56
De volta
Harry havia acordado a algumas horas. Madame Polfrey o mantinha cativo na cama, embora relutasse. A uma meia hora, rony também acordara, mas não dissera nada sobre sair. Aparentemente contente em não ser expulso da enfermaria enquanto não soubessem se Hermione estava bem ou não.
Ayana e Gina haviam saído a muito tempo, embora ninguém explicasse nada a nenhum dos dois.
Notaram também a completa ausência do casal Granger e Wesley. Nenhum professor, nenhuma visita.
Sentado na cama, coberto pelo lençol, Harry olhou atravessado para Rony, na mesma situação.
-Parece que esqueceram da gente – comentou em voz alta.
-Eu só queria saber onde enfiaram Hermione. – desabafou ele – Notou que nem mosca passa por aqui?
-Você não acha que...? – Harry não teve coragem de terminar a frase.
-Não...se não mamãe já estaria aqui desesperada, chorando como uma condenada. Quando tia Muriel morreu ninguém precisou contar pra minha vó, bastou olhar pros olhos vermelhos da minha mãe pra saber – disse amargo – Normalmente ela ao menos estaria aqui para saber se estamos bem...
-Reclamando novamente, sr.Wesley? – Madame Polfrey trouxe as poções necessárias para beberem.
-Não...claro que não – deu de ombros.
-Madame Polfrey, onde está todo mundo afinal? – Harry perguntou pela milésima vez. – Quero dizer, estamos só nos dois aqui, e onde esta Hermione?
-Eu já disse, sr.Potter, as meninas Ayana e Gina foram para seus dormitórios. Estão liberadas, pois se recuperam mais rapidamente. Quanto a srta.Granger... – tomou ar e olhou-os com desconfiança. Parecia indecisa – Ela está bem. – confessou – Foi a primeira a acordar.
-Hermione está acordada??? – Rony pulou da cama, seguido de Harry.
-Acalme-se, sr.Wesley! – repreendeu ao vê-lo cambalear. Harry sentia a mesma tontura mas disfarçou. – Já para a cama!
-Porque ninguém quis nos dizer? O que está havendo???
-Sr.Potter...mas tarde Dumbledore virá vê-los e...explicará a situação com calma. – baixou os olhos e fez Rony engolir sua possão e depois Harry. – Agora, descansassem, pois amanhã voltaram as aulas e tenho certeza que tem muita matéria atrasada!
Harry e Rony a olharam como se ela fosse louca. Como podia agir normalmente? Com um olhar cúmplice, os dois esperaram que se afastasse por de trás de um biombo, e saíram de fininho das camas. Logo estavam no corredor fora da enfermaria. Estavam com as mesmas roupas de quando deitaram-se para o feitiço que professor Snape realizou. Isso era bom, pois seria constrangedor andar pela escola de pijamas.
Subiram a sala da grifinólia e estranharam prontamente o quadro aberto. A mulher gorda e Vivi lhes lançaram olhares arregalados e fizeram sinal para que ficassem quietos, estavam escutando a conversa que vinha de dentro da sala comunal.
Os dois espiaram pela fresta e viram Molly Wesley e Alicia Granger sentadas lado a lado no sofá, enquanto seus maridos pareciam travar uma discussão:
-Eu já disse, Arthur, preso muito sua amizade. Nossos filhos são...amigos, e saiba que sua opinião me importa sem duvida alguma. Mas estamos falando da minha filha. E eu e minha mulher – olhou para Alicia buscando apoio – decidimos juntos.
-Alicia... – Molly a olhou frustrada.
-Eu sinto muito – ela ergueu-se do sofá, aproximando-se do marido – É o certo a fazer ao menos por enquanto. Hermione é nossa única filha. Não nos peça para abrir mão de sua segurança.
-Hermione esta segura aqui...todos os alunos estão – esse argumento pareceu totalmente infantil visto o que acabaram de passar – Acreditem, eu não deixaria meus filhos correrem perigo. E não diria para fazerem isso com a de vocês! – tentou novamente argumentar.
-Arthur. – a voz de Antonio Granger era definitiva e rouca – É melhor que acabemos com essa discussão agora. Enquanto podemos manter a amizade e o contato, está bem? Não vamos proibir Hermione de receber ou escrever cartas, muito menos de ver seus amigos....quando for oportuno. E seu filho... – parou para pensar um instante – Eles terão um tempo para repensarem esse namoro.
Ao lado de Harry, Rony tinha o queixo caído.
-Ainda acho que tirar Hermione de Hogwarts não é a melhor opção. Ela é um bruxa. Nada pode mudar isso.
-Ela pode ser uma bruxa em qualquer lugar. Mas perto de nos. – disse Antonio.
Molly abriu a boca para protestar, mas foi interrompida pelos dois adolescentes que entraram como furações:
-Vai ter coragem de tirar Hermione daqui??? – rony dirigiu-se diretamente a ele.
-Sim, oficialmente eu já falei com Dumbledore. – sustentou seu olhar.
-Certo – ele disse de volta – tire Hermione da escola. Assim ela fica sem apreender os feitiços que precisa para se defender. E quando Voldemort voltar com força total e for atrás de todos que ele considera sangues ruins, ela não poderá se defender nem protege-los. Sabe o que ele faz com trouxas? Sabe o que ele fará com Hermione? – virou-se para seus pais indignados – Ninguém contou a eles??? Querem que eles entendam porque ela precisa ficar mas escondem os motivos???
-rony, não é necessário assusta-los ainda mais... – Harry segurou a manga da camiseta dele, com um sorriso amarelo.
-Ah, claro! Maravilha. Eles não precisam saber. – avermelhou – Mas eu acho que se vão tomar essa decisão, devem saber exatamente o que estarão fazendo!
-então nos diga. – desafiou Antonio Granger.
-Voldemort tem muito poder. Ele tem comensais que fazem o serviço sujo para ele. Trouxas, pessoas que se relacionam com trouxas, meio-bruxos, bruxos sem boa linhagem...todos são suas vitimas preferidas. Sua diversão. Uma vez Hermione disse que havia trouxas que ao longo da história trouxa, tiveram ideais semelhantes a ele de hierarquia. Como se chama, Hitler? Mussolini? – viu a expressão surpresa de Harry por ele saber isso – eu sempre presto atenção no que ela diz! Posso não deixar transparecer, mas isso me impressionou. Agora imagine tudo que eles fizeram e adicione poderes infinitos de magia. Vê? – perguntou vendo o olhar chocado da sr.Granger – Hermione é muito boa com a varinha. Mas não conseguira dar conta de tudo sozinha.
O sr.Granger afastou-se uns passos para pensar e quando virou-se de volta, disse apenas:
-Você diz que ele se vingara de quem se envolve com trouxas. Minha filha é uma trouxa.
-Sim...mas ninguém na minha família se importa com isso. – disse como se fosse tão obvio que não era necessário dizer – Harry é meio bruxo, mas e daí?
-Bruxos. Meio bruxos, trouxas. Não me importa. Vou levar minha filha comigo.
-Mas não pode fazer isso! – protestou.
-Posso e vou! – respondeu ele.
-Não vai não! Se levar Hermione, vou dar um jeito dela fugir!
-Rony! – uma voz firme veio do alto da escada do dormitório das meninas.
Ele parou na hora. Estava vermelho como pimentão, mas ficou pálido em segundos. Ela estava ali de pé falando. Bem e tão perto dele. Poderia estender a mão e toca-la...se seu pai não estivesse no meio do caminho, claro!
Ela se aproximou e ficou a sua frente suspirando.
-Eu vou com meu pai. – disse com voz baixa.
Por de trás dela, viu Gina e ayana descendo acompanhadas de prof.Minerva. gina tinha marcas de lagrimas no rosto.
-Não pode ir!
-Posso e vou. – disse desanimada – Prof.Minerva já me explicou como funciona a desistência de um aluno em Hogwarts. Eu ficarei bem. – seus olhos desmentiram isso. Havia lagrimas. Muitas lagrimas. Mas ela não chorava. – Eu só achei que... – soluçou – que nada poderia ser pior do que ele fez comigo...mas estava enganada. – uma lagrima correu em meio a seus soluços. Referia-se ao monstro que a aprisionara.
-Como...Como podem fazer isso com sua própria filha? – rony olhou chocado para os Granger.
Nem aí para a opinião deles, se aproximou e a abraçou com força. Ela escondeu o rosto em seu pescoço e chorava. Baixinho e abafado pelo abraço. Rachou o coração de Rony. O desfez em pedacinhos. Como viveria todos os dias do ano sem ela? Sem suas brigas, sem suas implicâncias? Mais recentemente sem seus beijos doces? Sem...sua presença?
-Eu tive tanto medo... – ela sussurrou apenas para ele ouvir – de que não visse mais quem amo...e não verei de qualquer forma... – soluçou.
-Sr.Granger? – Harry recuperou a voz e disse ao homem – Porque não deixa Hermione ao menos até o fim do ano? Falta menos de seis meses para isso.
-Não. – ele tornou a dizer.
-Então ao menos até o Natal? – barganhou.
-Harry, realmente não. – começou a se irritar.
-Alguns dias então? Uma semana? Para se despedir dos amigos e da escola? – tentou de novo. – Sabe... podem ficar na casa Rony, não podem? Ficaram perto de qualquer forma. E logo, ela vai embora...
ele pareceu pensar no assunto.conhecendo o marido, Alicia tocou-o no braço e disse com voz suave e doce, como se temesse uma explosão. Afinal agora todos sabiam de onde Hermione herdara aquele gênio difícil:
-Harry tem razão, querido. Devemos dar uns dias para Hermione se despedir...apenas uns dias...
harry imaginou quantas vezes na vida ela já não tivera que fazer isso, implorar algo a ele. Muitas de certo. Possivelmente sua vida seria assim com Gina também, uma vez que ela era muito esquentada.
Rony afastou-se de Hermione e com as mãos secou seus olhos molhados, sem afastar seus olhos dos dela.
-Uma semana? Você ouvir isso, Hermione? – ele disse sem coragem de olhar para ela. – Em uma semana viremos busca-la.
-hum-Hum... – concordou com um movimento da cabeça, triste.
-É melhor irmos embora. – ele disse, ainda bastante nervoso, saindo pela porta da sala comunal. Prof.Minerva apressou-se atrás dele.
-Minha querida, - Alicia deu rápido abraço em Hermione que não teve vontade para retribuir bastante magoada – Será uma semana para que eu tente convencer seu pai a esquecer isso... – sussurrou – você sabe como ele é teimoso...
-Sei...
-Não o odeio. Não me odeie. Nos apenas a amamos e queremos seu bem...
-Hum-hum... – olhou para outro lado, querendo fugir do contato com ela. – Eu...vou morrer se for embora, mãe. – confessou – Por favor, fala com o papai...por favor!
-É o que vou fazer, é tudo que quero agora. Você precisa descansar e ficar boa logo, minha pequena – sorriu com carinho – e Depois aproveite esses dias com seus amigos. Está bem?
-Sim...
desistindo de ter uma despedida amigável com a filha olhou para os outros adolescentes e disse um rápido adeus resignada. O casal Wesley despediu-se dos filhos e também partiu.
Rony puxou Hermione para o sofá assim que os adultos saíram. Ela sentou a seu lado, juntinho e num abraço, colocou o rosto contra seu ombro, querendo chorar de novo.
-Eu não posso acreditar que seus pais estão fazendo isso! – rony disse indignado, sem parar de acariciar seus cabelos.
-Eles estão com medo...é tudo diferente para eles... – ela disse como se isso pudesse impedir que ela mesma os odiasse. – Mas eu não quero ir.
-E não vai! Se eles insistirem iremos fugir daqui! Mas eles não vão leva-la!
-Rony, - afastou-se dele sorrindo um pouco – eles são meus pais e não meus inimigos. Não posso simplesmente abandona-los. Não posso escolher entre eles e o mundo bruxo. Se realmente eu...não puder voltar, terei de esperar três anos para ser legalmente maior de idade na lei trouxa. E quando isso acontecer, será muito tarde para retomar meus estudos aqui... – fechou os olhos com força – Acho que...será o fim da magia pra mim...
-Não diga bobagens, Hermione! – Gina interferiu – Mesmo que eles a façam se atrasar nas aulas, ainda assim poderá estudar aqui! Dumbledore nunca lhe fechara as portas! E além, disso, somos seus amigos, e jamais vamos permitir que se afaste de nos, e isso a leva diretamente a magia. Sem falar que...bem...se vocês se casarem, ira morar no mundo bruxo!
Rony avermelhou com essa observação mas concordou com a cabeça.
-Meu pai não quer o namoro. – ela revelou envergonhada – Logo depois que acordei, vocês ainda dormiam, mamãe me disse que ele não aceitou bem. Não lhe agrada a idéia de me ver com alguém bruxo, porque na idéia dele isso me afasta ainda mais dele e da mamãe.
-E o que seu pai quer? Que fique com algum trouxa, e viva infeliz, numa vida triste? – perguntou Rony.
-Acho que ele não está pensando direito – Harry sentou-se no sofá, puxando Gina para sentar-se na mesma poltrona que ele. – Sua mãe é capaz de convence-lo sim. Sabe, imaginem o que se passou na cabeça dele esses dias todos? Não é fácil entender a magia para trouxas. Quem sabe voltando a seu mundo, entre as coisas que lhe são conhecidas e seguras, ele pense melhor e desfaça essa péssima impressão de tudo que viu?
-Eu acho difícil – Rony olhou para Hermione – Você quase morreu. Isso foi demais para todos nós.
-Mas não morri – sorriu – fiquei feliz que tenham me regatado. Que tenham se arriscado por mim!
-É óbvio que iríamos lutar por você, Hermione! – a voz de Gina tinha um leve tom indignado – Jamais desistiríamos de você!
-Prof.Minerva contou-me tudo que aconteceu...eu...não sei nem o que dizer... – olhou para eles com um sorriso suave na face – Harry, gina, os gêmeos...todos...se arriscaram tanto por mim. Tanto!
-hei! Eu virei um bebê por sua causa! – protestou.
-Eu sei disso – tocou seu rosto – Foi muito bonito da sua parte. Da parte de todos. Eu...obrigada a todos...do fundo do meu coração...
-Você faria o mesmo, na verdade já fez varias vezes! – Harry estava envergonhado por ser lembrado de seu gesto heróico – E além do mais, salvamos duas vidas e não apenas uma.
Hermione olhou para a menina de pé observando-os no canto da sala.
-Eu nem tive tempo ainda de conhece-la. É mesmo filha do professor Snape?
-É sim. – respondeu Gina, levantando-se e indo até ela. A trouxe para perto e disse a Ayana – Essa é Hermione. Mione deve ser mais fácil para você pronunciar... – sorriu para ela – É nossa amiga e sua também.
A menina maneou a cabeça concordando ainda olhando para Hermione.
-Olá, Ayana. Fico muito feliz em conhece-la e saber que me ajudou. Muito obrigada. – estendeu a mão para ela, que respondeu ao gesto, indo sentar a seu lado – Ficarei mais alguns dias, e espero que possamos no conhecer mais! Quero muito ajuda-la a apreender a ler e escrever. O que acha?
Ayana abriu um amplo sorriso e disse ainda meio hesitante:
-Eu...vou gostar muito...
-E eu também! - seu sorriso acabou morrendo em um suspiro – mesmo que seja por tão pouco tempo...
-Ah,Mione!
Gina sentou-se junto das duas, afastando Rony para longe. Abraçou a amiga e ficaram ali por muito tempo. Tinham muito que conversar. Muito a esclarecer.
Tanta coisa passara. Ficava no ar a expectativa do que vinha seguir...
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