FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout  
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout
 

(Pesquisar fics e autores/leitores)

 


 

ATENÇÃO: Esta fic pode conter linguagem e conteúdo inapropriados para menores de idade então o leitor está concordando com os termos descritos.

::Menu da Fic::

Primeiro Capítulo :: Próximo Capítulo :: Capítulo Anterior :: Último Capítulo


Capítulo muito poluído com formatação? Tente a versão clean aqui.


______________________________
Visualizando o capítulo:

6. Linha e Agulha


Fic: O LOBO - UA - NC - Adapt Por Tonks Butterfly -Ele queria vingança, mas no lugar encontrou o amor...


Fonte: 10 12 14 16 18 20
______________________________

Persegue

Capítulo 6

“Porque a sabedoria deste mundo é necessidade ante Deus.”
Primeira epístola aos Corintios, 3, 19.


Em seguida pareceu evidente que ao barão Potter elemento surpresa não era importante. Seu grito de guerra ressonou pelos arredores, fazendo-se ouvir com tal força que pouco faltou para que arrancasse as folhas murchas as fazendo cair de seus ramos. Logo soou uma trompetista, enviando dessa maneira uma mensagem adicional aos soldados que estavam avançando de abaixo, e se por acaso tudo aquilo não fosse suficiente, o troar dos cascos dos cavalos que estavam baixando ao galope pelas ladeiras sem dúvida alertou Malfoy e seus homens da ameaça que se aproximava. Haviam iniciado sua descida, Ginny se viu presa entre Harry e seu irmão. Os soldados também os rodeavam com seus escudos levantados. Embora Ginny não sustentasse semelhante amparo, tanto Harry como Sirius detiveram os ramos que a teriam arrancado de sua cadeira, utilizando seus escudos em forma de ficaram como barreiras contra os nodosos ramos que bloqueavam seu caminho.

Quando os soldados chegaram a um pequeno penhasco que se elevava sobre o lugar que seu senhor tinha escolhido para a confrontação, Harry atirou das rédeas do corcel e lhe gritou uma ordem ao animal. O corcel se deteve imediatamente. Ato seguido Harry utilizou sua mão livre para sujeitar o queixo do Ginny, e lhe aplicou uma firme pressão enquanto a obrigava a elevar o olhar para ele.

Olhos verdes desafiaram aos castanhos.

- Não te atreva a te mover deste lugar - disse Harry. Dispunha-se a soltá-la, mas Ginny deteve sua mão.

- Se morrer, não irei chorar por você - murmurou.

Harry chegou a lhe sorrir.

- Sei que o faria - respondeu com voz tão arrogante como suave.

Ginny não teve tempo para lhe responder. Harry colocou em movimento a seu corcel picando esporas e galopou para a batalha que já estava tendo lugar mais abaixo. Ginny se encontrou subitamente só no alto daquele nu penhasco quando o último dos soldados do Harry passou junto a ela em um furioso galope.

O ruído era realmente ensurdecedor. O metal se estrelava contra o metal, ressonando com uma intensidade que brocava os ouvidos. Os gritos de tortura se mesclavam com os de vitória. Ginny não se achava o bastante perto para que pudesse distinguir os rostos, mas manteve sua atenção firmemente dirigida para as costas do Harry. O tordo que montava era fácil de ver. Ginny contemplou ao Harry enquanto este blandía sua espada com precisos golpes, e pensou que o barão Potter sem dúvida tinha sido bento pelos deuses quando o inimigo o deixou virtualmente rodeado e Harry fez cair de sua cadeira a cada oponente com mortíferos cutiladas de sua folha.

Ginny fechou os olhos por um instante. Quando voltou a contemplar a cena, o tordo tinha desaparecido. Ginny percorreu freneticamente a área com o olhar, procurando o Harry, e também ao Sirius, mas não pôde encontrar a nenhum dos dois irmãos. A batalha ia avançando para ela.

Não procurou nem por um só instante a seu irmão, sabendo que este não se acharia em pleno centro da batalha. Diferente de Harry, Malfoy sempre seria o último em elevar sua espada. O risco era excessivo. Não, seu irmão valorava muito sua vida, em tanto que Harry não parecia outorgar absolutamente nenhum valor à sua. Malfoy deixava que os homens que lhe tinham jurado lealdade se encarregassem do trabalho de lutar. E se o curso da batalha terminava voltando-se contra ele, então sempre seria o primeiro em fugir.

- Esta não é minha luta! - gritou Ginny com toda a potência de seus pulmões.

Puxou as rédeas, decidida a partir com a maior celeridade possível. Não presenciaria nem um só minuto de batalha mais. Sim, deixá-los-ia ali a todos.

- Vêem, Sileno, vamos - disse, ordenando avançar ao animal tal como lhe tinha visto fazer ao Harry.

O corcel não se moveu. Ginny puxou as rédeas, energicamente e com a firme determinação de fazer que o animal obedecesse a sua vontade. Os soldados estavam subindo rapidamente para o penhasco, e isso para que a urgência se voltasse subitamente imperiosa.

Harry estava furioso. Tinha procurado o Malfoy, mas não pôde encontrar nem rastro dele. A vitória sobre seus inimigos realmente careceria de todo significado se o homem que os mandava voltava a escapar. Levantou a vista para lançar um rápido olhar para Ginny e ficou atônito ao ver que a batalha a estava rodeando. Então Harry caiu na conta de que tinha estado tão absorto em encontrar ao Malfoy que não tinha dedicado suficiente atenção à segurança do Ginny. Admitiu o engano, reprovando-se não ter sido o bastante previdente para deixar homens que cuidassem dela.

Harry arrojou seu escudo ao chão, e soltou um estridente assobio que esperava chegasse até seu corcel. O coração lhe subiu à garganta enquanto corria para o promontório. Aquela intensa necessidade de proteger Ginny era uma reação totalmente ilógica, disse-se a se mesmo, já que ela era sua cativa e ele tinha a responsabilidade de mantê-la a salvo. Sim, essa era a razão pela qual agora estava correndo para ela, rugindo sua indignação com tanta força como teria feito com qualquer grito de batalha.

O corcel respondeu ao sinal assobiado lançando-se à carga. Agora o animal tivesse permitido que seu cavaleiro tomasse o controle, mas Ginny perdeu as rédeas quando iniciou aquele súbito galope.

Sileno saltou por cima de dois soldados que estavam chegando ao alto do penhasco, atingindo-os a ambos na cabeça com suas patas traseiras. Os gritos dos soldados os levaram consigo novamente colina abaixo.

Ginny não demorou em achar-se dentro do mais renhido da batalha, com homens a cavalo e mais homens a pé lotando o chão ao redor dela, todos lutando por suas vidas. O corcel de Harry viu bloqueado seu caminho pelos soldados. Ginny se agarrou ao pescoço do animal e rezou por um rápido fim.

De repente viu, ao Sirius abrindo-se passo para ela. Ia a pé, sustentando uma espada ensangüentada em uma mão e um escudo banguela na outra, rechaçando da esquerda os ataques de que era objeto enquanto ia impulsionando sua espada para diante com a mão direita.

Um dos soldados do Malfoy se equilibrou sobre o Ginny, com sua espada levantada contra ela. Um brilho enlouquecido vidrava seu olhar, como se já tivesse deixado atrás o ponto no que ainda sabia o que se para.

Ginny compreendeu que aquele homem tinha intenção de matá-la. Gritou o nome do Harry, mas mesmo assim sabia que agora sua segurança dependia de seu próprio engenho. Não havia mais escapatória que o duro chão, e Ginny se apressou a lançar-se por cima do flanco do cavalo. Não foi o bastante rápida. A folha encontrou seu branco, abrindo um profundo atalho com o passar da coxa esquerda do Ginny. Gritou agónicamente, mas o som morreu em sua garganta quando se chocou com o chão. O fôlego foi bruscamente expulso dela.

Sua capa a seguiu ao chão, posando-se em cima de seus ombros em um confuso montão. Muito aturdida, achando-se em um estado próximo à comoção, a partir desse momento toda a concentração de Ginny ficou subitamente absorvida pela tarefa de dispor o objeto ao redor de seu corpo, em um lento e árduo processo cuja terminação chegou a converter-se em uma autêntica obsessão para ela. Ao princípio a dor de sua coxa era tão entristecedora que pensou ia morrer devido a ele. E logo um intumescimento muito bem-vindo foi estendendo-se pouco a pouco por sua coxa e por toda sua mente, lhe dando novas forças. Levantou-se, sentindo-se ainda muito confusa e bastante aturdida, e atou a capa sobre seus seios enquanto contemplava aos homens que combatiam ao redor dela.

O corcel do Harry a empurrou bruscamente entre as omoplatas, faltando muito pouco para que voltasse a atirá-la ao chão. Ginny recuperou o equilíbrio e se apoiou no flanco do animal, achando certo consolo no fato de que o cavalo não tivesse fugido quando ela caiu ao chão. O animal também agia como uma barreira, protegendo suas costas de qualquer ataque.

As lágrimas correram por sua face, em uma reação involuntária a todo o aroma de morte que impregnava o ar. Sirius lhe gritou algo, mas Ginny não conseguiu entender o que era o que lhe estava gritando, e o único que pôde fazer foi olhá-lo fixamente enquanto Sirius continuava abrindo-se passo para ela. Sirius voltou a gritar, agora com voz mais premente que antes, mas a ordem se mesclou com o estrépito do metal arranhando o metal e terminou voltando-se muito confusa para que pudesse ser entendida.

A mente do Ginny se rebelou contra todo aquele açougue. Pôs-se a andar para o Sirius, acreditando que isso era o que ele desejava que fizesse. Tropeçou em duas ocasiões com os braços e as pernas de guerreiros mortos espalhados pelo chão como desperdícios desprezados, andando sem outro pensamento que não fosse chegar até o Sirius, o único homem ao qual podia reconhecer naquele bosque de destruição. Em um canto de sua mente vivia a esperança de que ele a levaria até o Harry, e então estaria a salvo.

Ginny já se encontrava a escassos metros dele quando Sirius foi subitamente atacado desde atrás. Sirius se voltou para fazer frente a aquele novo oponente, com suas costas ficando desprotegida. Ginny viu como outro dos homens do Malfoy aproveitava a oportunidade que lhe oferecia, elevando a folha enegrecida de sua espada enquanto punha-se a correr para aquele alvo tão vulnerável.

Tratou de gritar uma advertência, mas a voz lhe falhou e quão único saiu de seus lábios foi um gemido.

Santo Deus, ela era a única pessoa que se encontrava o bastante perto para poder ajudá-lo, quão única podia alterar o desenlace. Ginny não titubeou. Agarrou uma das armas abandonadas de entre os rígidos dedos de um cadáver sem rosto. Era uma enorme e pesada maça coberta de pontas agudas e sangue seca.

Ginny sustentou a arma com ambas as mãos, lutando com seu peso. Agarrando o extremo romo, meio arrastou e meio levou consigo a maça enquanto se apressava a colocar-se em posição detrás do Sirius, com suas costas quase tocando a sua. E logo, esperou a que o inimigo efetuasse seu ataque.

O soldado não se sentiu muito impressionado, já que Ginny oferecia uma frágil defesa contra sua armadura e sua fortaleza. O espiono de um sorriso escureceu seu rosto. Lançando um grito desafiante, correu para diante, sua larga e curvada arma fendendo o ar com uma mortífera intenção.

Ginny esperou até o segundo último possível e então levantou a maça do chão, fazendo-a girar em um grande arco. O terror lhe deu forças. Quão único pretendia era deter o ataque do soldado, mas, os pontas agudas que se sobressaíam do bulbo circular da arma rasgaram os elos da cota de malha deste e entraram na branda carne que havia oculta debaixo dela.

Sirius terminou seu combate contra o ataque frontal, voltou-se rapidamente em seu intento de chegar até o Ginny e pouco faltou para que a derrubasse. Deu-se a volta bem a tempo de presenciar como se dava morte ao atacante e igual a fez Ginny, viu cair ao chão ao soldado inimigo com um grito preso em sua garganta e pontas agudas da maça incrustadas no centro de seu torso. Sirius ficou tão assombrado pelo que acabava de presenciar que ficou momentaneamente sem fala.

Ginny deixou escapar um tênue gemido de angústia. Cruzou os braços diante de sua cintura e se dobrou sobre se mesma. Sirius pensou que se comportava como se tivesse sido ela a que tinha recebido a ferida. Tratando de ajudá-la, estendeu a mão para o Ginny para lhe tocar suavemente o ombro.

Ginny se achava tão consumida pelo horror do que acabava de fazer, que já nem sequer era consciente da proximidade do Sirius. A batalha tinha deixado de existir para ela.

Harry também tinha presenciado aquela morte. Em uma sozinha e rápida ação, montou em seu corcel e dirigiu ao animal para o Sirius. Seu irmão se separou de um salto de seu caminho no mesmo instante em que Harry se inclinava para agarrar ao Ginny, elevando-a em velo com um robusto braço e deixando-a virtualmente incrustada na cadeira de montar diante dele. Deus demonstrou ser misericordioso, porque foi o lado direito do Ginny o que suportou toda a força do impacto e sua coxa ferida quase não recebeu uma sacudida.

A batalha já quase havia terminado. Os soldados do Harry perseguiam as forças do Malfoy enquanto estas foram retirando-se cerque abaixo.

- Termina você! - gritou - Harry ao Sirius, atirando das rédeas para dirigir os seus arreios colina acima. O animal se afastou ao galope do campo de batalha, com a pureza de sua raça e sua resistência voltando-se evidentes quando subiu pelo traiçoeiro terreno movendo-se com uma assombrosa celeridade.

Harry se tinha desprendido de sua capa e de seu escudo durante a batalha, e passou a utilizar as mãos para proteger ao Ginny dos ramos que se balançavam em seu caminho.

Ginny não queria sua consideração. Empurrou-o com suas costas tratando de conseguir que a soltasse, preferindo o duro, revisto a seu aborrecível contato. Tinha matado a um homem por causa do Harry.

Harry não tratou de imobilizá-la. Agora sua principal preocupação era colocá-los a salvo. Não fez afrouxar o passo a seus arreios até que estiveram bem longe da ameaça. Finalmente deteve seu corcel com um puxão das rédeas quando entraram em um arvoredo. Ali todo estava em calma, e, além disso, era um lugar bem protegido.

Furioso consigo mesmo por te-la colocado em semelhante perigo, Harry voltou sua atenção para Ginny. Quando viu as lágrimas que estavam correndo por sua face, deixou escapar um gemido cheio de frustração. E logo tratou de tranqüilizá-la.

- Já pode deixar de chorar, Ginny - disse-lhe - Seu irmão não se achava entre os mortos. Economiza suas lágrimas.

Ela nem sequer se deu conta de que estava chorando. Quando sua mente por fim assimilou as palavras do Harry, Ginny ficou tão furiosa ante aquela má interpretação de sua inquietação que apenas se pôde articular uma resposta. Aquele homem era realmente desprezível. Limpou as lágrimas das bochechas e respirou profundamente, fazendo provisão de ar fresco e de uma nova fúria.

- Até hoje não sabia o que é o verdadeiro ódio, barão - disse-lhe - Mas agora acaba de dar um novo significado a essa palavra tão vil. Coloco a Deus por testemunha de que te odiarei até que mora. É muito possível - seguiu dizendo - que me veja condenada ao inferno de todas as maneiras, e todo por seu culpa.

Falava em um tom de voz tão baixo que Harry se viu obrigado a inclinar-se para diante até que sua frente roçou a do Ginny só para poder ouvir suas palavras. Nada do que lhe estava dizendo tinha absolutamente nenhum sentido.

- É que não me está escutando? - quis saber, embora mantivesse a voz tão suave como o tinha sido a sua. Sentia a tensão que havia nos ombros do Ginny e sabia que se encontrava muito perto de perder o controle, e tratou de voltar para calmaria. Queria ser amável e delicado com ela, uma reação que não funcionava nada habitual para sua maneira de pensar, mas Harry desculpou sua conduta dizendo-se a si mesmo que era unicamente porque se sentia responsável por ela - Acabo de te explicar que seu irmão se encontra a salvo, Ginny. No momento - acrescentou, decidindo lhe dar honestidade ao mesmo tempo em que consolo.

- É você o que não me está escutando - replicou Ginny a sua vez. As lágrimas começaram a emanar de novo interrompendo seu discurso, e Ginny se calou para fazê-las de lado - Devido a você tirei a vida de um homem. Foi um grave pecado, e você tem tanta culpa disso como eu. Se não me tivesse levado contigo pela força, então eu não tivesse podido matar a ninguém.

- Sente-se turvada porque mataste a um homem? - perguntou Harry, sem poder manter afastado de sua voz o assombro que sentia. Teve que recordar-se a si mesmo que Ginny só era uma mulher, e que o sexo frágil sempre parecia ver-se afetado pelas coisas mais estranhas. Também sopesou dentro de sua mente todo aquilo pelo qual tinha feito passar ao Ginny durante os últimos dois dias - Eu matei a muitos mais - disse, pensando que isso faria que a consciência do Ginny se sentisse um pouco menos culpada. Seu plano não teve nenhum êxito.
- Dá-me igual a tenha matado a legiões de soldados - anunciou Ginny - Você não tem alma, assim não importa quantas vidas estorvas.

Harry não tinha nenhuma resposta que dar a aquela afirmação, e compreendeu que não serviria de nada discutir com o Ginny. Agora se achava muito afetada para que pudesse pensar com lógica, e sem dúvida estaria igual de esgotada. De fato, estava tão fora de se que nem sequer podia lhe levantar a voz.

Harry a sustentou entre seus braços apertando-a cada vez com mais força até que Ginny deixou de debater-se. Com um suspiro cheio de cansaço e mais dirigindo-se a si mesmo que a ela, murmurou:

- O que vou fazer contigo?

Ginny o ouviu, e sua resposta foi muito rápida.

- Dá-me igual o que faça comigo. - Jogou a cabeça para trás e o olhou fixamente. Então viu o corte que havia justo debaixo do olho direito do Harry. Utilizou a manga de seu traje para conter o sangue, mas ao mesmo tempo contradisse a delicadeza de sua ação com umas palavras cheias de fúria. - Pode me deixar aqui, ou pode me matar. - Informou-lhe enquanto ia secando os borde de sua ferida. - Nada do que faça trocará as coisas para mim. Não deveria me haver levado contigo, Harry.

- Seu irmão veio em sua busca - observou Harry.

- Não o fez - contradisse-o Ginny - Veio em sua busca porque destruiu seu lar. Eu não lhe importo. Se só abrisse um pouco sua mente, sei que poderia te convencer da verdade. Mas é muito teimoso para escutar a ninguém. Tenho descoberto que falar contigo é inútil. Sim, é inútil! Juro que nunca voltarei a te falar.

Seu acesso de raiva consumiu as últimas e escassas forças que ficavam. Ginny terminou de limpar o melhor que pôde a abrasão sofrida pelo Harry e logo se apoiou em seu peito, esquecendo-se dele.

Lady Ginny era todo um paradoxo. Harry apenas se tinha podido resistir à delicada ternura com a qual lhe tocou a face quando tentou estancar sua ferida. Não acreditava que ela tivesse chegado a ser consciente em nenhum momento do que estava fazendo, e de repente se lembrou de como se encarou com o Sirius quando se encontravam na fortaleza do Malfoy. Sim, então Ginny também tinha sido uma contradição. Ginny tinha sido cuidadosa e serena com o irmão de Harry enquanto lhe gritava sua ira, e apesar disso não tinha deixado de agarrar-se em nenhum momento à mão de Harry.

Agora estava furiosa com ele enquanto o atendia. Harry voltou a suspirar. Apoiou o queixo na cabeça do Ginny e se perguntou como era possível que uma mulher tão doce e delicada estivesse aparentada com o diabo.

O intumescimento inicial estava começando a dissipar-se. Agora que a onda da ira a tinha abandonado, a coxa do Ginny começou a palpitar dolorosamente. Sua capa ocultava aos olhos do Harry o mal que tinha sofrido. Ginny acreditava que ele não se deu conta de sua ferida, e achava uma perversa satisfação naquele fato. Era uma reação ilógica, mas, agora Ginny não parecia ser capaz de pensar razoavelmente. De repente se encontrava tão cansada e faminta, tão dolorida, que simplesmente não podia pensar.

Os soldados se uniram ao seu senhor, e em questão de minutos já se estavam dirigindo para a fortaleza dos Potter. Uma hora depois, a teimosa determinação foi a única coisa que impediu Ginny de gritar seu protesto.

A mão do Harry tinha roçado acidentalmente a coxa ferida de Ginny, e sua capa e seu vestido apenas lhe ofereceram amparo alguma contra a abrasadora agonia. Ginny conteve seu grito. Separou-se os dedos de Harry com um tapa, mas o fogo que tinha aceso seu contato seguia estando presente e inflamava a ferida até levá-la a um nível insuportável. Ginny soube que ia vomitar.

- Temos que parar um momento - disse ao Harry. Queria lhe gritar, e também chorar, mas tinha jurado que ele não destruiria o que ainda ficava de seu doce caráter.

Ginny sabia que Harry a tinha ouvido. Seu assentimento de cabeça confirmou que a tinha ouvido, mas mesmo assim seguiram cavalgando e, passados uns quantos minutos mais, Ginny chegou à conclusão de que Harry tinha decidido não fazer caso de sua petição.

Que besta tão desumana era aquele homem! Embora isso lhe proporcionasse muito pouco consolo, Ginny fez uma inteligente mental com todos os epítetos insultantes que queria lhe chiar. Recorreu a todas as palavras malsoantes que podia recordar, apesar de que seu vocabulário de palavras soezes era limitado. Isso a satisfez, até que caiu na conta de que provavelmente se estava rebaixando ao nível do Harry. Maldição, ela era uma mulher doce e carinhosa!

Seu estômago se negava a acalmar-se. Ginny recordou seu juramento de não voltar a lhe dirigir a palavra nunca mais, mas agora se via obrigada, pelas circunstâncias, a lhe repetir sua petição.

- Se não mandar fazer um alto, vou vomitar em cima de você - disse-lhe.

Sua ameaça obteve uma reação imediata. Harry elevou a mão, dando a ordem de deter-se. Um instante depois já tinha desmontado de seu cavalo e estava baixando ao chão ao Ginny antes que ela pudesse preparar-se para fazer frente a semelhante ação.

- Por que nos detivemos? - Pergunta-a procedia do Sirius, quem também tinha desmontado e corria para seu irmão - Já quase estamos em casa.
- Por Lady Ginny - respondeu Harry, não dando nenhuma informação mais ao Sirius.

Ginny já tinha dado começo ao tortuoso caminho para a intimidade que ofereciam as árvores, mas se deteve quando ouviu a pergunta do Sirius.

- Pode ficar aqui e me esperar, Sirius - disse-lhe.

Tinha divulgado como uma ordem. Sirius levantou uma sobrancelha em um gesto de surpresa e se voltou para seu irmão. Harry estava franzindo o cenho enquanto contemplava ao Ginny, e Sirius chegou à conclusão de que seu irmão estava irritado pela maneira em que acabava de lhe falar Ginny.

- Acaba de passar por uma prova muito dura - apressou-se a desculpá-la, se por acaso se dava o caso de que Harry pudesse decidir fazer o pagar de algum jeito ao Ginny.

Harry sacudiu a cabeça e seguiu olhando ao Ginny até que esta teve desaparecido dentro do bosque.
- Algo vai mal - murmurou, franzindo o cenho enquanto tentava descobrir o que era o que o estava preocupando.

Sirius suspirou.

- Está doente possivelmente?

- E, e ameaçou com...

Harry se dispôs a seguir ao Ginny sem que chegasse a concluir seu comentário. Sirius tentou detê-lo com a mão.

- Lhe dê um pouco de intimidade, Harry. Já retorná conosco - disse - Não há nenhum lugar no que possa esconder-se - raciocinou.

Harry se tirou de cima a mão de seu irmão. Tinha visto a expressão de dor nos olhos do Ginny, e também se fixou na extremada rigidez com que se movia. Harry soube instintivamente que um estômago revolto não era a causa daquilo, porque de ter sido assim então Ginny não teria descarregado, seu peso sobre a perna direita. E se dispunha a vomitar, afastar-se-ia dos soldados correndo em vez de andar. Não, algo ia mal e Harry estava decidido a averiguar o que era.

Encontrou-a apoiada em um nodoso carvalho, com a cabeça inclinada. Harry se deteve, não desejando invadir sua intimidade. Ginny estava chorando. Harry a contemplou enquanto se tirava lentamente a capa e a deixava cair ao chão, e então entendeu a verdadeira razão de seu desassossego. O lado esquerdo de seu vestido estava rasgado até a prega, e se achava empapado de sangue.

Harry não se deu conta de que tinha gritado até que Ginny deixou escapar um gemido de terror. Não tinha forças para retroceder afastando-se dele, e tampouco resistiu quando Harry a obrigou a se separar as mãos de sua coxa e se ajoelhou junto a ela.

Quando Harry viu o mal, sentiu-se invadido por uma raiva tal que lhe tremeram as mãos enquanto me separava o objeto. O sangue que se secou em cima da ferida fez com que separá-la do tecido se convertesse em uma tarefa muito lenta. As mãos do Harry eram grandes e torpes, e, além disso, estava tentando ser o mais delicado possível. A ferida era profunda, quase tão larga como o antebraço do Harry, e se tinha coberto de terra. Teria que ser limpa e costurada.

- Ah, Ginny - murmurou Harry com voz subitamente enrouquecida - Quem lhe fez isso?

Sua voz tinha sido como uma cálida carícia, e sua simpatia era óbvia. Ginny soube que se Harry voltava a lhe mostrar algo de bondade, por-se-ia a chorar de novo. Sim, então o controle que exercia sobre si mesmo se partiria como um dos ramos às que se estava agarrando agora. Ginny não permitiria que isso ocorresse.

- Não quero sua simpatia, Harry. - Ergueu os ombros e tratou de despedi-lo com o olhar - Separa as suas mãos de minha perna. Não é decente.

Harry ficou tão surpreso por aquela súbita exibição de autoridade que quase sorriu. Logo elevou o olhar e viu o fogo que ardia nos olhos do Ginny, e então soube o que era o que ela estava tentando fazer. O orgulho se converteu em sua defesa. Já se tinha dado conta do muito que Ginny valorava o controle. Voltando a baixar o olhar para sua ferida, viu que não era grande coisa o que se podia fazer com ela naquele momento. Então decidiu deixar que Ginny se saísse com a sua.

- Não obterá nenhuma simpatia por mim, Ginny - disse-lhe - Sou como um lobo. Não suporto as emoções humanas.

Ginny não lhe respondeu, mas aquele comentário fez que abrisse muito os olhos. Harry sorriu e voltou a ajoelhar-se junto a ela.

- Me deixe em paz - disse-lhe Ginny.

- Não - replicou Harry suavemente e, desembainhando sua adaga, começou a cortar uma larga tira do vestido do Ginny.

- Está estragando meu vestido - murmurou ela.

- Pelo amor de Deus, Ginny, seu vestido já se estragou - respondeu Harry.

Depois envolveu a coxa do Ginny com a tira de tecido empregando a máxima delicadeza possível. Estava terminando, de atar um nó quando lhe empurrou o ombro.

- Está-me fazendo mal - disse, odiando-se a si mesma por admiti-lo. Maldição, ia ficar a chorar.

- Não é certo - disse ele.

Ginny soltou uma exclamação abafada e esqueceu tudo o que fazia referência ao chorar. O comentário do Harry a havia posto furiosa. Como se atrevia a contradizê-la! A que estava sofrendo era ela.

- Sua carne necessitará fio e agulha - observou Harry.

Ginny lhe deu um tapa no ombro que tinha mais perto quando ele se atreveu a acompanhar seu anúncio encolhendo-os.

- Ninguém vai utilizar uma agulha comigo.

- Você tem sempre que contrariar tudo, Ginny - disse Harry enquanto de levar se inclinava para recolher sua capa. Depois lhe envolveu os ombros com ela e a agarrou em braços, tendo muito cuidado de proteger sua ferida.

Ginny lhe rodeou instintivamente o pescoço com os braços, ao mesmo tempo em que pensava em lhe arrancar os olhos com as unhas pela forma grosseira em que a estava tratando.

- Você é o que sempre está me levando a contrariá-lo em todo, Harry - disse-lhe - Eu sou uma donzela de temperamento muito doce e carinhoso a que tentaria destruir se te desse ocasião de fazê-lo. E juro Por Deus que esta é a última vez que te dirigirei a palavra.

- Ah, e, além disso, é tão honorável que nunca faltaria a sua palavra. Não é assim, Lady Ginny? - perguntou ele enquanto a levava de volta com os homens que esperavam.

- Assim é - respondeu Ginny imediatamente. Fechou os olhos e se apoiou em seu peito - Sabia que tem os miolos de um lobo? E os lobos têm um cérebro muito pequeno.

Ginny se encontrava muito cansada para elevar o olhar e ver como estava reagindo Harry aos insultos que lhe dirigia. Dedicou-se a ir enfurecendo-se por dentro ante a maneira em que É a tratava, e de repente compreendeu que em realidade tivesse devido lhe agradecer aquela atitude tão fria. De fato, Harry tinha conseguido deixa-la bastante furiosa para que chegasse a esquecer-se de sua dor. Além disso, havia outra coisa igual de importante, e era o fato de que a falta de compaixão do Harry a tinha ajudado a superar o impulso de desmoronar-se e tornar-se a chorar diante dele. Chorar igual a uma criança teria sido uma terrível indignidade, e para o Ginny tanto a dignidade como o orgulho eram duas capas muito queridas que sempre levava postas. Perder qualquer das duas teria funcionado muito humilhante. Ginny se permitiu um pequeno sorriso, sentindo-se segura de que Harry não podia vê-la. Harry era realmente estúpido, porque acabava de salvar o orgulho do Ginny e ele nem sequer sabia.

Harry suspirou. Ginny acabava de quebrar sua promessa quando lhe tinha falado. Harry não sentiu nenhum impulso de lhe assinalar aquele fato, mas mesmo assim fez que lhe entrassem vontades de sorrir. Queria obter os detalhes de Ginny, saber como tinha sido ferida e pela mão de quem. Não podia acreditar que alguém dos seus lhe tivesse feito mal, mas os homens do Malfoy também teriam tentado protegê-la, verdade? Harry decidiu que esperaria antes de conseguir suas respostas dela. Antes precisava controlar sua ira, e agora Ginny precisava cuidados e descanso. Tratar com o Ginny lhe tinha funcionado muito difícil. Harry não era um homem que estivesse acostumado a ocultar sua ira. Quando se o fazia objeto de uma injustiça, atacava. Mas mesmo assim, tinha entendido o perto que se encontrava Ginny de desmoronar-se. Ter que contar o ocorrido a tivesse afetado muito naqueles momentos.

Quando voltaram a ficar em caminho, Ginny conseguiu encontrar uma escapatória a sua dor aconchegando-se junto ao peito do Harry. Sua face descansava debaixo do queixo dele. Ginny voltava a sentir-se a salvo. A maneira em que reagia à presença do Harry a confundia. No fundo de seu coração Ginny admitia que Harry não se parecia em nada ao Malfoy, embora antes se levaria essas palavras a seu leito de morte que dizer-lhe a ele. Depois de todo seguia sendo sua cativa, seu peão para içar contra seu irmão. E, entretanto em realidade não o odiava. Harry se limitava a responder ao que tinha feito Malfoy, e ela se via presa entre os dois.

- Escaparei, sabe. - Ginny não se deu conta de que tivesse falado em voz alta até que Harry lhe respondeu.

- Não o fará.

- Ao fim estamos em casa! - gritou Sirius.

Seu olhar estava dirigido para o Ginny. A maior parte do rosto dela ficava oculto, mas o que Sirius podia ver dele mostrava uma expressão muito tranqüila. Pensou que possivelmente estivesse adormecida e o agradeceu. Para falar a verdade, Sirius não sabia como terei que as ver-se com Lady Ginny agora. Encontrava-se em uma posição condenadamente incômoda. Tinha-a tratado com desprezo. E como o tinha pago ela? Pois, de fato, lhe salvando a vida! Sirius não podia entender por que Ginny tinha ido a sua ajuda e desejava perguntar-lhe Mas não o tinha feito, porque tinha a sensação de que não gostaria de sua resposta.

Quando Sirius viu os muros elevando-se no céu por diante deles, fez que seus arreios deixassem atrás o de Harry para assim poder ser o primeiro que entrasse no pátio inferior. Seguindo o rito e a tradição, Harry escolheu ser o último de seus homens na hora de entrar na segurança proporcionada pelos grossos muros de pedra. Aos soldados gostava daquele ritual, porque recordava a cada um deles que seu senhor colocava suas vidas por cima da própria. Embora cada homem tivesse jurado fidelidade ao barão Potter, e cada um respondia de boa vontade à chamada para unir-se a ele na batalha, cada um sabia também que podia contar com seu senhor para obter amparo. Era uma aliança muito útil que tinha ao orgulho por raiz. Graças a ela, cada homem também podia alardear de ser um dos soldados de elite do Harry.

Os homens do Harry eram os soldados melhor adestrados de toda a Inglaterra. Harry meia o êxito infligindo provas que os homens correntes teriam considerado totalmente impossíveis de superar. Seus homens estavam considerados como os escassos escolhidos, embora quando se fazia uma recontagem houvesse um total de quase seiscentos deles e todos fossem chamados a cumprir os quarenta dias de serviço que lhes exigia. Seu poderio era reverenciado e comentado em sussurros por aqueles que não chegavam a sua altura, e suas proezas de considerável força física eram narradas sem que houvesse nenhuma necessidade de que se exagerasse para assim fazer mais atrativo o relato. A verdade já era suficientemente interessante por si só.

Os soldados eram um reflexo dos valores daquele que os mandava, um nobre que brandia sua espada com muita mais precisão que todos aqueles que o desafiavam. Harry Potter era um homem ao qual terei que temer. Seus inimigos já tinham deixado de tratar de descobrir seus pontos frágeis. O guerreiro não mostrava nenhuma vulnerabilidade. Tampouco parecia estar interessado no que podia lhe oferecer o mundo. Não, Harry nunca tinha tomado ao dourado por segunda amante da maneira em que o tinham feito outros de sua fila. O barão Potter não lhe apresentava nenhum calcanhar do Aquiles ao mundo exterior. Era um homem de aço, ou isso acreditavam afligidos todos aqueles que lhe desejavam algum mal. Era um homem que não tinha consciência, um guerreiro que não tinha coração.

Ginny sabia muito pouco a respeito da reputação do Harry. Sentia-se protegida achando-se entre seus braços e foi olhando aos soldados enquanto estes foram desfilando junto a eles, sentindo certa curiosidade pela maneira em que estava esperando Harry. Logo dirigiu sua atenção para a fortaleza que havia ante ela. A colossal estrutura se elevava sobre uma nua colina, sem o benefício de uma só árvore que proporcionasse alguma classe de alívio à severidade. Um muro de pedra cinza circundava a fortaleza; devia ter ao menos duzentos metros de comprimento de um extremo, a outro. Ginny nunca tinha visto nada tão monstruoso. O muro era o bastante alto para que chegasse a roçar a brilhante lua, ou ao menos isso foi o que pareceu ao Ginny. Podia ver uma porção de uma torre circular se sobressaindo desde seu interior, tão alta que seu arremate ficava oculto por grosas nuvens.

O caminho que levava a ponte levadiça se curvava como o ventre de uma serpente ao longo da escarpada ascensão. Depois de que o último de seus homens tivesse deixado atrás as pranchas de madeira que atravessavam o fosso, Harry fez avançar a seus arreios. O corcel estava impaciente por chegar a seu destino, e fez a curva com um nervoso passo lateral que sacudiu a coxa do Ginny o suficiente para que este voltasse a lhe doer. Ginny fez uma careta ao sentir a pontada, sem dar-se conta de que estava apertando o braço do Harry.

Ele soube que Ginny sentia dor. Baixou o olhar para ela, viu sua expressão de esgotamento e torceu o gesto.

- Logo poderá descansar, Ginny. Agüenta só um pouquinho mais - murmurou-lhe com voz enrouquecida pela preocupação.

Ginny assentiu e fechou os olhos.

Quando chegaram ao pátio, Harry desmontou rapidamente e logo agarrou em braços ao Ginny. Sustentou-a com firmeza junto a seu peito, deu meia volta e pôs-se a andar para seu lar. O caminho estava cheio, de soldados. Sirius esperava com dois homens diante das portas do castelo. Ginny abriu os olhos e olhou ao Sirius. Pensou que parecia perplexo, mas não ocorreu a que podia dever-se. Até que se tiveram aproximado um pouco mais Ginny não se deu conta de que Sirius não a estava olhando, e então a surpreendeu que a atenção deste se achasse totalmente centrada em suas pernas. Olhando para baixo, viu que sua capa já não estava ocultando sua ferida. O maltratado vestido pendurava detrás dela como um estandarte rasgado. Quão único a cobria agora era o sangue, fluindo em um incessante emanar ao longo de toda sua perna.

Sirius se apressou a abrir as portas de uma grande entrada dupla que diminuiu aos homens. Uma rajada de ar cálido deu a boas vindas ao Ginny quando Regaram ao centro de um pequeno vestíbulo.

- A escada está no lado equivocado - disse de repente.

- Não, Ginny. Está no lado correto - respondeu-lhe Harry.

Ginny pensou que sua observação parecia havê-lo divertido.

- Esse não é o lado, correto - contradisse-o - A escada sempre está no lado, direito da parede. Isso todo mundo sabe - acrescentou com uma grande autoridade.

Por alguma razão, enfurecia-a que Harry não admitisse aquele defeito tão óbvio, em seu lar.

- A escada está à direita a menos que se ordene deliberadamente que a construa à esquerda - respondeu Harry.

Cada palavra tinha sido articulada com muito cuidado. De fato, Harry se comportava como se estivesse educando a uma criança não muito acordada.

O porquê de repente encontrava tão importante aquela discussão era algo que ficava além da compreensão do Ginny. Mas lhe parecia que era muito importante, e se juro que teria a última palavra sobre o tema.

- Então essa ordem terá sido dada por um ignorante - disse ao Harry, levantando a vista para ele para fulminá-lo com o olhar e lamentando que ele não estivesse olhando para baixo - É um homem muito teimoso - acrescentou depois.

- E você é uma mulher muito teimosa - replicou Harry. Logo sorriu, sentindo sentido prazer com sua observação.

Sirius seguia a seu irmão em silêncio. A conversação que estavam mantendo Harry e Ginny lhe parecia ridícula, mas se sentia muito preocupado para que pudesse sorrir ante seu tolo bate-papo. Sirius sabia que Remus estaria esperando-os. Se, o irmão médio certamente estaria dentro da sala. Adela possivelmente também se encontrasse ali. Sirius se deu conta de que agora estava preocupado pelo Ginny. Não queria que tivesse que acontecer nenhuma confrontação desagradável, e esperava que houvesse tempo para explicar a doce e delicada natureza do Ginny a seu irmão Remus. A preocupação do Sirius ficou temporáriamente abandonada quando Harry chegou ao segundo nível e não girou para entrar na grande sala. Tomou a direção oposta, subiu por outra escada e logo entrou na boca da torre. Então seus passos se voltaram menos largos, e a procissão se viu um tanto freada pelas pronunciadas curvas.

A residência do alto da torre estava gelada. Havia um grande lar para acender fogo aberto no centro do muro circular. Também se tinha acrescentado uma grande janela, justo ao lado daquela chaminé. A janela se achava totalmente aberto, e os portinhas de madeira se balançavam de um lado a outro para terminar chocando ruidosamente com os muros de pedra. Junto ao muro interior havia uma cama, e Harry tratou de ser o mais delicado possível quando depositou ali ao Ginny. Sirius os tinha seguido e Harry foi dando ordens a seu irmão enquanto ia empilhando partes de madeira dentro da chaminé.

- Nos mande ao Gerty com uma tabela de comida para o Ginny, e lhe diga ao Remus que traga seus remédios - disse-lhe - Terá que utilizar sua agulha com o Ginny.

- Colocará mil objeções - comentou Sirius.

- Fará-o de todas as maneiras.

- Quem é Remus?

A pergunta suavemente formulada procedia de Ginny. Tanto Harry como Sirius se voltaram paraa olhá-la. Ginny estava tentando erguer-se para ficar sentada na cama, e franzia o cenho ante a impossibilidade da tarefa. Seus dentes começaram a tiritar devido ao frio e a tensão, e finalmente voltou a desabar-se sobre a cama.

- Remus é o irmão do meio, que nasceu entre o Harry e eu - explicou Sirius.

- Quantos Potter’s há? - perguntou Ginny voltando a franzir o cenho.

- Em total há cinco - respondeu Sirius - Luna é a irmã maior e logo vem Harry, Remus, Hermione, e em último lugar eu - acrescentou com um sorriso - Remus se ocupará de seu ferimento, Ginny. Conhece todas as maneiras de curar, e antes que possa te dar conta, já voltará a estar como nova.

- Por quê?

Sirius franziu o cenho.

- Por que, o que?

- Por que quer que volte a estar como nova? - perguntou Ginny, claramente perplexa.

Sirius não soube como lhe responder. Voltou-se para olhar ao Harry, com a esperança de que ele desse a resposta à pergunta do Ginny. Harry tinha acabado de acender o fogo e agora estava fechando as portinhas. Sem dá-la volta, ordenou:

- Faz o que te hei dito, Sirius.

O tom de sua voz não convidava a discutir a ordem, e Sirius foi o suficientemente sensato para obedecer. Tinha chegado até a porta antes que a voz do Ginny o alcançasse.

- Não traga para seu irmão. Posso me ocupar de minha ferida sem ajuda.

- Agora, Sirius.

A porta se fechou com um golpe seco.

Então Harry se voltou para o Ginny.

- Enquanto esteja aqui, não transgredirá nenhuma de minhas ordens. Ficou claro?

Estava indo para a cama com lentas e mesuradas pernadas.

- Como vou entendê-lo, milord? - sussurrou Ginny - Não sou mais que um peão, verdade? Não é assim como estão às coisas?

Ginny fechou os olhos antes que ele pudesse assustá-la de algum jeito. Logo cruzou os braços em cima do peito, em uma ação que pretendia manter afastado ao frio que reinava na residência.

- Deixe morrer em paz - sussurrou a seguir, falando em um tom realmente muito melodramático. Deus, como desejava ter tido a fortaleza e o valor necessários para lhe gritar! Sentia-se muito desgraçada. Novos dores não demorariam a chegar se o irmão do Harry também a tocava - Não tenho o vigor que se necessita para poder suportar as cuidados de seu irmão.

- Sim o tem, Ginny. - O tom do Harry não tinha podido ser mais doce, mas Ginny estava muito furiosa para que isso pudesse lhe importar.

- Por que tem que contradizer tudo o que digo? Isso é um defeito terrível - murmurou.

Então bateram na porta. Harry respondeu com um grito enquanto cruzava a residência. Apoiou um ombro no suporte que havia em cima do lar, com seu olhar dirigido ao Ginny.

Ginny sentia muita curiosidade para manter fechados os olhos. A porta protestou com um chiado enquanto se abria, e uma mulher de avançada idade apareceu no vão. Levava uma tabela de comida em uma mão e jarra na outra, assim como duas peles de animal debaixo de seu braço. A faxineira era uma mulher gordinha com olhos castanhos cheios de preocupação. Atreveu-se a lançar um apressado olhar a Ginny, e logo se voltou para seu senhor para lhe fazer uma torpe reverencia.

Ginny decidiu que a faxineira tinha muitíssimo medo ao Harry. Contemplou a pobre mulher, sentindo uma grande compaixão por ela enquanto a faxineira tratava de manter em equilíbrio os objetos que levava nas mãos ao mímico tempo que fazia uma genuflexão.

Harry tampouco o estava colocando nada fácil. Dirigiu-lhe uma seca inclinação de cabeça e logo a enviou para o Ginny com um gesto. Não pronunciou nenhuma sozinha palavra de fôlego ou amabilidade.

A faxineira demonstrou ser muito rápida de pés, porque virtualmente correu para a cama logo que Harry ordenou o trabalho, gaguejado duas vezes antes que chegasse a ela. Colocou a tabela de comida ao lado do Ginny e lhe ofereceu a jarra.

- Com que nome te chama? - perguntou-lhe Ginny à faxineira, falando em voz muito baixa para que Harry não pudesse ouvi-la.

- Gerty - respondeu ela.

Então a mulher se lembrou dos cobertores que levava debaixo do braço e se apressou a levar a tabela de comida à arca de madeira que havia junto à cama. Logo tampou ao Ginny com as piles de animal.

Ginny lhe dirigiu um sorriso de agradecimento, e aquilo animou à faxineira a remeter as piles de animal debaixo das pernas do Ginny.

- Pela maneira em que tremem, vejo que lhes estão morrendo de frio - sussurrou.

Gerty não sabia nada da ferida do Ginny. Quando empurrou a pele de animal contra a coxa ferida, Ginny apertou os olhos contra o insuportável insulto daquela nova dor e não disse uma palavra.

Harry viu o que tinha ocorrido e pensou em lhe gritar uma reprimenda à faxineira, mas o mal já parecia. Agora Gerty lhe estava entregando sua comida ao Ginny.

- Obrigado por sua amabilidade, Gerty.

A aprovação do Ginny assombrou ao Harry. Olhou a sua cativa, viu sua tranqüila expressão e se encontrou sacudindo a cabeça. Em vez de enfurecer-se com a faxineira, Lady Ginny a tinha elogiado.

A porta se abriu de repente. Ginny se voltou para ela com os olhos exagerados pelo medo e viu como a porta ricocheteava uma vez contra a parede antes de ficar imóvel. Um homem que era um autêntico gigante acabava de aparecer no vão com as mãos apoiadas nos quadris e uma careta feroz desenhada em sua face. Com um suspiro cheio de cansaço Ginny chegou à conclusão de que aquele era Remus.

Gerty contornou ao homenzarrão e se afastou pelo corredor. No mesmo instante em que Remus entrava na residência uma esteira de serventes o seguiu trazendo consigo terrinas cheias de água e um sortido de bandejas em cima das quais havia recipientes de estranhas formas. Os serventes depositaram suas bandejas no chão junto à cama e logo deram meia volta, inclinaram-se ante o Harry e se foram. Todos agiam iguais a coelhos assustados. E por que não foram fazer o depois de todo havia dois lobos na residência com Ginny e acaso isso não bastava para assustar a qualquer?

Remus ainda não lhe havia dito uma sozinha palavra a seu irmão. Harry não queria que tivesse lugar nenhum enfrentamento diante do Ginny. Sabia que ele ficaria furioso, e que isso assustaria ao Ginny. Mesmo assim tampouco ia retratar se do que tinha feito.

- Não tem nenhuma “boas vindas” que dar a seu irmão, Remus? - perguntou.

A armação deu funcionado Remus pareceu ficar surpreso pela pergunta, e seu rosto perdeu um pouco de sua ira.

- Por que não fui informado de seu plano para trazer contigo à irmã do Malfoy? - perguntou depois - Acabo de me inteirar de que Sirius entendeu desde o começo como foram fazer se as coisas.

- E suponho que também alardeou disso - disse Harry, sacudindo a cabeça.

- O fez.

- Sirius exagera, Remus. Não tinha conhecimento algum de minhas intenções.

- E qual sua razão para manter em segredo este plano, Harry? - perguntou Remus.

- Você iria se opor a ele - observou Harry. Sorriu ante sua própria admissão, como se fora a ter encontrado um grande prazer na discussão.

Ginny observou a mudança que aquilo produziu nas maneiras do Harry. Estava realmente assombrada. Que austeramente arrumado lhe via quando sorria! Sim, pensou, parecia humano. Mas como, brigou-se a si mesmo, era tudo o que se permitiria pensar a respeito da aparência do Harry.

- Quando lhe tornaste você as costas a uma discussão? - gritou-lhe Remus a seu irmão.

As paredes tinham que estar tremendo a causa do estrépito. Ginny se perguntou se tanto Remus como Sirius sofreriam de algum problema de audição. Remus não era tão alto como Harry, notava-se quando ambos estavam de pé tão perto um do outro.

Mas se parecia mais a ele que Sirius. Quando franzia o cenho seu rosto adquiria um aspecto quase igual de ameaçador. Os traços faciais eram quase idênticos, seus franzimentos de cenho incluídos. Mas o cabelo do Remus não era negro, a não ser tão marrom como um campo recém arado, abundante e grosso. Quando se voltou a olhá-la, Ginny acreditou ver um sorriso que iluminava aqueles escuros olhos castanhos antes de que acontecessem voltar-se tão frios como a pedra.

- Se pensa me gritar, Remus, devo te dizer que ouço perfeitamente - - disse Ginny.

Remus não replicou. Cruzou os braços em cima do peito e a olhou, escrutadoramente e durante um bom momento, até que Harry lhe disse que visse sua ferida. Quando o irmão do meio foi para a cama, Ginny começou a assustar-se de novo.

- Preferiria que não te ocupasse de mim - disse, tratando de evitar que lhe tremesse a voz.

- Suas preferências não me concernem - observou Remus. Agora sua voz era tão suave como o tinha sido antes a dela.

Ginny admitiu a derrota quando Remus lhe pediu com um gesto que lhe ensinasse qual era a perna que devia atender. Remus era o bastante enorme para obrigá-la a obedecer pela força, e Ginny precisava conservar todas suas energias para a dura prova que a aguardava.

A expressão do Remus não se alterou quando ela levantou o cobertor. Ginny se assegurou de defender o resto de seu corpo de seu olhar. Depois de todo, ela era uma dama muito pudica e valia mais que Remus entendesse aquilo do primeiro momento.

Harry foi para o outro lado da cama. Franziu o cenho quando Remus tocou a perna do Ginny e esta torceu o gesto em uma careta de dor.

- Será melhor que a sujeite, Harry - observou Remus. Sua voz se adoçou, e toda sua concentração estava obviamente dirigida para a tarefa que tinha por diante.

- Não! Harry? - exclamou Ginny, não podendo manter afastada de seus olhos aquela expressão de frenesi.

- Não há nenhuma necessidade - explicou-lhe Harry a seu irmão. Logo olhou ao Ginny e acrescentou - Se chegar a ser necessário, eu a sujeitarei para que não se mova.

Os ombros do Ginny voltaram a descender sobre a cama. Logo assentiu e uma expressão de calma se estendeu por seu rosto.

Harry estava seguro de que teria que sujeitá-la, já que de outra maneira Remus não poderia completar o trabalho de limpar a ferida e voltar a juntar a carne costurando-a. Haveria dor, intenso, mas necessário, e o que gritasse durante aquela terrível prova não suporia nenhuma humilhação para uma mulher.

Remus dispôs seus mantimentos e finalmente esteve preparado para começar. Olhou a seu irmão, recebeu seu assentimento de cabeça e se voltou para olhar ao Ginny. O que viu o deixou o bastante surpreso para que ficasse imóvel. Havia confiança naqueles magníficos olhos azuis, e nem o menor rastro de medo era visível neles. Remus admitiu que Ginny era realmente formosa, tal como tinha assegurado Sirius.

- Pode começar, Remus - murmurou então ela, interrompendo o curso dos pensamentos do Remus.

Remus viu como Ginny agitava a mão em um gesto majestoso indicador de que estava esperando. Quase sorriu ante sua exibição de autoridade. A secura de sua voz também o tinha surpreso.

- Não seria todo um pouco mais fácil se te limitasse a empregar uma faca quente para selar a ferida? - perguntou Ginny, e logo se apressou a seguir falando antes que Remus pudesse lhe responder - Não é que pretenda te dizer como terá que fazê-lo. - disse a seguir - Rogo-te que não te ofenda, mas não te parece um pouco bárbaro utilizar uma agulha e fio?

- Bárbaro? - Remus parecia estar tendo certos problemas para seguir a conversação.

Ginny suspirou, e logo decidiu que estava muito esgotada para tratar de lhe fazer entender.

- Pode começar, Remus - repetiu - Estou preparada.

- Posso? - perguntou Remus, levantando a vista para o Harry para surpreender sua reação.

Harry estava muito preocupado para que pudesse sorrir ante a conversação do Ginny. Colocou-se muito sério.

- Além de ser formosa, você gosta de mandar - disse Remus a Ginny, com a recriminação suavizada por seu sorriso.

- Adiante com isso - murmurou Harry - A espera é pior que o ato.

Remus assentiu. Fechou sua mente a tudo o que não fora seu dever. Preparando-se para suportar os gritos que sabia se iniciariam logo que tocasse ao Ginny, deu começo à limpeza.

Ginny não chegou a emitir nem um só som. Em algum momento da terrível prova, Harry se sentou na cama. Ginny voltou imediatamente o rosto para o lado no que se encontrava ele e passou a comportar-se como se estivesse tentando meter-se debaixo de seu corpo. As unhas de seus dedos se cravaram na coxa do Harry, mas ele não acreditou que realmente se desse conta do que estava fazendo.

Ginny não acreditava que pudesse seguir suportando a dor durante muito mais tempo. Agradecia que Harry estivesse, ali, embora não podia entender por que sentia daquela maneira. Agora não parecia capaz de pensar muito, e se limitava a aceitar o fato de que Harry se converteu em sua âncora para seguir agarrando-se à vida. Sem ele seu controle se derrubaria. Justo quando estava segura de que ia começar a gritar, sentiu como a agulha atravessava sua pele. Um doce esquecimento a reclamou, e já não sentiu nada mais.

Harry soube que Ginny se desmaiou no mesmo instante em que aquilo ocorreu. Separou-lhe lentamente a mão de sua coxa e logo foi lhe voltando delicadamente sua bochecha até que pôde ver a totalidade de seu rosto. As lágrimas tinham molhado suas bochechas, e Harry foi as secando muito devagar até as fazer desaparecer.

- Parece-me que tivesse preferido que gritasse - murmurou Remus enquanto empregava a agulha e o fio para ir unindo a carne rasgada.

- Isso não teria feito que te funcionasse mais fácil - respondeu Harry. Ficou de pé quando Remus terminou e contemplou como seu irmão envolvia a coxa do Ginny com uma grosa tira de algodão.

- Demônios, Harry, provavelmente irá contrair a febre e morrerá de todas maneiras - predisse Remus com uma careta.

Seu comentário enfureceu ao Harry.

- Não! - exclamou - Não o permitirei, Remus.

A veemência com a que tinha falado deixou baste surpreso ao Remus.

- Tanto te importaria, irmão?

- Importar-me-ia - admitiu Harry.

Remus não soube o que dizer. Ficou imóvel com a afirmação do seu irmão que saía da residência.

Depois o seguiu com um suspiro cheio de cansaço.

Harry já tinha saído do castelo e estava indo para o lago situado detrás da choça do açougueiro.

Agradecia que fizesse tão frio, porque isso afastava sua mente das perguntas que o torturavam.

O banho noturno ritual era outra das exigências que Harry impunha a sua mente e seu corpo. De fato, tratava-se de um desafio destinado a endurecê-lo contra os desconfortos. Nunca esperava com impaciência o momento de nadar nem tampouco o fugia. E nunca deixava de cumprir com aquele ritual, já fosse ao verão ou no inverno.

Despiu-se e executou uma poda mergulho nas gélidas águas, esperando que o frio bastasse para apagar ao Ginny de seus pensamentos durante uns quantos minutos.

Pouco depois jantou. Remus e Sirius lhe fizeram companhia, algo que sem dúvida era bastante insólito porque Harry tinha a hábito de comer em solidão. Os dois irmãos menores falaram de muitas coisas, mas nenhum deles se atreveu a interrogar ao Harry a respeito de Lady Ginny. O silêncio e o franzimento de cenho que Harry esteve mantendo durante todo o jantar não se emprestavam a que se falasse de nenhum tema.

Depois Harry não pôde recordar o que tinha comido. Decidiu descansar um pouco, mas a imagem do Ginny seguiu entremetendo-se em seus pensamentos quando terminou indo-se à cama. Disse-se que se acostumou a tê-la perto dele, e que sem dúvida essa era a razão pela qual agora não podia dormir. Transcorreu uma hora e logo outra, e Harry seguia dando voltas na cama.

Em meados da noite, Harry finalmente se deu por vencido. Subiu à residência da torre amaldiçoando-se a si mesmo durante todo o trajeto, dizendo-se que só queria jogar uma olhada ao Ginny para assegurar-se de que não lhe tinha ocorrido desafiar sua vontade morrendo.

Logo ficou imóvel no vão da porta durante um bom momento, até que ouviu gemer ao Ginny em sonhos. O som o atraiu ao interior da residência. Fechou a porta, acrescentou mais lenhos ao fogo e logo foi para o Ginny. Ginny dormia volta sobre o lado bom com seu vestido subido ao redor das coxas. Harry tentou dispor um pouco melhor o objeto, mas não conseguiu que esta ficasse colocada de uma maneira que o satisfizesse. Sentindo-se bastante frustrado, terminou utilizando sua adaga para cortar o tecido. Não se deteve até que lhe teve tirado tanto o vestido como a meia túnica, dizendo-se que Ginny estaria muito mais cômoda sem eles. Agora já só levava sua regata branca. O decote do pescoço mostrava a curva de seus seios. Um amplo jugo feito com um delicado trabalho de bordado circundava a linha do decote, e os distintos fios vermelhos, amarelos e verdes tinham sido meticulosamente entrelaçados para que formassem um limite confeccionado com flores da primavera. Era um lucro de uma natureza muito feminina, que comprouve bastante ao Harry, porque sabia que Ginny tinha passado largas horas trabalhando nele.

Ginny era tão deliciosa e feminina como as flores que tinha bordadas em sua regata. Que criatura tão doce e delicada era! Sua pele, agora salpicada pela tremente claridade do fogo que a banhava com um resplendor dourado, não tinha absolutamente nenhum defeito. Deus! Era muito formosa.

- Oh, demônios... - murmurou Harry para si mesmo.

Sem o obstáculo do vestido para que a ocultasse aos olhos do Harry, Ginny estava oferecendo uma visão ainda mais maravilhosa que antes.

Quando viu que começava a tremer, Harry se deitou junto a ela. A tensão foi dissipando-se lentamente de seus ombros. Acostumou-se a tê-la muito perto dele, e sem dúvida essa era a razão pela que agora se sentia tão a gosto.

Harry atirou do cobertor até deixá-los tampados com ele. Logo se dispôs a lhe passar o braço ao redor da cintura e aproximá-la um pouco mais a ele, mas Ginny foi mais rápida. Escorrendo-se sobre a cama sem que o movimento fizesse que chegasse a despertar, Ginny se aconchegou rapidamente junto ao corpo do Harry até que suas nádegas ficaram pegas da maneira mais intima possível à união das coxas dele.

Harry sorriu. Funcionava evidente que lady Ginny também se acostumou ao ter muito perto dela, e se sorriu com arrogância foi unicamente porque Harry sabia que Ginny não era consciente desse fato... Ainda.






N.a.: Nossa que leitoras exigentes eu tenho! Por mérlin meninas...hehe nem dmeorei nada!

E ja esta revolução ...heueheihuei Senhoritas Dani e guinever!!! Espero que curtem os caps...eles sao gigantescos, entao vou ficar uns 3 meses sem atualizar...O QUE???????? Não neh meninas...kkkk
Ja estou fazendo o 7, mas ano prometo nada, por que preciso atualizar o ultimo dragao, e este cap (o 19) é meio decisivo na historia entao...Se me der uma loka eu atualiza ate final de semana, se ano...chupem o dedo e esperem ueheuiheiuehih....

E por favor, encham esta fic de comentarios hemmm!!!!!

beijos

Primeiro Capítulo :: Próximo Capítulo :: Capítulo Anterior :: Último Capítulo

Menu da Fic

Adicionar Fic aos Favoritos :: Adicionar Autor aos Favoritos

 

_____________________________________________


Comentários: 0

Nenhum comentário para este capítulo!

_____________________________________________

______________________________


Potterish.com / FeB V.4.1 (Ano 22) - Copyright 2002-2026
Contato: clique aqui

Moderadores:



Created by: Júlio e Marcelo

Layout: Carmem Cardoso

Creative Commons Licence
Potterish Content by Marcelo Neves / Potterish.com is licensed under a Creative Commons
Attribution-NonCommercial-ShareAlike 3.0 Unported License.
Based on a work at potterish.com.