naquele momento.
- Eu posso... ir ao enterro? – mais uma fina lágrima escorreu pelo seu rosto.
- Não, eu sinto muito. O enterro será na Itália, e do jeito que estão as coisas, eu não consigo uma autorização para você aparatar lá ou uma chave de portal. Já está muito em cima da hora, eles serão velados ao por do sol.
- Entendo. – ela falou baixinho, deixando escapar um suspiro. Olhou para Sirius com um olhar de raiva e lamentação, mas não do pai e, sim, de tudo o que estava acontecendo, mudando. – Isso não é justo, eles não mereciam morrer.
- Ninguém merece morrer desta forma, Lyra. Eu sei que isso tudo é muita informação para sua cabeça, foi por isso que eu demorei tanto para lhe contar tudo. Você já tem dezessete anos, é praticamente uma adulta, eu disse que iria tratá-la como tal.
- Acho que eu já sabia que algo estava errado, esse ano está sendo diferente. – Lyra secou as lágrimas com a manga da blusa, os lenços estavam muito longe. – Se eu soubesse que era isso, não teria ido atrás de problemas.
- Eu disse para ter paciência. – Sirius sorriu levemente. – Agora me prometa uma coisa. – ela o encarou, assentindo com a cabeça. – Amanhã quando você voltar para Hogwarts, não comente isso com ninguém. Não temos certeza, mas talvez tenha possíveis comensais andando pelos corredores da escola.
- Fique tranqüilo, eu não vou abrir o bico. Algum suspeito?
Sirius lançou-lhe um olhar significativo, e ela compreendeu a mensagem, ficando indignada depois.
- Draco não é um comensal!
- Eu não disse que era... – mentiu Sirius. Ele tinha mais do que certeza que Lucius Malfoy estava envolvido, e levaria o filho consigo para o buraco. Temia por Lyra, temia que o garoto a influenciasse de alguma maneira a seguir o caminho das trevas. A paixão faz as pessoas cometerem loucuras as vezes, e não é possível voltar atrás depois de feitas. – Certo, eu disse. Só tenha cuidado, não dê tanta corda para o Malfoy.
- Eu já disse, ele é diferente.
- Ou não. Certas pessoas fazem de tudo para ter um pouco de poder nas mãos. Sonserinos adoram poder.
Lyra suspirou, irritada. Já estava cansada de ter aquela conversa com ele e com todos, sempre tinha de defender Draco. Sempre soube que a rixa de grifinórios e sonserinos era grande, mas não imaginava o quão difícil era viver com isso.
- Certo, pai. Terei cuidado. – falou Lyra com uma pitada de sarcasmo na voz. – E quanto a Ordem?
- O que tem a Ordem?
- Não se faça de bobo, Sirius Black. – Lyra sorriu levemente.
- Você só pode se juntar à Ordem depois de formada. – falou Sirius contrariado. – Não se sinta obrigada a juntar-se a nós.
- Não sinto, eu quero. – sua voz saiu firme. – É a única maneira de fazer eles pagarem por tudo, inclusive pela morte de Julian.
Sirius engoliu em seco e a olhou de forma preocupante. Eram raras as vezes que Lyra agia daquele jeito, frio, tão parecido com a família paterna. Isso o assustava. Todos os jovens Black mudaram naquela idade, uns para melhor, outros para pior. Sirius presenciou vividamente três mudanças que foram definitivamente para pior.
Encostou a cabeça dela em seu peito, consolando-a. Mais algumas lágrimas teimaram em cair, Lyra chorava por raiva, por Julian.
- Pai?
- Diga, querida.
- O que vai acontecer agora? Digo, quando eu voltar para Hogwarts?
Aquela era uma boa pergunta, e Sirius já tinha planejado sua resposta há tempos, desde quando reconsiderou a idéia de abrir o jogo para Lyra.
- Você vai agir como se nada tivesse acontecido, além, claro, e não levantar esses assuntos com ninguém. Dê um jeito, pois não a quero andando pelo castelo à noite e nem chegue perto da Floresta Proibida sozinha.
- E a LOOP? Eles não estão lá para ajudar na segurança da escola? – Lyra lembrava nitidamente do homem que a pegou no flagra na Floresta Proibida.
- Na teoria, sim. Mas nunca se sabe. O homem que está no comando do esquadrão, acho que você se lembra dele, é o maior filho da p...
- Pai! – exclamou Lyra, rindo.
- ... da mãe. Ponho minha mão no fogo que Schulat está armando algo. Eu lhe peço, por favor, para não ficar sozinha em Hogwarts, ande com o traste do Malfoy do lado, mas não sozinha.
Lyra o abraçou forte, depois se desaninhou dos braços dele.
- Quer ficar sozinha, não é? - ela assentiu. – Por Merlin! Você e sua mãe são as únicas pessoas que não gostam de ser consoladas.
- Buscarei seu consolo mais tarde, agora preciso ficar um pouco sozinha.
- Tudo bem. Estarei lá em baixo se precisar de mim. – Sirius pegou na maçaneta da porta, já estava prestes a fechá-la. – Mais tarde lhe trago um pouco de chocolate quente.
- Certo. Obrigada.
Lyra mirou a porta, agora fechada, depois foi até o armário e tirou de dentro da primeira gaveta uma pequena caixa rosada. Era lá onde guardava suas cartas e outros pertences que gostava de relembrar. Por entre vários papéis, havia uma foto dela, Harry e Julian quando menores. Estavam felizes, comemorando o verão em uma das festas do ministério. Tinha a sensação de que aquilo foi há tanto tempo, eram apenas crianças na foto.
- Adeus Julian. – beijou a foto e a devolveu para dentro na caixa.
Ainda naquele dia, Lyra recebeu uma mensagem de Harry pedindo por um encontro. Agora lá estava ela, saído agasalhada de dentro de um café no centro de Londres, carregando três copos com bebidas quentes. Havia parado de nevar há algum tempo, mas isso não baixou o volume da neve na calçada e ela tinha de andar com cuidado para não cair.
Ajustou na mão a embalagem de viagem dos três copos, estava doida para sentar e deliciar-se com aquele café quentinho. Detestava passar frio, e aquele vento cortante não estava ajudando. Não entendia o motivo de Harry pedir para encontrá-lo naquele parque, se podiam estar em um lugar quente e confortável como era a cafeteria onde pegou as bebidas.
Mais ao longe, estavam Harry e Isabelle sentados em um banco, ela com a cabeça apoiada no ombro do namorado e com o olhar cabisbaixo.
- Oi. – Lyra forçou um sorriso. Sorrir era a última coisa que conseguia fazer depois daquele bombardeio de informações mais cedo. Passou dois dos três copos para o casal, ficando com o último para si. – Seu chocolate quente, Harry. E o seu capuchino light, Belle.
- Light? Você está ótima, querida. – Harry beijou a namorada na bochecha e ela meneou a cabeça em negativa.
- Você fala isso para receber agrados mais tarde. – Isabelle revirou os olhos, fazendo Lyra rir. – Depois do tanto que eu comi esses dias, vou ter de passar anos tomando capuchino light. Espero entrar no uniforme amanhã.
Lyra continuou rindo do comentário e sentou-se na ponta do banco, ao lado de Harry, que havia cedido um pouco de espaço. Adorava café, a cafeína fazia milagres com ela pela manhã, e sentia um certo pesar por não ter sua adorada cafeína no café da escola. Ficava imaginando se levasse o pó, os elfos preparariam uma boa xícara de café para ela, afinal, eles adoram agradar os outros.
- Então, Harry? Fale logo o que tem a dizer, porque eu estou congelando aqui.
- Ok, ok. Contaram tudo para você também, não é? – Lyra afirmou em silêncio. Já sabe de Julian então.
- Foi um choque, nós o vimos na festa alguns dias atrás! Será se foi morto porque...
- Porque ele sabia de algo. - completou Isabelle. – Alguém sabia que ele estava passando informações. Mas também não podemos desconsiderar que ele era filho de um cúmplice da Ordem.
- Talvez seja as duas coisas. Nós sabemos com o que estamos lidando e tudo o mais, acho que nós devemos parar por aqui e deixar rolar.
- Lyra! Tem um cara lá fora matando Deus e o mundo. Nós...
- Temos dezessete anos e sem nenhuma experiência. – Lyra o cortou. Dava razão a Harry, mas havia prometido ao pai que iria parar de se intrometer. – No meio do ano, estaremos formados e talvez trabalhando para a Ordem também. É melhor esperar.
Isabelle percebeu o clima tenso que estava se formando. Tanto Lyra quanto Harry eram cabeça-dura demais para cessarem aquela discussão boba. Ela tinha de escolher um lado, e optou pelo mais estável.
- Lyra tem razão, Harry. Agora já sabemos que a Ordem está cuidando. Vamos deixar as coisas acontecerem.
Sem apoio, Harry se deu por vencido. Meneou a cabeça, fitando o horizonte esbranquiçado.
- E quanto a Julian? Ninguém vai fazer nada perante a morte dele e dos outros?
- Acredite, Harry. – Lyra fitou o amigo seriamente. – Eles vão pagar. E pagar caro.
Lucius Malfoy deu algumas batidas na pesada porta de madeira e entrou no aposento frio e pouco iluminado. Não estava temeroso, afinal, a missão foi melhor do que o esperado e sabia que seria recompensado mais tarde.
No fundo da sala, perto da lareira, a única fonte de luz e calor da sala, estava um vulto fitando o fogo carbonizando alguns velhos pedaços de madeira. Percebendo a presença do recém-chegado, o encapuzado virou-se para Lucius, dizendo:
- Bom trabalho, Lucius.
- Obrigado, Milorde. – Lucius deixou as manchetes de jornal que havia trazido sobre a mesa. – Está em todos os jornais. “Delegação Italiana assassinada em sono inglês”. A comunidade internacional está caindo em cima do Ministro da Magia.
- Já estava na hora. Logo, logo, Giles será afastado do cargo, e Avery assumirá. Não falta muito para termos pleno controle do Ministério. Você é influente lá dentro, Lucius, na hora da votação de conselho, faça com que escolham o Avery.
- Certamente. – Lucius sorriu satisfeito. – Gostaria de fazer-lhe uma pergunta, Milorde.
- Faça então.
- Se não era o italiano quem faria a profecia, quem é então?
- Irei me entender com Trelawney depois. Aquela louca velha irá se arrepender de ter mentido para Lorde Voldemort.
- O senhor acredita nessas profecias, Milorde? – indagou Lucius, um pouco temeroso por ter ido além da conta.
- Foi uma que me trouxe até aqui, não é mesmo? Outra pode acabar comigo num piscar de olhos. Sinto que encontraremos o garoto logo, logo.
- Com toda a certeza. – Lucius deu um passo para trás. – Deseja mais alguma coisa, Milorde?
- Sim. – ele fez uma pausa, olhando fixamente para as manchetes de jornal sobre a mesa. – Chame Knox. Acredito que está na hora de passarmos para a etapa de Hogwarts.
- Irei chamá-lo. – Lucius faz uma breve reverência e deixou a saleta.
Andou pelo corredor de pedras até a porta no final deste. Lá havia cerca de dez pessoas, uns duelavam entre si por diversão, outros conversavam aos cochichos. Sentado no sofá marrom, ao lado de dois Avery, pai e filho, estava Knox. Ao ver o chamado de Lucius, levantou e se dirigiu até a porta, depois passou a seguir o outro pelo corredor de pedras.
- Preciso de mais poção Polissuco, Malfoy. Não é suficiente para levar para Hogwarts. – falou o moreno, sentindo a barba crespa que crescia há algum tempo. Já havia se acostumado com o corpo jovem, mal esperava para poder beber a poção novamente.
- Cuidarei disso, mas deve pegar mais material genético do garoto no hospital. – Lucius o segurou por um instante, antes de entrarem pela porta à frente. – E Draco? Está perto dele ceder?
- Não, mas ele vai se tornar um de nós. – Knox apertou os olhos. – O empecilho está sendo a Black.
- Livre-se dela, então. – falou Lucius friamente.
- Acho que isso é somente em último caso. Há outras maneiras de tirá-la do caminho.
- Que seja, Knox. Mas terá de ser rápido, quero o quanto antes a iniciação de Draco.
- Não se preocupe. Ele será um comensal.
- Senhor Malfoy? – era a voz do elfo, e logo o pequeno e magrelo corpo de Dobby apareceu no quarto.
Draco parou sua leitura e lançou um olhar à porta.
- O que foi?
- O senhor tem visita.
Olhou no relógio de pulso. Eram quase nove da noite, Lyra não iria sair de casa naquele horário somente para vê-lo, ainda mais depois das notícias de jornal daquele dia.
Desceu as escadas e foi até a sala de visitas. Quando entrou, parou de andar imediatamente. Parecia ter visto um fantasma, um fantasma que não via há muito tempo.
- Severus? – indagou ele, com a voz falhando.
- Olá rapaz. Faz algum tempo que não nos vemos. – Snape abriu um sorrisinho sarcástico pra Draco. – É assim que cumprimenta seu padrinho?
Draco o abraçou, depois continuou encarando-o surpreso. Fazia cinco anos desde que não via o padrinho, desde o seu aniversário de doze anos, em que ele viera fazer uma visita. Só fora a Noruega algumas vezes, na maior parte do tempo, acabavam se encontrando em algum país da Europa, quando ia nas viagens com os pais.
- Sente-se. – Draco sentou em um sofá, e Snape em outro, ficando separados pela mesa de centro. – Então, o que veio fazer aqui? Uma visita fora de hora, não?
- Isso não é uma visita, Draco. Vim fechar o contrato da casa. – o loiro arregalou os olhos. – Estou voltando para a Inglaterra.
- Então, eu presumo que o senhor simplesmente enjoou da Noruega? – indagou Draco, sarcástico.
- Preferia que fosse isso, mas não. Tenho coisas a fazer aqui.
- Como obedecer ao Lorde das Trevas?
- Ajudar seria o termo mais apropriado. E você? Não vai fazer o mesmo? Andei conversando com seu pai e...
- Ainda tenho algum tempo para me decidir.
- Por que tem tantas dúvidas? – perguntou o moreno, com um meio sorriso. – Não acha que esse é o caminho certo? O Lorde logo tomará conta de toda a Grã Bretanha, quem não estiver em seu ciclo de relações estará em maus lençóis.
- Sei disso. Mas em tudo há um lado positivo e negativo. Eu acabei descobrindo o negativo de seguir Voldemort há algum tempo.
- Verdade? E qual seria esse lado negativo?
- Eu a perderia. Eu a perderia para sempre. – respondeu conciso.
- Perderia o que?
- Lyra.
- Ora, Draco. Você nunca foi disso. Essa baboseira de romantismo e paixão. Isso é uma fraqueza que você devia abolir da sua vida. – falou Snape, sem tirar os olhos do afilhado.
- O senhor pode ter razão, entretanto, ela me faz feliz.
- Bem, você ainda tem alguns meses até a sua iniciação. Espero que tome a decisão certa. – Snape se levantou.
- Eu tomarei. – Draco o seguiu até a porta da frente da mansão.
- Sei que sim. Avise seu pai que passarei aqui pela manhã. – Snape virou-se e abraçou o afilhado novamente. – Cuide-se na escola, Draco.
A porta se fechou e Snape já aparatou no hall do hotel bruxo que estava hospedado. Pegou as chaves na recepção e dirigiu-se ao elevador com um sorriso no rosto.
- Talvez ainda haja tempo para escapar, Draco. – fez com que aquele pensamento chegasse à mente do afilhado. A porta de metal fechou-se, levando-o até o décimo quarto andar para uma longa noite de sono.
n/B.: AE AE AE!!! cap postado pessoal o/ tardo mas nao falho ;D
aki promessa feita eh promessa cumprida! disse q ia posta hoje se comentassem
e postei, vio so mto boazinha ;D
mas o caso eh:
sorry por nao ter feito isso antes, mas eh q ontem tive vestiba guys!
Q lindo! pessoal comento um monte aki! =D
to felizinha ^^
entao, ha rumores q a proxima musica eh do Paramore *-*
/capota/
anyway, comentem assim de novo q a tia Lena posta o Bonus logo,logo =D
luv ya ;]
N/A: Hola! Bom, rsrs, vcs devem tá querendo me matar, ne? Mas eu disse para n estressar, eu n sou louca de matar nenhum personagem principal, pelo menos n agora - risada maléfica - o Julian chegou e se foi, rs. Espero que vocês tenham gostado do cap, ele eh meio paradao, no proximo melhora com a volta dos garotos à Hogwarts.
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