Capítulo 8 – Severo Snape
“...e, então, graças ao meu Vingardium Leviosa, o bastão bateu com tudo na cabeça do trasgo – vocês deviam ter viso, foi sangue para todo o lado -, o Harry quase chorou de gratidão, e a Hermione já estava soluçando. Mas, no fim, tudo deu certo”, conclui.
“Uau!”, Lilá soltou, os olhos azuis arregalados, enquanto Parvati engolia em seco, “Você foi muito corajoso”
“Bom, eles também ajudaram, claro”, concedi, grato que Harry estava treinando com Olívio e Hermione, estudando na biblioteca – então, não poderiam me desmentir.
“Puxa, Rony, isso é tão bonito”, Parvati suspirou, “Parece aquelas histórias românticas”
Todos ficaram em silêncio, olhando para ela.
“Não parece, não”, Dino discordou, com uma careta enojada, “Parece aqueles filmes de ação super maneiros, não essas coisas nojentas e cheias de beijos que vocês tanto gostam”
“É!”, Simas, Neville e eu concordamos, igualmente enojados.
Parvati revirou os olhos.
“Bem, tenho que ir fazer lição”, disse, levantando-se, sendo acompanhada por Lilá, “Vejo vocês mais tarde”
“Nós também vamos”, disseram Neville, Dino e Simas, colocando-se de pé e acompanhando as meninas em direção à saída do Salão Comunal.
Quando fiquei sozinho, suspirei, abri minha mochila, puxei meu livro de poções de lá de dentro e comecei a folheá-lo, buscando pela lição que tinha pegado emprestado com a Hermione – eu tinha dito que ia usar como ‘inspiração’, mas na verdade vou copiar tudo, só mudando algumas palavras.
“História impressionante aquela que você contou”, Fred comentou, sentando de frente para mim.
Ergui os olhos.
“Vocês ouviram, foi?”, destampei o tinteiro e molhei a pena.
“A versão compacta, com todas as cenas sangrentas e atos heróicos da sua parte”, Jorge concordou, erguendo as sobrancelhas, “Tudo aquilo aconteceu?”
Cocei o nariz com a pena, distraído.
“Pode ser que eu tenha aumentado alguns fatos para tornar a história mais emocionante”, concedi.
“Qual parte, exatamente, foi exagero? A Hermione chorando de desespero, o Harry Potter à beira da morte ou você nocauteando o trasgo com os próprios punhos antes de terminar com ele de vez com o Vingardium Leviosa?”
Corei levemente.
“Eu só estava tornando a história mais emocionante”, repeti.
Fred riu.
“É, parece que você finalmente realizou um ato grandioso o suficiente para fazer parte do clã Weasley oficialmente”, comentou, os olhos brilhando, maliciosos.
“Verdade?”, perguntei, desconfiado.
“Não”, Jorge respondeu, “Mas tá bem próximo. Agora, você só precisa vencer um dragão com um garfo e...”, trocou olhares com Fred, “Bom, montar uma aranha gigante”, senti um arrepio de horror subir pela minha espinha, “Aí, quem sabe, a gente pode colocar você junto com o Percy”
Fiz uma careta para eles, junto com um gesto nada lisonjeiro e voltei minha atenção para a lição.
Houve um breve instante de silêncio.
“Então, vai contar a versão verdadeira para a gente ou não?”, perguntou, apoiando o queixo em uma das mãos.
“E, por verdadeira, nós queremos dizer ‘sem o Harry gritando que nem um bebê e suplicando pela sua ajuda e sem uma Hermione chorando, desesperada, clamando que, em retribuição ao seu ato altruísta e corajoso, ela fará todas as suas lições de casa daquele dia em diante’”, Jorge especificou.
“É, a gente quer a versão verdadeira”, concordou Fred.
Revirei os olhos e suspirei.
“Tá bom, mas não vai ser tão divertida”, adverti.
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Com a chegada de novembro, tudo estava horrivelmente frio. Harry estava treinando muito freqüentemente com Olívio e o resto do time – somente Merlim sabe como ele e meus irmãos agüentavam aquele frio -, enquanto Hermione e eu ficávamos cuidando da lição de casa.
“Isso está errado, Rony”, Hermione informou, devolvendo-me o meu pergaminho, “O professor Snape explicou que...”, e depois ela deve ter começado a falar em um dialeto há muito esquecido, porque nada do que ela falava parecia fazer sentido, “... entendeu?”
“Ahn...”, voltei os olhos para o meu pergaminho, “Claro”
“Rony”, ergui os olhos, lentamente, “Você não entendeu uma palavra do que eu disse, não foi?”
Encolhi os ombros.
“Francamente”, ela puxou o pergaminho das minhas mãos e começou a escrever, “Preste atenção enquanto eu explico, porque não vou poder fazer – e não faria, mesmo se pudesse – sua prova por você”
“Infelizmente”, suspirei, enquanto apoiava o queixo nas mãos e a observava, “Você sempre presta atenção na aula?”
Hermione nem ergueu os olhos do que estava fazendo.
“Isso é um colégio”, respondeu, de maneira óbvia, “O que mais eu poderia fazer?”
“Ser normal e dormir na aula de História da Magia, quem sabe?”, sugeri, erguendo as sobrancelhas.
Ela simplesmente riu.
“E de quem você copiaria as anotações?”, perguntou, erguendo os olhos para me encarar, presunçosa.
“Ótimo argumento”, cedi, enquanto me inclinava para observar o que ela escrevia, “O que é isso?”
“Preste atenção, porque eu preciso que você explique para o Harry – estou sem tempo, ainda tenho que terminar de ler um livro...”, notou minha expressão de tédio e revirou os olhos, “Você vai explicar para ele?”
Não, mas vou o deixar copiar toda a minha lição, de modo que ele passará de ano e todos seremos felizes.
“Claro”
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Harry estava um pouco ansioso para o seu jogo e sugerira casualmente que fôssemos dar uma olhada no campo de quadriboll. Hermione parecia um pouco cética com isso.
“Mas não é contra o regulamento?”, perguntou, enquanto andávamos pelo corredor.
“Bem, foi você quem leu ‘Hogwarts Uma História’ quinhentas vezes”, respondi, “Se você não sabe...”
“Eu li duas vezes. E a sessão sobre ‘regras’ está desatualizada”, explicou, “Por isso, não tenho certeza se não é contra as regras”
“Será rapidinho”, Harry prometeu, “Eu só quero dar uma olhada lá fora”
“A gente não pode fazer isso de dia?”, a garota sugeriu, apertando o passo e balançando a cabeça, “Pelo menos, tenho certeza de que não é ilegal”, murmurou, mas lancei-lhe um olhar de aviso que dizia um ‘cala a boca, mala’ acompanhado por um ‘não vê que ele está ansioso?’, Hermione revirou os olhos, “Está bem. Imaginei que não conseguiria fazer vocês mudarem de idéia”, explicou, enquanto puxava um frasco de geléia e murmurava alguma coisa, e então, um fogo forte e azul apareceu.
“Uau”, Harry arregalou os olhos, surpreso.
Hermione sorriu.
“Bem, pelo menos poderemos ver”, orgulhosa de si mesma, ela continuou andando, mas agora alguns passos à nossa frente.
Quando chegamos ao campo, um vento frio nos assolou. Estremeci, enquanto me aproximava mais das chamas azuis, que Hermione segurava, para me aquecer. Estávamos observando os aros.
“Muito ansioso?”, perguntei para Harry, enquanto me abraçava para me aquecer.
Harry ainda estava olhando, distraído, para os aros. Concordou com um aceno breve de cabeça.
“Fred e Jorge disseram que...”, voltou-se para mim, também cruzando os braços para se proteger do frio.
“Não ouça nada do que meus irmãos falam”, cortei-o, num tom simpático, “Eles gostam de deixar a gente tremendo de medo, para falar a verdade”
“Eles falaram que há uns três anos atrás, o último apanhador foi para a Ala Hospitalar com um traumatismo craniano por causa de um balaço especialmente poderoso”, Harry completou.
Mas era verdade, e até eu sabia que isso não ia ajudá-lo.
“As probabilidades disso acontecerem com você são bem pequenas”, tentei, pouco convincente.
“Harry, você não tem com o que se preocupar”, Hermione se pronunciou pela primeira vez, já que quadriboll não era o seu assunto predileto, “Mesmo que aconteça alguma coisa, a Madame Pomfrey é muito eficiente e resolverá seu problema em questões de segundos”
Harry engoliu em seco.
“Vocês são péssimos”, informou.
Eu dei uma risadinha, bem quando vimos algo caminhando a alguns metros da gente. Viramos-nos para ver que era Snape; e ele mancava. Instintivamente, nos colocamos na frente do fogo, para que Snape não o visse.
Mas é claro que ele viu, e se aproximou de nós parecendo ansioso para ter um motivo para arrancar nossas cabeças. Mas como isso é meio ilegal e provavelmente o mandaria direto para Azkaban, ele resolveu fazer uma coisa um pouco menos séria e tirar o maior número de pontos que conseguisse da Grifinória.
“Que é que você tem aí, Potter?”, perguntou para Harry, que segurava a edição de Hermione de ‘quadriboll através dos séculos’ que ele prontamente mostrou ao homem que analisou-o, parecendo descontente por não ser algo mais sério – como uma garrafa de Firewhisky ou, não sei, uma faca ensangüentada -, “Os livros da biblioteca não podem ser levados para fora da escola”, disse, finalmente, pegando o livro do menino, com uma expressão de desdém, “Me dê aqui. Menos cinco pontos para a Grifinória”
Snape começou a se afastar e Harry lançou-lhe um olhar irritado.
“Ele acabou de inventar essa regra”, murmurou, irritado, e vi que Hermione ia abrir a boca – provavelmente para falar que essa regra existia -, mas rapidamente cobri a boca de Hermione com a minha mão, “Que será que houve com a perna dele?”
Enquanto eu o observava mancar, me afastei de Hermione.
“Não sei”, murmurei, enfiando as mãos no bolso das calças, “Mas espero que esteja realmente doendo”
Hermione, então, murmurou alguma coisa sobre estar muito tarde e nós voltamos para o castelo.
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Hermione estava corrigindo – e, por corrigindo, vocês podem ler ‘refazendo’ – nossos deveres de Feitiços, quando Harry anunciou que ia pedir o livro de volta para Snape.
“Antes você do que eu”, Hermione e eu falamos em uníssono.
Harry aquiesceu e saiu.
“Francamente, o Harry ainda vai se meter em encrencas”, ela sacudiu a cabeça, em tom crítico, enquanto voltava a escrever alguma coisa no meu pergaminho, “Rony, como você pode escrever tanta coisa idiota em apenas três linhas?”, perguntou, perplexa.
“Eu tenho a suspeita de que os professores não lêem o que escrevemos”, expliquei.
“Isso explica porque você descreveu o que comeu hoje no café da manhã na terceira pergunta”, ela respondeu, exasperada.
“E sabe o que é o melhor?”, segredei, tirando meus olhos da janela, “Eu já fiz isso com o Snape também”, sussurrei, “Eu redigi uma receita de biscoitos da minha mãe e ele nem percebeu”, Hermione tentou me lançar um olhar severo, mas acabou rindo.
“Como você vai aprender desse jeito?”, perguntou, quando voltou a ficar séria.
Eu ia falar que eu não tinha que me preocupar, enquanto eu tivesse ela para me ajudar com os estudos, mas Harry chegou naquele minuto, ofegante.
“Conseguiu?”, perguntei, mas ao perceber o rosto dele, arregalei os olhos, “O que aconteceu?”
“Eu bati na porta, mas ele não respondeu, então, eu entreabri a porta e... e vi Snape tratando da ferida na perna. Bem, não ele, mas o Filch estava aplicando alguma coisa... remédio, acho. Enfim”, balançou a cabeça, tentando colocar os pensamentos em ordem, “Ele mencionou algo sobre o cachorro”
“Como assim?”, Hermione perguntou, deixando os pergaminhos de lado.
“Ele falou algo sobre ‘como alguém pode prestar atenção em três cabeças’ ou algo assim”, Harry tentou recuperar o fôlego, “Sabem o que isso significa? Ele tentou passar pelo cachorro de três cabeças no Dia das Bruxas! Era para lá que estava indo quando o vimos. Ele quer a coisa que o cachorro está guardando! E aposto a minha vassoura como ele deixou aquele trasgo entrar, para distrair a atenção de todos!”, concluiu.
Era meio surreal, mas fazia sentido. Hermione deve ter pensado o mesmo, porque seus olhos castanhos estavam arregalados.
“Não”, disse, balançando a cabeça, “Ele não faria isso. Sei que ele não é muito simpático, mas não tentaria roubar uma coisa que Dumbledore estivesse guardando a sete chaves”
Para ser bem sincero, a única coisa que eu não conseguia ver o Snape fazendo era abraçar uma boneca e tratar bem o Neville. Diabos, eu até o conseguia ver assassinando uma pessoa com um prendedor de cabelo – eu via isso bastante em pesadelos, e, normalmente, a ‘pessoa’ era eu.
“Sinceramente, Hermione, você pensa que todos os professores são santos ou coisa parecida”, resmunguei, “Concordo com Harry, acho que Snape faria qualquer coisa. Mas o que ele está procurando? O que é que o cachorro está guardando?”, perguntei, curioso.
Ficamos em silêncio, embora todos pensássemos na mesma coisa. O que era aquilo que Snape desejava tanto?
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“Você tem que comer alguma coisa”, Hermione disse, servindo um copo de suco e empurrando na direção dele.
“Não quero nada”, murmurou o outro, amuado.
“Só um pedacinho de torrada”, ela tentou, cortando uma torrada ao meio e colocando-a no prato de Harry, que deu de ombros e murmurou que não tinha fome.
Simas, que estava sentado do meu lado e ouvira tudo, se pronunciara, com um tom de aviso.
“Harry, você precisa de energia”, voltou a empurrar o copo que Hermione servira de suco na direção dele, “Os apanhadores são sempre os que acabam aleijados pelo outro time”, lembrou.
“Obrigado, Simas”, ele murmurou, ficando quase verde.
Revirei os olhos. Sempre tive plena ciência da minha completa incapacidade para confortar pessoas e esse era um dos motivos pelo qual eu optava pelo silêncio compreensivo e os acenos de cabeça amistosos.
Fred e Jorge, que estavam do outro lado da mesa, se levantaram e acenaram para Harry que empalideceu ainda mais, levantou-se e seguiu os dois. Observamos-no se afastar, até que o trio tivesse saído do Salão Principal.
“Trouxe o lençol?”, Simas perguntou para mim. Com um aceno de cabeça, puxei de dentro da minha bolsa um lençol amassado em uma bola.
“O que é isso?”, Hermione perguntou, a testa franzida em curiosidade.
“Percebemos que Harry ia precisar de um apoio”, Dino empurrou os pratos e engradados para o lado, para que pudéssemos estender o lençol na superfície da mesa, “Então, resolvemos fazer isso”, e desamassamos o lençol, expondo as palavras ‘Potter para Presidente’ escritas com tinta preta e Dino, que desenhava muito bem, havia pintado um leão embaixo da frase, “Nós sabemos que é meio...”
“De última hora”, completei, dando de ombros.
“Mas foi a única coisa em que conseguimos pensar. Se ao menos tivéssemos alguém que soubesse alguns feitiços legais para deixar tudo mais caprichoso...”, Simas terminou, então, lançamos um olhar significativo para Hermione.
Ela corou levemente.
“Está bem”, cedeu, puxando a varinha, “O que querem que eu faça?”
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Estávamos nos organizando na arquibancada, quando percebi Hermione puxando um livro da mochila.
“O que você está fazendo?”, perguntei, assombrado.
“Bem”, as bochechas dela ficaram rosadas, enquanto ela encolhia os ombros, “Eu só estava pensando em ler um pouco...”
“No meio de um jogo de quadriboll?”, Simas parecia tão perplexo que Hermione poderia muito bem ter dito que tinha acabado de comer duas meias velhas do Hagrid.
“Eu só... o jogo ainda não começou”, murmurou, incomodada.
“Me dá isso aqui”, resmunguei, arrancando o livro de suas mãos e enfiando-o na minha mochila, de qualquer jeito, “Você vai prestar atenção no jogo”, acrescentei, enquanto pegava um dos lados do lençol.
Nesse instante, os jogadores entraram no campo, e as arquibancadas foram à loucura – berros, palmas, assovios. Hermione parecia perdida em meio a tudo aquilo. Harry olhou na nossa direção e sorriu ao perceber o lençol que movíamos, animados.
Em seguida, todos os jogadores montaram em suas vassouras e dispararam. Angelina saiu voando, com a posse da goles, mas logo passou-a para Alícia Spinnet, que tentou devolver a goles, mas um dos artilheiros da sonserina interceptou-a. Para a nossa sorte, Olívio defendeu-a. Passou-a para Katie Bell, mas antes que ela pudesse sequer fazer uma volta de 180º, um dos batedores da Sonserina mirou – certeiramente – um balaço em sua nuca.
“Isso é muito violento”, Hermione guinchou, levando as duas mãos ao rosto.
“Não, isso é muito divertido”, corrigiu Dino, enquanto observava um balaço lançado por Fred acertar um dos artilheiros da Sonserina, Angelina pegava a bola e... “GOL!”, Dino vibrou, e nós três começamos a pular e berrar de felicidade, enquanto Hermione espiava por entre dois dedos, como se para se certificar de que não tinha ninguém decapitado. Ainda.
“Cheguem para lá, vamos”, Rúbeo Hagrid se aproximou e Hermione e eu fomos para o lado, dando lugar para que ele se sentasse. As madeiras estalaram sob seu peso e, prudentemente, dei um passo, me afastando dele, e puxei-a para que me acompanhasse.
Eu ainda precisava da garota para passar de ano, vocês sabem.
“Estive assistindo da minha casa”, ele explicou, apontando para o grande binóculos pendurado em seu pescoço, enquanto Hermione e eu nos sentávamos, ainda mantendo uma distância segura, “Mas não é a mesma coisa que assistir no meio da multidão. Nem sinal do pomo ainda, não é?”
“Não”, respondi, deixando meus olhos varrerem o ar, atrás de algum indício de brilho dourado – mas nada, “Harry ainda não teve muito o que fazer”, acrescentei.
“Pelo menos não se machucou, já é alguma coisa”, Hagrid começou a olhar pelos binóculos, mirando em Harry.
“Como ele está?”, perguntou Hermione, preocupada.
“Hermione, acredite em mim, se ele tivesse se machucado, nós teríamos percebido”, murmurei, olhando para o jogo, concentrado, “São poucas as pessoas que passam mal e continuam levitando no céu”
Hermione lançou um olhar severo na minha direção.
“Você entendeu o que eu quis dizer”, resmungou.
Mas foi então que vimos um lampejo dourado há alguns centímetros do artilheiro da Sonserina; Harry também o percebeu, porque mergulhou como uma flecha na direção do jogador. O outro apanhador da Sonserina se unira a ele e agora os dois estavam lado a lado, aproximando-se cada vez mais do pomo.
E foi então que um dos artilheiros da casa das cobras, Marcos Flint, deslizou em sua vassoura e ficou bem na frente de Harry, fazendo com que ele tivesse que mudar o rumo para evitar uma colisão.
Tantos palavrões viram à minha mente que tive dificuldade para escolher somente um que pudesse articular. Percebi, satisfeito, que Hermione também soltou um murmúrio de indignação.
Foi considerado falta – pelo menos no quadriboll, nós temos justiça -, mas quando vasculhei o campo com meus olhos, não vi nem sinal do pomo.
“FORA COM ELE, JUÍZA!”, berrava Dino, as mãos cerradas em punhos, “CARTÃO VERMELHO!”
“Isto não é futebol, Dino”, revirei os olhos, enquanto um bom número de grifinórios voltava sua atenção para a gente, “Você não pode expulsar jogadores de campo no quadriboll, e o que é um cartão vermelho?”
Dino abriu a boca para replicar, mas Hagrid interrompeu-o.
“Deviam mudar as regras, Marcos podia ter derrubado Harry no ar”, pontuou.
Voltamos a atenção para o jogo, concentrados nos artilheiros, enquanto Hagrid mantinha sua atenção em Harry, via binóculos.
“Não sei o que Harry acha que está fazendo”, murmurou para a gente, antes de voltar a espiar pelo binóculos, “Se eu não entendesse da coisa, eu diria que ele perdeu o controle da vassoura... mas não pode ser...”, rapidamente, nossos olhos buscaram pelo apanhador.
A vassoura estava fazendo movimentos bruscos, girando em círculos, como se quisesse que Harry se desequilibrasse. O que poderia acontecer, não fosse pelo fato de que vassouras não costumam pensar.
“Isso é normal?”, perguntou Hermione, num fio de voz.
“Não”, respondi, engolindo em seco, “Nem um pouco”
“Será que aconteceu alguma coisa com a vassoura quando Marcos a bloqueou?”, Simas perguntou, num sussurro.
“Não pode ser”, Hagrid não parecia tão seguro, “Nada pode interferir com uma vassoura a não ser uma magia negra muito poderosa, nenhum garoto poderia fazer isso com uma Nimbus 2000”
Os olhos de Hermione se arregalaram, ao ouvir Hagrid, e ela agarrou o binóculos que ele usava. Ao invés de observar Harry – tendo em vista que ele estava prestes a morrer, era o natural a ser feito -, Hermione voltou-o para a multidão.
“Que é que você está fazendo?”, perguntei, perplexo, tentando descobrir o que ela estava olhando.
“Eu sabia!”, ela exclamou, voltando-se para mim, “Snape. Olhe”, me estendeu o binóculos. Snape estava entre a arquibancada dos professores, seus olhos estavam fixos em Harry e ele movia a boca, como se tivesse fazendo... tudo se encaixou e engoli em seco, “Ele está fazendo alguma coisa, ele está azarando a vassoura”, explicou, num sussurro.
“Que vamos fazer?”, sussurrei de volta, aflito.
“Deixe comigo”, e ela se afastou, decidida. Observei-a por alguns segundos antes de voltar a observar Harry, com os binóculos. Vi Fred e Jorge tentando se aproximar, para transferi-lo de vassoura, mas sempre que se aproximavam, a vassoura se elevava ainda mais.
Engoli em seco, quando percebi meus irmãos mudando de tática e começando a girar embaixo da vassoura, na esperança de evitarem que Harry despencasse para o chão como um saco de bosta de dragão.
“Anda logo, Hermione...”, murmurei, sem perceber, enquanto apertava com força os binóculos, meu coração batendo rápido.
Então, mudei a direção dos binóculos e busquei por uma cabeça envolta em cabelos cheios e castanhos. Encontrei-a abrindo caminho entre os alunos da Sonserina, rumando em direção a Snape. Minha boca ficou seca. Então, a cabeça dela sumiu, e presumi que ela tinha se agachado em meio à multidão, para não ficar muito visível.
Poucos segundos depois, alguém levantou, berrado ‘Fogo!’, e o pânico se instalou. Voltei, então, meu foco para Harry e vi que, pálido e trêmulo, ele voltou a ter o controle da própria vassoura.
“Pode abrir os olhos agora, Neville”, murmurei, sentindo um alívio tremendo me envolver. Vi o garoto afastando o rosto do casaco de Hagrid, os olhos avermelhados.
Bom Merlim, quando esse menino vai aprender, e tentar ser um grifinório?
Harry estava mergulhando em direção ao chão, provavelmente para pousar em terra firme e beijar o solo aos seus pés, mas então retrocedeu, parecendo prestes a vomitar – não que eu o culpe.
Tossiu e o pomo caiu em sua mão. Ele ergueu-o, berrando ‘apanhei o pomo!’. Todos vibramos, mas comecei a descer as arquibancadas para me encontrar com ele. No meio da escada, encontrei Hermione. Nos observamos por alguns segundos, e ela ergueu o frasco com as chamas azuis. Sorri, quando compreendi o que ela tinha feito.
“Vamos atrás de Harry”, disse, puxando-a de leve pelo o cotovelo, escada abaixo.
Quando chegamos lá embaixo, no meio da multidão de jogadores, fui parado pelos meus irmãos.
“Vocês sabem o que aconteceu com a vassoura do Harry?”, perguntou Jorge, o cenho franzido.
“Claro que sabemos”, resmunguei, “Eu e Hermione enfeitiçamos. O que é que vocês acham?”
Fred revirou os olhos.
“Desde que venceu o trasgo se tornou numa pequena celebridade arrogante”, murmurou, em um tom de fingido sofrimento, “Queremos nosso irmão humilde e inseguro de volta”, provocou.
Foi a minha vez de revirar os olhos.
“Viram o Harry? Precisamos falar com ele”, então, meus irmãos franziram o cenho.
“Sobre o quê?”, Fred questionou.
“Dar os parabéns”, Hermione se intrometeu, bem a tempo, “Pela captura do pomo”, acrescentou.
“Bem, por ter quase caído da vassoura é que não poderia ser”, foi a resposta de Jorge, que deu de ombros, “Vemos vocês na comemoração, OK?”, e se juntaram ao resto do time.
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Harry, Hermione e eu estávamos sentados à mesa gigantesca na cabana de Hagrid, enquanto ele preparava um café para o garoto que quase fora atirado de sua vassoura.
“Foi Snape”, expliquei, “Hermione e eu vimos. Ele estava azarando a sua vassoura, murmurando, não despregava os olhos de você”, relatei.
“Bobagens”, Hagrid descartou, “Por que Snape faria uma coisa dessas?”
Não sei, por que ele tentaria se meter com um cachorro de três cabeças? Para dar uma voltinha no parque e brincar de arremessar o bastão é que não podia ser.
Trocamos olhares, e Harry lançou um olhar receoso para Hagrid, então percebi que ele ia contar a verdade. Respirei fundo. Próxima parada, hospício.
“Descobrimos uma coisa”, contou ele, “Ele tentou passar pelo cachorro de três cabeças no Dia das Bruxas. Levou uma mordida. Achamos que estava tentando roubar o que o cachorro está guardando”, falou, de uma vez só.
Hermione e eu trocamos olhares assustados.
Hagrid deixou o bule de chá cair.
“Como é que vocês sabem sobre a existência do Fofo?”, perguntou, perplexo.
“Fofo?”, ergui as sobrancelhas. Nós não poderíamos, definitivamente, estar falando da mesma coisa.
“É... é meu... comprei-o de um grego que conheci num bar no ano passado. Emprestei-o a Dumbledore para guardar o...”, interrompeu-se, culpado.
“O quê?”, Harry estava quase caindo da cadeira de tanta ansiedade e eu e Hermione também nos inclinamos.
“Não me pergunte mais nada”, Hagrid resmungou, “É segredo”
“Mas Snape está tentando roubá-lo”, Harry soltou, indignado.
“Bobagens. Snape é um professor de Hogwarts, não faria uma coisa dessas”, insistiu o meio-gigante.
“Então, por que ele tentou matar o Harry?”, Hermione perguntou, rispidamente, cruzando os braços e lançando um olhar duro na direção do homem, como se o tivesse desafiando a contradizê-la, “Eu conheço uma azaração quando vejo uma, Rúbeo, já li tudo sobre o assunto!”, revirei os olhos, discretamente, “A pessoa precisa manter contato visual e Snape nem ao menos piscava, eu vi”, argumentou.
Hagrid voltou-se para nós, dando as costas para a pia, os braços cruzados e uma expressão igualmente determinada.
“Estou dizendo que vocês estão enganados!”, repreendeu-nos, “Não sei porque a vassoura de Harry estava agindo daquela forma, mas Snape não iria tentar matar um aluno! Agora, escutem bem, os três: vocês são se metendo em coisas que não são da sua conta. Isto é perigoso. Esqueçam aquele cachorro e esqueçam o que ele está guardando, isto é coisa do professor Dumbledore com o Nicolau Flamel...”
Nós três arregalamos os olhos.
“Ah-ah!”, Harry ergueu a mão no ar, “Então tem alguém chamado Nicolau Flamel metido na jogada, é?”
Hagrid xingou baixinho, parecendo furioso consigo mesmo, enquanto nós três ficávamos em silêncio, digerindo o que tínhamos acabado de descobrir.
Quem era Nicolau Flamel? E o que diabos ele tinha de tão importante que Snape desejava tanto?
Continua...
N/A: Oi, gente!
Espero que tenham gostado do novo capítulo! Teve várias cenas inéditas... espero que vocês gostem delas e se virem algum personagem descaracterizado, por favor, me avisem!
Tailana Schreiber - Vou tentar desenvolver os sentimentos deles de maneira decente, prometo. O que achou das cenas deles como amigos?
Renata Nofal - ahuiahihua. O que achou das cenas deles? E vou tentar desenvolver as cenas de maneira decente!
Próximo capítulo no domingo da semana que vem!
Beijos,
Gii. |