Capítulo 17 – Mas que merda!
Era um fato. Ele, Remus John Lupin, queria mais que tudo se transformar num polvo. Só assim, com oito braços, conseguiria sair ileso daquele trem. Mas por que Jéssica precisava de tanta coisa? Mais da metade de toda aquela bagagem era dela, contudo, era ele, sozinho, quem tinha que carregar aquilo enquanto ela simplesmente olhava para a paisagem, embevecida. Tentou arrumar novamente as malas em seus braços quando percebeu, tarde demais, que com isso derrubaria seu equipamento fotográfico.
Mas que merda! O xingamento que se preparara para soltar ao ouvir o aparelho tocando o chão e se quebrando, ficou entalado ao escutar, em vez disso, a voz de seu amigo Sirius Black.
- Precisando de ajuda?
- Pare de brincar Sirius, e segure logo uma dessas malas – a voz suave de Lily soou autoritária para logo em seguida amolecer. – Que saudade de você, meu amor! Venha me dar um abraço.
Remus rolou os olhos enquanto sentia as malas passarem de seus braços para os de Sirius e James e se aproximava da ruiva.
- A gente tem um trabalho imenso para conquistar uma mulher e depois de um tempo, ela só se encanta por crianças...
- Não seja bobo, James. Eu tenho todo direito de estar com saudades. Há quanto tempo que não vejo Jéssica?
Com um largo sorriso, Lilian Potter tirou dos braços do pai a pequena menina que também se encontrava sorridente. Com cerca de seis meses, Jéssica Lupin havia perdido sua mãe e ficara sob os cuidados dos avós maternos, já que Remus, seu pai, havia sucumbido ao desespero nessa ocasião. A perda da mulher atingiu o mais centrado do grupo de amigos exatamente como uma bomba nazista. Tirara-lhe o prumo, e durante muito tempo, ele nem mesmo conseguia olhar para a própria filha, pois ela lhe relembrava a própria dor. Resolvera que sua vida não valia mais nada e aceitara participar de reportagens mais arriscadas, não pelo salário maior, mas pela grande chance de morrer enquanto tirava fotografias diretamente do front.
Já na segunda vez tirando fotos da batalha, Remus Lupin fora atingido por estilhaços de uma mina terrestre que por pouco não lhe tirou a perna. Por ele, na época, preferia ter morrido, mas aos poucos, precisando ficar imobilizado para se recuperar e com a ajuda dos amigos que nunca se afastaram, por mais que ele tivesse tentado, a lembrança daquela que fora seu grande amor aparecia como flashes, trazendo aos poucos o desejo de refazer a sua vida para vivê-la da forma intensa que Marlene tanto gostava.
Depois de alguns meses afastado da filha, voltou à casa dos sogros, que ficaram muito felizes em tê-lo de volta às suas vidas. Mas não podia ficar muito tempo vivendo às custas dos McKinnon. Não era de sua natureza depender dos outros. Desde muito jovem não dependia de mais ninguém além de si mesmo. Estudara e vencera na vida por seus próprios méritos e se orgulhava muito disso. Então, quando já imaginava que sua única saída seria se mudar para o Novo Continente em busca de melhores oportunidades, seu inestimável amigo Sirius Black conseguira esse trabalho para ele, ali mesmo no interior da Inglaterra. Seriam tempos difíceis, com certeza, pois nunca cuidara da filha sem ajuda. Mas sabia que conseguiria, e ele e Jéssica seriam novamente felizes.
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Remus ainda não estava totalmente convencido de ter tomado a decisão mais acertada ao acompanhar Sirius até o pub naquela noite. Na verdade, isso estava virando uma constante em sua vida desde que Marlene morrera. Primeiro fora abandonar a filha com os avós, depois a decisão de arriscar a própria vida fotografando a guerra de dentro dos campos de batalha. Foram inúmeras decisões tomadas por impulso, mas felizmente nenhuma delas ocasionou mais que algumas noites insones, ou alguns copos de bebida a mais.
Agora, com a cabeça mais tranqüila, percebia que não poderia continuar daquele jeito. Marlene não iria perdoá-lo se deixasse sua vida de lado, ainda mais, se com isso, Jéssica ficasse para trás.
Foi tirado de seus devaneios quando o amigo colocou uma caneca de cerveja à sua frente.
- Quer parar com isso, só por um momento?
- O quê? – Remus perguntou tomando um gole da cerveja.
- Você fica aí, perdido em pensamentos. Ouça o que eu estou te dizendo: vai dar tudo certo.
- Eu espero realmente que sim. – Olhou para a espuma da bebida antes de continuar. – Será que eu já posso me apresentar no jornal, amanhã?
- Você não prefere se acomodar primeiro?
- Eu prefiro resolver tudo de uma vez.
- Ok, se você prefere assim... – Sirius sabia que não adiantava discutir com Remus quando ele se mostrava decidido a fazer algo. – Amanhã, a Lily vai ter que trabalhar, quem vai ficar com Jéssica?
Só de observar o amigo erguer uma sobrancelha e encará-lo, Sirius obteve sua resposta.
- Ah não! Você só pode estar brincando. E o que eu vou fazer se ela começar a chorar?
- O mesmo que fazia quando Harry começava a chorar.
- Mas ele, eu devolvia pra Lílian na mesma hora!
- Então meu amigo, você vai ter que improvisar. De qualquer forma, eu não devo demorar e você terá James para te ajudar.
- Como se aquele não tivesse dado um jeito de escapar cada vez que o filho começava a reclamar... – Sirius bufou em resposta.
Ao mesmo tempo em que o sininho preso à porta indicava que mais gente entrava no estabelecimento – mais cheio do que poderiam imaginar para uma cidade pequena –, Remus esvaziou sua caneca e se levantou para apanhar mais bebida para ele e Sirius. Os pensamentos certamente mais otimistas agora do que quando entrara ali, meia hora antes.
Quando voltou para a mesa que ocupava, quase achou que Sirius havia saído dali deixando-o sozinho, mas em seguida, olhando mais atentamente na penumbra do lugar, encontrou o amigo na mesma mesa que ocupavam, agora porém, acompanhado por duas jovens. Contendo uma imprecação, aproximou-se e parou defronte a Sirius com um olhar sério.
- Olha quem voltou – Sirius gracejou para as duas moças que passaram a encarar o recém-chegado sem que este parecesse perceber. – Remus, essa é minha prima Nymphadora Tonks...
- É Tonks, Sirius. Tonks! – Ela interrompeu.
- Como quiser. – O capitão da RAF piscou para ela e continuou, fazendo uma mesura. – Remus Lupin, essa é minha prima Tonks e sua amiga Fleur Delacour.
- Muito prazer – Remus Lupin respondeu por educação, sentando ao lado do amigo.
- Ei, eu conheço você.
- É mesmo?
- É! Foi você quem me derrubou da bicicleta um tempo atrás.
Remus olhou mais atentamente para a garota concordando com um aceno de cabeça, não a tinha reconhecido de imediato, pois ela havia mudado a cor dos cabelos para um bonito tom de castanho que, em sua opinião, combinava muito mais com ela.
- Realmente. Foi no dia que voltei para Londres.
- E o que te trouxe de volta, senhor Lupin?
- Ele é aquele amigo meu que veio trabalhar no jornal - Sirius explicou - e pode chamá-lo de Remus que ele não se importa, não é?
- De jeito nenhum. A minha mãe me ensinou que devemos sempre tratar as pessoas mais velhas como senhor ou senhora.
O tom sarcástico com que Nymphadora Tonks falou, perscrutando o homem sentado à sua frente não deixava dúvidas de que ela não havia esquecido que ele havia se referido a ela como uma criança. Remus não conseguiu conter o leve sorriso que surgiu em seus lábios ao escutá-la. Ele se lembrava muito bem do "encontro" anterior deles e das palavras que dissera na ocasião. Não entendia como, mas parecia que tudo havia ficado gravado em sua memória como brasa. Tomou um longo gole de cerveja e perguntou com uma sobrancelha levantada, provocando-a:
- E a sua mãe deixa você sair à noite? - E franzindo ainda mais o cenho numa expressão intrigada, completou: - Você já tem idade para beber?
- Ora seu... - Nymphadora brecou a reclamação, ao ouvir a gargalhada rouca de seu primo do outro lado da mesa.
- Quem diria que um simples encontro com minha adorável priminha iria trazer de volta o Remus que eu conheço! Isso definitivamente merece mais uma rodada.
Sirius Black fez um sinal para o garçom do outro lado do balcão do pub pedindo mais bebida com um largo sorriso. Ele não via o amigo assim desde... Desde que Marlene morrera. Já estava com saudades das respostas rápidas e inteligentes que ele dava quando era provocado. Mas algo no semblante de Remus havia mudado nesses últimos segundos. Como se só após a afirmação de Sirius ele tivesse se dado conta do que falara, ou de como agira, e voltara para dentro da concha de amargura em que se fechara ao enviuvar. E isso foi confirmado quando ele falou:
- Não Sirius, eu preciso voltar. Jéssica...
- Jéssica está muito bem com a Lily.
- Jéssica é a sua esposa? - Nymphadora perguntou irônica, e recebeu de volta um olhar gélido.
- Não. Minha esposa morreu num dos ataques da força aérea alemã. - Não havia mais nenhum traço de alegria ou jovialidade nele, somente tristeza. - Jéssica é minha filha.
- Oh! - Merda! - Desculpe, e-eu sint...
- Não tem porquê. - Levantou-se, cumprimentou as jovens e dirigindo-se diretamente ao amigo, completou: - Você convidou, você paga. Te vejo mais tarde.
Remus saiu do pub com a cabeça num turbilhão. Por alguns breves momentos esquecera dos problemas e voltara a ser o rapaz cuja única preocupação era salvar os amigos das enrascadas em que se metiam. Mal dera alguns passos na calçada, afastando-se, quando ouviu o seu nome ser chamado.
- Senhor Lu... Remus!
Sentindo um suave estremecimento percorrer seu corpo, ele se virou para mirar a prima de Sirius.
- Eu realmente sinto muito - ela começou dando mais um passo na direção dele, que permaneceu parado.
- Não precisa. Você não a conheceu.
Depois de alguns segundos, em que, por mais que quisesse evitar, sua mente se focava apenas nos olhos negros à sua frente, Remus a ouviu novamente:
- E-eu normalmente não sou assim tão...
- Mal educada? - Ele não conseguiu impedir que a provocação saísse de sua boca.
- Eu ia dizer infantil, mas acho que mal educada serve também - Nymphadora riu mais relaxada, corando levemente.
- Então...
- Então... é isso. Boa noite.
- Até outro dia.
Remus já havia dado novamente alguns passos na direção da casa dos Potter quando ouviu-a chamá-lo novamente.
- Remus.
- Sim?
- Você realmente acha que eu pareço uma criança?
Os olhos do homem brilharam enquanto relancearam pela jovem. O corpo esguio mas com curvas bem delineadas, os cabelos agora castanhos um pouco acima dos ombros, o rosto em formato de coração - evidentemente enrubescido mesmo à luz fraca da rua - evidenciando os olhos escuros e cintilantes e a boca rosada, formando um conjunto que lhe provocava sensações que ele não sabia identificar, e provavelmente nem mesmo quisesse fazê-lo. Antes mesmo que percebesse já havia respondido, num tom gutural que lhe era incomum:
- Não.
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Uma nova rotina já se estabelecera na vida dos novos moradores de Bourghill quando maio chegou ao fim. James Potter e Sirius Black haviam retornado à Londres cerca de uma semana após Remus Lupin se mudar para a cidade. Enquanto os amigos ainda não tinham voltado para a RAF, ele permanecera na casa dos Potter, apenas se mudando para uma pequena casa de propriedade do marido da prima de Sirius, com sua filha Jéssica, um dia antes da partida deles.
Não estava sendo fácil cuidar sozinho de um bebê de pouco mais de um ano, e ele temia que isso fosse piorar ao longo dos anos, contudo, como Lílian sempre dizia: cada coisa à seu tempo, e ele procurava não pensar em como iria fazer no futuro para cuidar bem da menina. A casa era simples e não ficava longe do centro da cidade. Andrômeda e seu marido Ted Tonks eram pessoas agradáveis e a prima de Sirius logo se prontificou a cuidar de Jéssica enquanto Remus estivesse no jornal. Quando, por conta de algum imprevisto, ele precisava trabalhar à noite ou nos finais de semana, era com Lily que a menina ficava, pois a ruiva fazia questão.
Remus não podia negar que estivesse gostando do novo trabalho, mais pacato que o anterior, mesmo que o salário que recebesse fosse menor que o anterior e mal desse para ele sustentar a si próprio e à filha. Porém, como o jornal da cidade vizinha havia se interessado por algumas de suas fotos, ele acreditava que o dinheiro extra desses trabalhos esporádicos viriam bem a calhar.
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Naquele início de tarde de sábado, quando o calor do sol já demonstrava que faltava apenas um mês para o início do verão, não parecia que nada de diferente iria acontecer para ninguém. Ronald e sua irmã saíram de casa logo após o almoço com a promessa de voltarem antes do anoitecer, e como o dia estava realmente bonito, pensaram que um passeio de bicicleta pelos arredores da cidade talvez fosse uma boa idéia, ainda mais quando Hermione pareceu tão animada quando pediram sua opinião. Foi assim, com rostos corados pelas rápidas pedaladas e enormes sorrisos, que os três, Ron, Hermione e Ginny, chegaram na casa de Harry, que acolheu a sugestão com um indisfarçável desânimo.
- Eu não vou poder - falou com um muxoxo antes de explicar. - Minha mãe precisou sair e eu tenho que cuidar da Jéssica.
- Que merda!
- Ron!
- O que foi? - O ruivo perguntou dando de ombros. - Ah, fala a verdade. Você ia preferir ficar em casa cuidando de um bebê em vez de se divertir?
- Não é isso... Ah, deixa pra lá - Hermione suspirou, rolando os olhos. - Então o que faremos?
- Você e Ron podem ir andar de bicicleta - Ginny falou decidida -, eu fico aqui fazendo companhia pro Harry.
- Então 'tá, por mim tudo bem - Ronald aceitou calmamente, causando estranheza nos demais. - Vamos Mione. Tchau pra vocês.
Pouco depois, quando ele e Hermione já haviam se distanciado bastante da casa dos Potter, foi que a garota decidiu perguntar, enquanto pedalavam lado a lado.
- Ron, você não se importou nadinha em deixar Ginny lá, sozinha com Harry?
Com um sorriso de canto, o ruivo respondeu:
- Eles vão estar bastante ocupados cuidando da menina para pensarem em fazer qualquer coisa. Já reparou em como aquele bebê gruda no Harry quando está por lá?
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Todavia, contrariando as expectativas de Ron, Jéssica Lupin decidiu dar uma boa folga a Harry, e mesmo com o barulho das batidas na porta quando os amigos deste chegaram, continuou dormindo tranquilamente, acomodada sobre a cama de Lílian e James.
Aproveitando a oportunidade inesperada e saboreando a tarde de sábado, Harry e Ginny, acomodados no sofá da sala, logo se misturaram em abraços e beijos que os faziam perder o fôlego e enevoava suas mentes.
- Espera Harry - a jovem pediu afastando o namorado com dificuldade.
- O que foi?
- Acho que eu ouvi alguma coisa.
- Eu não ouvi nada.
- Será que Jess acordou?
- Acho que não - o rapaz falou já voltando a beijar o pescoço da namorada que se desvencilhou e pôs-se de pé.
- Talvez fosse melhor a gente ir lá dar uma olhada nela.
Com um bufo impaciente, Harry bateu as mãos nas pernas para conter a frustração, levantando-se em seguida. Adorava a "quase prima" e normalmente não se importava de tomar conta dela quando sua mãe precisava sair, mas estragar o melhor momento a sós que tinha com Ginny em muito tempo, fazia com que ele praticamente se esquecesse disso. Subiu a escada puxando a namorada pela mão para que ela conferisse com os próprios olhos como Jéssica estava.
- Viu - sussurrou, olhando para dentro do quarto dos pais pela porta aberta. - Dormindo como um anjo.
- É, você estava certo... Mas é que fiquei com receio dela chamar e a gente não ouvir.
- De fato isso era um possibilidade - Harry concluiu ao relembrar os momentos passados no sofá. E pelo visto era o mesmo que Ginny pensava, pelo tom rosado em que sua pele agora se encontrava.
Ele olhou novamente para a criança que ressonava tranquilamente e desta para a namorada. Depois de ruminar um pouco suas possibilidades, tentou:
- A gente... Bem, a gente pode ficar no meu quarto. Se ela acordar, estaremos perto e com certeza vamos escutar ela chamar - apressou-se a explicar. - E se você quiser, é claro.
Sentindo que suas bochechas ganhavam tons ainda mais rosados com rapidez, Ginny assentiu devagar, seguindo Harry até o cômodo que ficava quase em frente de onde estavam. Já havia estado ali outras vezes. Umas poucas sozinha com ele, mas em todas elas havia mais gente na casa, e agora isso fazia uma substancial diferença. Afastando as inquietações para um canto escuro de sua mente, sentou-se ao lado do rapaz na cama e passou os olhos displicentemente pelo quarto. Quando olhou para ele novamente, percebeu que a olhava preocupado.
- O que foi?
- Se você quiser descer, tudo bem.
- Não. Está tudo bem - ela falou com um sorriso fraco. - Verdade.
- Então você não vai brigar comigo se eu voltar a te beijar? - Ele perguntou meio rouco e com uma sobrancelha levantada.
Ginny apertou os lábios e levou apenas alguns poucos segundos até responder num sussurro:
- Acho que eu vou brigar se você NÃO me beijar.
Harry então passou das palavras à ação. Voltou a beijá-la como se dependesse disso para viver. O que provavelmente era verdade. Contudo, logo os beijos passaram a ser uma forma ineficiente de demonstrarem o que sentiam e as mãos de ambos começaram a percorrer lugares que normalmente não alcançavam. As pernas de Ginny pareciam feitas de seda e o rapaz começou a detestar quem havia inventado as roupas. Principalmente as saias-calça.
A jovem ruiva ignorou o arrepio que percorreu sua espinha, quando ele acariciou a lateral de sua coxa sobre a saia, talvez porque o cérebro já estivesse tão embotado que ela desistira de captar todas as sensações, ou talvez porque estivesse ela própria mais preocupada em tocá-lo por baixo da camisa que ele usava e que há muito se soltara o cinto que a prendia no cós da calça.
Tinha sido realmente uma idéia genial ficarem no seu quarto. No sofá nunca poderia deitar Ginny daquela maneira e pressionar seu corpo sobre o dela enquanto beijava-a do ombro ao pescoço, sentindo-a arfar com isso. Ou seria efeito de ter conseguido finalmente encontrar uma brecha na blusa que ela vestia e tocado a pele quente e lisa que se escondia ali?
Perdidos completamente naquele oceano de emoções e descobertas, a pequena Jéssica poderia realmente berrar que não seria ouvida pelo casal de namorados.
Harry já exultava, por estar prestes a conseguir fazer algo há tanto tempo desejado. As pontas de seus dedos formigavam de antecipação enquanto se encaminhavam rumo ao monte arfante a apenas alguns centímetros. O coração de Ginny esmurrava tão freneticamente o peito, que ela acreditava que o namorado seria capaz de sentí-lo mesmo ainda não tendo realmente encostado na pele que o cobria, mas foi tragada de volta à realidade com a voz de Lílian Potter se tornando audível:
- Harry James Potter!
O tom sibilante com qual Lily brindou o filho ao vê-lo aos amassos com a namorada dentro do quarto, não deixava dúvidas de que eles estavam encrencados. Separaram-se num pulo, mesmo que suas mentes ainda não tivesses voltado ao normal.
- Mãe?!
- Acho que já está na hora de você voltar para casa, Ginevra - Lílian continuou de forma séria, olhando duramente para os dois.
- Sim, senhora Potter.
Ginny respondeu mortificada, num fio de voz. Levantou-se e terminou de arrumar as próprias roupas o mais rápido que conseguiu, incapaz de levantar o rosto e encarar a mãe de Harry ainda parada à porta do quarto. Ouviu o rangido da cama denunciando que ele também havia se levantado e em seguida ouviu-o falar:
- Eu vou levar a Gin em casa.
- Negativo - foi a resposta enfática de sua mãe. - Ela não vai se incomodar de voltar para casa sozinha hoje.
- Claro que não, senhora Potter - a garota respondeu de forma quase inaudível.
- E nós dois vamos ter uma conversa, mocinho.
- Mas mãe!
- Não tem mas. Me espere aqui enquanto levo Ginevra até a porta - a mulher falou abrindo espaço para que Ginny passasse por ela rumo às escadas.
- Mãe! - Certo, era agora que um buraco se abria e ele sumia?? - Mas que merda!
- Eu ouvi isso, Harry - Lily falou já quase alcançando o andar de baixo. - Não complique ainda mais a sua situação.
Ginny passou pela porta que Lílian Potter abrira para ela com um rosto num vermelho intenso e sem conseguir pronunciar nenhuma palavra. Montou em sua bicicleta, que havia sido deixada encostada na parede do sobrado, e rumou rapidamente para casa, onde se trancou no quarto assim que chegou, alegando estar com uma indescritível dor de cabeça, e ficou torcendo para esquecer aquela situação constrangedora.
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Ronald e Hermione, após saírem da casa de Harry, pedalaram um pouco pela cidade e em seguida foram até o local preferido deles: a casa da árvore. O que no passado havia sido apenas um local de brincadeiras, se tornara o abrigo perfeito para os jovens Weasley namorarem escondidos das vistas dos outros.
- Não Ron, calma.
A morena pediu depois de longos momentos em que os únicos sons realmente audíveis eram os gemidos que emitiam durante os beijos apaixonados.
- Ah, por favor... Eu só queria ver você novamente.
- Mas não mudou nada...
- Ah Mione, deixa vai... - o ruivo implorou fazendo sua melhor cara de cachorrinho abandonado. - Eu faço o que você quiser.
- Qualquer coisa? - Hermione perguntou mordendo o lábio inferior.
Ron apertou-a ainda mais contra si e mordiscou o lóbulo de sua orelha, provocando uma onda de gemidos, antes de confirmar.
- O que você quiser.
Ainda levou algum tempo até Hermione processar aquela informação, transformá-la em pensamento e em seguida decidir o que pedir. Obviamente o fato de Ronald ainda estar mordiscando seu pescoço, influenciou em sua decisão.
- E-eu também quero ver... ver você.
- Você já me viu sem camisa - ele sussurrou de encontro a pele dela.
- Ma-mas foi quando a gente era... criança...
Esse argumento foi o suficiente para afastar Ron da namorada e olhá-la com as íris cobalto reluzindo.
- Ok.
- O-ok?
- Quer tirar primeiro ou vamos fazer isso juntos?
- Ju-juntos.
Dando um passo atrás o ruivo lançou mais um olhar apaixonado antes de alcançar os botões da camisa que usava. Hermione, por sua vez, preferiu fechar os olhos enquanto lutava com seus próprios botões, atrapalhando-se com eles algumas vezes até conseguir libertar todos das casas que os prendiam.
O ruído do tecido escorregando para o chão chegou aos seus ouvidos junto com a coragem necessária para, enfim, abrir os olhos. Quando o fez, ainda conseguiu divisar o namorado arrancando pela cabeça a camiseta branca que usava por baixo da camisa de botões, deixando assim os cabelos vermelhos em completo desalinho.
Hermione percorreu o tórax do namorado com os olhos de chocolate, perscrutando-o como se quisesse gravá-lo na memória. Nem percebeu que se aproximava dele até sentir o calor que emanava.
- Hermione...
O lamento de Ronald, quando ela tocou seu corpo com a ponta dos dedos, numa carícia suave, fez os pelos de nuca da garota eriçarem. A respiração de ambos foi se tornando mais pesada à medida que a carícia se prolongava e ele teve que cerrar os punhos com força para continuar cumprindo a promessa que fizera em seu aniversário de não tocá-la, o que se tornava cada vez mais difícil.
- Seu cheiro é tão bom... - ela murmurou de encontro ao peito dele, aspirando o odor que ele emanava.
- Por Deus Hermione... - Merda! Assim eu não consigo agüentar. - Por favor, me deixe... tocar em você.
Como resposta a garota beijou-o nos lábios arrebatadoramente, ao mesmo tempo em que segurava nas mãos de Ron, que gemeu inquieto pensando que ela estava lhe negando isso mais uma vez. Qual foi sua surpresa ao perceber que Hermione levava suas mãos à sua cintura, como forma de consentimento ao que ele tanto desejara.
Arfantes, o beijo trocado se tornando mais ardente, Ronald segurou com força no corpo da namorada arrancando suspiros da garota ao percorrer a pele de suas costas. Contendo o próprio gemido, com a respiração inconscientemente suspensa, correu os dedos devagar pelo arremate da parte superior da lingerie da namorada, até alcançar a parte da frente onde a respiração descompassada de Hermione se fazia notar mais facilmente.
Oh Deus, é agora! O rapaz pensou subindo a mão para enfim tocá-la da forma há tanto tempo almejada. Contudo, antes que alcançasse seu intento, a voz de Fred chegou até eles, seguida da de George:
- Roniquinho, sabemos que está ai.
- É bom você e a Mione estarem apresentáveis, pois estamos subindo.
- Mas que merda! - Ronald grunhiu enquanto vestia novamente suas roupas rapidamente.
- Ron! - Hermione reclamou, mas na verdade ela não o culpava por estar frustrado.
- O que vocês dois vieram fazer aqui?
- Alguns negócios que não te dizem respeito - Fred falou abrindo o alçapão e enfiando a cabeça ruiva para dentro do lugar.
- Mamãe vai adorar saber que vocês dois estão aprontando alguma coisa - Ron rosnou para os irmãos após eles entrarem.
- E ela também vai adorar saber que o filhinho dela anda se amassando com a namorada na casa da árvore - George respondeu.
- Ah, calem a boca - exclamou enquanto puxava Hermione para fora da casa.
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- Agora o assunto é entre nós dois - Lílian afirmou para Harry assim que este saiu do banheiro onde tinha se enfiado, alguns minutos depois de Ginny ter deixado a casa.
- Isso não vai mais acontecer, ok?
- Mas não vai mesmo, porque o senhor está proibido de receber a Ginevra aqui em casa quando estiver sozinho.
- A senhora não confia em mim? - Ele reclamou entrando novamente no próprio quarto e sendo seguido pela mãe.
- Eu vi muito bem do que você é capaz quando não tem ninguém mais por perto, mocinho.
- A gente não estava fazendo nada de mais!
- Começo a concordar com seu pai sobre o seu namoro...
- Vai me proibir de ver a Ginny, agora? - Ele exclamou irritado.
- Não, mas vocês são realmente muito jovens...
- Eu não acho que seja jovem demais para qualquer coisa!
- Você ainda tem somente quinze anos, Harry!
- Vou fazer DEZESSEIS mês que vem!
- O que ainda te deixa muito novo pra qualquer coisa!
- VAMOS VER QUEM É MUITO NOVO QUANDO EU FOR PRA GUERRA ANO QUE VEM! - Gritou enfurecido.
- Não fale besteiras, Harry!
- NÃO É BESTEIRA, ASSIM COMO O MEU NAMORO COM A GINNY NÃO É BESTEIRA! OS ALEMÃES NÃO VÃO ACHAR QUE EU SOU UMA CRIANÇA QUANDO EU ACABAR COM A RAÇA DE ALGUNS DELES!
Lílian pensou em argumentar, mas um choro infantil avisou-a que toda aquela discussão acabara por acordar Jéssica. Caminhou para o próprio quarto para ver a menina, enquanto Harry fechava a porta do seu com um estrondo.
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Quando Remus Lupin chegou na casa dos Potter para buscar sua filha no final da tarde, encontrou a amiga com o semblante preocupado. Seguiu-a até a cozinha onde ela havia parado no meio da tarefa de alimentar Jéssica, para atender a porta.
- O que houve? Aconteceu alguma coisa com James?
- Não Remus. Meu problema tem quinze anos, uma explosão de hormônios e atende pelo nome de Harry.
- O que ele fez?
- Primeiro eu encontrei-o agarrando a namorada dentro do próprio quarto... Na cama! - Lily passou a mão pelo rosto cansado, ao mesmo tempo em que Remus erguia uma sobrancelha. - Depois, falou que assim que fizer dezessete anos, vai pra guerra.
- Isso tudo hoje?
- Isso tudo há menos de três horas.
- O que te chateou mais: ele agir como um adolescente normal, regido pelos hormônios, ou querer seguir os passos do pai e lutar?
- Os dois...
- Você não está levando isso tudo muito à sério? Afinal, você e James criaram ele muito bem, não me parece que ele iria cometer algum desatino com a filha dos Weasley.
- Você não os viu, Remus.
- Isso é coisa de rapaz, Lily.
- Espero realmente que sim, mas é que as vezes ele é tão parecido com James... Tão determinado...
- Você quer dizer teimoso.
- É... - ela riu fracamente antes de continuar. - Eu tenho medo que ele faça alguma burrice só pra provar que não é mais criança.
- Você está falando do namorico dele ou da ida pra guerra?
- Dos dois!
- Bom, a Ginevra não me parece ser daquelas que se deixaria levar por um rompante, os pais dela parecem tê-la educado muito bem. E quanto a guerra, de qualquer forma, ele só vai poder se alistar quando completar dezessete.
Lílian fechou os olhos e encostou-se na cadeira, desanimada. Esse era o tipo de preocupação que deveria dividir com James: crises de adolescência. Mas não podia reclamar do marido, pois não era por vontade dele que estava tendo que passar por aquilo sozinha. E ela tinha que ter em mente que aquela discussão tinha provavelmente sido a primeira de muitas que ainda viriam.
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N/G - Livinha: quando não tem “beta”, caça-se com “gama”..rsrs.. Pri!! Que capítulo tudo de bom! Hormônios a flor da pele, novas sensações e sentimentos aparecendo... Adorei a re-entrada da Tonks fazendo nosso lobinho estremecer, mesmo sem querer saber disso... Ai, ai. Ela vai ter um árduo caminho pela frente, mas estaremos torcendo por ela! =D Harry e Ginny, Ron e Mione! Sem comentários... E o nome do capítulo fez jus! Hihihi... Adorei, mana! Beijos. Amo!~
N/A: Amoresssssssssssss. Obrigada pelo carinho de vocês. Quero dizer primeiro que ainda tem muita água pra correr embaixo dessa ponte então não se animem ou desanimem muito, hihihi Estamos (na fic) na ano de 1941, e para aqueles que não são tão fãs de história, a Segunda Guerra terminou em 1945. E essa fic vai chegar também até lá. Isso significa que ela terá tantos capítulos quanto Quadribol, do meu amigo Bernardo? NÃO! Isso significa que o tempo passara de forma diferente principalmente nessa segunda fase. No capítulo anterior tivemos um período de umas duas semanas (ainda estávamos no mês de março de 1941) e nesse já chegamos em junho...
Só peço para aguardarem, confiarem e comentarem.
Um grande agradecimento às minhas betas/irmãs: Pam e Paty Black. Pam eu te amo, você sabe disso (mesmo quando você é possessiva, huhahuahua) e você está quase virando co-autora de tanta idéia boa que me dá. Paty, eu sei o quanto você está enrolada com a mudança de trabalho, só por isso eu te perdôo por não ter betado esse capítulo.
Um beijo pra Livinha que “gamou” o capítulo, mesmo correndo o risco de apanhar da Pamela. Te amo mana. Um beijo especialíssimo pra minha amiga Sônia Sag, que fez níver essa semana e que como presente leu o capítulo em primeiríssima mão. Espero que tenha realmente ficado a contento.
Beijos imensos a todos, até pra você que ta lendo desde o início e nunca deu o ar da graça hihihi.
Aninha Weasley: Pense comigo, querida: Querer É poder!!! Mas tudo a seu tempo... Bjks.
Clara: Acho que você foi uma das únicas que entenderam a preocupação de James. Acho que eu também entendi só porque escrevi... Hahaha. Bjks
Jessica M. Adams: É o capítulo anterior foi totalmente pra eles, mas agora vamos ter um pouco de todos por aqui. Bjks
Sônia Sag: Parabéns pra vocêeeeeee!!!! Ele tem cheiro bommmmmm!!! *.* Deve ter puxado ao ancestral hihihi. Você acertou, a Jess é filha do Remus! E o "Não"??? Ainda tá sentindo??? Hihihi. Te amo mana. Bjks
Lua Potter: É, eles chegaram chegando, mas foram embora quietinhos hihi. Mas eles voltam... ou não? Bom, talvez =D. Bjks
Kelly: Interpretou correto Kelly. Era isso mesmo. Agora a preocupação do James é porque ele percebe que o Harry e a Ginny estão muito envolvidos, e ele sabe muito bem como isso vai acabar, hihihi. Bjks
Tonks Butterfly: Bom você já teve sua resposta, hehe. Espere por mais. Bjks
Naty L. Potter: Querida, o importante foi que vc apareceu. A resposta para o comportamento do James eu dei à Kelly, leia lá. Bjks.
BERNARDO CARDOSO: Amore, to com saudade. Quer fazer o favor de aparecer!!! E ai? O que achou??? Bjks
Danielle Pereira: Não se bata, porque senão como você vai ler e comentar os capítulos??? Obrigada pelos elogios. Bom, nessa fase da fic o povo todo já está sabendo do namoro deles. è que nessa parte o tempo as vezes dá um salto um pouco maior... Bjks e obrigada.
Dircilene dos Santos: Amore, obrigada pelo comentário. Bjks
Sally Owens: Você anda me saindo tão má... *revira os olhos* O James só estava preocupado com o que poderia acontecer no futuro, hihihi. Mas quem poedrá culpá-lo não é??? Hahaha. Beijos querida.
Patty Potter Hard: Todo mundo adorou os socos que o James deu no Vernon, é impressionante! Hahaha. Obrigada querida, bjks.
Ninha: Eu reuni, mas já desreuni... Hahaha. Bjks
Lívia: Gaminha!!! (Como alguém 20 cm mais alta que eu pode ser "inha"???) Obrigada por tudo, até por quase apanhar da Pam por conta do capítulo. Bjks, te amo mana.
Lulu Black: Acho que você queria dizer que o James e a Lily são o Harry e Gina do passado, não é??? *confusa* É acho que deve ficar mais ou menos do mesmo tamanho de DdF. Nós estamos na metade da fic e estamos no capítulo 17... Bom, só o futuro dirá. Bjks
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