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5. Cold


Fic: Your Blood In Me


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Parte 4: Cold

Cold
We're so cold
We are so
Cold
We're so cold

Static-X – Cold – Queen Of The Damned

We kiss
The Stars
We writhe
We are

Olhou-a. Ela finalmente estava ali na sua frente, olhando-o, esperando que falasse algo; mas não conseguia, ela era bela demais, assustadora demais.

-Então Alberth lhe contou alguns segredos? – ela sorriu, sentando-se no encosto do banco, segurando a saia e brincando com o tecido.

-Você o matou? – Draco sorriu ao vê-la rir tombando a cabeça para trás.

-Você sabe a resposta. – ela o olhou fixamente nos olhos, algo nele estava diferente. – Por que me chamou?

-Queria te ver, Hermione. – o loiro a viu deixar o sorriso morrer aos poucos, vendo os caninos transformados pressionarem o lábio inferior.

-Não leu todo o livro, não é? – ela saltou para o chão, andando lentamente na direção dele; Draco odiava perder o controle do próprio corpo, mas perto dela isso sempre acontecia.

Seus olhos desceram por todo o corpo de Hermione, ela vestia um espartilho branco, uma saia longa preta e coturno, parecia uma adolescente rebelde; os olhos sempre pintados de preto, os lábios de vermelho-sangue. Não sabia o que fazer a seguir, estava a mercê dela; Hermione o olhava, pensando nas possibilidades.

-Venha. – ela o chamou e começou a andar na direção oposta da Universidade; Draco a seguiu, ainda segurando o livro apertado entre os dedos. – Leia.

Draco parou de andar e ficou observando-a. Isso estava indo longe demais, ela se achava sua dona; decidiu que não era assim. Seus pais não mandavam nele, e não seria uma mulher, mesmo que fosse uma vampira, que começaria a mandar; respirou fundo e cruzou os braços na frente do corpo. Jean o viu tomar aquela atitude e sorriu. Ele finalmente estava se impondo.

Passaram alguns minutos se olhando, Jean sorria, Draco não; a morena piscou uma só vez e seus olhos se transformaram em castanhos, os caninos voltaram ao tamanho normal. A surpresa de Draco foi grande, olhava-a como se estivesse vendo-a pela primeira vez; sorriu e se aproximou.

-Seus olhos são bonitos assim, Hermione. – parou a dois passos de distância dela, olhando fundo nas íris castanhas dela, aproveitando enquanto ela deixava.

-Por que me chama de Hermione? Sabe bem que prefiro Jean. – reclamou sorrindo e aproximou-se um passo dele.

-Eu prefiro Hermione. – declarou encostando o corpo no dela; nenhum deles se mexia, apenas se olhavam. Draco deu o primeiro passo, passou a mão pelo rosto dela, fazendo um breve carinho para depois puxá-la devagar pela nuca; seus lábios se tocaram de leve, primeiro um beijo tímido, calmo.

Jean passou as mãos pelo rosto dele, causando-lhe um arrepio por causa da pele fria, puxou-o mais contra si, aprofundando mais o beijo; em sua forma mortal era mais fácil, não o feria. Sentia falta do sangue, mas estava a gostar do beijo; os corpos moldavam-se um no outro. Separaram-se, olhos nos olhos, metal no metal; Draco afastou-se um pouco para poder olhá-la melhor. Não entendia por que ela estava transformada outra vez.

-Estou sendo seguida. – declarou em deboche e pegou na mão dele. – Me leve para outro lugar.

Draco virou a cabeça para todos os lados tentando encontrar alguém, mas não viu ninguém, e ao ouvi-la dizer aquelas palavras tudo desapareceu de sua mente; agora só importava sumir com ela dali. Começou a andar na direção que ela ia antes, ainda de mãos dadas; começou a sentir-se um adolescente, mas não a soltaria.

Hermione se divertiu com os pensamentos dele, mas estava gostando mais de estar sendo levada para um lugar onde pudesse ficar sozinha com ele; olhou para a outra mão do garoto. O livro de Alberth continuava firmemente preso entre os dedos dele, como se custasse uma fortuna.

Gostava da história que Alberth escrevera, afinal uma parte de sua vida, mesmo que pequena, estava ali ; sorriu ao ver um sorriso malicioso nos lábios do loiro. Ele virou abruptamente em uma rua, e parou diante de uma casa pequena e com aparência de abandonada. Pintura descascada, janelas com seus vidros quebrados e algumas tábuas da madeira soltando no assoalho da varanda; o portão já não existia mais, havia sido reduzido a ferro enferrujado.

Your name
Desire
Your flesh
We are

-Tem certeza que quer ficar sozinho comigo? – ela perguntou dando risada dele, entrando no terreno e soltando da mão dele; por um segundo Draco a via, para logo depois ela já ter desaparecido. Ele viu a porta da casa abandonada se abrir com um estrondo e sorriu, ela estava brincando com ele.

Entrou na casa olhando para todos os lados, havia milhões de jornais espalhados pelo chão, um cheiro de comida estragada pairava no ar, as paredes estavam descascando e sujas; olhou por dois cômodos, ela não estava ali. Alguns papelões espalhados por um pequeno corredor, que levava até a cozinha; andou devagar até lá, temendo que ela o assustasse; não queria passar vergonha na frente dela.

A cozinha era mais bem iluminada pela luz da lua do que o resto da casa, um grande buraco se encontrava na parede oposta àquela na qual ele estava, uma mesa estava virada com as pernas para cima, bem no centro do cômodo; uma geladeira com a porta aberta, um cachorro estava encolhido dentro dela, como se estivesse com medo de algo. Olhou para onde o animal olhava, à sua direita havia um balcão parcialmente destruído; surpreendeu-se ao ver que ali estavam duas pessoas.

Hermione sorriu, estava sentada no balcão, as pernas afastadas, com um homem entre elas; as unhas grandes e pintadas de preto estavam parcialmente enterradas na garganta de um homem, que tremia de medo. Draco ficou somente olhando aquilo, ouvindo o cachorro rosnar baixo para a vampira. Ela, ainda assim, sorria.

Olhou para o homem preso nas garras dela. Ele parecia assustado, os olhos vertiam lágrimas de dor e medo, os pés balançavam a alguns centímetros do chão, as mãos tentavam soltar a vampira de si; o sangue que saía dos ferimentos pingava por toda a sua roupa. As roupas eram velhas e estavam sujas, os sapatos eram diferentes um do outro e ele usava um boné com o logotipo já gasto pelo tempo. O loiro deduziu que ele era um mendigo que, por azar, estava morando naquela casa. Sentiu uma leve pontada no peito. Era sua culpa ela estar ali, era sua culpa um homem inocente estar à beira da morte.

-O que está fazendo? – ele perguntou olhando para a morena que estava com o queixo apoiado no ombro do homem, as presas à vista, os olhos cinza; ela sorriu ainda mais.

-Veja como a vida é frágil. – ela apertou as unhas na pele do homem, mais sangue desceu lento manchando a camisa dele. – Você pensa em ser como eu, mas será que você conseguiria agüentar matar?

O homem preso se desesperou, debateu-se mais forte na mão dela, tentando escapar a todo custo; o cachorro uivou alto e saiu da casa pelo buraco na parede, sumindo na noite. Draco temeu pelo homem, ela não o deixaria vivo, ele estava condenado; começou a pensar em um jeito de salvá-lo, mesmo sabendo que não tinha como, ela estava decidida.

-Por que está fazendo isso? – perguntou, tentando manter a voz firme, não iria fraquejar e deixá-la matá-lo também; só a possibilidade de tal ato o arrepiou.

-Não ache que só existe a sede, não; as coisas que vocês assistem e acham que são a verdade são apenas pequenas partes da verdade. – ela levou os lábios para perto do pescoço do homem; Draco deu um passo na direção deles, mas congelou ao ver os olhos cinza dela encarando-o com severidade. – Tem a dor, os anos, e, é claro, a caça.

-Não faça isso. – a voz era cautelosa, mas ela pouco ligou, sorriu e abocanhou a jugular do homem em suas mãos; o sangue verteu para sua boca. Entretanto, ela não bebia tudo, deixava o sangue descer pelo corpo do homem, manchando-o por inteiro; a intenção era assustar o rapaz, e, como sempre, ela estava sendo muito bem-sucedida.

Draco via todo aquele sangue e não sabia o que fazer, apenas observou; o homem parou de se mexer em poucos segundos e ela o soltou. O loiro lembrou de si na festa ao ver o homem caindo no chão, mas o outro escapara vivo. Aquele pobre coitado não tivera a mesma sorte; olhou-a. Ela deixava o sangue pingar do queixo todo manchado. Entendera pelo sorriso que ela lhe lançava qual era a intenção dela, e, por alguns momentos, teve que admitir que ela conseguira.

-Não tenho medo de você, nem do que pode fazer. – terminou a frase e sentiu a mão fria dela segurando-o pelo pescoço, prensando-o na parede; não podia sentir medo, ela gostava disso.

-O que disse? – ela irritou-se com a falta de medo dele, ele deveria temer e pedir para que não o machucasse; ele não se debatia, não chorava e não temia.

-Não tenho medo de você, nem do que pode fazer comigo. – ele disse, olhando para a boca toda suja de sangue dela, os caninos à mostra, os olhos cinza. O tempo pareceu parar, cada gota de sangue que escorria do queixo dela parecia demorar minutos para finalmente atingir o chão; os olhos cinza dela esquadrinhavam seu rosto com demasiada lentidão, como se estivesse procurando algo.

-Eu te procuro, cria. – soltou sua garganta e lhe deu um rápido beijo, manchando-o com o sangue do mendigo.

Draco a viu sumir em uma fraca névoa e só então deslizou pela parede, estava jogando com a morte; passou as costas da mão pela boca e a limpou, tirando o sangue daquele homem dali. Olhou o corpo sem vida jogado no chão, um grande ferimento na jugular ainda deixava sangue sair; será que essa realmente era a vida que queria?

Escorou-se na parede e levantou devagar, iria para casa, ler e pensar, esperar que ela não demorasse a chamá-lo; porém, ao sair da casa, viu um homem do outro lado da rua. Ele estava parado, somente olhando para Draco, e, no momento seguinte, havia desaparecido; o loiro balançou a cabeça, deveria ser a pessoa que seguia Jean. Foi para a Universidade pensando em como deixaria claro para si mesmo que queria a eternidade.

Cold
We're so cold
We are so
Cold
We're so cold
--

Um mês. Havia se passado um mês e ela somente aparecia em seus sonhos, mas ele sabia perfeitamente que não era como no hospital; Draco tinha sonhos criados por ele mesmo. Sonhos onde a tocava e a tinha só para si, sem outros vampiros para temer ou pessoas morrendo, somente eles dois.

Desistiu de pensar nela, naquela semana focou-se em recuperar suas notas, realmente ir às aulas, e conseguiu; o feriado de natal estava chegando e ele ocupava sua mente com tudo que podia para não lembrar mais dela. Decidiu não viajar esse ano, iria ficar, colocar a matéria em dia e arrumar sua vida; já não podia mais ficar vivendo em função de alguém que brincava com ele.

Seus pais ligaram e avisaram que a casa estaria vazia, estavam indo passar o Natal e Ano Novo em uma cidade qualquer; olhou para o calendário preso na porta, marcava dia vinte e três de Dezembro. Riu. Mais um natal em que deixaria passar em branco para que pudesse se concentrar na vida. Não que não ligasse para tal época, mas achava que era só mais um motivo para as pessoas fazerem compras, gastarem o que não tinham.

Jogou-se na cama e desligou o abajur, iria dormir às dez em uma noite de sexta, dia vinte e três de Dezembro. Estava ficando patético, um verdadeiro velho, mas isso fazia sua mente não ir para os lados frios do cinza, fazia pensar somente no mundo dos vivos. Entretanto, depois de quarenta minutos rolando na cama, desistiu, pegaria algo para ler e esperaria o sono; ligou o abajur e, sobre o criado-mudo, viu o livro de Alberth. Ficou olhando-o por alguns minutos, decidindo se descobria ou não o resto da história deles; puxou a mochila do chão e pegou a caixa dos óculos.

Abriu o livro sem se importar com a página, respirou fundo, ajeitou os óculos no rosto e passou a mão pelos cabelos; aquilo o levaria de volta para aquele mundo.

Ela veio me ver hoje, parecia irritada e quando lhe perguntei se a causa era seu amigo Potter, me jogou contra a parede e sugou um pouco de meu sangue; ela sabe a medida exata para não me matar, apenas para me deixar fraco.

Algumas horas depois ela estava deitada em minha cama, somente com a renda vermelha, e , só a parte de baixo, olhando o teto; eu estava sentado na poltrona, completamente nu. Já fazia vários minutos que eu apreciava a beleza daquele corpo, aquele corpo de que eu podia tirar proveito, assim como ela tirava do meu; vi que ela se mexeu na cama, apoiou-se nos cotovelos e ficou a me olhar. Foi quando vi seus olhos ficarem castanhos e ela começar a narrativa. Não vou descrever com as mesmas palavras que ela disse, mas deixarei marcados os sentimentos que senti vindo dela, enquanto me deixava saber sobre a transformação e quem a fez imortal.

Ela é mais antiga do que pensei, mas não se engane, sofreu com os Templários e isso a fez uma mulher forte; fria talvez. Mulher... pelo que ela me diz quando a primeira cruzada se passou, ela tinha dezoito anos, uma garota ainda; seu criador é bem mais antigo, ela diz. Não quero imaginar que tipo de criatura ele é, e, pelo que ela descreve, ele consegue ser frio, cruel e encantador.

Não sei se foi impressão minha, mas, ao descrever os caninos dele em sua pele, os olhos dela brilharam, mas ela virou o rosto, acho que para não me deixar ver que chorava; não me aproximei e não me movi nem um milímetro durante a narrativa, ela poderia desistir de contar, e eu sempre perguntei sobre isso. Eu nem ousaria fazer as contas sobre a idade exata dela, mas, acredite, ela viu a primeira Cruzada; e eu temo que eu não vá ver muitas luas depois desse relato.

Ela me revela o nome dele em um sussurro e não vou repeti-lo aqui, não tenho coragem; só seu nome me deu medo, me fez ter calafrios. Ela o descreve com maestria em detalhes, cor dos olhos, cabelos, boca, músculos, cicatrizes; mas diz que não o vê desde o dia que acordou para a vida escura. Perguntei se ela o amava, ela tombou a cabeça para trás e riu, e disse uma frase que me fez ter mais medo dela do que já tive em todo esse tempo:

“Não tem espaço no coração dos mortos para amor, Alberth, só para as trevas.”

Já faz quase um ano que ela me consome em lentos goles, e isso está para chegar ao fim; como sei? Jean me indica, cada vez mais fria, mais possessiva e sedenta; meu sangue escorre para dentro da boca dela, e hoje ela me deixou sem sentidos. Pode ser que amanhã eu não acorde. Já tenho coragem de dizer o nome dele, e ela odeia.

Ela brinca comigo, adora me ver pedindo por ela, implorando para ser morto ou para que me deixe em paz. Mas não, ela não o faz, gosta de me ver sofrer, e já não tenho forças para dizer não; acho que nunca as tive.

Pergunto-me se alguém teria forças para rejeitar tal mulher, tal tentação do Inferno, filha do Diabo. Ela é filha do Diabo, como gosta de dizer, mas infelizmente sei a verdade; toda vez que me ouve falar o nome “dele” transforma-se e me suga a vida, deixando-me à beira da morte.

Acho que faço isso para que Jean me mate de uma vez. A morena de olhos cinza consegue me fazer desejar dançar com a Morte; talvez a Morte seja mãe, enquanto o Diabo é pai. Jean é o Inferno, hoje sei disso.

Ficou escutando-a me contar as dores da transformação, o medo da vida escura, e os ganhos; para mim ela é uma maquina de matar. Só tem esse propósito, e até que ela esteja plenamente satisfeita, vai matar homens como eu, curiosos e sedentos por ela. Ela pode não ter espaço para o amor no coração dela, mas eu tenho, e, por isso, vou deixar que me mate.

Your mouth
This words
Silence
It turns

Draco virou a página e percebeu que somente havia uma pequena inscrição, leu em voz alta:

-Alberth Caim veio a falecer dia 17 de Abril de 1995. Foi encontrado em sua cama, as páginas desse livro na mesa da cozinha, com instruções para que ele fosse publicado. Até hoje as pessoas mais próximas não entendem sua morte, muito menos seu último desejo.

Ficou encarando essa última página, algo ali parecia estranhamente familiar, ele era o próximo Alberth da vida dela; não que fosse deixar acontecer, mas teria forças pra recusar?

“Não.”, sua mente respondeu, o loiro suspirou e passou a mão pelos cabelos, jogando-os para trás; por que ele? Por que ela havia escolhido justamente ele? Ela poderia escolher qualquer homem, e, pelo que havia lido, muitos e de muitas eras já haviam sido escolhidos antes dele. Lembrou-se da data da primeira Cruzada, ela havia começado em 1096 e terminado em 1099; fez as contas e assustou-se ao perceber que a vampira tinha um pouco mais de 900 anos.

Com tal idade, já deveriam ter existido milhões de Alberth’s na vida dela, muitos brinquedos que ela já havia matado; sorriu. Ela, mesmo sem estar presente, invadia a mente dele e o puxava para o lado escuro; Draco se conhecia bem o suficiente para saber que, se ela chamasse, ele iria.

Voltou algumas páginas e leu uma frase que chamou sua atenção.

Ela me apresentou para Potter, Weasley e Ginny, que são os amigos que a acompanham na vida escura; nenhum deles me passa confiança. Potter é irmão de Jean, mesma data de nascimento na vida escura, mesmo criador. Weasley e Ginny são crias dela, devem obediência a ela. Hoje ela me ensinou algumas coisas sobre essência e transformação; se é escolhido para ser cria, será cria para toda a vida, sem dar a essência. Se for escolhido para parceiro, será transformado durante o sexo; sua essência se torna da pessoa que lhe escolheu. Não quero ser cria, nem parceiro. Jean que me mate, mas a eternidade não me atrai.

Parou de ler o livro ao ouvir a voz dela em sua mente, primeiro bem baixo, mandando-lhe que saísse. Sorriu. Não pensou duas vezes: pegou o celular e olhou o relógio na parede, era uma da manhã. Assim que saiu, ouviu o ronco de um motor de carro, virou-se para o portão da Universidade e a viu dentro de uma BMW preta. Sorriu novamente. Aquele carro era perfeito para ela, combinava com seu jeito atraente e elegante de ser.

Entrou no carro e ela sorriu, os olhos castanhos brilhando, um vestido vermelho colado no corpo, scarpins da mesma cor nos pés; unhas afiadas e pintadas de preto, maquilagem de sempre. Ela tinha os cachos presos dessa vez, deixando que ele tivesse plena visão de todo seu pescoço.

-Para onde vamos? – perguntou e a viu sorrir, partindo com o carro sem dar resposta alguma.

Já eram altas horas da madrugada quando desceram do carro, ela deixou a chave no contato e Draco sorriu perante a situação, afinal ela havia roubado o carro, e ele não tinha certeza se o dono ou dona ainda estava vivo ou não; naquele momento, isso não importava. Não iria poder fazer nada que salvasse a pessoa, e Hermione não deixaria; sentiu a pele fria dela contra seu braço. A olhou, ela estava olhando profundamente dentro de seus olhos, um sorriso nos lábios; a cada minuto que ficava com ela, era como se a conhecesse mais um pouco. Mesmo que não conversassem, ela parecia saber tudo de si, e ele conseguia sentir que sabia algo sobre ela.

Olhou para o terreno onde estavam, um grande campo se estendia do portão até onde haviam parado o carro; uma fonte, seca, indicava que era um lugar antigo, abandonado havia algum tempo. Virou-se, encontrando um imponente castelo, com várias janelas, torres sombrias; a lua escondia-se por entre duas das mais altas torres. Draco não pode deixar de sorrir ao lembrar do filmes de vampiros a que já assistira, realmente achava que aqueles castelos sombrios eram invenção; uma escada com pelo menos vinte degraus levava até a porta principal.

O corrimão de pedra estava cheio de algumas plantas embrenhadas, algumas outras subiam pelos altos muros e entravam por algumas janelas sem vidro; por um momento pensou ter visto pessoas pelas janelas das torres. Ela não deveria morar sozinha naquele castelo daquele tamanho, deveria estar cheio de amigos dela; vampiros mais novos, até mais velhos que ela.

Ela passou por ele e começou a subir a escada, os olhos cinzas do garoto se prenderam no rebolar dela; a morena sorriu. Gostava quando prendia a atenção dele, gostava quando ele ficava a babar por seu corpo, seu jeito; poderia ter qualquer homem, mas no momento era ele que importava. Queria usufruir de tudo o que pudesse desse garoto, tirar o sangue, a essência, a razão; seu criador a ensinara isso, e aprendera a fazer com maestria, deixando a vitima sempre pedindo por mais.

Entrou no castelo seguindo-a, olhou em todos as direções, paredes de pedra escurecidas pelo tempo, muitas portas de ferro, algumas abertas, outras fechadas; ouvia sussurros, mas não via ninguém. Velas estavam espalhadas por todos os lados, deixando o ambiente mal iluminado, sombrio.

Entraram por um corredor, Hermione olhava ocasionalmente para trás, sorrindo com os caninos transformados à mostra; muitas das portas estavam abertas e Draco olhava, encontrando algumas pessoas, que, assim que o viam, corriam e ficavam vendo-os ir na direção do último cômodo. Uma garota vinha na direção deles, Hermione passou por ela sem nem ao menos parecer notar sua presença; entretanto, ela ficou a examinar o loiro, que parou para olhá-la também.

-O novo brinquedo. – disse Ginny; Draco riu, sabia que Hermione o chamava assim e não se importava. – Potter pediu que, quando chegasse, fosse até o quarto dele.

Jean virou-se devagar, sob os olhares atentos de Draco, Ginny e outros vampiros parados nas portas; algo estava estranho no castelo. Uma vibração parecia emanar de seus companheiros de morte, como se esperasse algum ataque dela, algum tipo de reação perigosa e fatal. Olhou a ruiva, e esta olhava com gula para Draco.

-Pode deixar que tomarei conta de seu brinquedo. – Ginny disse passando a língua pelos lábios e tocou o braço do loiro, mas pouco aproveitou; Jean segurou seu pescoço com força, apertando até ouvir o barulho de algo se partindo. Sorriu ao ver o desespero da garota em sua mão, a jogou na parede.

-Minha cria obedece a mim. – olhou para o loiro, que encolheu os ombros, mas continuou olhando-a; olhou novamente para a ruiva. – Falo com Potter quando acordar. Amanhã.

A ruiva apenas assentiu, ainda sentada no chão, olhando com medo sua criadora, esperando o próximo golpe, segurava a garganta com força, aquele ferimento demoraria para ser curado; claro que Potter não gostaria de vê-la machucada, mas ele nada podia fazer, a ruiva sabia que pertencia à morena. Viu Jean retornar a andar e o mortal a seguir, sem olhar duas vezes para sai ruiva.

Hermione abriu a pesada porta de ferro do último cômodo do corredor e entrou jogando o casaco na cama ao centro do cômodo, virou-se devagar para observar Draco, enquanto ele olhava atentamente cada detalhe lugar; sorriu. Ele era esperto, inteligente e estava ali, o primeiro mortal a entrar naquele quarto; o primeiro mortal que ela deixava entrar vivo, e que deixaria sair na mesma condição.

Olhou o quarto dela, uma grande cama estava ao centro com lençóis negros, um tapete de veludo branco no chão, as paredes tinham várias tapeçarias vermelhas, verdes e douradas; uma poltrona e um sofá de couro negro, uma mesa e uma cadeira na extrema esquerda. Um vaso grande com flores chamou sua atenção, orquídeas; pareciam recém colhidas, extremamente bonitas. Guardou na mente qual flor poderia entregar à morena caso um dia tivesse tal oportunidade. As janelas tinham cortinas pretas como os lençóis, estavam abertas, deixando o ar frio entrar, balançando-as.

Sentiu os olhos dela sob si, olhou-a, parecia pensativa, algo a incomodava; sorriu, ela fez o mesmo. As presas ainda assustavam, mas já estava tão envolvido que não podia desistir agora; não era covarde, nunca fora. Fitou uma poltrona à sua frente, o estofamento parecia novo, ela gostava de luxo; a olhou, como que pedindo permissão para sentar.

-Sente-se logo. – ela respondeu divertida, andando de um lado para o outro; algo estava errado naquele castelo, só não conseguia entender o quê.

-Como foi? – ele perguntou sentando-se e passando a mão pelos cabelos; viu que ela o olhava pensativa outra vez. – Alberth não revela grandes coisas, somente um certo período de sua vida; dali deduzi, mais ou menos, sua idade.

-Minha idade? – ela jogou a cabeça para trás rindo da frase dele. – Se sabe quantos anos tenho não precisa de mim para conhecer a história, apenas procure nos livros das malditas Guerras Santas. – o tom de deboche indicou que ela não gostava de tal passagem na história humana.

-Quero ouvir de sua boca. – ele falou, e Jean o fitou por vários minutos. Aquilo era segredo, sagrado, mito; entretanto, confiava nele, assim como confiara em Alberth.

-A guerra havia começado outra vez, eu já sabia que eles um dia viriam naquela direção. – declarou, olhando-o nos olhos, tentando ver algo que sabia não estar ali: medo. - Eu esperava que meu pai voltasse com eles. E mesmo que tivesse o alertado que ser seguidor dos Templários seria encarar a morte de frente a todo momento, ele se foi. Mais um enfeitiçado pelo ouro que eles diziam conseguir para quem os seguisse; tudo uma grande besteira na minha opinião.

Humming
We laugh
My head
Falls back

Andou alguns passos, lembrando daqueles dias, tentando não sentir ódio, nem raiva; mas o frio no cômodo era cada vez mais sentido. Não era culpa de seu pai seu destino ter sido aquele, se tinha um culpado, esse era Deus.

-Já naquela época não temia mais Deus. Na verdade, vivia a me perguntar se ele realmente existia; afinal, tantas mortes, sangue e dor em troco de quê? – ele riu achando graça da careta dela. – Ora, eu era humana, não sabia o que pensava.

-Mas já sabia que Deus não existe. – ele deixou-se escorregar mais um pouco na poltrona, ela o olhou com um pouco de orgulho; era difícil encontrar humanos que não acreditassem em Deus. E os que encontrava acreditavam no Diabo, pobres coitados, eles não sabiam quem era o Diabo; pra Hermione, ele tinha nome e idade e a transformara em uma condenada.

-Pode-se dizer que sim. – abanou a mão displicentemente no ar. – Pra mim só existia a maldade humana, mas tinha medo de dizer aquelas coisas e morrer queimada como uma grande amiga; Lucy.

-Por que a queimaram? – ela virou para olhá-lo, por um momento parecia ter esquecido da presença dele, sua mente estava na imagem da grande fogueira na praça de seu vilarejo, queimando a carne de Lucy; disfarçou um sorriso e respondeu.

-Praguejou contra Deus ao receber a noticia do marido morto. – rolou os olhos e respirou fundo. – Por um lado fiquei feliz, ela não veria o que estava para acontecer; a fome nos atingiu pesadamente. A chuva não caía, a terra já não dava frutos. Me sentia sozinha, ninguém pra cuidar de mim.

Draco parecia estar vendo Hermione pela primeira vez, ela contava sua vida como se estivesse relembrando para si mesma; sabia que ela lhe confiava um segredo, uma história morta. Um segredo tão sagrado que somente Alberth sabia, e, agora, ele; sentiu-se importante para ela. Realmente estava fascinado por Hermione, o jeito com que ela se movia, falava, sorria.

-Eu estava revoltada, como qualquer adolescente que é deixada sozinha. Minha mãe havia morrido, meu pai poderia ter seguido o mesmo caminho, e Lucy, queimada; minha revolta era contra Deus e suas mentiras. – os olhos dela tinham um brilho insano ao dizer aquelas palavras. - O homem só busca uma coisa na Terra, o poder que dizem que Deus dá aos que guerrearem no nome Dele. Ridículo.

Riram da braveza dela, Hermione estava na verdade recordando dos detalhes e de cada pensamento seus naquele fatídico dia; olhos nos olhos cinza de Draco. Sua perdição se devia aquilo, estava perdendo-se por ali outra vez? Por olhos cinza, só que dessa vez, olhos vivos? Balançou a cabeça e mordeu o lábio inferior com o canino.

-Todo homem busca poder, receio que só vi tarde demais que ele também buscava. – ela jogou-se em um sofá antigo de frente para a poltrona em que o loiro estava; sentia-se à vontade com ele, mesmo sabendo que todo o castelo estava a avisar Potter sobre o humano no quarto dela. Não se importou, Potter nunca entraria ali sem a permissão dela, e a morena não iria permitir que ele o fizesse essa noite, mesmo que tivesse que agüentar a insolência e infantilidade do moreno no dia seguinte. Essa noite ela queria aproveitar com o loiro.

-Quem é ele? – perguntou, curioso demais; ela riu inclinando a cabeça para trás. Demorou-se olhando para ela, vendo ela tirar os sapatos de salto alto, deixando-os no tapete de veludo; a saia dela se ergueu brevemente ao fazer os movimentos de tirar os sapatos. Draco não pôde evitar ficar excitado com a visão.

-Eu tinha meus dezoito anos quando Potter me pediu em casamento; para uma mortal, o pedido tinha sido perfeito, romântico se assim preferir. – riu com a expressão surpresa dele. – Foi na chuva, com belas palavras e um beijo apaixonado; só tinha um problema: eu queria outro.

-Seu criador?

-Criador, dono, assassino, amante, tanto faz; ele já teve tantos nomes que realmente não importa. – Draco sentiu um pouco de raiva na voz dela, ignorou. A curiosidade de descobrir o nome dele era maior.

-No livro, Alberth diz que você odeia que falem o nome dele. Por quê? – os olhos dela por um momento ficaram castanhos e voltaram a ficar cinza, deixando o loiro preocupado.

-Acredite, se alguém te rouba a vida, e essa pessoa é a que te fascina até achar que ficou louco, é porque não te ama. – a resposta foi seca. – Eu era a filha perfeita, a primeira dele; a máquina de matar que ele tanto procurou. Com ódio por Deus e nojo por humanos.

-Qual o nome dele? – tornou a perguntar, mas ela olhava além de si, olhava para algo parado na porta; virou o rosto e olhou por cima de seu ombro. Um homem estava encostado no batente, sorrindo pelo canto da boca, cabelos negros caindo pela face; ouviu um sussurro dela.

-Sirius?!

Cold
We're so cold
We are so
Cold
We're so cold
--

Comentem???
Kiss

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